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domingo, 4 de abril de 2010

1876 – 1878: ORDENAÇÕES POLÍTICO-JURÍDICAS

1.  Vila
Aos 03 de fevereiro de 1876 a Assembléia Provincial aprovou a elevação de Santa Cruz do Rio Pardo para a condição de Vila (ALESP, PR 76.6.3), depois decretou e o Governo Provincial de São Paulo sancionou a Lei nº 06, de 24 de fevereiro de 1876: 
-"(...)."
-"1º - A Freguezia de Santa Cruz do Rio Pardo, do município de Lençóes, fica elevada à Villa, a que ficará pertencendo a Freguezia de São Pedro do Turvo."
-"§ 1º - As divisas da nova Villa serão as actuaes."
-"Artigo 2º - O Governo reverá e corrigirá opportunamente as divisas entre as duas Parochias de Santa Cruz do Rio Pardo e São Pedro do Turvo, tendo em vista as informações que lhe prestar a Câmara da nova Villa."
-"Artigo 3º - Revogão-se as disposições em contrário."
-"(...)."
O Juiz de Direito, Dr. Sebastião Pereira era o Presidente da Província de São Paulo.
A passagem de Freguesia à Vila significava emancipação política e territorial, esta ultima para a classificação como Município, situações ratificadas nas eleições municipais de 1876, para a Câmara e Juizado de Paz, período de 1877/1880. 
Município significava a menor unidade territorial político-administrativa autônoma, aplicável às cidades e vilas como direito de se administrar e governar por suas próprias leis.
Alguns argumentos foram favoráveis à emancipação político-administrativa de Santa Cruz, tais como: população local crescente; a expansão do sertão com o surgimento de novos povoados; as condições econômicas favoráveis com agropecuária forte, e a significativa criação de suínos. 
A descentralização deixava para mais próxima do sertão o centro de decisões e desenvolvimento comercial. 
Com a qualificação de Vila, Santa Cruz tornou-se sede de território definido em Lei, assim com direitos de possuir Câmara Municipal, Juizado de Paz, Delegacia e Cadeia, além do Foro Civil e Conselho de Jurados, símbolos de autonomia e de emancipação político-administrativa, com respectivas freguesias e as capelas que lhe são agregadas, devendo cobrar impostos e baixar 'Código de Posturas', ou coleção de leis aplicáveis.
A administração das vilas e cidades paulistas era feita pelas Câmaras de Vereadores até a Proclamação da República, quando o Legislativo Municipal perdeu grande parte de suas atribuições e influências, quase todas suspensas em 1890 e substituídas pelos Conselhos de Intendência Municipal até a edição da Lei Estadual nº 16, de 13 de novembro de 1891, que reorganizou os municípios do Estado de São Paulo.
O mandato de Vereador seria de quatro anos, e eram elegíveis e podiam votar aqueles residentes no município nos últimos dois anos, que tivessem renda anual superior a 200 mil réis, e não precisava ser alfabetizado. Caso o eleitor ou postulante a cargo eletivo fosse acatólico ou estrangeiro - naturalizado, então precisava ser alfabetizado além da renda exigida.
Não se sabe o primeiro endereço da Câmara Municipal, nem onde o funcionamento do Juizado de Paz, sendo certo, apenas, que viriam funcionar junto ao Quartel - Cadeia / Delegacia de Policia, a partir de 1887, na atual praça Dr. Pedro César Sampaio defronte a via pública Rua Catarina Etsuko Umezu.
2.  Estrutura político-partidária para o século XIX 
Ainda em 2005 se imaginava Santa Cruz constituída Vila, consequentemente município e sua emancipação política, firmada no ideário de um líder, Joaquim Manoel de Andrade, através do deputado sorocabano Emygdio José da Piedade. Rios (2005: Apresentação), a mesma maneira que o Correio do Sertão (19 de julho de 1902: 2-3), mencionava o Andrade como o "ancião a quem a população muito deve" pelo desenvolvimento santacruzense, elevando o lugar à condição de Freguesia e depois Vila.
De Freguesia em 1872 a Vila em 1876, Santa Cruz ganhou o direito de escolher seus representantes, e então Rios e o Correio do Sertão mencionam os primeiros vereadores eleitos em 1876 para a legislatura 1877/1880, sem quaisquer indícios de disputas partidárias, no máximo uma lista de nomes de pronto referendada pelos eleitores qualificados, situação pró-forma ou obrigacional.
No entanto, os documentos legislativos de Santa Cruz, recuperados junto à Assembléia Legislativa de São Paulo, mostraram que a lista oficial de vereadores não era aquela apresentada por Rios e o Correio do Sertão. Outras pesquisas informaram que a eleição de 1876, não transcorrera de maneira pacífica tanto que o governo provincial julgou por necessário enviar tropa para garantir a segurança das eleições, e essa tropa terminou presa por ordem e ação do Delegado de Polícia local.
Isto era a evidência que, pelo menos, dois grupos disputaram as eleições de 1876, e então a formação política do lugar precisava ser revista.
A eleição municipal de 1880, melhor documentada, identificava dois grupos politicamente antagônicos, o Partido Conservador e o Partido Liberal, e assim derruiu-se o desconhecimento de 126 anos da história política do lugar, embora os quatro anos iniciais ainda sejam passíveis de melhores conclusões. 
Não localizados, até o momento, documentos referentes à atuação do Partido Republicano Paulista em Santa Cruz, que já seria realidade no centro sudoeste e oeste paulista, ganhando aderentes, liberais e conservadores, desde 1879. 
Os partidos: Liberal e Conservador rivalizaram-se em Santa Cruz. O liberal defendia o poder centrado na autoridade do Imperador, com relativa autonomia provincial, enquanto o Partido Liberal identificava-se com o parlamento forte e autonomia provincial ampliada. 
As diferenças não eram problemas quando em jogo os interesses comuns, sendo ambos escravagistas e do patriciado, isto é, dos capitalistas e dos proprietários de bens identificados nas terras e escravos, e certo predomínio conservador no funcionalismo público, enquanto os liberais atraíam comerciantes e autônomos. 
Em 1878 para 1879 setores progressistas liberais e conservadores aceitavam o fim da escravatura, através de processo gradativo de emancipação.
Liberais e conservadores santacruzenses seguiam a política do coronelismo, em Santa Cruz representado pela figura máxime do conservadorismo, o Coronel Emygdio José da Piedade, que se batia com o liberal, também Coronel, Francisco Dias Baptista, líder regional – Comarca de Lençóes [Lençóis Paulista] com forte atuação no município. 
Os votos eram 'encabrestados', para a garantia de resultados aos candidatos apoiados.
2.1. Partido Conservador 
O avanço republicano pelo interior paulista exigiu dos conservadores novas estratégias. Em 1879 uma ala atrelou-se aos cafeicultores e interesses progressistas, sob a liderança de Antonio da Silva Prado, mais conhecido como Conselheiro Antonio Prado, que culminaria com a criação da União Conservadora.
O PRP, com avanços liberais e republicanos, além de forte rejeição ao Império, atraía interesses das classes economicamente fortes. Em 1889 seriam referenciados em Santa Cruz do Rio Pardo, pelo monarquista conservador Emygdio José da Piedade.
Antonio Prado assumiu a chefia da União em dezembro de 1881, e a ele aderiram os conservadores santacruzenses, em 1882:
-"O sr. dr. Antonio da Silva Prado, presidente do conselho diretor da União Conservadora, recebeu de Santa Cruz do Rio Pardo o seguinte officio:
-"Illm. e exm. sr. dr. Antonio da Silva Prado: - Os abaixo assignados, membros do partido conservador desta villa, vêem por esta manifestar a v.exc., sua franca, leal e sincera adhesão ás bases da União Conservadora, e ao directorio eleito nessa capital no dia 18 de dezembro ultimo, do qual é v.exc. digno presidente. Aos grandes esforços, e a dedicação persceverante de v.exc., deve o partido conservador de nossa provincia seu restabelecimento e força moral. So v.exc., por tantos titulos já por nós era considerado, hoje depois dos ultimos acontecimentos, tornou-se, e com maior somma de razão, o digno e venerando chefe do nosso partido não só nessa capital, como em toda provincia. Digne-se, pois, v.exc., aceitar os protestos de nossa adhesão e sincero apoio."
-"Santa Cruz do Rio Pardo, 21 de Janeiro de 1882."
-"Jacob Antonio Molitor, João Baptista de Oliveira Mello, Godofredo José da Piedade, João Bonifacio Figueira, Luiz Antonio Rodrigues, Francisco Antonio de Souza, Manoel Carvalho de Oliveira, Delfino Zeferino da Silva e Oliveira, Francisco Corrêa de Oliveira, Miguel Antonio de Souza, Joaquim Corrêa Ferreira, Salvador José Domingues Melchior, José Amaro de Castro, Antonio Caetano de Oliveira, Manoel Garcia de Oliveira, Emygdio Dias de Oliveira, Manoel Garcia Duarte, Francisco Candido da Silva, Domiciano José de Andrade, Jacinto Xavier da Costa, Salomão Rodrigues da Costa, João Rodrigues Mendonça, José Camillo dos Santos, Israel Pinto de Mattos, João Faustino do Nascimento, Florentino Ferreira de Mello, Manoel Francisco Borges, José Francisco Soares, Francisco Ignacio Borges, Francisco Garcia Duarte Oliveira, José Pedro Tosta, Vicente Pinto Cardoso Penna, Antonio Joaquim da Silveira, Jose Bernardino de Andrade, Moyses Rodrigues da Costa, Silvestre Faustino de Andrade, Benedicto Ferreira de Campos, João Manuel de Andrade, Joaquim Manoel de Andrade Junior, Antonio Joaquim de Andrade, Manoel Antonio de Andrade, João Antonio de Andrade, José Garcia de Oliveira Netto, Sabino Garcia de Oliveira, Fidelis José Rodrigues, Manoel Caetano de Oliveira, José Venancio Ferreira, Francisco de Paula Martins, Joaquim Manoel de Andrade, Emygdio José da Piedade."
-(Correio Paulistano, 24/02/1882: 1).
2.2.  Partido Liberal 
O principal nome do Partido Liberal em Santa Cruz do Rio Pardo foi o Delegado de Polícia, Nicolau Tolentino Roiz¨ [Rodrigues] Barreiros, representante do líder regional Coronel Francisco Dias Baptista, residente em Santa Bárbara.
O partido era representativo e de importância regional nas eleições provinciais e geral, com mais de meia centena de filiados. Alguns nomes liberais, pelas referências da época, destacaram-se influentes na política e sociedade santacruzense, sendo eles Fermino [Firmino] Manoel Roiz¨ [Rodrigues], Francisco Antonio de Souza, Joaquim Francisco da Silva, José da Rocha Campos, Manoel Candido da Silva, Raphael ou Rafael Silva de Arruda, Vicente Bezerra Machado e Victorino Gouveia Silveira. 
Nos anos a partir de 1876 os liberais ganharam importância no centro sudoeste e oeste paulista e, destacadamente na região que viria ser territorialidade da Comarca de Lençóis Paulista, na expansão cafeeira, quando a Província paulista tornou-se produtora maior que o Rio de Janeiro, de grande importância econômica, até mais que as zonas canavieiras nordestinas, e, no entanto, de baixa representatividade política junto ao Império, com apenas nove deputados e três senadores, número inferior a muitas províncias brasileiras de menor porte e sem a sua capacidade de contribuição nacional.
O sistema de governo central era visto injusto e a premissa liberal residia no fortalecimento das províncias, ou o regime da federalização, e isto tornava o Partido Liberal atrativo aos republicanos. A estrutura liberal supria a deficiência do partido republicano.
Na região de Lençóis Paulista, abrangendo Santa Cruz do Rio Pardo, o Partido Liberal era extremamente violento no seu querer e fazer eleitos os seus representantes junto à Província. Com as criações de Câmaras Municipais - ou a emancipação política de regiões agregadas a Lençóis, a exemplos de Agudos, Santa Barbára e Santa Cruz do Rio Pardo, o Coronel Francisco Dias Baptista metia medos e terrores.
Mas Santa Cruz teve origem conservadora, e, em 1876, a Câmara Municipal de Santa Cruz foi quase totalmente conservadora, mas não repetiria o feito em 1880, quando eleitos quatro vereadores liberais contra dois conservadores.
Não se sustentou o Partido Liberal, desde a queda do Delegado de Polícia Tolentino, envolvido em escândalos e denúncias, e dois anos depois os conservadores deram golpe e assumiram o controle legislativo, com quatro conservadores e dois remanescentes liberais. 
Em 1882 já os grandes chefes liberais eram quase todos republicanos ou perrepistas, e muitos influentes conservadores igualmente aderiram ao mesmo PRP, afinal tinham interesses em comum, eram todos patriciados. Havia, no entanto, repulsa santacruzense em relação a mandatários externos, no caso do Coronel Dias Baptista, residente em Santa Bárbara, situação agravada porque os dois municípios entre si disputavam influências e divisas territoriais.
Segundo o Correio Paulistano, os adversários e inimigos políticos, no entanto, se surpreenderam com a apatia do Coronel Dias Baptista nas eleições a partir de 1882, no 5º Distrito. Até os liberais não compreenderam o Coronel e líder.
Sem herdeiro político feito e a ausência de expectativas para Partido Liberal na região, substituído gradativamente pelo PRP, o temerário chefe Dias Baptista parecia decepcionado, cansado e talvez enfermo, a antever queda do Império e o final do próprio poder. Veio falecer em 1887.
2.3.  Partido Republicano Paulista 
O PRP, ideado em 1872, selou fundação aos 18 de abril de 1873, durante a Convenção Republica em Itu, SP, com a fusão entre fazendeiros temerosos dos efeitos da Lei do Ventre Livre, e os intelectuais ou teóricos do Clube Republicano.
O PRP, com avanços liberais e republicanos, além de forte rejeição ao Império, atraía interesses das classes economicamente fortes., consequentemente não era partido popular, portanto ruim de votos espontâneos.
Não apresentou história imediata, apenas em 1886 elegeria seu primeiro vereador, o Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira. 
Em 1887/1888 surgiram outros nomes membros importantes do PRP e da sociedade santacruzense, a exemplos dos Coronéis João Baptista Botelho, Moyses Nelly (italiano), Arlindo Crescêncio da Piedade (filho do conservador Emygdio José da Piedade), além de Marcello Gonçalves de Oliveira, então o líder.
Quando do golpe militar de 1889 que derrubou o império e implantou a república, Emygdio José da Piedade, na condição de Presidente do Legislativo santacruzense, declinou o convite para a chefia da nova ordem, e sugeriu que ela fosse assumida por membros republicanos no município. 
Emygdio certamente não ignorava que os militares golpistas em nada se identificavam com o Partido Republicano, apenas adotaram a sigla.
Apresentou-se o Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, como a nova liderança política municipal, e viu crescer seu prestígio a partir de 1890 com a efetiva instalação da Comarca, e a chegada de famílias republicanas capitaneadas pelo advogado e influente político federal, Dr. Antonio José da Costa Junior e seu genro Francisco de Paula de Abreu Sodré.
Em 1892 os republicanos, aparentemente, contornaram sua primeira crise política local, fazendo-se mudança no diretório, para ajustes, assumindo cargos o Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, o tenente Luiz de Oliveira Martins, Moyses Nelli e Manoel Garcia de Oliveira, em lugar de João Baptista Botelho, João Evangelista da Silva, Joaquim Fernandes Negrão, Firmino Manoel Rodrigues e Pedro Custódio Guimarães (Correio Paulistano, 22/12/1892: 2). Havia pelo menos dois grupos disputantes entre si, os anteriores ao golpe militar de 1889, liderados pelo Coronel Marcello e chamados 'velha guarda', e os que vieram depois, com o Coronel Botelho à frente.
Assomou-se aos republicanos o Deputado Republicano, Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, vindo de Silveiras (SP), brilhante advogado e que se revelaria líder partidário e unificador.
Em 1894, o Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, no Comando Superior da Guarda Nacional, Comarca de Santa Cruz (DOU, 04 de novembro de 1893: 1), era o prestigioso chefe político perrepista santacruzense (Correio Paulistano, 18/07/1894: 2). 
A ausência política e social do Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, ainda em 1894, conduziu o Coronel João Baptista Botelho à liderança absoluta sobre o PRP. 
O Partido marcaria época em causa da dissidência de 1901, entre os grupos do Coronel Botelho e o de Costa Junior/Abreu Sodré, duas facções adversárias e extremamente violentas. 
3.  A Câmara Municipal e as diversas legilaturas
A história política santacruzense 'de antigamente' sempre foi violenta, segundo as tradições, mas não se sabia desde quando e nem a sua extensão, e até pensava-se iniciada em 1901 na crise de disputa eleitoral entre Botelho e a frente Costa Junior/Abreu Sodré, que tomou de assalto o poder e Botelho acabou por suicidar-se, por esta e, talvez, outras razões associadas.
Nunca se teve notícias do período político anterior a 1900, senão que a primeira câmara municipal foi eleita em 15 de outubro de 1876, em absoluta tranquilidade sob a liderança única de Joaquim Manoel de Andrade, assim inferível na obra de José Ricardo Rios, 'Coronel Tonico Lista – O perfil de uma época' (Debate, SCR Pardo, 2004), com o Correio do Sertão por referência (19/07/1902: 2-3).
Somente em 2006 (Prado e Sato) 'descobriu-se' que a primeira eleição municipal fora violenta, com dois grupos políticos, os conservadores e os liberais, digladiando-se pelo poder local, e a autoridade de Joaquim Manoel de Andrade não era absoluta como se cogitava.
"A eleição de eleitores, vereadores e juízes de paz, teve lugar no dia 1º de Outubro, que fora designado pelo governo imperial." (RG NA 1018, 1876/1877: 4), e o rol oficial dos eleitos não foi aquele informado pelo Correio do Sertão e depois reproduzido por Rios. 
A Câmara Municipal era o Órgão que efetivamente exercia, além da legislação e fiscalização, o governo econômico e administrativo do município, através do seu Presidente como agente executivo.
Adiante as câmaras municipais eleitas, suas realizações e as principais ocorrências administrativas e políticas, de 1876 a 1947, esclarecendo algumas peculiaridades, como exemplo, a vereança não era remunerada, porém multado o vereador que não se apresentasse às sessões, sem justificativas. 
3.1.  Legislatura 1877/1880
O primeiro pleito santacruzense, para um período de quatro anos, realizou-se em 1º de outubro de 1876, nos termos da Lei Imperial 387, de 19 de agosto de 1846, com as modificações introduzidas pelo Decreto 842 de 19 de setembro de 1855 e reformas pelo Decreto nº 2.675, de 20 de outubro de 1875, expedientes denominados Lei Eleitoral de 1875. 
As eleições seriam realizadas no dia 1º de Julho do ultimo ano do quatriênio eleitoral, com posse no dia 07 de janeiro (Guia da Novíssima Reforma Eleitoral, Biblioteca Digital do Senado Federal, 1875: 142), todavia adiada para 1º de outubro do mesmo ano (RG NA 1018, 1876/1877: 4).
O período pré-eleitoral santacruzense foi marcado por tumultos e violências, de modo tanto, que o Governo de São Paulo destacou tropa policial da capital para garantir a ordem no lugar, e a autoridade policial local não teve dúvidas em prender o destacamento enviado, apenas liberando-o após as eleições.
-"Eleições –. Tendo o juiz de direito participado que o delegado de polícia detivera praças que foram desta capital com destino ao termo de Santa Cruz do Rio-Pardo, e requisitára praças dos destacamentos de Lençóes, Rio-Novo e Rio-Bonito, mandei por intermédio do dr chefe de polícia, ouvir aquele delegado que requisitou força e os delegados que prestarão." (RG U 1127, 1877/1878: 50).
Concorreram ao pleito santacruzense de 1876 os Partidos Conservador e Liberal. Os eleitores elegeram sete vereadores, dentre os indicados pelos partidos, para a legislatura 1877/1880, conforme cálculos de proporcionalidade entre habitantes e representantes:  
-"Cada cidadão depositará na urna duas cédulas com respectivos rotulos, contendo uma os nomes de seis cidadãos elegiveis para Vereadores, se o município dér nove Vereadores, ou de cinco cidadãos elegiveis, se o município dér sete Vereadores; outra contendo os nomes de quatro cidadãos elegíveis para Juizes de Paz da parochia em que residir, ou do districto, se a parochia tiver mais de um." (Decreto 2.675 – Art. 2º § 25).
O Diário de São Paulo anunciou que nas eleições em Santa Cruz "vencerão os Conservadores" (Diário de São Paulo, 24/10/1876: 1), e a composição revelou eleitos (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 543):
-'Joaquim Manoel de Andrade' – Conservador;
-'Luiz Antonio Roiz¨ [Rodrigues]' – Conservador;
-'Luiz Antonio Braga' – Liberal;
-'João Bonifácio Figueira'– Conservador;
-'Firmino Manoel Roiz¨ [Rodrigues]' – Conservador;
-'Manoel Cândido da Silva' – Conservador";
-'Claudino José Marques' – Ignorada sua filiação partidária.
Constam, inferidos suplentes, o liberal Nicolau Tolentino Roiz¨ [Rodrigues] Barreiros, e o conservador Victorino Garcia de Oliveira, atestados por assinaturas em documento camarário de 24/01/1877 (ALESP, EE 77.29.1) Certo José da Rocha Campos, de filiação partidária ignorada, declarou-se vereador num abaixo assinado de 1879 (Correio Paulistano, 02/10/1879: 2).
  • Roiz¨ tinha o mesmo significado que Rodrigues, e os titulares adotavam, livremente, uma ou outra forma.
Sem qualquer alteração conhecida, a Câmara teve juramento de posse aos 07 de janeiro de 1877, para a legislatura 1877/1880, e Joaquim Manoel de Andrade assumiu a Presidência, por ter sido o vereador mais votado, respeitando-se a legislação em vigor. A posse foi comunicada à Presidência da Província de São Paulo aos 20 de janeiro de 1877 (Diario de S. Paulo, 24/02/1877: 2).
A Câmara apossada, aos 24 de janeiro de 1877 discutiu e propôs correções das divisas entre Santa Cruz e São Pedro do Turvo, considerando exigências da Lei Provincial nº 6, de 24 de fevereiro de 1876, que elevara o lugar à condição de Vila: 
-"O Governo reverá e corrigirá opportunamente as divisas entre as duas Parochias de Santa Cruz do Rio Pardo e São Pedro do Turvo, tendo em vista as informações que lhe prestar a Câmara da nova Villa".
A proposta foi encaminhada, por ofício, à Assembleia Provincial, conforme transcrição, respeitada grafia da época:
-"Rubrica e Protocolo EE 77.29.1."
-"Representação da Camara Municipal da Villa de Santa Cruz do Rio Pardo, pedindo uma fixação regular das suas divisas."
-"C. Est." - (Despacho da autoridade).
-"A Camara Municipal desta Villa de Santa Cruz do Rio Pardo, fiel ao juramento que prestou às Villas a promessa quanto fosse a bem de seu município reconhecendo que actual traçado das divisas do Distrito desta Villa, da confuzão em que ellas se achão com as divisas visinhas traçam grande embaraços a Administração da Justiça, quer civil, quer criminal, rezolveu reclamar dessa Requisitada Assemblea a decretação de uma divisa geral e clara que colloque ao abrigo de qualquer confuzão, offerecendo e submettendo a sua approvação os seguinte traçado:"
-"Da barra do rio Pardo no Paranapanema e por aquele acima até a barra do rio Turvo, por este acima até a barra do Alambary, por este acima, compreendendo todas as vertentes de ambos os lados, até a barra do ribeirão das Antas, deste ponto quebrando para o lado direito, a rumo à barra do ribeirão de Santa Clara, por este acima até a sua ultima cabeceira, desta a rumo a Barra Grande na Fazenda do Capitão Mattosinho, pelo ribeirão Barra Grande acima, até a barra do ribeirão do Óleo, compreendendo todas as suas vertentes, daí à esquerda pelo espigão, seguindo as divisas da Freguezia de São Sebastião até frontear a barra do rio Itararé no Paranapanema e por este abaixo até a barra do rio Pardo."
-"Esta Camara, pois, acreditando que essa Augusta Assemblea attendera sua justa reclamação, afixará, para este Districto as divizas indicadas, desde já á bem dis pelos votos de justiça que sóe praticar."
-"Deus Guarde a Vossa Excelência."
-"Paço da Camara Municipal de S. Cruz do Rio Pardo, em Sessão Ordinaria, 24 de Janeiro de 1877."
-"Ilmos. Exmos. Senhor Prezidente e Membros da Assemblea Provincial."
-"Joaquim Manoel de Andrade – Prezidente;"
-"Fermino Manoel Roiz¨;" 
-"Vitorino Gouveia Silveira;"
-"Manoel Candido da Silva;"
-"Nicolau Tolentino Roiz¨ Barreiros."
Neste expediente, de 24 de janeiro de 1877 são notadas as ausências de assinaturas dos titulares vereadores Luiz Antonio Rodrigues, Luiz Antonio Braga, João Bonifácio Figueira e Claudino José Marques. Os suplentes, Nicolau Tolentino Roiz¨ [Rodrigues] Barreiros e Victorino Garcia de Oliveira, assinaram o referido documento.
O Governo de São Paulo, após tramitações na Assembleia, a atendeu pela Lei nº 51, de 11 de maio de 1877, num único artigo e revogando as disposições em contrário:
"Da barra do rio Pardo no Paranapanema e por aquele acima até a barra do rio Turvo, por este acima até a barra do Alambary, por este acima, compreendendo todas as vertentes de ambos os lados, até a barra do ribeirão das Antas, deste ponto quebrando para o lado direito, a rumo à barra do ribeirão de Santa Clara, por este acima até a sua ultima cabeceira, desta a rumo a Barra Grande na Fazenda do Capitão Mattosinho, pelo ribeirão Barra Grande acima, até a barra do ribeirão do Óleo, compreendendo todas as suas vertentes, daí à esquerda pelo espigão, seguindo as divisas da Freguezia de São Sebastião até frontear a barra do rio Itararé no Paranapanema e por este abaixo até a barra do rio Pardo, revogadas as disposições em contrário" (ALESP, EE 77.29.1. CD: A/A).
À Câmara Municipal eleita em 1876 coube o primeiro regulamento da coisa pública, por legislação, quanto ao uso dos espaços compartilhados, do funcionamento de estabelecimentos e sossego público, cabendo os cuidados à autoridade policial. Isto era discutível, sem abranger as complexidades, tais como a elegância, o arruamento, as praças e a ordem externa dos edifícios, além das aplicações das políticas fiscais, de segurança [condutas e ordem], de saneamento básico e saúde.
Por circunstâncias legais Santa Cruz adotou o Código de Posturas do município de Lençóis Paulista (Diario de São Paulo, 24/02/1877: 1), município mãe, até a elaboração do seu próprio no mandato seguinte.
Para a Administração da Câmara de 1877, foram nomeados: João Americo Bressane – Secretário; João Garcia de Oliveira Netto – Procurador; João Evangelista da Silva – Fiscal; Joaquim de A. Prado – Porteiro (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 543).
  • Eloy Antonio de Moraes teria sido o primeiro Secretário nomeado (Almanak Laemmert, 1911/1912: 4626; Santa Cruz do Rio Pardo – histórico), deixando o cargo para assumir a função de Agente da Coletoria de Rendas Gerais, em 1878, quando instalada no município (Correio do Sertão, 19/07/1902: 3). Num documento de 1879, Miguel Antonio de Souza declarou-se Procurador da Câmara (Correio Paulistano, 02/10/1879: 2).
Constam, ainda, empregados públicos braçais: Antonio Martins de Oliveira, João de Arruda Campos Filho, Joaquim Honório de Araujo – não especificados os cargos (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 543) 
A política inicial santacruzense, como as demais do interior paulista, tinha significado para a distinção de um chefe político local – coronel, por ser, em tese, quem direcionava os votos municipais para as eleições de deputados provinciais, e os gerais – deputados imperais. Constituía poder crescente, cada vez mais prestigioso, sobretudo por ser Santa Cruz cabeça de paróquia:
-"Eleitores da Paróquia de Santa Cruz do Rio Pardo – Quadro Eleitoral dos Municípios e Paróquias até 1879 – eleitores representantes: 10, população livre 3.623; escrava 209; total 3.832." (RG BN 1025, 1880/1881: Mapa SN). 
Tal informação populacional correspondia ao Censo de 1872 para Santa Cruz do Rio Pardo e São Pedro do Turvo, conjuntamente. 
Em 1883 foram computados 78 eleitores para a Paróquia, Santa Cruz do Rio Pardo e São Pedro do Turvo (RG: BN 1028, 1883/1884: 40); e no ano de 1890, com nova legislação, estavam registrados 336 eleitores santacruzenses e 200 para São Pedro do Turvo 200, ou seja, 536 eleitores na paróquia (RG U 1145, 1889/1890: A-189), número nada desprezível para os pretendentes ao coronelismo.
3.2.  Legislatura 1881/1884 – não concluída 
A legislação eleitoral para os municípios, até 1880, determinava os critérios para definir quem votava e quem podia ser votado, atributos da Junta Paroquial composta pelo Juiz Municipal – Presidente, o Pároco e o Delegado de Polícia – Fiscal. 
O Juiz Municipal, inexistindo ou ausente, era substituído pelo Juiz de Paz como primeiro suplente, aplicando-se, quando preciso, o regra-três. O Delegado de Polícia, não havendo ou não presente o titular, assumia o Subdelegado – 1º suplente, ou o exercente do cargo. O Pároco podia ser suprido pelo Capelão ou alguma pessoa de confiança clerical.
Ao Delegado de Polícia, ou o seu imediato, cumpria registrar votantes e organizar as eleições, através da lista atualizada de qualificações, obedecendo a critérios legais. 
A legislação eleitoral para as eleições de 1880 era de interpretação bastante particular, geralmente a combinar o Decreto Imperial nº 2.675 de 20 de outubro de 1875, chamado de Lei Eleitoral, regulado pelas instruções regulamentares do Decreto Imperial nº 6.097, de 12 de janeiro de 1876, e mais as publicações esparsas dispostas entre as datas e a efetividade de um pleito eleitoral.
A junta paroquial para alistamentos e qualificações, a ex-officio poderia tornar a lista bastante excludente, a bastar-lhe exigir comprovantes, para fins de anexações, aos requisitos primários que deveriam ser preenchidos, como prova documental dos cumprimentos legais.
Os cidadãos não enquadrados nas exigências não poderiam ser eleitores e nem candidatos, podendo, porém, algum prejudicado reclamar injusta inclusão ou exclusão perante a junta paroquial, cuja competência atingia tão somente o não incluído. Ao excluído cabia recurso à instância superior, jamais o incluído que legalmente permaneceria nesta condição. 
A Junta Paroquial concentrava em si, tecnicamente, a palavra decisória na composição e julgamento das qualificações. Recorrer à instância superior quase sempre era feito inglório, tanto pela demora quanto pela decisão que, geralmente, não seria contrária à decisão paroquialista.
