SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

domingo, 4 de abril de 2010

1872/1876: DAS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E OUTRAS

O estranho equívoco político-histórico
Santa Cruz elevada a Freguesia 
Ato de Governo - ALESP EE. 72.15.6
Imagem produzida em PhotoScape
1. Capela São Pedro elevada à Freguesia Santa Cruz do Rio Pardo
A Guerra com o Paraguai (1864/1870) fez aumentar a população sertaneja com os mineiros e outros migrantes em fuga massiva dos alistamentos para as frentes de batalhas. 
O crescimento populacional trouxe, como consequência, o expansionismo territorial, obrigando o governo adotar medidas de descentralização política e administrativa, criando vilas e freguesias mais próximas do sertão, e com isto as melhorias dos serviços públicos, com o aval da Igreja.
Aos 08 de fevereiro de 1870 foi apresentado na Assembleia Provincial de São Paulo, o Projeto Lei nº 69 elevando "a Capella de S. Pedro no municipio dos Lençoes á freguezia, com a invocação de São Pedro dos Campos-Novos." (Diário de São Paulo, 18/02/1870: 2).
A propositura trazia as assinaturas dos parlamentares José Alves dos Santos, Antonio da Silva Prado, Venâncio de Oliveira Ayres, Joaquim Leonel Ferreira e Francisco de Assis Pacheco Junior.
Inequivocamente tratava-se da elevação da Capela de São Pedro (São Pedro do Turvo) à condição de freguesia, numa tramitação ágil, e aos 23 de fevereiro de 1870 a Assembleia pedia a manifestação da Igreja "Remettendo-lhe o projecto" (Diário de São Paulo, 26/02/1870: 3), e o Vigário de São Domingos, Padre Andrea Barra, aos 03 de março do mesmo ano deu o parecer que:
  • "(...) a Capela de São Pedro não pode ser elevada a Freguezia porque seu pessoal, e a falta de Igreja não permittem essa elevação (...). Informo mais que neste lugar/São Pedro/ha uma Igreja de vinte poucos palmos, e não ha numero de almas sufficientes para Freguezia." (ALESP, EE 72.15: 8-9).
O Padre Andrea Barra, sem dúvidas, referia-se à localidade de São Pedro do Turvo, pois bem conhecia o sertão, porém a Igreja não considerou o seu posicionamento, para endossar a proposta político-administrativa de divisão territorial da vigararia, com melhores atenções ao sertão crescente (ALESP, EE72.15:9-10), e, no contexto, observou, apenas, a exigência de se construir uma igreja matriz. 
Sem exatamente conhecer onde o interesse em se levantar a freguesia, o Padre Deputado João Vicente Valladão firmou-se politicamente no entendimento de Barra e o parecer da Igreja, para fazer aprovada a emenda que "Não sera elevada a Freguezia sem q primeiro se tenha Igreja decente, que sirva de Matris, e os paramentos necessarios para as solenidades." (ALESP, EE 72.15: 4).
Projeto dessa natureza exigia a participação entre as instâncias oficiais competentes, sendo o Governo da Província oficiado pela Assembleia em data de 22 de fevereiro de 1870, todavia a crise instalada no Poder Executivo de São Paulo elegeria outras prioridades, e apenas aos 21 de fevereiro de 1871, pelo Ofício de nº 57 o governo mostrou-se favorável ao Projeto nº 69 e à construção de templo religioso que servisse de Matriz à localidade de São Pedro. 
Não houve tempo. O ano de 1871 também foi politicamente tumultuado, com a Província passando por três presidentes, e o Projeto nº 69 não teve mais o respaldo nem a atenção dos deputados, e assim repassado para a legislatura seguinte, de 1872/1873.
Na sessão legislativa provincial de 16 de fevereiro de 1872, sobre a proposta manifestou-se o Deputado Padre João Vicente Valladão: "este projecto é do ano de 1870, nenhum dos seus signatários está na casa; não forão reeleitos deputados." (Diário de São Paulo, 22/02/1872: 1). 
O Deputado Joaquim Lopes Chaves, num aparte concedido por Valladão, foi veemente que nenhum dos deputados eleitos, nem mesmo do 3º Distrito ao qual anexado São Pedro, conhecia o lugar, e por isto opinava pelo arquivamento do projeto:
  • "Entrando em 3ª discussão o projecto n 69, elevando a freguezia a capella de S. Pedro, o sr. [José Francisco de] Paula Eduardo tomando a palavra faz considerações para mostrar a conveniencia da elevação, não da capella S. Pedro, mas da de Santa Cruz do Rio Pardo, e neste sentido mandou á mesa uma emenda, que posta á votos com o projeto é approvada." – (Correio Paulistano, 01/03/1872: 1). 
A emenda teve a seguinte redação: "Em vez de – S. Pedro – diga-se – Santa Cruz do Rio Pardo. – Paula Eduardo", e o autor também requereu a obteve dispensa do interstício a favor da emenda" (Diário de São Paulo, 22/03/1872: 1).
Outro deputado, Paulo Egydio de Oliveira Carvalho, então rasurou o documento onde escrito 'São Pedro dos Campos Novos' e escreveu 'Santa Cruz do Rio Pardo' (ALESP, EE 72.15: 1) e, à página 2 a confirmação dada: "Em vez de S. Pedro, ficando Santa Cruz do Rio Pardo." (ALESP, EE 72.15: 2).
O processo finalizado na Comissão de Redação não teve a correção devida quanto a localidade, e a Assembleia Legislativa Provincial decretou e o Governo da Província de São Paulo sancionou a Lei nº 71, de 20/04/1872, elevando a Capela São Pedro a Freguesia, sob a invocação de Santa Cruz do Rio Pardo.
A própria Igreja, pela Vigararia Capitular sediada em Botucatu, foi previamente comunicada que a Capela São Pedro, no município de Lençóis Paulista, seria elevada a Freguesia sob a denominação de Santa Cruz do Rio Pardo (Processo para elevação de Freguesia Canônica, 28/12/1872), e deu o aval e apresentou as medidas e condições do templo de Santa Cruz e não aquele de São Pedro informado pelo Padre Andrea Barra.
Aparentemente a Igreja se interessava pela descentralização da vigararia, não importando diretamente o lugar. Não perderia a oportunidade, e com o ato legal Santa Cruz do Rio Pardo tornou-se cabeça de paróquia e sede do 3º distrito do Termo de Lençóis Paulista, em detrimento a São Pedro do Turvo.
Nos considerando apresentados esgotam-se as possibilidades de Santa Cruz do Rio Pardo ter sido, um dia, a antiga Capela São Pedro.
1.1.  Suspeições de interesses particulares
Jamais esclarecida por qual razão Santa Cruz do Rio Pardo foi elevada à condição de Freguesia em detrimento a São Pedro do Turvo. A deformação não pode ter sido apenas a vontade ou sugestão de um deputado que nem mesmo conhecia a região.
Apesar da pressa em aprovar a emenda, dispensar prazos, elaborar decreto e obter urgente sanção presidencial, não houve nenhum impulso irrefletido, e sim o interesse em beneficiar alguém que poderia obter vantajosos lucros. 
Na época as mercadorias para o sertão chegavam a Santa Cruz do Rio Pardo pela estrada vinda de Faxina – depois Itapeva, e atendia aos interesses do fazendeiro, comerciante e serventuário da Justiça, Emygdio José da Piedade. Piedade havia sido deputado provincial na legislatura 1870/1871 e retornaria ao cargo para mandato de 1874/1875. 
Emygdio José da Piedade era um homem politicamente influente e em suas principais propostas visava interesse próprio e familiar, com grande entreposto comercial em Santa Cruz do Rio Pardo, negociando com toda a região. Piedade – por Faxina e Paula Eduardo – por Botucatu, foram  candidatos deputados provinciais em 1869 (Correio Paulistano, 14/10/1869: 3), eleitos  e com bons relacionamentos na Legislatura 1870/1871.
