SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

domingo, 4 de abril de 2010

1851/1858: POVOADOS E ASSENTAMENTOS

Antigo mapa territorial eclesiástico
Santa Cruz do Rio Pardo
1. Região para Santa Cruz do Rio Pardo
Entre 1850 e 1851, na avançada pelo sertão centro sudoeste e oeste paulista, a cada cinco ou seis léguas, o chefe bugreiro José Theodoro de Souza, ou à sua ordem, tinha sempre o cuidado primeiro em escolher local de arranchamento e levantar uma cruz, denominar o lugar sob a invocação de um orago, geralmente o do dia, ou identificação geográfica (rios, morros e furnas) quando não, algum traço marcante com o qual distinguido, como floresta, espécie vegetal, predominância de qual tipo de aves, entre outras observações de acontecimentos notórios, após o que construir dois ou mais ranchos coletivos para neles instalar homens, fortemente armados, para reconhecimento e medições de terras, localizações de possíveis predecessores e caçar índios e animais selvagens, com isso a amanhar o sertão para a chegada das famílias em relativa segurança.
As primeiras fazendas 'santacruzenses', portanto, vinculam-se às bandeiras civilizacionais para exterminações indígenas, dividindo-se as ocupações: Turvo/Alambari ambas as margens; Turvo margem esquerda; divisor Pardo/Turvo e Pardo à margem direita; e as vertentes e margem esquerda do mesmo Pardo.
Com as desocupações indígenas chegaram os assenhoradores das terras, em maioria das Minas Gerais ao Rio Tietê para atravessá-lo, entre os portos Potunduva (distrito de Jaú) e Lençóes (Lençóis Paulista), daí a São Domingos, de onde a prosseguir pelas margens do Turvo instalando-se as primeiras fazendas e fogos rurais.
Considerados os acertos que dariam a formação territorial primitiva, oficial, para o município de Santa Cruz do Rio Pardo, as primeiras transações de terras no Turvo, para ocupações e explorações econômicas, tiveram início a partir de dezembro de 1851 pelas famílias nominalmente identificadas por membro representante, de acordo com a obra de Pupo e Ciaccia, "As primeiras Fazendas da Região de Botucatu" (2005), sem dúvidas, revelações de aspectos até então obscuros ou ocultos da história regional.
Aqueles autores não relacionaram os nomes e fatos voltados para a história de Santa Cruz do Rio Pardo, sendo preciso buscá-los nas transcrições e cópias de antigas escrituras para a região pretendida. 
O território santacruzense sofreu divisões por aguadas, algumas postas a vendas e outras ocupadas por bugreiros. 
2. Assentamentos no Turvo/Alambari
2.1. Joaquim Antonio da Silva
Primitivo possuidor de terras no Ribeirão das Antas, conforme Registro Paroquial de Terras lavrado em Botucatu aos 19 de abril de 1856, com as seguintes confrontações observadas em 1912:
  • "Começa na barra do Ribeirão da Peroba no ribeirão das Antas, segue pelo veio desse ribeirão acima até um Salto Grande e d'ahi, pelo espigão formado por dois corregos que se acham logo para cima do Salto até a serra, confrontando com uma outra fazenda das Antas [ilegível] Jose Mar... [ilegivel] a esquerda pela serra, o espigão do ribeirão Vermelho até frontear a cabeceira do ribeirão da Peroba, confrontando com as fazendas Rio Feio e Ribeirão Vermelho, segue a esquerda procurando a nascente do Ribeirão da Peroba, e pelo veio desta agua abaixo até o ponto onde tiveram inicio estas divisas." (Cidade de Santa Cruz, 30/05/1912: 2). 
2.2. Antonio Cardoso da Silva
Mais conhecido por Antonio Cardoso, posseiro no histórico 'Logar dos Cardosos', no início das divisas para o município de Santa Cruz do Rio Pardo, em 1872, "Principiando no rio Alambary, no logar chamado dos Cardosos, procuram o espigão e por este abaixo até frontear o ribeirão de Santa Clara" (Camara Municipal de Lençóis Paulista, 07/11/1872).