Os partidos políticos em Santa Cruz do Rio Pardo organizavam-se para a eleição municipal de 1º de julho de 1880, que elegeria seis vereadores dentre os candidatos.  
O Partido Conservador sagrou o seu diretório em uma reunião aos 04 de junho daquele ano na residência de Jacob Molitor, escolhendo seis membros para direção, quatro para Santa Cruz e dois para São Pedro do Turvo. Foram eleitos: o líder conservador, então tenente-coronel e deputado provincial, Emygdio José da Piedade – que renunciou a escolha, o alferes Antonio Caetano de Oliveira, Firmino Manoel Rodrigues, Joaquim Manoel de Andrade, Francisco Narciso Gonçalves e Fidelis José Rodrigues. Em lugar de Emygdio elegeu-se Luiz Antonio Rodrigues, e para presidente foi nomeado o alferes Antonio Caetano de Oliveira. 
-"Na acta da reunião foi consignado um voto de louvor ao sr. Antonio Gonçalves Vallim, pelo muito que tem feito pelo partido conservador da localidade, contribuindo para a união do mesmo, assim como ao sr. tenente-coronel Emygdio da Piedade pelos valiosos serviços prestados ao partido conservador." (Correio Paulistano, 09 de julho de 1880: 2).
O Partido Liberal, sem o espaço necessário na imprensa conservadora do Correio Paulistano, para a eleição municipal de 1º de julho de 1880, teve sua presença marcada como adversário temível e ameaçador.  -"Eleição Municipal em Santa Cruz do Rio Pardo"
-"(...)."
-"De pessoa fidedigna recebemos a seguinte communicação": 
-Transcrição- 
-"No dia 28 de Junho, sob a presidencia do segundo Juiz de paz, Luiz Antonio Rodrigues, organisou-se a mesa parochial, sendo eleitos para mesarios dois conservadores."
-"No dia 29, quando o povo se achava na igreja, ouvindo a missa conventual, entrou o coronel Francisco Dias Baptista, acompanhado de quarenta e cinco capangas todos armados, trazendo dois delles bandeiras vermelhas, marchando á dois de fundo, com as armas em punho e bandeiras desfraldadas; rodearam a egreja e desfilaram pelas ruas da villa, indo todos apear-se na casa do delegado de policia Nicolau Tolentino Rodrigues Barreiros, donde logo depois e do mesmo modo, dirigiram-se para a casa do primeiro supplente do juiz municipal, Theodoro de Camargo Prado. Pouco depois, distribuidos em grupos de oito e dez, armados de garruchas, facões e porretes, passeavam pelas ruas."
-"No dia 30, á tarde, foi novamente a villa invadida por um outro grupo de vinte e quatro homens, armados de garruchas, rifles e espingardas, o qual, tambem de bandeira vermelha passeou pelas ruas e foi recolher-se á casa do dito juiz municipal."
-"Sob taes auspicios ia se proceder a eleição quando, para maior escandalo, a maioria da mesa, resolveu fazer a chamada pela qualificação deste anno, finda no dia 28, depois de organizada a mesa, sendo que a convocação havia sido feita pela qualificação do anno passado."
-"Como era natural, esta absurda resolução foi recebida com vivos protestos dos conservadores; entretanto, para evitar desordens e derramamento de sangue, em vista do estado dos animos, concordaram em adiar-se a eleição, para o fim de consultar-se o governo, sendo designado o dia 7 de Setembro para continuar a eleição."
-(Correio Paulistano, 15/07/1880: 1). 
Os liberais, vencedores na eleição de 1876, não tinham a Presidência da Câmara, todavia detinham controle sobre a Junta Paroquial, com o Juiz de Paz, Theodoro de Camargo Prado, Presidente da Junta, e o Delegado de Polícia, Nicolau Tolentino Roiz¨ Barreiros, como Fiscal. Apenas o Padre João Domingos Figueira tinha simpatia pels conservadores.   
Nas ausências de Camargo Prado e Roiz¨ Barreiros, o Partido Conservador, num oportunismo político, assumiu o controle da Junta Paroquial, com o 2º Suplente de Juiz de Paz, Luiz Antonio Rodrigues, ocupando a Presidência, e Fortunato Rodrigues da Costa, como 1º Suplente de Delegado de Polícia, assumindo a Fiscalização.
Luiz Antonio Rodrigues estava como 1º Suplente de Juiz de Paz, em lugar de Raphael Silverio de Andrade que havia renunciado o cargo, portanto atuava como substituto legal de Camargo Prado. 
A Junta Paroquial, então aos interesses dos conservadores para as eleições municipais de 1880, não atualizou a lista de qualificações dos eleitores e manipulou inclusões e exclusões de eleitores, de maneira a dar como certa a vitória conservadora nas eleições. 
O Partido Liberal reagiu de maneira brutal. O Coronel Francisco Dias Baptista, chefe político liberal regional, fez desfilar sua tropa armada pelas ruas de Santa Cruz, entrou na Igreja durante ato religioso, dirigiu-se à casa do Delegado de Polícia e do Juiz de Paz reconduzindo-os às titularidades, determinou correções dos atos tomados pela Junta Paroquial e tomou de assalto o domínio da mesa eleitoral para eleger os seus indicados vereadores.
Os liberais ganharam a eleição, sob os protestos do Partido Conservador que denunciou a violência e o esbulho eleitoral (Correio Paulistano, 15/07/1880: 1).
Até se cogitou, pelo lado dos conservadores, adiamento das eleições para setembro do mesmo ano, mas o governo paulista mostrou-se alheio aos problemas locais, ou nenhuma atenção aos reclamos dos conservadores santacruzenses, e a declaração oficial dos resultados das urnas não trouxe Santa Cruz no rol das exceções:
-"Procedeu-se, conforme a lei, no dia 1º de Julho, á eleição de Vereadores e Juizes de Paz, nas parochias da Provincia comprehendidas no ultimo recenseamento, com excepção das de Belem do Descavaldo, Santa Anna dos Olhos d'Agua e N. Senhora dos Remedios da Ponte do Tiete." (RG BN 1025, 1880 / 1881: 173).
Câmara com esmagadora maioria liberal: "Nicolau Tolentino Rodrigues Barreiros – Presidente, Manoel Garcia de Oliveira – Vice-Presidente, João Baptista de Oliveira, José da Rocha Campos, Rafael Silva de Arruda, Vicente Bezerra Machado", e Francisco Antonio da Silva foi nomeado Secretário, em lugar de Eloy Antonio de Moraes. Apenas Manoel Garcia de Oliveira foi oposição, como representante conservador. 
De qualquer modo o ano de 1880 encontrava-se politicamente confuso em todo o Império: "O projeto de que resultaria a Lei Saraiva foi encaminhado pelo Governo, em abril de 1880..." (Porto, 2009: 2). Por conseguinte, já se sabia os seus termos e possíveis implicações nas eleições ainda de 1880, prevendo-se anulações dos pleitos, ou Câmara de curta duração.
Pouco antes da posse da nova Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo, eleita em 1880, foi editada a esperada Lei Saraiva, substituindo de vez a legislação eleitoral anterior, instituindo eleições diretas para os cargos legislativos provinciais, inéditas na história do Brasil, além de confiar o processo de alistamento eleitoral à magistratura, extinguindo as juntas paroquiais de qualificação, e os analfabetos deixariam de votar.
Outra importante medida foi a implementação do Título de Eleitor, com número e data do alistamento, em substituição ao título de qualificação adotado em 1875. Somente podia votar com apresentação do Título de Eleitor.
Em termos de eleições municipais a nova lei apresentou modificações interessantes, por exemplos, o voto para Vereador tornar-se-ia uninominal, proibindo-se a reeleição para o período imediatamente subsequente, e os Presidentes e Vice da Câmara seriam escolhidos pelos seus pares na primeira sessão, desconsiderando o sistema de ser Presidente aquele com maior número de votos.
O procedimento eleitoral de 1880, em qualquer de suas realizações, chocava-se com os dispostos na nova legislação firmada no Decreto nº 3.029, de 09 de janeiro de 1881 (Lei Saraiva), e, diante de tantas e profundas mudanças a Câmara a assumir exercício praticamente carecia de legitimidade.
A nova Câmara foi empossada e, a sessão de 22 de janeiro de 1881, cuja ata assinada por todos os eleitos, versou sobre o Orçamento de Receitas e Despesas da Câmara Municipal, exercícios 1881 e 1882, encaminhado à Assembléia Provincial de São Paulo, "visto não ter orçamento vigente." (ALESP, CF. 81_114.2). 
A Câmara praticamente fechou suas portas quando o Nicolau Tolentino Rodrigues Barreiros deixou a vereança e presidência em meio a graves denúncias contra ele, como policial, cargo do qual sumariamente exonerado, e seus partidários liberais, vereadores, não souberam como reagir.
Valeu mais uma vez o oportunismo do Partido Conservador, e em outubro de 1881, numa sessão camarária, apresentavam-se vereadores quatro conservadores, Manoel Garcia de Oliveira – Presidente, Luiz Antonio Rodrigues, José Garcia de Oliveira Neto, Delfino Zeferino da Silva e Oliveira; e dois liberais, Francisco Antonio de Souza e Vicente Bezerra Machado. 
Já não apareciam os nomes de João Baptista de Oliveira, José da Rocha Campos e Rafael Silva de Arruda, além de Tolentino, todos liberais, substituídos por suplentes conservadores. Tão somente Vicente Bezerra Machado e Francisco Antonio de Souza, este suplente efetivado, representavam o Partido Liberal.
Assunto não bem esclarecido, o Correio Paulistano (edição de 12/11/1881: 1-2), historiou os acontecimentos. Os vereadores liberais Bezerra Machado e Souza, numa ferrenha oposição camarária, denunciaram ao governo paulista "sobre o facto de não serem convocados para as respectivas sessões desde que foi nomeado o novo secretario." (Correio Paulistano, 12/11/1881: 1-2, documento conferido pela Secretaria de Governo da Província).
Esclarecia a denúncia que após a saída do anterior Presidente da Câmara, o liberal Nicolau Tolentino Roiz¨ Barreiros, os conservadores assumiram o controle da Casa através do Vice-Presidente Manoel Garcia de Oliveira, guindado à Presidência, e numa forjada convocação dos vereadores e suplentes mais votados, mas em verdade convocando suplentes do Partido Conservador – inclusive aqueles com menos votos que os liberais, e praticamente instalou uma nova Câmara. 
Noutro gesto arbitrário, o Presidente da Câmara, Manoel Garcia de Oliveira gesto arbitrário teria "demittido o secretario [Francisco Antonio da Silva], homem serio e de bem e nomeado para servir em seu lugar um homem [Antonio Jacob Molitor] que tem sido accusado de factos horripilantes, pelo que seria impossivel, que a maioria da camara, se elles estivessem regularmente constituidos, admitisse essa nomeação!" (Correio Paulistano, 12/11/1881: 1-2), pois o ato dependeria de cinco votos. 
A acusação acrescia que dentre os suplentes convocados estariam dois cunhados do presidente, o que seria ilegal, e que o novo secretário era seu sobrinho. A denuncia, também se referia à ação difamatória da câmara contra o Delegado de Polícia, Francisco Antonio de Castro, que assumira em lugar do exonerado Tolentino, com os denunciadores tecendo elogios ao Delegado Castro e desprezando as acusações da Câmara.
O Governo Provincial entrou no mérito para exigir urgentes esclarecimentos da Câmara, e esta providenciou documentos assinados pelo Secretário Molitor, que a convocação fora feita a todos os vereadores eleitos e somente depois aos suplentes imediatos, e, enfim, aos demais suplentes, na conformidade da lei. 
O Porteiro da Câmara, Joaquim de Almeida Prado, assinando a rogo e sob o juramento do cargo, declarou ter entregado convocações para as sessões legislativas, e a esse procedimento os próprios Vereadores, Vicente Bezerra Machado e Joaquim Francisco da Silva, declararam: 
-"Nós abaixo assignados a bem da verdade declaramos que ignoramos os factos contidos no nosso officio de 6 de Julho deste anno, o qual assignamos abusando-se de nossa ignorancia e boa fé, pois o certo é que havendo os sr Francisco Antonio de Castro nos perguntado se tinhamos sido convocados para todas as seções da camara, nós respondemos que sim, mas que para duas os officios não nos foram entreguez por terem sido confiados a visinhos nossos que se descuidaram de nos entregar em tempo, e o sr. Castro escrevendo, nos dias que assignamos; o que de boa fe fizemos, julgando assignar aquillo que hiaviamos dito a elle, e só agora é que temos conhecimento do que assignamos. Cujos factos contestamos. Santa Cruz do Rio Pardo, 7 de Outubro de 1881 – Os vereadores Vicente Bezerra Machado, Joaquim Francisco da Silva. Conferido. O secretario da camara municipal, Jacob Antonio Molitor." (Correio Paulistano, edição de 12/11/1881: 1-2)
Ao Presidente da Província de São Paulo, foi então encaminhada. 
-"Copia - da sessão ordinaria da camara municipal do dia 7 de Outubro de 1881 - Aos sete dias, do mez de Outubro de mil oitocentos e oitenta e eum nesta villa de Santa Cruz do Rio Pardo, na sala das sessões da camara municipal, às dez horas da manhã presente o presidente da mesma o cidadão Manoel Garcia de Oliveira, comigo secretario abaixo nomeado, procedeu-se a chamada dos vereadores convocados, Joaquim Francisco da Silva, Vicente Bezerra Machado, José Garcia de Oliveira Netto, Delfino Zeferino da Silva e Oliveira, estavam todos presentes; o presidente declarou aberta a sessão. Apresentando um officio do excellentissimo presidente da provincia, em que manda esta camara informar sobre uma reclamação que fez os dois vereadores Joaquim Francisco da Silva e Vicente Machado Bezerra em data de seis de Julho ultimo, lida e apresentada por copia a referida reclamação que enviou o mesmo excellentissimo presidente da provincia, pelo presidente foi posto a discussão o modo se devia informar; pelos dois reclamantes que se achavam presentes fazendo parte da sessão, foi declarado que tal reclamação não sustentam por não ser legal, pois foi a elles apresentado por Francisco Antonio de Castro, o que somente assignaram, e só agora é que tiveram conhecimento do lugar que a elles - dito Castro, e que por isso negavam tudo o allegado na ditta reclamação por elles assignados. Em vista do que os demais vereadores cinco deram que os desse essa mesma declaração ao excellentissimo presidente da provincia para a informação que pede. O presidente ordenou a mim secretario que escrevesse a referida contrariedade para ser remettida pelo correio ao excellentissimo presidente da provincia, o que foi satisfeito. E sendo as horas adiantadas foi suspenso os trabalhos para amanhã as horas de costume convidando assim o presidente, os vereadores para seus comparecimentos. E do que para constar lavrei a presenta acta que se assigna o presidente e vereadores. Eu - Jacob Antonio Molitor, secretario que escrevi - Garcia Oliveira Silva - Garcia Netto - Machado - Silva e Oliveira. Nada mais. O secretario, Jacob Antonio Molitor - conferi - Molitor." (Correio Paulistano, 12/11/1881: 1-2).
Pouco tempo depois, Vicente Bezerra Machado figurava na lista dos conservadores santacruzenses.
3.2.1.  Eleições de 1882
Com a edição e entrada em vigor do Decreto nº 3.029, de 09 de janeiro de 1881 (Lei Saraiva), e mais os acontecimentos internos decorrentes, seria difícil a Câmara Municipal eleita em 1880 (para a legislação 1881/1884) sustentar-se. 
A situação se agravaria com a esperada edição do Decreto nº 8.213, de 13 de agosto de 1881, regulamentador da Lei Saraiva, que assim estabeleceu em seus artigos 190 e 191: 
-"(...)."
-"Art. 190. As camaras municipaes continuarão a compor-se do mesmo numero de vereadores marcado na legislação vigente, (...)."
-"Cada uma das mesmas camaras terá um presidente e um vice-presidente, os quaes serão eleitos annualmente, na 1ª sessão, pelos vereadores dentre si."
-"Art. 191. Feita a primeira eleição de deputados á assembléa geral pelo modo estabelecido na Lei no 3.029 de 9 de Janeiro de 1881 e neste Regulamento, proceder-se-ha tambem á eleição das camaras municipaes e dos juizes de paz em todo o Imperio no primeiro dia util do mez de Julho que se seguir, começando a correr o quatriennio do dia 7 de Janeiro subsequente."
-"De então em diante se continuará a fazer a mesma eleição de quatro em quatro annos em igual dia do mez de Julho."
No entanto, as disposições contidas, estariam sujeitas à aprovação legislativa, na seguinte obediência:
-"Art. 241. Em virtude do art. 36 da Lei no 3.029 de 9 de Janeiro de 1881:
-"§ 1º Fica sujeito á approvação do Poder Legislativo este Regulamento na parte a que se refere o citado art. 36."
-"§ 2º Depois do acto do Poder Legislativo de que trata o paragrapho antecedente considerar-se-hão revogadas as leis e disposições anteriores á citada Lei no 3.029 e a este Regulamento, relativas a eleições."
-"§ 3º Publicado este Regulamento cessará desde logo a attribuição concedida ao governo e aos presidentes de provincia no art. 120 da Lei no 387 de 19 de Agosto de 1846."
-"Art. 242. Ficam sem effeito desde já as instrucções que para o 1º alistamento dos eleitores, ao qual se tinha de proceder em virtude da Lei no 3.029 de 9 de Janeiro de 1881, mandou observar o Decreto no 7.981 de 29 do mesmo mez e anno."
O Decreto nº 8.213 também estatuiu a exigência de "saber ler e escrever" para se requerer a inclusão no alistamento eleitoral a partir de 1882. O tema não constava do corpo do Decreto nº 3.029, de 09 de janeiro de 1881 – a Lei Saraiva.
Demoras decorrentes das tramitações legislativas e encaminhamentos às Províncias para discussões das novas regras, o Imperador fez intervenções no sentido de dissolver a Câmara dos Deputados e marcar novas eleições para outubro de 1891 para posse em 31 de dezembro do mesmo ano, conforme 'Aviso Circular de 02 de julho de 1881', de Ordem do Imperador e válido para todo o Império:
-"Ilm. e Exm. Sr. — Communicando a V. Ex. que S. M. o Imperador em virtude da attribuição que lhe confere o art. 101º § 5º da constituição do império, houve por bem, por decretos ns. 8.153 e 8.154 de 30 de Junho ultimo, dissolver a camará dos deputados e convocar outra para o dia 31 de Dezembro do corrente anno, bem como convocar para o mesmo dia a nova assembléa geral, designando o dia 31 de Outubro próximo futuro para proceder-se em todo o império ã eleição geral dos novos deputados; recommendo a V. Ex. que expeça com urgência as ordens necessárias para que nessa província se realize no mencionado dia a referida eleição, devendo o processo da eleição effectuar-se na forma determinada nos artigos 15º e 18º da lei n. 3029 de 9 de Janeiro deste anno."
Em decorrência, no ano de 1882 "Procedeu-se em quase todas as parochias da Provincia, no dia 1º de Julho ultimo, à eleição de Vereadores e Juizes de Paz para o quatriennio que começará a correr de 7 de Janeiro do corrente ano [de 1883] nos termos do artigo 191 do Regulamento 8.213, de 13 de Agosto de 1881." (RG BN 1027, 1882/1883: 58). O quatriênio seria de 1883 a 1886, a significar, com isso, a destituição da Câmara eleita em 1º de julho de 1880 - legislatura 1881-1884.
Santa Cruz do Rio Pardo realizou eleições municipais sendo eleitos Vereadores: "Joaquim Manoel de Andrade, Francisco de Paula Martins, Alferes João R. Oliveira Mello, Luiz Antonio Rodrigues, Jacyntho Xavier da Costa, Francisco Candido da Silva e Francisco Antonio de Souza. Todos conservadores." (Correio Paulistano, Ano XXIX nº 7722, de 26 de julho de 1882: 2). 
-"Vereadores"
-"Eleitos em 1º escrutinio:"
-"Luiz Antonio Rodrigues (c)"
-"Alferes Francisco Lourenço de Figueiredo (l)"
-"Alferes João Baptista de Oliveira Mello (c)"
-"Firmino Silveira de Andrade (l)"
-"Está designado o dia 22 deste para o segundo escrutinio, no qual entram 1 conservador e 2 liberaes."
-"Como se ve, a victoria pertence ainda desta vez ao partido conservador."
-(Correio Paulistano, 15/11/1882: 2).
As eleições conforme a regra foram complementadas em 23 de novembro, ficando composta a Câmara: Luiz Antonio Rodrigues, João Baptista de Oliveira Mello, Joaquim Manoel de Andrade, Firmino Manoel Rodrigues, Francisco Lourenço Figueiredo, Firmino ou Fermino Silveira de Andrade e José Pedro Coimbra (Correio Paulistano. 12/12/1882: 2).
Em dezembro de 1882 foi encerrado o mandato da Câmara eleita em 1880, constando presentes nos cargos "Manoel Garcia de Oliveira - Presidente; Vicente Bizerra Machado; João Baptista de Oliveira Mello; Francisco Antonio de Souza; e Luis Antonio Rodrigues." (ALESP, CF 83_199.1 – Câmara, ofício de 08/12/1882 requerendo da Assembléia Legislativa Provincial a fixação de salários para servidores públicos remunerados pela Municipalidade).
São os mesmos vereadores que assinaram outro expediente, também de 08 de dezembro de 1882, referente ao projeto para o Código de Posturas do Município, originalmente redigido pela Comissão de Redação da Assembléia Legislativa da Província de São Paulo.
3.3.  Legislatura 1883/1886 
A Câmara eleita em 1882 tomou posse em janeiro de 1883, com os eleitos Luiz Antonio Rodrigues, João Baptista de Oliveira Mello, Joaquim Manoel de Andrade, Firmino Manoel Rodrigues, Francisco Lourenço Figueiredo, Firmino ou Fermino Silveira de Andrade e José Pedro Coimbra.
Francisco Lourenço de Figueiredo era representante de São José do Rio Novo (Estância Climática de Campos Novos Paulista), e José Pedro Coimbra, de São Pedro dos Campos Novos do Turvo (São Pedro do Turvo). Tais vereadores quase nunca compareciam, justificados pela distância entre a sede e suas freguesias, aliada às intempéries.
A Câmara eleita em 1882 apresentava-se mais amiúde com os vereadores "Joaquim Manoel de Andrade; Francisco Antonio de Souza, Firmino Silvério de Andrade, João Baptista de Oliveira Mello e Luiz Antonio Rodrigues", de acordo com assinaturas apostas, a título de exemplo, em documento de 20 de dezembro de 1883 à Assembleia, reivindicando, justificando e anexando informações para a elevação de Santa Cruz do Rio Pardo à condição de Comarca, considerada a vasta territorialidade a abranger os povoados estabelecidos [São Pedro do Turvo, Campos Novos Paulista e Conceição de Monte Alegre] e outros surgentes [Platina, Dourado e Jaguaretê], com população firmada e crescente (ALESP, EE. 83_24).
Em anexo ao citado ofício um abaixo-assinado, de 20 de setembro de 1883, dos mais expressivos nomes da sociedade reivindicando elevação do lugar à condição de Comarca (ALESP, PR 84_007). Caso a solicitação fosse atendida, Santa Cruz deixaria de ser Termo de Lençóis Paulista. 
No mês de outubro de 1883, concluso o Código de Posturas, ocorreu o despacho numa confusa anotação, sem assinaturas ou rubricas dos senhores Vereadores: "Registrado no livro competente a 19 de março, digo de outubro de 1883" (ALESP, RE 83_045.1).
Para o exercício de 1884 apresentou-se a mesma Câmara, vom o Vereador Luiz Antonio Rodrigues na Presidência do Legislativo em vez de Joaquim Manoel de Andrade. As assinaturas constam num documento, de 13 de janeiro de 1884, depois riscadas, numa minuta referente ao pleiteado imposto para construção da Matriz (ALESP, CF 84_203.2).
Aos de 13 de janeiro de 1884 a Câmara encaminhou à Assembléia Provincial, para fins de de discussão e aprovação, o orçamento das Receitas e Despesas previstas para o exercício de 1884, com assinaturas dos vereadores: "Luiz Antonio Rodrigues: Presidente, Firmino Silverio de Andrade, Joaquim Manoel de Andrade, Francisco Antonio de Souza, João Baptista de Oliveira Mello" (ALESP, CF. 81_114.1).
A Câmara estava atuante, e em 19 de janeiro de 1884 o plenário propõe e encaminha à Assembléia Provincial de São Paulo, a reforma em seu Código de Posturas:
-"Paço da Camara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, em Sessão Ordinária, 19 de janeiro de 1884."
-"Officio da Camara de Sta Cruz do Rio Pardo, propondo a reforma de um artigo de suas posturas."
-"Ilmos Exmos Snrs."
-"Deliberou hoje esta Camara que os negociantes estabelecidos, que residirem dentro da quadra da povoação desta Villa, ficam isemptos do pagamento da quantia de cinco mil reis á que estão subjeitos pelo Codigo de Posturas em vigor, quando, com generos de seus negocios, estabellecendo botequins por occasião de qualquer festividade religiosas ou outras conservando, porem, as portas do negócio fechados; pagando, no caso contrario, o referido imposto."
-"(...)."
-"Luiz Antonio Rodrigues – Presidente."
-"Firmino Silverio de Andrade;"
-"João Baptista de Oliveira Mello;"
-"Francisco Antonio de Souza;"
-"Fermino Manoel Rodrigues."
Fermino Manoel Rodrigues apareceu como substituto de Joaquim Manoel de Andrade. 
O interesse da Câmara tramitou na Assembléia Provincial pela Comissão das Câmaras, com data de 28 de janeiro de 1884 – 1ª Pauta, e 16 de fevereiro de 1884 - 2ª Pauta:
-"(...). A Comissão das Camaras, examinando a proposta da Camara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo contida em seu officio de 9 de Janeiro corrente, pela qual precisa modificar a disposição de paragrapho 7º do artigo 89 de seu Codigo de Postura, approvado e mandado executar a 6 de Agosto de 1883 offerece o seguinte ..." (ALESP, CP 84.18.1).
O documento projeto, assinado pelo Deputado Emygdio Piedade, inutilizado e depois reescrito, na mesma página, sem validade, e não prosperou. 
Pouco depois, sob a presidência de Luiz Antonio Rodrigues, a Câmara recebeu do Governo de São Paulo a Resolução nº 002, de 01 de março de 1884, na qual mandava executar um artigo de postura da Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, subentendido o artigo 5º, para se realizar a primeira demarcação urbana, visando cobrança de Imposto Predial conforme registrada em livro-ata, reunião de 05 de agosto de 1884. 
Assinaram o documento: Luiz Antonio Rodrigues [Presidente], João Baptista de Oliveira Melo, Fermino Manoel Rodrigues, Joaquim Manoel de Andrade e Firmino Silveira de Andrade. Joaquim Manoel de Andrade aparece no cargo e Fermino Manoel Rodrigues apresenta-se, então, no lugar de Francisco Antonio de Oliveira.
Luiz Antonio Rodrigues revelou-se atuante e transparente, durante o período de sua gestão, com a abertura do Livro de Registro de Ofícios e Atos Expedidos da Câmara Municipal, o que tornou o legislativo mais bem documentado, a partir de 13 de julho de 1884, em especial porque os expedientes chegaram até os dias atuais (Câmara, 1884). 
As citações seguintes de documentos mostram o dinamismo da Câmara e sua preocupação com o município, conforme observáveis entre outros:
-1.  O abastecimento de água potável era uma das principais reivindicações que a Câmara Municipal junto à Assembléia Provincial, a destacar-se ofício de 13 de julho de 1884 no qual se requer pagamento do auxílio prometido de um conto de réis – concessão aprovada, para a condução da água até os chafarizes a serem construídos em pontos estratégicos da vila.
-2.  Ainda de 13 de julho de 1884, ofício ao Vice-Presidente, Luis Carlos de Assumpção, em exercício na Chefia do Governo da Província de São Paulo, a comunicar o adiantamento das obras da estrada para Rio Novo, Avaré, e requerer dinheiro para melhores pontes sobre os ribeirões pelos caminhos e a efetivação de uma estrada ou o atalho de duas léguas para São Sebastião do Tijuco Preto [Piraju].
-3.  No orçamento provincial aprovado para Santa Cruz do rio Pardo são destinadas verbas, por exemplo, 1:000$ para aquela estrada/atalho nos ‘Cafundó’ e, para as demais obras, além de 1:000$ para a igreja matriz em São Pedro do Turvo, outros 1:000$ para a cadeia pública também em São Pedro do Turvo. Para a retirada de referidos valores e outros destinados ao município, em cotas ou integrais, a Câmara então nomeou seu procurador, por ofício de 13 de julho de 1884, o Conselheiro Dr. Manoel Antonio Duarte de Azevedo, um dos mais ilustres nomes do Império.
-4.   A Câmara Municipal envolveu-se nas 'desavenças' entre Jacob Antonio Molitor – Delegado de Policia em exercício e a família Piedade, comunicando ao Governo da Província, por ofício de 1º de agosto de 1884 das práticas de violência e cerceamento de liberdades promovidas pelo referido Delegado, citando o acontecimento de 28 de julho daquele ano, afrontado publicamente Augusto Piedade – Secretário da Câmara, e o Presidente do Legislativo que pretendiam verificar as obras do edifício público onde seria instalado o Poder Judiciário, a Câmara e o conjunto Delegacia/Cadeia Pública. No expediente o Presidente da Câmara mencionou, ainda, maus tratos de Molitor aos cidadãos, citando o nome de outro policial agressivo e arbitrário – o soldado João Mariano, subordinado ao Delegado, e relatou humilhações cometidas contra o Professor Público Godofredo Piedade e demais cidadãos.
-5.  Ofício de 04 de agosto de 1884 comunica ao Governo da Província a posse do Professor João da Silva Ribeiro, na escola da Freguesia de São José do Rio Novo dos Campos Novos - um dos nomes da atual localidade de Campos Novos Paulista, então pertencente ao município de Santa Cruz do Rio Pardo. Joaquim Manoel de Andrade reassume a Câmara em lugar de Francisco Antonio de Souza.
-6.  Aos 05 de agosto de 1884, os vereadores santacruzenses, em observância ao disposto no artigo 5º do Regulamento (Resolução nº 002, de 01 de março de 1884) da Presidência da Província, informam que "(...) depois de havermos todos conjuntamente percorrido esta Villa em todas as direções, resolvemos, (...) demarcar os limites da povoação desta Villa de Santa Cruz do Rio Pardo, e o fasemos da seguinte forma: partindo da barranca do rio Pardo, no extremo do quintal fechado por Joaquim Cesário Garcia, e subindo pela cerca do mesmo quintal assim até a casa de Amâncio de Campos Biondo na proximidade da Capela de Santa Cruz, seguindo o mesmo rumo até o vallo de Joaquim Manoel Rodrigues, por este até o vallo de Victorio Garcia de Oliveira até a casa de Morada deste, desta a rumo ao ribeirão São Domingos, por este abaixo até encontrar a divisa do patrimônio de São José, pela divisa deste patrimônio até o rio Pardo e por este acima até o ponto de partida. Assim concluida e feita a demarcação dos limites desta povoação ...". Tratava-se da área povoada para fins de taxas e impostos.