Se a Freguesia fosse dada a São Pedro do Turvo, certamente seria utilizada a estrada de Lençóis Paulista – antigamente Lençóes para o abastecimento de mercadorias e demais transações comerciais, beneficiando outros interessados, e a família Piedade ficaria no prejuízo.
Alguns anos depois, em 1883, o deputado provincial Domingos José Nogueira Jaguaribe, cearense de tradicional família brasileira, político e fazendeiro em Rio Claro - São Paulo, denunciava que as mercadorias importadas chegavam a Santa Cruz por Faxina ou Rio Novo – Avaré, e eram encarecidas. 
Com interesses em Campos Novos Paulista, na ocasião, o Jaguaribe apresentava propostas a ele ajustadas, em detrimento ao Piedade e a Santa Cruz: "ha entretanto um outro, facilimo [caminho] de chegar á Campos Novos pela navegação do Tieté até o porto de Lençóes. De Lençóes a Campos Novos, projectam os moradores deste lugar fazer um caminho em linha recta, todo elle em terreno plano, e que não ficará a menos de 80 kilometro" (Jaguaribe, Cartas do Sertão – O Sul de São Paulo, in Correio Paulistano, edições contínuas e serias a partir de 11 de dezembro de 1885). 
Para cuidados de seus interesses, Emygdio mudou-se com a família para Santa Cruz do Rio Pardo, já em 1876, e pela região foi eleito deputado algumas e sucessivas vezes, e em suas principais propostas políticas visava Santa Cruz do Rio Pardo, à custa de interesse próprio, daí suas lutas para melhor infraestrutura do lugar, com as criações de repartições públicas e aberturas de escolas, as construções de pontes e aberturas e melhorias de estradas, para escoamento de produções e entrada de mercadorias necessárias para o sertão. 
O domínio dos Piedade ainda se manteria forte por alguns anos, mas jamais Emygdio teve significativa votação em São Pedro do Turvo, permanecendo sempre atrás de outros candidatos sem nenhuma ligação com o lugar. 
2.  Freguesia de Santa Cruz do Rio Pardo 
Com a condição de freguesia, em cumprimento ao dispositivo da Lei nº 71, de 20 de abril de 1872, fez-se o primeiro registro oficial de divisas para Santa Cruz do Rio Pardo, descrito em documento da Câmara Municipal de Lençóis Paulista, de 26 de outubro de 1872, encaminhado ao Governo da Província, e assim estabelecido: "Principiando-se no rio Alambary, no logar chamado dos Cardosos, procuram o espigão e por este abaixo até frontear o ribeirão de Santa Clara. E por este ribeirão acima até ultimas cabeceiras e d’aqui, o rumo, ao rio Pardo por entre as terras de Manoel Baptista e Antonio de Oliveira Marinho e por estas, a rumo, até o rio Paranapanema, divisando sempre com a Freguezia de S. Domingos e pelo lado opposto com o sertão." (AESP, 1908: 318). 
O Governo aprovou: "Á camara municipal de Lençóes. – Communicando que por acto desta data foi approvada as divizas marcadas para a nova freguezia de Santa Cruz do Rio Pardo, desse município, constante do seu officio de 26 de Outubro findo." (Diário de São Paulo, 16 de novembro de 1872: 1).
A condição de freguesia fundamentava-se na Constituição de 1824, ou seja, as freguesias eram criadas por iniciativas do poder civil, pelas Assembleias Provinciais, cumprindo aos bispos (Igreja) confirmá-las, com o significado de povoação formada, organizada e territorialmente delimitada, urbana e rural, com divisas definidas e extensivas sobre os bairros [Capelas] que lhe seriam subordinados.
Aos 13 de janeiro de 1873 a Carta de Provisão Eclesiástica confirmava o ato da Lei nº 71 de 20 de abril de 1872, vigorando desde então as mesmas divisas que lhe foram dadas pelo Poder Civil:
  • "Aos que esta Provisão virem, saúde e paz para sempre em o Senhor."
  • "Tendo a Assembléia Legislativa Provincial por lei n. 71 de 20 d’abril de 1872 elevado à Cathegoria de Freguesia (Paróquia) esta Capella de Santa Cruz do Rio Pardo do Município de Lençóis, e attendendo ao que me representou Joaquim Antonio da Silva por parte do povo d’aquele lugar, hei por bem pela presente confirmar como por esta Provisão confirmo, erijo e canonicamente instituo aquella Freguesia na forma do Sagrado Concílio Tridentino, concedendo-lhe todos os direitos, privilégios, honras, insígnias distinções que lhe pertencem como Egreja Parochial, que de hoje em diante fica sendo, vigorando as mesmas divisas pelo que diz respeito a Estolla, que pelo Poder civil lhe foram dadas. Esta será publicada à estação da Missa Conventual dum dia festivo e registrada no livro do Tombo da Matriz para a todo tempo constar. Dada na Câmara Episcopal de S. Paulo, sob meu signal e sellos das armas, aos 13 de janeiro de 1873." (Frei Lourenço Maria Papin, Festa de São Sebastião - Dia da Cidade, apud Jornal Debate 1241, 16/01/2005).
Em igual data o Bispo Diocesano de São Paulo, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, inaugurava o novo templo religioso que serviria de Igreja Matriz, na antiga Praça Anchieta. 
A Praça Anchieta situava-se na parte dos fundos onde a atual Praça Dr. Pedro César Sampaio, a partir de um imaginário sequente da travessa [do] Manoel Herculano, adiante da Avenida Tiradentes, passando pelos fundos da Igreja e chegar à Rua Benjamin Constant. A primeira matriz fazia frente com a atual Rua Dr. Alziro de Souza Santos.
O Padre João Domingos Figueira foi nomeado o primeiro Vigário de Santa Cruz do Rio Pardo.
3.  Subdelegacia de Freguesia 
Documento da Secretaria de Polícia da Província de São Paulo, datado de 15/01/1873, Divisão Policial, informava: "No anno passado creou-se (...) as Subdelegacias das novas Freguezias de (...) Santa Cruz do Rio-Pardo" (RG, BN 1014, 1873/1873: A-17).
Face a nova situação foram nomeadas como autoridades policiais: "Subdelegado Claudino José Marques. Supplentes: 1º Capitão Joaquim Compton D'Elboux; 2º João Bonifacio Figueira; 3º Siryno Carneiro de Araujo." (Almanak da Provincia de São Paulo 1873: 447-448, dados referentes ao exercício de 1872). 
Santa Cruz do Rio Pardo tornava-se apta a receber engajamento de praças [soldados], de acordo com o Relatório de Governo, nº 1014, e seu nome lançado no Mapa da Policia em 05 de fevereiro de 1873 (RG, BN 1014, 1873/1873: M-23). 
Uma Delegacia de Freguesia tinha importância regional, diferente daquela de Distrito, ficando o capturado, em tese, numa cela aguardando remoção ou ali mesmo mantido prisioneiro sob guarda, até ulterior decisão de um juiz. O lugar já era subdelegacia de freguesia quando foram presos em seu território "Fortunato Jose Gonçalves e Pedro Fortunato, pronunciados como complices na morte praticada no termo da Faxina de uma familia de indios." Os presos foram conduzidos para a Cadeia de Botucatu aguardando remoção para o "districto da culpa." (Correio Paulistano, 04/12/1873: 2). Alguns anos depois, cumprindo pena em Santa Cruz do Rio Pardo, Fortunato e Pedro protagonizaram um dos maiores escândalos políticos envolvendo o nome do Coronel Emygdio José da Piedade e sua família.