A melhor descrição da propriedade foi dada pelo sucessor Manoel de Oliveira Cardoso, em edital de 1909:
  • "(...) principia no ribeirão das Antas, e d’ahi sobre pelo espigão da Gralha acima, que contraverte com o espigão do ribeirão da Rosa até o alto encontrando o espigão do ribeirão Vermelho, dividindo com as terras d. Rosa de Tal, e depois dividindo com as terras de Telles Netto e Cia, sempre pelo espigão do ribeirão Vermelho, até o alto da serra dos Agudos, ahi comprehendo todas as vertentes e corregos e aguas affluentes do ribeirão das Antas e limitando-se com quem de direito sempre pelo cume da serra dos Agudos até encontrar as divisas das terras vertentes do ribeirão do Saiote, e descendo pelo espigão deste abaixo comprehendendo as terras da fazenda de Eduardo Porto, pelo espigão que contraverte com o corrego da Barra Bonita até o ribeirão das Antas, e d’ahi por elle abaixo até onde tiveram princípio estas divisas." (Cidade Santa Cruz, 18/09/1909: 3). 
São diversos os membros da família Cardoso citados fazendeiros na região do Alambari, Rio Vermelho e Antas.
2.3. José Luiz Correia Dutra
A família Dutra [Duttra] foi proprietária de terras no Alambari, na altura do Ribeirão das Antas. 
José Luiz Correia Dutra apossou e depois vendeu sua parte a Manoel Pereira [ou Ferreira] Nantes, aos 28 de dezembro de 1857, nas divisas com Joaquim Antonio da Silva, Manoel Pereira e Manoel Dutra Pereira (Pupo e Ciaccia, 2005: 248 - F 92 e Mapa).
2.4. Manoel Dutra Pereira
Apossou terras para a formação da Fazenda Corrente, principiando no Alambari, divisando com Antonio Cardoso da Silva, conforme registro lavrado em Botucatu, aos 02 de abril de 1856, informando posse retroativa desde 1848: 
  • "(...) pelo espigão acima até o alto da serra divisando com quem de direito for, até encontras com as terras de Manoel Pedro Nascimento, procurando as cabeceiras do corrego da Divisa, descendo pelo rio abaixo até fazer barra no Alambary, atravessando para o outro lado, a procurar o espigão que contraverte com as terras de Manoel Pedro e com o ribeirão da Porteira, subindo por este espigão acima até encontrar com a viuva do finado Silverio Gomes, sempre pelo espigão que contraverte para o Turvo e o Alambary, divisando com este abaixo o mesmo Antonio Cardoso onde teve inicio esta divisa, tudo de acordo com o competente registro." (DOSP, edição de 27/07/1909: 8-9). 
O citado Córrego da Porteira não é aquele mencionado pelo sertanista José Theodoro de Souza em sua posse nº 516, de 31 de maio de 1856.
2.5. Silverio Gomes dos Reis
Apropriou as terras:
  • "Principiando na barra do Vermelho, pelo veio do Alambary acima, até chegar ao espigão da barra das Antas, e por ele acima até as vertentes do Corgo do Cumbahy, sobe pelo espigão, até ganhar a cabeceira do Corgo da Onça, dividindo com Antonio Moreira da Silva rodeando e descendo pelo Espigão, divisando com Miguel Rodrigues de Moura, até o Ribeirão Vermelho, subindo pelo veio d’água, até o Espigão do Corgo do Carneiro, subindo, divisando com o mesmo Moura, pelo Espigão, até o alto, rodeando, divisa de quem de direito for, até encontrar divisa de Antonio Vicente, e descendo até o Alambary, subindo pelo veio, até onde teve princípio esta divisa." (Pupo e Ciaccia, 2005: 232, Mapa F-74). 
Silvério estava morto, em 14 de agosto 1857, data da transação acima, onde aparece vendedora a viúva Maria Thereza D’Ávila.
2.6. Manoel Moreira da Silva
Deteve posses nas cabeceiras e vertentes do Córrego Cumbahy e do Córrego da Onça até o Ribeirão das Antas, conforme descrições:
  • "Que as divisas do imóvel são as seguintes: principiando no rio Alambari, subindo espigão acima passando em Santa Cruz, divisando com José Joaquim Cesario, até o alto, e até cercar uma cabeceira que tem o ribeirão da Congonha e ahi divisa com Joaquim Braz e mais para baixo com Francisco Pires, mais para baixo com Joaquim Rosa e passando o ribeirão das Antas, subindo pelo espigão divisa com o mesmo Joaquim Rosa, até o alto e ahi subindo rodêa as cabeceiras do ribeirão da Gralha, com Miguel Rodrigues de Moura e pelo espigão abaixo até o ponto onde se fizer divisa até as Antas e subindo por ele acima até o espigão do córrego da Congonha, divisando com José Luiz Correia até o alto da serra e depois divisa pelo espigão abaixo até o Lambary, divisando com o mesmo José Luiz Correia até o alto e com Antonio Cardoso até o Rio Lambary, onde teve principio esta divisa" (DOSP, edição de 05/05/1912: 1906). 
