domingo, 4 de abril de 2010

1876/1878: ORDENAÇÕES POLÍTICO-JURÍDICAS

1. Vila e Município
Santa Cruz - Vila e Município
Mapa demonstrativo
A passagem de Freguesia à Vila significava emancipação política e territorial, classificando-se todo o espaço territorial como Município, abrangendo um conjunto de distritos com suas respectivas sedes.
Com a qualificação de Vila, Santa Cruz tornou-se sede de território definido em Lei, assim com direitos de possuir Câmara Municipal, Juizado de Paz, Delegacia e Cadeia, além do Foro Civil e Conselho de Jurados, símbolos de autonomia e de emancipação político-administrativa, com respectivas freguesias e as capelas agregadas, devendo cobrar impostos e baixar 'Código de Posturas', ou coleção de leis aplicáveis.
Município significava a menor unidade territorial político-administrativa autônoma, aplicável às cidades e vilas como direito de se administrar e governar por suas próprias leis.
Para a emancipação política de Santa Cruz alguns argumentos lhe foram favoráveis: população local crescente; a expansão do sertão com o surgimento de novos povoados; as condições econômicas favoráveis com agropecuária forte, e a significativa criação de suínos.
A administração da vila, conforme legislação da época, seria exercida pela Câmara de Vereadores, com mandato de quatro anos, e elegíveis e votantes todos os cidadãos, alfabetizados ou não, residentes no município nos dois anos anteriores aos pleitos, desde que contassem renda anual igual ou superior a 200 mil réis. Caso o eleitor ou postulante a cargo eletivo fosse acatólico ou estrangeiro naturalizado, então necessitava ser alfabetizado, além da renda exigida.
A elevação de Santa Cruz do Rio Pardo à condição de Vila e, consequentemente, Município, se deu aos 03 de fevereiro de 1876 com a aprovação pela Assembléia Provincial (ALESP, PR 76.6.3), cujo ato depois decretado pela mesma com a sanção do Governo Provincial de São Paulo, através da Lei nº 06, de 24 de fevereiro de 1876:
  •  "(...)."
  • "1º - A Freguezia de Santa Cruz do Rio Pardo, do município de Lençóes, fica elevada à Villa, a que ficará pertencendo a Freguezia de São Pedro do Turvo."
  • "§ 1º - As divisas da nova Villa serão as actuaes."
  • "Artigo 2º - O Governo reverá e corrigirá opportunamente as divisas entre as duas Parochias de Santa Cruz do Rio Pardo e São Pedro do Turvo, tendo em vista as informações que lhe prestar a Câmara da nova Villa."
  • "Artigo 3º - Revogão-se as disposições em contrário."
  • "(...)."
    • O Juiz de Direito, Dr. Sebastião Pereira era o Presidente da Província de São Paulo.
A emancipação santacruzense consolidou-se através das eleições de 1876, para a Câmara e Juizado de Paz, mandatos 1877/1880. A administração das vilas e cidades paulistas era feita pelas Câmaras de Vereadores até a Proclamação da República.
Não se sabe o primeiro endereço da Câmara Municipal, certo apenas que viriam funcionar junto ao Quartel - Cadeia / Delegacia de Policia e o Judiciário, a partir de 1887, na atual praça Dr. Pedro César Sampaio defronte a via pública Rua Catarina Etsuko Umezu.
O território urbano santacruzense pertencia aos patrimônios da Santa Cruz e do Santo Antonio, portanto à Igreja, e seria doravante administrado pela Câmara mantendo-se os aforamentos e reservados os direitos sobre o cemitério, exclusivamente católico. 
A descentralização, sem dúvidas, deixava a sede do município mais próxima do sertão, como principal centro de decisões e do desenvolvimento comercial. 
Com o advento republicano o Legislativo Municipal perderia grande parte de suas atribuições e influências, quase todas suspensas em 1890 e substituídas pelos Conselhos de Intendência Municipal até a edição da Lei Estadual nº 16, de 13 de novembro de 1891, que reorganizou os municípios do Estado de São Paulo.
2. Estrutura político-partidária para o século XIX 
Ainda em 2005 se imaginava Santa Cruz constituída vila, consequentemente município, firmada no ideário do líder Joaquim Manoel de Andrade, "o patriarcha de nossa localidade pelo muito que ella lhe deve" e "venerando ancião" (Correio Paulistano, edição de 10/04/1884: 1-2), político conservador, responsável pela elevação do lugar à condição de Freguesia e depois Vila. 
Na condição de Vila, em 1876, Santa Cruz obteve o direito em escolher seus representantes pelo voto, e o Correio do Sertão, numa publicação sobre as origens do lugar (1902: 19/07/1902: 2-3), sem mencionar indícios de disputas partidárias. 
Não significou assim. A primeira eleição municipal transcorreu num clima de ameaças e violências, necessitando o governo provincial enviar tropa para garantir a segurança dos pleitos, e a volante terminou detida por ordem e ação do Delegado de Polícia local, em exercício (RG, U 1127, 1877/1878: 50).
Os partidos Conservador e Liberal rivalizaram-se, o primeiro chefiado por Joaquim Manoel de Andrade, vinculado ao Deputado Emygdio José da Piedade, e o seguinte por Joaquim José Botelho, sob as ordens diretas do Coronel Francisco Dias Baptista, o truculento chefe político da Comarca de Lençóis Paulista, inclusa Santa Cruz. 
Os partidos disputantes diferenciavam-se. O Conservador a defender o poder centrado na autoridade do Imperador, com relativa autonomia provincial, enquanto o Liberal a identificar-se com parlamento forte e autonomia provincial ampliada.
As diferenças, no entanto, não eram problemas quando em jogo interesses comuns, sendo ambos escravagistas e do patriciado, isto é, dos capitalistas e dos proprietários de bens identificados nas terras e escravos, com predomínio conservador no funcionalismo público, ao passo que os liberais atraíam comerciantes e autônomos. Os votos eram 'encabrestados', para a garantia de resultados aos candidatos apoiados.
O Partido Republicano Paulista – PRP, já realidade provincial em 1873, não tinha filiados em Santa Cruz quando das primeiras eleições municipais. E o Partido Católico somente surgiria no final do século, já Brasil República.
2.1. Partido Conservador
Não se sabe desde quando organizado o Partido Conservador em Santa Cruz, porém bastante conhecida sua participação nos destinos do lugar, desde a ascensão como freguesia, às instalações dos primeiros serviços públicos, quase sempre através das atuações do deputado provincial Emygdio José da Piedade.
A elevação santacruzense à condição de vila e município deveu-se ao Partido Conservador, com os empenhos de Joaquim Manoel de Andrade e do Deputado Piedade. A isto garantida a vitória conservadora na primeira eleição municipal, em 1876, a despeito das acusações liberais de fraudes, violências e encabrestamentos de votos. 
Em 1880 os conservadores disputaram e perderam as eleições municipais para os liberais. À mesma maneira liberal, em 1876, os conservadores denunciaram fraudes, violências e encabrestamento de votos.
Os conservadores locais tiveram significativas participações nas vitórias do Deputado Provincial Emygdio José da Piedade, e o chefe político Joaquim Manoel de Andrade de contínuo destacava-se o mais votado nas eleições que participara.
O Partido Conservador santacruzense mostrou-se sempre sensível às crises provinciais, exemplificada a dissensão de 1879, quando uma ala se atrelou aos cafeicultores e interesses progressistas, sob a liderança de Antonio da Silva Prado – o Conselheiro, que culminaria com a criação da União Conservadora.
Antonio Prado assumiu a Chefia da União Conservadora em dezembro de 1881, e a ele aderiram os conservadores santacruzenses, num abaixo assinado de 21 de janeiro de 1882 (Correio Paulistano, 24/02/1882: 1).
2.2. Partido Liberal 
A partir de 1870 os liberais conquistaram importância no centro sudoeste paulista, na inicialização cafeeira regional, destacadamente a territorialidade do município e depois comarca de Lençóis Paulista, incluída Santa Cruz. O partido era forte e coeso, cuja premissa residia no fortalecimento das províncias, ou o regime da federalização, considerando injusto o governo central, o que o tornava atrativo, também, aos ideais republicanos. A estrutura liberal supria a ausência local do partido republicano.
O Partido Liberal na região de Lençóis Paulista, abrangendo Santa Cruz, era extremamente violento no querer e fazer eleitos os seus representantes junto à Província. Com as criações de Câmaras Municipais – ou a emancipação política de regiões agregadas a Lençóis, a exemplos de Agudos, Santa Bárbara e Santa Cruz, o Coronel Francisco Dias Baptista metia medos. 
Em 1876 o Partido apresentava-se em Santa Cruz com mais de meia centena de filiados, portanto representativo e de importância regional nas eleições provinciais e gerais. Seus membros eram influentes na sociedade da época, destacados, Firmino Manoel Roiz¨ [Rodrigues], Francisco Antonio de Souza, Joaquim Francisco da Silva, José da Rocha Campos, Manoel Cândido da Silva, Raphael ou Rafael Silva de Arruda, Vicente Bezerra Machado e Victorino Gouveia Silveira, liderados por Joaquim José Botelho, o seu primeiro chefe político.
O Partido liberal santacruzense, apesar de fortemente vinculado ao temerário Coronel Francisco Dias Baptista, não desprezava a força regional do Capitão Tito Correa de Mello, fazendeiro, político mandatário botucatuense, situações observadas no pleito provincial de 1879, quando afinados às candidaturas de Correa Mello e do advogado do Termo de Lençóis, Dr. Francisco Martins da Silva, para a Assembleia Provincial, eleições de 1879 (A Constituinte, 01/11/1879: 3).
Alguma dissidência entre os liberais de Santa Cruz ocorrera após as eleições provinciais, afastando-se ou afastado Joaquim José Botelho da chefia partidária local, aparecendo o Delegado de Polícia Nicolau Tolentino Roiz¨ Barreiros como principal nome no pleito municipal de 1880. 
Especula-se a queda de Botelho. Santa Cruz manifestava repulsa em relação ao Coronel Dias Baptista, por ser este favorável a Santa Bárbara do Rio Pardo, na disputa de divisas, enquanto Botelho defendia a territorialidade santacruzense.
A truculência de Dias Baptista manifestara-se forte em Santa Cruz do Rio Pardo nas eleições municipais de 1880, quando invadiu a Igreja e fez desfilar sua tropa, ostensiva e ameaçadoramente, com armas e bandeiras, causando reviravolta política em desfavor dos conservadores e fazer vitorioso o seu partido.
Segundo o Correio Paulistano, os adversários e inimigos políticos dos liberais, e até mesmo companheiros, surpreenderam-se com a apatia política do Coronel Dias Baptista a partir de 1882, no 5º Distrito. Sem herdeiro político regional feito e a ausência de expectativas para Partido Liberal, gradativamente substituído pelo PRP, o temerário Dias Baptista parecia decepcionado, cansado e talvez enfermo, a antever o final do próprio poder, vindo a falecer em 1887.
Desde 1882 os mais ilustres nomes liberais da província aderiam ou simpatizavam-se pelo PRP – Partido Republicano Paulista, talvez aí justificada a impassibilidade política do Coronel Dias Baptista.
2.3. Partido Republicano Paulista 
O PRP, ideado em 1872, selou fundação aos 18 de abril de 1873, durante a Convenção Republicana em Itu, SP, com a união entre fazendeiros temerosos dos efeitos da Lei do Ventre Livre, e os intelectuais ou teóricos do Clube Republicano, com forte rejeição ao Império, atraía interesses das classes economicamente fortes e, consequentemente, não era partido popular, portanto ruim de votos espontâneos. 
Em Santa Cruz o Partido não apresentou história imediata, e apenas em 1886 elegeria seu primeiro vereador, o Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira.
Quando do golpe militar de 1889 que derrubou o império e implantou a república, Emygdio José da Piedade, na condição de Presidente do Legislativo santacruzense, declinou o convite para a chefia da nova ordem, e sugeriu que ela fosse assumida por membros republicanos no município. O experiente político certamente não ignorava que os militares golpistas em nada se identificavam com o Partido Republicano, apenas adotaram a sigla.
Apresentou-se então chefe político perrepista o Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, como nova liderança política, porém de difícil relacionamento com os novos republicanos, após o advento da república. Alguns filiados tinham importância social, a exemplos dos graduados da Guarda Nacional, João Baptista Botelho, Moyses Nelly (italiano), Arlindo Crescêncio da Piedade – filho do conservador Emygdio José da Piedade, além de Marcello Gonçalves de Oliveira, então o líder.
Uma primeira crise, conhecida, levou o Coronel Marcello resignar-se da chefia partidária, por sentir-se traído e desprestigiado com o afastamento ou recolhimento do sargento comandante da força policial local, e a demissão do Promotor Público Joaquim Pereira de Barros, sem sua anuência ou ordem, conforme carta de sua lavra, de 26 de novembro de 1890 (Correio Paulistano, 10/12/1890: 3). 
No lugar de Gonçalves de Oliveira assumiu João Baptista Botelho, que viu o partido agigantar-se, com a instalação da Comarca e chegada de ilustres famílias republicanas, a partir de 1891, capitaneadas pelo advogado e político federal, Dr. Antonio José da Costa Junior e seu genro Francisco de Paula de Abreu Sodré.
Aparentemente a convivência de Botelho com Costa Junior não foi das melhores, e já em 1892 o PRP enfrentava nova crise interna, exigindo mudanças no diretório (Correio Paulistano, 22/12/1892: 2), daí destituídos todos os membros do diretório, João Baptista Botelho, João Evangelista da Silva, Joaquim Fernandes Negrão, Firmino Manoel Rodrigues e Pedro Custódio Guimarães. No lugar dos excluídos reassumiram aqueles ditos republicanos da 'velha guarda', Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, o tenente Luiz de Oliveira Martins, Moyses Nelli e Manoel Garcia de Oliveira.
Havia dois grupos perrepistas disputantes entre si, os anteriores ao golpe militar de 1889, liderados pelo Coronel Marcello, fortalecidos desde a presença das famílias Costa/Sodré, e os posteriores ao golpe – 'os adesistas' ou 'nova guarda perrepista', com o então Tenente-coronel Botelho à frente.
A 'nova guarda perrepista' também cativava partidários, e a ela assomou-se o Deputado Estadual Republicano, Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, vindo de Silveiras (SP), e que oportunamente se revelaria líder partidário e unificador.
Em 1894 o Coronel Gonçalves de Oliveira estava no Comando Superior da Guarda Nacional, Comarca local (DOU, 04/11/1893: 1), denominado o 'prestigioso chefe político perrepista' (Correio Paulistano, 18/07/1894: 2).
Com a morte do Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, em 1896, João Baptista Botelho voltou à liderança do PRP local, até 1901, quando destituído pelo grupo de Costa Junior/Abreu Sodré. 
Depois viriam outros líderes e novos confrontos.
2.4. Partido Católico
Partido extemporâneo e de nenhuma importância no contexto político santacruzense, surgiu no ano de 1890, denominado Partido Católico, com um Órgão Oficial de Imprensa denominado 'O Cruzeiro'. 
Sabe-se do Partido, iniciado em 20 de julho de 1890, também em Santa Cruz do Rio Pardo, através do Padre Bartholomeu Comenalle [Comenale], em comunicado à sede Partido em São Paulo:
  • "(...) instalou-se nesta villa o partido catholico, estando presentes mais de trezentos cidadãos, dos quaes mais de duzentos assignaram a acta. Foi lido e aprovado o programma do directorio central da capital federal, e foram eleitos presidente o humilde signatário destas linhas e membros Manoel Garcia de Oliveira, Luiz Antonio Rodrigues, Tiburcio Antunes dos Santos e Firmino Silverio de Andrade." 
  • "Foi deliberado que em tudo dependeriamos desse directorio; pelo que vos peço esclarecimentos e instrucções, para poder bem desempenhar a nossa nobre missão" O Cruzeiro, 31/07/1890: 1; 05/08/1890: 2.
No prestígio do Padre Comenale, o partido sustentou-se em Santa Cruz, embora, aparentemente, contrário a orientação partidária nacional de 1891 para o apoio a Deodoro, acompanhando corrente perrepista santacruzense a favor do Floriano Peixoto, opção a mais segura para a sobrevivência republicana, e o Partido Católico aí esgotou-se.
3. A Câmara Municipal e as diversas legislaturas
A história política santacruzense 'de antigamente' sempre foi violenta, segundo as tradições, mas não se sabia desde quando e nem a sua extensão, e até pensava-se iniciada em 1901 na crise de disputa eleitoral entre Botelho e a frente Costa Junior/Abreu Sodré, que tomou de assalto o poder e Botelho acabou por suicidar-se, por esta e, talvez, outras razões associadas.
Nunca se teve notícias do período político anterior a 1900, senão que a primeira câmara municipal foi eleita em 15 de outubro de 1876, em absoluta tranquilidade sob a liderança única de Joaquim Manoel de Andrade, assim inferível na obra de José Ricardo Rios, 'Coronel Tonico Lista – O perfil de uma época' (Debate, SCR Pardo, 2004), com o Correio do Sertão por referência (19/07/1902: 2-3).
Somente em 2006 (Prado e Sato) 'descobriu-se' que a primeira eleição municipal fora violenta, com dois grupos políticos, os conservadores e os liberais, digladiando-se pelo poder local, e a autoridade de Joaquim Manoel de Andrade não era absoluta como se cogitava.
"A eleição de eleitores, vereadores e juízes de paz, teve lugar no dia 1º de Outubro, que fora designado pelo governo imperial." (RG NA 1018, 1876/1877: 4), e o rol oficial dos eleitos não foi aquele informado pelo Correio do Sertão e depois reproduzido por Rios. 
A Câmara Municipal era o Órgão que efetivamente exercia, além da legislação e fiscalização, o governo econômico e administrativo do município, através do seu Presidente como agente executivo.
Adiante as câmaras municipais eleitas, suas realizações e as principais ocorrências administrativas e políticas, de 1876 a 1947, esclarecendo algumas peculiaridades, como exemplo, a vereança não era remunerada, porém multado o vereador que não se apresentasse às sessões, sem justificativas. 
3.1. Legislatura 1877/1880
O primeiro pleito santacruzense, para um período de quatro anos, realizou-se em 1º de outubro de 1876, nos termos da Lei Imperial 387, de 19 de agosto de 1846, com as modificações introduzidas pelo Decreto 842 de 19 de setembro de 1855 e reformas pelo Decreto nº 2.675, de 20 de outubro de 1875, expedientes denominados Lei Eleitoral de 1875. 
As eleições seriam realizadas no dia 1º de Julho do ultimo ano do quatriênio eleitoral, com posse no dia 07 de janeiro (Guia da Novíssima Reforma Eleitoral, Biblioteca Digital do Senado Federal, 1875: 142), todavia adiada para 1º de outubro do mesmo ano (RG NA 1018, 1876/1877: 4).
O período pré-eleitoral santacruzense foi marcado por tumultos e violências, de modo tanto, que o Governo de São Paulo destacou tropa policial da capital para garantir a ordem no lugar, e a autoridade policial local não teve dúvidas em prender o destacamento enviado, apenas liberando-o após as eleições.
  • "Eleições –. Tendo o juiz de direito participado que o delegado de polícia detivera praças que foram desta capital com destino ao termo de Santa Cruz do Rio-Pardo, e requisitára praças dos destacamentos de Lençóes, Rio-Novo e Rio-Bonito, mandei por intermédio do dr chefe de polícia, ouvir aquele delegado que requisitou força e os delegados que prestarão." (RG U 1127, 1877/1878: 50).
Concorreram ao pleito santacruzense de 1876 os Partidos Conservador e Liberal. Os eleitores elegeram sete vereadores, dentre os indicados pelos partidos, para a legislatura 1877/1880, conforme cálculos de proporcionalidade entre habitantes e representantes:  
  • "Cada cidadão depositará na urna duas cédulas com respectivos rotulos, contendo uma os nomes de seis cidadãos elegiveis para Vereadores, se o município dér nove Vereadores, ou de cinco cidadãos elegiveis, se o município dér sete Vereadores; outra contendo os nomes de quatro cidadãos elegíveis para Juizes de Paz da parochia em que residir, ou do districto, se a parochia tiver mais de um." (Decreto 2.675 – Art. 2º § 25).
O Diário de São Paulo anunciou que nas eleições em Santa Cruz "vencerão os Conservadores" (Diário de São Paulo, 24/10/1876: 1), e a composição revelou eleitos (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 543):
  • 'Joaquim Manoel de Andrade' – Conservador;
  • 'Luiz Antonio Roiz¨ [Rodrigues]' – Conservador;
  • 'Luiz Antonio Braga' – Liberal;
  • 'João Bonifácio Figueira'– Conservador;
  • 'Firmino Manoel Roiz¨ [Rodrigues]' – Conservador;
  • 'Manoel Cândido da Silva' – Conservador;
  • 'Claudino José Marques' – Ignorada sua filiação partidária.
Constam, inferidos suplentes, o liberal Nicolau Tolentino Roiz¨ [Rodrigues] Barreiros, e o conservador Victorino Garcia de Oliveira, atestados por assinaturas em documento camarário de 24/01/1877 (ALESP, EE 77.29.1) Certo José da Rocha Campos, de filiação partidária ignorada, declarou-se vereador num abaixo assinado de 1879 (Correio Paulistano, 02/10/1879: 2).
  • Roiz¨ tinha o mesmo significado que Rodrigues, e os titulares adotavam, livremente, uma ou outra forma.
Sem qualquer alteração conhecida, a Câmara teve juramento de posse aos 07 de janeiro de 1877, para a legislatura 1877/1880, e Joaquim Manoel de Andrade assumiu a Presidência, por ter sido o vereador mais votado, respeitando-se a legislação em vigor. A posse foi comunicada à Presidência da Província de São Paulo aos 20 de janeiro de 1877 (Diario de S. Paulo, 24/02/1877: 2).
A Câmara apossada, aos 24 de janeiro de 1877 discutiu e propôs correções das divisas entre Santa Cruz e São Pedro do Turvo, considerando exigências da Lei Provincial nº 6, de 24 de fevereiro de 1876, que elevara o lugar à condição de Vila: "O Governo reverá e corrigirá opportunamente as divisas entre as duas Parochias de Santa Cruz do Rio Pardo e São Pedro do Turvo, tendo em vista as informações que lhe prestar a Câmara da nova Villa".
A proposta foi encaminhada, por ofício, à Assembleia Provincial, conforme transcrição, respeitada grafia da época:
  • "Rubrica e Protocolo EE 77.29.1."
  • "Representação da Camara Municipal da Villa de Santa Cruz do Rio Pardo, pedindo uma fixação regular das suas divisas."
  • "C. Est." - (Despacho da autoridade).
  • "A Camara Municipal desta Villa de Santa Cruz do Rio Pardo, fiel ao juramento que prestou às Villas a promessa quanto fosse a bem de seu município reconhecendo que actual traçado das divisas do Distrito desta Villa, da confuzão em que ellas se achão com as divisas visinhas traçam grande embaraços a Administração da Justiça, quer civil, quer criminal, rezolveu reclamar dessa Requisitada Assemblea a decretação de uma divisa geral e clara que colloque ao abrigo de qualquer confuzão, offerecendo e submettendo a sua approvação os seguinte traçado:"
  • "Da barra do rio Pardo no Paranapanema e por aquele acima até a barra do rio Turvo, por este acima até a barra do Alambary, por este acima, compreendendo todas as vertentes de ambos os lados, até a barra do ribeirão das Antas, deste ponto quebrando para o lado direito, a rumo à barra do ribeirão de Santa Clara, por este acima até a sua ultima cabeceira, desta a rumo a Barra Grande na Fazenda do Capitão Mattosinho, pelo ribeirão Barra Grande acima, até a barra do ribeirão do Óleo, compreendendo todas as suas vertentes, daí à esquerda pelo espigão, seguindo as divisas da Freguezia de São Sebastião até frontear a barra do rio Itararé no Paranapanema e por este abaixo até a barra do rio Pardo."
  • "Esta Camara, pois, acreditando que essa Augusta Assemblea attendera sua justa reclamação, afixará, para este Districto as divizas indicadas, desde já á bem dis pelos votos de justiça que sóe praticar."
  • "Deus Guarde a Vossa Excelência."
  • "Paço da Camara Municipal de S. Cruz do Rio Pardo, em Sessão Ordinaria, 24 de Janeiro de 1877."
  • "Ilmos. Exmos. Senhor Prezidente e Membros da Assemblea Provincial."
  • "Joaquim Manoel de Andrade – Prezidente;"
  • "Fermino Manoel Roiz¨;" 
  • "Vitorino Gouveia Silveira;"
  • "Manoel Candido da Silva;"
  • "Nicolau Tolentino Roiz¨ Barreiros."