-7.  Em 08 de agosto de 1884, a Câmara encaminhou ao Imperador Pedro II, através do Ministro Conselheiro de Estado dos Negócios da Justiça, ofício / requerimento solicitando para Santa Cruz sua elevação sede de Comarca, num embate político, administrativo e jurídico com a Câmara e o Judiciário de Lençóis Paulista aos quais não interessava nenhum acesso santacruzense à condição de Comarca. Os vereadores titulares assinam o documento, e também o suplente Francisco Antonio de Souza.
-8.  Na data de 20 de agosto de 1884 a Câmara Municipal registrou entrada da Resolução Provincial nº 8, de 14 de março de 1884, quanto à contribuição obrigatória dos munícipes para o término da construção da Igreja Matriz, e então o Presidente determinou extração de cópia e a enviou ao Delegado de Polícia local determinando o cumprimento da ordem dada, através dos Inspetores de Quarteirões. A medida legal, em forma de imposto, foi decisão política bastante impopular e ineficaz.
9.  Em 11 de novembro de 1884, a Câmara Municipal solicitou do Governo Provincial ajuda financeira para serviços de encanamento de água, 12 (doze) quilômetros até os chafarizes a serem construídos em pontos escolhidos da povoação.
10.  Ofício de 03 de setembro de 1884 a Câmara apresentou ao Governo da Província seus procuradores, com o fim especial de requerer a "anexação da quantia de tresentos mil reis, excedente da cota de quinhentos mil reis destinada no Orçamento findo para os concertos da ponte sobre o Rio Turvo, na estrada que desta Villa vai à Freguesia de São Pedro do Turvo, à quota de quinhentos mil réis, constante do mesmo Orçamento, destinada para os concertos da ponte sobre o Rio Pardo, nesta Villa, áfim de ser construída, com esta pequena quota de oito centos mil reis, uma nova ponte sobre o Rio Pardo, nesta Villa, na Rua do Andrade, (...)". 
-11.  Em 12 de novembro de 1884 a Câmara indicou ao Governo Provincial uma comissão de idôneos: Padre Bartholomeu Comenale, Joaquim Manoel de Andrade e mais o Tenente-Coronel Emygdio José da Piedade para acompanhamento das obras e gerir os recursos destinados à construção da Igreja Matriz. 
12.   A busca por recursos era incessante, com a Câmara nomeando pessoas de confiança para retirar os recursos dados pelo Governo, sendo os dois últimos constituídos os moradores santacruzenses Professor Godofredo José da Piedade e o Padre Bartholomeu Comenale (Atos Legislativo,18 de novembro de 1884).
13.  Ultimo expediente encontrado, datado de 05 de julho de 1885, a Câmara encaminhava ao Governo Provincial a indicação do Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira para membro do Conselho Municipal de Instrução Pública, o qual eleito por unanimidade. 
Com referidos dados compreendem-se com quais preocupações e objetivos lidavam os senhores vereadores.
No ano de 1885 compõe-se dos mesmos vereadores, à exceção de Francisco Antonio de Souza, substituído por Fermino Manoel Roiz¨, então assim constituída a Casa: "Luiz Antonio Roiz¨ [Rodrigues] - Presidente; Joaquim Manoel de Andrade; Firmino Silverio de Andrade; Firmino Manoel Roiz¨ [Rodrigues]; João Baptista de Oliveira Mello." (Câmara, Ofícios Expedidos e Recebidos, 1885). 
Existe continuidade de atuação e comportamento igual do exercício anterior, com as reivindicações para as melhorias do município, sempre na busca do dinheiro público para realizações de obras e a aplicação atuante do Código de Posturas aprovado em 1883. Também, a Câmara preocupa-se com as melhorias e seguranças das povoações que compõem o vasto município.
Destaca-se para 1885 a pretensão camarária para a instalação da Coletoria de Rendas Públicas independente de Lençóes e justifica que, por Santa Cruz estar mais próxima das localidades de São Pedro do Turvo, Campos Novos do Paranapanema e Conceição de Campo Alegre, as fiscalizações e recolhimentos - chamados de rendas, seriam maiores e mais bem fiscalizadas.
Persiste na reivindicação para Santa Cruz, "que se acha á 18 legoas da Villa de Lençóes, ao qual é [Termo] reunido”, a condição de comarca judiciária e os argumentos são aqueles mesmos: “uma população superior a 25 mil habitantes espalhados em um território de mais de 50 legoas de extensão (...)." envolvendo as localidades de São Pedro, Campos Novos e Conceição (Câmara, Ofícios Expedidos e Recebidos, 1885).
O Brasil de 1885 vivia tumultuo político com reflexos na Província de São Paulo indicando reformas políticas. 
Consoante documento de 1º de novembro de 1885, os Vereadores acusam recebimento da Circular do Governo da Província de São Paulo, comunicando posse do novo Presidente, Dr. João Alfredo Corrêa de Oliveira [Visconde de Parnaíba], em substituição ao Dr. José Luiz de Almeida Couto. A Câmara saúda eufórica a posse do Visconde. 
Em sessão de 09 de dezembro de 1885 fez a leitura do Decreto Imperial nº 9.500, de 26 de setembro de 1885, que dissolveu a Câmara de Deputados e convocou outra para o dia 3 de maio de 1886, com o Decreto 9.501 estabelecendo eleição em todo o Império aos 15 de janeiro de 1886. 
Com o ato imperial dissolvente e a substituição do governo provincial, a conturbação política se instalou no município. O Livro A, de Registros da Câmara Municipal, tem folhas amassadas e rasgadas [depois coladas], como sinais de altercações políticas mais exaltadas. O Presidente da Câmara, Luiz Antonio Roiz¨, deixa as funções em favor de Firmino Manoel Roiz¨, a partir de janeiro de 1886, a permanecer, porém, no cargo de Vereador.
A despeito das confusões políticas, o grande acontecimento para Santa Cruz do Rio Pardo em 1886 foi, sem dúvidas, a inauguração da iluminação pública a querosene, de acordo com registro de 11 de março daquele ano. 
Num outro expediente, de 11 de março de 1886, a Câmara solicita do Presidente da Província autorização para proceder eleição para um Vereador em substituição a Joaquim Manoel de Andrade optante pelo cargo de Coletor, para o qual designado.
Nos mês de junho de 1886, "Occorrendo algumas vagas, em virtude de mudanças, óbitos e opções, nas Camaras dos municipios seguintes, determinei que se procedesse ás respectivas eleições: (...) em Santa Cruz do Rio Pardo (...) a 27 tambem de Junho; ..." (RG BN 1031, 1886/1887: 10), para posse imediata e permanência no cargo até 06 de janeiro de 1887, mas não se sabe quem o eleito.
Pela mesma fonte, sabe-se, a situação política local agravou-se com a elevação da freguesia de São José do Rio Novo de Campos Novos, então no município de Santa Cruz do Rio Pardo, à condição de Vila com a denominação alterada para Campos Novos do Paranapanema [atual Estância Climática Campos Novos Paulista], estranhamente fixada no município de Lençóes [Lençóis Paulista], e tem sua primeira eleição marcada para 08 de agosto de 1886.
A eleição para nova Câmara, legislatura 1887/1890, realizou-se aos 1º de julho de 1886, no mesmo dia para os cargos de Juízes de Paz.
3.4.  Legislatura 1887/1890 – mandato interrompido em 1889
A despeito das turbulências políticas e independentemente da eleição de 27 de junho para substituição a Joaquim Manoel de Andrade, o Presidente da Província de São Paulo "Em cumprimento do artigo 191 do Regulamento n. 8213, de 13 de agosto de 1881, procedeu-se em toda a Provincia, no dia 1º de julho ultimo [1886], á eleição das Camaras Municipaes e Juizes de Paz, que tomaram posse no dia 7 do corrente [janeiro de 1887]" (RG BN 1031 1886/1887: 10).
Tal Relatório de Governo ainda informa: "Tanto as eleições para Juizes de Paz como as para Vereadores, em 1º e 2º escrutinios, correram com tranquillidade, não havendo perturbação da ordem em localidade alguma da provincia", com a louvação que "O modo pacífico porque estão sendo feitas as eleições entre nós, sobre significar mutua tolerancia politica, abona o espirito ordeiro dos paulistas e mostra a grande civilisação a que tèm attingido." 
Não encontrado documentos que possam melhor esclareçam os acontecimentos para a política local, senão a ocorrência do pleito eleitoral municipal de 1886 para posse em 07 de janeiro de 1887, e a Câmara ficou assim constituída: "Arlindo Crescencio Piedade – Presidente; Marcello Gonçalves de Oliveira; Luiz Antonio Roiz¨ [Rodrigues], Firmino Silvério de Andrade, Manoel Antonio de Andrade, Manoel Garcia Duarte, Bernardino Antonio Pereira de Lima" (Câmara, Ofícios Expedidos e Recebidos, 1887).
Manoel Garcia Duarte escusou-se do cargo, e o Bernardino Antonio Pereira Lima, sem outras justificativas, não compareceu às sessões camarárias de janeiro de 1887, somente fazendo-se presente, documentalmente comprovado, em 23 de março daquele ano, disputando com o Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira a Vice-Presidência da Casa, sendo o vencedor, ocasião em que o Coronel Arlindo Crescencio Piedade manteve-se Presidente. 
O quadro de funcionários do Legislativo contava com os senhores: Vicente Finamore era o Secretário da Casa; Firmino Manoel Rodrigues o Procurador; Joaquim Francisco de Oliveira Tocaia, Fiscal; Manoel Herculano Leite, Porteiro; e João Aureliano de Lima, Arruador. 
Na sessão extraordinária de 13 de junho de 1887, o cidadão Manoel Garcia Duarte "prestou juramento e tomou posse do cargo cujo vereador tinha pedido escusa" (Câmara, Ofícios Expedidos e Recebidos, 1887). 
Observam-se, então, seis vereadores eleitos em 1886 e empossados para o período 1887-1890: Arlindo Crescencio Piedade, Marcello Gonçalves de Oliveira, Luiz Antonio Roiz¨, Firmino Silvério de Andrade, Bernardino Antonio Pereira Lima e Manoel Garcia Duarte. 
Em 1888 outro Vereador, Manoel Antonio de Andrade - provável suplente, está em exercício e ausentes os Arlindo Crescencio Piedade e Luiz Antonio Roiz¨, e a Câmara então assim composta: "Bernardino Antonio de Lima Pereira – [Presidente], Emygdio José Piedade, Firmino Silvério de Andrade, Manoel Antonio de Andrade, Marcello Gonçalves de Oliveira e José Luiz Roiz¨" (Câmara, Ofícios Expedidos e Recebidos, exercício 1888).
Em algumas sessões de 1888 consta assinatura - atestado de presença, do Vereador Manoel Garcia Duarte, por exemplo, em 15 de dezembro, todavia são raros os documentos com assinaturas dos sete vereadores naquele ano de 1888.
3.4.1.  Golpe militar de 1889
Rumores davam conta de conturbações legislativas, em todo o Brasil, no ano de 1889 e, em Santa Cruz, aos 07 de maio, o Coronel Emygdio José da Piedade ocupa a presidência do Legislativo, e estava no cargo quando o Golpe Militar que derrubou o Império. 
Ao receber o Comunicado Oficial da instalação da República, assim pronunciou-se: 
-"Cidadãos. Está instituído o governo republicano brasileiro, e funcionando o governo provisorio do Estado de São Paulo. Não podemos deixar de adherir ao movimento e a transformação".
-"(...)." 
-"A nós, que sustentamos a Monarquia enquanto ella pode manter-se, resta o dever, como brasileiros e patriotas, de cooperar com o governo atual para a manutenção da ordem e da paz, para o engrandecimento da nação brasileira e para argumentar a garantia dos direitos e liberdade dos cidadãos".
-"(...)." (Câmara, Livro Ata, 21 de novembro de 1889).
Com o golpe militar de 1889 e consequente proclamação do regime republicano, na Província de São Paulo de 1890, já sob a denominação de Estado, foram dissolvidas 121 das 134 Câmaras Municipais existentes, entre elas Santa Cruz do Rio Pardo, com base no Decreto 107, de 30 de dezembro de 1889, (RG U 1145, 1889/1890: 13), criando-se no lugar o Conselho de Intendência Municipal. 
O Golpe Republicano de 1889 também anulou a conquista das eleições diretas – pela Lei Saraiva, com estabelecimento do voto 'a descoberto', para assim o poder militar garantir-se nas primeiras eleições, substituindo a Justiça pela Polícia e Agentes do Governo.
3.4.2. Nomeação da Intendência Municipal – 1890/1892 
Em Santa Cruz do Rio Pardo foram nomeados para a Intendência, Joaquim Manoel de Andrade, Moyses Nelli e João Evangelista da Silva, o primeiro por Presidente e os demais na qualidade de membros.
A Intendência Municipal designada instalou-se num imóvel localizado na atual Avenida Dr. Cyro de Mello Camarinha, que então ficou conhecida como Avenida da Intendência, como referência àquela repartição pública. 
A Intendência santacruzense, pelo seu Presidente, nomeou, conforme o artigo 8º do Decreto Presidencial nº 200, a Comissão Distrital composta: "a) do juiz de paz mais votado do districto, o qual será o seu presidente; b) do subdelegado da parochia; c) de um cidadão com as qualidades de eleitor, residente no districto, (...)", para o processo de qualificação eleitoral, no período de 20 (vinte) dias, de 07 a 27 de abril de 1890. Foram designados, Fermino [Firmino] Manoel Rodrigues – 1º Juiz de Paz, João Baptista Botelho – 1º Subdelegado, e o cidadão João Castanho de Almeida (Comissão Distrital da Intendência de Santa Cruz do Rio Pardo, Livro-Ata). 
Para a referida Comissão Distrital as substituições dos membros titulares Juiz de Paz e Subdelegado ocorreriam sempre pelos respectivos suplentes imediatos, e para o cidadão nomeado, conforme o artigo 11 do mesmo Decreto, "Na primeira reunião da commissão, ella nomeará dous cidadãos que tenham as qualidades de eleitor, já para substituirem o membro nomeado pelo presidente da Camara ou Intendencia em sua falta ou impedimento, já para funccionarem effectivamente como membros da commissão, si esta o julgar conveniente ao serviço eleitoral." Foram escolhidos substitutos de João Castanho de Almeida os cidadãos João Vieira Teixeira e Silva e Manoel Luiz de Souza. Foi Secretário nomeado, Salvador Rolim de Freitas, Escrivão do Juízo de Paz.
Durante a vigência da Intendência Municipal, aos 14 de julho de 1891, foi promulgada a Constituição Paulista que, em seu artigo 53 – inciso 5º permitia que cada município tivesse a sua própria lei eleitoral:
-"Art. 53.º A organização dos municípios será determinada em lei ordinária sobre as seguintes bases:"
-"(...)."
-"5º - A lei ordinária assegurará aos municípios a máxima autonomia governamental e independência econômica, e o direito de estabelecerem, dentro das prescrições desta Constituição, o processo para as eleições de caráter municipal."
Dessa forma a Lei Ordinária – eleitoral nº 21, de 27 de novembro de 1891, publicada aos 05 de dezembro de 1891, fazia cumprir a Constituição e estabelecia em seu artigo 24 as exigências legais de pleitos municipais aos 30 de julho, a cada três anos, iniciando-se em 07 de janeiro [de 1892], "salvo ás municipalidades o direito de decretarem posteriormente outro processo para eleição de seus representantes". 
A regulamentação de citada Lei ocorreu pelo Decreto nº 20, de 06, publicado aos 11 de fevereiro de 1892 [publicação da continuação], e em seu "Título V, Capítulo XVI – Da eleição de Vereadores, Juizes de Paz, e juizes de paz adjunctos" – a partir do artigo 161:
-"No dia 30 de julho, de tres em tres annos, proceder-se-a conjunctamente, em todo o Estado: 1- Eleição de camaras municipaes e de juizes de paz ordinarios, cujos mandatos durarão tres annos, – o daquellas nos municipios e o destes nos districtos, pelos quaes forem eleitos." 
-"§ 1º No dia immediato proceder-se-a a eleição de juiz de paz adjuncto para cada um dos termos das comarcas do Estado, cujo mandato tambem durará tres annos, e a ella presidirão as mesmas mesas constituidas para a eleição dos vereadores e juizes de paz ordinarios." 
O município poderia seguir alguma outra regra, conforme preconizado no artigo 178 do mesmo Decreto (nº 20), e esta anomalia permaneceria até 1904, quando estabelecida a reforma da legislação eleitoral, unificadora, pela Lei Federal nº 1.269, de 15 de novembro de 1904.
-"Decreto nº 20 (...)".
-"É salvo às municipalidades o direito de, uma vez constituídas sob o regime da Lei de nº 16, de 13 de novembro de 1891, decretarem outro processo para a eleição de seus representantes: o estabelecido, porém, neste regulamento servirá não só para as primeiras eleições municipais, como para todas as outras nos municípios que não decretarem lei própria."
O período da Intendência instituída teria encerramento previsto com a edição da Lei Estadual nº 16, de 13 e publicada aos 22 de novembro de 1891, que reorganizava os municípios, restabelecia as Câmaras Municipais e criava o Poder Executivo Municipal ocupado por um Intendente, antes do surgimento da figura do Prefeito, propriamente dita, e as eleições diretas para o cargo de vereador, sendo que a Câmara escolheria o Intendente. O Prefeito, ao seu tempo, substituiria o Intendente quanto à denominação e ampliação de atribuições. 
Apesar da publicação da citada Lei 16, o Conselho de Intendência duraria, ainda, até 9 de julho de 1892.
Com a morte de Joaquim Manoel de Andrade, aos 26 de dezembro de 1891, Moyses Nelli ficou na Presidência da Intendência, até a designação de um novo Conselho composto pelos senhores João Vieira Teixeira e Silva, Dr. Joaquim Pereira de Barros e o senhor Lucio de Oliveira Lima, exonerados aos 10 de maio de 1892, sob a justificativa por não residirem no município, e no lugar nomeados o "Padre Bartholomeu Comenale, Jacob Antonio Molitor, João de Oliveira Martins e Pedro Paulo Rodrigues" (DOESP, 10 de maio de 1892: 10). 
Após 10 de julho de 1892 restabeleceu-se a Câmara Municipal - a restauração legislativa e a criação do poder executivo, ressurgindo em Santa Cruz o sistema eleitoral municipal com eleições municipais para vereadores, juízes de paz e juízes de paz adjuntos. 
Iniciava-se a confusa fase das experiências político-administrativas, com os Vereadores eleitos e os Intendentes indicados pelo Governo do Estado, ou que podiam surgir pela via de consequência do próprio legislativo municipal, pelo seu Presidente, como líder político comprovado pelo voto, portanto apto para o exercício de dois poderes distintos, o executivo e o legislativo, ou seja, duas máquinas independentes uma da outra.
O Intendente seria escolhido ou apontado anualmente e podia ser mantido no cargo, todavia a ressaltar entendimento prático que a Câmara Municipal escolhia o Intendente dentre seus pares, geralmente o Presidente da Câmara com função cumulativa, embora pudesse ser indicado qualquer um dos eleitos – então substituído pelo suplente, ou mesmo algum cidadão designado pela Câmara – este um fato mais raro. O governo do estado apenas referendava ou não a escolha, obrigando-se o município à escolha de um novo nome em caso de rejeição estadual.
A legislação eleitoral era mesmo confusa. Um mesmo cidadão podia ter três títulos de eleitor: federal - para presidente e vice-presidente, senadores e deputados federais; estadual – presidente e vice-presidente do estado, senadores e deputados estaduais; municipal: vereadores, juízes de paz e juízes de paz adjuntos. 
A título de informação periférica, o Decreto nº 20 em seu Título V – Capítulo 1, a partir do artigo 130, trata das eleições para os cargos de Presidente e Vice-Presidente do Estado de São Paulo [atuais cargos de Governador e Vice-Governador], a realizar-se "No dia 15 de fevereiro do ultimo quatrienio (...)" a contar da publicação do Decreto.
3.5.  Câmara e Intendência 1892/1894
Para legislatura de julho 1892 à dezembro de 1894 foram eleitos: "Padre Bartholomeu Comenale – Presidente; Arlindo Crescencio Piedade; Moyses Nelli; Joaquim Fernandes de Oliveira Negrão; Henrique Hardt; Julio César". Para a Intendência, em 1892, foi escolhido o Dr. Estevam Ribeiro de Assis Rezende, e em 1893 o Padre Comenale, Presidente da Câmara, tornou-se o ocupante do cargo executivo.
Julio César trata-se de Julio de Cerqueira César (Câmara, Livro Ata, sessões de 12/09/1893: 15-A; 10/10/1893: 16-A), filho de José Alves de Cerqueira Cesar que presidiu, em substituição, o Estado de São Paulo e foi chefe perrepista. Julio foi fazendeiro, residente em Santa Cruz do Rio Pardo, casado com Anézia, filha de Dr. Antonio José da Costa Junior – Costão, político – deputado federal e fazendeiro.
Intendente e Presidente da Câmara em 1893, o Padre Comenale também manteve a condição de Pároco Forâneo de Santa Cruz do rio Pardo, além de fazendeiro no Bairro Mandassaia. 
O regime republicano brasileiro apresentava dificuldades para manter a unidade brasileira e o regime de participação popular, recorrendo-se quase sempre a casuísmos e intervenções, inclusive nos municípios, através de destituições de câmaras e eleições de outras.
A Lei Eleitoral era uma inconstante e, às vezes, determinava regras através de substitutivos. Por exemplo, para a Câmara local de 1893 necessitou-se de eleição para acrescer mais um Vereador aos quadros do Legislativo, face ao estabelecido constitucional federal de de 1891, cujo artigo 175 determinava: "O número de vereadores de cada município será fixado na proporção de um para dois mil habitantes, não podendo, em caso algum, ser inferior a seis, nem superior a dezoito."
Concorreram à vaga três interessados com o seguinte resultado: Vicente Finamore com 1 voto, Alberto Batista Gomes que obteve 5 votos e Julio César eleito ao conquistar 327 votos. O pleito foi realizado aos 22 de março de 1893.
No mesmo ano de 1893, já quase ao final do mandato, em 10 de outubro fez-se realizar mais uma eleição municipal para Vereador, desta feita para substituir o renunciante Moyses Nelli. Apresentaram-se os candidatos Manoel Pereira Tavares - 197 votos e Antonio Candido da Silva 1 voto.
3.6.  Câmara e Intendência 1894/1896
Foram eleitos Vereadores para a legislatura 1894/1896: "Lucio de Oliveira Lima – Presidente, Olympio Rodrigues Pimentel, Francelino Faria da Motta, Joaquim Fernandes de Oliveira Negrão, Israel Machado e Antonio Martins de Oliveira." A posse foi dada aos 20 de dezembro de 1894.
Joaquim Fernandes de Oliveira Negrão foi escolhido Intendente (1894/1895), substituído na vereança por Martins de Oliveira, que no mesmo dano de 1894 viria ocupar a presidência da Casa em lugar de Lucio de Oliveira Lima: "Remetteram-se ao cidadão Antonio Martins de Oliveira, Presidente da Camara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, satisfazendo-se à requisição constante de seu officio de nº 4 do corrente mez, setecentos e cincoenta titulos de eleitores, afim de serem distribuidos aos cidadãos novamente qualificados" (DOESP, 04 de novembro de 1894: 1).
Para 1895/1896 o Vereador Israel Machado ocupou o cargo de Intendente, retornando Oliveira Negrão para o quadro do legislativo.
Publicação no 'Noticiário' do Diário Oficial do Estado de São Paulo, de 12 de setembro de 1895, página 15, menciona o nome de Manoel Machado como Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo que teria assinado um ofício ao Governo do Estado. Trata-se de provável erro na publicação do nome, e onde se lê Manoel Machado, leia-se Israel Machado; não sendo incomum o Intendente assinar documento administrativo pela Câmara ou por ordem desta.
Ainda em 1895 o Vereador Francelino Faria da Motta deixou o cargo por transferência de domicílio, alistando-se eleitor no Distrito da Glória - Rio de Janeiro (DOU, 12 de junho de 1895, Seção 1: 13), e surge Vereador o Dr. José Nestor de França, cunhado de Antonio Evangelista da Silva - Tonico Lista.
Em sessão extraordinária de 7 de março de 1896, quando Presidente o Vereador Dr. José Nestor de França, por este foi apresentado, discutido, aprovado e transformado em Lei, projeto que elevava a Vila de Santa Cruz do Rio Pardo à condição de cidade, ampliava o número de vereadores e outras especificações de conformidade com ata legislativa:
-"Pelo Dr. Presidente foi dito que esta sessão tinha por fim o tratar-se de levar esta Villa á cathegoria de Cidade (...) e que tendo de apresentar um projecto concernente à primeira parte da convocação, convidava o Capitão Vice-Presidente a occupar a cadeira da presidência o que elle em seguida praticou. Em seguida o Vereador Dr. França, expondo a necessidade e as grandes vantagens que havia em ser elevada a cidade esta Villa já pelo augmento sempre crescente de sua população, já pelo seu grande desenvolvimento agricola, commercial e industrial, offertou à Camara o seguinte projecto: Art 1º - Da data da promulgação d’esta lei em diante chamar-se-á esta Villa - Cidade de Santa Cruz do Rio Pardo; Art 2º - Ficam revogadas as dispposições em contrário. Sala do Paço Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, 7 de março de 1896, José Nestor de França. Posto o Projecto em discussão e votação, foi unanimemente aprovado sendo dispensados todas as mais formalidades para ser logo convertido em Lei como havia requerido o author."(Câmara, Livro Ata, 1896).
Não bastasse a elevação da Vila de Santa Cruz do Rio Pardo à condição de cidade, o Vereador Presidente fez realizar eleição municipal aos 22 de junho de 1896, para duas vagas no quadro de vereadores, sendo eleitos Arlindo Vieira Paes e o Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré (Câmara, Livro Ata, Sessão de 07 de julho de 1896). 
Em sessão de 16 de novembro de 1896, o mesmo Dr. José Nestor de França, a pedido dos moradores do Distrito de Ilha Grande [Ipaussu], apresentou projeto e obteve aprovação da mudança de nome da localidade para Baptistina "em homenagem ao seu fundador Coronel João Baptista Botelho" (Câmara, Lei Municipal nº 3), além de sua elevação à condição de Villa.
Também foi aprovada a Lei Municipal, de nº 4, que transformou em Vila o Distrito do Óleo. 
A Câmara Municipal não podia alterar as divisas do município e estabelecer outras, nem criar, extinguir, nominar, renominar ou elevar condições dos seus distritos, ou transformá-los em freguesias, vilas ou cidades, assim, consequentemente, lhe era proibido estabelecer novas câmaras ou atribuir-lhes números de eleitos ou aumentá-los mesmo que em decorrência do coeficiente proporcional 'eleitores/vereadores'.
Diante disto, os citados atos camarários foram todos considerados ilegais pelo Governo do Estado de São Paulo, expresso por documento da Secretaria dos Negócios do Interior do Governo do Estado de São Paulo:
- "que a criação de Municípios e o estabelecimento das respectivas divisas, assim como a denominação a dar aos mesmos e às povoações, compete exclusivamente ao Congresso. (...). Quanto à 2.ª parte – o número de vereadores de cada município é fixado ma proporção de 1 para 2.000 habitantes até o máximo de 18. O fato de ter essa Câmara dado ao Município a categoria de cidade não a autorizava, ipso facto, a eleger mais dois vereadores. (...). Nestas condições, não foram legais os atos dessa Câmara." 
Santa Cruz do Rio Pardo tornou-se cidade legalmente instituída, somente aos 19 de dezembro de 1906, pela Lei Estadual nº 1.038. As demais localidades a seus tempos teriam garantidas as situações pleiteadas. 
Em 1896 ocorreu eleição prevista para vereadores, período 1897/1899.
3.7.  Câmara e Intendência 1897/1899
Na pleito de 1896 obtiveram vitória nas urnas "Nestor José de França, Israel Machado, Antonio Martins de Oliveira, Francisco Carlomagno, Joaquim Fernandes de Oliveira Negrão e João Antunes Ribeiro Homem". Não conseguiram intento "Cleophano Pitaguary de Araújo, Arlindo Vieira Paes e Antonio Olympio de Oliveira Ferraz.", citados como suplentes. 
Aos 08 de janeiro de 1897 aconteceu a eleição, entre os Vereadores, para a escolha do Presidente, Vice-Presidente e Intendente. José Nestor de França foi eleito Presidente com três votos contra um dado a Joaquim Fernandes de Oliveira Negrão, e Israel Machado ocupou a Vice-Presidência.
O engenheiro José Nestor de França era casado com Maria Cristina, irmã única de Antonio Evangelista da Silva - o Tonico Lista.
Para Intendente a Câmara elegeu o Vereador Antonio Martins de Oliveira, por três votos, contra um dado ao Vereador Francisco Carlomagno. 
Em sessão de 08 de fevereiro de 1897 foi demitido o Procurador da Câmara, Manoel Luiz de Souza, e nomeado Firmino Manoel Rodrigues [Roiz¨].
Quando da sessão de 08 de abril de 1897, Israel Machado pediu renuncia dos cargos de Vereador e Vice-Presidente da Câmara, realizando-se eleição para o substituto em 26 de junho de 1897, sendo eleito Francisco Narcizo Gonçalves, com 543 votos.
Eleito Gonçalves e assim proclamado, procedeu-se a eleição para Vice-Presidente da casa e o mesmo Gonçalves elegeu-se com 2 votos, enquanto os concorrentes Jose Antunes Ribeiro Homem e Antonio Martins de Oliveira conquistaram 1 voto cada.
A Câmara resistiu até 1898 com as mudanças de regras políticas e eleitorais, realizando-se novas eleições em outubro de 1898, para mandato de 1899 a 1901.
3.8.  Câmara e Intendência 1899/1901
Aos 30 de outubro de 1898 ocorreu eleição municipal para Vereadores e Juízes de Paz e, em sessão especial de 07 de novembro de 1898, concluiu-se a apuração para vereadores com os seguintes resultados: "João Baptista Botelho 648 votos, Joaquim Pio da Silva 646 votos, Henrique da Cunha Bueno 636 votos, Olympio Braga 626 votos, Antonio Martins de Oliveira 623 votos, Antonio Evangelista da Silva 621 votos, Jose Gomes de Oliveira 5 votos, Fernando de Paula Lima 5 votos, Misael de Souza Santos 3 votos, Damaso Duarte da Silva 2 votos, Antonio Martins de Siqueira, Jose Manoel da Silveira e Dr Olympio Rodrigues Pimentel 1 voto.