Para o funcionamento era preciso um prédio para atendimento administrativo e a própria cadeia, conjunto então denominado quartel, em imóvel alugado, sabendo-se que, a partir de janeiro de 1875 tais serviços estavam instalados numa construção tosca, de propriedade de Valentim José Theodoro, conforme citação pelo Deputado Coronel Emygdio José da Piedade (Correio Paulistano, Suplemento, 19/03/1882: 1, encarte edição 7617, de 12 de abril de 1882), confirmado em Relatório de Governo pela Presidência da Província de São Paulo (RG, BMIP 1023, 1878/1879: S 2 - 61).
4.  Dados censitários
4.1. Censo de 1872
O primeiro censo demográfico realizado brasileiro, de 1º de agosto de 1872, concluído na Província de São Paulo aos 30 de janeiro de 1874, Santa Cruz do Rio Pardo apresentava população de 3.623 habitantes livres – 1948 homens e 1675 mulheres, constando ainda 209 escravos – 109 homens e 100 mulheres (IBGE, Coleção Digital 1872: 286-288, pelo Recenseamento Geral do Brasil, Província de São Paulo). 
Antes de 1872, ocorriam estatísticas demográficas paroquiais voltadas aos espaços territoriais para políticas de ocupações em áreas específicas, agregações ou desmembramentos territoriais municipais, para atuações de governo em nível regional. Não vem ao caso.
O Censo de 1872, pela mesma fonte oficial, foi marcado pelos detalhamentos referentes à Paróquia de Santa Cruz, trazendo conjunto os levantamentos para Santa Cruz do Rio Pardo e São Pedro do Turvo. 
Embora cabeça de paróquia, a população de Santa Cruz era inferior a de São Pedro do Turvo, numa proporção estimada em 41,40 e 58,60% respectivamente, ou seja, a população de Santa Cruz do Rio Pardo e territórios que lhe seriam incorporados correspondiam a 1.500 habitantes livres, para 1872, com aproximadamente 90 escravos. Em São Pedro do Turvo residia o pioneiro-mor e toda sua parentela, agregados e amigos próximos, portanto uma área mais povoada. 
Dos 1.948 indivíduos livres, masculinos, 964 eram brancos, 581 pardos, 357 negros, 46 caboclos, 1885 solteiros, 476 casados, 137 viúvos, 1948 católicos, 1948 brasileiros, 878 alfabetizados, 1.075 analfabetos, 67 meninos de 06 a 15 anos instruídos e 447 não.
Das 1.675 pessoas livres, sexo feminino, contaram 1.019 brancas, 426 pardas, 216 negras, 32 caboclas, 1.108 solteiras, 470 casadas, 07 viúvas; 1675 católicas, 1.675 brasileiras, 654 alfabetizadas, 1.021 analfabetas, 51 crianças de 06 a 15 anos instruídas e 888.
Dos 209 contados para população escrava, 109 eram do sexo masculino, sendo 41 pardos, 68 negros e nenhum caboclo.  Dos cativos, 102 foram citados solteiros, 7 casados e nenhum viúvo, todos analfabetos e professadores do credo católico. Havia 04 deficientes físicos, sendo 3 aleijados e 1 alienado.
Das 100 pessoas cativas, sexo feminino, 29 delas eram pardas, 71 negras e nenhuma cabocla. Delas  97 foram classificadas solteiras, 03 casadas e nenhuma viúva, sendo todas declaradas católicas, de nacionalidade brasileira e sem alfabetização. Duas eram cegas. 
O Censo de 1872 para a região mostrou-se deficiente e, aparentemente, não foi realizado domicilio a domicilio. 
Manoel Eufrásio de Azevedo Marques, na relação das povoações da Província de São Paulo, por numero de eleitores e fogos [residências] de cada uma, em 1870, indica Santa Cruz do Rio Pardo com 1.500 habitantes, enquanto o Dr. Joaquim Floriano de Godoy elaborou mapa da população provincial de São Paulo, no ano de 1874, locais por comarcas, onde Santa Cruz aparece com 2.140 habitantes (Godoy, 1875: 46). 
Das divergências de números entre as duas pesquisas, sem levar em consideração as diferenças de datas, Dr. Joaquim Floriano de Godoy esclarece: 
  • "O recenseamento official da população da provincia de S. Paulo ja esta publicado; contem, porem, elle taes inexactidões que tornam-se necessarios outros trabalhos para calcular-se, ainda que approximadamente, a verdade. Neste intuito sugeitamos à consideração do leitor dous estudos, sendo um do erudito e consciencioso paulista Azevedo Marques, apurado em 1870, e outro de nossa propria lavra concluído em dezembro de 1874, havendo neste um acréscimo de 9 ½%, mais ou menos. Estes trabalhos tiveram por base a qualificação e fogos. Bem sabemos que semelhantes fontes não tem exactidão mathematica (...). Muitas causas concorreram para a imperfeição da estatistica official, notando-se entre ellas, a falta de cuidado investigador da maxima parte dos agentes recenseadores, a conducta reprehencivel de grande numero de chefes de família das zonas agrícolas que, sob os futeis temores de lei do recrutamento para o exercito, e de outros serviços publicos negaram-se a dar as listas respectivas, conforme as exigencias de tão melindroso trabalho (...)." (1875: 46).
Os respeitáveis trabalhos, divergentes porém esclarecidos, não se ajustam com os dados do IBGE; nem um nem outro. Também se deve reconhecer que o Censo Oficial de 1872, consolidado no ano de 1874, não alcançou resultados satisfatórios na paróquia de Santa Cruz do Rio Pardo, instalada em 1873. Entende-se que o questionário padrão para o Censo de 1872 não foi feito adequadamente para as povoações incipientes do sertão centro oeste paulista.
Algumas impropriedades são notórias, por exemplo, no quadro de profissões onde são relatados dois magistrados, dois médicos, quatro oficiais de justiça, quarenta e três funcionários públicos e oito professores, num tempo que a Paróquia de Santa Cruz do Rio Pardo, contada a localidade de São Pedro do Turvo, não apresentava aquela estrutura que o Censo faz crer.
4.2.  Censo de 1880
Por problemas políticos deixou-se de realizar o censo brasileiro de 1880. 
Todavia, no ano de 1880 Santa Cruz do Rio Pardo, conjuntamente com São Pedro do Turvo, possuía 236 escravos negros oficialmente matriculados, conforme Relatório de Governo (RG, BN 1025, 1880/1881: Mapa SN), e chegaria a 306 no ano de 1887, o que evidencia uma sociedade escravagista, onde mais de 6% da sua população era escrava, nisto quando a população total estava em torno de 4.000 habitantes.
4.3.  Censo de 1890
Para o Censo de 1890 acusa-se população de 12.418 habitantes, computados 6.466 homens e 5.952 mulheres, para toda a paróquia de Santa Cruz do Rio Pardo, compreendendo neste total os 6.889 residentes para São Pedro do Turvo e 5.529 para Santa Cruz, e somados os moradores de Óleo, Ilha Grande [Ipaussu] e Salto Grande [do Paranapanema] (IBGE, dados censo de 1890 para Santa Cruz do Rio Pardo).
São dados daquele censo que, da população de 5.529 habitantes exclusiva para Santa Cruz do Rio Pardo, 5.222 professavam o catolicismo romano, 48 evangélicos diversos, 126 presbiterianos, 120 para outras seitas, e 13 se declararam sem cultos. O kardecismo ganhava adeptos e seus membros e adeptos contados entre aqueles de outras seitas.
Santa Cruz contava com 708 alfabetizados, sendo 525 homens e 183 mulheres, e apontados 4.821 analfabetos: 2.367 homens e 2.454 mulheres. 
Outro interessante dado refletia o levantamento de filiações quando encontrados: "5.342 legítimos, 180 ilegítimos, 4 legitimados e 3 expostos." (IBGE, Censo de 1890 para Santa Cruz do Rio Pardo). Compreende-se por exposto o filho abandonado. 