Neste expediente, de 24 de janeiro de 1877 são notadas as ausências de assinaturas dos titulares vereadores Luiz Antonio Rodrigues, Luiz Antonio Braga, João Bonifácio Figueira e Claudino José Marques. Os suplentes, Nicolau Tolentino Roiz¨ [Rodrigues] Barreiros e Victorino Garcia de Oliveira, assinaram o referido documento.
O Governo de São Paulo, após tramitações na Assembleia, a atendeu pela Lei nº 51, de 11 de maio de 1877, num único artigo e revogando as disposições em contrário:
  • "Da barra do rio Pardo no Paranapanema e por aquele acima até a barra do rio Turvo, por este acima até a barra do Alambary, por este acima, compreendendo todas as vertentes de ambos os lados, até a barra do ribeirão das Antas, deste ponto quebrando para o lado direito, a rumo à barra do ribeirão de Santa Clara, por este acima até a sua ultima cabeceira, desta a rumo a Barra Grande na Fazenda do Capitão Mattosinho, pelo ribeirão Barra Grande acima, até a barra do ribeirão do Óleo, compreendendo todas as suas vertentes, daí à esquerda pelo espigão, seguindo as divisas da Freguezia de São Sebastião até frontear a barra do rio Itararé no Paranapanema e por este abaixo até a barra do rio Pardo, revogadas as disposições em contrário" (ALESP, EE 77.29.1. CD: A/A).
À Câmara Municipal eleita em 1876 coube o primeiro regulamento da coisa pública, por legislação, quanto ao uso dos espaços compartilhados, do funcionamento de estabelecimentos e sossego público, cabendo os cuidados à autoridade policial. Isto era discutível, sem abranger as complexidades, tais como a elegância, o arruamento, as praças e a ordem externa dos edifícios, além das aplicações das políticas fiscais, de segurança [condutas e ordem], de saneamento básico e saúde.
Por circunstâncias legais Santa Cruz adotou o Código de Posturas do município de Lençóis Paulista (Diario de São Paulo, 24/02/1877: 1), município mãe, até a elaboração do seu próprio no mandato seguinte.
Para a Administração da Câmara de 1877, foram nomeados: João Americo Bressane – Secretário; João Garcia de Oliveira Netto – Procurador; João Evangelista da Silva – Fiscal; Joaquim de A. Prado – Porteiro (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 543).
  • Eloy Antonio de Moraes teria sido o primeiro Secretário nomeado (Almanak Laemmert, 1911/1912: 4626; Santa Cruz do Rio Pardo – histórico), deixando o cargo para assumir a função de Agente da Coletoria de Rendas Gerais, em 1878, quando instalada no município (Correio do Sertão, 19/07/1902: 3). Num documento de 1879, Miguel Antonio de Souza declarou-se Procurador da Câmara (Correio Paulistano, 02/10/1879: 2).
Constam, ainda, empregados públicos braçais: Antonio Martins de Oliveira, João de Arruda Campos Filho, Joaquim Honório de Araujo – não especificados os cargos (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 543) 
A política inicial santacruzense, como as demais do interior paulista, tinha significado para a distinção de um chefe político local – coronel, por ser, em tese, quem direcionava os votos municipais para as eleições de deputados provinciais, e os gerais – deputados imperais. Constituía poder crescente, sobretudo por ser Santa Cruz cabeça de paróquia: "Eleitores da Paróquia de Santa Cruz do Rio Pardo – Quadro Eleitoral dos Municípios e Paróquias até 1879 – eleitores representantes: 10, população livre 3.623; escrava 209; total 3.832." (RG BN 1025, 1880/1881: Mapa SN). 
Tal informação populacional correspondia ao Censo de 1872 para Santa Cruz do Rio Pardo e São Pedro do Turvo, conjuntamente. 
Em 1883 foram computados 78 eleitores para a Paróquia, Santa Cruz do Rio Pardo e São Pedro do Turvo (RG: BN 1028, 1883/1884: 40); e no ano de 1890, com nova legislação, estavam registrados 336 eleitores santacruzenses e 200 para São Pedro do Turvo 200, ou seja, 536 eleitores na paróquia (RG U 1145, 1889/1890: A-189), número nada desprezível para os pretendentes ao coronelismo.
3.2. Legislatura 1881/1884 – não concluída 
A legislação eleitoral para os municípios, até 1880, determinava os critérios para definir quem votava e quem podia ser votado, atributos da Junta Paroquial composta pelo Juiz Municipal – Presidente, o Pároco e o Delegado de Polícia – Fiscal. 
O Juiz Municipal, inexistindo ou ausente, era substituído pelo Juiz de Paz como primeiro suplente, aplicando-se, quando preciso, o regra-três. O Delegado de Polícia, não havendo ou não presente o titular, assumia o Subdelegado – 1º suplente, ou o exercente do cargo. O Pároco podia ser suprido pelo Capelão ou alguma pessoa de confiança clerical.
Ao Delegado de Polícia, ou o seu imediato, cumpria registrar votantes e organizar as eleições, através da lista atualizada de qualificações, obedecendo a critérios legais. 
A legislação eleitoral para as eleições de 1880 era de interpretação bastante particular, geralmente a combinar o Decreto Imperial nº 2.675 de 20 de outubro de 1875, chamado de Lei Eleitoral, regulado pelas instruções regulamentares do Decreto Imperial nº 6.097, de 12 de janeiro de 1876, e mais as publicações esparsas dispostas entre as datas e a efetividade de um pleito eleitoral.
A junta paroquial para alistamentos e qualificações, a ex-officio poderia tornar a lista bastante excludente, a bastar-lhe exigir comprovantes, para fins de anexações, aos requisitos primários que deveriam ser preenchidos, como prova documental dos cumprimentos legais.
Os cidadãos não enquadrados nas exigências não poderiam ser eleitores e nem candidatos, podendo, porém, algum prejudicado reclamar injusta inclusão ou exclusão perante a junta paroquial, cuja competência atingia tão somente o não incluído. Ao excluído cabia recurso à instância superior, jamais o incluído que legalmente permaneceria nesta condição. 
A Junta Paroquial concentrava em si, tecnicamente, a palavra decisória na composição e julgamento das qualificações. Recorrer à instância superior quase sempre era feito inglório, tanto pela demora quanto pela decisão que, geralmente, não seria contrária à decisão paroquialista.
Os partidos políticos em Santa Cruz do Rio Pardo organizavam-se para a eleição municipal de 1º de julho de 1880, que elegeria seis vereadores dentre os candidatos.  
O Partido Conservador sagrou o seu diretório em uma reunião aos 04 de junho daquele ano na residência de Jacob Molitor, escolhendo seis membros para direção, quatro para Santa Cruz e dois para São Pedro do Turvo. Foram eleitos: o líder conservador, então tenente-coronel e deputado provincial, Emygdio José da Piedade – que renunciou a escolha, o alferes Antonio Caetano de Oliveira, Firmino Manoel Rodrigues, Joaquim Manoel de Andrade, Francisco Narciso Gonçalves e Fidelis José Rodrigues. Em lugar de Emygdio elegeu-se Luiz Antonio Rodrigues, e para presidente foi nomeado o alferes Antonio Caetano de Oliveira. 
  • "Na acta da reunião foi consignado um voto de louvor ao sr. Antonio Gonçalves Vallim, pelo muito que tem feito pelo partido conservador da localidade, contribuindo para a união do mesmo, assim como ao sr. tenente-coronel Emygdio da Piedade pelos valiosos serviços prestados ao partido conservador." (Correio Paulistano, 09 de julho de 1880: 2).
O Partido Liberal, sem o espaço necessário na imprensa conservadora do Correio Paulistano, para a eleição municipal de 1º de julho de 1880, teve sua presença marcada como adversário temível e ameaçador.  -"Eleição Municipal em Santa Cruz do Rio Pardo"
  • "(...)."
  • "De pessoa fidedigna recebemos a seguinte communicação": 
  • Transcrição- 
  • "No dia 28 de Junho, sob a presidencia do segundo Juiz de paz, Luiz Antonio Rodrigues, organisou-se a mesa parochial, sendo eleitos para mesarios dois conservadores."
  • "No dia 29, quando o povo se achava na igreja, ouvindo a missa conventual, entrou o coronel Francisco Dias Baptista, acompanhado de quarenta e cinco capangas todos armados, trazendo dois delles bandeiras vermelhas, marchando á dois de fundo, com as armas em punho e bandeiras desfraldadas; rodearam a egreja e desfilaram pelas ruas da villa, indo todos apear-se na casa do delegado de policia Nicolau Tolentino Rodrigues Barreiros, donde logo depois e do mesmo modo, dirigiram-se para a casa do primeiro supplente do juiz municipal, Theodoro de Camargo Prado. Pouco depois, distribuidos em grupos de oito e dez, armados de garruchas, facões e porretes, passeavam pelas ruas."
  • "No dia 30, á tarde, foi novamente a villa invadida por um outro grupo de vinte e quatro homens, armados de garruchas, rifles e espingardas, o qual, tambem de bandeira vermelha passeou pelas ruas e foi recolher-se á casa do dito juiz municipal."
  • "Sob taes auspicios ia se proceder a eleição quando, para maior escandalo, a maioria da mesa, resolveu fazer a chamada pela qualificação deste anno, finda no dia 28, depois de organizada a mesa, sendo que a convocação havia sido feita pela qualificação do anno passado."
  • "Como era natural, esta absurda resolução foi recebida com vivos protestos dos conservadores; entretanto, para evitar desordens e derramamento de sangue, em vista do estado dos animos, concordaram em adiar-se a eleição, para o fim de consultar-se o governo, sendo designado o dia 7 de Setembro para continuar a eleição."
  • (Correio Paulistano, 15/07/1880: 1). 
Os liberais, vencedores na eleição de 1876, não tinham a Presidência da Câmara, todavia detinham controle sobre a Junta Paroquial, com o Juiz de Paz, Theodoro de Camargo Prado, Presidente da Junta, e o Delegado de Polícia, Nicolau Tolentino Roiz¨ Barreiros, como Fiscal. Apenas o Padre João Domingos Figueira tinha simpatia pels conservadores.   
Nas ausências de Camargo Prado e Roiz¨ Barreiros, o Partido Conservador, num oportunismo político, assumiu o controle da Junta Paroquial, com o 2º Suplente de Juiz de Paz, Luiz Antonio Rodrigues, ocupando a Presidência, e Fortunato Rodrigues da Costa, como 1º Suplente de Delegado de Polícia, assumindo a Fiscalização.
Luiz Antonio Rodrigues estava como 1º Suplente de Juiz de Paz, em lugar de Raphael Silverio de Andrade que havia renunciado o cargo, portanto atuava como substituto legal de Camargo Prado. 
A Junta Paroquial, então aos interesses dos conservadores para as eleições municipais de 1880, não atualizou a lista de qualificações dos eleitores e manipulou inclusões e exclusões de eleitores, de maneira a dar como certa a vitória conservadora nas eleições. 
O Partido Liberal reagiu de maneira brutal. O Coronel Francisco Dias Baptista, chefe político liberal regional, fez desfilar sua tropa armada pelas ruas de Santa Cruz, entrou na Igreja durante ato religioso, dirigiu-se à casa do Delegado de Polícia e do Juiz de Paz reconduzindo-os às titularidades, determinou correções dos atos tomados pela Junta Paroquial e tomou de assalto o domínio da mesa eleitoral para eleger os seus indicados vereadores.
Os liberais ganharam a eleição, sob os protestos do Partido Conservador que denunciou a violência e o esbulho eleitoral (Correio Paulistano, 15/07/1880: 1).
Até se cogitou, pelo lado dos conservadores, adiamento das eleições para setembro do mesmo ano, mas o governo paulista mostrou-se alheio aos problemas locais, ou nenhuma atenção aos reclamos dos conservadores santacruzenses, e a declaração oficial dos resultados das urnas não trouxe Santa Cruz no rol das exceções:
  • "Procedeu-se, conforme a lei, no dia 1º de Julho, á eleição de Vereadores e Juizes de Paz, nas parochias da Provincia comprehendidas no ultimo recenseamento, com excepção das de Belem do Descavaldo, Santa Anna dos Olhos d'Agua e N. Senhora dos Remedios da Ponte do Tiete." (RG BN 1025, 1880 / 1881: 173).
Câmara com esmagadora maioria liberal: "Nicolau Tolentino Rodrigues Barreiros – Presidente, Manoel Garcia de Oliveira – Vice-Presidente, João Baptista de Oliveira, José da Rocha Campos, Rafael Silva de Arruda, Vicente Bezerra Machado", e Francisco Antonio da Silva foi nomeado Secretário, em lugar de Eloy Antonio de Moraes. Apenas Manoel Garcia de Oliveira foi oposição, como representante conservador. 
De qualquer modo o ano de 1880 encontrava-se politicamente confuso em todo o Império: "O projeto de que resultaria a Lei Saraiva foi encaminhado pelo Governo, em abril de 1880..." (Porto, 2009: 2). Por conseguinte, já se sabia os seus termos e possíveis implicações nas eleições ainda de 1880, prevendo-se anulações dos pleitos, ou Câmara de curta duração.
Pouco antes da posse da nova Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo, eleita em 1880, foi editada a esperada Lei Saraiva, substituindo de vez a legislação eleitoral anterior, instituindo eleições diretas para os cargos legislativos provinciais, inéditas na história do Brasil, além de confiar o processo de alistamento eleitoral à magistratura, extinguindo as juntas paroquiais de qualificação, e os analfabetos deixariam de votar.
Outra importante medida foi a implementação do Título de Eleitor, com número e data do alistamento, em substituição ao título de qualificação adotado em 1875. Somente podia votar com apresentação do Título de Eleitor.
Em termos de eleições municipais a nova lei apresentou modificações interessantes, por exemplos, o voto para Vereador tornar-se-ia uninominal, proibindo-se a reeleição para o período imediatamente subsequente, e os Presidentes e Vice da Câmara seriam escolhidos pelos seus pares na primeira sessão, desconsiderando o sistema de ser Presidente aquele com maior número de votos.
O procedimento eleitoral de 1880, em qualquer de suas realizações, chocava-se com os dispostos na nova legislação firmada no Decreto nº 3.029, de 09 de janeiro de 1881 (Lei Saraiva), e, diante de tantas e profundas mudanças a Câmara a assumir exercício praticamente carecia de legitimidade.
A nova Câmara foi empossada e, a sessão de 22 de janeiro de 1881, cuja ata assinada por todos os eleitos, versou sobre o Orçamento de Receitas e Despesas da Câmara Municipal, exercícios 1881 e 1882, encaminhado à Assembléia Provincial de São Paulo, "visto não ter orçamento vigente." (ALESP, CF. 81_114.2). 
A Câmara praticamente fechou suas portas quando o Nicolau Tolentino Rodrigues Barreiros deixou a vereança e presidência em meio a graves denúncias contra ele, como policial, cargo do qual sumariamente exonerado, e seus partidários liberais, vereadores, não souberam como reagir.
Valeu mais uma vez o oportunismo do Partido Conservador, e em outubro de 1881, numa sessão camarária, apresentavam-se vereadores quatro conservadores, Manoel Garcia de Oliveira – Presidente, Luiz Antonio Rodrigues, José Garcia de Oliveira Neto, Delfino Zeferino da Silva e Oliveira; e dois liberais, Francisco Antonio de Souza e Vicente Bezerra Machado. 
Já não apareciam os nomes de João Baptista de Oliveira, José da Rocha Campos e Rafael Silva de Arruda, além de Tolentino, todos liberais, substituídos por suplentes conservadores. Tão somente Vicente Bezerra Machado e Francisco Antonio de Souza, este suplente efetivado, representavam o Partido Liberal.
Assunto não bem esclarecido, o Correio Paulistano (edição de 12/11/1881: 1-2), historiou os acontecimentos. Os vereadores liberais Bezerra Machado e Souza, numa ferrenha oposição camarária, denunciaram ao governo paulista "sobre o facto de não serem convocados para as respectivas sessões desde que foi nomeado o novo secretario." (Correio Paulistano, 12/11/1881: 1-2, documento conferido pela Secretaria de Governo da Província).
Esclarecia a denúncia que após a saída do anterior Presidente da Câmara, o liberal Nicolau Tolentino Roiz¨ Barreiros, os conservadores assumiram o controle da Casa através do Vice-Presidente Manoel Garcia de Oliveira, guindado à Presidência, e numa forjada convocação dos vereadores e suplentes mais votados, mas em verdade convocando suplentes do Partido Conservador – inclusive aqueles com menos votos que os liberais, e praticamente instalou uma nova Câmara. 
Noutro gesto arbitrário, o Presidente da Câmara, Manoel Garcia de Oliveira gesto arbitrário teria "demittido o secretario [Francisco Antonio da Silva], homem serio e de bem e nomeado para servir em seu lugar um homem [Antonio Jacob Molitor] que tem sido accusado de factos horripilantes, pelo que seria impossivel, que a maioria da camara, se elles estivessem regularmente constituidos, admitisse essa nomeação!" (Correio Paulistano, 12/11/1881: 1-2), pois o ato dependeria de cinco votos. 
A acusação acrescia que dentre os suplentes convocados estariam dois cunhados do presidente, o que seria ilegal, e que o novo secretário era seu sobrinho. A denuncia, também se referia à ação difamatória da câmara contra o Delegado de Polícia, Francisco Antonio de Castro, que assumira em lugar do exonerado Tolentino, com os denunciadores tecendo elogios ao Delegado Castro e desprezando as acusações da Câmara.
O Governo Provincial entrou no mérito para exigir urgentes esclarecimentos da Câmara, e esta providenciou documentos assinados pelo Secretário Molitor, que a convocação fora feita a todos os vereadores eleitos e somente depois aos suplentes imediatos, e, enfim, aos demais suplentes, na conformidade da lei. 
O Porteiro da Câmara, Joaquim de Almeida Prado, assinando a rogo e sob o juramento do cargo, declarou ter entregado convocações para as sessões legislativas, e a esse procedimento os próprios Vereadores, Vicente Bezerra Machado e Joaquim Francisco da Silva, declararam: 
  • "Nós abaixo assignados a bem da verdade declaramos que ignoramos os factos contidos no nosso officio de 6 de Julho deste anno, o qual assignamos abusando-se de nossa ignorancia e boa fé, pois o certo é que havendo os sr Francisco Antonio de Castro nos perguntado se tinhamos sido convocados para todas as seções da camara, nós respondemos que sim, mas que para duas os officios não nos foram entreguez por terem sido confiados a visinhos nossos que se descuidaram de nos entregar em tempo, e o sr. Castro escrevendo, nos dias que assignamos; o que de boa fe fizemos, julgando assignar aquillo que hiaviamos dito a elle, e só agora é que temos conhecimento do que assignamos. Cujos factos contestamos. Santa Cruz do Rio Pardo, 7 de Outubro de 1881 – Os vereadores Vicente Bezerra Machado, Joaquim Francisco da Silva. Conferido. O secretario da camara municipal, Jacob Antonio Molitor." (Correio Paulistano, edição de 12/11/1881: 1-2)
Ao Presidente da Província de São Paulo, foi então encaminhada. 
  • "Copia - da sessão ordinaria da camara municipal do dia 7 de Outubro de 1881 - Aos sete dias, do mez de Outubro de mil oitocentos e oitenta e eum nesta villa de Santa Cruz do Rio Pardo, na sala das sessões da camara municipal, às dez horas da manhã presente o presidente da mesma o cidadão Manoel Garcia de Oliveira, comigo secretario abaixo nomeado, procedeu-se a chamada dos vereadores convocados, Joaquim Francisco da Silva, Vicente Bezerra Machado, José Garcia de Oliveira Netto, Delfino Zeferino da Silva e Oliveira, estavam todos presentes; o presidente declarou aberta a sessão. Apresentando um officio do excellentissimo presidente da provincia, em que manda esta camara informar sobre uma reclamação que fez os dois vereadores Joaquim Francisco da Silva e Vicente Machado Bezerra em data de seis de Julho ultimo, lida e apresentada por copia a referida reclamação que enviou o mesmo excellentissimo presidente da provincia, pelo presidente foi posto a discussão o modo se devia informar; pelos dois reclamantes que se achavam presentes fazendo parte da sessão, foi declarado que tal reclamação não sustentam por não ser legal, pois foi a elles apresentado por Francisco Antonio de Castro, o que somente assignaram, e só agora é que tiveram conhecimento do lugar que a elles - dito Castro, e que por isso negavam tudo o allegado na ditta reclamação por elles assignados. Em vista do que os demais vereadores cinco deram que os desse essa mesma declaração ao excellentissimo presidente da provincia para a informação que pede. O presidente ordenou a mim secretario que escrevesse a referida contrariedade para ser remettida pelo correio ao excellentissimo presidente da provincia, o que foi satisfeito. E sendo as horas adiantadas foi suspenso os trabalhos para amanhã as horas de costume convidando assim o presidente, os vereadores para seus comparecimentos. E do que para constar lavrei a presenta acta que se assigna o presidente e vereadores. Eu - Jacob Antonio Molitor, secretario que escrevi - Garcia Oliveira Silva - Garcia Netto - Machado - Silva e Oliveira. Nada mais. O secretario, Jacob Antonio Molitor - conferi - Molitor." (Correio Paulistano, 12/11/1881: 1-2).
Pouco tempo depois, Vicente Bezerra Machado figurava na lista dos conservadores santacruzenses.
3.3. Eleições de 1882
Com a edição e entrada em vigor do Decreto nº 3.029, de 09 de janeiro de 1881 (Lei Saraiva), e mais os acontecimentos internos decorrentes, seria difícil a Câmara Municipal eleita em 1880 (para a legislação 1881/1884) sustentar-se. 
A situação se agravaria com a esperada edição do Decreto nº 8.213, de 13 de agosto de 1881, regulamentador da Lei Saraiva, que assim estabeleceu em seus artigos 190 e 191: 
  • "Art. 190. As camaras municipaes continuarão a compor-se do mesmo numero de vereadores marcado na legislação vigente, (...)."
  • "Cada uma das mesmas camaras terá um presidente e um vice-presidente, os quaes serão eleitos annualmente, na 1ª sessão, pelos vereadores dentre si."
  • "Art. 191. Feita a primeira eleição de deputados á assembléa geral pelo modo estabelecido na Lei no 3.029 de 9 de Janeiro de 1881 e neste Regulamento, proceder-se-ha tambem á eleição das camaras municipaes e dos juizes de paz em todo o Imperio no primeiro dia util do mez de Julho que se seguir, começando a correr o quatriennio do dia 7 de Janeiro subsequente."
  • "De então em diante se continuará a fazer a mesma eleição de quatro em quatro annos em igual dia do mez de Julho."
No entanto, as disposições contidas, estariam sujeitas à aprovação legislativa, na seguinte obediência:
  • "Art. 241. Em virtude do art. 36 da Lei no 3.029 de 9 de Janeiro de 1881:
  • "§ 1º Fica sujeito á approvação do Poder Legislativo este Regulamento na parte a que se refere o citado art. 36."
  • "§ 2º Depois do acto do Poder Legislativo de que trata o paragrapho antecedente considerar-se-hão revogadas as leis e disposições anteriores á citada Lei no 3.029 e a este Regulamento, relativas a eleições."
  • "§ 3º Publicado este Regulamento cessará desde logo a attribuição concedida ao governo e aos presidentes de provincia no art. 120 da Lei no 387 de 19 de Agosto de 1846."
  • "Art. 242. Ficam sem effeito desde já as instrucções que para o 1º alistamento dos eleitores, ao qual se tinha de proceder em virtude da Lei no 3.029 de 9 de Janeiro de 1881, mandou observar o Decreto no 7.981 de 29 do mesmo mez e anno."
O Decreto nº 8.213 também estatuiu a exigência de "saber ler e escrever" para se requerer a inclusão no alistamento eleitoral a partir de 1882. O tema não constava do corpo do Decreto nº 3.029, de 09 de janeiro de 1881 – a Lei Saraiva.
Demoras decorrentes das tramitações legislativas e encaminhamentos às Províncias para discussões das novas regras, o Imperador fez intervenções no sentido de dissolver a Câmara dos Deputados e marcar novas eleições para outubro de 1891 para posse em 31 de dezembro do mesmo ano, conforme 'Aviso Circular de 02 de julho de 1881', de Ordem do Imperador e válido para todo o Império:
  • "Ilm. e Exm. Sr. — Communicando a V. Ex. que S. M. o Imperador em virtude da attribuição que lhe confere o art. 101º § 5º da constituição do império, houve por bem, por decretos ns. 8.153 e 8.154 de 30 de Junho ultimo, dissolver a camará dos deputados e convocar outra para o dia 31 de Dezembro do corrente anno, bem como convocar para o mesmo dia a nova assembléa geral, designando o dia 31 de Outubro próximo futuro para proceder-se em todo o império ã eleição geral dos novos deputados; recommendo a V. Ex. que expeça com urgência as ordens necessárias para que nessa província se realize no mencionado dia a referida eleição, devendo o processo da eleição effectuar-se na forma determinada nos artigos 15º e 18º da lei n. 3029 de 9 de Janeiro deste anno."