Tomaram posse como Vereadores: "João Baptista Botelho, Joaquim Pio da Silva, Henrique da Cunha Bueno, Olympio Braga e Antonio Evangelista da Silva - Tonico Lista, este no lugar de Antonio Martins de Oliveira mantido Intendente para o período de 1898 a 1899".
João Castanho de Almeida foi escolhido Intendente para o exercício de 1900 e, no ano de 1901, o Coronel João Baptista Botelho assumiu o executivo santacruzense em cumulação com a Presidência da Câmara.
3.8.1.  A grande dissidência perrepista
A importância do Coronel Botelho, como líder do PRP local e regional, era expressiva, por sua capacidade em conquistar votos para os seus indicados, inclusive conseguindo eleger dois deputados por uma mesma região, o Coronel Emygdio José da Piedade e o advogado Cleophano Pitaguary, ambos de Santa Cruz do Rio Pardo. Isto significava que Santa Cruz tinha importância no jogo para em contrapartida receber favores dos governantes do estado e do governo central. O processo eleitoral, nas mãos de um coronel, se refletia no progresso de um município e região. 
O Coronel Botelho, em 1900, dominava a política local enquanto Francisco de Paula Rodrigues Alves elegia-se Presidente do Estado de São Paulo (1900-1902) no lugar de Fernando Prestes de Albuquerque. Rodrigues Alves, ainda que membro do PRP, não militava as lides nem defendia os interesses dos ruralistas.
A situação complicou-se quando o Presidente do Brasil, Manuel Ferraz de Campos Salles, impôs o nome de Bernardino de Campos para o Governo de São Paulo, em detrimento a José Alves de Cerqueira Cesar, o apontado por Prudente José de Morais e Barros. 
Cerqueira Cesar, amigo do Coronel Baptista Botelho, fora Presidente Interino do Estado de São Paulo entre 1891/1892, e era o cotado para novamente ocupar o cargo a partir de 1902. Dois filhos de Cerqueira Cesar residiam em Santa Cruz, o Julio – fazendeiro e vereador já referenciado, e o José Alves de Cerqueira Cesar Filho, fazendeiro e membro da Guarda Nacional – Capitão Ajudante de Ordens. 
A decisão de Campos Salles rompia compromissos políticos pré-estabelecidos e quebrava a unidade partidária, e, neste conflito de interesses o Presidente do Estado de São Paulo, Rodrigues Alves, apoiou Campos Salles, sob a promessa deste em referendar seu nome para a Presidência do Brasil. 
Para os paulistas dissidentes, o ato de Campos Sales representava "a intromissão federal nos negócios políticos do Estado (que) foi interpretada como rompimento do compromisso de respeito à autonomia estabelecido com o regime republicano." (Levi Moreira, 1991: 34). A ação de Campos Salles e a adesão interessada de Rodrigues Alves frustraram a expectativa do Coronel Botelho, e quebrou o seu poder regional como mandatário do centro-sudoeste e oeste paulista, uma área de grande dinamismo econômico e potencial futuro, por tratar-se do ultimo espaço em desbravamento no estado de São Paulo. 
Ocorreu dissidência estadual perrepista. 
Entre Campos Salles e Prudente de Moraes, o Coronel Botelho optou pela dissidência, e tão declarada sua posição que, na inauguração do prédio público destinado à Cadeia/Delegacia, Fórum e Câmara/Intendência, prestou homenagem a José Alves de Cerqueira Cesar, inclusive com fotografia posta no salão principal do edifício, e não a Rodrigues Alves.
Ao assumir a condição de dissidente, Botelho não tinha mais a confiança dos governantes do estado e da república, abrindo oportunidade para o grupo político formado sob o comando do Deputado Federal, Dr. Antonio José de Macedo da Costa Junior, e seu genro, Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré. Costa Junior era amigo [pessoal] de Campos Salles, embora sogro do filho de Cerqueira Cesar.
A ascensão do grupo de Costa Junior/Sodré determinou a queda política de Botelho, derrotado nas eleições municipais de 16 de dezembro de 1901. Botelho tornou-se inconteste dentro de seu grupo, conhecidos como  'jagunços' ou 'jagunções', e os adversários sob o comando do Dr. Costa Junior e Dr. Sodré, tornaram-se conhecidos como  'pica-paus'. 
Matéria jornalística informa a eleição de 16 de dezembro de 1901 "que deu-se neste Estado e com especialidade nesta comarca a maior e mais cynica bacchanal politica de que se tem memória."
Prossegue a notícia: "Indivíduos sem escrupulos repellidos pela opinião publica ou por todos aquelles que têm a felicidade de conhecel-os, tendo um estado maior composto de assassinos, resolveram, como meio de vida, se transformar da noite para o dia em chefes supremos desta terra, como, de facto, se transformaram. Uma vez feitos chefes, precisaram ganhar as eleições do dia 16: d'ahi a soldadesca encarabinada e a capangada engarruchada; d'ahi o atenttado barbaro, selvagem, escandaloso, contra o direito de voto no alludido dia; d'ahi, a espoliação de que foi victima o eleitorado desta comarca." (Correio do Sertão, 19 de dezembro de 1903: 2, relembrando os dois anos então já transcorridos da ascensão política de Francisco de Paula de Abreu Sodré na política santacruzense). 
Edmundo Krug, ao se referir à Santa Cruz do Rio Pardo, de 1901 informa-va: "Ahi ha pessoas de posição social bem elevada, dizem-me, porem, que justamente houve lutas bem renhidas na epocha da effervecencia politica, e tudo porque? pensam os meus leitores, talvez, por causa do bem estar o logar? enganam-se si assim julgam: tão hospitaleira é esta terra, mas as fraquezas humanas são sempre as mesmas em todas as cidades, em todas as regiões, em todas as terras: a intellectalidade pretende dominar, quer subir e governar, o menos instruido, sabendo geralmente que aquelle quer mandar, ergue ainda mais a cabeça não se curva; então começa a luta politica, que ahi no interior acaba em brigas e páu, tiros de garrucha e mortes." (1925: 407, de seus escritos em 1905). Krug nem quer acreditar que isso tenha acontecido, mas conforma-se: "sei que as lutas pelo logar de vereadores da camara, de deputados estadoaes teem sido violentas."
Em publicação alemã, Krug fora mais contundente:
-"(...)."
-"Santa Cruz desfruta da triste fama de ser uma cidade política, aqui pois a política é uma bagunça maior e mais burra que em outros lugares do sagrado Estado de São Paulo, existem dois partidos os jagunços e os pica-paus que brigam sem parar sem que tivesse logicamente algum resultado que poderia ser útil para a cidade e seus habitantes."
-"Briga pessoal e tudo isso faz com que o bem da cidade e suas pendengas está sendo esquecido completamente, só intrigas e chicanas estão na ordem do dia." 
-"Infelizmente Santa Cruz não está sozinha com a sua política municipal, nos temos muitas pequenas cidades que podem agradecer seus políticos de chegar a lugar nenhum. Os políticos municipais infelizmente são sem exceção tão ignorantes que eles efetivamente não são capazes de diferenciar o certo do errado e por causa disso arruína tudo em vez de juntar as forças e iniciar progressos práticos. Se os jagunços ou os pica-paus tem razão objetivamente isto não é para mim diferenciar." 
-"Praticamente os dois definitivamente não tem razão. Eles deviam ser sensatos antes de ter razão."
-"(...)" - (Í Deíne Reise nach dem Salto Grande Don Paranapanema, von Edmundo Krug, 1908, com a tradução do texto pelo Sr. Christoph Donsbach, por gentileza do Vereador Rui Sérgio dos Reis).
Botelho foi apeado do poder, e perdeu as eleições. Como consequência e por outros problemas, o Coronel Botelho suicidou-se ou foi levado ao cometimento do ato em 2 de julho 1902, morrendo dias depois, aos 8 de julho de 1902.
3.9. Câmara e Intendência 1902/1904
Para o triênio 1902-1904 foram eleitos em 1901: Francisco de Paula Abreu Sodré – Presidente da Câmara, Estevam Ribeiro de Assis Resende, Antonio Mariano Galvão de Moura Lacerda, Salathiel Ferreira e Sá, José Oseias da Silveira e Henrique Hardt (Câmara, Livro Ata, 1902, 06 de janeiro). Dr. Assis Resende ocupou a Intendência em 1902 e, no ano seguinte a revezou com Abreu Sodré que acumulou as funções de Presidente da Câmara e Intendente.
A Câmara mostrou-se intensamente rotativa, com suplentes assumindo vagas em algum momento da legislatura mencionada, transitoriamente ou não, destacando-se: Arlindo Crescêncio da Piedade, Joaquim Mathias de Oliveira, Godofredo Fernandes Negrão, Fernando Eugênio Martins Ribeiro, Pedro Vieira de Azevedo, Joaquim [Paulino] de Souza Campos. 
No ano de 1903 a Câmara apresenta a seguinte formação: Francisco de Paula de Abreu Sodré, José Oseias da Silveira, Godofredo Fernandes de Negrão, Fernando Eugenio Martins Ribeiro, Henrique Hardt e Estevam Ribeiro de Assis Resende - que se mantém Intendente (Câmara, Ata de 02 de outubro de 1903), cumprindo observar ausências de Salathiel Ferreira e Sá e Antonio Mariano Galvão de Moura Lacerda.
Em dezembro de 1903 ocorreram eleições regulares para o Legislativo Estadual e Federal, e para a Presidência do Estado (RG U 1160, 1903/1904: 7). Em Santa Cruz do Rio Pardo, além das eleições regulares, também se escolheu um Vereador para complementação do quadro camarário, sendo eleito Azarias Baptista Bueno, conforme apuração local (Câmara, Sessão Especial de 07 de janeiro de 1904).
O quadro legislativo santacruzense assim estava composto em 1904: Francisco de Paula de Abreu Sodré, José Oseias da Silveira, Fernando Eugênio Martins Ribeiro, Godofredo Fernandes Negrão e Azarias Baptista Bueno.
As eleições de vereadores para o triênio 1905/1907 foram marcadas para 30 de outubro de 1904, mesma data para as funções-atividade de Juízes de Paz (Câmara, Sessão Especial de 10 de outubro de 1904).
3.10. Câmara e Intendência 1905/1907
Nas eleições de 30 de outubro de 1904 foram eleitos vereadores e assumiriam posse em 07 de janeiro de 1905: Francisco de Paula de Abreu Sodré, Frederico Carr Ribeiro, Henrique Hardt, Godofredo Fernandes Negrão, Pedro Paulo Rodrigues e Lucio de Oliveira Lima (Câmara, 1905); quadro confirmado, Sodré escolhido Presidente.
A apuração foi divulgada em sessão camarária de 09 de novembro de 1904: 
-"(...) eleitos vereadores da Camara Municipal desta Villa para o próximo triênnio a contar do dia sete de Janeiro do anno vindouro de mil novecentos e cinco os seis seguintes cidadãos:"
-"Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, medico, residente nesta villa, quatrocentos e dous (402) votos."
-"Dr. Frederico Carr Ribeiro, advogado, residente nesta villa, quatrocentos e um (401) votos."
-"Henrique Hardt, negociante, residente nesta villa, quatrocentos (400) votos."
-"Godofredo Fernandes Negrão, lavrador, residente neste municipio, quatrocentos (400) votos."
-"Alferes Pedro Paulo Rodrigues, lavrador, residente neste municipio, tresentos e noventa e nove (399) votos e"
-"Major Lucio de Oliveira Lima, lavrador, residente neste município, tresentos e noventa e sete (397) votos." 
-"Esses seis cidadãos obtiveram maioria de votos successivamente até o numero que constitue a representação municipal desta villa."
-"Declarou ainda a Camara Municipal que são considerados supplentes dos vereadores da Camara Municipal desta villa os cidadãos que seguem-se em votos ao vereador eleito menos votado Major Lucio de Oliveira Lima, segundo a ordem das respectivas votações. Os ditos supplentes são os seguintes: tenente coronel João Castanho de Almeida, proprietário, residente nesta villa, dusentos e oitenta (280 votos); – Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, advogado, residente nesta villa, dusentos e setenta e nove (279) votos; – Major Arlindo Crescencio da Piedade, capitalista, residente nesta villa, dusentos e setenta e dous (272) votos; – Capitão Antonio Evangelista da Silva, negociante, residente nesta villa, dusentos e setenta (270) votos; – Dr. Arlindo Vieira Paes, advogado, residente neste município, des (10) votos; –Tiburcio Antunes dos Santos, proprietario, residente nesta villa, nove (9) votos; - Silvestre Sette, negociante, residente nesta villa, 8 (oito) votos; – Israel Machado, negociante, residente no Lageado, oito (8) votos; – José Fernandes de Oliveira Moraes, commerciante, residente nesta villa, seis (6) votos; – Manoel Gonçalves de Almeida, lavrador, residente neste município, cinco (5) votos; – Dr. Cleophano Pitaguary de Araujo, lavrador, residente neste município, quatro (4) votos; – Tenente-Coronel Moyses Nelly, lavrador, residente nesta villa, três (3) votos e Joaquim Zeferino de Mattos, negociante, residente no Lageado, um (1) voto." (Câmara, sessão extraordinária de 09 de novembro de 1904).
Os desempates em números de votos, para efeitos internos e de eleição, foram sorteados. Não foi eleito nenhum opositor a Francisco Sodré, e a eleição acusada de fraudulenta. 
O eleito Dr. Henrique Hardt não era mais o ferrenho opositor a Francisco Sodré, e em 1906 foi ele escolhido Intendente Municipal, e assim o chefe político Dr. Sodré não tinha adversários políticos na composição camarária.
Como grande acontecimento político administrativo o Presidente da Câmara Dr. Sodré fez-se autorizado a celebrar o contrato para construção de 24 quilômetros de ramal ferroviário, desde Bernardino de Campos (Lei Municipal nº 57, de 15 de julho de 1906), obra financiada pelo município e doada ao Governo do Estado, com escritura tardiamente lavrada em 29 de julho de 1912, no Cartório do 1º Ofício de Santa Cruz do Rio Pardo.
O ramal custou caro ao município, dívida que perdurou décadas, avolumando-se ano após ano, e os lucros todos da ferrovia eram remetidos para o Governo do Estado conforme estabelecido em convênio assinado pelo Dr. Sodré, em nome da Câmara Municipal. O ramal passava e fazia gare na fazenda do Presidente da Câmara, onde elevado o distrito de Sodrélia.
Sodré estava em pleno mando, quando o Coronel Antonio Evangelista da Silva – Tonico Lista (derrotado nas eleições), audaciosa e inesperadamente reverteu o mando na política local, em 1906, para iniciar sua ascensão ao poder, num conluio envolvendo os aparentados e deputados Coronel Emygdio José da Piedade e Ataliba Leonel. 
Mantendo a Presidência da Câmara, Sodré candidata-se a Deputado Estadual pelo 3º Distrito Eleitoral de São Paulo – Santa Cruz do Rio Pardo era o 5º.
Ata de sessão camarária extraordinária, de 08 de dezembro de 1906, indica a Câmara Municipal funcionando, provisoriamente, "(...) em sala do pavimento superior da casa de residência do Tenente Coronel Moyses Nelli por estar em conserto o edifício da do Forum." (Apud O Progresso, Ano III nº 38).
Em julho de 1907, apesar de Deputado no exercício do cargo, Sodré mantinha a Presidência da Câmara, conforme Edital Municipal assinado em 04 de julho de 1907 (O Progresso, 28/07/1907), mas não se sustentou na política local e deixou Santa Cruz do Rio Pardo, abandonando a Câmara Municipal, cuja presidência então assumida pelo Dr. Frederico Carr Ribeiro, na sessão de 23 de dezembro de 1907. Doravante o Dr. Sodré não mais aparece como Presidente da Câmara santacruzense, nem Vereador.
O livro-ata camarário iniciado em 07 de janeiro de 1906 e encerrado aos 29 de dezembro do mesmo ano de 1906 tem por sequencia o livro-ata iniciado aos 23 de dezembro de 1907 cuja ultima sessão registrada em 15 de junho de 1910, cumprindo, portanto, observação de ausência de registros de sessões no período de 30 de dezembro de 1906 a 22 de dezembro de 1907.
Todavia, sessões ocorreram e a própria Câmara Municipal comprova-as. Assuntos da sessão de 03 de julho de 1907 – sobre aprovações quanto às destinações de recursos municipais e arrecadações previstas para 1908 referentes a pagamentos e amortizações de dívidas do município com o preparo e construção do leito do ramal ferroviário; Também das sessões de 28 de outubro e 21 de dezembro de 1907, sobre obras públicas – Contratos da Câmara com a Superintendência de Obras Públicas do Estado, são referenciadas em ata de sessão extraordinária realizada aos 23 de dezembro de 1907, 'com isso a indicar desaparecimento de livro-ata de 30/12/1906 a 22/12/1907, período quando o Dr. Sodré estava Presidente da Câmara ao mesmo tempo em que Deputado Estadual' (Observações de Prado e Sato). 
Em 23 de dezembro de 1907 naquela sessão extraordinária estão citados os Vereadores: Frederico Carr Ribeiro – Vice-Presidente em exercício da Presidência; Henrique Hardt; Pedro Paulo Rodrigues e Lucio de Oliveira Lima; e Francisco de Paula Abreu Sodré. Mas o Dr. Abreu Sodré não compareceu, já não era o Presidente da Câmara nem era Vereador.
A saída de Sodré do cenário político santacruzense enfraqueceria o Poder Legislativo. Encerrava-se o período 'sodrelista', para o retorno do coronelismo e o mando através do Prefeito.
3.11.  Câmara e Prefeitura 1908/1911
Foram eleitos vereadores para o mandato 15 de janeiro de 1908 a 15 de janeiro de 1911: Dr. Olympio Rodrigues Pimentel [Presidente]; Affonso Celso Baptista; Francisco Narcizo Gonçalves; Luiz Pereira Leite Ribeiro; Ubirajara Pinto; Olympio Izaias de Carvalho; Godofredo Fernandes Negrão; e João Pastore Filho (Câmara, Livro-Ata, 1908).
Olympio Rodrigues Pimentel foi escolhido Prefeito Municipal, entre 1908 a 1910, título usado pela primeira vez no executivo santacruzense. Foi substituído, no Executivo, por Affonso Celso Baptista, quando eleito Deputado Estadual 1910-1912, cargo que já ocupara em 1892-1894.
A Câmara Municipal perdera muito de sua importância, no período 1908-1911, e o poder do Prefeito fez-se prevalecer, com maior eficiência e sem os interesses pessoais de cada Vereador.
Foi o período dos grandes contratos celebrados pelo Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, na qualidade de Prefeito Municipal, a exemplos da instalação de energia elétrica no município, construções de estradas e do prédio próprio para a Câmara conjuntamente com a Prefeitura, por algum tempo. 
3.12.  Câmara e Prefeitura 1911/1914
Aos 15 de janeiro de 1911 tomaram posse como vereadores para o triênio: Capitão Manoel Pereira Tavares [Presidente], Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, Affonso Celso Baptista, Godofredo Fernandes Negrão, Manoel Antonio de Oliveira, Luiz Pereira Leite Ribeiro e Jayme Feitosa,"todos eleitos para servirem no triênnio que hoje começa e que vae até 15 de Janeiro de mil novecentos e treze." (Câmara, Sessão de Posse e Ordinária, 1911), com erro do Secretário na redação da ata original, pois o triênio findar-se-ia aos 15 de janeiro de 1914.
Em razão do suplente de vereador em exercício, Coronel Henrique da Cunha Bueno, sofrer perda do mandato, e das renúncias dos vereadores Jayme Feitosa e Manoel Pereira Tavares, o Diretório Municipal do PRP apontou os seguintes candidatos às substituições, em eleição municipal a ser realizada em 01 de março de 1912: 
-"Marcolino de Araujo Guaritá, negociante, residente na Villa do Óleo."
-"Bazilio Antonio de Oliveira, negociante, residente na Estação de Bernardino de Campos."
-"José Firmino de Assis, fazendeiro residente em Santa Cruz do Rio Pardo." (Cidade de Santa Cruz, Ano IV nº 155, 25 de fevereiro de 1912: 1). 
Em referida data seriam realizadas, também, as eleições para Presidente e Vice-Presidente do Estado e para Senador.
Os indicados pretendentes à vagas legislativas do município foram eleitos.
Para a Sessão Ordinária de 16 de setembro de 1912 apresenta os seguintes vereadores: "Affonso Celso Baptista [Presidente], Godofredo Fernandes Negrão, Bazilio Antonio de Oliveira, José Firmino de Assis, Manoel Antonio de Oliveira, Olympio Rodrigues Pimentel, Luiz Pereira Leite Ribeiro e Marcelino Guarita." (Cidade de Santa Cruz, 19/09/1912: 1).
A título de informação, pela importância e representatividade do nome, era advogado da Câmara Municipal o Doutor Julio Prestes (Cidade de Santa Cruz, Ano IV nº 181, 5 de setembro de 1912: 1).
O vereador eleito Olympio Pimentel conseguiu vaga na Assembléia, legislatura 1913/1915, e ressurge também Prefeito, em 1913, sendo vice – o primeiro assim conhecido em Santa Cruz, o também Vereador Godofredo Fernandes Negrão, sendo Avelino Hermes Taveiros o subprefeito de Ilha Grande – Ipaussu, Francisco Pereira Leite e Silva o subprefeito de Irapé, Olympio Braga subprefeito de Óleo. Affonso Celso Baptista foi escolhido o Presidente da Câmara e Luiz Pereira Leite Ribeiro o vice.
Ata de Sessão Legislativa de 15 de março de 1913 informa o Dr. Olympio Rodrigues Pimentel como Prefeito Municipal, e também Vereador, num ato de ofício renunciando os referidos cargos "visto ter transferido sua residência para a Capital do Estado." Godofredo Fernandes Negrão assume a Prefeitura.
Grande feito do Prefeito Negrão foi a autorização dada ao Dr. Octaviano Carlos de Azevedo para assinar - como provedor, a escritura de doação de terreno para a construção da Casa de Misericórdia (Correio Paulistano, 04/04/1913: 4).
A eleição municipal estava anunciada para 30 de outubro de 1913 (Cidade de Santa Cruz, Ano V nº 236, 19 de outubro de 1916: 1), para o triênio 1914-1917, e são os candidatos apresentados pelo PRP, de acordo com o Boletim Republicano assinado pelo Presidente do Partido, Coronel Antonio Evangelista da Silva:"Américo França Paranhos, Agnello Villas Boas, Olympio Braga, Affonso Celso Baptista, Manoel Antonio de Oliveira, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Bazilio Antonio de Oliveira, Avelino Hermes Taveiros."
Em 02 de novembro de 1913 foi divulgado o resultado das eleições (Cidade Santa de Santa Cruz, 02/11/1913: 1), elegidos vereadores todos os apresentados pelo PRP. 
Tonico Lista e Leônidas do Amaral Vieira não foram candidato, mas obtiveram doze votos cada.
3.13.  Câmara e Prefeitura 1914/1917
Em janeiro de 1914 os vereadores eleitos tomaram posse, e o Presidente de abertura da nova legislatura foi Olympio Braga, por ser o mais idoso, até a escolha do novo Presidente, Dr Américo França Paranhos. 
Foram os vereadores empossados: Américo França Paranhos, Agnello Villas Boas, Affonso Celso Baptista, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Manoel Antonio de Oliveira, Bazilio Antonio de Oliveira, Olympio Braga e Avelino Taveiros (Câmara, Livro-Ata, 1914). 
Agnello Villas Boas foi o Prefeito escolhido, a pedido do líder político Coronel Antonio Evangelista da Silva, e exerceu as funções entre janeiro de 1914 e junho de1915. O governo Villas Boas foi elogiado pela quinzenal revista 'A Cigarra', evidentemente matéria paga: 
-"Os Progressos de Santa Cruz do Rio Pardo"
-"(...)".
-"A lavoura do municipio, já muito desenvolvida, conta com 9 milhões de caféeiro e produz cereais em grande quatidade. A industria pastoril acompanha a lavoura e tambem é grande o commercio de exportação de madeiras de lei."
-"A receita do municipio, graças aos esforços do sr. dr. Agnello Villas Boas, digno prefeito, e do tenente-coronel Affonso Celso Baptista, presidente da Camara, eleva-se a mais de 200 contos annualmente, de modo a poder a administralção municipal fazer face aos encargos do erario do municipio e realisar novas obras." É assim que se trata actualmente de dotar a cidade com o grande melhoramento de agua e exgottos, e tambem da construcção de um matadouro modelo, dotado de todos os requisitos hygienicos. Já foi inaugurado o bello edificio do Grupo Escolar, com capacidade para quatrocentos alumnos de ambos os sexos. Muito tem contribuido para o desenvolvimento do importante municipio o sr. cel. Antonio Evangelista da Silva, grande proprietario, agricultor e criador." (Revista A Cigarra, ano I nº 17, e mesma Revista, Ano II nº 23, com referências das matérias e republicações das fotos antigas pelo Debate, edição de 10 de julho de 2011). 
A despeito dos elogios, a política local não caminhava bem. Já em 1914 o Vereador Avelino Hermes Taveiros renunciava ao cargo, conforme Ata da Sessão Extraordinária do Legislativo de 15 de setembro de 1914, entrando em seu lugar o Coronel Mizael Gonçalves de Oliveira.
Os vereadores pareciam rebelados. Seis sessões seguidas: de 15 de março, 1º de abril, 15 de abril, 1º de maio, 15 de maio e 1º de junho de 1915, uma a cada quinze dias, não foram realizadas por falta de quorum. 
Houve sessão em 15 de junho de 1915, estando presentes: Affonso Celso Baptista, Manoel Antonio de Oliveira, Mizael Gonçalves de Oliveira, Olympio Braga, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Américo França Paranhos, estando ausentes Agnello Villas Boas e Bazilio Antonio de Oliveira. 
Nesta sessão o Presidente da Câmara, Affonso Celso Baptista "Faz ver à Camara que o vereador Cap. Bazilio Antonio de Oliveira deixa de comparecer as sessões ordinarias desde o dia 15 de Janeiro do corrente anno, sem licença e sem causa justa participada e que portanto de acordo com o art. 65 do Dec. 1533 de 28 de Novembro de 1907, perdeu o seu mandato, cuja vaga precisava sêr declarada pela Camara para sêr prehenchida de accôrdo com o art. 9º da lei nº 1038 de 19 de Dezembro de 1906 e, que para esse fim convoca uma sessão extraordinária para o dia 21 do corrente determinando que se officiasse ao vereador Cap. Bazilio Antonio de Oliveira, para de accôrdo com o § 4º do dito art. 65 do Dec. 1533, justificar-se sendo ouvido a respeito (...)." 
Agnello Villas Boas renunciou aos cargos de Prefeito e Vereador com pedido aceito pela Câmara Municipal, aos 21 de julho de 1915 (Câmara, Livro-Ata, 1915), e, na ocasião, perdeu mandato Bazilio Antonio de Oliveira, anunciando-se eleições de substitutos para 11 de julho do mesmo ano, sendo eleitos o Coronel Antonio Evangelista da Silva e o Major Leônidas do Amaral Vieira, com proclamação de resultados e posses aos eleitos em 31 de julho de 1915 (Câmara, Livro-Ata, 1915).
O Vereador Capitão Manoel Antonio de Oliveira estava no cargo de Prefeito desde a renúncia de Villas Boas, no entanto resignou-se do cargo, pouco depois, a favor do Coronel Antonio Evangelista da Silva.
O Vereador Mizael Gonçalves de Oliveira, representante de Ilha Grande (Ipaussu), renunciou mandato em 1ª de novembro de 1915 (Câmara, Livro-Ata, 1915), em razão de emancipação política daquela localidade (Lei 1465, de 20 de setembro de 1915), e eleições previstas para 15 de novembro do mesmo ano.
Em sessão especial de 05 de janeiro de 1916, a Câmara reuniu-se para escolha dos membros do governo municipal para Comissão de Revisão de Alistamento eleitoral, estando presentes os vereadores: Affonso Celso Baptista, Antonio Evangelista da Silva, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Leônidas do Amaral Vieira, Manoel Antonio de Oliveira, Olympio Braga (Câmara, Livro-Ata, 1916).
3.14.  Câmara e Prefeitura 1917/1920
Aos quinze dias do mês de janeiro de 1917, com a presença das principais autoridades municipais, o presidente em exercício da Câmara anunciou: "Está instalada e empossada a Camara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo" (Câmara, Sessão de Posse - Livro-Ata 1917), cujo mandato previsto até 15 de janeiro de 1920. Assumiram cadeiras: Antonio Evangelista da Silva, Leônidas do Amaral Vieira, Pedro Camarinha, Florberto Ales Cruz, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Antonio Botelho de Souza, Lysandro Gonzaga de Oliveira e Olympio Braga. 
O Coronel Tonico Lista foi eleito, na mesma sessão, Prefeito Municipal, e Leônidas do Amaral Vieira ocupou a Presidência da Câmara.
Em sessão de 15 de outubro de 1917, o cidadão Olympio Rodrigues Pimentel, residente em São Paulo, solicitou da Câmara Municipal autorização para fechar "um atravessadouro existente em seus terrenos, na Chácara Santa Aureliana.", deferido por unanimidade, após aprovação pela Comissão de Obras Públicas.
O vereador Olympio Braga renunciou o mandato por ter sido criado o município do Óleo, Lei nº 1.576, de 14 de dezembro de 1917, onde o mesmo residente. Braga era represente da localidade do Óleo, e a formalização de seu pedido ocorreu aos 15 de janeiro de 1918, (Câmara, Livro-Ata, 1918), e no lugar assumiu Américo França Paranhos.
O controle político era absoluto nas mãos do Coronel Tonico Lista.
3.15.  Câmara e Prefeitura 1920/1923
Elegeram-se vereadores para o mandato de 1920 a 1923: Américo França Paranhos, Florberto Cruz, Nogueira Cobra, Julio Lucante, Antonio Evangelista da Silva, José Eugenio Ferreira, Mario Itauby Vieira e Pedro Camarinha. Antonio Evangelista da Silva assumiu a Prefeitura e Américo França Paranhos a Presidência da Câmara.
Antonio Evangelista da Silva enfrentava revezes políticos, por problemas pessoais, acusado de mandos de crimes e inclusive foi preso, em 1921, perdendo a direção municipal do PRP. Absolvido, recuperou o cargo executivo e a presidência partidária, pronto para enfrentar disputas políticas contra o neo Partido Municipalista, nas eleições de 29 de abril de 1922, para senadores e deputados estaduais.
Ganhou as eleições, mas sofreu atentado em Santa Cruz do Rio Pardo aos 08 de julho de 1922, morrendo a caminho de São Paulo, e Julio Lucante assumiu, em caráter excepcional a Chefia do Executivo Santacruzense, com evidencia que Leônidas do Amaral Vieira era o novo chefe político (Documentos fragmentados – Notas: Prado e Sato).
Encerrava-se o período de mando absoluto de Lista por quinze anos na política santacruzense e regional.
Segundo Rios, antes de falecer Tonico recomendara seu sucessor o Ozório Bueno, fazendeiro em Chavantes (2004: 164). 