Relatório de Governo de 1890 informava 536 eleitores na Paróquia de Santa Cruz do Rio Pardo, sendo 336 inscritos na sede e 200 para São Pedro do Turvo (RG, U 1145, 1890/1890: A - 189), a despeito da população de São Pedro ainda ser maior que a santacruzense: 6.889 residentes para 5.529.
Em outubro de 1898 o governo noticiou a matéria Demografia Sanitária, Boletim Mensal para Santa Cruz do Rio Pardo, computando "Óbitos, 9; nascimentos, 13; casamentos, 10; excesso, 4." (DOSP, 22/12/1898: 7). O excesso significava o comparativo dos nascimentos sobre os óbitos, com resultado positivo bastante salutar, considerando que o município esteve até o mês de setembro daquele ano sob a epidemia de varíola.
4.4.  Censo de 1900
O censo de 1900 acusou 4.964 habitantes para Santa Cruz do Rio Pardo, sendo 2.623 homens e 2.341 mulheres. Considerando que o valor populacional oficial em 1890 era de 5.529 residentes, entende-se queda numérica 465 pessoas, ou seja, população 10,21% menor.
Para São Pedro do Turvo, em 1900, foram registrados oficialmente 8.529 habitantes divididos em 4.164 homens e 4.425 mulheres. Foi o primeiro censo em separado para Santa Cruz do Rio Pardo, com o desmembramento de São Pedro do Turvo em 1892.
Por problemas técnico-administrativos o censo de 1900 necessitou de reapuração quase integral, em todo o Brasil. A revista História da Biblioteca Nacional, o artigo A Ciência da Certeza, de 01/08/2007, de Nelson de Castro Senra e Alexandre de Paiva Rio Camargo, refere àquele censo como polêmico:
  • "Coube a ele [Bulhões Carvalho] também a reapuração quase integral do polêmico censo de 1900 (desconhecida da absoluta maioria dos pesquisadores e já digitalizada pelo IBGE). (...). De qualquer modo, tudo ainda era muito frágil no quadro administrativo da República Velha. A realização dos censos ficava sempre dependendo de um estado de pacificação social e de acordos políticos entre as esferas de governo." (2007: Seções).
Todavia considerados os censos anteriores, não houve prejuízos quanto às aplicações de programas e ações de governo fundamentados em números de habitantes santacruzenses. A baixa população registrada para Santa Cruz do Rio Pardo seria decorrente das divisões administrativas territoriais, somente a posterior revistas e definidas.  
Santa Cruz era a região mais rica do sudoeste e oeste paulista, mas sua imensa territorialidade estava dividida em poucas grandes fazendas, concentradas nas mãos de ricos proprietários.
4.5.  Censo de 1910
Não houve censo em 1910. 
Nelson de Castro Senra e Alexandre de Paiva Rio Camargo esclarecem:
  • "Não fomos recenseados em 1910, quando a verba censitária se esgotou com a contratação de um enorme quadro (8.433 pessoas!) sem qualquer cronograma de trabalho, num deslavado caso de empreguismo. O censo foi suspenso por decreto do presidente Hermes da Fonseca, que feriu assim preceito da Constituição de 1891. (...)." (2007: Seções).
3.6. Censo de 1920
A população santacruzense de 1920 teve apuração oficial de 32.456 habitantes, 17.266 homens e 15.196 mulheres (IBGE, Recenseamento Geral do Brasil – Volume 4, Parte 2 – Tomo 2, 1920: 780), considerados os desmembramentos de Salto Grande (1911), Ipaussu (1915), além de  Óleo e Chavantes (1917), com perdas de território e população. Salto Grande 'carregou' todo o território de Ouirnhos, incluso o atual município de Canitar e até parte de Chavantes.
A despeito das perdas territoriais percebe-se real crescimento populacional santacruzense em vinte anos (1900/1920), com a entrada de 18.579 imigrantes, especialmente em 1914, quando registrados 11.114 deles, italianos em maioria, de acordo com o quadro distributivo da 'Secretaria de Negócios da Agricultura, Comercio e Obras Públicas do Governo de São Paulo' - (RSNA, 1908 a 1920).
4.7.  Censo de 1930 
Não ocorreu o censo de 1930, "por força das 'agitações' da revolução que levou Getulio Vargas ao poder." (Senra e Camargo, 2007: Seções), contudo ocorreram entradas de 4.680 imigrantes no município (RSNA), sem apontamentos de origens, sabidamente de maioria italiana. 
No ano de 1923 ocorreu o desmembramento de Bernardino de Campos, novamente a significar perdas de território e população. 
4.8.  Censo de 1940
Para a administração municipal Leônidas Camarinha (1938/1946), "A cidade de Santa Cruz do Rio Pardo acusa aproximadamente um total de 10.000 almas enquanto a zona rural do município é 'habitat' para outras 50.000." (Prefeitura, Índice de Avaliação e Estatísticas, 1940: 11), num total de 60 mil habitantes.
A obra "Cidades que renascem", de Leo Azeredo, editado sob patrocínio dos prefeitos apologizados na obra, reservou todo um capítulo para Santa Cruz do Rio Pardo, a partir da página 61, com exaltações à terra, ao trabalhador, ao progresso, classificando o lugar como:
  • "(...) cidade dotada de belo aspecto panorâmico, possuindo magníficos edifícios. Deve-se a situação progressista da cidade a vários fatores, como sejam: ao aumento constante da população; ao desenvolvimento de sua agricultura, particularmente o algodão e cereais; a intensificação do movimento comercial e industrial na sede do município; à construção acelerada de novos e maiores prédios comerciais, residenciais e públicos; à coleta, fiscalização e aplicação equitativa das rendas municipais nestes ultimos anos" (1943: 63). 
Azeredo mencionou a população do município em 62 mil habitantes, sendo 50 mil na zona rural, refletindo o ufanismo do governo Leônidas Camarinha.
Naquele recenseamento Santa Cruz apresentou 44.578 habitantes (Censo Demográfico - São Paulo  1940, PT XVII, Tomo 2: 438 ).
4.9.  Censo de 1950
Santa Cruz teve registrado 32.158 habitantes em 1950 (IBGE, Censo Demográfico 1950, XXV - Tomo 2: 70). 
As saídas de famílias de imigrantes e os seus descendentes, após a 2ª Guerra Mundial, além dos próprios nacionais, para o estado do Paraná, região alta paulista e grandes centros, justificariam menor população para o município, numa diferença negativa de 12.420 pessoas entre 1940 e 1950.
Em 1959 foi publicada estimativa da população santacruzense constando 22.500 habitantes na zona rural, 14.500 para a zona urbana, e mais os Distritos, de Caporanga com 5.100, Clarínia 5.800, Espírito Santo do Turvo 3.200, e Sodrélia 4.900, num total de 56.000 residentes (O Regional, 31/01/1960: 5). 
Estimativa exagerada conforme demonstraria o recenseamento no ano seguinte. 
4.10.  Censo de 1960
Contraditando ambições dos governos santacruzenses (Lucio Casonava Neto: 1956/1959 e Onofre Rosa de Oliveira 1960/1963), e mesmo estimativa apócrifa atribuída ao IBGE, de 56 mil residentes no município (O Regional, 31 de janeiro de 1960: 5), ao final foram computados 38.046 habitantes (IBGE, Censo Demográfico - São Paulo, 1960: 92-93- SP), sem nenhuma justificativa que possa esclarecer tal discrepância. 
4.11.  Censo de 1970
A população santacruzense para 1970 era de 34.412 habitantes (IBGE - Censo 1970, SP, Volume I Tomo XVIII - 2ª parte: 56), diferença negativa de 3.634 pessoas em relação ao censo anterior, justificada pela saída de jovens e famílias em busca de oportunidades nos grandes centros e onde as localizadas obras do governo federal, no período denominado milagre econômico brasileiro, marcado pela expansão da economia nacional iniciada em 1968. 