Valdeci Correa de Freitas, professor e historiador, no título "Lucianópolis: sua terra e sua gente", destacou:
  • "O antigo Patrimônio de São Pedro das Antas, depois distrito Policial de Gralha e atualmente Lucianópolis, surgiu da doação de terras feitas por Manoel Moreira da Silva. A escritura de doação foi lavrada no ano de 1862 no cartório da extinta Freguesia de São Domingos (...)." (CD: A/A). 
Manoel, filho de Antonio Moreira da Silva e Anna Severina de Jesus, foi casado com Francisca Romana de Jesus e, dentre filhos e filhas nasceu-lhes Antonio Luiz da Silva que se uniu em matrimônio com a prima Anna Severina de Jesus, ascendentes do coautor Celso Prado, lado materno.
2.7. Antonio Moreira da Silva
O conhecido Antonio Moreira da Silva teve terras na vertente do Córrego Cumbahy, em direção ao espigão, divisando com Silvério Gomes dos Reis. 
O Antonio Moreira da Silva, filho de Antonio Moreira da Silva e Anna Severina de Jesus, nasceu em Alfenas, MG, em 1830, e faleceu em Conceição de Monte Alegre, hoje distrito de Paraguaçu Paulista – SP, no ano de 1901, conforme consta em Processo de Inventário, Matrícula sob nº 33, iniciado em 25 de novembro de 1902, no Juízo de Direito/Escrivão de Órfãos, Provedoria da Comarca de Campos Novos do Paranapanema. Casado com Emerenciana Maria de Jesus, é ascendente, pelo lado materno, do coautor Celso Prado.
2.8. Messias José de Andrade
Assentou-se à margem direita do Rio Turvo, na barra do Alambari, e por este acima em divisas com Gabriel Archanjo de Faria, até a barra do Ribeirão das Antas, onde o encontro com as terras dos Cardoso, de cujo lugar rumo à barra do Ribeirão Santa Clara – afluente do Turvo, à esquerda, e citado divisante com José Theodoro de Souza (RPT/BT nº 518, 31/05/1856). 
2.9. Joaquim Manoel de Andrade Junior
Andrade Junior, proprietário de terras divisantes entre o Turvo, margem direita, às proximidades do Alambari (Pupo e Ciaccia, 2005: 247 F 91 e mapa, citado em transação de 28 de dezembro de 1857).
O citado Joaquim Manoel de Andrade Junior era o filho de Joaquim Manoel de Andrade e Anna Rodrigues da Silva, os pioneiros do Turvo.
2.10. Alexandre Theodoro Guarnier
Terras havidas por Guarnier em 1851, divisas com Joaquim Manoel de Andrade Junior e Miguel de Tal, à direita do Rio Turvo em direção ao Alambari, depois adquiridas por Hilário Leite da Cunha (Pupo e Ciaccia, 2005: 247 - F 91 e Mapa, 28/12/1857).
2.11. Miguel de Tal
Citado posseiro, em 1857, acima da propriedade de Guarnier, de entremeio com o espigão Turvo/Alambari (Pupo e Ciaccia, 2005: 247 F-91).
Estudos consideram tratar-se de Miguel Francisco Soares, o primogênito de Manoel Francisco Soares.
2.12. Joaquim da Eugênia
Outrora desconhecido na história santacruzense, Joaquim foi dono de terras divisas a Alexandre Theodoro Guarnier, em 1857 (Pupo e Ciaccia, 2005: 247 F-91). 
Trata-se de Joaquim Francisco Soares, casado com Eugenia Maria de Jesus, e o cognome deu-se para distingui-lo de parente homônimo.
3. Fazendeiros à margem esquerda do Rio Turvo
Alguns posseiros ou adquirentes de terras, assumiram porções à margem esquerda do Turvo, abaixo do Ribeirão de Santa Clara, região que em 1862 já fazia parte do território santacruzense (ACMSP, Documentos Diversos para Santa Cruz do Rio Pardo – Carta do Padre João Domingos Figueira, 1864), dimensões depois acrescidas e ratificadas na oficialidade das divisas 26 de outubro de 1872 (Câmara de Lençóis Paulista, 26/10/1872), e aprovadas por Ato Provincial de 09 de dezembro do mesmo exercício.