Em decorrência, no ano de 1882 "Procedeu-se em quase todas as parochias da Provincia, no dia 1º de Julho ultimo, à eleição de Vereadores e Juizes de Paz para o quatriennio que começará a correr de 7 de Janeiro do corrente ano [de 1883] nos termos do artigo 191 do Regulamento 8.213, de 13 de Agosto de 1881." (RG BN 1027, 1882/1883: 58). O quatriênio seria de 1883 a 1886, a significar, com isso, a destituição da Câmara eleita em 1º de julho de 1880 - legislatura 1881-1884.
Santa Cruz do Rio Pardo realizou eleições municipais sendo eleitos Vereadores: "Joaquim Manoel de Andrade, Francisco de Paula Martins, Alferes João R. Oliveira Mello, Luiz Antonio Rodrigues, Jacyntho Xavier da Costa, Francisco Candido da Silva e Francisco Antonio de Souza. Todos conservadores." (Correio Paulistano, Ano XXIX nº 7722, de 26 de julho de 1882: 2). 
  • "Vereadores"
  • "Eleitos em 1º escrutinio:"
  • "Luiz Antonio Rodrigues (c)"
  • "Alferes Francisco Lourenço de Figueiredo (l)"
  • "Alferes João Baptista de Oliveira Mello (c)"
  • "Firmino Silveira de Andrade (l)"
  • "Está designado o dia 22 deste para o segundo escrutinio, no qual entram 1 conservador e 2 liberaes."
  • "Como se ve, a victoria pertence ainda desta vez ao partido conservador."
  • (Correio Paulistano, 15/11/1882: 2).
As eleições conforme a regra foram complementadas em 23 de novembro, ficando composta a Câmara: Luiz Antonio Rodrigues, João Baptista de Oliveira Mello, Joaquim Manoel de Andrade, Firmino Manoel Rodrigues, Francisco Lourenço Figueiredo, Firmino ou Fermino Silveira de Andrade e José Pedro Coimbra (Correio Paulistano. 12/12/1882: 2).
Em dezembro de 1882 foi encerrado o mandato da Câmara eleita em 1880, constando presentes nos cargos "Manoel Garcia de Oliveira - Presidente; Vicente Bizerra Machado; João Baptista de Oliveira Mello; Francisco Antonio de Souza; e Luis Antonio Rodrigues." (ALESP, CF 83_199.1 – Câmara, ofício de 08/12/1882 requerendo da Assembléia Legislativa Provincial a fixação de salários para servidores públicos remunerados pela Municipalidade).
São os mesmos vereadores que assinaram outro expediente, também de 08 de dezembro de 1882, referente ao projeto para o Código de Posturas do Município, originalmente redigido pela Comissão de Redação da Assembléia Legislativa da Província de São Paulo.
3.4. Legislatura 1883/1886 
A Câmara eleita em 1882 tomou posse em janeiro de 1883, com os eleitos Luiz Antonio Rodrigues, João Baptista de Oliveira Mello, Joaquim Manoel de Andrade, Firmino Manoel Rodrigues, Francisco Lourenço Figueiredo, Firmino ou Fermino Silveira de Andrade e José Pedro Coimbra.
Francisco Lourenço de Figueiredo era representante de São José do Rio Novo (Estância Climática de Campos Novos Paulista), e José Pedro Coimbra, de São Pedro dos Campos Novos do Turvo (São Pedro do Turvo). Tais vereadores quase nunca compareciam, justificados pela distância entre a sede e suas freguesias, aliada às intempéries.
A Câmara eleita em 1882 apresentava-se mais amiúde com os vereadores "Joaquim Manoel de Andrade; Francisco Antonio de Souza, Firmino Silvério de Andrade, João Baptista de Oliveira Mello e Luiz Antonio Rodrigues", de acordo com assinaturas apostas, a título de exemplo, em documento de 20 de dezembro de 1883 à Assembleia, reivindicando, justificando e anexando informações para a elevação de Santa Cruz do Rio Pardo à condição de Comarca, considerada a vasta territorialidade a abranger os povoados estabelecidos [São Pedro do Turvo, Campos Novos Paulista e Conceição de Monte Alegre] e outros surgentes [Platina, Dourado e Jaguaretê], com população firmada e crescente (ALESP, EE. 83_24).
Em anexo ao citado ofício um abaixo-assinado, de 20 de setembro de 1883, dos mais expressivos nomes da sociedade reivindicando elevação do lugar à condição de Comarca (ALESP, PR 84_007). Caso a solicitação fosse atendida, Santa Cruz deixaria de ser Termo de Lençóis Paulista. 
No mês de outubro de 1883, concluso o Código de Posturas, ocorreu o despacho numa confusa anotação, sem assinaturas ou rubricas dos senhores Vereadores: "Registrado no livro competente a 19 de março, digo de outubro de 1883" (ALESP, RE 83_045.1).
Para o exercício de 1884 apresentou-se a mesma Câmara, vom o Vereador Luiz Antonio Rodrigues na Presidência do Legislativo em vez de Joaquim Manoel de Andrade. As assinaturas constam num documento, de 13 de janeiro de 1884, depois riscadas, numa minuta referente ao pleiteado imposto para construção da Matriz (ALESP, CF 84_203.2).
Aos de 13 de janeiro de 1884 a Câmara encaminhou à Assembléia Provincial, para fins de de discussão e aprovação, o orçamento das Receitas e Despesas previstas para o exercício de 1884, com assinaturas dos vereadores: "Luiz Antonio Rodrigues: Presidente, Firmino Silverio de Andrade, Joaquim Manoel de Andrade, Francisco Antonio de Souza, João Baptista de Oliveira Mello" (ALESP, CF. 81_114.1).
A Câmara estava atuante, e em 19 de janeiro de 1884 o plenário propõe e encaminha à Assembléia Provincial de São Paulo, a reforma em seu Código de Posturas:
  • "Paço da Camara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, em Sessão Ordinária, 19 de janeiro de 1884."
  • "Officio da Camara de Sta Cruz do Rio Pardo, propondo a reforma de um artigo de suas posturas."
  • "Ilmos Exmos Snrs."
  • "Deliberou hoje esta Camara que os negociantes estabelecidos, que residirem dentro da quadra da povoação desta Villa, ficam isemptos do pagamento da quantia de cinco mil reis á que estão subjeitos pelo Codigo de Posturas em vigor, quando, com generos de seus negocios, estabellecendo botequins por occasião de qualquer festividade religiosas ou outras conservando, porem, as portas do negócio fechados; pagando, no caso contrario, o referido imposto."
  • "(...)."
  • "Luiz Antonio Rodrigues – Presidente."
  • "Firmino Silverio de Andrade;"
  • "João Baptista de Oliveira Mello;"
  • "Francisco Antonio de Souza;"
  • "Fermino Manoel Rodrigues."
Fermino Manoel Rodrigues apareceu como substituto de Joaquim Manoel de Andrade. 
O interesse da Câmara tramitou na Assembléia Provincial pela Comissão das Câmaras, com data de 28 de janeiro de 1884 – 1ª Pauta, e 16 de fevereiro de 1884 - 2ª Pauta:
  • "(...). A Comissão das Camaras, examinando a proposta da Camara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo contida em seu officio de 9 de Janeiro corrente, pela qual precisa modificar a disposição de paragrapho 7º do artigo 89 de seu Codigo de Postura, approvado e mandado executar a 6 de Agosto de 1883 offerece o seguinte ..." (ALESP, CP 84.18.1).
O documento projeto, assinado pelo Deputado Emygdio Piedade, inutilizado e depois reescrito, na mesma página, sem validade, e não prosperou. 
Pouco depois, sob a presidência de Luiz Antonio Rodrigues, a Câmara recebeu do Governo de São Paulo a Resolução nº 002, de 01 de março de 1884, na qual mandava executar um artigo de postura da Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, subentendido o artigo 5º, para se realizar a primeira demarcação urbana, visando cobrança de Imposto Predial conforme registrada em livro-ata, reunião de 05 de agosto de 1884. 
Assinaram o documento: Luiz Antonio Rodrigues [Presidente], João Baptista de Oliveira Melo, Fermino Manoel Rodrigues, Joaquim Manoel de Andrade e Firmino Silveira de Andrade. Joaquim Manoel de Andrade aparece no cargo e Fermino Manoel Rodrigues apresenta-se, então, no lugar de Francisco Antonio de Oliveira.
Luiz Antonio Rodrigues revelou-se atuante e transparente, durante o período de sua gestão, com a abertura do Livro de Registro de Ofícios e Atos Expedidos da Câmara Municipal, o que tornou o legislativo mais bem documentado, a partir de 13 de julho de 1884, em especial porque os expedientes chegaram até os dias atuais (Câmara, 1884). 
As citações seguintes de documentos mostram o dinamismo da Câmara e sua preocupação com o município, conforme observáveis entre outros:
  • 1.  O abastecimento de água potável era uma das principais reivindicações que a Câmara Municipal junto à Assembléia Provincial, a destacar-se ofício de 13 de julho de 1884 no qual se requer pagamento do auxílio prometido de um conto de réis – concessão aprovada, para a condução da água até os chafarizes a serem construídos em pontos estratégicos da vila.
  • 2.  Ainda de 13 de julho de 1884, ofício ao Vice-Presidente, Luis Carlos de Assumpção, em exercício na Chefia do Governo da Província de São Paulo, a comunicar o adiantamento das obras da estrada para Rio Novo, Avaré, e requerer dinheiro para melhores pontes sobre os ribeirões pelos caminhos e a efetivação de uma estrada ou o atalho de duas léguas para São Sebastião do Tijuco Preto [Piraju].
  • 3.  No orçamento provincial aprovado para Santa Cruz do rio Pardo são destinadas verbas, por exemplo, 1:000$ para aquela estrada/atalho nos ‘Cafundó’ e, para as demais obras, além de 1:000$ para a igreja matriz em São Pedro do Turvo, outros 1:000$ para a cadeia pública também em São Pedro do Turvo. Para a retirada de referidos valores e outros destinados ao município, em cotas ou integrais, a Câmara então nomeou seu procurador, por ofício de 13 de julho de 1884, o Conselheiro Dr. Manoel Antonio Duarte de Azevedo, um dos mais ilustres nomes do Império.
  • 4.   A Câmara Municipal envolveu-se nas 'desavenças' entre Jacob Antonio Molitor – Delegado de Policia em exercício e a família Piedade, comunicando ao Governo da Província, por ofício de 1º de agosto de 1884 das práticas de violência e cerceamento de liberdades promovidas pelo referido Delegado, citando o acontecimento de 28 de julho daquele ano, afrontado publicamente Augusto Piedade – Secretário da Câmara, e o Presidente do Legislativo que pretendiam verificar as obras do edifício público onde seria instalado o Poder Judiciário, a Câmara e o conjunto Delegacia/Cadeia Pública. No expediente o Presidente da Câmara mencionou, ainda, maus tratos de Molitor aos cidadãos, citando o nome de outro policial agressivo e arbitrário – o soldado João Mariano, subordinado ao Delegado, e relatou humilhações cometidas contra o Professor Público Godofredo Piedade e demais cidadãos.
  • 5.  Ofício de 04 de agosto de 1884 comunica ao Governo da Província a posse do Professor João da Silva Ribeiro, na escola da Freguesia de São José do Rio Novo dos Campos Novos - um dos nomes da atual localidade de Campos Novos Paulista, então pertencente ao município de Santa Cruz do Rio Pardo. Joaquim Manoel de Andrade reassume a Câmara em lugar de Francisco Antonio de Souza.
  • 6.  Aos 05 de agosto de 1884, os vereadores santacruzenses, em observância ao disposto no artigo 5º do Regulamento (Resolução nº 002, de 01 de março de 1884) da Presidência da Província, informam que "(...) depois de havermos todos conjuntamente percorrido esta Villa em todas as direções, resolvemos, (...) demarcar os limites da povoação desta Villa de Santa Cruz do Rio Pardo, e o fasemos da seguinte forma: partindo da barranca do rio Pardo, no extremo do quintal fechado por Joaquim Cesário Garcia, e subindo pela cerca do mesmo quintal assim até a casa de Amâncio de Campos Biondo na proximidade da Capela de Santa Cruz, seguindo o mesmo rumo até o vallo de Joaquim Manoel Rodrigues, por este até o vallo de Victorio Garcia de Oliveira até a casa de Morada deste, desta a rumo ao ribeirão São Domingos, por este abaixo até encontrar a divisa do patrimônio de São José, pela divisa deste patrimônio até o rio Pardo e por este acima até o ponto de partida. Assim concluida e feita a demarcação dos limites desta povoação ...". Tratava-se da área povoada para fins de taxas e impostos.
  • 7.  Em 08 de agosto de 1884, a Câmara encaminhou ao Imperador Pedro II, através do Ministro Conselheiro de Estado dos Negócios da Justiça, ofício / requerimento solicitando para Santa Cruz sua elevação sede de Comarca, num embate político, administrativo e jurídico com a Câmara e o Judiciário de Lençóis Paulista aos quais não interessava nenhum acesso santacruzense à condição de Comarca. Os vereadores titulares assinam o documento, e também o suplente Francisco Antonio de Souza.
  • 8.  Na data de 20 de agosto de 1884 a Câmara Municipal registrou entrada da Resolução Provincial nº 8, de 14 de março de 1884, quanto à contribuição obrigatória dos munícipes para o término da construção da Igreja Matriz, e então o Presidente determinou extração de cópia e a enviou ao Delegado de Polícia local determinando o cumprimento da ordem dada, através dos Inspetores de Quarteirões. A medida legal, em forma de imposto, foi decisão política bastante impopular e ineficaz.
  • 9.  Em 11 de novembro de 1884, a Câmara Municipal solicitou do Governo Provincial ajuda financeira para serviços de encanamento de água, 12 (doze) quilômetros até os chafarizes a serem construídos em pontos escolhidos da povoação.
  • 10.  Ofício de 03 de setembro de 1884 a Câmara apresentou ao Governo da Província seus procuradores, com o fim especial de requerer a "anexação da quantia de tresentos mil reis, excedente da cota de quinhentos mil reis destinada no Orçamento findo para os concertos da ponte sobre o Rio Turvo, na estrada que desta Villa vai à Freguesia de São Pedro do Turvo, à quota de quinhentos mil réis, constante do mesmo Orçamento, destinada para os concertos da ponte sobre o Rio Pardo, nesta Villa, áfim de ser construída, com esta pequena quota de oito centos mil reis, uma nova ponte sobre o Rio Pardo, nesta Villa, na Rua do Andrade, (...)". 
  • 11.  Em 12 de novembro de 1884 a Câmara indicou ao Governo Provincial uma comissão de idôneos: Padre Bartholomeu Comenale, Joaquim Manoel de Andrade e mais o Tenente-Coronel Emygdio José da Piedade para acompanhamento das obras e gerir os recursos destinados à construção da Igreja Matriz. 
  • 12.   A busca por recursos era incessante, com a Câmara nomeando pessoas de confiança para retirar os recursos dados pelo Governo, sendo os dois últimos constituídos os moradores santacruzenses Professor Godofredo José da Piedade e o Padre Bartholomeu Comenale (Atos Legislativo,18 de novembro de 1884).
  • 13.  Ultimo expediente encontrado, datado de 05 de julho de 1885, a Câmara encaminhava ao Governo Provincial a indicação do Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira para membro do Conselho Municipal de Instrução Pública, o qual eleito por unanimidade. 
Com referidos dados compreendem-se com quais preocupações e objetivos lidavam os senhores vereadores.
No ano de 1885 compõe-se dos mesmos vereadores, à exceção de Francisco Antonio de Souza, substituído por Fermino Manoel Roiz¨, então assim constituída a Casa: "Luiz Antonio Roiz¨ [Rodrigues] - Presidente; Joaquim Manoel de Andrade; Firmino Silverio de Andrade; Firmino Manoel Roiz¨ [Rodrigues]; João Baptista de Oliveira Mello." (Câmara, Ofícios Expedidos e Recebidos, 1885). 
Existe continuidade de atuação e comportamento igual do exercício anterior, com as reivindicações para as melhorias do município, sempre na busca do dinheiro público para realizações de obras e a aplicação atuante do Código de Posturas aprovado em 1883. Também, a Câmara preocupa-se com as melhorias e seguranças das povoações que compõem o vasto município.
Destaca-se para 1885 a pretensão camarária para a instalação da Coletoria de Rendas Públicas independente de Lençóes e justifica que, por Santa Cruz estar mais próxima das localidades de São Pedro do Turvo, Campos Novos do Paranapanema e Conceição de Campo Alegre, as fiscalizações e recolhimentos - chamados de rendas, seriam maiores e mais bem fiscalizadas.
Persiste na reivindicação para Santa Cruz, "que se acha á 18 legoas da Villa de Lençóes, ao qual é [Termo] reunido”, a condição de comarca judiciária e os argumentos são aqueles mesmos: “uma população superior a 25 mil habitantes espalhados em um território de mais de 50 legoas de extensão (...)." envolvendo as localidades de São Pedro, Campos Novos e Conceição (Câmara, Ofícios Expedidos e Recebidos, 1885).
O Brasil de 1885 vivia tumultuo político com reflexos na Província de São Paulo indicando reformas políticas. 
Consoante documento de 1º de novembro de 1885, os Vereadores acusam recebimento da Circular do Governo da Província de São Paulo, comunicando posse do novo Presidente, Dr. João Alfredo Corrêa de Oliveira [Visconde de Parnaíba], em substituição ao Dr. José Luiz de Almeida Couto. A Câmara saúda eufórica a posse do Visconde. 
Em sessão de 09 de dezembro de 1885 fez a leitura do Decreto Imperial nº 9.500, de 26 de setembro de 1885, que dissolveu a Câmara de Deputados e convocou outra para o dia 3 de maio de 1886, com o Decreto 9.501 estabelecendo eleição em todo o Império aos 15 de janeiro de 1886. 
Com o ato imperial dissolvente e a substituição do governo provincial, a conturbação política se instalou no município. O Livro A, de Registros da Câmara Municipal, tem folhas amassadas e rasgadas [depois coladas], como sinais de altercações políticas mais exaltadas. O Presidente da Câmara, Luiz Antonio Roiz¨, deixa as funções em favor de Firmino Manoel Roiz¨, a partir de janeiro de 1886, a permanecer, porém, no cargo de Vereador.
A despeito das confusões políticas, o grande acontecimento para Santa Cruz do Rio Pardo em 1886 foi, sem dúvidas, a inauguração da iluminação pública a querosene, de acordo com registro de 11 de março daquele ano. 
Num outro expediente, de 11 de março de 1886, a Câmara solicita do Presidente da Província autorização para proceder eleição para um Vereador em substituição a Joaquim Manoel de Andrade optante pelo cargo de Coletor, para o qual designado.
Nos mês de junho de 1886, "Occorrendo algumas vagas, em virtude de mudanças, óbitos e opções, nas Camaras dos municipios seguintes, determinei que se procedesse ás respectivas eleições: (...) em Santa Cruz do Rio Pardo (...) a 27 tambem de Junho; ..." (RG BN 1031, 1886/1887: 10), para posse imediata e permanência no cargo até 06 de janeiro de 1887. As ausências de documentos entre 16 de junho a 13 de setembro de 1886 impedem saber quem foi o eleito, porém na sessão de 14 de setembro aparece a assinatura de Francisco Garcia de Oliveira.
A situação política local agravou-se com a elevação da freguesia de São José do Rio Novo de Campos Novos, então no município de Santa Cruz do Rio Pardo, à condição de Vila com a denominação alterada para Campos Novos do Paranapanema [atual Estância Climática Campos Novos Paulista], estranhamente fixada no município de Lençóes [Lençóis Paulista], e tem sua primeira eleição marcada para 08 de agosto de 1886.
A eleição para nova Câmara, legislatura 1887/1890, realizou-se aos 1º de julho de 1886, no mesmo dia para os cargos de Juízes de Paz.
3.5. Legislatura 1887/1890 – mandato interrompido em 1889
A despeito das turbulências políticas e independente da eleição de 27 de junho para substituição a Joaquim Manoel de Andrade, o pleito municipal de 1º de julho de 1886, legislatura 1887/1890, ocorreu em clima tranquilo, de acordo com o relatório anual do Presidente da Província de São Paulo e a posse ocorrida no dia 7 janeiro de 1887" (RG, BN 1031, 1886/1887: 10), com os eleitos: 
  • "Arlindo Crescencio Piedade – Presidente; Marcello Gonçalves de Oliveira – Vice Presidente; Luiz Antonio Roiz¨ [Rodrigues], Firmino Silvério de Andrade, Manoel Antonio de Andrade, Manoel Garcia Duarte e Bernardino Antonio Pereira de Lima." (Câmara, Ofícios expedidos e recebidos, 1887).
Manoel Garcia Duarte, por motivo ignorado, escusou-se do cargo, e Bernardino Antonio Pereira Lima, sem justificativas não compareceu às sessões dos meses de janeiro/fevereiro de 1887, somente fazendo-se presente, documentalmente comprovado, aos 23 de março daquele ano, disputando com o Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira a Vice-Presidência da Casa, sendo vencedor.
Percebem-se as querelas na escolha anterior de Vice-Presidente, de 07/01/1887, quando escolhido vice-presidente o Coronel Marcello. Aliás, o Coronel Marcello protestou contra a eleição de março do mesmo ano que elegeu Bernardino em seu lugar (Correio Paulistano, 02/06/1887: 1), sem aparentes resultados a seu favor.
O quadro de funcionários da Câmara contava com Vicente Finamore – Secretário; Firmino Manoel Rodrigues – Procurador; Joaquim Francisco de Oliveira Tocaia – Fiscal; Manoel Herculano Leite – Porteiro; e João Aureliano de Lima – Arruador.
Na sessão extraordinária de 13 de junho de 1887, o cidadão Manoel Garcia Duarte "prestou juramento e tomou posse do cargo cujo vereador tinha pedido escusa." (Câmara, Ofícios Expedidos e Recebidos, 1887).
Com a entrada de Garcia Duarte a Câmara definiu-se: Arlindo Crescencio da Piedade, Marcello Gonçalves de Oliveira, Luiz Antonio Roiz¨, Firmino Silvério de Andrade, Bernardino Antonio Pereira Lima, Manoel Antonio de Andrade e o próprio Manoel Garcia Duarte.
Aos 13 de maio de 1888 aconteceu a abolição da escravatura negra, sem nenhum registro conhecido em Santa Cruz, todavia, não se sabe de qualquer fazendeiro santacruzense que tenha sido surpreendido pelo ato, ou que tenha sofrido prejuízos.
Tecnicamente não existia mais cativo em Santa Cruz, tanto através do fundo de emancipação da mão de obra escrava, ao qual aderiu o município, quanto pela libertação antecipada, registrada em cartório, com o liberto compromissado a serviços gratuitos para o patrão, a título de indenização. Para alguns, o alvedrio somente chegaria dois anos após a Lei Áurea.
Os vereadores Arlindo Crescencio Piedade e Luiz Antonio Roiz¨, renunciaram mandatos em 1888, posto optantes pelos cargos, em designação, de suplentes de Juiz Municipal, sendo marcadas eleições para dois substitutos, realizadas aos 02 de junho daquele ano (Correio Paulistano, 18/04/1888: 3), e eleitos Emygdio José da Piedade e José Luiz Roiz¨." (Correio Paulistano, 12/06/1888: 2).
Emygdio José Piedade assumiu a Presidência da Câmara aos 07 de maio de 1889, e estava no exercício do cargo quando acontecido o Golpe Militar que derrubou o Império, e ao receber o comunicado oficial da instalação da República, pronunciou-se resignado com a queda da Monarquia, e pronto a servir a República (Câmara, Livro Ata, 21/11/1889).
Com o golpe militar de 1889 e consequente proclamação do regime republicano, na Província de São Paulo dissolveram-se 121 das 134 Câmaras Municipais existentes – Decreto 107, de 30 de dezembro de 1889 (RG, U 1145, 1889/1890: 13), substituindo-as pelos Conselhos de Intendência.