3.16.  Câmara e Prefeitura 1923/1926
A morte de Lista provocou comoção popular e política no município, então se fez notar a liderança de Leônidas do Amaral Vieira auxiliado por Pedro Camarinha, e levou a população santacruzense inclinar-se a apoiar seus ideais. Amaral Vieira buscava liderança regional, fortemente vinculado ao líder Ataliba Leonel que já conquistava apoio estadual com pretensões ao governo paulista.
Nas eleições para mandato de 1923/1926 elegeram-se vereadores: Osório [Ozório] Bueno, Agenor de Camargo, Coronel Albino Alves Garcia, Coronel João Eugenio Ferreira, Dr. Julio Lucante, Luiz Besana, Pedro Soares Sampaio Doria e Ataliba Pereira Vianna. Osório foi o escolhido Prefeito e Sampaio Doria para Presidente da Câmara (Câmara, Livro-Ata, 1923). A posse realizou-se em 15 de janeiro de 1923.
Em 1924 Santa Cruz viu-se assolada pelos acontecimentos da Revolução de 1924, com os atos que "Orestes C. de Castro – Tenente. Figura Saliente nas forças revolucionarias, praticou violentas extorsões. Assaltou a Collectoria federal em Santa Cruz do Rio Pardo, onde extorquiu da Camara a importancia de vinte contos de réis." (O Estado de São Paulo, 02/01/1925). 
Tratava-se do tenente revolucionário Orestes Corrêa de Castro e a horda rebelde em fuga das tropas legalistas, ocupando cidades servidas por estradas de ferro e incursionando localidades adjacentes, com extremada violência e aterrorizando populações. Santa Cruz não teve forças para reagir.
O Presidente Sampaio Doria teve muito que explicar sua ausência no município quando da chegada dos sediciosos da Revolução de 1924 e que tomaram de assalto algumas repartições públicas, inclusive a Câmara Municipal, de que quem exigido dinheiro. Jamais convenceu.
Desde a edição de 12 de julho de 1924 o hebdomadário 'A Cidade ' noticiava os acontecimentos. O líder político Leônidas do Amaral Vieira e o Dr. Vasco de Andrade estavam em Itapetininga onde incorporados às "forças legaes que operaram contra os revoltos naquelle sector." (A Cidade, 12 de agosto de 1924). O semanário continuaria publicações a respeito por seguidas edições.
3.17.  Câmara e Prefeitura 1926/1930
As ocorrências de 1924 foram traumáticas, desgastantes e desmoralizadoras para muitas Câmaras Municipais, inclusive a de Santa Cruz do Rio Pardo.
As eleições municipais foram antecipadas para 1925 e os vereadores eleitos assumiram mandato em 15 de janeiro de 1926 com as presenças de Leônidas do Amaral Vieira, Pedro Camarinha, Pedro Cesar Sampaio, Francisco Martins da Costa, Antonio Alóe, Francisco de Paula Assis, Jarbas Bueno e Carlos Rios (Câmara, Livro-Ata, 1926). 
Os eleitos Pedro Camarinha e o Leonidas do Amaral Vieira revezaram-se na Presidência da Câmara e no cargo de Prefeito, por vezes com substitutos.
A Revolução de 1930 antecipou o final do período legislativo ditado pelo Governo Revolucionário, através do Decreto nº 6, de 16 de outubro de 1930.
A Câmara então foi substituída pelo Departamento da Administração Municipal do Estado de São Paulo, até a nova Assembléia Constituinte para elaborar a nova Constituição. 
No período, em todo o Brasil, os governos [executivos] estaduais foram ocupados pelos interventores, e os prefeitos nomeados.
Leônidas do Amaral Vieira encerrava prematuramente sua brilhante carreira política, sem ver realizado o sonho de Ataliba Leonel à frente do governo paulista.
Novas eleições somente ocorreriam em 1936.
3.18.  Interventoria 1930/1936
O sistema interventorista aplicado pós-revolução de 1930, ao lado do Conselho Consultivo do Estado, de 1931, tornou frágil o poder legislativo municipal, com a nomeação do prefeito interventor, o médico e vereador Abelardo Pinheiro Guimarães (1930/1935), político oposicionista. 
Logo no início do mandato de Pinheiro Guimarães, já acontecia a cobrança de empréstimo contraído pelo Município, em 1915, para custear compromissos contraídos com autorização da Câmara. 
O município estava em atraso, e a firma credora oficiou cobrança à Secretaria do Interior do Estado de São Paulo, a qual, pelo Departamento de Administração Municipal do Estado de São Paulo oficiou e requereu informações ao prefeito nomeado, Abelardo Pinheiro Guimarães, cuja cópia do requerimento anexado:
-"Exmo. Snr. Dr. Secretário do Interior do Estado de São Paulo."
-"A SOCIEDADE ANONYMA LEONIDAS MOREIRA, por seu Director - Presidente infra-assignado, por força do Decreto do Estado de São Paulo, nº 4.810 de 31 de dezembro de 1930, conforme contracto de empréstimo municipal de Rs: 1.000:000$000 lavrado em notas do 7º Tabellião de São Paulo, com o Corretor Official snr. Dr. Oscar Moreira, para a CAMARA MUNICIPAL DE SANTA CRUZ DO RIO PARDO, vem requerer a V.Excia. o pagamento dos coupons nºs. 6 a 37, vencidos semestralmente de 31 de Julho de 1915 a 31 de Janeiro de 1931 e o resgate de letras sorteadas, cujos pagamentos importam em Rs: 1,562:965$000. (...)."
-(O Trabalho, Ano I nº 12, 03 de maio de 1931: 3). 
O governo Pinheiro Guimarães não teria facilidades de adimplência, e cairia em 1935, sendo substituído, por seguidos governos nomeados, Alzim de Souza Lemos (1935), Tertuliano Vieira da Silva (1935/1936), José Carlomagno (1936) e Jayme Castanho de Almeida (1936).
Esvaziado o poder legislativo desde 1930, em 1936 a euforia era geral: 
-"Approxima-se a realização do grande pleito de 15 de março, tendente dar ao povo dos municipios o direito de escolher os seus representantes."
-"(...)."
-"Desde 24 de Outubro, há quase seis anos, as nossas Municipalidades, devido a malfadada revolução de 30, vem sendo discricionariamente entregues a correligionários do P.C. sem que o povo seja ouvido nem consultado nesse sentido."
-"(...)." (A Cidade, 08/03/1936: 1).
3.19.  Câmara e Prefeitura 1936/1939 – Legislativo dissolvido em 1937
Para a Câmara de 1936 foram eleitos nove vereadores: Abelardo Pinheiro Guimarães, Accacio Trindade de Mello, Alziro de Souza Santos, Eduardo Lorenzetti, Gabriel Botelho de Souza, Geremias Camillo de Godoy, Jaime (Jayme) Castanho de Almeida, Leonidas Camarinha e Tertuliano Vieira da Silva. (Câmara Livro-Ata, 1936).
Nessa sessão ordinária, o Vereador Jaime Castanho de Almeida, nomeado Prefeito solicita da Câmara a convocação de seu suplente de legenda, Benedicto de Castro Piedade.
No mesmo ano de 1936 iniciaram-se as discussões para a redação do Regimento Interno da Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, adequado à regras federais, evidenciando um Executivo forte e representante legal dos município. Os longos anos sem câmaras davam aos vereadores a importância em legislar a favor do município.
Interessante discussão camarária, de 10 de outubro de 1936, para a aquisição de quatro datas de terras, à então Avenida Silva Jardim [atual Cyro de Mello Camarinha] para edificação de novo prédio para a cadeia bem como a reconstrução do atual, com ampla acomodações para todos os cartórios nele existentes ou necessários (Câmara, Parecer Legislativo de nº 9, 1936).
Na sessão de 04 de abril de 1937, estão relacionados os vereadores, Abelardo Pinheiro Guimarães, Accacio Trindade de Mello, Alziro de Souza Santos, Eduardo Lorenzetti, Gabriel Botelho de Souza, Geremias Camillo de Godoy, Jaime Castanho de Almeida, Leonidas Camarinha e Tertuliano Vieira da Silva (A Cidade, Ano XXVIII nº 1317, 16de maio de 1937: 4). Cumpre destaque nessa reunião a presença de Jaime Castanho de Almeida, que reassumira o cargo de Vereador.
Em 1937 acha-se à frente do executivo santacruzense o nomeado Professor Joaquim Silvério Gomes dos Reis, que permaneceria no cargo até 1938, quando exonerado e substituído por Leônidas Camarinha.
Os mandatos tanto do legislativo quanto do executivo seriam de quatro anos, por eleição direta, e aos empossados – no caso prefeitos em lugar do interventor municipal ou daquele ocupante de cargo, seria eleito para cumprir o restante do período.
A euforia camarária durou quase nada e novamente o Governo Vargas – Estado Novo, em novembro de 1937 dissolveu os legislativos, para retorno democrático através de eleições diretas municipais apenas em 1947, para os cargos de Vereador, Prefeito e Vice-Prefeito.
3.20.  Conselho Administrativo Estadual e Prefeitos nomeados 1938/1947
Aos 03 de julho de 1938, após a tumultuada transição política de três anos, com passagem de quatro prefeitos indiretos, Leônidas Camarinha foi nomeado Prefeito (interventor) por Adhemar de Barros, permanecendo no cargo até 1946. Iniciava-se a era Camarinha.
Nove meses depois da posse de Leônidas Camarinha, o Governo Federal impôs o Decreto-Lei nº 1.202, de 08 e publicado a 10 de abril de 1939, dispondo sobre a administração dos estados e dos municípios, também conhecido por Código Administrativo, estabelecendo as Interventorias e o Conselho Administrativo nos respectivos estados, cabendo ao Interventor Estadual [Governador] nomear prefeitos municipais "para exercício das funções executivas e em colaboração com o Departamento Administrativo, legislar nas matérias da competência (...) dos Municípios, enquanto não se constituírem os respectivos órgãos legislativos [Câmaras]." (Decreto-Lei nº 1.202, artigo 5º no que tange a municipalidade). 
As câmaras municipais todas foram substituídas pelo Conselho Administrativo Estadual – ou de Administração Estadual, também denominado Departamento Administrativo. Apesar deste objeto, o Conselho não foi propriamente um Órgão Legislativo, pela incapacidade legal de produzir leis, cumprindo-lhe propor alterações burocráticas, emitir pareceres e referendar ou não projetos do executivo [Decretos-Lei]. O Conselho esteve ativo entre 1939 a 1947.
O prefeito passaria a ser eleito diretamente pelo povo para mandatos de quatro anos. Os vereadores também teriam mandatos de quatro anos, mas suas prerrogativas já não eram tão absolutas quanto eram antes da Revolução de 30.
Perderia ainda mais, com o golpe militar de 01/04/1964, praticamente todas as prerrogativas políticas, ficando apenas com o papel de fiscalizador dos atos do Poder Executivo e com a função de elaborar leis que não alterem o orçamento financeiro do Município e de analisar e votar os projetos de lei elaborados pelo Executivo.
É de interesse frisar que até o final de 1907, em Santa Cruz do Rio Pardo, o chefe político era, geralmente, o Presidente da Câmara, e não havia a figura do Prefeito, conforme hoje concebida, e quem representava o executivo era o Intendente, cuja função tão somente executar ordens determinadas pela Câmara Municipal, sem prerrogativas políticas. O vereador exercia gratuitamente o cargo para a qual eleito, enquanto o Intendente recebia remuneração no exercício das funções-atividades.
Camarinha permaneceu a frente do governo municipal até 1947. Optara candidatar-se a Deputado Estadual sendo eleito, mesmo ano em que fez seu sucessor na Prefeitura Municipal, com Lúcio Casanova Neto e conquistou a maioria na Câmara de Vereadores. 
Leônidas Camarinha permaneceria líder político santacruzense até 1957, ou seja, dezenove anos de mando absoluto, quanto teve seu poder contestado e divido, até ser derrotado, de vez, em 1970.
3.21.  Câmara e Prefeito Municipal 1948/1951 – 1ª eleição direta para Prefeito 
Câmara inexistente de 1937 a 1947, quando então as eleições municipais decorrentes, para o mandato 1948/1951, quando eleitos, o primeiro prefeito por voto direto, Lucio Casanova Neto, e a seguinte composição camarária: Alberto Dias, Alziro de Souza Santos, Americo Pitol, Angelo Alóe, Anízio Zacura, Antonio Consalter Junior, Antonio Magdalena, Benedito Carlos da Silva, Carlos Julio Renófio, Cyro de Mello Camarinha, Demerval Arouca, Filadelfo [Philadelpho] França Aranha, João Narcizo Gonçalves, João Oliveto Franco, José Mazante, José Rocha Silos, Lindolfo Ferdinando de Assis, Onofre Rosa de Oliveira, Oswaldo Scucuglia, Pedro Cesar Sampaio, Pedro Queiroz, Samuel Martins Figueira, e Xisto Rios. 
São esses os nomes do legislativo que aparecem na Resolução nº 6, de 01 de março de 1948 – Projeto, da Câmara Municipal que declara "perdidos os mandatos dos srs. Pedro Cesar Sampaio e Demerval Arouca, funcionários públicos, eleitos vereadores, em 09 de novembro de 1947." 
Completaram o quadro de vereança os suplentes Orlando Quagliato e Alfredo Gonzaga de Oliveira. Em algumas sessões constam substitutos Gilberto Dias e José Rossi.
Era uma Câmara festiva com a abertura política e o retorno à democracia, e os tantos projetos de homenagens e reivindicações populistas demonstraram isto, inclusive o prefeito eleito a compartilhar com as mesmas ideias e fortalecer a política do compadrio, beneficiando munícipes visando futuras eleições. Os poderes intercambiavam-se.
Os vereadores não eram remunerados e o número de titulares e suplentes misturava-se, com ou sem juramentos, para suprir ausências. Com o Executivo forte, os Vereadores e o Prefeito tornaram-se hábeis negociantes políticos de interesses particulares ou de terceiros, às vezes escusos ou suspeitos, lesando o erário. 
Leônidas Camarinha mantinha-se o nome forte.
As movimentações camarárias a partir de 1947 estão disponibilizadas, com exceções, em sítio eletrônico oficial do Legislativo, algumas até anteriores.
3.22.  Mandato 1952/1955 – Legislativo e Prefeito
Eleições municipais de 1951, período 1952-1955, foram eleitos Cyro de Mello Camarinha para prefeito, e os vereadores Alziro de Souza Santos, Américo Pitol, Angelo Alóe, Angelo Zanetti, Anízio Zacura, Antonio Ban, Antonio Figliolia, Benedito Carlos da Silva, Carlos Julio Renófio, Clóvis Dias, Edmar de Deus Nunes, Idarilho Gonçalves do Nascimento, João Narcizo Gonçalves, José Antonio Ramos, Joaquim Dias Machado, Joaquim J. Tavares, Lucio Casanova Neto, Manuel [Manoel] Mendonça Sobrinho, Onofre Rosa de Oliveira, Pedro Queiroz, Wilson Freitas (Câmara, Livro-Ata, 1953).
Ainda o líder Leônidas Camarinha, Deputado Estadual, era quem determinava os rumos políticos e administrativos do município.
3.23.  Mandato 1956/1959 – Legislativo e Executivo 
Nas eleições de 1955 (1956-1959) foram eleitos, para prefeito Lucio Casanova Neto, e vereadores os senhores Agenor Pereira de Oliveira, Anízio Zacura, Antonio Rui Guiomar, Benedito Carvalho M. de Andrade, Bernardino Gonçalves Trindade, Cyro de Mello Camarinha, Elidio [Elydio] Crivelli, Fioravante Romano, Francisco Mariano, Idarilho Gonçalves Nascimento, Joaquim Severino Martins, José Osiris Piedade, Manoel Mendonça Sobrinho, Otaviano Botelho de Souza, Onofre Rosa de Oliveira, Pedro Queiroz, Reynaldo Zanoni, Wilson Gonçalves, Virgilio Francisco Maximiano (Câmara, Livro-Ata, 1956).
O ano de 1957 marcou o rompimento entre Leônidas Camarinha e Lucio Casanova Neto. As duas facções acusam-se e os escândalos político-administrativos são denunciados à Justiça.
Lúcio rompeu o absolutismo de dezenove anos de liderança absoluta de Leônidas Camarinha. Iniciava-se os tempos dos 'Vermelhos' – Leônidas, e 'Azuis' – Lucio.
3.24.  Mandato 1960/1963 – Legislativo e Executivo
O acordo do grupo de Lucio com a oposição permite a vitória de Onofre Rosa de Oliveira para prefeito em 1959, 1960/1963, e eleitos os vereadores: Anisio Zacura [Presidente], Antonio Manfrin, Benedito Silva Santos, Benedito Carlos da Silva, Bernardino de Melo Lacerda, Derly Ribeiro, Domingos Fonsaca, Elídio Crivelli, Idarilho Gonçalves Nascimento, Joaquim Severino Martins, Lucio Casanova Neto, Luiz Vidor, Otaviano Botelho de Souza, Paulo Gilberto Machado Ramos, Pedro Queiroz (Câmara, Livro-Ata de sessões legislativas, 1960-1963).
As denúncias levam à condenação de Lucio Casanova Neto, decretada sua prisão. Lucio então foge e Gastão Cid assumiu o lugar, como vereador. Lucio, de seu esconderijo, candidata-se Deputado Estadual e elege-se.
Leônidas Camarinha não é mais o chefe máximo da política santacruzense, mas ainda mantém-se Deputado Estadual.
3.25.  Mandato 1964/1968 – Legislativo e Executivo
Em 1963 Carlos Queiroz elegeu-se prefeito (1964-1967) juntamente com os 21 vereadores eleitos: Anibal Dias Salles, Antonio Manfrim, Antonio Martins, Antonio Ribeiro Filho, Benedito Silva Santos, Bernardino Gonçalves Trindade, Bolivar Cunha, Derly Ribeiro, Elídio [Elydio] Crivelli, Gastão Cid, Henrique Vieira de Almeida, Idarilho Gonçalves Nascimento, Joaquim Severino Martins, José Gabriel Botelho, José Renófio, José Theodoro Nogueira, Luiz Vidor, Nivaldo de Souza, Paulo Nagata, Pedro Queiroz e Samuel Martins Figueira.
Uma Câmara com número exagerado de Vereadores, extremamente confusa, vereadores digladiando-se em ataques pessoais e centrados nas figuras dos dois líderes, Camarinha e Lucio Casanova.
O golpe militar de 1964 e os desdobramentos fizeram serenar, um tanto, os ânimos mais exaltados. Também a habilidade política de Carlos Queiroz, sem se envolver com as questiúnculas camarárias, tornou a Câmara dócil ao seu governo, sem os levantes de adversários e ciúmes dos companheiros.
Em 1965 os partidos foram extintos e dois foram organizados e criados para o simulacro da democracia. A Arena – Aliança Renovadora Nacional, partido conservador e de adesistas para pelo apoio ao governo militar e sigla amplamente majoritária, e o MDB – Movimento Democrático Brasileiro para ser oposição consentida ao governo, mais caracterizado como uma frente por sua multiplicidade ideológica. 
Em Santa Cruz a Arena agigantou-se, também tornou-se uma frente reunindo velhos rivais políticos, somente interessando ganho político local e se fazer presto aos militares, enquanto o MDB um Partido raquítico, sem muita noção de quais rumos seguir, sobrevivendo muito mais na figura carismática do advogado Claudio Catalano.
3.26.  Mandato 1969/1972 – Legislativo e Executivo
Para as eleições de 1968, novamente Onofre Rosa de Oliveira foi o prefeito (1969-1972), e os vereadores: Alziro de Souza Santos, Amaury Cesar, Antonio Manfrim, Antonio Martins, Antonio Raimundo, Celio Fonsatti, Elídio [Elydio] Crivelli, Henrique Vieira de Almeida, Idarilho Gonçalves Nascimento, Joaquim Severino Martins, José Messias de Britto, José Theodoro Nogueira e Paulo Custódio Patrocínio.
Treze legisladores para a formação de uma Câmara ilustre, de alto nível intelectual e político. O Regime Militar, no entanto, tolheu a capacidade e oratória dos vereadores, a pairar sempre o temor de qualquer interferência do governo nos destinos do município.
Para a Câmara era melhor apoiar o governo local adesista do carismático e midiático Onofre, arenista, e não havia oposição, todavia uma forte tendência para barganhas interesseiras entre o Executivo e o Legislativo.
3.27.  Mandato 1973/1977 – Legislativo e Executivo
Joaquim Severino Martins, em 1972 foi eleito prefeito (1973-1976), com os seguintes vereadores, Anibal Dias Salles, Antonio Francisco Zanette, Antonio Lino Sartori, Atilio Bertolino, Caetano Belei, João Martins, Joel Martins de Paiva, José Cesário Pimentel, José Eduardo Piedade Catalano, José Miguel Saliba, José Teodoro Nogueira, Luiz Besson e Sebastião Botelho de Souza. Acácio Pereira de Lima aparece em exercício nalgumas sessões.
A referida Câmara, em agosto de 1973 recebeu do Executivo o Projeto de Lei, registrado sob nº 28/1973, referente autorização para "doação à Maternidade D. Maria Perpétua Piedade Gonçalves, de terreno" onde o prédio daquele nosocômio, com justificativa inserida no artigo 2º: "– Para cumprimento do que dispõe o artigo 1º fica o Prefeito Municipal autorizado a outorgar, aceitar e assinar em nome do Município, a respectiva escritura pública de doação, com todas as formalidades legais, em favor da Maternidade D. Maria Perpétua Piedade Gonçalves desta cidade." 
Na carta de encaminhamento do Projeto, o Prefeito esclarecia aos senhores vereadores que "Essa providência se faz necessária, Senhor Presidente, pois que o terreno ocupado com a construção da referida Maternidade é de propriedade municipal conforme é do conhecimento dessa digna Edilidade, faltando apenas essa formalidade, ou seja a doação do terreno para que se legalize a situação."
O Projeto, com pareceres favoráveis das Comissões, foi aprovado por unanimidade e transformado na Lei Municipal de nº 573, de 07 de agosto de 1973.
As providências tomadas e dadas acertaram, legal e politicamente, situação embaraçosa à Administração, desde os anos de 1960 quando o prédio arrendado a profissionais médicos; todavia não revelou o estatuto de fundação, sua diretoria primeira, contrato de arrendamento e quando os arrendatários assumiram o prédio como donos e em que condições. Para alguns o entendimento que a doação do principal – o terreno, carrega junto o acessório – o prédio.
Assim funcionava a política local.
3.28.  Mandato 1977/1982 – Legislativo e Executivo
Nas eleições de 1976 (1977/1980, mandato prorrogado até 1982) foi eleito prefeito o Aniceto Gonçalves, e os vereadores, Atílio Bertolino, Benedito Antonio Bueno Marques, Clovis Pereira Borba, Israel Benedito de Oliveira, João Capistrano de Paula, Joel Martins de Paiva, Jorge de Araujo, José Carlos Nascimento Camarinha, José Eduardo Piedade Catalano, José Theodoro Nogueira, Luiz Besson, Sebastião Botelho de Souza e Valdomiro Martins. 
Benedito Antonio Marques, o mais votado, rebelou-se com o grupo situacionista, renunciou ao mandato mediante acordo financeiro, e em seu lugar assumiu Antonio Lino Sartori, logo depois eleito Presidente da Câmara e que se tornaria célebre pelo levante popular que culminou no apedrejamento da Câmara, Prefeitura, próprios da Sabesp e a residência do Prefeito.
Decepcionado, Sartori desistiu da política.
3.29.  Mandato 1983/1988 – Legislativo e Executivo
No ano de 1982 foi eleito prefeito (1983/1988), pela terceira vez, Onofre Rosa de Oliveira, agora pelo MDB, e os vereadores: Antonio Francisco Zanette, Antonio Roberto Giacon, Aparecida de Lima Martins – Dona Mara, Aparecido Pereira Borges, Aparecido Rodrigues Mouco, Israel Benedito de Oliveira, José Aldevino da Silva, José Carlos Nascimento Camarinha, Luiz Antonio Tavares, Luiz Besson, Luiz Clovis Maximiano, Paulo Fernandes Sanches, Pedro Luiz Renofio, Roberto Mariano Marsola.
Foi uma eleição atípica. O MDB vinha de grande crescimento no Governo Geisel, pela insatisfação popular com o Regime Militar e a saturação política da ARENA. 
O MDB, obrigado, alterara sua sigla para PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro, continuando uma frente de distintas ideologias. A ARENA virou PDS – Partido Democrático Social para fugir da pecha ou estigma ditatorial, e, tal qual o PMDB, transformou-se numa frente, notada em Santa Cruz do Rio Pardo, nas eleições municipais de 1982. 
Três candidatos a Prefeito pelo PMDB: Jorge Araujo, Manoel Carlos Manezinho Pereira e Onofre Rosa de Oliveira, enquanto o PSD apresentava Décio Mendonça e Joaquim Severino Martins, todos concorrendo entre si e com adversários.
Onofre Rosa de Oliveira ganhou e Joaquim Severino Martins foi o segundo colocado. 
O PMDB garantiu sete vereadores: Antonio Francisco Zanette, Antonio Roberto Giacon, Aparecido Pereira Borges, Israel Benedito de Oliveira, José Aldevino da Silva, Luiz Antonio Tavares e Roberto Mariano Marsola. 
O PDS, dividido elegeu pelo grupo de Joaquim Severino Martins: Aparecida de Lima Martins – Dona Mara, Luiz Besson, Luiz Clóvis Maximiano e Paulo Fernandes Sanches. Pelo grupo de Décio Mendonça elegeram-se: Aparecido Rodrigues Mouco, José Carlos Nascimento Camarinha e Pedro Luiz Renofio.
De imediato Antonio Francisco Zanette – alcunhado Batatão, se indispôs com Onofre e atraiu adesão de José Aldevino da Silva, além da simpatia de Antonio Roberto Giacon. Zanette uniu-se ao grupo de Décio Mendonça e, tecnicamente, praticava empate com os onofristas.
Onofre hábil negociante político e oportunista, conforme já demonstrara em administrações anteriores, selou acordo com Joaquim Severino Martins e teve mandato tranquilo, com maioria dos vereadores, suportando as críticas do polêmico Zanette.
3.30. Mandato 1989-1992 – Legislativo e Executivo 
Clóvis Guimarães Teixeira Coelho foi eleito em 1988, mandato de 1989/1992, e os vereadores: Adilson Donizeti Mira, Amaury Cesar, Antonio Roberto Giacon, Aparecida de Lima Martins, Jorge de Araujo, José Carlos Nascimento Camarinha, Isaias Carvalho dos Santos, Lino dos Santos, Luiz Antonio Lorenzetti, Luiz Antonio Tavares, Luiz Clovis Maximiano, Marizilda Martins Camilo de Lima, Paulo Cesar Pegorer, Otacilio Parras Assis, Renato Eleuterio Diniz, Roberto Mariano Marsola e Wanda Rios Teixeira Coelho. 
Para a legislatura 1989/1992 foi fixado o número de nove vereadores, contrariando a pretensão camarária de dezessete deles, porém uma medida do TSE permitiu a posse de outros oito vereadores. 
Era a estreia do jovem Adilson Donizeti Mira, forjado nas esquerdas e com o apoio de setores da Igreja, mas o grande destaque foi Otacílio Parras Assis, que ocupou por algum tempo a Secretaria Municipal de Saúde.
A Câmara de 1989/1992 foi intensamente democrática.
3.31. Mandato 1993/1996 – Legislativo e Executivo
Manoel Carlos Manezinho Pereira, em sua terceira tentativa, foi eleito prefeito nas eleições de 1992, período 1993/1996, juntamente com os vereadores: Adilson Donizeti Mira, Brazil Zacura, Isaias Carvalho dos Santos, João Gabriel Riston, João Lopes, Jorge de Araujo, José Carlos Montagna,José Carlos Nascimento Camarinha, Luiz Antonio Tavares, Luiz Clovis Maximiano, Luiz Besson, Onofre Rosa de Oliveira, Roberto Mariano Marsola, Wanda Rios Teixeira Coelho.
 Adilson Donizeti Mira transformou-se numa voz representativa das camadas populares, dos jovens, estudantes e dos sindicatos. Mira fez sua campanha 'colado' no candidato a prefeito, Manoel Carlos, Mira rompeu logo após os resultados das urnas, aproveitando-se para fazer política de depreciação e de contundentes críticas ao tíbio governo de Manoel Carlos. 
Outro grande destaque político foi o médico Brasil Zacura, diferente de Mira, um político conciliador e voltado aos interesses do município, na área do social e saúde pública. 
3.32.  Mandato 1997/2000 – Legislativo e Executivo
Novamente Clóvis Guimarães Teixeira Coelho disputou mandato em 1996, sendo eleito para o período de 1997/200, e os vereadores: Antonio Ferreira de Jesus, Augustinho Marin, Benedito Valadão Sobrinho, Brazil Zacura, Idilio Nelson Rodrigues, Isaias Carvalho dos Santos, João Gabriel Riston, Jorge de Araujo, José Celso Locali, Luiz Antonio Tavares, Luiz Besson, Luiz Clovis Maximiano, Roberto Mariano Marsola e Wanda Rios Teixeira Coelho. 
Mira foi o Vice-prefeito, num arranjo político entre o PMDB e PSDB – o partido de Mira. Ocupando a Secretaria Desenvolvimento Humano e com liberdade de ações, Mira projetou-se efetivamente como liderança política.
Wanda Rios Teixeira Coelho ocupou Secretaria de Governo, e Brasil Zacura a Pasta da Saúde.
3.33.  Mandato 2001/2004 – Legislativo e Executivo
Nas eleições de 2000, Adilson Donizeti Mira foi o vencedor para o mandato de 2001/2004, e foram eleitos vereadores Ademir Antonio Bassetto, Dorival Parmegiani, Euclides Alves Filho, Idilio Nelson Gonçalves, Israel Benedito de Oliveira, José Antonio Fonçatti, Luiz Besson, Luiz Vanderlei Freire de Souza, Maura Soares Romualdo Macieirinha, Roberto Mariano Marsola, Valter Fernandes, Wanda Rios, Wilson Primo de Souza.
O Capitão da Polícia Militar, Adão Ludovino Sobrinho, renunciou ao mandato de vereador na sessão legislativa de 10 de dezembro de 2001, alegando motivos pessoais. Foi substituído por Luiz Vanderlei Freire de Souza.
Desde o princípio o Governo Mira, esperança política honesta e coerente, mostrou-se autoritário, midiático, perseguidor de adversários, indícios de corrupção, desvios de verbas pública quanto às finalidades, e protecionismo a companheiros submissos, montando uma estrutura para garantir-se no poder.
O Prefeito investe contra o semanário Debate com dezenas de processos, com a intenção em sufocar financeiramente o que ele considera rival. O Debate era o único órgão de imprensa não vitaminado por receitas públicas.