3.1. José Manoel de Cuba – Fazenda Ribeirão dos Cubas
José Manoel de Cuba aparece como posseiro primitivo na região e logo fracionou a propriedade. Seu nome aparece como divisante numa escritura de compra e venda de terras, de 23 de fevereiro de 1857 (Pupo e Ciaccia, 2005: 221-222 F 56 e mapa). 
O sobrenome pluralizado, Cubas, deu-se ao ribeirão e o bairro rural.
3.2. Manoel Francisco Soares – Fazenda Jacutinga
O bugreiro Manoel Francisco Soares, cofundador de Santa Cruz do Rio Pardo, teria apossado terras à margem esquerda do Turvo, em 1851/1852, no lugar denominado Jacutinga, embora nenhum documento alcançado até 2014 apresente, com clareza, qualquer comprovação, exceto um edital particular de protesto que informa a Fazenda Crissiumal extraída daquela primitiva posse (Correio Paulistano, 14/02/1892: 3). 
Segundo documentos para legalização de posse e desmembramentos, a Fazenda Crissiumal consta como direito primário de Manoel Francisco Soares, em sociedade com João Francisco dos Santos, desde o ano de 1855 (DOSP, 01/09/1895: 14372-14373).
A ser exato o edital de protesto, a Fazenda Jacutinga teve apossamento pioneiro de Manoel Francisco Soares.
3.3. Antonio José Pinto – Fazenda da Onça
Conforme documentos anexados em processo de regularização de terras, "a fazenda da 'Onça' foi aposseada em mil oitocentos e cinquenta e registrada em trinta de maio de mil oitocentos e cinquenta e seis, (...), por Antonio José Pinto" (DOSP, 11/08/1898: 7-8).
A dita fazenda, loteada volta de 1855, teve José dos Santos como proprietário de parte divisa com Manoel Francisco Soares, no espigão com a Fazenda São Domingos, divisando pelo alto com a antiga Jacutinga/Crissiumal, e fundos com Rio Turvo. 
Com sucessivos partilhamentos da Fazenda Onça, as propriedades convergiam para dois bairros rurais, 'o da Onça e o Matão da Onça'.
3.4. José Botelho de Souza – Fazenda Perobas
A propriedade denominada Perobas pertencera, primitivamente, a José Botelho de Souza, falecido em 1875. O todo, repartido entre herdeiros e sucessores, recebeu diferentes denominações conforme as partes: Santa Izabel do Ipê, Santo Antonio e Estrela, além da própria Perobas.
No ano de 1894, os herdeiros, filhos e genros de José Botelho de Souza, foram representados por João Bonifácio Figueira, filho do Padre João Domingos Figueira, casado com a herdeira Maria das Dores de São José, num acerto de dívidas do falecido com o parente Gabriel Botelho de Souza (Livro de Escritura nº 38: 9-91 do 1º Tabelião de Notas e de Protesto de Títulos da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo – SP, gentileza de Luiz Botelho). O pagamento da dívida com Gabriel Botelho de Souza, em 1894, deu-se mediante cessão de parte da fazenda herdada – a Perobas.
O médico, político e fazendeiro Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré adquiriu uma porção de 202 alqueires na denominada Fazenda Santo Antonio, divisando com o Coronel João Baptista Botelho, dono de outra parte da Santo Antonio e da Fazenda Estrela, num total de 409 alqueires, informadas por José Amandio Sobral, Inspetor da Secretaria dos Negócios da Agricultura, do Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo, 5º Distrito (Correio do Sertão, 07/02/1903: 1-2 e 14/02/1903: 1-2).
O Dr. Sodré alienou a Fazenda Santo Antonio ao Carlos Egydio de Souza Aranha, que a denominou Santa Gema. Posteriormente o Sr. José Maria Moreira de Moraes adquiriu a Fazenda Santa Gema.
São conhecidas outras divisões primitivas do todo originário de José Botelho de Souza (O Progresso, 14/10/1906: 3).
4. Fazendas no espigão Pardo/Turvo e Pardo à direita
4.1. Fazenda Clarínia
José Custodio de Souza, vindo de Cabo Verde (MG), foi proprietário de terras no termo de Clarínia – Fazenda Santa Clara, associada à Fazenda Cocais ou Cocaes, por volta do ano de 1857, enquanto seu irmão, Domingos Pereira de Souza, adquiriu posses a partir de divisa comum, pelo espigão, em direção ao Ribeirão dos Cubas, desde as vertentes até a barra no Turvo (Souza, 2012: CD: A/A). 