A Câmara local foi dissolvida pelo Decreto de 17/02/1890, e substituída pelo Conselho de Intendência cujos membros nomeados: Dr. Manoel Malta Leite de Araujo, Joaquim Manoel de Andrade, Moyzés [Moyses] Nelli, João Baptista Botelho e João Evangelista da Silva (Correio Paulistano, 20/02/1890: 1), sendo o Dr. Malta Leite o Procurador Intendente, em São Paulo, e a Presidência coube a Joaquim Manoel de Andrade, e os demais nomeados membros.
3.5.1. Golpe militar de 1889
Rumores davam conta de conturbações legislativas, em todo o Brasil, no ano de 1889 e, em Santa Cruz, aos 07 de maio, o Coronel Emygdio José da Piedade ocupa a presidência do Legislativo, e estava no cargo quando o Golpe Militar que derrubou o Império. 
Ao receber o Comunicado Oficial da instalação da República, assim pronunciou-se: 
  • "Cidadãos. Está instituído o governo republicano brasileiro, e funcionando o governo provisorio do Estado de São Paulo. Não podemos deixar de adherir ao movimento e a transformação".
  • "(...)."
  • "A nós, que sustentamos a Monarquia enquanto ella pode manter-se, resta o dever, como brasileiros e patriotas, de cooperar com o governo atual para a manutenção da ordem e da paz, para o engrandecimento da nação brasileira e para argumentar a garantia dos direitos e liberdade dos cidadãos".
  • "(...)." (Câmara, Livro Ata, 21 de novembro de 1889).
Com o golpe militar de 1889 e consequente proclamação do regime republicano, na Província de São Paulo de 1890, já sob a denominação de Estado, foram dissolvidas 121 das 134 Câmaras Municipais existentes, entre elas Santa Cruz do Rio Pardo, com base no Decreto 107, de 30 de dezembro de 1889, (RG U 1145, 1889/1890: 13), criando-se no lugar o Conselho de Intendência Municipal. 
O Golpe Republicano de 1889 também anulou a conquista das eleições diretas – pela Lei Saraiva, com estabelecimento do voto 'a descoberto', para assim o poder militar garantir-se nas primeiras eleições, substituindo a Justiça pela Polícia e Agentes do Governo.
3.5.2. Nomeação da Intendência Municipal – 1890/1892 
Em Santa Cruz do Rio Pardo foram nomeados para a Intendência, Joaquim Manoel de Andrade, Moyses Nelli e João Evangelista da Silva, o primeiro por Presidente e os demais na qualidade de membros.
A Intendência Municipal designada instalou-se num imóvel localizado na atual Avenida Dr. Cyro de Mello Camarinha, que então ficou conhecida como Avenida da Intendência, como referência àquela repartição pública. 
A Intendência santacruzense, pelo seu Presidente, nomeou, conforme o artigo 8º do Decreto Presidencial nº 200, a Comissão Distrital composta: "a) do juiz de paz mais votado do districto, o qual será o seu presidente; b) do subdelegado da parochia; c) de um cidadão com as qualidades de eleitor, residente no districto, (...)", para o processo de qualificação eleitoral, no período de 20 (vinte) dias, de 07 a 27 de abril de 1890. Foram designados, Fermino [Firmino] Manoel Rodrigues – 1º Juiz de Paz, João Baptista Botelho – 1º Subdelegado, e o cidadão João Castanho de Almeida (Comissão Distrital da Intendência de Santa Cruz do Rio Pardo, Livro-Ata). 
Para a referida Comissão Distrital as substituições dos membros titulares Juiz de Paz e Subdelegado ocorreriam sempre pelos respectivos suplentes imediatos, e para o cidadão nomeado, conforme o artigo 11 do mesmo Decreto, "Na primeira reunião da commissão, ella nomeará dous cidadãos que tenham as qualidades de eleitor, já para substituirem o membro nomeado pelo presidente da Camara ou Intendencia em sua falta ou impedimento, já para funccionarem effectivamente como membros da commissão, si esta o julgar conveniente ao serviço eleitoral." Foram escolhidos substitutos de João Castanho de Almeida os cidadãos João Vieira Teixeira e Silva e Manoel Luiz de Souza. Foi Secretário nomeado, Salvador Rolim de Freitas, Escrivão do Juízo de Paz.
Durante a vigência da Intendência Municipal, aos 14 de julho de 1891, foi promulgada a Constituição Paulista que, em seu artigo 53 – inciso 5º permitia que cada município tivesse a sua própria lei eleitoral:
  • "Art. 53.º A organização dos municípios será determinada em lei ordinária sobre as seguintes bases:"
  • "(...)."
  • "5º - A lei ordinária assegurará aos municípios a máxima autonomia governamental e independência econômica, e o direito de estabelecerem, dentro das prescrições desta Constituição, o processo para as eleições de caráter municipal."
Dessa forma a Lei Ordinária – eleitoral nº 21, de 27 de novembro de 1891, publicada aos 05 de dezembro de 1891, fazia cumprir a Constituição e estabelecia em seu artigo 24 as exigências legais de pleitos municipais aos 30 de julho, a cada três anos, iniciando-se em 07 de janeiro [de 1892], "salvo ás municipalidades o direito de decretarem posteriormente outro processo para eleição de seus representantes". 
A regulamentação de citada Lei ocorreu pelo Decreto nº 20, de 06, publicado aos 11 de fevereiro de 1892 [publicação da continuação], e em seu "Título V, Capítulo XVI – Da eleição de Vereadores, Juizes de Paz, e juizes de paz adjunctos" – a partir do artigo 161:
  • "No dia 30 de julho, de tres em tres annos, proceder-se-a conjunctamente, em todo o Estado: 1- Eleição de camaras municipaes e de juizes de paz ordinarios, cujos mandatos durarão tres annos, – o daquellas nos municipios e o destes nos districtos, pelos quaes forem eleitos."
  • "§ 1º No dia immediato proceder-se-a a eleição de juiz de paz adjuncto para cada um dos termos das comarcas do Estado, cujo mandato tambem durará tres annos, e a ella presidirão as mesmas mesas constituidas para a eleição dos vereadores e juizes de paz ordinarios." 
O município poderia seguir alguma outra regra, conforme preconizado no artigo 178 do mesmo Decreto (nº 20), e esta anomalia permaneceria até 1904, quando estabelecida a reforma da legislação eleitoral, unificadora, pela Lei Federal nº 1.269, de 15 de novembro de 1904.
  • "Decreto nº 20 (...)".
  • "É salvo às municipalidades o direito de, uma vez constituídas sob o regime da Lei de nº 16, de 13 de novembro de 1891, decretarem outro processo para a eleição de seus representantes: o estabelecido, porém, neste regulamento servirá não só para as primeiras eleições municipais, como para todas as outras nos municípios que não decretarem lei própria."
O período da Intendência instituída teria encerramento previsto com a edição da Lei Estadual nº 16, de 13 e publicada aos 22 de novembro de 1891, que reorganizava os municípios, restabelecia as Câmaras Municipais e criava o Poder Executivo Municipal ocupado por um Intendente, antes do surgimento da figura do Prefeito, propriamente dita, e as eleições diretas para o cargo de vereador, sendo que a Câmara escolheria o Intendente. O Prefeito, ao seu tempo, substituiria o Intendente quanto à denominação e ampliação de atribuições. 
Apesar da publicação da citada Lei 16, o Conselho de Intendência duraria, ainda, até 9 de julho de 1892.
Com a morte de Joaquim Manoel de Andrade, aos 26 de dezembro de 1891, Moyses Nelli ficou na Presidência da Intendência, até a designação de um novo Conselho composto pelos senhores João Vieira Teixeira e Silva, Dr. Joaquim Pereira de Barros e o senhor Lucio de Oliveira Lima, exonerados aos 10 de maio de 1892, sob a justificativa por não residirem no município, e no lugar nomeados o "Padre Bartholomeu Comenale, Jacob Antonio Molitor, João de Oliveira Martins e Pedro Paulo Rodrigues" (DOESP, 10 de maio de 1892: 10). 
Após 10 de julho de 1892 restabeleceu-se a Câmara Municipal - a restauração legislativa e a criação do poder executivo, ressurgindo em Santa Cruz o sistema eleitoral municipal com eleições municipais para vereadores, juízes de paz e juízes de paz adjuntos. 
Iniciava-se a confusa fase das experiências político-administrativas, com os Vereadores eleitos e os Intendentes indicados pelo Governo do Estado, ou que podiam surgir pela via de consequência do próprio legislativo municipal, pelo seu Presidente, como líder político comprovado pelo voto, portanto apto para o exercício de dois poderes distintos, o executivo e o legislativo, ou seja, duas máquinas independentes uma da outra.
O Intendente seria escolhido ou apontado anualmente e podia ser mantido no cargo, todavia a ressaltar entendimento prático que a Câmara Municipal escolhia o Intendente dentre seus pares, geralmente o Presidente da Câmara com função cumulativa, embora pudesse ser indicado qualquer um dos eleitos – então substituído pelo suplente, ou mesmo algum cidadão designado pela Câmara – este um fato mais raro. O governo do estado apenas referendava ou não a escolha, obrigando-se o município à escolha de um novo nome em caso de rejeição estadual.
A legislação eleitoral era mesmo confusa. Um mesmo cidadão podia ter três títulos de eleitor: federal - para presidente e vice-presidente, senadores e deputados federais; estadual – presidente e vice-presidente do estado, senadores e deputados estaduais; municipal: vereadores, juízes de paz e juízes de paz adjuntos. 
A título de informação periférica, o Decreto nº 20 em seu Título V – Capítulo 1, a partir do artigo 130, trata das eleições para os cargos de Presidente e Vice-Presidente do Estado de São Paulo [atuais cargos de Governador e Vice-Governador], a realizar-se "No dia 15 de fevereiro do ultimo quatrienio (...)" a contar da publicação do Decreto.
3.6. Câmara e Intendência 1892/1894
Para o mandato de Vereador, de julho de 1892 a dezembro de 1894, elegeram-se: Padre Bartholomeu Comenale – Presidente; Dr. Cleophano Pitaguary de Araujo – Vice-presidente; Arlindo Crescencio Piedade; Moyses Nelli; Joaquim Fernandes de Oliveira Negrão; e Henrique Hardt.
Entretanto o Constitucional de 1891, no artigo 195, determinava que "O número de vereadores de cada município será fixado na proporção de um para dois mil habitantes, não podendo, em caso algum, ser inferior a seis, nem superior a dezoito", e o Censo de 1890 acusava população santacruzense de 12.418 habitantes, aí compreendidos os moradores urbanos e rurais de São Pedro do Turvo, Óleo, Ilha Grande [Ipaussu] e Salto Grande [do Paranapanema], e da própria sede.
Para Santa Cruz acresceram-se dois mil habitantes, do censo à eleição, dando-lhe população superior a 14 mil habitantes, competindo ao município eleger mais um vereador, cujo pleito marcado para 22 de março de 1893, concorrendo três interessados: Vicente Finamore – 1 voto; Alberto Batista Gomes – 5 votos; e Julio César, o eleito, ao conquistar 327 votos.
As autoridades eleitorais não consideraram a emancipação político-administrativa de São Pedro do Turvo [Lei Estadual nº 181, de 20/05/1891] que retirou do município de Santa Cruz sete mil habitantes, portanto, sem o direito para eleição complementar. Curiosamente o eleito Julio Cesar era filho do Dr. José Alves de Cerqueira Cesar, Presidente do Estado de São Paulo.
Para a Intendência, exercício de 1892, a Câmara escolheu e o governo estadual referendou o Dr. Estevam Ribeiro de Assis Rezende, e para 1893 o Reverendo Padre Bartholomeu Comenale, Presidente da Câmara, tornou-se o ocupante do cargo executivo.
Aos 10 de outubro de 1893 fez-se realizar eleição municipal para Vereador substituto ao renunciante Moyses Nelli, elegendo-se Manoel Pereira Tavares.
Os republicanos apresentavam dificuldades para a unidade partidária local. Julio de Cerqueira Cesar deixou vereança e, no pleito de 17 de janeiro de 1894, eleito o substituto, Major João Evangelista da Silva, pleito, todavia anulado conforme ata de 10 de fevereiro de 1894, continuando cadeira vaga.
A saída do Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira da chefia perrepista local, e a entrada do Coronel João Baptista Botelho em seu lugar, criaram dissensões irreversíveis no partido e resignaram-se do cargo de vereador, Arlindo Crescêncio da Piedade, Henrique Hardt e Manoel Pereira Tavares, conforme ata legislativa de 12 de janeiro de 1894, portanto quatro cadeiras vagas, contada a de Julio de Cerqueira Cesar.
Seguindo a legislação, aos 24 de março de 1894 realizou-se nova eleição para preenchimento dos cargos vagos, elegendo-se vereadores: Major João Evangelista da Silva, Major Lucio de Oliveira Lima, Dr. Francelino da Motta e Tenente Antonio Martins de Oliveira (Correio Paulistano, 05/04/1894: 1), com mandato até 19 de dezembro de 1894.
João Evangelista da Silva assumiu a Presidência da Câmara, conforme documentos, a partir de 14 de abril de 1894 até o final do mandato – 19/12/1894.
3.7. Câmara e Intendência 1894/1896
Foram eleitos Vereadores e tomaram posse aos 20 de dezembro de 1894 para mandato até 06 de janeiro de 1896: Lucio de Oliveira Lima – Presidente, Antonio Martins de Oliveira – Vice-presidente, Joaquim Fernandes de Oliveira Negrão – Intendente, Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, Dr. Francelino Faria da Motta, e Israel Machado.
Antonio Martins de Oliveira, vereador que substituiu Joaquim Fernandes de Oliveira Negrão nomeado Intendentea (1894/1895), no mesmo ano de 1894 ocupou a Presidência da Casa em lugar de Lucio de Oliveira Lima: 
  • "Remetteram-se ao cidadão Antonio Martins de Oliveira, Presidente da Camara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, satisfazendo-se à requisição constante de seu officio de nº 4 do corrente mez, setecentos e cincoenta titulos de eleitores, afim de serem distribuidos aos cidadãos novamente qualificados" (DOESP, 04 de novembro de 1894: 1).
Para 1895/1896 o Vereador Israel Machado ocupou o cargo de Intendente, retornando Oliveira Negrão para o quadro do legislativo.
Publicação no 'Noticiário' do Diário Oficial do Estado de São Paulo, de 12 de setembro de 1895, página 15, menciona o nome de Manoel [sic] Machado como Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo que teria assinado um ofício ao Governo do Estado. Trata-se de erro na publicação do nome, e onde se lê Manoel Machado, leia-se Israel Machado, não sendo incomum o Intendente assinar documento administrativo pela Câmara ou por ordem desta.
Ainda em 1895 o Vereador Francelino Faria da Motta deixou o cargo por transferência de domicílio, alistando-se eleitor no Distrito da Glória - Rio de Janeiro (DOU, 12 de junho de 1895, Seção 1: 13), e surge Vereador o Dr. José Nestor de França, cunhado de Antonio Evangelista da Silva - Tonico Lista.
3.8. Câmara e Intendência: 1896/1898
Em sessão extraordinária camarária realizada aos 07 de março de 1896 tomaram posse os vereadores eleitos: "José Nestor de França – presidente da municipalidade, Israel Machado – intendente reeleito, Joaquim Fernandes de Oliveira Negrão – vice-presidente reeleito, Francisco Carlomagno, Antonio Martins de Oliveira – reeleito, e João Antunes Ribeiro, também reeleito." (Jornal do Brasil, edição de 23/01/1896: 3).
O Presidente José Nestor de França apresentou projeto que elevava a Vila de Santa Cruz a cidade e ampliava o número de vereadores. O expediente, em discussão e votação, teve aprovação unânime, dispensadas as formalidades para ser logo convertido em lei como havia requerido o autor.
Não bastasse o ato inconstitucional, França fez realizar a eleição municipal aos 22 de junho de 1896, para preenchimento das duas vagas criadas no quadro de vereadores, sendo eleitos o capitalista Arlindo Vieira Paes e o médico fazendeiro Francisco de Paula de Abreu Sodré.
Em sessão de 16 de novembro de 1896, o mesmo Dr. José Nestor de França, a pedido dos moradores do Distrito de Ilha Grande [Ipaussu], apresentou projeto e obteve aprovação da mudança de nome da localidade para Baptistina, "em homenagem ao seu fundador Coronel João Baptista Botelho", conforme Lei Municipal nº 03/1896, além de elevação do lugar à condição de vila. Na ocasião, ainda, foi aprovada a Lei Municipal, de nº 04, que transformou em vila o distrito do Óleo.
A Câmara não podia alterar divisas do município, nem criar, extinguir, nominar, renominar ou elevar condições dos seus distritos, nem os transformar em freguesias, vilas ou cidades, assim, consequentemente, lhe era proibido estabelecer novas câmaras ou atribuir-lhes números de eleitos ou aumentá-los, mesmo que em decorrência do coeficiente proporcional 'eleitores/vereadores'. Diante disto, os citados atos camarários foram considerados ilegais pelo governo paulista, expresso por documento da Secretaria dos Negócios do Interior do Governo do Estado de São Paulo (Câmara Municipal, ata da sessão de 26/11/1896).
Santa Cruz do Rio Pardo tornou-se cidade legalmente instituída, somente aos 19 de dezembro de 1906, pela Lei Estadual nº 1.038, e as demais localidades muito depois teriam garantidas as situações pleiteadas.
Impulsivo, o Dr. França requereu do Estado nomeações de professores para as escolas do município, e, com atraso de resposta, resolveu abrir concurso para admissão de ocupantes, a título precário, até a ulterior decisão do Governo, assim comunicando as autoridades competentes, da sua iniciativa respaldada em lei pela Câmara, recebendo em resposta ao ofício que, "dependendo da formalidade legal do concurso, as escholas dos bairros de Oleo e da Ilha Grande e a do sexo feminino do bairro de Vila Nova, não podem as mesmas ser declaradas provisórias presentemente." (DOSP, 30/09/1896: 2).
Disto, alguns arranjos e o governo paulista, por Decreto de 20 e publicado aos 22 de outubro de 1896, atendeu parcialmente a reivindicação da Câmara, com a nomeação provisória de Constancio Carlos da Silva para a escola do Óleo.
Aos 08 de janeiro de 1897 compôs-se a nova mesa da Câmara: José Nestor de França – Presidente, Israel Machado – Vice-presidente e Antonio Martins de Oliveira - Intendente. Na sessão de 08 de fevereiro de 1897 foi demitido o Procurador da Câmara, Manoel Luiz de Souza, e nomeado Firmino Manoel Rodrigues [Roiz¨].
Israel Machado, na sessão de 08 de abril de 1897, renunciou ao cargo de Vereador e, por conseguinte, de Vice-presidente, e realizou-se eleição em 26 de junho de 1897 para sua substituição, elegendo-se Francisco Narcizo Gonçalves, na posse o mesmo também escolhido Vice-Presidente da Casa.
3.9. Câmara e Intendência 1899/1901
Aos 30 de outubro de 1898 ocorreu eleição municipal para Vereadores e Juízes de Paz e, em sessão especial de 07 de novembro de 1898, concluiu-se a apuração para vereadores com os seguintes resultados: "João Baptista Botelho 648 votos, Joaquim Pio da Silva 646 votos, Henrique da Cunha Bueno 636 votos, Olympio Braga 626 votos, Antonio Martins de Oliveira 623 votos, Antonio Evangelista da Silva 621 votos, Jose Gomes de Oliveira 5 votos, Fernando de Paula Lima 5 votos, Misael de Souza Santos 3 votos, Damaso Duarte da Silva 2 votos, Antonio Martins de Siqueira, Jose Manoel da Silveira e Dr Olympio Rodrigues Pimentel 1 voto.
Tomaram posse como Vereadores: "João Baptista Botelho, Joaquim Pio da Silva, Henrique da Cunha Bueno, Olympio Braga e Antonio Evangelista da Silva - Tonico Lista, este no lugar de Antonio Martins de Oliveira mantido Intendente para o período de 1898 a 1899".
João Castanho de Almeida foi escolhido Intendente para o exercício de 1900 e, no ano de 1901, o Coronel João Baptista Botelho assumiu o executivo santacruzense em cumulação com a Presidência da Câmara.
3.9.1. A grande dissidência perrepista
A importância do Coronel Botelho, como líder do PRP local e regional, era expressiva, por sua capacidade em conquistar votos para os seus indicados, inclusive conseguindo eleger dois deputados por uma mesma região, o Coronel Emygdio José da Piedade e o advogado Cleophano Pitaguary, ambos de Santa Cruz do Rio Pardo. Isto significava que Santa Cruz tinha importância no jogo para em contrapartida receber favores dos governantes do estado e do governo central. O processo eleitoral, nas mãos de um coronel, se refletia no progresso de um município e região. 
O Coronel Botelho, em 1900, dominava a política local enquanto Francisco de Paula Rodrigues Alves elegia-se Presidente do Estado de São Paulo (1900-1902) no lugar de Fernando Prestes de Albuquerque. Rodrigues Alves, ainda que membro do PRP, não militava as lides nem defendia os interesses dos ruralistas.
A situação complicou-se quando o Presidente do Brasil, Manuel Ferraz de Campos Salles, impôs o nome de Bernardino de Campos para o Governo de São Paulo, em detrimento a José Alves de Cerqueira Cesar, o apontado por Prudente José de Morais e Barros. 
Cerqueira Cesar, amigo do Coronel Baptista Botelho, fora Presidente Interino do Estado de São Paulo entre 1891/1892, e era o cotado para novamente ocupar o cargo a partir de 1902. Dois filhos de Cerqueira Cesar residiam em Santa Cruz, o Julio – fazendeiro e vereador já referenciado, e o José Alves de Cerqueira Cesar Filho, fazendeiro e membro da Guarda Nacional – Capitão Ajudante de Ordens. 
A decisão de Campos Salles rompia compromissos políticos pré-estabelecidos e quebrava a unidade partidária, e, neste conflito de interesses o Presidente do Estado de São Paulo, Rodrigues Alves, apoiou Campos Salles, sob a promessa deste em referendar seu nome para a Presidência do Brasil. 
Para os paulistas dissidentes, o ato de Campos Sales representava "a intromissão federal nos negócios políticos do Estado (que) foi interpretada como rompimento do compromisso de respeito à autonomia estabelecido com o regime republicano." (Levi Moreira, 1991: 34). A ação de Campos Salles e a adesão interessada de Rodrigues Alves frustraram a expectativa do Coronel Botelho, e quebrou o seu poder regional como mandatário do centro-sudoeste e oeste paulista, uma área de grande dinamismo econômico e potencial futuro, por tratar-se do ultimo espaço em desbravamento no estado de São Paulo. 
Ocorreu dissidência estadual perrepista. 
Entre Campos Salles e Prudente de Moraes, o Coronel Botelho optou pela dissidência, e tão declarada sua posição que, na inauguração do prédio público destinado à Cadeia/Delegacia, Fórum e Câmara/Intendência, prestou homenagem a José Alves de Cerqueira Cesar, inclusive com fotografia posta no salão principal do edifício, e não a Rodrigues Alves.
Ao assumir a condição de dissidente, Botelho não tinha mais a confiança dos governantes do estado e da república, abrindo oportunidade para o grupo político formado sob o comando do Deputado Federal, Dr. Antonio José de Macedo da Costa Junior, e seu genro, Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré. Costa Junior era amigo [pessoal] de Campos Salles, embora sogro do filho de Cerqueira Cesar.
A ascensão do grupo de Costa Junior/Sodré determinou a queda política de Botelho, derrotado nas eleições municipais de 16 de dezembro de 1901. Botelho tornou-se inconteste dentro de seu grupo, conhecidos como  'jagunços' ou 'jagunções', e os adversários sob o comando do Dr. Costa Junior e Dr. Sodré, tornaram-se conhecidos como  'pica-paus'. 
Matéria jornalística informava a eleição de 16 de dezembro de 1901 "que deu-se neste Estado e com especialidade nesta comarca a maior e mais cynica bacchanal politica de que se tem memória."
Prosseguia a notícia:
  • "Indivíduos sem escrupulos repellidos pela opinião publica ou por todos aquelles que têm a felicidade de conhecel-os, tendo um estado maior composto de assassinos, resolveram, como meio de vida, se transformar da noite para o dia em chefes supremos desta terra, como, de facto, se transformaram. Uma vez feitos chefes, precisaram ganhar as eleições do dia 16: d'ahi a soldadesca encarabinada e a capangada engarruchada; d'ahi o atenttado barbaro, selvagem, escandaloso, contra o direito de voto no alludido dia; d'ahi, a espoliação de que foi victima o eleitorado desta comarca." (Correio do Sertão, 19 de dezembro de 1903: 2, relembrando os dois anos então já transcorridos da ascensão política de Francisco de Paula de Abreu Sodré na política santacruzense). 