A Câmara, pró-governo, encontra apenas em Israel Benedito de Oliveira - Nenê Mamona e José Antonio Fonçatti – Paina os opositores ao governo Mira.
3.34.  Mandato 2005/2008 – Legislativo e Executivo
Adilson Donizeti Mira reelegeu-se prefeito em 2004 (2005-2008), e vereadores Edvaldo Donizeti de Godoy, Jorge de Araujo, José Brasílio Romano, José Celso Locali, Leandro Fonseca Mendonça, Manoel Carlos Manezinho Pereira, Roberto Mariano Marsola, Rui Sérgio dos Reis e Samuel Reis da Silva.
Dezenas de denúncias contra Adilson Donizeti Mira são aceitas pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Conta do Estado, e a Câmara cria uma Comissão Especial de Inquérito para investigar fato determinado e abre uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito, e em desespero Mira contrata, pelos cofres da Municipalidade, o renomado jurista José Nilo de Castro para, entre outros serviços, trancar a CPI.
O governo Mira de 2005/2008 não deslancha, tem dificuldades de maioria camarária e, então, coopta o Vereador Samuel Reis da Silva, dando-lhe vantagens financeiras e um cargo no primeiro escalão para abrir vaga a um suplente confiável.
O Vereador Rui Sérgio dos Reis fez-se o político rival maior de Adilson Donizeti Mira. Deixou o Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB, do Prefeito, para fundar o Partido Verde – PV.
3.35.  Mandato 2009/2012 – Legislativo e Executivo 
Nas eleições de 2008, período de 2009-2012, Maura Soares Romualdo Macieirinha, foi eleita prefeita e escolhidos os vereadores Antonio Ferreira de Jesus - Teco, Edvaldo Donizeti de Godoy, Jorge de Araujo, José Paula de Andrade, Leandro Fonseca Mendonça, Lazaro Aparecido Batista de Souza - Souza Neto, Luiz Carlos Marques Novaes - Psiu, Roberto Mariano Marsola, Rui Sérgio dos Reis.
Maura, vice-prefeita no mandato anterior, elegeu-se graças à liderança e carisma de Adilson Donizeti Mira, a quem ela chamava de professor. Praticamente manteve a mesma equipe, primeiro e segundo escalões de seu antecessor. 
Rui Sérgio dos Reis continuou a ser o vereador problema da Administração. Crítico contumaz e de pesadas palavras, teve problemas também com oposição, chegou a ser cassado, mas retornou ao cargo por via judicial. Isolado e processado, Rui não disputou as eleições em 2012, mandato 2013/2016.
3.36.   Mandato 2013/2016 – Legislativo e Executivo
Otacílio Parras Assis, em sua terceira disputa pelo cargo majoritário municipal consagrou-se nas urnas, em 2012, e para vereadores foram eleitos: Antonio Ferreira de Jesus – Teco, Cleuza Maria Costa Soares, Edvaldo Donizeti de Godoy – Professor Edvaldo, José Paula da Silva, Lazaro Batista de Souza – Souza Neto, Leandro Fonseca Mendonça, Luiz Antonio Tavares – Luizão da Onça, Luiz Carlos Novaes Marques – Psiu, Luiz Vanderlei Freire de Souza – Vanderlei Baiano, Marco Antonio Valantieri – Marco Cantor, Milton de Lima e Murilo Costa Sala. 
-Aparte político-histórico: Quem foi o primeiro prefeito santacruzense? 
As tradições apontavam o Coronel Botelho como o primeiro prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo, em 1901, e o Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré o segundo, em 1902. Documentos 'levantados' (Prado e Sato) calaram as tradições e reescreveram a história política santacruzense.
Joaquim Manoel de Andrade, em 1876, como Presidente da Câmara - o primeiro para o cargo, era a autoridade municipal maior, que exercia, além das atribuições legislativas, também atividades administrativas e de rotina municipal como 'Agente Executivo' do Legislativo, mais atribuição ou procuração camarária para o exercício funcional que designação de cargo propriamente dito. 
Era impraticável reunir a Câmara a cada assunto surgente, como as ordens de serviços e gerenciamento de empregados públicos, entre outras razões. Às Câmaras cumpriam responsabilidades político-administrativas dos municípios, sob a tutela dos poderes legislativos maiores - Província e Império.
Depois de Joaquim Manoel de Andrade, os demais Presidentes da Câmara se portaram de igual forma no exercício de Agente Executivo.
Com o golpe militar republicano de 1889 ocorreu a centralização do poder e a redução de autonomia dos municípios, criando-se os Conselhos de Intendência, em Santa Cruz do Rio Pardo sob a presidência de Joaquim Manoel de Andrade até seu falecimento aos 26 de dezembro de 1891, substituído interinamente por Moyses Nelli.
Restabelecidas as Câmaras em meado de 1892, surgiu a figura do Intendente - como Chefe Executivo da Câmara Municipal, por ela escolhido e a ela subordinado, com o aval da Presidência (Governo) do Estado, para a administração do município, "(...) tendo como intendente o Doutor Estevan Ribeiro de Assis Rezende" (Rios, 2004: 49), em consonância com documentos municipais da época. Assis Rezende deixou o cargo em 1893, substituído pelo Padre Bartholomeu Comenale, Presidente da Câmara.
O Intendente era escolhido ou apontado anualmente, e podia ser mantido no cargo, todavia a ressaltar entendimento prático que a Câmara escolhia o Intendente dentre seus pares, geralmente o Presidente da Câmara com função cumulativa, embora pudesse ser indicado qualquer um dos eleitos – podendo cumular funções ou então substituído pelo suplente.
O Coronel João Baptista Botelho foi primeiro Intendente no século XX, no ano de 1901, substituído em 1902 pelo Dr. Estevão [Estevan ou Estevam] Ribeiro de Assis Rezende (Livro de Registros e publicação editais no Correio do Sertão, 1902), com a ascensão do grupo político do Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré ao poder. 
Dr. Abreu Sodré, como líder político e o mais votado tornou-se Presidente da Câmara, substituindo o Dr. Assis Rezende na Intendência em duas ocasiões, interinamente, conforme documentos, editais e noticiosos publicados no 'Correio do Sertão' e jornais paulistanos de 1902/1903. 
Em 1905 criou-se a figura do Prefeito, previsto pela legislação brasileira, sendo a Prefeitura por Instituição Executiva do Município, poder independente do Legislativo. O Dr.Henrique Hardt foi o ultimo Intendente da "Patriótica Corporação Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo composta pelos Drs. Francisco de Paula Abreu Sodré – Presidente da Câmara Municipal, Frederico Carr Ribeiro – Vice-Presidente, e Henrique Hardt – Intendente" (O Progresso, 02/09/1906: 2).  
A comprovação surge que a apologizada 'Patriotica Coorporação' foi apeada do poder no ano de 1907, com o "Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, Prefeito Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo", conforme documentos oficiais disponíveis (Livro de Contratos da Municipalidade e outros).
Dr. Olympio Pimentel foi, portanto, o primeiro Prefeito, em 1907, mas não na forma de eleição direta, pelo voto popular. Era a Câmara quem elegia o Prefeito.
Nos dois primeiros anos de Prefeitura a Câmara ainda era dominação forte, e o Prefeito praticamente sinônimo de Intendente; era o princípio da separação entre os poderes. Somente com o Código de Posturas do Município, estabelecido em 1909, criou-se a independência do poder executivo em relação ao legislativo, com interpenetrações complementares e de decisões.
A distinção entre Intendência e Prefeitura fez-se, então distinguir. Intendência não era nem foi sinônimo de Prefeitura. Prefeitura fez-se como órgão onde o desempenho do Poder Executivo do Município, de modo independente do Legislativo, com reciprocidade, enquanto Intendência era o Executivo da Câmara, portanto a ela subordinado, embora o Intendente também com o direito de verear.
Numa avaliação criteriosa, à primeira vista, a independência entre os poderes municipais instituídos era, apenas, relativa, porque à Câmara cumpria a escolha anual do Prefeito – eleição indireta, com reeleição ou recondução outras vezes.
Não foi assim. Em Santa Cruz do Rio Pardo, desde 1907 o Executivo se fez forte, pelo poder dos Coronéis, primeiro com Tonico Lista até 1922, e depois com Leônidas do Amaral Vieira, de 1923 a 1930, quando encerrado o poder das oligarquias e o mando dos coronéis, e a dissolução da Câmara O governo municipal seria, então, através de Juntas Governativas nomeadas pelo Governo Provisório do Estado - Interventor Federal, optando-se, porém pela nomeação do Prefeito via Decreto.
No período intervencionista foram estabelecidas regras próprias, conforme já observadas em "2.18 (1930-1936); 2.19 (1936-1939); e 2.20 (1927-1947)" - (Destaques dos Autores).
A Constituição Brasileira outorgada em 1934 previa eleições gerais em todo o Brasil em 1937, todavia não ocorridas, a considerar a ditadura Vargas, desfechada a 10 de novembro de 1937. Vargas, inspirado no totalitarismo, em 02 de dezembro de 1937, pelo Decreto nº 37, fechou todos os Órgãos Legislativos do País, extinguiu partidos políticos e determinou o arrasamento do integralismo e do comunismo, para a instauração da Ditadura Vargas denominada de Estado Novo.
Apenas do ano 1947 em diante a história das eleições para prefeito são mais bem definidas e conhecidas, e em Santa Cruz do Rio Pardo candidatou-se e foi eleito, pelo voto direto, o cidadão Lucio Casanova Neto para o período de 1948 a 1951.
4.  Juizados de Paz 
Ao Juiz de Paz, quanto ao exercício das funções, através da reforma legal de 1871, cumpria obrigações de julgamentos de pequenas demandas, feitura de corpo de delito, formação de culpa, condenação e prisão em processos sumaríssimos, com recurso para os Juízes de Direito. Outra atribuição de grande importância era presidir a Junta Paroquial para qualificações de eleitores e candidatos a cargos públicos.
Os eleitos Juízes de Paz eram substitutos legais, pela ordem, do Juiz Municipal nomeado pelo Presidente da Província, quando Santa Cruz elevada à condição de Termo de Comarca. 
A partir de1875 foram criadas as estruturas para a implantação do Juizado de Paz para Santa Cruz do Rio Pardo, através de eleições municipais e a criação do Juízo de Paz e Notas, cujo livro cartorial, com termo de abertura e folhas rubricadas pelo Presidente da Câmara de Lençóis Paulista, João de Palma [Carneiro] Giraldes, aos 09 de agosto de 1875. Aos 04 de setembro 1875, Jacob Antonio Molitor iniciava atividades cartoriais como Escrivão do Juízo de Paz e Notas – 1º Tabelião de Notas, Livro 1. 
4.1.  1876/1879 – eleição anulada
Antes da elevação de Santa Cruz à condição de Vila em 1876, já o Governo da Província de São Paulo marcava a primeira eleição de Juízes de Paz e Suplentes: "Determinando os Avisos [Imperiais] ns 8 de 11 de janeiro de 1849, e 62 de 21 de fevereiro de 1853, que as Presidencias marquem extraordinariamente a época para eleição de Juizes de Paz e Vereadores, quando tiver creado um novo Municipio ou Districto de Paz, designei diversas épocas, para estas eleições, sendo de: (...) – Juizes de Paz – Para as de (...) Santa Cruz do Rio Pardo" (RG, BN 1016, 1874/1875: 119-120). 
A primeira eleição para o Juizado de Paz de Santa Cruz do Rio Pardo, consta, realizou-se no ano de 1875, todavia "O governo Imperial, por aviso de 14 de Outubro ultimo, approvou as eleições de Juizes de Paz de Guarehy. As de Juizes de Paz de Santa Cruz do Rio-Pardo, forão submettidas á consideração do mesmo Governo e pendem de decisão." (RG BN 1017, 1875/1876: 46 ). 
O Decreto Imperial 2.675, de 20 de outubro de 1875 alterou a legislação eleitoral anterior e, assim, a eleição realizada em Santa Cruz, ocorrida quando já em vigor o Decreto, ficou pendente e por fim sem efeito, com nenhuma qualquer menção quais cidadãos eleitos Juiz de Paz e Suplentes. O Correio do Sertão (10/07/1902: 2-3), no entanto, mencionou eleitos "Joaquim Manoel de Andrade, Luiz Antonio Rodrigues, Domingos José de Andrade e Manoel Cândido da Silva" como os primeiros eleitos Juízes de Paz.
Todavia a eleição ficou pendente de decisão, depois declarada sem efeito porque o pleito realizado após a edição do Decreto Imperial 2.675, de 20 de outubro de 1875, que alterava a legislação eleitoral anterior.
4.2.  1877/1880
A eleição de 1875 foi anulada por Ordem Imperial e, no ano seguinte (1876), realizou-se nova eleição para os Juízes de Paz, ocorrida juntamente com a dos Vereadores, uma quanto a outra para mandato de quatro anos, período 1877/1880. 
Em 1876 aconteceu a eleição para Juízes de Paz, período 1877/1880, sendo eleitos: Fortunato Rodrigues da Costa, Francisco Ignácio Borges e Luiz Antonio Rodrigues, identificados num abaixo-assinado em favor de Deputado Emygdio José da Piedade , inferindo o primeiro por titular consideradas outras referências.
Fortunato deixou o cargo de Juiz de Paz ao optar pela Suplência de Delegado de Polícia, acúmulo ilegal, e, com a saída do suplente Borges, Luiz Antonio Rodrigues assumiu a titularidade
4.3.  1881/1884 – Mandato não concluído.
Não se sabe, ainda, o nome do eleito titular Juiz de Paz, em 1880 para 1881/1884, porém o 1º Suplente foi Theodoro de Camargo Prado, 2º Suplente Raphael Silverio de Andrade e o 3º Suplente Luiz Antonio Rodrigues, por depreensão, sabendo-se da renúncia de Raphael Silverio de Andrade, em 1880, e era Camargo Prado quem exercia a titularidade do cargo (Correio Paulistano, 15/07/1880: 1).
A tratar-se de período politicamente confuso, no ano de 1882 "Procedeu-se em quase todas as parochias da Provincia, no dia 1º de Julho ultimo, à eleição de Vereadores e Juizes de Paz para o quatriennio que começará a correr de 7 de Janeiro do corrente ano [de 1883] nos termos do artigo 191 do Regulamento 8.213, de 13 de Agosto de 1881" (RG BN 1027, 1882/1883: 58). 
O quatriênio de 07/01/1883 a 1886, determinava a destituição dos Juízes de Paz eleitos em 1º de julho de 1880.
4.4.  1883/1886 – Novo mandato
Em 1882 elegeram-se Juízes de Paz, mandato de 1883/1886: "Emygdio J. da Piedade, Jacob Antonio Molitor, Manoel Garcia de Oliveira e João Bonifacio Figueira. Todos conservadores." (Correio Paulistano, 26/07/1882: 2). 
O pleito foi anulado, por decisão judicial acatada pelo Governo da Província (RG BN 1027, 1882/1883: 58). Pela mesma fonte, realizou-se nova eleição aos 29 de outubro de 1882, juntamente com a de vereadores, conforme matéria publicada:  
-"Santa Cruz do Rio Pardo"
-"Tendo sido anullada a eleição de vereadores e juizes de paz desta parochia, procedeu-se á nova eleição, dando o seguinte resultado:"
-"Juizes de paz"
-"Tenente-coronel Emydio José da Piedade - 37 votos"
-"João Bonifacio Figueira - 37 " [votos]"
-"Jacob Antonio Molitor - 36 " [votos]"
-"Manoel Garcia de Oliveira - 32 " [votos]"
-"Todos conservadores, assim como o 1º e 2º immediatos."
4.5.  1887/1890 – Mandato interrompido
No ano de 1886 elegeram-se Juízes de Paz: 1º João Baptista Botelho, 2º Antonio de Souza, 3º Francisco Martins.
O golpe militar de 1889 fez cessar mandatos conquistados nas urnas – eleições de 1886, para o período de 1887/1890.
4.6.  1890/1892
Sem qualquer outro documento que possa melhor esclarecer o período, em 1890 Fermino [Firmino] Manoel Rodrigues era o 1º Juiz de Paz (Comissão Distrital da Intendência de Santa Cruz do Rio Pardo, Livro-Ata).
A instalação da Comarca e nomeação de Juiz de Direito, deu importância ao Juiz Municipal como substituto do titular, deixando sem interesses maiores os Juízes de Paz.
4.7.  1892-1893/1894
A Lei Ordinária - eleitoral nº 21, de 27 de novembro de 1891, publicada aos 05 de dezembro de 1891, fazia cumprir a Constituição e estabelecia em seu artigo 24 as exigências legais de pleitos municipais aos 30 de julho, a cada três anos, iniciando-se em 07 de janeiro [de 1892], "salvo ás municipalidades o direito de decretarem posteriormente outro processo para eleição de seus representantes". 
A regulamentação de citada Lei ocorreu pelo Decreto nº 20, de 06, publicado aos 11 de fevereiro de 1892 [publicação da continuação], e em seu "Título V, Capítulo XVI - Da eleição de Vereadores, Juizes de Paz, e juizes de paz adjunctos" - a partir do artigo 161:
-"No dia 30 de julho, de tres em tres annos, proceder-se-a conjunctamente, em todo o Estado: 1- Eleição de camaras municipaes e de juizes de paz ordinarios, cujos mandatos durarão tres annos, - o daquellas nos municipios e o destes nos districtos, pelos quaes forem eleitos." 
-"§ 1º No dia immediato proceder-se-a a eleição de juiz de paz adjuncto para cada um dos termos das comarcas do Estado, cujo mandato tambem durará tres annos, e a ella presidirão as mesmas mesas constituidas para a eleição dos vereadores e juizes de paz ordinarios." 
Ainda ignorados os Juízes de Paz eleitos para o período, mas o Juiz Municipal, Capitão Bernardino Antonio Pereira de Lima, é residente em Santa Cruz do Rio Pardo.
4.8.  1894/1896
São Juízes de Paz eleitos: 1º Dr. José Nestor de França, 2º Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, 3º Joaquim Fernandes Negrão (O Paranapanema, 30/11/1895: 3).
4.9.  1899-1901
Para Juízes de Paz, obtiveram votos João Evangelista da Silva 564 votos, Manoel Antonio de Oliveira 494 votos, Francisco Narcizo Gonçalves 482 votos, Pedro Custodio Guimarães 20 votos, Manoel Pedroso da Silva Veado 10 votos.
5.  Delegacia de Polícia e Cadeia Pública
Da Tribuna da Assembléia Legislativa da Província de São Paulo, 10ª Sessão Ordinária em 30 de janeiro de 1882, o Deputado Emygdio José da Piedade justificava o seu Projeto de nº 18, para a construção de uma Cadeia em Santa Cruz do Rio Pardo: 
-"Desde 1875 serve de cadeia uma pequena casa, feita de pau-a-pique,alugada à razão de dez mil reis por mez, e desde essa data faz a provincia a despeza de 120$ por anno, com uma casa que não sê presta ao fim a que é destinada, casa que até hoje não tem recebido o menor concerto. (...). Chega a tal ponto [a ruína do imóvel] que ter alli uma pessoa recolhida é o mesmo que deixa-la no meio da rua, e é justamente por isso que durante o anno passado [1881] houve seis ou sete evasões. (...). Em Outubro deu-se a evasão do ultimo preso que ainda se conservava na cadeia, um criminoso de morte, não obstante estar acorrentado, forneceram-lhe uma lima e o preso tratando de cortar a corrente, metteu-se pelo meio dos barrotes, que estão estragados e evadiu-se." (Apud Correio Paulistano, Ano XXVIII nº 7584, 08 de março de 1882: 2).
A elevação de Santa Cruz à condição de Vila, em 1876, obrigava o Governo Provincial de São Paulo arcar com os gastos de Segurança Pública, inclusive assumir o aluguel de imóvel pago ao senhor Valentim José Teodoro, a partir de 1876, de um prédio conforme contrato de locação, celebrado entre as partes (RG BMIP1023, 1878/1879: S 2-61, pagamento alugueres de 1876 e 1877, valor de 120$000), não dado ao conhecimento o endereço ou se o referido imóvel seria o mesmo dos tempos de Santa Cruz freguesia. 
Valentim José Theodoro era proprietário de terras adiante do Chafariz, ultrapassado o Ribeirão São Domingos, que chegava à margem do Pardo, pela atual Rua Duque de Caxias, onde possuía uma olaria, e divisava com o Patrimônio de Santo Antonio.
Em 1879 Santa Cruz era servida por oito praças (RG BN 1024, 1879/1880: A 12-13), sendo Nicolau Tolentino Roiz¨ ou Rodrigues Barreiros, o 1º Suplente de Delegado. Apesar do razoável contingente e autoridade policial em exercício, o prédio que abrigava o conjunto delegacia/cadeia, não era seguro para abrigar presos. 
O Relatório de Governo de 1880 informa dívida com o senhor Valentim José Theodoro pelo "aluguel de uma casa que servio de prisão em Santa Cruz do Rio Pardo" (RG BN 1025, 1880/1881: A 96, Relação da Dívida da Província de São Paulo, exercícios de 1878, 1879 e 1880). 
Desde 1880 buscava-se numa nova cadeia. Aos 24 de fevereiro de 1880, o Governo da Província de São Paulo remetia oficialmente à Assembléia Provincial, carta em anexo do Juízo de Direito da Comarca de Lençóis Paulista ao Delegado Geral de Polícia, reclamando "sobre a necessidade de uma quota no Orçamento Provincial para a construção de uma cadea na séde da Comarca – e de uma prisão regular em Santa Cruz do Rio Pardo." (ALESP, CF 080_1831).
Em março de 1880, por Ato da Presidência da Província de São Paulo foi nomeado o primeiro Delegado de Polícia de Santa Cruz, que se tem notícia oficial: 
-"Em 15 do corrente foram nomeadas para os Termos de (...), Santa Cruz do Rio Pardo, as seguintes autoridades policiaes":
-"Delegado:" 
-"O actual 1º supplente, Nicoláu Tolentino Rodrigues Barreiros."
-"Supplentes:"
-"1º Fortunato Rodrigues da Costa."
-"2º José Antonio de Oliveira"
-"3º Manoel Candido da Silva."
-"Subdelegado:"
-"Joaquim Francisco da Silva."
-"Supplentes:
-2º Francisco Pereira Alvim."
"3ª Bernardino José de Senne."
-"(...)." (Correio Paulistano, Ano 27 nº 6994, 18 de março de 1880: 2).
Os cargos de subdelegado e seus suplentes eram destinados a São Pedro do Turvo (Nota dos autores). 
A nomeação de Tolentino para Delegado gerou polêmica e denúncias. Teria sido réu e condenado em processo contra ele movido em Tatuí – SP, o que o impediria para o cargo, não obstante a nomeação (Correio Paulistano, 29/12/1880: 1, referente correspondência de 04 de dezembro de 1880). 
Tolentino já estaria demissionário, por não suportar a pressão ou o despertar das autoridades, e por Ato da Presidência de São Paulo, de 31 de dezembro de 1880, foi nomeado Delegado de Polícia o Sr. Francisco Antonio de Castro para Santa Cruz do Rio Pardo, cargo vago (Correio Paulistano, 05/01/1881: 2).
Ato Presidencial da Província de São Paulo, de 21 de fevereiro de 1881, nomeou os suplentes de delegado: Firmino Silveiro de Andrade e José Martiniano Goulart (Correio Paulistano, Ano XXVIII nº 7271, 25 de fevereiro de 1881: 2). Fermino, no entanto, foi exonerado de 1º Suplente de Delegado, por ser filho do 2º Suplente de Juiz Municipal, Raphael Silverio de Andrade (Correio Paulistano, 18/06/1881: 2).
A situação de Castro, antes nomeado para Agente do Correio local e depois exonerado, para assumir o cargo de Delegado de Polícia, complicou-se nesta ultima função, por denúncia cidadã publicada aos 11 de agosto de 1881 (Correio Paulistano), pela prática de arbitrariedades, como a violência contra cidadãos, invasões de domicílios sem ordens da justiça, os mantidos encarcerados já com habeas-corpus, os presos [condenados] encorrentados e arrastados pelas ruas, execução de detido já dominado, de execução de suspeito de crime e prisão [inocente] da viúva, entre outras execrações públicas de suspeitos.
A Câmara Municipal também não o perdoava pelas arbitrariedades cometidas contra cidadãos de bem, e desta forma a ratificar as denúncias populares (Vicente Bezerra Machado e Joaquim Francisco da Silva, em defesa do Delegado Castro numa denúncia contra a Câmara, apud Correio Paulistano, 12/11/1881: 1). 
Castro não resistiu às acusações e solicitou exoneração do cargo (Correio Paulistano, 10/02/ 1882: 1).
Em 1882 a Assembléia Provincial de São Paulo discutia a construção de prédio público para a instalação da cadeia. O Deputado Emygdio José da Piedade apresentou o Projeto nº 18, de 20 de janeiro de 1882 "Fica o Governo da Provincia authorisado a dispender desde já, ate a quantia de 4:000:000R$ com a construcção de uma casa que sirva para Cadeia e quartel na Villa de Santa Crus do Rio Pardo".
Sem efetivas atenções, em 06 de fevereiro de 1882, o Delegado Geral de Polícia da Província de São Paulo encaminhou à Presidência da Assembléia cópia da carta denúncia e reivindicatória do Juiz de Direito da Comarca de Lençóis Paulista, Dr. Joaquim Antonio do Amaral Gurgel, da situação da cadeia pública de Santa Cruz do Rio Pardo e da sede, com necessidades urgentes de providências, especificando que "a Cadéa do Termo de Santa Cruz do Rio Pardo não tem menor segurança eis o motivo que todos os annos há fuga de Presos dessa cadéa." (ALESP, CF 82_85.1). Em Lençóis Paulista, denunciava o Meritíssimo Juiz, naquele mesmo documento, que à noite amarravam-se os presos em correntes para evitar fugas.
Enfim, por ato oficial de 06 de novembro de 1882, o Governo de São Paulo autorizou a previsão de recursos no valor de 2:000$000 para a construção de imóvel para a "Cadeia da Villa de Santa Cruz do Rio Pardo." (RG BN 1027, 1882/1883:38 – Mapa SN). 
A obra seria abrangente para "Cadeia e casa da camara da villa de Santa Cruz do Rio Pardo – em 26 de novembro sobre proposta da directoria geral das obras publicas, nomeei uma comissão para dirigir as obras da cadeia e casa de camara d’esta villa, à qual mandei empregar a quantia de 3:000$000, consignada na tabella 2ª para as mesmas obras." (RG BN 1028, 1883/1884: 81).
O prédio à atual Praça Deputado Dr. Pedro Cesar Sampaio, defronte à Rua Catarina Etsuko Umezu, seria assobradado e construído em madeira, construção iniciada com a liberação de 2:000$000 pelo Governo Provincial (RG BN 1028, 1883/1884: 81), e mais 1:000$000, no período de 31 de outubro de 1884 a 30 de abril de 1885 (RG U 1135, 1885/1885: 24). 
Jacob Antonio Molitor era o Subdelegado de Polícia em exercício, marcado pela truculência e prevaricação contra a população, inclusive apontado por impor constrangimentos a cidadãos conceituados. Tal cidadão investido de autoridade foi denunciado ao Governo Provincial pela Câmara Municipal, através de ofício de 1º de agosto de 1884, narrando fatos que dito delegado em exercício e o soldado, certo João Mariano, cometeram práticas de atos hostis contra o Presidente da Câmara, Vereador Luiz Antonio Rodrigues, contra o Secretário da Câmara, Augusto César da Piedade, e contra o Professor, Godofredo Piedade, barrados todos grosseiramente quando em visitas às obras do prédio da Delegacia (Câmara, Livro de Ofícios, 1884). 
Com a elevação de Santa Cruz do Rio Pardo à condição Comarca [Lei Provincial nº 7, de 13 de fevereiro de 1884], referida construção integralmente à expensas do cofre provincial, sofreria algumas alterações quanto ao projeto original, e, assim, foi apresentado em 1885: 
-"Cadêa de Santa Cruz do Rio Pardo."
-"A Cadêa d’esta Villa, foi construida a expensas do Cofre Provincial; mas não está concluída. Serve ao mesmo tempo de quartel, casa das audiencias, do Jury, e trabalhos eleitoraes."
-"No pavimento térreo tem, na frente, duas prisões e o corpo da guarda, e no fundo, o quartel do destacamento."
-"Para conclusão deste edificio falta fazerem-se os forros das salas do pavimento superior, envidraçar as janellas, collocar uma escada, fazer uma parede de pedras por baixo do baldrame, e calçar o passeio em roda." (RG BN 1030, 1885/1886: A 7-29). 
Antes do término da obra foi noticiado pelo Governo da Província de São Paulo fugas de presos da cadeia velha, em duas ocorrências, uma na noite de 09 para 10 de abril de 1885, por meio de arrombamento, com a evasão de Ignácio Gonçalves dos Santos, preso por tentativa de homicídio; e a outra na noite de 03 para 04 de setembro do mesmo ano, também por arrombamento, escapando os detentos Fortunato José Gonçalves Junior e José Gonçalves Duarte, sendo conivente na fuga o soldado José Sebastião Domingues (RG BN 1030, 1885/1886: A 7-15). 
Do preso Fortunato o mesmo cometera assassinato "Na Freguesia de S. Pedro do Turvo, Fortunato de tal assassinou seu irmão José Fotunato. Chegando no lugar do conflicto um irmão do réo e da victima, de nome Pedro, e encontrando alli o Inspector de quarteirão Maxiamiano de Figueirêdo que, fôra ao lugar com o fim de manter a ordem, descarregou no mesmo Inspector a arma de fogo que trazia; suppondo ser elle o autor da morte do seu irmão José." (RG BN 1024, 1879/1880:A 12-23). O Inspetor não morreu e foram presos o pai dos criminosos e os mesmos – Fortunato e Pedro – por tentativa de homicídio. Segundo dados do Governo Provincial, naquele ano ocorreram três prisões em Santa Cruz do Rio Pardo.
Com a urgência necessária para a conclusão das obras foram liberados os recursos, (RG BN 1031, 1886/1887: A 6-31), e no mesmo ano o edifício estava pronto. Sem nenhum órgão de imprensa na época, nada se sabe de festejos e transferências, senão apenas nota lacônica do Governo de São Paulo que a obra estava concluída (RG BN 1031, 1886/1887: A 6-9).
Com as novas instalações o prédio tornou-se referencia dos poderes e da polícia, símbolos da lei, da ordem e da segurança pública, sendo Presidente da Câmara e Intendente Municipal, o Vereador Arlindo Crescêncio Piedade em 1887, substituído pelo Vereador Bernardino Antonio de Lima Pereira, no ano de 1888. Jacob Antonio Molitor manteve-se no cargo de Subdelegado de Polícia.
O edifício, construído em madeira, não era seguro para o propósito em abrigar presos, e, assim, colocava em risco a segurança de todos. Já 1888 procedeu-se a primeira reparação do prédio, autorização em 07 de junho daquele ano (RG U 1141, 1888/1888: 20).