4.12.  Censo de 1980
Para 1980 foram contados 33.645 residentes (IBGE, Sinopse - Censo 1980: 100), população diminuída ainda pelas consequências migratórias do milagre econômico.
4.13.  Censo de 1990
Dados censitários de 1990 apresentaram 39.516 moradores (IBGE, Sinopse - Censo 1990: 70), com crescimento de 14,86% correspondentes a 5.871 pessoas, devido instalações e expansões da indústria sucroalcooleira. 
4.14.  Censo de 2000
Com apontamento de 40.919 habitantes no ano 2000 (IBGE - Tabela População Residente, SCR. Pardo), referente ao período caracterizado por população flutuante alternada, por exemplo, com Paraguaçu Paulista - períodos de safras e entressafras nas diversidades agrícolas, além da perda territorial e de população para o município de Espírito Santo do Turvo.
4.15.  Censo de 2010
Em 2010 foram contados para o município 43.929 habitantes - sexo masculino 21.513 e feminino 22.416, em 13.986 domicílios particulares ocupados, com média de 3,14 moradores por residência (IBGE, Censo 2010), com 40.161 residentes urbanos na sede do município e 3.768 rurais concentrados nos Distritos, a significar real espalhamento urbano e crescimento vegetativo positivo numa década, com número de nascimentos maior que o de mortes. 
No estudo censitário para 2010 é preciso levar em consideração o expansionismo urbano real de Santa Cruz do Rio Pardo - número crescente de imóveis, desde os anos de 1960, o que não significa aumento populacional considerável, e sim filhos constituindo novas famílias permanecendo no município.
5. Dos nascidos livres de mães escravas
Termo de 30 de junho de 1873 indica a abertura de Livro na Paróquia de Santa Cruz do Rio Pardo, para o registro dos nascimentos dos filhos das escravas nascidos desde 28 de setembro de 1871, data da Lei nº 2.040, comumente chamada de Lei do Ventre Livre. 
Quanto á historiografia da escravatura no Brasil existe uma vasta documentação, nenhuma local, aonde sempre se pensava "A história da escravidão em Santa Cruz do Rio Pardo foi curta e de poucas proporções. Poucos foram os anos que separaram a fundação da Vila e a abolição." (Junqueira, 2006: 53). Não podia ser diferente, diante da ausência de documentos por cento e vinte anos e agora ressurgidos para mostrar que a escravidão negra, em Santa Cruz do Rio Pardo, foi tão real e cruel quanto em outras localidades do Brasil onde a história não omitiu fatos. 
Ao sancionar a Lei 2.040, o Governo Imperial instituiu a obrigatoriedade do registro de nascimentos e óbitos de filhos de mães escravas. Muito mais que o aspecto religioso ou coibir falsas declarações dos senhores escravagistas, o governo pretendeu uma resposta documentada às exigências internacionais pelo fim da escravatura, além de exercer previsão de gastos futuros com os nascidos libertos.
Com a Lei do Ventre Livre a escravidão estava com os dias contados, longos dias, mas chegaria ao fim. Aparentemente benéfica e assim ensinada nas escolas, em verdade a Lei do Ventre Livre continha artimanhas, já a partir do primeiro parágrafo do artigo primeiro, além do real propósito decretado como período transição entre o fim da mão de obra escrava e trabalho livre e remunerado. 
Visando a execução da Lei Ventre Livre, para Santa Cruz, "Servirá este Livro na Parochia acima declarada para o registro dos nascimentos dos filhos das escravas nascidos desde 28 de setembro de 1871 data da Lei nº 2.040. Suas folhas vão rubricadas pelo funcionário a quem authorisei. Thesouraria da Fazenda de S. Paulo, 30 de junho de 1873. a) O Inspector." (Livro Provincial para Registro Paroquial - Lei 2.040/1871). 
O livro oficial seria, portanto, para controle governamental do número de crianças livres nascidas em cativeiro, após a implantação da referida lei 2.040. Em Santa Cruz do Rio Pardo ficou encarregado de seu preenchimento o vigário, Padre João Domingos Figueira, e que assim fez o primeiro assentamento: "Aos vinte e um dias do mes de Junho de mil oito centos e setenta e tres annos nesta Matriz baptizei e pus os Santos Oleos a Getrudes, que nasceo na Cappela de São Pedro, de idade de seis mezes, filha natural de Vicencia escrava de Manoel Pereira dos Reis, forão padrinhos Manoel Luis Lemes e Marianna Prudencia sua mulher de que fiz este assento." (Registro Paroquial, Nascimentos - 1873, Lei 2.040/1871). 
Getrudes, provavelmente Gertrudes, foi o nome da primeira criança nascida livre de mãe escrava na Paróquia de Santa Cruz do Rio Pardo, localidade de São Pedro do Turvo.
A escravidão foi uma realidade odienta que se tentou esconder oficialmente em Santa Cruz do Rio Pardo. A confirmação do vigário de Santa Cruz do Rio Pardo ser escravagista traz a certeza que a Igreja jamais se empenhou o quanto deveria para a abolição da escravatura.
6.  Santa Cruz do Rio Pardo – freguesia próspera 
6.1.  Perímetro urbano 
No ano de 1872 Santa Cruz tinha história de vinte e um anos, desde as primeiras transações imobiliárias, a partir de dezembro de 1851, quando anunciados os primeiros nomes de posseiros primários, vendedores e compradores de terras, aos quais acrescidos outros identificados.
Com foro de freguesia desde 20 de abril de 1872, confirmada por Carta de Provisão da Câmara Episcopal de São Paulo, aos 13 de janeiro de 1873, Santa Cruz "teve seu desenvolvimento inicial às margens do rio Pardo e ribeirão São Domingos, o que, devido a confluência (formam ângulo reto) influenciou o traçado das ruas, dando às mesmas disposição de xadrez." (Oliveira Zanoni, 1976: 65).
O território urbano doado por Manoel Francisco Soares ainda era quase um vazio.
A despeito das ausências de documentos descritivos das construções daquele tempo, Santa Cruz não fugia das apresentações de outros lugares mais bem informados.
As casas nas proximidades do chafariz eram rareadas e distribuídas em grandes lotes. As construções diversas consistiam algumas em madeiras, outras em tijolos de barro cozido, prédios em estilo quatro águas, umas poucas casas ainda em pau a pique e barreadas com misturas de sangue animal em melhor estilo da época.
As coberturas das residências, postas sobre as tesouras de sustentação em madeirames e ripamentos, apresentavam-se de telhas de barro enformadas e levadas ao forno, portanto produção em série, e aquelas feitas mais artesanalmente e secadas ao sol, uma e outra no estilo chamado capa/canaleta.
As construções tinham paredes pintadas, geralmente, com cal e algum tipo de mistura mineral ou vegetal, por exemplos, pó do óxido de ferro – de coloração vermelha, ocre, castanho e preto; de óxido de cromo – verde; de óxido de cobalto – azul. Conseguiam-se tintas com anil (vegetal) – azul; urucum (vegetal) – vermelho ou cor aproximada; e outras tinturas obtidas de cascas e raízes de árvores.
O pó de óxido de ferro tornou-se conhecido como 'vermelhão' pelo uso em larga escala no sertão, e depois, com as demais cores foi apelidado de pó xadrez em razão dos estilos – em xadrez, dos primeiros pisos com as tinturas.
Para melhor fixação da caiação misturava-se sebo de origem bovina, ou a gordura animal, geralmente de carneiro.
Algumas pinturas usavam substância corante sintetizada, a partir do benzeno, comumente conhecida como anilina, misturadas com pó de óxidos.