4.2. Fazendas no Guacho, Capivari e Rico
Antonio de Oliveira Marinho fez posse primária em terras 'adquiridas' de José Theodoro de Souza localizadas entre os ribeirões Guacho e Capivari: "(...) por entre as terras de Manoel Baptista e Antonio de Oliveira Marinho e por estas, a rumo, até o rio Paranapanema, divisando sempre com a Freguezia de São Domingos e pelo lado opposto com o sertão" (Câmara de Lençóis Paulista, 07/11/1872, sobre as divisas para Santa Cruz do Rio Pardo, em cumprimento à Lei Provincial nº 71, de 07/04/1872).
Pelas antigas transmissões, tal fazenda divisava-se com terras de José Belisario de Oliveira, apossador entre os ribeirões do Capivari, Rico e uma parte no Capivara, margem direita do Rio Pardo, e outra porção à margem esquerda, "volteando três cabeceiras, procurando o Pardo", todas elas repassadas a José Lourenço de Lima, em 28 de maio de 1855 (Pupo e Ciaccia, 2005: 201 - F 29 e mapa).
4.3. Fazendas no Capivara
A montante no Rio Pardo, Francisco de Paula Souza e Luiz Antonio da Cunha, são identificados em transações de terras "Na paragem denominada Capivara, terras compradas de José Theodoro de Souza (...) divisando com Antonio Soares." (Pupo e Ciaccia, 2005: 207 - F 35). 
Antonio Soares era um dos filhos de Manoel Francisco Soares.
4.4. Fazenda Cachoeira ou Pica-pau (Picapau)
Terras originariamente apossadas por José Bernardes Ferreira, atravessada pelo Córrego Cachoeira, de onde o nome Fazenda Cachoeira, e pelo caminho Santa Cruz/Espírito Santo do Turvo, divisando, entre outros, com a Fazenda 'Mandassaia' e a Água do Pica-Pau (DOSP, 20/12/1910: 4059-4060).
4.5. Fazenda Três Ilhas
De João Vieira Teixeira e Silva, que provou ter posse primitiva e morada habitual no lugar, entre os ribeirões Água Limpa e Pica-pau, desde as nascentes com fundos para o Pardo, nas divisas com a Fazenda Cocaes (Correio Paulistano, 19/04/1891: 2).
4.6. Fazenda Crissiumal
Propriedade de Manoel Francisco Soares em comunhão com João Rodrigues de Oliveira, 1855, "principiando no ribeirão da Lontra (...) abrangendo as vertentes do Crissiumal (...) e a divisar com a fazenda São Domingos (...)" (DOSP, edição de 01/09/1895: 14372 e 14373). Ao ribeirão da Lontra deu-se nome, posterior, de Córrego da Boa Vista.
O edital informa a primeira transação da fazenda, por volta de 1855. 
4.7. Fazenda Santa Cruz/São Domingos
No ano de 1895, já subtraídas as partes genericamente adiante do Ribeirão São Domingos e doações ao patrimônio da Santa Cruz, encontra-se o declaratório de venda da Fazenda São Domingos, por volta de 1855, de Manoel Francisco Soares aos fazendeiros Ignácio Fernandes Garcia e Cyrino Pinto da Fonseca, principiando abaixo da estrada Santa Cruz/Espírito Santo do Turvo – além do valo divisor do patrimônio Santa Cruz, daí rumo ao ribeirão e atravessá-lo para seguir divisa com as terras de Faustino Machado de Oliveira (DOSP, 17/05/1895: 8-9), prosseguindo até encontrar com os limites da Fazenda Onça.
Limitando-se com o mesma Fazenda Onça, a São Domingos rumava às divisas com a Fazenda Crissiumal e, daí, a procurar o ribeirão da Lontra (DOSP, 17/05/1895: 13584-13585), atual Córrego da Boa Vista. 
4.8. Fazenda Ribeirão do São Domingos 
Faustino Machado de Oliveira apossou terras do outro lado do Ribeirão São Domingos, divisando, em extensão, com a Fazenda São Domingos, de Manoel Francisco Soares (DOSP, 17/05/1895: 8-9), assim observado por volta de 1855, sem pormenores quanto sua exata largueza pelo Pardo.
O posseiro repartiu a propriedade em fazendas menores, colocando-as a vendas. Parte das terras foi adquirida pela família Garcia, ou Garcia de Almeida (Correio Paulistano, 08/02/1906: 5, edital de venda pelo 'bauruense' Dr. Ismael Marinho Falcão).