Doravante uma sucessão de reparos e notícias de fugas de presos. Nestas justificativas, em 1893 a Câmara Municipal solicitou do Governo do Estado verba para construção de uma nova cadeia (DOSP, 16/02/1893: 7).
A situação era positivamente crítica e suspeitosa: o carcereiro Miguel Antonio de Souza i nomeado em 22 de dezembro de 1893 (DOSP, 28/12/1893: 2), menos de um mês e seria exonerado (DOSP, 18/01/1894: 4), para três anos depois retornar ao cargo e, novamente, ser exonerado e em seu lugar assumir Antonio Pereira Coutinho (DOSP, 24/01/1897: 3).
A Câmara pressionava o Governo, através de ofícios, para a construção de edifício que servisse de cadeia no lugar (DOSP, 05/03/1893: 2). Mais de um ano sem solução alguma, o engenheiro Vereador Dr. Francelino Faria da Motta requereu da Câmara providências junto ao Governo Estadual a urgente construção de um edifício público para a cadeia, pois "que a cadeia desta Villa não era suficiente para a segurança." (Câmara, Livro Ata, 1894: 43), e o discurso repetia-se através das ratificações camarárias quanto a necessidade de "construção de uma cadeia, visto que a existente acha-se em estado imprestável." (DOSP, 01/05/1895: 9-10), fazendo com que o Governo de São Paulo, em caráter emergencial, alugasse imóvel de Manoel Herculano Leite para servir de "cadeia e quartel" (DOSP, 29/03/1896: 3), prédio que seria na esquina da Avenida Tiradentes com a Travessa Manoel Herculano.
Apenas em 1895 o Governo do Estado de São Paulo decidiu a construção de uma nova cadeia, de segunda classe, determinando recursos para as fundações e alicerces (DOSP, 28/11/1895: 7), e as obras autorizadas já concluídas em junho de 1896 conforme o empreiteiro Henrique Brenel "pedindo um engenheiro para examinar a escavação para a construcção do edificio para a Cadeia e Casa da Camara em Santa Cruz do Rio Pardo, e tambem indemnização de 1:000$000 por prejuizo que diz ter soffrido com a demora da ida de um engenheiro para examinar as obras." (DOESP, 14 de junho de 1896: 10).
Seguidas publicações em Diário Oficial do Estado mostram problemas diversos com prejuízos ao andamento das obras. O dinheiro era pouco, a fiscalização necessária pela engenharia do governo era morosa, e a Câmara reclamava a demora.  
A segunda etapa das obras voltou-se para a "fundação do solo, muro de fecho, latrinas e o respectivo abastecimento de água na Cadeia de Santa Cruz do Rio Pardo." (DOSP, 17/09/1896). 
Os serviços de engenharia estavam a cargo de Constante Trevisani, sob a fiscalização do governo. O engenheiro local e o empreiteiro desentenderam-se "De Constante Trevisani declarando que tendo o empreiteiro das obras da cadeia de Santa Cruz do Rio Pardo abandonado as obras pede assignar o contracto das mesmas." (DOSP, 30/12/1896: 12). O Governo optou pelos engenheiros empreiteiros Julio Chiesa e Antonio Senisi ou Cenisi.
Quase quatro anos depois, a obra estava tecnicamente concluída, porém com embaraços:
-"Requerimento despachado"
-"De Julio Chiesa e Antonio Senise, pedindo o pagamento de 1:058$495, que indevidamente não receberam pela alteração feita no orçamento das obras da construcção da cadeia de Santa Cruz do Rio Pardo, da qual são contractantes. – Considerando que as obras foram à concorrencia publica pelo orçamento do engenheiro Gonzaga Martins, e que, baseados nas quantidades de obras e preços orçamentarios, foi que os empreiteiros apresentaram sua proposta e assignaram o contracto respectivo: considerando que, uma vez feito o contracto pelo referido orçamento, não era licito à Superintendencia, salvo o caso do artigo 97 do regulamento de obras publicas, mandar proceder a nova avaliação e orçamento das obras, para obrigar os empreiteiros a esse novo orçamento; considerando que, não se tratava da hypothese do artigo 97, porquanto não se cogitou de modificar ou alterar o plano das obras, e sim simplesmente de orçar obras necessarias que não haviam sido contempladas no primitivo orçamento; considerando que, por essa nova avaliação, obras orçadas em 1:622$720 no 1º orçamento, o foram em 1:431$712 no 2º, e isso por divergencia de apreciação entre engenheiros; considerando que, sem essas divergencias a cujas consequencias não devem estar sujeitos os empreiteiros, seria de 1:761$520 a differença entre o nº 1º e 2º orçamentos, e não somente de 1:260$812 para obras accrescidas; considerando, à vista disso, que a differença entre estas duas parcelas (501$008) representa uma soma indevidamente tirada do 1º orçamento em prejuizo dos empreiteiros; considerando, por outro lado, que estes collocaram 4 portas de almofadas envernizadas, com fechos e ferragens nickelados, nos 4 janellões do salão, e que estes serviços, embora não contemplados no orçamento, foram julgados de grande utilidade para o edificio, e avaliados, termo médio, em 610$000 pelo sub-director da Superintendencia, resolvo deferir a presente petição, para o fim de ser paga aos requerentes a quantia reclamada de 1:058$495, e, nesse sentido, mando que se faça o necessario expediente." (DOSP, 08/01/1901: 7). 
Aos 17 de janeiro de 1901 o Governo autorizou o pagamento aos empreiteiros, e dando por concluída as obras da cadeia de Santa Cruz do Rio Pardo (DOSP, 17 de janeiro de 1901: 13). 
Após dias chuvosos desde 09 de janeiro de 1901, "No dia 12 do corrente ás 8 horas da noite realisou a camara municipal, sob a presidencia do sr. coronel João Baptista Botelho, uma sessão magna para inauguração official da cadêa nova e collocação do retrato do exmo. dr. José Alves de Cerqueira Cesar no salão nobre a mesma camara" (O Estado de São Paulo, edição de 21 de janeiro de 1901: 1). 
Estiveram presentes na solenidade os coronéis regionais e autoridades diversas, com destaques para a ausência de Julio de Cerqueira Cesar residente em Santa Cruz do Rio Pardo, filho do homenageado, por moléstia em pessoa da família; e também o Juiz de Direito da Comarca, Dr. Augusto José da Costa, que não compareceu "e nem nenhum membro de sua exma. familia, o que não deixou de provocar commentarios tanto mais quanto a mesma ausencia notou-se nas eleições do dia 31 de dezembro", insinuações quanto a divisão política perrepista local. 
Não foi dada nenhuma referência ao outro filho do Dr. Cerqueira Cesar, o Capitão José Alves de Cerqueira Cesar Filho, também residente em Santa Cruz.
Dois anos após, numa informação pelo hebdomadário local, Correio do Sertão, em 1903, outros esclarecimentos daquela inauguração e as consequências políticas: 
-"que quando se inaugurou o edificio que serve de casa de camara e de Forum nesta localidade, o retrato do exmo. dr. José Alves da Cerqueira Cesar, foi collocado no salão nobre onde são realisadas as audiencias do juizo e as sessões do tribunal do jury de da camara municipal."
-"Para esse fim a camara passada, de que era presidente o coronel João Baptista Botelho, de saudosa memoria, realizou uma sessão extraordinária, à noute, na qual fizeram se ouvir diversos oradores, entre os quaes o dr. Cleophano Pitaguary de Araujo e o conego João Antonio da Costa Bueno, então vigario da parochia. A sessão esteve concorridissima, e, em seguida à sessão, teve logar no edificio inaugurado um explendido baile, que prolongou-se atè a madrugada." 
-"(...)."
-"À collocação do retrato do exmo. dr. José Alves de Cerqueira Cesar foi feita, pois, da maneira a mais solemne."
-"(...)."
-"Pois bem: esssa camara que ahi está desgovernando o municipio e prostituindo as normas republicanas nesta localidade, há mais de dous mezes praticou uma baixeza, uma infamia, uma villania sem nome, retirando o retrato do venerando e immaculado chefe republicano do logar onde havia sido collocado, para atiral-o no assoalho, em um canto do quarto onde delibera o conselho secreto de sentença do tribunal do jury!!"
-"(...)."
-"Agora, para completar a obra, o que a camara ou essa gente que ahi está deve fazer é mandar collocar no logar onde se achava o retrato do exmo. dr. José Alves de Cerqueira Cesar o retrato do dr. Francisco Sodré, presidente da camara; em frente do retrato deste, o do vereador e delegado Fernando Eugenio; aos lados dos retratos deste e do daquelle os retratos de quaesquer zés sebastiões e jacobs."
-"Sim, porque o exmo. dr. José Alves de Cerqueira Cesar, por isso que tem seu retrato gravado no coração de todo o povo desta zona, dispensa de tel-o em um edificio onde a camara presidida pelo dr. Francisco Sodré està se celebrisando pelas violencias, illegalidades e extorções contra o povo. Que villania!"
-"NOTA - Já estava composto este artigo, quando fomos informados de que o retrato havia sido novamente collocado no salão do jury. É que algum espirito santo de orelha levou ao conhecimento dos taes que pretendíamos estigmatizar o facto. Em todo caso a villania consummou-se." (Correio do Sertão, 28/03/1903: 2).
Essa deferência de Botelho a Cerqueira Cesar ação de homenagem ou ato de desagravo, em 1901, mais que a confirmação da dissidência dentro do Partido Republicano Paulista foi pomo de discórdia familiar somente anos depois superada, pois que o Dr. Cerqueira Cesar era pai de Julio de Cerqueira Cesar, genro do Dr. Antonio José da Costa Junior, e concunhado do Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, que apoiaram as decisões de Campos Salles e de Rodrigues Alves em prejuízo ao próprio Dr. Cerqueira Cesar. 
Cadeia inaugurada, presos postos e pelo menos uma detenta acusada de assassinar o próprio marido, a qual em 1902 entrou para o noticiário policial do Correio do Sertão com a seguinte matéria: 
-"Tentativa de evasão."
-"Idalina Maria de Jesus, presa na cadêa desta cidade, por ter assassinado seu marido, tentou na noite de hontem [09 de maio de 1902], evadir-se, cavando, com uma tezoura, o muro por baixo de uma janella, logar que, ha dias molhava. Tirado todo o reboco encontrou Idalina grossa barra de madeira que a fez desanimar; então, poz se a gritar que estavam arrombando a prisão para mata-la. Accudiu o guarda e, chamado o sr. delegado de policia, confessou-lhe Idalina o que acima ficou dito." (Correio do Sertão, 10/05/1902: 2).
Vinte e dois dias depois, Idalina voltaria ao noticiário policial em razão de suicídio, e seu sepultamento ocorreu em Santa Cruz do Rio Pardo ao 1º dia de junho de 1902, com grande afluência de público, inclusive autoridades como o Juiz de Direito, Promotor Público, Delegado de Polícia, todo o destacamento policial e principais políticos (Correio do Sertão, 07/06/1902: 2).
Dos acontecimentos com Idalina, uma interessante versão descrita por Ri-os (2004: 33):
-"Uma mulher de uma família rica de Lençóes, matara o marido e estava presa, para responder juri. Os irmãos falaram com o delegado, e como eram ricos, ofereceram uma boa soma a autoridade para livrar a irmã do processo. O único jeito para ninguém mais tocar no assunto, era se a mesma morresse na cadeia. Simularam então o enterro, recolhendo à cadeia um caixão e dentro dele um tronco de bananeira. Em seguida soltariam a mulher, às escondidas, e para a cova ia o caixão com a bananeira. A acusada ia para Lençóes e ninguém mais falaria no assunto." 
O mesmo Rios apontaria, em seguida, o epílogo: "Assim combinaram, assim foi feito. Para a cova o caixão com a bananeira dentro. Para Lençóes a mulher, e para as barrancas do Rio do Peixe, onde se fez grande fazendeiro, o Delegado...".
O Delegado em questão era o Alferes Benedicto Mariano das Chagas Junior, dispensado sumariamente do cargo em comissão (Delegado) pelo Governo do Estado, por favorecimento aos mandatários onde prestava seus serviços. O Correio do Sertão de 28 de junho de 1902 informou a dispensa, não a causa, e ratifica notícia em sua edição de 12 de julho do mesmo ano.
Aos 12 de setembro de 1903 o mesmo Correio do Sertão noticia a prisão do Alferes Chagas Junior, em Rio Claro – SP, e sua condução a Capital. O hebdomadário não informa a data da prisão, mas naquele 12 de setembro de 1903, por Ato do Poder Executivo do Estado de São Paulo, Secretaria da Justiça, o Alferes foi demitido, a bem do serviço público, também do cargo de Alferes do 1º Batalhão da Força Policial (DOSP, 13/09/1903: 1), assunto que o 'Correio do Sertão', ao mencionar os arbitrários de Santa Cruz " alguns delles, por isso que ha uma justiça na historia, ja tiveram a divida paga, como o ex-alferes Chagas Junior, que foi expulso do corpo policial do Estado não lhe tendo valido o ter sido instrumento inconsciente dos mandões locaes outros ..." (28/11/1903: 2).
Em 1921 Chagas Junior ainda era lembrado em Santa Cruz do Rio Pardo como delegado opressor (Cidade de Santa Cruz, 24/06/1921: 1), ao informar da briga partidária existente no lugar: "Dois Partidos: (...). Porque não tiveram no decurso de vinte annos um gesto digno como o do partido chefiado pelo cel. Antonio Evangelista da Silva quando afrontou o despotismo que tinha a seu lado sessenta praças commandadas por Chagas Junior, o terror dos tempos passados?" Certamente exagerou o articulista quanto ao número de subordinados ao Delegado, pois Santa Cruz do Rio Pardo jamais teve, naqueles tempos, sessenta praças.
Ao longo dos anos outras fugas seriam tentadas no denominado cadeião, algumas exitosas. 
A cadeia, em 1902, serviu para o abrigo dois 'loucos' - alienados mentais, a italiana Cecília que por lá ficou algum tempo, após sua transferência da velha cadeia até o internamento em Juqueri, e um homem "louco, o qual alli sofre horrivelmente, e, com suas extravagancias grande incomodo causa aos demais presos e ao publico" (Correio do Sertão, 29/11/1902: 1).
Algumas fotografias daquele edifício público revelam uma obra diferente, de duvidoso gosto arquitetônico para os padrões atuais, porém considerado pelo engenheiro Cornélio Schmidt, em 1904"uma bonita cadeia" (Diário de uma viagem pelo sertão de São Paulo, realizada em 1904, publicação Governo do Estado de São Paulo, Anais do Museu Paulista, Tomo XV, 1961). 
Cornélio Schmidt, engenheiro nascido no Rio de Janeiro, tornou-se famoso pelo seu diário de impressões e apontamentos históricos numa viagem pelo sertão paulista, em 1904, acompanhando o americano Thomaz Canty, que cuidava de interesses dos Estados Unidos na América do Sul para instalação de núcleo de colonização. Schmidt foi o mais profundo conhecedor do sertão paulista de sua época, e teve propriedade em Santa Cruz do Rio Pardo, com 42 alqueires de terras - sua parte em sociedade com mulheres - Clotilde, Francisca e Zoraide, que foi a leilão, de acordo com edital do Juízo de Direito da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, de 04 de maio de 1915 (O Contemporaneo, 08/05/ 1915: 3).
Numa descrição técnica em 1923 revela o prédio bastante destacado das demais construções santacruzenses, quando "todas tem que luctar com um flagelo maior de Santa Cruz - falta de exgotos e água encanada", a cadeia era privilegiada com tais melhoramentos somente vistos no Grupo Escolar, construção de 1915: "porquanto fora a cadeia é o único prédio que tem uma rede de exgoto e agua encanada." - (LC Sodré, 1923: 24 e 30, respectivamente).
No entendimento de LC Sodré, os funcionários das repartições públicas instaladas naquele edifício, além dos presos, todos tinham conforto e higiene que nenhuma residência possuía em Santa Cruz do Rio Pardo, nem onde os doentes eram tratados.
Até para melhor compreensão dos valores comparativos, LC Sodré informou, à página 57, que no edifício da Santa Casa, em funcionamento a partir de 1920, "A agua usada pelo estabelecimento é retirada por meio de uma bomba de um poço feito no proprio local. As latrinas são patente porem os detritos são lançados por meio de encanamento a uma fossa fixa situada em um canto do terreno, nos fundos da Santa Casa". 
Em 1936 a Câmara Municipal discutia a aquisição de quatro datas de terras, à então Avenida Silva Jardim [atual Cyro de Mello Camarinha] para edificação de novo prédio para a cadeia bem como a reconstrução do atual, com ampla acomodações para todos os cartórios nele existentes ou necessários (Câmara , Parecer Legislativo de 9, sessão extraordinária de 10 de outubro de 1936).
Nos anos de 1940 o prédio estava obsoleto, deteriorado, desconfortável, fedonho e sem higiene alguma, com nenhuma importância arquitetural a ser preservada, funcionando ali, precariamente, apenas o Fórum no andar superior, e no térreo a carceragem e cadeia. 
Desde 1910 a Câmara Municipal e a Intendência/Prefeitura estavam em prédio próprio onde funcionou a Câmara até próximo o final de 2012; e em 1939 a Delegacia de Polícia, de 3ª categoria, funcionava na Avenida Tiradentes, nº 153, sob a titularidade do delegado Roque Arnobio (Prefeitura, Relatório de Governo, janeiro 1940), pouco depois transferida para Rua Benjamin Constant, esquina da Rua Marechal Bittencourt, local demolido e, com outra construção, agora ocupado por empresa de estacionamento – compra e venda de veículos.
Foi no ano de 1947 que se pensou em demolir aquele prédio da velha Cadeia e construir um novo, em outro lugar, decorrido de denúncia pelo semanário 'A Cidade' (09/03/1947: 1), matéria intitulada "Uma Tremenda Batalha de Higiene", fundamentada numa carta que a redação recebera dos encarcerados, reclamando "claramente a miseria, o desconforto, o desleixo, o abandono moral e material em que se acham os detentos da Cadeia Pública de Santa Cruz do Rio Pardo." 
Um trecho da carta dizia: "Nesta cadeia o carcereiro é o nosso medico, é também o nosso dentista e o nosso barbeiro!..", e o repórter redator exaltava a figura do policial guardião transmitindo o sentimento dos missivistas: "Eles ressaltam, eles defendem, eles glorificam, mesmo a pessôa do carcereiro, que tudo faz para minorar-lhes o sofrimento, chegando mesmo a mandar fazer por sua propria conta, alguns concertos mais urgentes."
O delegado na época, Nelson Otávio Leitão, procurado pela reportagem do hebdomadário, "declarou-nos ser do seu conhecimento esses fatos mas que nada poderia fazer, pois aguardava a construção de um novo prédio."
A opinião daquele órgão de imprensa era que, diante da denúncia dos presos e o reconhecimento do delegado, inclusive quanto à necessidade um novo prédio, a situação premente "não podia ficar para ser solucionada nestes 3 ou 4 anos esperando esta construção, procuramos o snr. Mario Botelho do Amaral, digno prefeito municipal."
O Prefeito, em exercício, Mario Botelho do Amaral "imediatamente autorizou o nosso jornal a verificar a urgencia dos reparos, o que fizemos, fazendo uma visita à cadeia para verificar o fato. (...). O que ali vimos é desolador. Os encarcerados vivem mesmo 'dentro de um verdadeiro chiqueiro!'-." 
Após a constatação dos fatos, "O snr. Prefeito Municipal já autorizou o inicio dos serviços nos xadrezes, o que será feito amanhã, segunda feira".
Conhecedores da velha cadeia diziam que o prédio da mesma ainda estava lá na Praça, no final dos anos de 1940, fétido, insalubre e em ruínas, "com enorme rachadura transversal, praticamente em toda extensão da parede lateral, à direita do observador, notada de longe" (Noir Rodrigues, colaborador). 
A despeito da reforma do prédio de abrigo ao Fórum e Cadeia Pública, promovida pelo prefeito Mario Botelho do Amaral em 1947, compreendia-se que o destino do velho edifício seria mesmo a demolição, e novas construções seriam erguidas onde ainda os restos do antigo cemitério.
O prefeito Lúcio Casanova Neto [gestão 1948/1951] tomou as primeiras providências para a construção dos edifícios públicos do Fórum e da Delegacia de Polícia, esta conjuntamente com a Cadeia Pública, conveniando o terreno do cemitério desativado com o Governo do Estado de São Paulo – Secretarias da Justiça e da Segurança Pública, respectivamente, para aquelas finalidades.
Lucio, que sabia não ser fácil derrubar os últimos túmulos, fez limpar o terreno para uso como depósito de paralelepípedos, até que numa determinada ocasião fez remover tudo, inclusive os velhos sepulcros, e assim a preparar o terreno para imediato início das construções. 
As edificações, pela Secretaria de Viação e Obras Públicas do Governo do Estado de São Paulo, com a participação da Municipalidade, demorariam três ou quatro anos, enquanto o antigo edifício sustentado à custa de sucessivos reparos, foi desocupado, os presos transferidos, e o Fórum passou a funcionar em prédio alugado, à rua Conselheiro Antonio Prado nº 638 (O Regional, 18/04/1954: 3).
Priorizaram-se a Delegacia de Polícia e Cadeia Pública, obras iniciadas ainda no governo municipal de Lucio Casanova Neto e coube ao seu sucessor, Dr. Cyro de Mello Camarinha (1952 - 1955) concluir as obras de tal edifício publico, que aos 27 de abril de 1952:
-"Encontra-se devidamente instalada em novo edifício A Delegacia de Policia e Cadeia de Santa Cruz do Rio Pardo." 
-"Em visita feita pelo nosso enviado, foi nos dado a conhecer todas as dependencias do predio especialmente construido para a Repartição Policial local."
-"Funciona agora no referido edificio da Av. Silva Jardim, também a D.S.T. [Departamento de Serviço do Trânsito]. Constatou nossa reportagem as satisfação dos funcionarios e mesmo do snr. Delegado pela ja taria mudança."
-"Informou-nos o Dr. Ereovaldo que os presos que se encontram em Botucatu, serão transferidos, ficando assim nossa cadeia com 40 presos mais ou menos." (O Regional, ano I nº 38, de 27 de abril de 1952: 1-2).
Da Cadeia Pública, a título informativo, aos 21 de abril de 1954, foi inaugurada biblioteca "(...) destinada aos presos que nem cumprem pena." (O Regional, Ano III nº 139, Atividades Regeneradoras, 25 de abril de 1954: 1).
O prefeito Cyro fez incluir ao prédio, por conta da Secretaria da Viação e Obras Públicas do Governo do Estado de São Paulo, um reservatório térreo de água e instalação do conjunto bomba-motor para a Cadeia Pública (Lei Municipal nº 29, de 11 de dezembro de 1952), enquanto mantinha a continuidade das obras referentes ao Fórum.
Aos 11 de setembro de 1954 foi inaugurado o edifício do Fórum, pelo então Governador do Estado de São Paulo, Dr. Lucas Nogueira Garcez, conforme placa alusiva ao acontecimento. Na oportunidade, também foi inaugurada pelo Governador Garcez a atual [por referência o ano de 2010] ponte sobre o Rio Pardo.
6. Agência Postal
A história do correio no interior paulista tem data de 24 de setembro de 1800, através de "Alvará mandando criar correio na vila de Porto Feliz, por Alvará de Castro e Mendonça: Trata-se do primeiro correio oficialmente instalado no interior da Província de São Paulo." (Baylongue e Ribeiro Junior, 2003: artigo 3 - Feliesp).
Mais de meio século depois, o Correio ainda não havia chegado a Botucatu, onde instalado apenas no ano de 1858 (Donato, 1985: 123). Era uma conquista difícil, tanto que em 1862 nem Lençóis Paulista e nem São Domingos, sentinelas avançadas do sertão, possuíam agências postais, recrutando-se estafetas particulares para o leva e trás de correspondências até Botucatu. 
Santa Cruz tinha problemas em receber expedientes oficiais – atos de governo, documentos pessoais ou de informalidades entre pessoas. Os serviços eram prestados por tropeiros, mascates ou algum viajante, sem a obrigação formal de resultados. 
Somente no ano de 1876, Santa Cruz, já na condição de vila, recebeu o benefício de possuir uma Agência Postal (Rios, 2004: Introdução), com serviços de transporte do correio até São José do Rio Novo [Campos Novos Paulista]. 
O primeiro Agente do Correio local foi o Coronel Emygdio José da Piedade, recém-morador no local (Aluízio de Almeida, abril / junho de 1960: 53 - Volume 247: 3-65), demitido do cargo, por conveniência política, em 1879, e substituído pelo chefe local do Partido Liberal, Joaquim José Botelho (Correio Paulistano, 02/10/1879: 2, informe do próprio Piedade).
Em 1881, por Ato da Presidência da Província de São Paulo em 30 de junho e 1º de julho de 1881, foi declarado sem efeito a nomeação de Francisco Antonio de Castro para Agente do Correio local, em razão de sua nomeação para o cargo de Delegado de Polícia, enquanto para o cargo de Agente nomeado José Sebastião de Almeida (Correio Paulistano, Ano XXVIII nº 7373, 06 de julho de 1881: 2).
O Correio apresentava dificuldades, de certa gravidade, quanto às entregas de malas na Agência de Santa Cruz, conforme reclamação popular publicada pelo 'Correio Paulistano' (24/12/1881: 1-2):
-"No dia 17 do corrente mez devendo o estafeta conductor das malas que da agencia do correio de Santa Barbara são dirigidas à agencias desta villa, Espirito Santo, S. Pedro do Turvo e S. José do Rio Novo, receber nesta as malas expedidas não o fez, segundo somos informados, por ordem dos agentes de S. Pedro e S. José, pretextando ambos - ordem superior - para que o estafeta em seu regresso de S. Pedro não mais passasse por esta villa."
Até ao Delegado de Polícia, Francisco Antonio de Castro, foram declarado que a agência estaria suprimida. A Administração dos Correios – São Paulo, pelo seu representante José Francisco Soares, manifestou-se:
-"Desde 26 de novembro passado forão dadas por mim providencia sobre a irregularidade do serviço na linha de Santa Cruz do Rio Pardo (...)." (Correio Paulistano, 25/12/1881: 2). 
Os problemas do Correio eram antigos, desde sua instalação, motivos de constantes reclamações, diante dos atrasos das correspondências, mesmo com instalações de duas linhas, a partir de Botucatu, uma por atual Cerqueira Cesar (Três Ranchos) e outra por Lençóis Paulista, sem critérios de seleção. Por exemplo, a edição de um jornal de segunda feira, por Lençóis, chegava à quinta-feira, enquanto a edição de terça, por Cerqueira Cesar, estava em Santa Cruz na quarta-feira. Mas as distribuições eram aleatórias.
Por edital de outubro de 1891 o Correio Geral – Administração de São Paulo anuncia recebimento de proposta para serviços de entregas de postagens – terceirização para condução de malas, estando previstas para Santa Cruz do Rio Pardo cinco vezes ao mês, exercício de 1892 (DOSP, 20/10/1891: 5-6). 
Quase três décadas depois de sua instalação, os serviços de correios eram ineficientes, com desvios, perdas e devoluções constantes de correspondências. São muitas as reclamações publicadas pela imprensa, a destacar-se uma delas, em 1902 - na coluna intitulada Queixas do Povo:
-"Senhor Director do Correio do Sertão."
-"Pela Constituição Federal, artigo 74 § 2, todos são eguais perante a lei." 
-"Assim, porém, não entende os sr. Frediano Colli, agente do correio desta localidade, o qual no desempenho do seu cargo mostra preferencia por certas pessoas, ao passo que para outras só dá provas de má vontade, como podereis ver pelo facto que com toda a fidelidade passo a expor."
-"(...)." (Correio do Sertão, 24/05/1902: 2).
O reclamante esclarece que o senhor Frediano Colli, ao receber as malas do correio, abriu-as para entregar somente às pessoas de maior influência, mandando as demais pessoas procurar pelas suas correspondências no dia seguinte. Segundo a nota o referido agente sabia não haver expediente no dia seguinte, e tratou com deselegância aqueles que não foram atendidos.
-"Sendo o agente do correio um funccionario publico e, com o tal, recebendo vencimentos que saem do bolso de todos e não somente das pessoas privilegiadas, às quaes fez a entrega das correspondencias, por demais irregular e digno de censura é o procedimento que acaba ter para com o público."
Frediano Colli, o agente citado, também comerciante e um dos líderes da colônia italiana, foi posteriormente homenageado com o nome de uma das ruas da cidade.
Nos anos de 1940 o Correio funcionava num prédio à esquina das ruas Conselheiro Dantas com a Benjamin Constant, e, em 1949, pretendendo prédio próprio, o Prefeito Lucio Casanova Neto, pelo Decreto nº 21, de 15 de julho, desapropriou um terreno da família Barbosa (Adelaide, Cândido, Noêmia Carmem e Hercília e/ou sucessores) nas medias de 25 metros de frente por 35 de fundos, na esquina da atual Rua Farmacêutico Dr. Alziro de Souza Santos - defronte a Praça Deputado Leônidas Camarinha, com a Rua Coronel Julio Marcondes Salgado – antiga Rua Joaquim Manoel de Andrade ou Rua do Andrade, conforme mencionado expediente oficial.
O terreno foi doado à União para a construção de edifício para instalação de uma agência de serviços do Departamento de Correio e Telégrafos – DCT, autarquia que tornou-se Empresa de Correios e Telégrafos em 20 de março de 1969.
A construção ficou aos encargos profissionais do engenheiro José Carlos Nascimento Camarinha, sendo o engenheiro Píndaro Camarinha, Chefe do Serviço de Materiais dos Correios e Telégrafos, e Edie Galesso o Diretor do DCT regional de Bauru. Píndaro e José Carlos eram primos e sócios numa construtora responsável por diversas obras públicas relacionadas com as Agências Postais Telegráficas, sob suspeições de fraudes em licitações, desvios de verba pública e materiais entre outros ilícitos relacionados. O novo edifício foi concluído e entregue em 1952, no mesmo local onde atualmente instalado.
Das suspeições mencionadas às investigações policiais, em 1964 foram presos os engenheiros, José Carlos Nascimento Camarinha - então vice-prefeito em Santa Cruz, e Píndaro Camarinha, "(...) implicados em vultuosos desvios de dinheiro e materais do DCT. Ambos faziam parte de uma 'construtora' de novos prédios de agências postais telegráficas em numerosas cidades do interior" (O Regional, 06/09/1964: 1). Também foi preso, pelo mesmo motivo, o Diretor do DCT de Bauru, Edie Galesso.