Demolições nos anos de 1960/1970 de antigas construções revelavam sob as caiações, pinturas de qualidade superior que aparentavam tinta a óleo. A tinta a óleo era cara para os padrões da época, fabricada a partir de misturas de pigmentos corantes, em suspensão num óleo secante, mais usualmente de linhaça, cuja viscosidade podia ser alterada por solventes, além de acréscimos de vernizes para o brilho. 
Restos de construções, ainda vistas nos anos de 1970, mostravam tijolos cujas peças mediam em torno de 24 cm (comprimento) x 12 cm (largura) x 6 cm (altura), com peso aproximado de 2,700 kg, padrão comum para aqueles tempos.
Alguns antigos telhados antigos eram do tipo capa/canal – conhecidas como paulista ou paulistinha, de tamanhos uniformes, além das 'francesas', como os tipos mais populares.
A antiga Santa Cruz possuía datas com grandes terrenos em seu perímetro urbano.
Nos anos 1978/1986, ainda se podia observar nas periferias – hoje lugares ditos centro expandido, lotes com construções pobres e em madeiras, ripadas ou não, cobertas com telhas capa/canal. Nas vilas – nas saídas da cidade, algumas chácaras apresentavam construções sopapeadas e em madeira, com coberturas em zinco.
Já adiante de um imaginário perímetro urbano expandido, para além do velho Cemitério ou em direção ao caminho para São Pedro do Turvo, entre as atuais Vilas Matias e Saul, além da saída para Espírito Santo do Turvo – pela Avenida Clementino Gonçalves, ou após a ponte do Pardo rumo a Sodrélia, algumas casas construídas em madeira e outras sopapeadas, às beiras dos caminhos cobertas com telhas, capim (sapé) ou zinco.
Nos anos de 1970 ainda era possível encontrar edificações ditas 'populares ou de trabalhadores' do século XIX, e algumas poucas construções mais bem solidificadas, já no final daquele século, ainda permanecem embora descaracterizadas, em maior ou menor grau, pelas tantas reformas e adaptações, e até estilos descaracterizados.
Editais feitos publicar pelo Juízo de Direito, ainda que décadas depois, descrevem tamanhos de terrenos e tipos de construções, quando o caso, comprovam os alegados.
6.2.  O velho centro comercial
O comércio santacruzense evoluiu a partir das proximidades do Rio Pardo, e os prédios propositados destacavam-se pelo mesmo tipo de fachadas para todos os estabelecimentos, diferenciando-se quanto às tantas portas em função da atividade exercida, ou conforme as posses dos proprietários.
O Almanaque da Província de São Paulo (1873: 448) informa a Santa Cruz do Rio Pardo freguesia, com suas autoridades, comerciantes e os artistas, industriais e ofícios.
No comércio, em 1873 eram conhecidas a "Loja de fazendas e armazém de molhados", de Joaquim José de Paes, e o "Armazém de molhados e gêneros do paiz", de Valentim José Theodoro. Valentim José Teodoro, dono de imóveis para aluguel, também era dono de uma olaria, à margem direita do rio Pardo, acessada por uma estrada, a atual Rua Duque de Caxias.
Também no centro existia uma oficina de carpintaria, de Felippe José de Castilho; uma fábrica de imagens, de João Aureliano; a ferraria de Francisco Martins; e a sapataria e oficina de calçados de José Raphael de Andrade.
Cândido Rodolpho da Cruz e Salomão Rodrigues da Costa exerciam a profissão de tropeiros.

As autoridades constituídas foram o Vigário, Padre João Domingos Figueira; o Subdelegado Claudino José Marques; os Suplentes de Subdelegado: 1º - Capitão Capitão Joaquim Compton D'Elboux; 2º João Bonifácio Figueira; 3º Siryno Carneiro de Araujo.
O comércio e as demais profissões concentravam-se nas ruas Visconde [depois Barão] do Rio Branco, Visconde de Pelotas [Dr. Alziro de Souza Santos] e Santa Cruz [Senador Euzébio de Queiróz e Catarina Etsuko Umezu], além da Rua do Andrade – que se tornou Saldanha Marinho, e a do Coronel Piedade oficializada Coronel Emydio José da Piedade. As tradições apontam uma pousada com potreiro à Rua Barão do Rio Branco, entre as atuais ruas Farmacêutico Alziro de Souza Santos e Catarina Etsuko Umezu.
O núcleo comercial delineado ainda seria considerado, trinta ou mais anos adiante, o "centro do conglomerado: o ponto de convergência dos meios de transportes do tempo." (Oliveira Zanoni, 1976: 67), mudando o aspecto apenas quando o comércio já atingia quadras acima da Rua 8 – atual Conselheiro Antonio Prado, na denominada Vila Nova, e algumas lojas e casas do ramo instaladas na Rua 13 – conhecida por Rua do Meio, atualmente Conselheiro Dantas, em direção ao Largo do Rosário – Praça Octaviano [Otaviano] Botelho de Souza.
6.3. As primeiras ruas 
As ruas, sem uniformidade padrão e simetria ausente, eram conhecidas por números ou pelos nomes dos moradores mais antigos ou influentes, antes de se homenagearem personagens da República [a partir de 1890], os cidadãos ilustres e os membros de famílias bem relacionadas economicamente.
Citações de 1909, Código de Posturas pela Lei Municipal nº 143, de 03/11/1909 – Título IV, Capítulo I – Da Cidade e Vilas, Seção I revelam o perímetro urbano iniciado na barranca do Rio Pardo no ponto fronteiro a ponta dos trilhos da estrada de ferro Sorocabana e até frontear a barra do Ribeirão São Domingos, e desse ponto, segue até o Rio Pardo até a divisa do patrimônio de S. José – hoje a rua Coronel Arlindo Crescêncio da Piedade até frontear o pasto de Dona Guilhermina Brandina da Conceição – onde a atual Vila Fabiano e adjacências, e desce pela divisa até o ribeirão São Domingos, por este acima até a divisa do patrimônio – referência ao valo até o Rio Pardo onde iniciada as dimensões.
Nas descrições da citada lei o artigo 337 designa as ruas da época, entre outras, que chegaram aos dias atuais ou acrescidas gradativamente: 
  • Rua 1: Ignorada. Aparentemente seria via marginal ao Ribeirão de São Domingos, à esquerda, vinda de datas e chácaras a montante em direção à barra do referido ribeirão, e desaparecida com o arruamento de 1904. 
    • Nas demarcações de 1909, a Rua 1 seria aquela "que partindo da rua Saldanha Marinho [por de trás da casa do Dr. Olympio Pimentel] vai ter á rua Conselheiro Antonio Prado", ou seja, a Rua Dr. João Pinheiro, cuja denominação em homenagem ao estadista e presidente mineiro Dr. João Pinheiro [da Silva], falecido em 1908. A Rua Dr. João Pinheiro depois estendeu-se até a atual Rua Cel. Julio Marcondes Salgado.
  • Rua 2: Barão do Rio Branco, antes Visconde do Rio Branco e era conhecida como a 'Rua que começa no ribeirão São Domingos passando em frente da 'chacrinha' do Dr. Olympio Pimentel segue rio Pardo acima até morrer no mesmo'.
  • Rua 3: Duque de Caxias, 'Rua que partindo do largo onde morava José Bispo, segue em paralelo ao rio Pardo, em direção a Olaria de Valentim José Theodoro'. Foi antes, ou assim conhecida, como a 'Estrada da Olaria do Valentim'.
  • Rua 4: Coronel Emygdio José da Piedade, a 'Rua da casa do Coronel Piedade', desde a Rua General Ozório à Avenida da Intendência, agora Avenida Dr. Cyro de Mello Camarinha.