Edmundo Krug, ao se referir à Santa Cruz do Rio Pardo de 1901, esclarecia:
  • "Ahi ha pessoas de posição social bem elevada, dizem-me, porem, que justamente houve lutas bem renhidas na epocha da effervecencia politica, e tudo porque? pensam os meus leitores, talvez, por causa do bem estar o logar? enganam-se si assim julgam: tão hospitaleira é esta terra, mas as fraquezas humanas são sempre as mesmas em todas as cidades, em todas as regiões, em todas as terras: a intellectalidade pretende dominar, quer subir e governar, o menos instruido, sabendo geralmente que aquelle quer mandar, ergue ainda mais a cabeça não se curva; então começa a luta politica, que ahi no interior acaba em brigas e páu, tiros de garrucha e mortes." (1925: 407, de seus escritos em 1905). Krug nem quer acreditar que isso tenha acontecido, mas conforma-se: "sei que as lutas pelo logar de vereadores da camara, de deputados estadoaes teem sido violentas."
Em publicação alemã, Krug apresentou-se mais contundente:
  • "(...)."
  • "Santa Cruz desfruta da triste fama de ser uma cidade política, aqui pois a política é uma bagunça maior e mais burra que em outros lugares do sagrado Estado de São Paulo, existem dois partidos os jagunços e os pica-paus que brigam sem parar sem que tivesse logicamente algum resultado que poderia ser útil para a cidade e seus habitantes."
  • "Briga pessoal e tudo isso faz com que o bem da cidade e suas pendengas está sendo esquecido completamente, só intrigas e chicanas estão na ordem do dia." 
  • "Infelizmente Santa Cruz não está sozinha com a sua política municipal, nos temos muitas pequenas cidades que podem agradecer seus políticos de chegar a lugar nenhum. Os políticos municipais infelizmente são sem exceção tão ignorantes que eles efetivamente não são capazes de diferenciar o certo do errado e por causa disso arruína tudo em vez de juntar as forças e iniciar progressos práticos. Se os jagunços ou os pica-paus tem razão objetivamente isto não é para mim diferenciar." 
  • "Praticamente os dois definitivamente não tem razão. Eles deviam ser sensatos antes de ter razão."
  • "(...)" - (Í Deíne Reise nach dem Salto Grande Don Paranapanema, von Edmundo Krug, 1908, com a tradução do texto pelo Sr. Christoph Donsbach, por gentileza do Vereador Rui Sérgio dos Reis).
Botelho viu-se apeado do poder e perdeu as eleições. Como consequência e por outros problemas, o Coronel Botelho suicidou-se ou foi levado ao cometimento do ato em 2 de julho 1902, morrendo dias depois, aos 8 de julho de 1902.
3.10. Câmara e Intendência 1902/1904
Para o triênio 1902-1904 foram eleitos em 1901: Francisco de Paula Abreu Sodré – Presidente da Câmara, Estevam Ribeiro de Assis Resende, Antonio Mariano Galvão de Moura Lacerda, Salathiel Ferreira e Sá, José Oseias da Silveira e Henrique Hardt (Câmara, Livro Ata, 1902, 06 de janeiro). Dr. Assis Resende ocupou a Intendência em 1902 e, no ano seguinte a revezou com Abreu Sodré que acumulou as funções de Presidente da Câmara e Intendente.
A Câmara mostrou-se intensamente rotativa, com suplentes assumindo vagas em algum momento da legislatura mencionada, transitoriamente ou não, destacando-se: Arlindo Crescêncio da Piedade, Joaquim Mathias de Oliveira, Godofredo Fernandes Negrão, Fernando Eugênio Martins Ribeiro, Pedro Vieira de Azevedo, Joaquim [Paulino] de Souza Campos. 
No ano de 1903 a Câmara apresenta a seguinte formação: Francisco de Paula de Abreu Sodré, José Oseias da Silveira, Godofredo Fernandes de Negrão, Fernando Eugenio Martins Ribeiro, Henrique Hardt e Estevam Ribeiro de Assis Resende - que se mantém Intendente (Câmara, Ata de 02 de outubro de 1903), cumprindo observar ausências de Salathiel Ferreira e Sá e Antonio Mariano Galvão de Moura Lacerda.
Em dezembro de 1903 ocorreram eleições regulares para o Legislativo Estadual e Federal, e para a Presidência do Estado (RG U 1160, 1903/1904: 7). Em Santa Cruz do Rio Pardo, além das eleições regulares, também se escolheu um Vereador para complementação do quadro camarário, sendo eleito Azarias Baptista Bueno, conforme apuração local (Câmara, Sessão Especial de 07 de janeiro de 1904).
O quadro legislativo santacruzense assim estava composto em 1904: Francisco de Paula de Abreu Sodré, José Oseias da Silveira, Fernando Eugênio Martins Ribeiro, Godofredo Fernandes Negrão e Azarias Baptista Bueno. Neste ano Francisco Eugenio Martins Ribeiro assumiu a Intendência. 
As eleições de vereadores para o triênio 1905/1907 foram marcadas para 30 de outubro de 1904, mesma data para as funções-atividade de Juízes de Paz (Câmara, Sessão Especial de 10 de outubro de 1904).
3.11. Câmara e Intendência 1905/1907
Nas eleições de 30 de outubro de 1904 foram eleitos vereadores e assumiriam posse em 07 de janeiro de 1905: Francisco de Paula de Abreu Sodré, Frederico Carr Ribeiro, Henrique Hardt, Godofredo Fernandes Negrão, Pedro Paulo Rodrigues e Lucio de Oliveira Lima (Câmara, 1905); quadro confirmado, Sodré escolhido Presidente.
A apuração foi divulgada em sessão camarária de 09 de novembro de 1904: 
  • "(...) eleitos vereadores da Camara Municipal desta Villa para o próximo triênnio a contar do dia sete de Janeiro do anno vindouro de mil novecentos e cinco os seis seguintes cidadãos:"
  • "Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, medico, residente nesta villa, quatrocentos e dous (402) votos."
  • "Dr. Frederico Carr Ribeiro, advogado, residente nesta villa, quatrocentos e um (401) votos."
  • "Henrique Hardt, negociante, residente nesta villa, quatrocentos (400) votos."
  • "Godofredo Fernandes Negrão, lavrador, residente neste municipio, quatrocentos (400) votos."
  • "Alferes Pedro Paulo Rodrigues, lavrador, residente neste municipio, tresentos e noventa e nove (399) votos e"
  • "Major Lucio de Oliveira Lima, lavrador, residente neste município, tresentos e noventa e sete (397) votos."
  • "Esses seis cidadãos obtiveram maioria de votos successivamente até o numero que constitue a representação municipal desta villa."
  • "Declarou ainda a Camara Municipal que são considerados supplentes dos vereadores da Camara Municipal desta villa os cidadãos que seguem-se em votos ao vereador eleito menos votado Major Lucio de Oliveira Lima, segundo a ordem das respectivas votações. Os ditos supplentes são os seguintes: tenente coronel João Castanho de Almeida, proprietário, residente nesta villa, dusentos e oitenta (280 votos); – Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, advogado, residente nesta villa, dusentos e setenta e nove (279) votos; – Major Arlindo Crescencio da Piedade, capitalista, residente nesta villa, dusentos e setenta e dous (272) votos; – Capitão Antonio Evangelista da Silva, negociante, residente nesta villa, dusentos e setenta (270) votos; – Dr. Arlindo Vieira Paes, advogado, residente neste município, des (10) votos; –Tiburcio Antunes dos Santos, proprietario, residente nesta villa, nove (9) votos; - Silvestre Sette, negociante, residente nesta villa, 8 (oito) votos; – Israel Machado, negociante, residente no Lageado, oito (8) votos; – José Fernandes de Oliveira Moraes, commerciante, residente nesta villa, seis (6) votos; – Manoel Gonçalves de Almeida, lavrador, residente neste município, cinco (5) votos; – Dr. Cleophano Pitaguary de Araujo, lavrador, residente neste município, quatro (4) votos; – Tenente-Coronel Moyses Nelly, lavrador, residente nesta villa, três (3) votos e Joaquim Zeferino de Mattos, negociante, residente no Lageado, um (1) voto." (Câmara, sessão extraordinária de 09 de novembro de 1904).
Os desempates em números de votos, para efeitos internos e de eleição, foram sorteados. Não foi eleito nenhum opositor a Francisco Sodré, e a eleição acusada de fraudulenta. 
O eleito Dr. Henrique Hardt não era mais o ferrenho opositor a Francisco Sodré, e em 1906 foi ele escolhido Intendente Municipal, e assim o chefe político Dr. Sodré não tinha adversários políticos na composição camarária.
Como grande acontecimento político administrativo o Presidente da Câmara Dr. Sodré fez-se autorizado a celebrar o contrato para construção de 24 quilômetros de ramal ferroviário, desde Bernardino de Campos (Lei Municipal nº 57, de 15 de julho de 1906), obra financiada pelo município e doada ao Governo do Estado, com escritura tardiamente lavrada em 29 de julho de 1912, no Cartório do 1º Ofício de Santa Cruz do Rio Pardo.
O ramal custou caro ao município, dívida que perdurou décadas, avolumando-se ano após ano, e os lucros todos da ferrovia eram remetidos para o Governo do Estado conforme estabelecido em convênio assinado pelo Dr. Sodré, em nome da Câmara Municipal. O ramal passava e fazia gare na fazenda do Presidente da Câmara, onde elevado o distrito de Sodrélia.
Sodré estava em pleno mando, quando o Coronel Antonio Evangelista da Silva – Tonico Lista (derrotado nas eleições), audaciosa e inesperadamente reverteu o mando na política local, em 1906, para iniciar sua ascensão ao poder, num conluio envolvendo os aparentados e deputados Coronel Emygdio José da Piedade e Ataliba Leonel. 
Mantendo a Presidência da Câmara, Sodré candidata-se a Deputado Estadual pelo 3º Distrito Eleitoral de São Paulo – Santa Cruz do Rio Pardo era o 5º.
Ata de sessão camarária extraordinária, de 08 de dezembro de 1906, indica a Câmara Municipal funcionando, provisoriamente, "(...) em sala do pavimento superior da casa de residência do Tenente Coronel Moyses Nelli por estar em conserto o edifício da do Forum." (Apud O Progresso, Ano III nº 38).
Em julho de 1907, apesar de Deputado no exercício do cargo, Sodré mantinha a Presidência da Câmara, conforme Edital Municipal assinado em 04 de julho de 1907 (O Progresso, 28/07/1907), mas não se sustentou na política local e deixou Santa Cruz do Rio Pardo, abandonando a Câmara Municipal, cuja presidência então assumida pelo Dr. Frederico Carr Ribeiro, na sessão de 23 de dezembro de 1907. Doravante o Dr. Sodré não mais aparece como Presidente da Câmara santacruzense, nem Vereador.
O livro-ata camarário iniciado em 07 de janeiro de 1906 e encerrado aos 29 de dezembro do mesmo ano de 1906 tem por sequencia o livro-ata iniciado aos 23 de dezembro de 1907 cuja ultima sessão registrada em 15 de junho de 1910, cumprindo, portanto, observação de ausência de registros de sessões no período de 30 de dezembro de 1906 a 22 de dezembro de 1907.
Todavia, sessões ocorreram e a própria Câmara Municipal comprova-as. Assuntos da sessão de 03 de julho de 1907 – sobre aprovações quanto às destinações de recursos municipais e arrecadações previstas para 1908 referentes a pagamentos e amortizações de dívidas do município com o preparo e construção do leito do ramal ferroviário; Também das sessões de 28 de outubro e 21 de dezembro de 1907, sobre obras públicas – Contratos da Câmara com a Superintendência de Obras Públicas do Estado, são referenciadas em ata de sessão extraordinária realizada aos 23 de dezembro de 1907, 'com isso a indicar desaparecimento de livro-ata de 30/12/1906 a 22/12/1907, período quando o Dr. Sodré estava Presidente da Câmara ao mesmo tempo em que Deputado Estadual' (Observações de Prado e Sato). 
Em 23 de dezembro de 1907 naquela sessão extraordinária estão citados os Vereadores: Frederico Carr Ribeiro – Vice-Presidente em exercício da Presidência; Henrique Hardt; Pedro Paulo Rodrigues e Lucio de Oliveira Lima; e Francisco de Paula Abreu Sodré. Mas o Dr. Abreu Sodré não compareceu, já não era o Presidente da Câmara nem era Vereador.
A saída de Sodré do cenário político santacruzense enfraqueceria o Poder Legislativo. Encerrava-se o período 'sodrelista', para o retorno do coronelismo e o mando através do Prefeito.
3.12. Câmara e Prefeitura 1908/1911
Na eleição legislativa de 1907, mandato de 15/01/1908 a 15/01/1911, elegeram-se vereadores, Olympio Rodrigues Pimentel [Presidente], Affonso Celso Baptista, Francisco Narcizo Gonçalves, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Ubirajara Pinto, Olympio Izaias de Carvalho, Godofredo Fernandes Negrão e João Pastore Filho (Câmara, Livro Ata, 1908). O eleito Godofredo Negrão, voz oposicionista, de imediato aderiu-se ao grupo de Tonico Lista.
Olympio Rodrigues Pimentel obteve indicação para Prefeito (1908/1910), título usado pela primeira vez no executivo santacruzense. Eleito Deputado Estadual (1910/1912) Pimentel deixou o cargo para Affonso Celso Baptista.
A Câmara perdera muito de sua importância, e o poder do Prefeito fez-se prevalecer com eficiência e sem os interesses pessoais de cada Vereador, num período de grandes contratos celebrados, a exemplos da instalação de energia elétrica no município, as construções de estradas e a edificação do prédio próprio para a Câmara conjuntamente, por algum tempo, com a Prefeitura.
As eleições de 02 de fevereiro de 1910, para Deputados ao Congresso Legislativo e a renovação do terço do Senado Estadual, transcorreram em clima de violências e de denúncias que até mortos e ausentes votaram em Santa Cruz (Correio Paulistano, 17/07/1910: 2, nominando-se os mortos e ausentes votantes).
Ainda no clima dos acontecimentos de fevereiro de 1910, os eleitores voltaram às urnas em 1º de março para a escolha do Presidente do Brasil e o Vice. Em Santa Cruz o Conselheiro Ruy Barbosa obteve 1406 votos e o Marechal Hermes da Fonseca, eleito Presidente, apenas 5 (O 'Paiz', 03/03/1910: 3-4).
Aos 30 de outubro, também de 1910, outra vez os eleitores santacruzenses votavam, agora para a Câmara Municipal.
3.13. Câmara e Prefeitura 1911/1914
Aos 15 de janeiro de 1911 tomaram posse como vereadores para o triênio: Capitão Manoel Pereira Tavares [Presidente], Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, Affonso Celso Baptista, Godofredo Fernandes Negrão, Manoel Antonio de Oliveira, Luiz Pereira Leite Ribeiro e Jayme Feitosa,"todos eleitos para servirem no triênnio que hoje começa e que vae até 15 de Janeiro de mil novecentos e treze." (Câmara, Sessão de Posse e Ordinária, 1911), com erro do Secretário na redação da ata original, pois o triênio findar-se-ia aos 15 de janeiro de 1914.
Em razão do suplente de vereador em exercício, Coronel Henrique da Cunha Bueno, sofrer perda do mandato, e das renúncias dos vereadores Jayme Feitosa e Manoel Pereira Tavares, o Diretório Municipal do PRP apontou os seguintes candidatos às substituições, em eleição municipal a ser realizada em 01 de março de 1912: 
  • "Marcolino de Araujo Guaritá, negociante, residente na Villa do Óleo."
  • "Bazilio Antonio de Oliveira, negociante, residente na Estação de Bernardino de Campos."
  • "José Firmino de Assis, fazendeiro residente em Santa Cruz do Rio Pardo." (Cidade de Santa Cruz, Ano IV nº 155, 25 de fevereiro de 1912: 1). 
Em referida data seriam realizadas, também, as eleições para Presidente e Vice-Presidente do Estado e para Senador.
Os indicados pretendentes à vagas legislativas do município foram eleitos, e não Sessão Ordinária de 16 de setembro de 1912 apresentam-se os seguintes vereadores: "Affonso Celso Baptista [Presidente], Godofredo Fernandes Negrão, Bazilio Antonio de Oliveira, José Firmino de Assis, Manoel Antonio de Oliveira, Olympio Rodrigues Pimentel, Luiz Pereira Leite Ribeiro e Marcelino Guarita." (Cidade de Santa Cruz, 19/09/1912: 1).
  • A título de informação, pela importância e representatividade do nome, era advogado da Câmara Municipal o Doutor Julio Prestes (Cidade de Santa Cruz, Ano IV nº 181, 5 de setembro de 1912: 1).
O vereador eleito Olympio Pimentel foi escolhido Prefeito em 1913, e para Vice-prefeito Godofredo Fernandes Negrão, o primeiro assim referendado em Santa Cruz. Também se criou a figura de Subprefeitos e escolhidos: Avelino Hermes Taveiros para Ilha Grande – Ipaussu, Francisco Pereira Leite e Silva – Irapé, Olympio Braga – Óleo. Affonso Celso Baptista foi escolhido o Presidente da Câmara e Luiz Pereira Leite Ribeiro o vice.
Olympio, reeleito Deputado Estadual, legislatura 1913/1915, renunciou os cargos de Prefeito e Vereador, "visto ter transferido sua residência para a Capital do Estado." (Câmara, ata da sessão de 15 de março de 1913), e o Vice Godofredo Fernandes Negrão ocupou a Chefia do Executivo
O grande feito do Prefeito Fernandes Negrão marcou a autorização dada ao Dr. Octaviano Carlos de Azevedo para assinar, como provedor, a escritura de doação de terreno para a construção da Casa de Misericórdia (Correio Paulistano, 04/04/1913: 4.
A eleição municipal anunciada para 30 de outubro de 1913 (Correio Paulistano, 19/10/1913: 1), triênio 1914/1917, teve os candidatos apresentados pelo PRP, Américo França Paranhos, Agnello Villas Boas, Olympio Braga, Affonso Celso Baptista, Manoel Antonio de Oliveira, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Bazilio Antonio de Oliveira e Avelino Hermes Taveiros, todos eleitos (Correio Paulistano, 02/11/1913: 1).
  • Para tal eleição o hebdomadário Cidade de Santa Cruz, (19 de outubro de 1916: 1), publicou o Boletim Republicano assinado pelo Presidente do Partido, Coronel Antonio Evangelista da Silva apresentando os candidatos : "Américo França Paranhos, Agnello Villas Boas, Olympio Braga, Affonso Celso Baptista, Manoel Antonio de Oliveira, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Bazilio Antonio de Oliveira, Avelino Hermes Taveiros.".  Em 02 de novembro de 1913 o 'Cidade Santa de Santa Cruz', á página 1, noticiou os elegidos vereadores todos os apresentados pelo PRP
Tonico Lista e Leônidas do Amaral Vieira não foram candidato, mas obtiveram doze votos cada.
3.14. Câmara e Prefeitura 1914/1917
Em janeiro de 1914 os vereadores eleitos tomaram posse, e o Presidente de abertura da nova legislatura foi Olympio Braga, por ser o mais idoso, até a escolha do novo Presidente, Dr Américo França Paranhos. 
Foram os vereadores empossados: Américo França Paranhos, Agnello Villas Boas, Affonso Celso Baptista, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Manoel Antonio de Oliveira, Bazilio Antonio de Oliveira, Olympio Braga e Avelino Taveiros (Câmara, Livro-Ata, 1914). 
Agnello Villas Boas foi o Prefeito escolhido, a pedido do líder político Coronel Antonio Evangelista da Silva, e exerceu as funções entre janeiro de 1914 e junho de1915. O governo Villas Boas foi elogiado pela quinzenal revista 'A Cigarra', evidentemente matéria paga: 
  • "Os Progressos de Santa Cruz do Rio Pardo."
  • "(...)."
  • "A lavoura do municipio, já muito desenvolvida, conta com 9 milhões de caféeiro e produz cereais em grande quatidade. A industria pastoril acompanha a lavoura e tambem é grande o commercio de exportação de madeiras de lei."
  • "A receita do municipio, graças aos esforços do sr. dr. Agnello Villas Boas, digno prefeito, e do tenente-coronel Affonso Celso Baptista, presidente da Camara, eleva-se a mais de 200 contos annualmente, de modo a poder a administralção municipal fazer face aos encargos do erario do municipio e realisar novas obras." É assim que se trata actualmente de dotar a cidade com o grande melhoramento de agua e exgottos, e tambem da construcção de um matadouro modelo, dotado de todos os requisitos hygienicos. Já foi inaugurado o bello edificio do Grupo Escolar, com capacidade para quatrocentos alumnos de ambos os sexos. Muito tem contribuido para o desenvolvimento do importante municipio o sr. cel. Antonio Evangelista da Silva, grande proprietario, agricultor e criador." (Revista A Cigarra, ano I nº 17, e mesma Revista, Ano II nº 23, com referências das matérias e republicações das fotos antigas pelo Debate, edição de 10 de julho de 2011). 
A despeito dos elogios, a política local não caminhava bem. Já em 1914 o Vereador Avelino Hermes Taveiros renunciava ao cargo, conforme Ata da Sessão Extraordinária do Legislativo de 15 de setembro de 1914, entrando em seu lugar o Coronel Mizael Gonçalves de Oliveira.
Os vereadores pareciam rebelados. Seis sessões seguidas: de 15 de março, 1º de abril, 15 de abril, 1º de maio, 15 de maio e 1º de junho de 1915, uma a cada quinze dias, não foram realizadas por falta de quorum. 
Houve sessão em 15 de junho de 1915, estando presentes: Affonso Celso Baptista, Manoel Antonio de Oliveira, Mizael Gonçalves de Oliveira, Olympio Braga, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Américo França Paranhos, estando ausentes Agnello Villas Boas e Bazilio Antonio de Oliveira. 
Nesta sessão o Presidente da Câmara, Affonso Celso Baptista:
  • "Faz ver à Camara que o vereador Cap. Bazilio Antonio de Oliveira deixa de comparecer as sessões ordinarias desde o dia 15 de Janeiro do corrente anno, sem licença e sem causa justa participada e que portanto de acordo com o art. 65 do Dec. 1533 de 28 de Novembro de 1907, perdeu o seu mandato, cuja vaga precisava sêr declarada pela Camara para sêr prehenchida de accôrdo com o art. 9º da lei nº 1038 de 19 de Dezembro de 1906 e, que para esse fim convoca uma sessão extraordinária para o dia 21 do corrente determinando que se officiasse ao vereador Cap. Bazilio Antonio de Oliveira, para de accôrdo com o § 4º do dito art. 65 do Dec. 1533, justificar-se sendo ouvido a respeito (...)." 
Agnello Villas Boas renunciou aos cargos de Prefeito e Vereador com pedido aceito pela Câmara Municipal, aos 21 de julho de 1915 (Câmara, Livro-Ata, 1915), e, na ocasião, perdeu mandato Bazilio Antonio de Oliveira, anunciando-se eleições de substitutos para 11 de julho do mesmo ano, sendo eleitos o Coronel Antonio Evangelista da Silva e o Major Leônidas do Amaral Vieira, com proclamação de resultados e posses aos eleitos em 31 de julho de 1915 (Câmara, Livro-Ata, 1915).
O Vereador Capitão Manoel Antonio de Oliveira estava no cargo de Prefeito desde a renúncia de Villas Boas, no entanto resignou-se do cargo, pouco depois, a favor do Coronel Antonio Evangelista da Silva.
O Vereador Mizael Gonçalves de Oliveira, representante de Ilha Grande (Ipaussu), renunciou mandato em 1ª de novembro de 1915 (Câmara, Livro-Ata, 1915), em razão de emancipação política daquela localidade (Lei 1465, de 20 de setembro de 1915), e eleições previstas para 15 de novembro do mesmo ano.
Em sessão especial de 05 de janeiro de 1916, a Câmara reuniu-se para escolha dos membros do governo municipal para Comissão de Revisão de Alistamento eleitoral, estando presentes os vereadores: Affonso Celso Baptista, Antonio Evangelista da Silva, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Leônidas do Amaral Vieira, Manoel Antonio de Oliveira, Olympio Braga (Câmara, Livro-Ata, 1916).
3.15. Câmara e Prefeitura 1917/1920
Aos quinze dias do mês de janeiro de 1917, com a presença das principais autoridades municipais, o presidente em exercício da Câmara anunciou: "Está instalada e empossada a Camara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo" (Câmara, Sessão de Posse - Livro-Ata 1917), cujo mandato previsto até 15 de janeiro de 1920. Assumiram cadeiras: Antonio Evangelista da Silva, Leônidas do Amaral Vieira, Pedro Camarinha, Florberto Ales Cruz, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Antonio Botelho de Souza, Lysandro Gonzaga de Oliveira e Olympio Braga. 