A título complementação histórica, "A reportagem conseguiu apurar também que vários outros elementos ligados à família Camarinha faziam parte da 'construtora' de prédios do DCT, estando entre eles o sr. Cyro de Mello Carinha, advogado, e os pedreiros Vicente Ribeiro e Antonio Ribeiro Filho (Bulota). O Jornal bauruense Correio da Noroeste, edição de 03 de setembro de 1964 comentava: "Continuam as prisões dos funcionários ou engenheiros ligados à antiga direção dos Correios e Telégrafos em Bauru. Ontem, por determinação do major Benedito Rodrigues, foram recolhidos, incomunicáveis, à cadeia pública os engenheiros José Carlos Nascimento Camarinha, prefeito (sic) em exercício de Santa Cruz do Rio Pardo; Píndaro Camarinha, Diretor do Serviço de Materiais do DCT, no Rio [de Janeiro], e um funcionário da agencia local." (Apud O Regional, Ano III nº 189, 06 de setembro de 1964: 1). 
José Carlos Nascimento Camarinha estaria, também, implicado em obras de construção de ponte sobre o Rio Pardo, Rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó – a denominada Rodovia Ipaussu/ Bauru. Bulota tratava-se de figura folclórica na cidade, eleito uma vez Vereador e candidato derrotado para Prefeito em 1976, com apenas 431 votos.
7.  Termo de Comarca

Santa Cruz deixou de pertencer à Comarca de Botucatu para subordinar-se à recém-instalada Comarca de Lençóes, nos termos da Lei nº 25, de 07 de maio de 1877. 
Aparentemente Santa Cruz não conseguiu permanecer no Termo (subdivisão judiciária) de Avaré [Rio Novo], unido a Botucatu, enfrentando séria oposição política de Santa Bárbara do Rio Pardo quanto às suas pretensões.
Documento da Câmara Municipal de Santa Bárbara do Rio Pardo, atual Estância Hidromineral Águas de Santa Bárbara, de 1877, ao Governo da Província de São Paulo, denuncia e se mostra contrária à pretensão de Santa Cruz em pertencer ao Termo de Rio Novo [Avaré], o que evidencia a insatisfação santacruzense achar-se subordinada à Comarca de Lençóes:
-"Contando que os habitantes da Villa de Sta. Cruz do Rio Pardo pretendem por toda a força e sem fundamentos legais, aprezentarem a ‘V.Excia’ solicitando, a passagem daquele Municipio para o Termo do Rio Novo, so porque um ou dois individuos que se mostrão interessados tem seduzido a maior parte daquelles habitantes para assignarem suas reprezentações fundadas em falços prettestos a dispeito de não encontrarem nos santuarios da justiça do termo de Lençoes o apoio que almejão, para actos illicitos que tanto se reproduzem naquella localidade. (...)." - (ALESP, parte de expediente manuscrito em quatro laudas, EE 77.30.1).
Óbvia intriga política de Santa Bárbara, na época, em defesa de seus interesses, por sentir-se ameaçada de preterimento a Termo Reunido, em caso da anexação de Santa Cruz à Rio Novo, quando esta se tornasse Comarca. Por tal motivo ou não, Santa Cruz permaneceu subordinada a Lençóes. 
O ocorrido aponta que as discussões políticas e técnicas para as distribuições de Comarcas, na região, vinham, pelo menos, desde 1876. Sem Juiz de Direito, pois a comarca ainda demoraria ser implantada, Santa Cruz do Rio Pardo foi elevada a Termo da Comarca de Lençóes – Lençóis Paulista, através de Ato de 27 de setembro de 1877 do Governo da Província de São Paulo.
8.  Da formação jurídica municipal 
No meio dos enredados e a contragosto das autoridades de Lençóes, o Governo de São Paulo, por Ato de 27 de setembro de 1877, elevou Santa Cruz a Termo da Comarca, com isso relativa autonomia jurídica, com direito de nomeação de Juiz Municipal, com quadro a ser complementado com Júri Popular em processos criminais.
Ao juiz municipal cumpria substituir, no termo – ou seja, dentro dos limites do município, o juiz de direito, em suas faltas e impedimentos, e a execução, dentro do termo, das sentenças de juízes de direito ou decisões dos tribunais. 
Os juízes municipais tinham competência para o preparo de todos os feitos cíveis cujo julgamento competisse aos juízes de direito, e, bem assim, para o processo de decisão das causas cíveis entre valores estabelecidos – exceto nas comarcas especiais, com apelação para os juízes de direito. Podia executar, cumulativamente, a jurisdição policial.
O Governo de São Paulo apontou em Relatório de 1878, que "Nas villas da Piedade, S. João Baptista do Rio Verde, Una e Santa Cruz do Rio Pardo forão creados conselhos de jurados e fôro civil, por acto de 16 de Fevereiro, 1º e 6 de Março e 27 de setembro." (RG U 1127, 1877/1878: 7).
Já aos 27 de abril de 1878, o 'Diário de São Paulo' publicava notícia do resultado do primeiro julgamento judicial no Termo: "Custa crer, mas é verdade, que o novissimo juri de Santa Cruz do Rio Pardo, da tambem nova comarca de Lençoes, em sua primeira reunião, condemnasse á morte o infeliz Antonio Leonel de Souza", por enforcamento. 
O Diário insinua que os jurados todos tinham crimes por  tentativas, mandos e execuções homicidas. A superior instância evitou a morte do réu.
Registro de Governo, para o exercício de 1878 mesmo ano de publicação declara, "de conformidade com o § 2º do artigo 1º do Decreto 1668 de 5 de Janeiro de 1871, nomeei (...) José Manoel de Almeida, para Tabellião do publico judicial e notas e escrivão do cível e crime do Termo de Santa Cruz do Rio Pardo - Acto de 21 de Março, confirmado por Decreto de 25 de Maio. (...). Galdino Carlos da Silveira, para Escrivão de Orphãos e ausentes do mesmo Termo de Santa Cruz do Rio Pardo - Acto de 21 de Março, confirmado por Decreto de 25 de Maio." (RG BMIP 1022 , 1878/1878: 53-54).
Implementação gradativa. Em 11 de fevereiro de 1880, por Ato do Presidente da Província de São Paulo foram nomeados para Santa Cruz do Rio Pardo os Suplentes de Juiz Municipal e de Órfãos, os senhores 'Theodoro de Camargo Prado, Raphael Silverio de Andrade e Antonio José de Souza, primeiro, segundo e terceiro, respectivamente' (Correio Paulistano, Ano XXVII nº 6979, 29 de fevereiro de 1880: 2, com destaque dos autores).
Os suplentes quase sempre eram envolvidos em situações políticas, daí a grande rotatividade de nomeações e exonerações. Theodoro de Camargo Prado.
A efetividade do Termo ocorreu em outubro de 1880, com a nomeação do Juiz Municipal 'Antonio José da Rocha' (RG BN 1025, 1880/1881:241-242 Mapa S/N). 
Após Rocha foi nomeado Juiz Municipal o senhor Marcolino Pinto Cabral (RG BN 1027, 1882/1883: 12, confirmação em RG BN 1028, 1883/1884: 23).
Entre Rocha e Pinto Cabral assumira o cidadão Antonio José de Souza, como Juiz Municipal, 2º Suplente em exercício (Correio Paulistano, 24/10/1882: 1).
No ano de 1885, com a presença de Juiz de Direito para a Comarca de Lençóis Paulista, Pinto Cabral foi renomeado Juiz Municipal daquela Comarca mantendo exercício junto aos Termos de Santa Cruz do Rio Pardo e São José dos Campos Novos (Campos Novos Paulista), com nomeação de 30 de dezembro de 1885, data de exercício em 23 de janeiro de 1886 (RG BN 1033, 1888/1889: A 8 - 6).
Após Marcolino Pinto Cabral, o Coronel Emygdio José da Piedade assumiu o cargo de Juiz Municipal do Termo de Santa Cruz do Rio Pardo, sucedido pelo advogado Dr. Arlindo Vieira Paes em 1890, como 1º Substituto (CEDAP, Processo 10/1890, Forum III, 22 Caixa: 38/39), sendo Juiz de Direito (titular nomeado em 1890) o Dr. Augusto José da Costa. Vieira Paes foi exonerado por Decreto de 19, publicado em Diário Oficial do Estado de São Paulo – Justiça, aos 21 de maio de 1892, e em seu lugar designado Juiz Municipal o Capitão Bernardino Pereira Lima, mantendo-se o Dr. Costa como Juiz de Direito.
Quando o Coronel Emygdio José da Piedade era o Juiz Municipal deu-se a efetivação da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, com a publicação do Decreto 114, de 03 de janeiro de 1890, pelo Primeiro Governo Republicano.
8.1. Os Inspetores de Quarteirão 
Os Juízes de Paz tinham atribuições definidas em leis para o exercício de suas funções, como primeira instância dos pequenos litígios e delitos, além das decisões emergenciais na ausência dos Juízes Municipais e de Direito, determinando prisões, sobretudo infracionais ao Código de Posturas; decidir solturas ou dar ordens de encaminhamentos de presos para as cadeias referências. 
O Juiz de Paz para melhor eficiência dispunha de auxiliares para os cuidados com a população, um em cada quadra, por isso denominados Inspetores de Quarteirão.
Vinculado ao Juizado de Paz da localidade, o Inspetor de Quarteirão era sistema comunitário policial subalterno à autoridade daquele Juízo, na extensão restrita de sua autonomia, ou seja, apenas o quarteirão onde residia. 
O Inspetor de Quarteirão, nomeado pela Câmara Municipal, era o encarregado de transmitir ordens e decisões, fixar ou dar avisos aos vizinhos e exigir adimplência aos cofres da municipalidade ou recolhimento de impostos devidos. Cuidava de todos aqueles sob sua jurisdição, separava brigas de casais e os aconselhava, escorraçava presenças de vagabundos na região ou os perturbadores do sossego publico, e tinha autoridade para prisões de cometedores de pequenos delitos, de mendigos, bêbados, desordeiros, atentadores aos costumes e as prostitutas. Por ordem do Presidente da Câmara prendia os infratores reincidentes do Código de Posturas.
Bem informados, os Inspetores tinham por obrigação, saber quem eram os novos vizinhos no seu território.
Em Santa Cruz os Inspetores de Quarteirão foram vistos em diversas atividades, exigindo pagamento do imposto para a construção da Igreja, coletando bicos de aves mortas exigidos pelo Código de Postura, fixando avisos e convocações, denunciando criminosos.
9. Comissão Exploratória de Governo
Conforme instruções em Ofício nº 71, de 23 de outubro de 1877, da Diretoria de Obras Publicas do Governo de São Paulo, iniciou-se "a exploração da zona de terreno entre o porto de Lençóes e o porto da margem do Paranapanema, de onde este rio apresenta mais fácil navegação, apresso-me em apresentar a v. s. parte do relatorio concernente a esse serviço" (RG BMIP 1019, 1877/1878:A 9 - 1 a A 9-6), de acordo com o relatório assinado por Francisco Carlos da Silva e encaminhado ao Doutor Elias Fausto Pacheco Jordão, Engenheiro Chefe da Diretoria de Obras Públicas do Governo da Província de São Paulo. 
O governo pretendia melhor saber dos meios de transportes fluviais e da capacidade dos portos da região entre o Tietê e o Paranapanema ao rio Paraná, adiante da serra de Botucatu, num completo levantamento dos campos, das qualidades das terras e as ditas povoações. 
Relatório de Governo da Província, exercício de 1877, "Em 22 de Outubro mandou-se entregar 1:000$ ao engenheiro dr Francisco Carlos da Silva para a exploração de uma estrada do porto de Lençóes à margem do Paranapanema abaixo do Salto" (RG U 1127, 1877/1878: 62). 
O grupo designado saiu de Piracicaba com destino a Botucatu, aonde o reabastecimento, depois rumou a Lençóis Paulista onde, conclusos os trabalhos, se dirigiu ao Rio Turvo [Espírito Santo do Turvo] e "(...) seguimos para São Pedro do Turvo de Campos-Novos. Ahi chegados, logo tratamos de nos informar dos meios de transporte que havia no porto do Salto, distante seis leguas desta freguezia. Fomos felizes em encontrar, nesse povoado, habitantes do Salto, e outras pessoas conhecedoras desse lugar, que de bom grado se prestarão a nos fornecer conhecimentos relativos á descida do rio" (RG BMIP 1019, 1877/1878:A 9-1). 
Seguindo Relatório, a Comissão desceu pelo rio Paranapanema, a partir de Salto Grande, com as anotações de tributários, terrenos de várzea, as florestas e campos, para enfim um levantamento do porto Tibagi, e dimensionar terrenos "(...) nas vizinhanças de Figueira defronte a foz do Tibagi (...). Essa é uma zona de 35 léguas de sertão, pouco conhecido, que ainda não figura em nosso mappa da província", contando com os serviços de João da Silva, cunhado do falecido José Theodoro de Souza, e dos índios práticos do rio.
Figueira era pequena povoação ruralista e portuária que servia, também, de pouso e abrigo aos viandantes. Aluízio Almeida diz de um caminho terrenho em 1824: "A ligação Tibagi-Porto dos Lençóis já existia em 1824. Mas não vem mencionada entre as estradas oficiais. Não tinha conserva, pois além do brecho de São Domingos, os moradores, carreiros e tropeiros arranjavam-se." (Aluízio de Almeida, volume 246, 1960: 188). 
O mesmo Aluízio informa, ainda, em nota de rodapé, "A estrada de João da Silva, mencionada por Teodoro Sampaio, é parte desta", que era um caminho de Campos Novos Paulista à região do Tibagi, estudo a ser melhor detalhado. 
O relatório é o dia-a-dia da Comissão da qual se aproveitara o bugreiro João da Silva para citar ser ele o descobridor e dono de toda aquela região.
João da Silva demandava direitos de posses no inventário de José Theodoro de Souza, e se aproveitava de funcionários do governo para mostrar suas as terras levantadas. Usaria isto em sua defesa para se apropriar de mais terras deixadas pelo cunhado, em detrimento aos legítimos herdeiros.
A dita Comissão faz retorno do porto do Salto - da povoação denominada Salto Grande para então se dirigir a Santa Cruz do Rio Pardo, pela velha senda terrestre para prosseguimento de caminho "estendendo-os até o porto de Lençoes, sem deixarmos de passar pela Capella de Espírito-Santo, São Domingos e villa de Lençoes." 
O descritor faz citações gerais "O Valle do Paranapanema não ostenta, com a soberba vegetação e fertilíssimas terras, só nos lugares denominados Fartura, Santo Antonio, São Sebastião e Rio-Novo; elle extende a sua uberrima natureza até a foz do Tibagy e provavelmente por todo esse curso. Toda a parte do Valle que percorremos offerece grande zonas que se prestão a toda especie de cultura, uma vez estabelecida de harmonia comas as exigências climatericas e metereologicas o lugar". 
Os lugares citados não fazem parte das inspeções da Comissão, cujo caminho de volta foi de Salto Grande a Santa Cruz do Rio Pardo, portanto as descrições cima foram apanhadas de outros serviços de classificações regionais.
Os levantamentos, mais para dimensionar caminhos terrestres e os lugares fluviais oferecidos às embarcações, servem de comprovações dos portos e veredas utilizados naquela época e que bem serviram para escoamentos de mercadorias, a partir de Santa Cruz do Rio Pardo, pelos portos de Lençóes, Paranan-Itu e Tibagi.
10.  Das exações tributárias
10.1.  Histórico
No ano de 1878 instalou-se em Santa Cruz do Rio Pardo a Agência da Coletoria de Rendas Gerais, como posto avançado de Lençóis Paulista, sendo nomeado responsável o Agente de Coletoria, Eloy Rodrigues da Costa (Correio do Sertão, Ano I nº 19, 19 de julho de 1902: 3). 
Após Eloy Rodrigues da Costa, assume  Luiz Manoel de Souza como o responsável pela Agência em Santa Cruz do Rio Pardo.
Num ofício de 08 de setembro de 1885 a Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo requereu do Governo da Província de São Paulo a urgente criação de "uma Collectoria de Rendas Geraes e Provinciaes", independente de Lençóis Paulista, reconhecendo e justificando "É certo, Exmo Snr, que nesta Villa existe uma Agencia da Collectoria Geral de Lençóes; mas tambem é certo que ella, limitando-se a fazer ou vender sellos e talvez de sisas, não saptisfaz todas as necessidades da população que reclama instantemente a criação da Collectoria nesta Villa. Por este meio terá a população mais facilidade para suas dependencias, e a Fazenda Publica augmentará suas rendas." (Câmara, Ofícios 1884).
Santa Cruz encontrava-se, efetivamente, mais próxima das regiões de São Pedro do Turvo, Campos Novos Paulista, Conceição de Monte Alegre e Piraju, além dos demais centros surgentes, com isso fiscalizações mais eficientes e maiores recolhimentos. 
O Governo atendeu a reivindicação santacruzense e, em 1886, Joaquim Manoel de Andrade assumiu o Cargo de Coletor de Rendas Gerais e Provinciais em Santa Cruz do Rio Pardo, sendo Luiz Manoel de Souza designado Escrivão de Coletoria.
Joaquim Manoel de Andrade foi substituído pelo Coronel João Baptista Botelho que em 1889 estava no exercício do cargo de Coletor, quando então demissionário: "Tendo o cidadão João Baptista Botelho pedido a sua demissão do cargo de Collector de Santa Cruz do Rio Pardo, proponho-vos para substituil-o nesse cargo o cidadão João Castanho de Almeida.", de acordo com o ofício nº 32, 06/12/1889, do Tesouro do Estado de São Paulo, assinado por José Alves de Cerqueira Cesar, ato aprovado pela Secretaria do Governo aos 07/12/1889 (APESP).
João Castanho de Almeida estava já no exercício do cargo de Coletor para Santa Cruz do Rio Pardo, aos 09 de junho de 1890, conforme adiante demonstrado. Dele o Tesouro do Estado exigiu a urgente remessa dos balancetes - prestações de contas das aplicações do Fundo Escolar e do Município, período de 01 de outubro de 1889 a 30 de junho de 1890 (DOSP, 13/06/1891: 2), ou seja, parte do período quando o Baptista Botelho ainda era o Coletor.
Outra publicação oficial de 1891 confirma João Castanho de Almeida e Manoel Luiz de Souza nos respectivos cargos: "De João Castanho de Almeida e Manoel Luiz de Souza, collector e escrivão do municipio de Santa Cruz do Rio Pardo, pedindo liquidação da quantia de 323$116, correspondente à quinta parte do excesso da lotação das suas porcentagens relativas ao quarto trimestre do exercício de 1890. - De accórdo com os pareceres reconheço os supplicantes credores da União pela quantia de 224$316 rs.; relacione-se e inscreva-se." (DOSP, 07/07/1891: 5).
A "Coletoria [Federal] de Rendas Gerais" foi extinta pela Circular Federal nº 49, de 03 de agosto de 1891, sancionada pelas Leis de 30 de outubro e 30 de dezembro, ambas do mesmo ano de 1891, porém João Castanho de Almeida manteve-se no cargo como Coletor de Rendas Estaduais. Em Santa Cruz a Coletoria Federal seria reorganizada pela Lei Federal nº 746, de 20 de dezembro de 1900 e voltaria a funcionar no ano de 1902.
No ano de 1895, Castanho de Almeida continuava Coletor e João Bonifácio Figueira citado como o Escrivão (O Paranapanema, Ano I nº 1, 30 de novembro de 1895: 3). Estando extinta a Coletoria Federal, Castanho de Almeida era, portanto, Coletor Estadual.
Em 1896 o Coletor João Castanho de Almeida propôs ao Governo de São Paulo, a designação do Tenente-Coronel Manoel Luiz de Souza, como seu substituto durante os impedimentos legais, com deferimento e determinação à Rendas Públicas as anotações devidas (DOSP, 08/03/1896: 3).
No ano de 1897, por publicação em Diário Oficial do Estado de São Paulo, João Castanho de Almeida "Foi exonerado do cargo de Collector de Rendas de Santa Cruz do Rio Pardo (...) e nomeado para substituil-o o cidadão Antonio Olympio de Oliveira Ferraz." (Atos do Poder Executivo do Governo de São Paulo, Fazenda, edição de 01/09/1897: 2). 
Numa publicação tardia pelo Diário Oficial da União solucionou-se a pendência processual de João Castanho de Almeida, quando Coletor período de 09 de junho de 1890 a 25 de setembro de 1897: "Relatados pelo senhor A. Ewerton: Processos: De Tomada de Contas - (...): Do ex-collector federal em Santa Cruz do Rio Pardo, no estado de S. Paulo, João Castanho de Almeida, de 09 de junho de 1890 a 25 de setembro de 1897; da ex-agente do correio de Pedreiras, no estado de S. Paulo, D. Aurora de Moraes Mello (...). Havendo sido recolhidos, com juros da móra, os alcances fixados por accórdãos de 23 de fevereiro de 1905, 30 de abril e 28 de maio deste anno, deliberou o tribunal expedir quitação aos alludidos responsaveis e autorizar o levantamento das fianças prestadas pelos mencionados ex-collector e o ex-agente do Correio." (Tri-bunal de Contas da União, sessão ordinária de 09/07/1909, publicação em DOU edição de 11/07/1909, Seção 1: 16). 
Do Coletor de Rendas em Santa Cruz do Rio Pardo, o senhor Antonio Olympio de Oliveira Ferraz, tem-se a seguinte publicação da Subdiretoria de Rendas Públicas que "pela presente intima ao cidadão Antonio Olympio de Oliveira Ferraz, collector em Santa Cruz do Rio Pardo, para no prazo de trinta dias, a contar desta data, allegar o que julgar a bem de seu direito sobre a liquidação definitiva de suas contas referentes ao periodo 1º de Janeiro de 1898 a 14 de janeiro de 1899, e de 23 de março a 31 de dezembro de 1899, nas quaes foi demonstrado um saldo a favor da quantia de 374$756, sob a pena de, não o fazendo, ser a mesma liquidação julgada definitivamente à sua revelia, além da percentagem e juros de 9% sobre os saldos recolhidos fóra do prazo." (DOSP, 13/04/1900: 6). 
Em 1901 o capitalista e advogado Dr. Antonio José da Costa Junior, líder político vitorioso em Santa Cruz do Rio Pardo naquele ano, solicitou a demissão do Coletor Antonio Olympio de Oliveira Ferraz, acusado de ser instrumento do líder deposto Coronel João Baptista Botelho (Estado de São Paulo, publicação de matéria denunciadora assinada por Oliveira Ferraz em 26 de novembro de 1901). 
Na página eletrônica  'Memória – Receita Federal, sobre as Coletorias Federais no Brasil', noticiou-se que "Antonio Olimpio de Oliveira Ferraz foi dispensado do cargo de coletor em 7/3/1902." (Receita Federal), e, no lugar, o Capitão Ismael de Barros como o "Colector Federal e Estadual", e o Capitão João Bonifácio Figueira o "Escrivão das colectorias" (Correio do Sertão, 24/03/1902: 3). 
Após o Capitão Ismael de Oliveira, em 1903 assumiu o cargo de Coletor Federal o Major Manoel Pereira de Castro, enquanto a Estadual estava sob a responsabilidade do Tenente Coronel Balthazar de Abreu Sodré, sendo Escrivão das Coletorias o Capitão João Bonifácio Figueira.
Em 1903, portanto, em Santa Cruz do Rio Pardo ocorreu a distinção de fato entre as Coletorias Federal e Estadual. O Tesoureiro Municipal, também chamado Coletor Municipal, era ocupado, desde 1902, pelo Capitão João Damasceno Negrão.
Em novembro de 1903 o senhor Antonio Olympio de Oliveira Ferraz, Major-Fiscal da Guarda Nacional, retornou titular da Coletoria Federal em Santa Cruz do Rio Pardo, assinando o seguinte comunicado de interesse público em hebdomadário local: 
-"O Collector Federal desta Comarca Antonio Olympio de Oliveira Ferraz, communica a quem possa interessar que, o praso para o recolhimento das estampilhas dos valores de 300 réis até 20$000, que serão substituídas pelas de novas cores termina no dia 30 do corrente mez. Sta. Cruz do Rio Pardo, 20 de Novembro de 1903." (Correio do Sertão, 28/11/1903: 3, e publicações seguintes conforme legislação). 
Após Oliveira Ferraz outra vez nomeado Coletor o senhor Manoel Pereira de Castro, de acordo com o Ministério da Fazenda, Expediente do Diretor, de nº 27, ao Tribunal de Contas da União: 
-"De accordo com o despacho do Sr. Ministro, de 11 do corrente, remetto-vos, para os devidos fins, o incluso processo, transmittido com o officio da Delegacia Fiscal em S. Paulo nº 37, de 30 de janeiro proximo passado, relativo á fiança no valor de 1:400$ prestada por Manoel Pereira de Castro, em uma caderneta da Caixa Economica, afim de garantir sua responsabilidade no cargo de colletor de rendas federais em Santa Cruz do Rio Pardo naquelle Estado." (DOU, 26/02/1904 seção 1: 7).
Em junho de 1904 eram Coletores em Santa Cruz do Rio Pardo: Manoel Pereira de Castro – Federal, Balthazar de Abreu Sodré – Estadual, e João Damasceno Negrão – Municipal (O Progresso, 26/06/1904: 2). 
O Diário Oficial da União (09/09/1905, apud Receita Federal - Coletorias (...) S), confirma a presença de Manoel Pereira de Castro como coletor santacruzense, e pela Portaria de 17 de agosto de 1909, foi a ele concedido dois meses de licença (DOU, 19/08/1909, seção 1).
No ano de 1912, Manoel Pereira de Castro ainda é o Coletor de Santa Cruz, licenciado para tratamento de saúde, por período de três meses (DOU, 28/03/1912, seção 1: 21). 
Segundo o Memorial da Receita Federal, aos 23 de outubro de 1912, foi suprimida a Coletoria de Campos Novos do Paranapanema e incorporada á jurisdição de Santa Cruz do Rio Pardo.
No ano de 1924 o Coletor Federal em Santa Cruz do Rio Pardo era o senhor Manoel Novaes Cortez (A Cidade, 24/05/1924: 3), de acordo com edital de intimação e cobrança assinado pelo mesmo em nome da Coletoria.
A Coletoria Federal funcionou em Santa Cruz do Rio Pardo até os anos de 1970, quando transferida para Ourinhos ou incorporada, e a Coletoria Estadual, com a reestruturação de 2009 para Serviços de Pronto Atendimento praticamente encerrou suas atividades no município, por ausência de demanda, deixando de receber pedidos e expedir documentos para apenas encaminhar pedidos para Ourinhos.
10.2.  Das competências
Desde 1878, quando da instalação da Agencia (posto avançado) e depois Coletoria santacruzense, ao ano 1888, eram taxadas diretamente as atividades produtivas e as riquezas acumuladas, dentro do princípio da proporcionalidade anual. 
A produtividade agrícola pastoril não carecia esclarecimentos porque era taxada conforme a produção, com valor determinado para cada produto e quantidade, enquanto a riqueza acumulada tipificava, por exemplos, aquisições de mais terras, aumento de plantéis de escravos, gados e tropas, ou outros bens como os imóveis residenciais para alugueres, com os respectivos impostos aplicados proporcionalmente à evolução da riqueza ou do capital.
O sistema era sujeito a falhas e não tributava os autônomos, os liberais e os donos de comércio. Mas os mercadores eram taxados. Isto seria corrigido posteriormente.
A partir de 1888, pelo Decreto 9.870 e a regulamentação do imposto de indústrias e das profissões, a tributação em Santa Cruz do Rio Pardo, igual para todo o Império, praticamente tudo e todos eram tributados em suas atividades e produções, em valores fixos e proporcionais à renda, mas os produtores somente pagariam exações acima dos valores garantidos pelo governo, então poderiam ocorrer isentos e, com isso, práticas de sonegações.
Muitas variações ocorreriam ao longo dos anos, inclusive de estrutura e de competências, desde Primeira Constituinte Republicana, ao decretar que cada uma das antigas Províncias formaria um Estado, e a este atribuiu funções de competência exclusiva para decretar impostos, e as Coletorias de Rendas Gerais (Federais) foram extintas pela Circular Federal nº 49, de 03 de agosto de 1891, sancionada pelas Leis de 30 de outubro e 30 de dezembro, ambas do mesmo ano de 1891, ocorrendo resistências, e nem todas as Coletorias Federais encerraram atividades especialmente no Estado do Rio de Janeiro.
A Secretaria da Fazenda nasceu em 1892 com 10 funcionários, além do Secretário, e seus serviços eram realizados em quatro prédios distintos, divididos em duas seções básicas.
Esse absurdismo foi enfim corrigido pela Lei nº 746, de 29 de dezembro de 1900, regulamentada pelo Decreto de nº 4.059, de 1901, seguido das "Instrucções para execução do Decreto n. 4.059, de 25 de junho de 1901, que restabeleceu as Collectorias Federaes, em cumprimento ao Art. 29, n. 6, da Lei n. 746, de 29 de dezembro de 1900." (DOU, 24/10/1901, apud Memorial – Receita Federal). 
Citado artigo 29, n. 6, da Lei 746, autorizava o Executivo "a reorganizar o serviço de arrecadação e fiscalização dos fundos da União nos Estados, podendo encarregar dessa cobrança as collectorias estaduaes, de accôrdo com os respectivos governos, aos agentes do Correio, a pessôa idonea devidamente afiançada, bem como crear agencias e recebedorias e restabelecer as collectorias federaes, nos lugares em que qualquer dessas providencias fôr julgada mais conveniente para mellhor assegurar a bôa arrecadação das rendas publicas".
O Estado de São Paulo criou a sua Secretaria da Fazenda em 1902, responsável pelo planejamento e coordenação das atividades econômicas e sociais, além dos órgãos responsáveis pela arrecadação, guarda e manipulação do dinheiro público, dividindo-se em junta da Fazenda a e Seção de Contabilidade. A função arrecadatória competia às Coletorias Estaduais, distribuídas nos principais centros quais sejam as cabeças e termos de comarcas, e suas atribuições eram de grande relevância e competia à Coletoria Estadual representar a Fazenda Pública.
As coletorias estaduais funcionariam à semelhança das Coletorias Federais, e muitas delas funcionaram juntas por algum período inicial do século XX.
As rendas municipais, ou decretações de impostos somente ocorriam após entrada em vigor do Código de Posturas e as definições das arrecadações municipais. Os orçamentos municipais eram elaborados pelas câmaras Municipais e submetidos à Comissão das Câmaras Municipais da Assembléia Provincial.
Aferições de pesos e medidas, as inscrições de aberturas de comércios, impostos sobre propriedades urbanas, taxas de serviços públicos, impostos sobre o comércio de animais, circulação de veículos de tração animal destinado a aluguéis; exercícios de profissões; multas camarárias e judiciais; circulações de mercadorias no âmbito territorial. As autoridades municipais não interferiam no comércio de mantimentos, a não ser pela cobrança de impostos, a cargo do Fiscal nomeado pela Câmara Municipal.
As cobranças dos impostos municipais privilegiavam os locais; vendedores ou comerciantes de fora pagavam valores maiores, exceto em casos de carestias de determinadas mercadorias, por exemplo, o sal, em algumas épocas.
As Câmaras Municipais valiam-se dos fiscais e dos arrecadadores, e os valores eram recolhidos junto aos cofres municipais, na Tesouraria.