  • Rua 5: General Ozório (Osório), 'a rua que partindo da casa de D. Rita Borges vai ter ao matadouro'.
  • Rua 6: Joaquim Manoel de Andrade. Segundo a tradição, Joaquim Manoel de Andrade residia numa esquina, com a então 'Rua 7 que foi Rua do Andrade e depois Saldanha Marinho', ficando a Rua 6 com o nome de Joaquim Manoel de Andrade, por algum tempo, também, Rua do Andrade. 
    • Em 1926, o prolongamento da Rua Andrade [a atual Joaquim Manoel de Andrade], a partir da Praça atual Deputado Dr. Leônidas Camarinha rumo ao Ribeirão São Domingos, foi denominada Rua Amazonas, consoante Lei Municipal nº 377, de 16 de julho de 1926, e é hoje Rua Coronel Julio Marcondes de Salgado.
  • Rua 7: Saldanha Marinho, antes a 'Rua do Andrade' também chamada 'Rua da Ponte Nova', nas proximidades do Rio Pardo.
  • Rua 8: Conselheiro Antonio Prado. Ainda com atual denominação, em 1926 a referida rua, abaixo da Praça da República [atual Deputado Dr. Leônidas Camarinha] em direção ao Bairro de São José, teve denominação alterada para Rua Paraná (Lei Municipal nº 377). 
    • Às margens do São Domingos existia uma pedreira desativada em 1927: "extincção da pedreira na rua Paraná, junto ao ribeirão S. Domingos (A Cidade, 06/02/1927: 1)"; voltou à denominação Conselheiro Antonio Prado, mas, abaixo da Rua Saldanha Marinho, tem hoje o nome Coronel Antonio Evangelista da Silva. 
  • Rua 9: Farmacêutico Dr. Alziro de Souza Santos, antes Visconde de Pelotas, conhecida como Rua do Hotel Filandro. 
    • Em 1899 o Correio Paulistano citou reforma da ponte sobre o Rio Pardo, em fase de conclusão de serviços, "situada na Rua Visconde de Pelotas – que sobe em direção á cadêa velha, tendo espaço para tres cavaleiros juntos" (21/04/1899: 2). Pela Lei Municipal 377, de 16 de julho de 1926, a Rua Visconde de Pelotas, a partir da Praça Ataliba Leonel [Marechal Deodoro e hoje Praça Dr. Pedro Cesar Sampaio], em direção ao Ribeirão São Domingos, recebeu nome de Ladeira São Paulo. 
  • Rua 10: Ladeira São Domingos, que antes foi a Rua Luiz Gama 'que começa no ribeirão São Domingos e vai até o Largo da Igreja', ou 'Páteo da Igreja'. 
    • A Luiz Gama teve denominação alterada para Ladeira de São Domingos pela Lei Municipal nº 377, de 16 de julho de 1926, denominação ainda conservada, enquanto a sua extensão, adiante da Igreja tornou-se Avenida Tiradentes, não mencionada nas demarcações. Uma via pública com denominação Luiz Gama está atualmente no Bairro São José. 
  • Rua 11: Catarina Etsuko Umezu, antes Rua 'Senador Euzébio de Queiróz', advinda da primitiva 'Rua Santa Cruz'. Pela Lei Municipal 377, "O prolongamento da rua Euzebio de Queiroz a partir da praça Ataliba Leonel [antes Praça Marechal Deodoro e atualmente Dr. Pedro Cesar Sampaio] passou a denominar-se rua José Theodoro de Sousa", voltando à denominação anterior até a modificação para Rua Catarina Etsuko Umezu.
  • Rua 12: Benjamin Constant. Iniciava-se na Rua Saldanha Marinho rumo à Praça da Igreja adiante, antes de seu início desde o Ribeirão São Domingos. 
    • Atualmente, a parte iniciada no Ribeirão São Domingos, até a Rua Farmacêutico Dr. Alziro de Souza Santos, tem a denominação de Frei Marcos Righi.
  • Rua 13: Conselheiro Dantas, conhecida como 'Rua do Meio', foi via de entrada e saída para São Pedro do Turvo e sertão.
  • Rua 14: Prudente de Moraes atual José Epiphânio Botelho.
  • Rua 15: Marechal Bittencourt, anteriormente denominada 'Avenida da Independência'.
  • Rua 16: Quintino Bocaiuva, nome ainda hoje conservado. 
  • Rua 17: Rua Rangel Pestana paralela à avenida precedente que é a Coronel Baptista Botelho que é paralela à Avenida Cyro de Mello Camarinha, antes a 'Avenida Silva Jardim' e, mais antigamente, a 'Avenida da Intendência'. 
    • As citadas avenidas não constaram das demarcações.
  • Rua 18: Euclides da Cunha, parte onde a antiga saída para a primitiva estrada com destino a Espírito Santo do Turvo.
  • Rua 19: Regente Feijó, antes Senador Feijó. 
  • Rua 20: Rua Antonio Mardegan, antiga rua José do Patrocínio.
  • Rua 21: Conselheiro Saraiva, o antigo limite urbano de Santa Cruz do Rio Pardo, no final do século XIX e início do XX, aonde existia o valo divisor com as terras do engenheiro 'Henrique Kruzmann' futura Fazenda do Peixe, partes hoje da 'Chácara Peixe'.
  • Rua 22: Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, que foi a 'Rua do Pio' ou a 'Rua que começa no Ribeirão São Domingos e chega ao Largo do Rosário'. 
    • No Largo do Rosário inicia-se a Avenida Marechal Floriano Peixoto em continuação da precedente (Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira).
  • Rua 24: Cônego Joaquim Bueno de Camargo, substituindo a denominação General Carneiro. 
    • Esta rua tem hoje nomes diferentes ao longo de seu curso, como exemplo a 'Rua Padre Figueira'.
  • Rua 26: Carlos Gomes, a última rua no limite urbano, com chácaras em direção ao Ribeirão São Domingos, e acima a confluir com Rua Porto Alegre, antiga Rua Sidéria (APESP, Carta 001-0033-001-001, CD: A/A) conhecida como Boiadeira, atual Rua Porto Alegre, conhecida como Boiadeira, teve denominação alterada para Rua Simão Cabral, pela Lei nº 20 de 26 de dezembro de 1956.
Na margem direita do Ribeirão São Domingos, proximidades do chafariz, além da estrada até a Olaria de Valentim José Theodoro a hoje Rua Duque de Caxias, citam-se as ruas, General Argollo, depois General Gurjão, conhecida em 1909 como a 'Rua que partindo da Rua Conselheiro Antonio Prado – [parte atual da Coronel Antonio Evangelista da Silva], e passando pela frente da casa da viúva de Jacob Molitor, vai até a esquina da casa de Antonio Alves da Silva Leandro', no ribeirão São Domingos.
Outras vias públicas são mencionadas na Lei Municipal nº 143, de 03/11/1909. 
6.4. As praças e largos
As antigas praças, algumas ainda atuais, foram as seguintes: 
  • Praça Anchieta: conhecida como 'Praça da Matriz' ou 'Largo da Igreja', situava-se entre as atuais Rua Dr. Alziro de Souza Santos, Avenida Tiradentes e a Rua Benjamin Constant, limitada por imaginário prosseguinte da Travessa [do] Manoel Herculano; a Praça seria, depois, ampliada e sob o nome de 'Praça Marechal Deodoro', depois 'Deputado Ataliba Leonel', voltando ao nome anterior até a atual 'Praça Dr. Pedro Cesar Sampaio'. 
    • A nominação Praça Anchieta foi posteriormente transferida para defronte o Colégio Companhia de Maria e, hoje, é a praça defronte à Igreja Católica Santa Cruz, na Vila Mathias.