De João Paulo Garcia, o casal José dos Santos Coutinho e Rita de Sene (Senne), genro e filha de Manoel Francisco Soares e Ignácia Porcina de Sene, adquiriu sorte de terras, doando vinte alqueires ao Patrimônio do Santo Antonio, conforme escritura lavrada em São Domingos (Livro de Notas, nº 3, fls. 59-v a 60-v, aos 09 de março de 1868, consoante 1º traslado pelo Tabelião da então Santa Bárbara do Rio Pardo, aos 04 de dezembro de 1891).
Joaquim Pio da Silva, alienou fração da posse de Machado de Oliveira (Mapa do Patrimônio de Santo Antonio, 1900), denominada Fazenda Monjolinho, depois dividida em três porções, uma repassada ao Coronel João Baptista Botelho, aonde atual Vila Fabiano e adjacências, outra a Mathias Ban, cujas posses abrangiam, também, parte da primitiva Fazenda São Domingos. Do que restou ao Pio denominou-se Fazenda União.
Mathias Ban, nos anos de 1950, optou por fracionar parte de sua aquisição para formar o loteamento urbano Vila [do] Matias.
Uma das porções da antiga posse de Faustino Machado de Oliveira, a Fazenda Santa Cecília, tornou-se conhecida por Jamaica.
4.9. Fazenda Salto da Boa Vista/Ribeirão Grande
A denominada Fazenda Salto da Boa Vista foi posse de Joaquim José Martins, à margem direita do Rio Pardo. O domínio, em algum tempo, teve continuidade do outro lado do Pardo acompanhando o Ribeirão Grande, por isto o nome composto, Fazenda Salto da Boa Vista/Ribeirão Grande.
Manoel Francisco Soares adquiriu referida fazenda e a repassou, por venda, ao Padre João Domingos Figueira, em 1861/1862 (DOSP, 19/03/1898: 23.174).
4.10. Fazenda São José do Rio Pardo
Francisco Rodrigues de Freitas houve de José Theodoro de Souza, uma porção de terras com as medições e confrontações dadas em 1908, correspondentes a duas partes do todo primitivo:
  • "Principia na margem direita do rio Pardo, limitando-se com a fazenda o 'Embiraçú', dahi segue até dividir com a fazenda das 'Tres Barras'; dahi segue dividindo com esta fazenda, até dividir com a fazenda da 'Agua Branca'; dahi segue dividindo com esta fazenda, até dividir com a fazenda da 'Barra do Turvo'; dahi segue dividindo com esta fazenda, até dividir com a 'Água da Furna'; dahi segue até dividir com a fazenda denominada 'Poção de Baixo', dahi segue dividindo com esta Fazenda, até dividir com a Fazenda do major Firmino Manoel Rodrigues, depois o rio Pardo; dahi segue dividindo com esta fazenda até a margem esquerda do rio Pardo; e dahi atravessando este rio, até o ponto onde tiveram começo (...)." (DOSP, 16/02/1908: 451). 
    • A fazenda de Firmino era conhecida por Ribeirão Grande de São José (Correio do Sertão, 26/04/1902: 2).
A terceira parte originou as fazendas de Joaquim José Martins, João Rodrigues de Oliveira, Joaquim Manoel de Andrade, Francisco Ignácio Borges e Manuel da Silva, este nas confrontações com a Fazenda Furnas – atual região de Ourinhos, onde os limites formados com os antigos proprietários entre os quais, Dona Maria Valéria; certo Francisco; Antonio Graciano e Escholastica Melchert da Fonseca (viúva de João Manoel da Fonseca Junior), conforme edital expedido pelo Juízo da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo de 20 de novembro de 1911, onde exequente Jacintho Ferreira e Sá (A Ordem, edição de 25/11/1911: 2).
4.11. Fazenda do Embiraçu
A Fazenda do Embiraçu ou 'Imbiruçu/Imbiriçu' iniciava-se a partir das divisas com a Fazenda São José do Rio Pardo e partes da Fazenda Água das Pedras, abrangendo o Córrego do Imbiraçu [Embiraçu] (DOSP, 16/02/1908: 451).
O nome da fazenda deu-se pela quantidade de 'paineiras do cerrado', então comum naquela região, de cujos frutos extraíam-se a lanugem para encher travesseiros, almofadas, colchões e acolchoados. 
O português Joaquim Alves da Silva, morador em Machado (MG) teria adquirido 2.090 alqueires de terras por cinco mil contos de réis, em parte da Embiraçu, sob a garantia de terra boa. Chegou com a família em 1864 e, "Ao descobrir um cerrado, onde é hoje o Posto Cruzadão [Rodovia Orlando Quagliato Km 16], recebeu de volta 500 mil réis" (Santos Silva Família, Encontro, 2000: 2).