O Coronel Tonico Lista foi eleito, na mesma sessão, Prefeito Municipal, e Leônidas do Amaral Vieira ocupou a Presidência da Câmara.
Em sessão de 15 de outubro de 1917, o cidadão Olympio Rodrigues Pimentel, residente em São Paulo, solicitou da Câmara Municipal autorização para fechar "um atravessadouro existente em seus terrenos, na Chácara Santa Aureliana.", deferido por unanimidade, após aprovação pela Comissão de Obras Públicas.
O vereador Olympio Braga renunciou o mandato por ter sido criado o município do Óleo, Lei nº 1.576, de 14 de dezembro de 1917, onde o mesmo residente. Braga era represente da localidade do Óleo, e a formalização de seu pedido ocorreu aos 15 de janeiro de 1918, (Câmara, Livro-Ata, 1918), e no lugar assumiu Américo França Paranhos.
O controle político era absoluto nas mãos do Coronel Tonico Lista.
3.16. Câmara e Prefeitura 1920/1923
Elegeram-se vereadores para o mandato de 1920 a 1923: Américo França Paranhos, Florberto Cruz, Nogueira Cobra, Julio Lucante, Antonio Evangelista da Silva, José Eugenio Ferreira, Mario Itauby Vieira e Pedro Camarinha. Antonio Evangelista da Silva assumiu a Prefeitura e Américo França Paranhos a Presidência da Câmara.
Antonio Evangelista da Silva enfrentava revezes políticos, por problemas pessoais, acusado de mandos de crimes e inclusive foi preso, em 1921, perdendo a direção municipal do PRP. Absolvido, recuperou o cargo executivo e a presidência partidária, pronto para enfrentar disputas políticas contra o neo Partido Municipalista, nas eleições de 29 de abril de 1922, para senadores e deputados estaduais.
Ganhou as eleições, mas sofreu atentado em Santa Cruz do Rio Pardo aos 08 de julho de 1922, morrendo a caminho de São Paulo, e Julio Lucante assumiu, em caráter excepcional a Chefia do Executivo Santacruzense, com evidencia que Leônidas do Amaral Vieira era o novo chefe político (Documentos fragmentados – Notas: Prado e Sato).
Encerrava-se o período de mando absoluto de Lista por quinze anos na política santacruzense e regional.
Segundo Rios, antes de falecer Tonico recomendara seu sucessor o primo Ozorio Bueno, fazendeiro em Chavantes (2004: 164). 
3.17. Câmara e Prefeitura 1923/1926
Na eleição municipal para mandato de 1923/1926 elegeram-se vereadores os apossados em 15/01/1923: Agenor Soares Camargo, Dr. Ataliba Pereira Vianna, Coronel Albino Alves Garcia, Coronel José Eugenio Ferreira, Dr. Julio Lucante, Luiz Besana, Coronel Osório [Ozório] Bueno e Dr. Pedro Soares de Sampaio Doria.
O Vereador Pedro Soares de Sampaio Doria foi o escolhido Presidente, Agenor Soares de Camargo – Vice-presidente, Coronel Osorio – Prefeito e Dr. Julio Lucante – Vice-prefeito. Luiz Antonio de Souza ocupou a Secretaria da Casa.
O Coronel Albino Alves Garcia, em outubro de 1923 resignou-se do cargo, substituído pelo suplente compromissado Cornelio Campbell. Ainda no mesmo ano exoneraram-se Agenor Soares Camargo, Luiz Besana e Julio Lucante, substituídos pelos novos eleitos e diplomados, Eduardo Fernandes Negrão, Levino Lobo, Francisco Martins da Costa e Pedro Cesar Sampaio. Campbell retornou à suplência.
No ano de 1924 organizou-se nova mesa da Câmara, escolhidos o Dr Pedro Soares de Sampaio Doria – Presidente, Livino Lobo – Vice-presidente, Dr. Pedro Cesar Sampaio – Prefeito e o Capitão Francisco Martins da Costa – Vice-prefeito (A Cidade, 25/01/1924: 1). 
No ano de 1924 Santa Cruz viu-se assolada pelos acontecimentos da Revolução de 1924, com a presença do tenente revolucionário Orestes Corrêa de Castro que "Assaltou a Collectoria federal em Santa Cruz do Rio Pardo, onde extorquiu da Camara a importancia de vinte contos de réis" (O Estado de S. Paulo, edição de 02/01/1925).
Relatório Geral da Polícia de São Paulo/Comissão de Inquérito (Movimento Subversivo de Julho, 1925: 241) informa que Orestes saqueou 4 contos de réis da Coletoria Federal, e "compelliu o prefeito a entregar-lhe a importância de 20 contos de réis", sendo o prefeito na época o Dr. Pedro Cesar Sampaio. 
Também em 1924 registrada a presença de João Cabanas, um dos líderes da Revolução, "requisitou 1:200$000 existentes na Agencia da Sorocabana" (Movimento Subversivo de Julho, op.cit), prendeu o cunhado do Chefe da Estação pedindo mais dinheiro – que lhe foi entregue quase ao anoitecer, e ainda fez prisioneiros as autoridades santacruzenses, o Promotor Público Dr. Viriato Carneiro Lopes; o Delegado de Polícia Dr. Athos Ribeiro, e o Prefeito, como líder político presente, o médico Dr. Pedro Cesar Sampaio.
A despeito dos acontecimentos revolucionários de 1924, os legislativo e executivo aparentemente unidos, desentenderam-se em 1925, e apresentaram-se divididos por ocasião da eleição anual para a Prefeitura e Mesa da Câmara, formando dois grupos adversos. O primeiro formado pelos vereadores Ataliba Vianna, Eugenio Ferreira, Levino Lobo e Pedro Soares de Sampaio Doria; e o segundo composto pelos edis Eduardo Fernandes Negrão, Francisco Martins da Costa, Ozorio [Osorio] Bueno, Pedro Cesar Sampaio. 
As duas facções digladiaram-se, uma sob o comando do Presidente da Câmara, Dr. Pedro Soares de Sampaio Dória e o Vereador Dr. Ataliba Pereira Vianna, adversária à herança política do falecido Coronel Tonico Lista, e a outra liderada pelo Coronel Ozorio Bueno e o médico Dr. Pedro Cesar Sampaio. 
De praxe e obrigação, Sampaio Doria como Presidente do Legislativo (15/01/1924 a 14/01/1925) convocou os Vereadores e o Prefeito para a sessão do dia 15/01/1925, visando a escolha da nova mesa camarária e eleição do novo prefeito. Na ocasião seriam apresentadas as prestações de contas da Prefeitura e Câmara, referentes ao exercício findo, além dos atos administrativos.
Estampou-se a crise. Os vereadores do grupo de Bueno/Sampaio não compareceram, o Secretário também ausente, as gavetas das escrivaninhas trancadas, os livros desaparecidos. Lavrou-se, à época: 
  • "No dia 15 de janeiro, ás 11 horas, na fórma das leis vigentes, sob a presidência do dr. Pedro S. de Sampaio Doria, compareceram no edifício do Paço Municipal, os vereadores dr. Ataliba Vianna, Coronel José Eugenio Ferreira e Livino Lobo para procederem á eleições da Prefeitura e mesa da Camara. Não estando presente o secretario desta, que ali deveria encontrar-se, depois de o procurar, constatando que o mesmo desapparecera levando comsigo o livro destinado á actas das sessões, para servir a elementos que ameaçavam perturbar a ordem dos trabalhos, o dr. Sampaio Doria, presidente da Camara, mandou se procedesse ao arrombamento das gavetas em que se deveria encontrar o livro, na presença do dr. Athos Ribeiro, delegado de policia, conforme tudo constou de um auto assignado por este, vereadores e pessoas presentes, em grande numero." 
  • "Apezar da publicidade com que tudo isso se fez, pois até aspectos photographicos foram apanhados dos vereadores presentes, os reveis que eram o medico dr. Pedro Cesar Sampaio, prefeito do exercicio anterior; coronel Ozorio Bueno, Eduardo Negrão e Francisco Martins da Costa não appareceram, Para melhor constatar o local em que a sessão se realizava, mandou o presidente se lavrasse a acta no livro de 'Ponto dos funccionarios', por ser de uso diario da Camara e da Prefeitura. Verificando a falta de numero para sessão, mandou o presidente convocar os suplentes de vereadores para o dia imediato, ás mesmas horas, no mesmo local." 
  • (Transcrição: O Combate, 13/02/1925: 4).
A bancada sob o comando de Bueno/Sampaio também se reuniu com o mesmo objetivo, de acordo com registro:
  • "Aos quinze de janeiro de mil novecentos e vinte e cinco, pelas onse horas da manhã nesta cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, Estado de São Paulo, no Paço Municipal e Dala das sessões, sob a presidência do Coronel Osorio Bueno, vereador mais votado por não haverem comparecido o Dr. Pedro S. de Sampaio Doria e Levino Lobo, respectivamente presidente e Vice-presidente, comigo secretario de seu cargo abaixo nomeado, pelo presidente foi ordenado que se fizesse a chamada destes Vereadores, tendo respondido o mesmo o Dr. Pedro Cesar Sampaio, Eduardo Fernandes Negrão, Francisco Martins da Costa; deixando de comparecer sem causa, participada os Vereadores Drs. Ataliba Pereiras Vianna, Pedro S. de Sampaio Doria, José Eugenio Ferreira e Levino Lobo. Pediu a palavra o Vereador Francisco Martins da Costa e disse que protestava contra os Vereadores que não compareceram procurando desse modo embaraçar a administração do Municipio. Pelo presidente foi dito que havendo numero legal para se proceder a eleição da mesa, e na forma do regimento mandou que se convocasse os suplentes nas respectivas ordens de votação, assim como se oficiasse os Vereadores faltosos para comparecerem a sessão extraordinaria que convocava para amanhã ás dez horas no logar de costume." 
  • (Câmara, Livro Ata, 1923/1926).
Uma das partes mentia, pois ambos os grupos não poderiam estar no recinto da Câmara nas mesmas data e horas anunciadas, e aos seguidores de Sampaio Doria não se sustentou o Delegado de Polícia, Athos Ribeiro, cercando o Paço Municipal com força policial, no dia 16 de janeiro, não lhes permitindo a entrada no edifício, todavia liberando acesso aos correligionários de Osorio Bueno, restando aos impedidos reunirem-se no salão nobre do Fórum.
Ausente o 1º Juiz de Paz os advogados vereadores Pedro Soares de Sampaio Doria e Ataliba Pereira Vianna, requereram e conseguiram ordem de habeas corpus expedida pelo 2º Juiz de Paz, em exercício, aos 19 de janeiro de 1925.
O Delegado Athos, no entanto, retardou o cumprimento da ordem judicial, dando tempo que o grupo adversário 'encontrasse' os ausentes Juiz de Direito e o 1º Juiz de Paz, tendo este emitido outra ordem de habeas corpus, na noite de 20 de janeiro de 1925, colidindo com a anterior.
Enquanto as consultas de costume quanto às legalidades e prevalências de atos judiciais, por algum tempo Santa Cruz teve dualidade de Prefeituras e de Mesas Administrativas da Câmara.
Com apoio das autoridades locais e do Estado prevaleceu o grupo do Coronel Osorio Bueno e Dr. Pedro Cesar Sampaio, acrescido dos suplentes compromissados Cornelio Campbell e Carlos Rios.
Aos 18 de maio de 1925, esgotados os procedimentos de praxe, a Câmara guiada pelo Coronel Osorio declarou, em sessão extraordinária, perda de mandato dos vereadores liderados por Sampaio Doria, e a história prosseguiu sua oficialidade, com desaparecimento dos livros e documentos do grupo perdedor.
Também desaparecidos o Livro das Leis e Prestações de Contas da Prefeitura, exercício 1924, sob responsabilidade do então Prefeito Dr. Pedro Cesar Sampaio (Livro Municipal das Leis Ordinárias exercício 1924), mantendo-se o livro de Atas.
3.18. Câmara e Prefeitura 1926/1930
As eleições municipais foram antecipadas para 1925, com posse em 15 de janeiro de 1926, sendo os eleitos: Leônidas do Amaral Vieira, Pedro Camarinha, Pedro Cesar Sampaio, Francisco Martins da Costa, Antonio Alóe, Francisco de Paula Assis, Jarbas Bueno e Carlos Rios (Câmara, Livro Ata, 1926).
Pedro Camarinha, por escolha camarária, exerceu o cargo de Prefeito entre 1926/1927.
Nas eleições de 1927, para Deputado Federal, teria ocorrido fraude eleitoral em Santa Cruz, a partir da mesa dos trabalhos na 2ª Seção, praticadas por Luís Octavio de Souza, empegado público municipal; Deoclides dos Santos Marques, serventuário da justiça; Avelino Alcântara de Oliveira Borges, profissão ignorada; Jarbas Bueno, lavrador; e Antonio Alóe, comerciante. Os fraudadores atuavam a favor do candidato Dr. José Adriano Marrey Junior, votando os mortos, os ausentes e os duplicados, sendo as assinaturas de presenças assinadas por Antonio Alóe, com consentimento dos mesários, cuja denúncia aceita pelo Juiz de Direito (Diário Nacional, 30/10/1927: 2-3).
Leônidas do Amaral Vieira assumiu a Prefeitura em 1928 e a repassou para Avelino Hermes Taveiros (1929/1930).
A Revolução de 1930 antecipou-se o final do período legislativo, ditado pelo Governo Revolucionário, e a Câmara então substituída pelo Departamento da Administração Municipal do Estado de São Paulo, até a eleição de Assembleia Constituinte, enquanto os estados ocupados por interventores federais, e os municípios governados pelos prefeitos nomeados.
Diversos políticos santacruzenses foram presos pelo regime instalado no país.
Urias Augusto Ribeiro, excepcionalmente, assumiu a Prefeitura em 1930.
3.19. Interventoria 1930/1936
O sistema interventorista aplicado pós-revolução de 1930, ao lado do Conselho Consultivo do Estado, de 1931, tornou frágil o poder legislativo municipal, com a nomeação do prefeito interventor, o médico e vereador Abelardo Pinheiro Guimarães (1930/1935), político oposicionista. 
Logo no início do mandato de Pinheiro Guimarães, já acontecia a cobrança de empréstimo contraído pelo Município, em 1915, para custear compromissos contraídos com autorização da Câmara. 
O município estava em atraso, e a firma credora oficiou cobrança à Secretaria do Interior do Estado de São Paulo, a qual, pelo Departamento de Administração Municipal do Estado de São Paulo oficiou e requereu informações ao prefeito nomeado, Abelardo Pinheiro Guimarães, cuja cópia do requerimento anexado:
  • "Exmo. Snr. Dr. Secretário do Interior do Estado de São Paulo."
  • "A SOCIEDADE ANONYMA LEONIDAS MOREIRA, por seu Director - Presidente infra-assignado, por força do Decreto do Estado de São Paulo, nº 4.810 de 31 de dezembro de 1930, conforme contracto de empréstimo municipal de Rs: 1.000:000$000 lavrado em notas do 7º Tabellião de São Paulo, com o Corretor Official snr. Dr. Oscar Moreira, para a CAMARA MUNICIPAL DE SANTA CRUZ DO RIO PARDO, vem requerer a V.Excia. o pagamento dos coupons nºs. 6 a 37, vencidos semestralmente de 31 de Julho de 1915 a 31 de Janeiro de 1931 e o resgate de letras sorteadas, cujos pagamentos importam em Rs: 1,562:965$000. (...)."
  • (O Trabalho, Ano I nº 12, 03 de maio de 1931: 3). 
O governo Pinheiro Guimarães não teria facilidades de adimplência, e cairia em 1935, sendo substituído, por seguidos governos nomeados, Alzim de Souza Lemos (1935), Tertuliano Vieira da Silva (1935/1936), José Carlomagno (1936) e Jayme Castanho de Almeida (1936).
Esvaziado o poder legislativo desde 1930, em 1936 a euforia era geral: 
  • "Approxima-se a realização do grande pleito de 15 de março, tendente dar ao povo dos municipios o direito de escolher os seus representantes." 
  • "(...)."
  • "Desde 24 de Outubro, há quase seis anos, as nossas Municipalidades, devido a malfadada revolução de 30, vem sendo discricionariamente entregues a correligionários do P.C. sem que o povo seja ouvido nem consultado nesse sentido."
  • "(...)." (A Cidade, 08/03/1936: 1).
3.20. Câmara e Prefeitura 1936/1939 – Legislativo dissolvido em 1937
Para a Câmara Municipal de 1936 foram eleitos nove vereadores: Abelardo Pinheiro Guimarães, Accacio Trindade de Mello, Alziro de Souza Santos, Eduardo Lorenzetti, Gabriel Botelho de Souza, Geremias Camillo de Godoy, Jaime (Jayme) Castanho de Almeida, Leônidas Camarinha e Tertuliano Vieira da Silva (Câmara Livro Ata, 1936).
Na primeira sessão do mandato, o Vereador Jaime Castanho de Almeida, nomeado Prefeito, solicitou da Câmara a convocação do suplente, Benedicto de Castro Piedade, para assumir cargo de vereador, enquanto ele próprio dedicado somente à Prefeitura.
No mesmo ano de 1936 iniciaram-se as discussões para a redação do Regimento Interno da Câmara, adequado às regras federais, evidenciando um Executivo forte como representante legal do município. Os longos anos sem câmara davam aos vereadores a importância em legislar a favor da municipalidade.
Destacou-se nesta fase relevante discussão camarária, aos 10 de outubro de 1936 para a aquisição de quatro datas de terras na então Avenida Silva Jardim [atual Cyro de Mello Camarinha], para edificação de novo prédio para a cadeia pública, e a reconstrução do velho edifício para acomodações dos cartórios nele existentes ou necessários (Câmara, Parecer Legislativo nº 9, de 1936).
Castanho de Almeida deixou a Chefia do Executivo para retornar à Câmara Municipal, em 1937, e o cargo de prefeito assumido por Joaquim Silverio Gomes dos Reis, até 1938, quando exonerado e substituído por Leônidas Camarinha.
O Professor Silverio dos Reis se destacou como planejador e executor de obras, abrindo caminhos para o sucessor Leônidas Camarinha:
  • Pensou e discutiu a instalação do serviço de abastecimento de água do município, obra não efetivada por ausência de concorrentes (Lei Municipal nº 14, de 15/02/1937). 
  • Serviços de esgotos com fossa asséptica e poço absorvente, à margem do Pardo pela Rua Marechal Bittencourt, aonde "(...) os exgottos existentes nas ruas Marechal Bittencourt, Conselheiro Dantas, Euzebio de Queiroz, serão ligados ..." (Lei Municipal nº 22, 21/04/1937), em obediência ao Código Sanitário Estadual.
  • Desapropriou imóvel do Dr. Celso Vieira, à rua Saldanha Marinho, nº 282 (Lei Municipal nº 21, de 16/04/1937), para anexação à praça existente (Correio Paulistano, 23/06/1937: 12) – atual Major Antonio Alóe. 
  • Tornou de utilidade pública a ponte sobre o Rio Turvo.
  • Criou a Escola para Adultos – alfabetização masculina junto ao prédio da Congregação Mariana (Lei Municipal nº 18, de 01/03/1937).
  • Deu auxilio à Associação dos Mutilados Constitucionalistas de São Paulo – Revolução de 1932 (Lei Municipal nº 19, de 30/03/1937).
  • Concedeu bolsa de estudo de 40% aos alunos filhos de funcionários municipais matriculados na Escola Normal Livre de Santa Cruz.
A euforia camarária durou quase nada e novamente o Governo Vargas, em novembro de 1937 dissolveu os legislativos para retorno democrático através de eleições diretas municipais apenas em 1947, cargos de Vereador, Prefeito e Vice-Prefeito.
3.21. Departamento das Municipalidades e Prefeitos nomeados: 1938/1947
Aos 03 de julho de 1938 o Leônidas 'Lulu' Camarinha assumiu a Prefeitura, indicado pelo Interventor paulista, Dr. Adhemar Pereira de Barros (1938/1941). Iniciava-se a era do Camarinha.
Nove meses depois da posse de Camarinha, o Governo Federal impôs o Decreto-Lei nº 1.202, de 08 e publicado a 10 de abril de 1939, conhecido por Código Administrativo, estabelecendo as Interventorias e o Conselho Administrativo nos respectivos estados, cabendo ao Interventor Estadual [Governador] nomear prefeitos "para exercício das funções executivas e em colaboração com o Departamento Administrativo [das Municipalidades], legislar nas matérias da competência (...) dos Municípios, enquanto não se constituírem os respectivos órgãos legislativos", nos termos do Decreto-Lei nº 1.202, artigo 5º, no que tange a municipalidade.
Leônidas Camarinha continuou à frente do Executivo santacruzense.
Apesar do objeto de sua criação, o Departamento das Municipalidades, do Conselho Administrativo não foi propriamente um órgão legislativo, pela incapacidade legal de produzir leis, apenas cumprindo-lhe propor alterações burocráticas, emitir pareceres e referendar ou não projetos do executivo pelos Decretos-Lei. O Conselho esteve ativo entre 1939 a 1947.
Camarinha permaneceu no cargo até 1946, atravessando todo o período do Interventor Fernando Costa (1941/1945), graças sua influência naquele governo, porém, não resistiu a Interventoria de José Carlos de Macedo Soares (1945/1947) e foi exonerado (DOSP, 18/04/1946: 1, Decreto de 17 de abril de 1946), decisão por telefone (Jornal de Notícias, 05/05/1946: 6) e em seu lugar nomeado Dr. Pedro Cezar (Cesar) Sampaio, que não tomou posse e teve referida nomeação tornada sem efeito, aos 17 de maio de 1946.
A nomeação do Dr. Cesar Sampaio provocou tremenda crise política em Santa Cruz, causando dissidência no PSD paulista; e o ato que tornou sem efeito aquela nomeação, gerou crise no governo paulista, com a auto demissão do Dr. Romeu Tortima, Diretor do Departamento das Municipalidades, esclarecido que não houve desistência de Cesar Sampaio no ato da nomeação e nem pedido seu de exoneração.
No lugar do Dr. Pedro Cesar Sampaio a Interventoria paulista comissionou, como Prefeito, Mario Campos Pacheco, no sistema 'intervenção branca', depois substituído por Mario Botelho do Amaral, em 1947, e daí uma série de ocupantes interinos de curta duração, todos ainda em 1947: João Ferreira Vasconcelos, Francisco Gonzaga de Oliveira, Philadelpho Aranha Junior, João Palma Villas Boas e José Osiris Piedade.
O exonerado 'Lulu' Camarinha optou candidatar-se a Deputado Estadual, elegendo-se.
3.22. Câmara e Prefeitura: 1948/1951
Câmara Municipal inexistente de 1937 a 1947 quando, então, as eleições municipais aos 09 de novembro de 1947 para o mandato 1948/1951, sendo eleito o primeiro prefeito pelo voto direto, Lucio Casanova Neto, PSD, bateu Osmar Ferreira, PSP.
O Jornal de Notícias, SP, às páginas 6 das edições de 17 e 29 de novembro de 1947, publicou o rol de vereadores eleitos: 
  • 'Pelo Partido Social Progressista – PSP: Samuel Martins Figueira; Pedro Cesar Sampaio; Antonio Consalter Junior; Antonio Madalena; Oswaldo Scucuglia; Alziro de Souza Santos; José Rossi; Demerval Arouca; Lindolfo Ferdinando de Assis; e José Mazzante. Pelo Partido Social Democrata – PSD / Partido Trabalhista Brasileiro – PTB Angelo Alóe; Americo Pitol; Carlos Julio Renofio; Cyro de Mello Camarinha; José Rocha Sillos – 264; Philadelpho Franca Aranha; Onofre Rosa de Oliveira; Alberto Dias; Anizio Zacura; João Narcizo Gonçalves; José Gonçalves; Xisto Rios; e Pedro Queiroz.' (Apud Jornal de Notícias, op.cit).
A 1º de janeiro de 1948 foram os vereadores diplomados e empossados (Livro Ata da Câmara Municipal, ato de posse):
  • "Angelo Alóe – Presidente, Cyro de Mello Camarinha, Alberto Dias, Philadelpho França Aranha, Onofre Rosa de Oliveira, João Narcizo Gonçalves, Xisto Rios, Americo Pitol – 2º Secretário, Anizio Zacura, Pedro Queiroz – 1º Secretário, Carlos Julio Renófio, José Rocha Sillos, José Gonçalves, Antonio Magdalena, Antonio Consalter Junior, José Mazante, Lindolfo Ferdinando de Assis, Oswaldo Scucuglia, José Rossi, Alziro de Souza Santos e Samuel Martins." 