  • Praça Santa Cruz: nas proximidades do cruzamento entre as vias públicas 'General Ozório (Rua 5) e Barão do Rio Branco (Rua 2)', onde a 'Capela de Santa Cruz', "ha muitos anos iniciadas e inteiramente abandonadas" (A Cidade, 18/07/1926: 2). 
    • Também denominada Praça Barão do Rio Branco.
  • Praça Liberdade: tornou-se Conselheiro Ruy Barbosa, assim mencionada em 1909 (Lei Municipal 143 de 03/11/1909) e depois Major Antonio Alóe. 
    • O nome Liberdade, rejeitado pelos negros ex-escravos que ali enfrentaram o tronco, foi levado para o Largo do Jardim. 
  • Largo da Matriz: que somente passou a existir no tamanho atual a partir de 1902, quando o território da atual Praça Dr. Pedro Cesar Sampaio, com propriedades particulares e do Estado, foi agregado à Igreja, com o nome de 'Praça Marechal Deodoro', e, aos 24 de maio de 1924, teve denominação alterada, durante algum tempo, com a "inauguração da placa nominativa da PRAÇA ATALIBA LEONEL antiga Largo da Matriz, assim mudado pela camara em honra do prestigioso chefe e amigo de Santa Cruz" (A Cidade, 31/05/1924: 1).
  • Largo da Independência: hoje inexistente, com raras citações, teria lugar no início da atual Rua Marechal Bittencourt.
  • Largo do Jardim: teve denominação de Praça da Liberdade, depois Praça da República e, finalmente, Praça Deputado Dr. Leônidas Camarinha, pela Lei Municipal nº 746, de 14 de dezembro de 1977. O nome Liberdade foi levado ao Largo de Santo Antonio, conforme citação em Lei Municipal nº 143, de 03 de novembro de 1909.
  • Largo Santo Antonio: tornou-se a Praça da Liberdade e depois Praça Domingos Gabriel, onde a Igreja de São José.
  • Largo do Rosário: destinado aos descendentes negros, teve nome alterado oficialmente para 'Praça Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira', depois 'Praça 13 de Maio' – mais conhecida por 'Largo São Benedito', até sua denominação alterada para 'Praça Otaviano [Octaviano] Botelho de Souza', pela Lei Municipal nº 689, de 14 de abril de 1976.
  • Praça Coronel Antonio Evangelista da Silva: mencionada na Lei Municipal nº 274, de 17 de outubro de 1919, como "o Largo fronteiriço ao Grupo Escolar, que divide com as Avenidas Tiradentes [fundos], Silva Jardim, as ruas Marechal Bittencourt e Benjamin Constant [frente], chama-se Praça Cel. Antonio Evangelista da Silva." Teve expropriação legal por utilidade pública, posteriormente vendida pala Municipalidade. 
A cidade tinha também o 'Beco do Coronel Moyses Nelly', também chamada Travessa da Cadeia Velha, depois oficialmente 'Travessa Manoel Herculano', nome substituído por 'Travessa 23 de Maio' em homenagem aos estudantes paulistas, Martins, Miragaia, Drausio e Camargo – o MMDC, numa manifestação anti-Vargas em 23 de maio de 1932, estopim para a Revolução de 1932, porém retornando ao antigo nome, 'Travessa Manoel Herculano', pela Lei Municipal nº 46 de 22 de dezembro de 1949, homenagem ao morador Manoel Herculano Leite. 
  • A referência Travessa da Cadeia Velha deu-se que, por algum tempo entre a desativação da cadeia de madeira (1895) e inauguração de novo edifício para aquele fim (1901), os presos foram abrigados numa casa de esquina pertencente a Manoel Herculano Leite, na dita travessa (DOSP, 29/03/1896: 3).
As tradições apontam o engenheiro Lars Swenson como projetista das primeiras praças, no século XIX e, posteriormente, as remanescentes remodeladas pelo autodidata Américo Roder nos anos de 1930, inclusive o Coreto da Praça da República – atual Praça Deputado Leônidas Camarinha – governo municipal de Abelardo Pinheiro Guimarães (1930/1935).
Numa reportagem publicada pelo semanário Debate, edição de 15 de fevereiro de 2015 - Caderno D, a Professora Nilda Roder testificou a planta do coreto, a nanquim, projetado pelo seu pai Américo Roder.
As praças sob responsabilidades da Igreja, onde edificados seus templos, teriam sido idealizadas por José Acácio dos Santos, projetista também, segundo memórias, da atual Matriz.
7.  Contestações das divisas
Santa Cruz reagiu negativamente às divisas territoriais que lhe foram impostas pela Câmara Municipal de Lençóes e aprovadas pelo Governo Provincial em Ato de 09 de novembro de 1872.
O objetivo santacruzense estava em rever as divisas territoriais da freguesia, especialmente em relação a São Pedro do Turvo, pleiteando toda a bacia do rio Alambari desde as cabeceiras, vertente e contravertentes, daí a divisar pelo arroio Vermelho e não pelo ribeiro de Santa Clara conforme definido legislativo lençoense.
Sem Câmara Municipal a Igreja representava os interesses da coletividade, e o então Vigário João Domingos Figueira, aos conclamos e em seu próprio nome, redigiu e assinou um documento datado de 02 de julho de 1875, encaminhado Presidente da Província de São Paulo, propondo e requerendo novas e urgentes divisas para Santa Cruz do Rio Pardo, bem como a pronta solução para os problemas de travessia do Rio Turvo em direção a São Pedro.
  • "Achando-se em complicação as divisas dadas pela Câmara de Lençóes, entre São Pedro do Turvo, e Santa Cruz do Rio Pardo, creada Freguesia por Lei de 20 de abril de 1872, nº 71: defrontando os interesses temporaes e espirituaes dos habitantes da Freguesia de Santa Cruz, redusindo-os a uma catastrophe de pluvial máxima, quantas a espiritual, com dois rios a atraves-sar para São Pedro, sem pontos, onde tem naufragado viajeiros com seus animaes. O presidente de Lençóes dominado por alguém, sem atender ás comunidades dos municipes, informa a S. Exma. uma divisa que não se acomoda com o espirito de homens cordatos e religiosos. Eu, conhecedor desses lugares, onde habito à doze annos. Attesto sobre o cargo que occupo que as divisas para beneficio de ambas as povoações, devem ser as seguintes:"
  • "Principiando no pontal do Rio Pardo com o Paranapanema, subindo este até faser frente à cabeceira do ribeirão chamado Lageado, seguindo este de poente a nascente à cabeceira do ribeiro chamado Barra Grande, descendo este a entrar no riosinho, subindo este até o corego chamado Paiol, subindo este ate a cabeceira do ribeiro Santa Clara descendo este a entrar no rio Turvo, passando este ao corego Vermelho, subindo esta as cabeceiras do rio Lambari, descendo esta a entrar no Turvo, descendo este a entrar no Rio Pardo, descendo este a entrar no Paranapanema onde principia estas divisas, Por esta forma, sem prejuízos das duas posições, devem ser confirmadas as divizas, por serem as mais firmes e valiozas. Por esta me ser pedida a passo em fé de Parocho. Santa Cruz do Rio Pardo, 2 de Julho de 1875."
  • "Vigário João Domingos Figueira." (ALESP EE 73_27.1, A/A).
Neste documento, também de interesse histórico, o Padre Figueira revela sua presença na região de Santa Cruz do Rio Pardo 'onde habito à doze annos', ou seja, desde 1861/1862, de modo contundente ao evocar o direito canônico subentendido nas palavras "defrontando os interesses temporaes e espirituaes dos habitantes da Freguesia de Santa Cruz, redusindo-os a uma catastrophe de pluvial máxima, quantas a espiritual ...". Segundo Oliveira (1975: 4), quando um contrato, lei ou responsabilidade civil podia colocar a alma [vida] em perigo, daí obrigava-se o exercício temporal através do Direito Canônico.