4.12. Fazendas na região de atual Salto Grande 
Euzebio da Costa Luz teve posse primária de terras entre as barras do Pardo e Ribeirão dos Bugres, parte do atual município de Salto Grande, abrangendo espigão e vertente do Paranapanema paulista (Pupo e Ciaccia, 2005: 228 F 68). 
Ainda no local, presente José Francisco de Mendonça "nas margens do Paranapanema, que José houve por posse, há 3 anos, mais ou menos (c. de 1851). Divisando pelo veio da Água com Euzebio da Costa Luz (...) e por cima, na frente do Espigão, com João Mariano" (Pupo e Ciaccia, 2005: 163, E 65).
O casal Joaquim José Garcia e sua mulher Anna Vicencia da Fonseca houve terras do pai de Anna Felisberto Rodrigues do Valle, em partes no Ribeirão dos Bugres, aos 12 de agosto de 1856 (Pupo e Ciaccia, 2005: 20 F 33). 
5. Fazendeiros às margem e vertentes do Pardo à esquerda
5.1. Fazenda Mandaguahy 
Francisco Martins de Azevedo fez posse primária à margem esquerda do Rio Pardo, desde o Ribeirão Mandaguahy, pelo divisor do Ribeirão Dourado à direita, e Ribeirão do Lajeado à esquerda, até o espigão Pardo/Paranapanema, com Registro Paroquial de Terras lavrado em Botucatu, aos 31 de maio de 1856.
Martins de Azevedo e sua mulher Guilhermina Claudia de Oliveira repassaram a propriedade a Francisco José Paulino, com documentação de compra e venda datada de 03 de março de 1861.
Consta, a seguir, em documento de 29 de dezembro de 1862 que Francisco José Paulino e sua mulher America Maria de Jesus alienaram a propriedade, por permuta, com Francisco Ignácio Borges e sua mulher Anna Rosa de Oliveira (Correio do Sertão, 28/11/1903: 3).
5.2. Fazenda Lageado 
5.2.1. Fazenda do Ortiz 
Salvador Ortiz de Oliveira foi posseiro de terras adiante das cabeceiras do Ribeirão do Lageado [Lajeado], no lugar denominado Córrego Salvador Ortiz, abrangendo as vertentes de ambos os lados até o Rio Pardo, sendo aquele acidente mencionado diviso com então criado Distrito de Mandaguahy (DOSP, 18/08/1905: 1). 
O desmembramento da primitiva fazenda do Salvador Ortiz de Oliveira teria dado origem ao Bairro do Lageado, fortaleza e sentinela para abrigo das famílias.
Ortiz tem registro histórico no sertão em 1858 (Igreja Católica/SGU, Livro Batismos, Botucatu para a Capela de São Domingos, 18/01/1858). Adquiriu terras de José Theodoro de Souza, em atual município de Paraguaçu Paulista, em 1867, o primeiro naquela região.
Ainda em 1890 familiares e agregados de Salvador Ortiz de Oliveira e de Antonio Soares Monteiro residiam no Lageado, além das famílias de Francisco Ignácio Borges, Egydio Martins, e gentes dos Silveira e Andrade (Alistamento de Eleitores, Santa Cruz do Rio Pardo, 1890). 
  • Salvador Ortiz de Oliveira é ascendente paterno do coautor Celso Prado.
5.2.2. Fazenda Barra Grande
Na Lei Provincial nº 51, de 11 de maio de 1877, que decidiu as divisas municipais de Santa Cruz do Rio Pardo, estava a Fazenda Barra Grande, de propriedade de Antonio de Oliveira Mattosinho e Silva (Capitão Mattosinho), pelo ribeirão Barra Grande até a barra do ribeirão do Óleo, compreendendo todas as suas vertentes, daí à esquerda pelo espigão, seguindo as divisas da Freguesia de São Sebastião do Tijuco Preto, atual Piraju, até frontear a barra do rio Itararé no Paranapanema. 
Barra Grande tornou-se Fazenda Lageado, propriedade do mesmo Capitão Mattosinho (DOSP, 24/04/1895: 13359). 
5.3. Fazenda [do] Óleo
Consta a Fazenda do Óleo como propriedade primária de João Alves Braga, no ano de 1852, que a repassou por vendas, em partes iguais, a Joaquim Marques do Valle e a Joaquim Luiz Dutra (DOSP, 17/05/1896: 16790). 