No entanto, os eleitos, Pedro Cesar Sampaio e Demerval Arouca, diplomados pelo Juiz Eleitoral da Comarca e por este admitidos para votação da mesa legislativa, tão logo a retirada do Juiz, o Presidente eleito da Câmara, Dr. Angelo Alóe, deixou de dar posse a Sampaio e Arouca, porque "sendo eles funcionários públicos deveriam ter previamente se descompatibilizado", e não prestaram compromisso.
O Dr. Pedro Cesar Sampaio era Professor e Diretor na Escola Normal Oficial, enquanto Demerval Arouca, Professor e Delegado de Ensino, por isto ambos impedidos para a vereança, e o ato do afastamento foi ratificado com a aprovação do Projeto Legislativo de Resolução nº 6, de 01 de março de 1948.
Discutiu-se o assunto, abriu-se uma primeira sessão extraordinária, e já na segunda sessão extraordinária, de 02 de janeiro de 1948:
  • "(...). Feita a chamada constatou-se a presença dos seguintes vereadores: Angelo Alóe, Cyro de Mello Camarinha, Alberto Dias, Philadelpho França Aranha, Onofre Rosa de Oliveira, João Narcizo Gonçalves, Xisto Rios, Americo Pitol, Anizio Zacura, Pedro Queiroz, Carlos Julio Renófio, José Rocha Sillos, José Gonçalves, Antonio Magdalena, Antonio Consalter Junior, José Mazante, Lindolfo Ferdinando de Assis, Oswaldo Scucuglia, José Rossi, Alziro de Souza Santos, Samuel Martins Figueira." (Câmara Municipal, Livro Ata).
Em pauta constava a eleição para a escolha do Vice-presidente, sendo eleito José Rocha Sillos ficando o Dr. Pedro Cesar Sampaio em segundo, mas seus votos anulados porque afastado do cargo e não prestado compromisso.
Com as exclusões de Sampaio e Arouca o quadro da Câmara foi recomposto e completado com os suplentes Orlando Quagliato e Alfredo Gonzaga, ficando Alberto Dias e José Rossi como imediatos.
O Tribunal Eleitoral de São Paulo, não entendendo qualquer incompatibilidade entre exercício de cargo público o com vereança, pronunciou-se a favor dos prejudicados – Acórdão nº 7.999 (DOSP, 27/01/1949: 39), mas a Câmara não acatou a decisão, gerando impasse jurídico.
Sampaio apartou-se do cargo público incompatível com a vereança e apresentou-se vereador e assim noticiado num evento social santacruzense, porém o Professor Arouca não se afastou do cargo remunerado conforme observado no mesmo acontecimento, onde anunciado Delegado de Ensino (Jornal de Notícias, Notas Forenses, edição de 29/01/1949: 11). O Arouca, ainda em 1948, transferiu-se para a localidade de Mogi das Cruzes (Escola Municipal Professor Demerval Arouca: 30/11/2011).
A despeito dos impasses jurídicos, a Câmara apresentava-se festiva, com a abertura política e o retorno à democracia, conforme observações nos tantos projetos de homenagens e reivindicações populistas, inclusive o prefeito eleito a compartilhar com as mesmas ideias e fortalecer a política do compadrio, beneficiando munícipes visando futuras eleições. Os poderes intercambiavam-se.
Os vereadores não eram remunerados e o número de titulares e suplentes misturava-se, com ou sem juramentos ou compromissos, para suprir ausências.
Com o Executivo forte, os Vereadores e o Prefeito tornaram-se hábeis negociantes políticos de interesses particulares ou de terceiros, às vezes escusos ou suspeitos, lesando o erário. 
O PSD, em 1950, até ensaiou rebeldia provocando crise camarária: "O Legislativo Municipal não se tem reunido por falta de numero de vereadores do PSD. Consta que existem serias divergências no seio do partido motivados pela escolha dos candidatos a deputados estaduais." (Jornal de Notícias, 05/04/1950: 6).
Admitiu o então chefe político santacruzense, Deputado Leônidas Camarinha, que o PSD estava completamente desorganizado no interior paulista: "Devemos confessar esta terrível verdade", necessitando de reestrutura para o embate eleitoral (Diário de Notícias, RJ, 01/06/1949: 4).
As movimentações camarárias, a partir de 1947 estão disponibilizadas, com raras exceções, em sítio eletrônico oficial do Legislativo, e até anteriores a 1947.
3.23. Câmara e Prefeitura: 1952/1955
Nas eleições municipais de 1951, período 1952-1955, elegeram-se Cyro de Mello Camarinha para prefeito, e os vereadores Alziro de Souza Santos, Américo Pitol, Angelo Alóe, Angelo Zanetti, Anízio Zacura, Antonio Ban, Antonio Figliolia, Benedito Carlos da Silva, Carlos Julio Renófio, Clóvis Dias, Edmar de Deus Nunes, Idarilho Gonçalves do Nascimento, João Narcizo Gonçalves, José Antonio Ramos, Joaquim Dias Machado, Joaquim J. Tavares, Lucio Casanova Neto, Manuel [Manoel] Mendonça Sobrinho, Onofre Rosa de Oliveira, Pedro Queiroz, Wilson Freitas (Câmara, Livro Ata 1953 – ato de posse).
Leônidas Camarinha, Deputado Estadual, era quem determinava os rumos políticos e administrativos do município.
3.24. Câmara e Prefeitura: 1956/1959
Nas eleições de 1955, para o mandato 1956/1959, elegidos, para prefeito Lucio Casanova Neto, e os vereadores Agenor Pereira de Oliveira, Anízio Zacura, Antonio Rui Guiomar, Benedito Carvalho M. de Andrade, Bernardino Gonçalves Trindade, Cyro de Mello Camarinha, Elidio [Elydio] Crivelli, Fioravante Romano, Francisco Mariano, Idarilho Gonçalves Nascimento, Joaquim Severino Martins, José Osiris Piedade, Manoel Mendonça Sobrinho, Otaviano Botelho de Souza, Onofre Rosa de Oliveira, Pedro Queiroz, Reynaldo Zanoni, Wilson Gonçalves, Virgilio Francisco Maximiano (Câmara, Livro Ata 1956 – ato de posse).
O ano de 1957 marcou o rompimento político entre Leônidas Camarinha e Lucio Casanova Neto e este abrigou-se, com o seu grupo, no Partido Democrata Cristão (PDC) e aliou-se à União Democrática Nacional (UDN).
Dentre as divergências estariam as atitudes políticas do Camarinha, contrárias aos interesses de Santa Cruz, a exemplos da redução territorial do município a favor de Ourinhos, e o apoio eleitoral dado a Adhemar de Barros em vez de Jânio Quadros. O grupo de Leônidas, por seu turno, considerava que os dissidentes haviam apoiado a candidatura do udenista, José Osiris Piedade – Biju, para Deputado Estadual.
Logo as duas lideranças acusavam-se de escândalos político-administrativos diversos e chegaram às barras dos tribunais.
A dissidência rompeu o absolutismo político de Leônidas 'Lulu' Camarinha, iniciando-se os tempos das facções 'Vermelhos' – Leônidas, e 'Azuis' – Lucio.
3.25. Câmara e Prefeitura: 1960/1963
O acordo de Lucio com a oposição, representada pela UDN – União Democrática Nacional, permitiu a vitória de Onofre Rosa de Oliveira para prefeito em 1959 – período de 1960/1963, e eleitos vereadores, Anisio Zacura [Presidente], Antonio Manfrin, Benedito Silva Santos, Benedito Carlos da Silva, Bernardino de Melo Lacerda, Derly Ribeiro, Domingos Fonsaca, Elídio Crivelli, Idarilho Gonçalves Nascimento, Joaquim Severino Martins, Lucio Casanova Neto, Luiz Vidor, Otaviano Botelho de Souza, Paulo Gilberto Machado Ramos, Pedro Queiroz (Câmara, Livro Ata, 1960 – ato de posse).
As denúncias promovidas pelo grupo Camarinha em represália a Lucio, levaram à condenação deste e decretada sua prisão. Lucio evadiu-se e, de seu esconderijo, candidatou-se a Deputado Estadual e se elegeu, abdicando-se da vereança e substituído pelo suplente Gastão Cid.
'Lulu' Camarinha não era mais o chefe único da política santacruzense, porém manteve-se Deputado Estadual.
Paulo Gilberto Machado Ramos ocupou cargo de Prefeito, em 1963, substituindo Onofre Rosa de Oliveira.
3.26. Câmara e Prefeitura: 1964/1968
Em 1963 Carlos Queiroz se elegeu prefeito (1964-1967) juntamente com 21 vereadores: Anibal Dias Salles, Antonio Manfrim, Antonio Martins, Antonio Ribeiro Filho, Benedito Silva Santos, Bernardino Gonçalves Trindade, Bolivar Cunha, Derly Ribeiro, Elídio [Elydio] Crivelli, Gastão Cid, Henrique Vieira de Almeida, Idarilho Gonçalves Nascimento, Joaquim Severino Martins, José Gabriel Botelho, José Renófio, José Theodoro Nogueira, Luiz Vidor, Nivaldo de Souza, Paulo Nagata, Pedro Queiroz e Samuel Martins Figueira (Câmara, Livro Ata, 1964 – ato de posse).
A Câmara, com número exagerado de Vereadores, mostrava-se extremamente confusa, com vereadores digladiando-se em ataques pessoais, centrados nas figuras dos líderes, Camarinha e Lucio Casanova.
O golpe militar de 1964 e os desdobramentos fizeram serenar os ânimos, e a habilidade política de Carlos Queiroz, sem se envolver com as questiúnculas camarárias, tornou a Câmara dócil ao seu governo, sem os levantes de adversários e ciúmes dos companheiros.
Em 1965 os partidos políticos foram extintos e dois foram criados e organizados para o simulacro da democracia brasileira. A Arena – Aliança Renovadora Nacional, partido conservador e formado por adesistas em apoio incondicional ao governo militar, e o MDB – Movimento Democrático Brasileiro para ser oposição consentida, mais caracterizada como frente pela multiplicidade ideológica.
Em Santa Cruz a Arena agigantou-se, e também se transformou em frente, reunindo rivais políticos, interessados no ganho do poder local e prestos aos militares, enquanto o MDB local um partido sem noções de rumos, sobrevivendo na figura carismática do advogado Claudio Catalano.
3.27. Câmara e Prefeitura: 1969/1972
Para as eleições de 1968, novamente Onofre Rosa de Oliveira, arenista, fez-se vitorioso para o mandato de prefeito entre 1969/1972, e os vereadores: Alziro de Souza Santos, Amaury Cesar, Antonio Manfrim, Antonio Martins, Antonio Raimundo, Celio Fonsatti, Elídio [Elydio] Crivelli, Henrique Vieira de Almeida, Idarilho Gonçalves Nascimento, Joaquim Severino Martins, José Messias de Britto, José Theodoro Nogueira e Paulo Custódio Patrocínio (Câmara, Livro Ata, 1969 – ato de posse).
Treze legisladores para a formação de uma Câmara ilustre, de alto nível intelectual e político. O Regime Militar, no entanto, tolheu a capacidade e oratória dos vereadores, a pairar o temor de qualquer interferência do governo revolucionário nos destinos do município.
Para a Câmara era melhor apoiar o governo local adesista do carismático e midiático Onofre, e não havia praticamente oposição, todavia, forte tendência para barganhas entre o Executivo e o Legislativo.
3.28. Câmara e Prefeitura: 1973/1976
Joaquim Severino Martins, pela Arena em 1972 disputou e se elegeu prefeito (1973/1976), com os vereadores, Anibal Dias Salles, Antonio Francisco Zanette, Antonio Lino Sartori, Atilio Bertolino, Caetano Belei, João Martins, Joel Martins de Paiva, José Cesário Pimentel, José Eduardo Piedade Catalano, José Miguel Saliba, José Teodoro Nogueira, Luiz Besson e Sebastião Botelho de Souza (Câmara, Livro Ata, 1973 – ato de posse). Acácio Pereira de Lima aparece em exercício nalgumas sessões.
Câmara extremamente dócil, e as providências tomadas pelo executivo eram acertadas politicamente com os vereadores. Joaquim era o 'cacique político'.
3.29. Câmara e Prefeitura: 1977/1982
Nas eleições de 1976 (1977/1980, mandato prorrogado até 1982) Aniceto Gonçalves elegido prefeito com os vereadores, Atílio Bertolino, Benedito Antonio Bueno Marques, Clovis Pereira Borba, Israel Benedito de Oliveira, João Capistrano de Paula, Joel Martins de Paiva, Jorge de Araujo, José Carlos Nascimento Camarinha, José Eduardo Piedade Catalano, José Theodoro Nogueira, Luiz Besson, Sebastião Botelho de Souza e Valdomiro Martins (Câmara, Livro Ata, 1977 – ato de posse).
Benedito Antonio Bueno Marques, o mais votado, rebelou-se com o grupo situacionista, renunciou ao mandato mediante acordo financeiro, e em seu lugar assumiu Antonio Lino Sartori, logo depois eleito Presidente da Câmara e tornou-se célebre, pelo levante popular que culminou no apedrejamento da Câmara, Prefeitura, próprios da Sabesp e a residência do Prefeito.
Decepcionado, Sartori desistiu da política.
3.30.  Mandato 1983/1988 – Legislativo e Executivo
No ano de 1982 Onofre Rosa de Oliveira outra vez escolhido Prefeito para o mandato 1983/1988, agora pelo PMDB, e, com ele os vereadores: Antonio Francisco Zanette, Antonio Roberto Giacon, Aparecida de Lima Martins – Dona Mara, Aparecido Pereira Borges, Aparecido Rodrigues Mouco, Israel Benedito de Oliveira, José Aldevino da Silva, José Carlos Nascimento Camarinha, Luiz Antonio Tavares, Luiz Besson, Luiz Clovis Maximiano, Paulo Fernandes Sanches, Pedro Luiz Renofio, Roberto Mariano Marsola (Câmara, Livro Ata, 1983 – ato de posse).
O MDB vinha de grande crescimento no Governo Geisel, pela insatisfação popular com o Regime Militar e a saturação política da ARENA. Os partidos mudaram nomes e siglas, por exigência legal; o MDB para PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro, e a ARENA virou PDS – Partido Democrático Social para fugir da pecha ou estigma ditatorial.
A eleição de 1982 mostrou-se atípica. Três candidatos a Prefeito pelo PMDB: Jorge Araujo, Manoel Carlos 'Manezinho' Pereira e Onofre Rosa de Oliveira, enquanto o PDS apresentava Décio Mendonça e Joaquim Severino Martins, todos concorrendo entre si e com os adversários partidários. Onofre Rosa de Oliveira ganhou e Joaquim Severino Martins foi o segundo colocado.
O PMDB garantiu sete vereadores: Antonio Francisco Zanette, Antonio Roberto Giacon, Aparecido Pereira Borges, Israel Benedito de Oliveira, José Aldevino da Silva, Luiz Antonio Tavares e Roberto Mariano Marsola. O PDS, dividido, elegeu pelo grupo de Joaquim Severino Martins, os candidatos Aparecida de Lima Martins – Dona Mara, Luiz Besson, Luiz Clóvis Maximiano e Paulo Fernandes Sanches. Pelo grupo de Décio Mendonça elegeram-se: Aparecido Rodrigues Mouco, José Carlos Nascimento Camarinha e Pedro Luiz Renofio.
De imediato o peemedebista Antonio Francisco Zanette – Batatão, indispôs-se com Onofre e atraiu adesão de José Aldevino da Silva – Vino, além da simpatia de Antonio Roberto Giacon. Zanette e da Silva, unidos ao grupo de Décio Mendonça, provocaram empate numérico com os onofristas.
Onofre hábil negociante político e oportunista, conforme já demonstrara em administrações anteriores, selou acordo com Joaquim Severino Martins e teve mandato com maioria dos vereadores, suportando as críticas do polêmico Zanette.
3.31. Câmara e Prefeitura: 1989/1992
Clóvis Guimarães Teixeira Coelho disputou e ganhou a eleição de1988, mandato 1989/1992, e os vereadores: Adilson Donizeti Mira, Amaury Cesar, Antonio Roberto Giacon, Aparecida de Lima Martins, Jorge de Araujo, José Carlos Nascimento Camarinha, Isaias Carvalho dos Santos, Lino dos Santos, Luiz Antonio Lorenzetti, Luiz Antonio Tavares, Luiz Clovis Maximiano, Marizilda Martins Camilo de Lima, Paulo Cesar Pegorer, Otacilio Parras Assis, Renato Eleuterio Diniz, Roberto Mariano Marsola, e Wanda Rios Teixeira Coelho (Câmara, Livro Ata, 1989 – ato de posse).
Para a legislatura 1989/1992 o TER fixara número de nove vereadores, contrariando a pretensão camarária de dezessete deles, porém uma medida do TSE permitiu a posse de oito suplentes.
Essa legislatura marcou a estreia do jovem Adilson Donizeti Mira, forjado nas esquerdas e com o apoio de setores da Igreja e sindicatos, mas o grande destaque foi Otacílio Parras Assis, que ocupou por algum tempo a Secretaria Municipal de Saúde.
A Câmara de 1989/1992 foi intensamente democrática.
3.32. Câmara e Prefeitura: 1993/1996
Manoel Carlos 'Manezinho' Pereira, em sua terceira disputa, se elegeu prefeito nas eleições de 1992, período 1993/1996, juntamente com os vereadores: Adilson Donizeti Mira, Brazil Zacura, Isaias Carvalho dos Santos, João Gabriel Riston, João Lopes, Jorge de Araujo, José Carlos Montagna, José Carlos Nascimento Camarinha, Luiz Antonio Tavares, Luiz Clovis Maximiano, Luiz Besson, Onofre Rosa de Oliveira, Roberto Mariano Marsola, Wanda Rios Teixeira Coelho (Câmara, Livro Ata, 1993 – ato de posse).
Adilson Donizeti Mira transformou-se numa voz representativa das camadas populares, dos jovens, estudantes e dos sindicatos. Mira fizera sua campanha 'colado' no candidato a prefeito, Manoel Carlos, para romper logo após os resultados das urnas, aproveitando-se para a política de depreciação e contundentes críticas ao tíbio governo de Manoel Carlos.
Outro grande destaque político foi o médico Brasil Zacura, diferente de Mira, conciliador e voltado às áreas do social e da saúde pública.
3.33. Câmara e Prefeitura 1997/2000
Novamente Clóvis Guimarães Teixeira Coelho disputou e ganhou mandato em 1996, para o período de 1997/200, com os vereadores: Antonio Ferreira de Jesus, Augustinho Marin, Benedito Valadão Sobrinho, Brazil Zacura, Idilio Nelson Rodrigues, Isaias Carvalho dos Santos, João Gabriel Riston, Jorge de Araujo, José Celso Locali, Luiz Antonio Tavares, Luiz Besson, Luiz Clovis Maximiano, Roberto Mariano Marsola e Wanda Rios Teixeira Coelho (Câmara, Livro Ata, 1997 – ato de posse).
Mira foi o Vice-prefeito, num arranjo político entre o PMDB e PSDB – o partido de Mira. Ocupando a Secretaria Desenvolvimento Humano e com liberdade de ações, Mira projetou-se efetivamente como liderança política.
Wanda Rios Teixeira Coelho ocuparia Secretaria de Governo, e Brasil Zacura a Pasta da Saúde.
Clóvis não fez bom governo e nem acertou com a nomeação de Pedro Milton Pegorer como Gerente da Cidade.
3.34. Câmara e Prefeitura: 2001/2004
Adilson Donizeti Mira venceu em 2000 a disputa para Prefeito, mandato de 2001/2004, e foram eleitos vereadores, Ademir Antonio Bassetto, Dorival Parmegiani, Euclides Alves Filho, Idilio Nelson Gonçalves, Israel Benedito de Oliveira, José Antonio Fonçatti, Luiz Besson, Luiz Vanderlei Freire de Souza, Maura Soares Romualdo Macieirinha, Roberto Mariano Marsola, Valter Fernandes, Wanda Rios, Wilson Primo de Souza (Câmara, Livro Ata, 2001 – ato de posse).
O Capitão da Polícia Militar, Adão Ludovino Sobrinho, renunciou ao mandato de vereador na sessão legislativa de 10 de dezembro de 2001, alegando motivos pessoais, e foi substituído por Luiz Vanderlei Freire de Souza.
Desde o princípio o Governo Donizeti Mira mostrou-se truculento, autoritário, midiático e perseguidor de adversários, além dos indícios de corrupção, desvios de verbas quanto às finalidades, nepotismo e proteção a companheiros submissos e interesseiros, na característica política do capachismo, numa forte estrutura para garantir-se no poder.
Donizeti Mira investiu contra o semanário Debate com dezenas de processos, intencionado em sufocar financeiramente o único órgão de imprensa não vitaminado por receitas públicas.
A Câmara, pró-governo, encontrou apenas em Israel Benedito de Oliveira – Nenê Mamona e José Antonio Fonçatti – Paina, os opositores ao governo de Adilson Donizeti Mira.
3.35. Câmara e Prefeitura: 2005/2008
Adilson Donizeti Mira, PSDB, se reelegeu prefeito em 2004 (2005-2008), e eleitos os vereadores Edvaldo Donizeti de Godoy, Jorge de Araujo, José Brasílio Romano, José Celso Locali, Leandro Fonseca Mendonça, Manoel Carlos 'Manezinho' Pereira, Roberto Mariano Marsola, Rui Sérgio dos Reis e Samuel Reis da Silva (Câmara, Livro Ata, 2005 – ato de posse).
Dezenas de denúncias aconteceram contra Donizeti Mira, por improbidade administrativa, desvio de dinheiro público quanto a finalidade, corrupção e formação de quadrilha, entre outras ações, a maioria aceita pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Conta do Estado, e até pela Câmara, que criou uma Comissão Especial de Inquérito – CEI para investigar a isenção milionária de ITBI - Imposto sobre transmissão de Bens Imóveis ao empresário Francisco Falavigna, através de lei endereçada pelo executivo.
Após CEI abriu-se CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito, requerida pelo casal Celso e Junko Sato Prado, para possível cassação de mandato. Em desespero, Donizeti Mira contratou, pelos cofres da Municipalidade, o jurista José Nilo de Castro para, entre outros serviços nunca efetivamente realizados, trancar a CPI.
O governo Donizeti Mira não deslanchou, teve dificuldades de maioria na Câmara e, então, cooptou o Vereador Samuel Reis da Silva, dando-lhe vantagens financeiras e um cargo no primeiro escalão, para abrir vaga a suplente confiável.
O Vereador Rui Sérgio dos Reis fez-se o político rival maior de Donizeti Mira. Reis deixou o Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB, para fundar o Partido Verde – PV.
3.36. Câmara e Prefeitura: 2009/2012
Nas eleições de 2008, período de 2009-2012, Maura Soares Romualdo Macieirinha, PSDB, venceu a disputa para o cargo executivo, e elegeram-se vereadores Antonio Ferreira de Jesus – Teco, Edvaldo Donizeti de Godoy, Jorge de Araujo, José Paula de Andrade, Leandro Fonseca Mendonça, Lazaro Aparecido Batista de Souza - Souza Neto, Luiz Carlos Marques Novaes - Psiu, Roberto Mariano Marsola, Rui Sérgio dos Reis (Câmara, Livro Ata, 2009 – ato de posse).
Maura, vice-prefeita no mandato anterior se elegeu graças à liderança e carisma de Donizeti Mira, a quem ela chamava de professor. Praticamente Maura manteve a mesma equipe, primeiro e segundo escalões de seu antecessor.
Rui Sérgio dos Reis continuou a ser o vereador problema da Administração. Crítico contumaz e de pesadas palavras, teve problemas também com oposição, chegou a ser cassado, mas retornou ao cargo por via judicial. Isolado e processado, Rui não disputou as eleições em 2012, mandato 2013/2016.
3.37. Câmara e Prefeitura: 2013/2016
O médico Otacílio Parras Assis, em sua terceira disputa pelo cargo majoritário municipal consagrou-se vencedor nas urnas, em 2012, sendo eleitos vereadores, Antonio Ferreira de Jesus – Teco, Cleuza Maria Costa Soares, Edvaldo Donizeti de Godoy – Professor Edvaldo, José Paula da Silva, Lazaro Batista de Souza – Souza Neto, Leandro Fonseca Mendonça, Luiz Antonio Tavares – Luizão da Onça, Luiz Carlos Novaes Marques – Psiu, Luiz Vanderlei Freire de Souza – Vanderlei Baiano, Marco Antonio Valantieri – Marco Cantor, Milton de Lima e Murilo Costa Sala (Câmara, Livro Ata, 2012 – ato de posse).