As terras da outrora Fazenda do Óleo e a do Lageado estão dentro das atuais divisas do município do Óleo, território por décadas pertencente à Santa Cruz do Rio Pardo.
5.4. Fazenda Douradão 
Um vão entre as posses de terras correspondentes às fazendas Mandaguahy, Óleo, Lageado, Ribeirão do Dourado e Ribeirão Grande ou Salto da Boa Vista, assumido por Francisco Fernandes, desde as cabeceiras do Douradão ou Água de Chico Fernandes, e por Joaquim Pereira nas vertentes até a barra da 'Água de Joaquim Pereira', aonde seria erguido um bairro rural por nome Douradão.
Em 1879 chegava à região o comprador de terras Manoel Joaquim de Lemos, vindo de Avaré, e que por lá se fixou, fracionando a propriedade para vendas e, assim, atrair interessados em estabelecer fazendas para lavouras e criação de gado. 
Lemos doou cinco alqueires de terras para a expansão do bairro (Biblioteca IBGE: Bernardino de Campos – SP). 
Com a chegada da Estrada de Ferro as famílias deixaram o Bairro Douradão e se transferiram para a Figueira, aonde a gare, para depois tornar-se Bernardino de Campos. 
5.5. Fazenda Água dos Pires
O arquiteto e entalhador José da Costa Allemão Coimbra em 1857 adquiriu de Francisco de Paula Moraes, genro de José Theodoro de Souza, gleba de terras à margem esquerda do Rio Pardo.
Coimbra deixou nesta fazenda o agregado Francisco Pires de Souza, "que desde na maior das duas águas foi morar" deu-se ao lugar a denominação 'Água dos Pires' (DOSP, 18/09/1909: 4310-4311), ainda conhecido por Bairro Água dos Pires.
No ano de 1863 o proprietário colocou referida propriedade a venda, conforme publicações no Correio Paulistano (01/08/1863: 3 e outras edições), e sem concretizar negócios empreendeu viagem para a Europa, porém vindo a falecer em África ficando os bens para sua viúva, meeira e herdeira e aos descendentes, à exceção de Henriqueta da Costa Allemão Coimbra e os herdeiros desta, residentes no exterior.
A fazenda foi alienada à empresa Alves de Azevedo e Companhia, e deu-se intensa disputa judicial com o antigo agregado Francisco Pires de Souza.5.6. Fazenda Ribeirão Grande/Salto da Boa Vista.
Propriedade de Joaquim José Martins, à margem esquerda do Rio Pardo, foi adquirida por Manoel Francisco Soares e repassada ao Padre João Domingos Figueira, em 1861/1862, que fazia parte da Fazenda Salto da Boa Vista, do outro lado do Pardo (DOSP, 19/03/1898: 23.174).
5.7. Fazendas Jacu, Furnas, Paredão e Chumbeada
O avanço sertanejo pelo Paranapanema atingiu a região de Ilha Grande – atual Ipaussu, com João Antonio Leal, que permutou sua propriedade, aos 30 de dezembro de 1854, "no lugar denominado Ilha Grande, nas margens do Paranapanema", com João da Cruz Pereira, dono de "Uma sorte de terras na barra do rio Itararé, que houve de Vitoriano Garcia" (Pupo e Ciaccia, 2005: 168. E 72). 
Na mesma Ilha Grande (Ipaussu), parte compreendida entre o Rio Paranapanema e o espigão à direita, em direção ao hoje município de Ourinhos, constou:
  • "(...) fazenda denominada Jacú sita no districto de paz de Ilha Grande e faz parte da grande posse feita por José Theodoro de Sousa (...). Que a fazenda 'Jacú' divide com o rio Paranápanema de um lado, de outro com a fazenda 'Furnas', e de outro com as fazendas 'Paredão' e 'Chumbiada'-." (DOSP, 03/08/1909: 2321-2322). 
Partes de mencionadas fazendas situavam-se divisas ou mesmo inseridas na antiga Sesmaria das Antas, inclusas na posse de José Theodoro de Souza, sendo a Fazenda Furnas também conhecida por Salto do Turvo e chegava à margem esquerda daquele rio, acima de sua barra no Pardo, nas divisas com o citado Manuel da Silva. 
5.8. Fazenda Santa Thereza
Trata-se de antiga propriedade de José Theodoro de Souza, repassada por venda a Romão Carlos Nogueira, Major, e Joaquim Gomes Nogueira, aos 11 de agosto de 1863. A propriedade principiava na barra do Rio Pardo no Paranapanema (DOSP, 16/06/1908: 1869-1870).