4. Juizados de Paz
A Constituição Imperial - Carta de Lei de 25 de março de 1824, substituindo antigo sistema, nas ordenações "Dos Juizes, e Tribunaes de Justiça", previu em seus artigos 161 e 162 como os responsáveis pela conciliação pré-processual, escolhidos por eleições "pelo mesmo tempo, e maneira, por que se elegem os Vereadores das Camaras", com regulamentação em 1827.
O instituto sofreria alguns ajustes ao longo dos tempos, por exemplo, a partir de 1832 com a obrigatoriedade de se ter um Juizado de Paz em cada freguesia, ampliando assim a participação popular também na Justiça. 
Ao Juiz de Paz, pela reforma legal de 1871, quanto ao exercício das funções cumpria as obrigações de julgamentos de pequenas demandas, feitura de corpo de delito, formação de culpa, condenação e prisão em processos sumaríssimos com recurso para os Juízes de Direito. Porém, a atribuição de maior importância era presidir a Junta Paroquial para qualificações de eleitores e candidatos a cargos públicos.
Os eleitos Juízes de Paz eram substitutos legais, pela ordem, do Juiz Municipal nomeado pelo Presidente da Província, quando uma localidade elevada a termo de Comarca. 
A partir de 1875 foram criadas as estruturas para a implantação do Juizado de Paz para Santa Cruz do Rio Pardo, através de eleições municipais e a criação do Juízo de Paz e Notas, cujo livro cartorial, com termo de abertura e folhas rubricadas pelo Presidente da Câmara de Lençóis Paulista, João de Palma [Carneiro] Giraldes, aos 09 de agosto de 1875.
Aos 04 de setembro 1875, Jacob Antonio Molitor iniciava atividades cartoriais, como Escrivão do Juízo de Paz e Notas de Santa Cruz – 1º Tabelião de Notas, Livro 1.
4.1. 1876/1879 – Eleição anulada
A primeira eleição para o Juizado de Paz de Santa Cruz realizou-se no ano de 1875, posse para 1876, sabendo-se eleitos Joaquim Manoel de Andrade (DAESP/BTCT, Caixa 40 – Pasta 3, 1876: 253) e os suplentes Luiz Antonio Rodrigues, Domingos José de Andrade e Manoel Cândido da Silva (Correio do Sertão, edição de 19/07/1902: 3).
A eleição ficou pendente de decisão (RG BN 1017, 1875/1876: 46), e depois declarada sem efeito porque o pleito realizou-se após a edição do Decreto Imperial 2.675, de 20 de outubro de 1875, que alterava a legislação eleitoral anterior.
4.2. 1877/1880
Em 1876 aconteceu eleição para Juízes de Paz, período 1877/1880, sendo eleitos: Fortunato Rodrigues da Costa, Francisco Ignácio Borges e Luiz Antonio Rodrigues, identificados num abaixo-assinado em favor de Deputado Emygdio José da Piedade (Correio Paulistano, 02/10/1878: 1), inferindo ao primeiro por titular, consideradas outras referências.
Fortunato deixou o cargo de Juiz de Paz ao optar pela Suplência de Delegado de Polícia (Correio Paulistano, 18 de março de 1880: 2), acúmulo não permitido, e, com sua saída Luiz Antonio Rodrigues assumiu a titularidade (15/07/1880: 1).
4.3. 1881/1884 – Mandato não concluído
Não localizados documentos que atestem, inequivocamente, quais os Juízes de Paz eleitos em 1880, para o período 1881/1884. 
O mandato, no entanto, foi interrompido com as eleições de 1º de julho de 1882 "para o quatriennio que começará a correr de 7 de Janeiro do corrente ano [de 1883]" (RG, BN 1027, 1882/1883: 58). 
4.4. 1883/1886 – Novo mandato
Em 1882 elegeram-se Juízes de Paz, mandato de 1883/1886: "Emygdio J. da Piedade, Jacob Antonio Molitor, Manoel Garcia de Oliveira e João Bonifacio Figueira. Todos conservadores" (Correio Paulistano, 26/07/1882: 2).
O pleito foi anulado, por decisão judicial e acatada pelo Governo da Província. Nova eleição ocorreu aos 29 de outubro de 1882, e os mesmos vencedores do pleito anterior foram os escolhidos (RG BN 1027, 1882/1883: 58, anulação e eleição).
4.5. 1887/1890 – Mandato interrompido
No ano de 1886 elegeram-se Juízes de Paz: 1º João Baptista Botelho, 2º Antonio de Souza, 3º Francisco Martins.
O golpe militar de 1889 fez cessar os mandatos conquistados nas urnas.
4.6. 1890/1892 – Período confuso
Sem qualquer outro documento que possa melhor esclarecer o confuso período republicano, em 1890 o cidadão Firmino Manoel Rodrigues ocupava o cargo de 1º Juiz de Paz, identificado membro da Comissão Distrital da Intendência de Santa Cruz do Rio Pardo (Livro Ata, período de 07 a 27 de abril de 1890).
O Decreto Estadual nº 82, de 19 de julho de 1892, adiou as eleições de Juízes de Paz para 30 de agosto daquele ano, por insuficiência de tempo à regulamentação do processo eleitoral, determinando fosse utilizado o alistamento de eleitores inscritos para pleitos federais.
A decisão de governo demonstrou que as eleições de Vereadores não ocorreram conjuntamente com a de Juízes de Paz; quando a Câmara empossara seus eleitos em julho de 1892 com mandato até 1894.
Com o advento republicano e a instalação da comarca em Santa Cruz, o Juiz de Paz tecnicamente perdeu muito de sua importância.
4.7. 1893/1895
Eleitos Juízes de Paz – eleição de 1892, período 1893/1895, Dr. José Nestor de França, Coronel Marcello Gonçalves e Joaquim Fernandes Negrão (Câmara, Livro Ata, sessão de 30/08/1892). Informados, ainda, os nomes subsequentes de João Bonifácio Figueira, Pedro Custódio Guimarães, Vicente Finamore e Galdino Carlos da Silveira.
Os mais frequentes dentre os Juízes de Paz em exercício, no período, foram Marcello Gonçalves de Oliveira, João Bonifácio Figueira e Pedro Custódio Guimarães, pelas outras atividades de José Nestor de França e Joaquim Fernandes Negrão.
4.8. 1896/1898
Aos 07 de janeiro de 1896 foram empossados Juízes de Paz, Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, Major Manoel Antonio de Oliveira e Antonio Cândido de Oliveira (Jornal do Brasil, 23/01/1896: 3).
4.9. 1899-1901
Juízes de Paz, mandato 1899/1901: João Evangelista da Silva, Manoel Antonio de Oliveira, Francisco Narcizo Gonçalves.
4.10. Períodos seguintes
As ausências de documentos e a pouca importância dada aos cargos de Juízes de Paz, dentro do contexto político e administrativo santacruzense do século XX, tornam desinteressante a sequência dos seus eleitos e nomeados.
Atualmente a figura do juiz de paz – mais conhecida como juiz casamenteiro, juntamente com a justiça de paz, consta no artigo 98, inciso 2º, da Constituição de 1988:
  • "(...)."
  • "Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão."
  • "II - Justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos eleitos pelo voto direto, universal e secreto, com mandato de 4(quatro) anos e competência para, na forma da lei, celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face da impugnação apresentada, o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional, além de outras previstas na legislação."
  • "(...)."
Discute-se se o cargo de Juiz de Paz é de agente político, vinculado a organismo público, ou honorífico, ainda que remunerado. A Constituição embora determine eleição pelo voto direto, na verdade nunca houve tal pleito pelo menos nos últimos sessenta anos.
5. Inspetorias de Quarteirão
Os Juízes de Paz tinham atribuições definidas em leis para o exercício de suas funções, como primeira instância dos pequenos litígios e delitos, além das decisões emergenciais na ausência dos Juízes Municipais e de Direito, determinando prisões, sobretudo infracionais ao Código de Posturas; decidir solturas ou dar ordens de encaminhamentos de presos para as cadeias referências.
O Juiz de Paz para melhor eficiência dispunha de auxiliares para os cuidados com a população, um em cada quadra, por isso denominados Inspetores de Quarteirão.
Vinculado ao Juizado de Paz da localidade, o Inspetor de Quarteirão era sistema comunitário policial subalterno à autoridade daquele Juízo, na extensão restrita de sua autonomia, ou seja, apenas o quarteirão onde residia.
O Inspetor de Quarteirão, nomeado pela Câmara Municipal, era o encarregado de transmitir ordens e decisões, fixar ou dar avisos aos vizinhos e exigir adimplência aos cofres da municipalidade ou recolhimento de impostos devidos. Cuidava de todos aqueles sob sua jurisdição, separava brigas de casais e os aconselhava, escorraçava presenças de vagabundos na região ou os perturbadores do sossego público, e tinha autoridade para prisões de cometedores de pequenos delitos, de mendigos, bêbados, desordeiros, atentadores aos costumes e as prostitutas. Por ordem do Presidente da Câmara prendia os infratores reincidentes do Código de Posturas.
Bem informados, os Inspetores tinham por obrigação, saber quem eram os novos vizinhos no seu território.
Em Santa Cruz os Inspetores de Quarteirão foram vistos em diversas atividades, exigindo pagamento do imposto para a construção da Igreja, coletando bicos de aves mortas exigidos pelo Código de Postura, fixando avisos e convocações, denunciando criminosos.
6. Quartel – Delegacia/Cadeia para a Vila de Santa Cruz
6.1. Os primeiros Delegados de Polícia
Para a Vila de Santa Cruz do Rio Pardo nomeou-se Delegado de Polícia, Joaquim Manoel de Andrade, por Ato da Presidência da Província, de 17/11/1877, mais os suplentes Luiz Antonio Rodrigues, Jacintho Xavier Costa e Luiz Antonio Braga (Diario de S. Paulo, edição de 25/11/1877: 2), e, ainda, o subdelegado e os respectivos suplentes para a freguesia de São Pedro do Turvo. Todos conservadores.
Os nomeados deixaram seus cargos em 1878, substituídos por Theodoro Gomes de Camargo Prado – Delegado, e os Suplentes Nicolau Tolentino Rodrigues Barreiro, Raphael Silveiro de Andrade e Pedro José Machado (Diário de S. Paulo, 16/02/1878: 1), além do subdelegado e suplentes. Estes nomeados eram liberais.
O delegado titular Camargo Prado, nomeado para outra função pública, viu-se obrigado deixar o cargo, e o 1º Suplente Nicolau Tolentino assumiu o cargo.
Em março de 1880, por Ato da Presidência da Província, o Delegado – 1º Suplente, Nicolau Tolentino Rodrigues Barreiros, passou a ocupar a titularidade, tendo por suplentes, pela ordem, Fortunato Rodrigues da Costa, José Antonio de Oliveira, e Manoel Cândido da Silva (Correio Paulistano, 18/03/1880: 2).
A nomeação de Nicolau Tolentino para Delegado de Polícia gerou polêmica e denúncias, por ter sido réu e condenado em Tatuí – SP, o que o impediria para o cargo, não obstante a nomeação (Correio Paulistano, 29/12/1880: 1). 
O Governo exonerou Tolentino e, por Ato Provincial, de 31/12/1880, nomeou Francisco Antonio de Castro como o novo Delegado de Polícia (Correio Paulistano, edição de 05/01/1881: 2).
Outro Ato Provincial, de 21 de fevereiro de 1881, oficializou as nomeações dos Suplentes Firmino Silverio de Andrade e José Martiniano Goulart (Correio Paulistano, 25/02/1881: 2), porém Firmino logo exonerado por ser filho do 2º Suplente de Juiz Municipal, Raphael Silverio de Andrade (Correio Paulistano, 18/06/1881: 2).
A situação de Castro, antes nomeado para Agente do Correio local e depois exonerado, para assumir o cargo de Delegado de Polícia, complicou-se nesta última função, por denúncia publicada aos 11 de agosto de 1881, no Correio Paulistano, pelas práticas de arbitrariedades e violências contra cidadãos de bem, invasões de domicílios sem ordens da justiça, manter encarcerados aqueles com habeas-corpus, acorrentar e arrastar pelas ruas os presos condenados, além de execuções de detido dominado e de suspeito de crime, afora prisões de pessoas inocentes, entre outras execrações públicas. 
Castro não resistiu às acusações e solicitou exoneração do cargo (Correio Paulistano, 10/02/1882: 1).
Jacob Antonio Molitor assumiu o cargo de Delegado de Polícia em 1883, logo distinguido como a mais polêmica autoridade policial santacruzense, pela violência, arbitrariedade e coragem em defrontar-se com a família Piedade, acusada de facilitações de fugas de presos e prática de roubo.
Coisas de política, após Molitor o desafeto Arlindo Crescêncio Piedade fez-se o Delegado de Polícia, por nomeação oficial.
6.2. O Quartel em 1875
O conjunto denominado Quartel – Cadeia/Delegacia de Polícia – situava-se num imóvel pertencente a Valentim José Teodoro, conforme contrato com o Governo de São Paulo (RG, BMIP 1023, 1878/1879: S 2-61, pagamento alugueres de 1876 e 1877), num endereço ainda desconhecido. 
Valentim era proprietário de edificações do outro lado do Ribeirão São Domingos, algumas locadas para o poder público – correio, escola e cadeia – além das residenciais e de comércio.
Fragmento histórico de 1900, quase inelegível, identifica algumas repartições de governo (Prefeitura/Cadastro, Mapa do Patrimônio de Santo Antonio, 1900), no entanto as primeiras referências conhecidas oficialmente a partir de 1872 (Almanach da Provincia de São Paulo, 1873: 448).
A elevação de Santa Cruz à condição de Vila, em 1876, obrigava o Governo Provincial de São Paulo ampliar os gastos com a Segurança Pública, em recursos humanos e espaço físico, para atendimento às demandas de todo o município, que implicava todo o sertão adiante das divisas com Santa Bárbara e Lençóis. 
Em 1879 Santa Cruz era oficialmente servida por autoridade policial em exercício e oito praças (RG, BN 1024, 1879/1880: A 12-13), número insuficiente considerando a extensão municipal, além do prédio inseguro. A população exigia novo lugar para o Quartel e contava com apoio de autoridades interioranas.
Aos 24 de fevereiro de 1880, o Governo da Província de São Paulo remeteu oficialmente à Assembleia Provincial, carta/ofício do Juízo de Direito da Comarca de Lençóis Paulista ao Delegado Geral de Polícia, reclamando "sobre a necessidade de uma quota no Orçamento Provincial para a construção de uma cadea na séde da Comarca – e de uma prisão regular em Santa Cruz do Rio Pardo" (ALESP, CF. 080_1831). Com este gesto o Governo desviava de si qualquer incumbência ou responsabilidade, lançando-a ao assembleísmo.
O Deputado 'santacruzense' Emygdio José da Piedade apresentou a seus pares o Projeto Legislativo nº 18, de sua autoria, para a construção do Quartel, justificando: 
  • "Desde 1875 serve de cadeia uma pequena casa, feita de pau-a-pique, alugada à razão de dez mil reis por mez, e desde essa data faz a provincia a despeza de 120$ por anno, com uma casa que não sê presta ao fim a que é destinada, casa que até hoje não tem recebido o menor concerto. (...). Chega a tal ponto [a ruína do imóvel] que ter alli uma pessoa recolhida é o mesmo que deixa-la no meio da rua, e é justamente por isso que durante o anno passado [1881] houve seis ou sete evasões. (...). Em Outubro deu-se a evasão do ultimo preso que ainda se conservava na cadeia, um criminoso de morte, não obstante estar acorrentado, forneceram-lhe uma lima e o preso tratando de cortar a corrente, metteu-se pelo meio dos barrotes, que estão estragados e evadiu-se." (Correio Paulistano, 08/03/1882: 2)
E o Deputado Piedade continuaria sua luta pela construção da cadeia.
Aos 06 de fevereiro de 1882, o Delegado Geral de Polícia da Província de São Paulo encaminhou à Presidência da Assembleia cópia da carta denúncia e reivindicatória do Juiz de Direito da Comarca de Lençóis Paulista, Dr. Joaquim Antonio do Amaral Gurgel, "a Cadéa do Termo de Santa Cruz do Rio Pardo não tem menor segurança eis o motivo que todos os annos há fuga de Presos dessa cadéa." (ALESP, CF 82_85.1).
6.3. Construção de prédio para o Quartel e Poderes Constituídos
Por ato de 06 de novembro de 1882 o Governo autorizou a "previsão de recursos para a construção de imóvel" (RG, BN 1028, 1882/1883:38 – Mapa SN), obra iniciada no ano seguinte e mais abrangente, "Cadeia e casa da camara da villa de Santa Cruz do Rio Pardo" (RG, BN 1028, 1883/1884: 81), prédio assobradado, em madeira, aonde a atual Praça Deputado Dr. Pedro Cesar Sampaio, defronte à Rua Catarina Etsuko Umezu.
A Câmara Municipal, interessada e sentindo-se na obrigação em fiscalizar as obras, teve entrada barrada pelo Delegado Jacob Antonio Molitor e o soldado João Mariano, causando constrangimentos ao Presidente Vereador Luiz Antonio Rodrigues, ao Secretário da Câmara Augusto César da Piedade, e ao acompanhante Professor Godofredo Piedade.
A ação policial embasou denúncias de Augusto Piedade e da própria Câmara às autoridades provinciais, sem resultados, no entendimento que a família Piedade tinha desavenças com o Delegado Molitor, e aquela visita interpretada como provocativa.
Com a elevação de Santa Cruz à Comarca, Lei Provincial nº 7 de 13 de fevereiro de 1884, o prédio sofreria outras alterações:
  • "A Cadêa d’esta Villa, foi construida a expensas do Cofre Provincial; mas não está concluída. Serve ao mesmo tempo de quartel, casa das audiencias, do Jury, e trabalhos eleitoraes."
  • "No pavimento térreo tem, na frente, duas prisões e o corpo da guarda, e no fundo, o quartel do destacamento.” "Para conclusão deste edificio falta fazerem-se os forros das salas do pavimento superior, envidraçar as janellas, collocar uma escada, fazer uma parede de pedras por baixo do baldrame, e calçar o passeio em roda." 
  • (RG, BN 1030, 1885/1886: A 7-29). 
Com a urgência e os recursos liberados concluiu-se o edifício em 1888 (RG, U 1141, 1888/1888: 20), como referência dos poderes e da polícia, símbolos da lei, da ordem e da segurança, sendo Presidente da Câmara o Vereador Bernardino Antonio de Lima Pereira, João Baptista Botelho o 1º Juiz de Paz, e Jacob Antonio Molitor a autoridade policial.
O prédio construído em madeira não se mostrou seguro para abrigar presos, colocando em risco a segurança de todos, e no mesmo ano de 1888 procederam-se os primeiros reparos (RG, U 1141, 1888/1888: 20). 
Sabe-se que a Intendência Municipal de Santa Cruz laborou entre 1890/1892 no endereço que teve por nome Avenida Intendência [depois Silva Jardim e, atualmente, Dr. Cyro de Mello Camarinha], período em que a Câmara não teve funcionamento, somente retornado à atividade no local em 1893.
Doravante uma sucessão de consertos e fugas de presos e diante da realidade a Câmara Municipal solicitou do Governo do Estado, em 1893, verba para construção de nova cadeia. 
A Câmara pressionou o Governo embasada nas reivindicações do engenheiro e vereador, Dr. Francelino Faria da Motta, "que a cadeia desta Villa não era suficiente para a segurança" (Câmara, Livro Ata, 1894: 43), e o discurso repetiu-se através de ratificações camarárias que o prédio encontrava-se "em estado imprestável" (DOSP, 01/05/1895: 9-10), fazendo com que o Governo de São Paulo, em caráter emergencial, alugasse um imóvel de Manoel Herculano Leite para servir de "cadeia e quartel" (DOSP, 29/03/1896: 3), prédio localizado na esquina das atuais Avenida Tiradentes com a Travessa Manoel Herculano.
6.4. Os Poderes e o Quartel em novo edifício
O Governo decidiu, em 1895, pela construção de novo edifício para cadeia, de 2ª classe, autorizando os recursos (DOSP, 28/11/1895: 7), para a obra defronte à Praça da República – atual Deputado Leônidas Camarinha.
Seguidas publicações oficiais mostraram as dificuldades e os prejuízos ao andamento das obras; o pouco dinheiro, a morosidade fiscal pela engenharia do governo, os reclamos da Câmara pela demora, problemas agravados quando o engenheiro Constante Trevisani entrou em desacordo com empreiteiro, em 1896, e o governo resolveu contratar os engenheiros Julio Chiesa e Antonio Senisi ou Cenisi.
Quase cinco anos depois, com embaraços e modificações quanto ao projeto original, a obra estava tecnicamente concluída, e após dias chuvosos desde 09 de janeiro de 1901: "No dia 12 (...) ás 8 horas da noite realisou a camara municipal, sob a presidencia do sr. coronel João Baptista Botelho, uma sessão magna para inauguração official da cadêa nova e collocação do retrato do exmo. dr. José Alves de Cerqueira Cesar no salão nobre a mesma câmara." (O Estado de S. Paulo, 21/01/1901: 1). 
A homenagem a Cerqueira Cesar, que não compareceu ao evento, equivaleu a um despropósito do dissidente político Coronel Botelho ao Presidente do Estado, Francisco de Paula Rodrigues Alves.
Estiveram presentes na solenidade os coronéis regionais e autoridades diversas, porém destacadas as ausências de Julio de Cerqueira Cesar residente em Santa Cruz, filho do homenageado, justificada por moléstia em pessoa da família, também do Juiz de Direito, Augusto José da Costa, "e nem nenhum membro de sua exma. familia, o que não deixou de provocar commentarios tanto mais quanto a mesma ausencia notou-se nas eleições do dia 31 de dezembro." (O Estado de S. Paulo, 21/01/1901: 1), alusão sobre a eleição estadual de 1900, quando já em curso a cisão perrepista. 
Da mesma forma nenhuma referência aos outros filhos do homenageado, o Tenente-Coronel Bento de Cerqueira Cesar e o Capitão-Ajudante- de Ordens, José Alves de Cerqueira Cesar Filho, por algum tempo residentes em Santa Cruz onde, ainda, tinham interesses. 
A deferência do Coronel Botelho acirrou ânimos de discórdia familiar, somente anos depois superada: o Dr. Cerqueira Cesar era pai de Julio de Cerqueira Cesar, o genro do Dr. Antonio José da Costa Junior, e concunhado do Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré e do Juiz Augusto José da Costa – deste também sobrinho por afinidade, todos eles apoiadores de Campos Salles e de Rodrigues Alves em prejuízo ao aparentado Dr. Cerqueira Cesar. 
Dr. Olympio Rodrigues Pimentel ao relembrar a inauguração, dois anos depois, descrevia os presentes, os oradores Cleophano Pitaguary e o Cônego João Antonio da Costa Bueno, o baile até a alta madrugada, e o ato solene da colocação do retrato de Cerqueira Cesar, no salão nobre onde realizadas as audiências do juízo, as sessões do tribunal do júri e reuniões da Câmara. Pimentel lamentava a retirada da foto de Cerqueira César, pela política dominante de Costa Junior e de Abreu Sodré, recolocada, antes da publicação do hebdomadário (Correio do Sertão, 28/03/1903: 2).
Após inauguração da cadeia e presos postos, a detenta Idalina Maria de Jesus, acusada de assassinar o marido, entrava para o noticiário policial numa frustrada tentativa de evasão, com uso de uma tesoura para escavar a parede debaixo de uma janela (Correio do Sertão, 10/05/1902: 2). 
De rica família lençoense, vinte e dois dias depois Idalina simularia a própria morte, por suicídio, num conluio entre os seus parentes e o Delegado de Polícia – o Alferes Benedicto Mariano das Chagas Junior, e seu sepultamento ocorreu em Santa Cruz do Rio Pardo, ao 1º dia de junho de 1902, com grande afluência de público, inclusive autoridades como o Juiz de Direito, Promotor Público, Delegado de Polícia, os principais políticos e todo o destacamento policial (Correio do Sertão, 07/06/1902).
Pela importância dos presentes no funeral da crida suicida, suspeita-se que Chagas Junior não agiu sem o consentimento dos chefes políticos.
O caixão lacrado, retirado da cadeia, continha um tronco de bananeira e assim conduzido ao cemitério, enquanto a mulher fugia para Lençóis, ninguém mais falaria no assunto. "e para as barrancas do Rio do Peixe, onde se fez grande fazendeiro, o Delegado, (Rios, 2004: 33)", dizem, ao lado de Idalina.
O Delegado Chagas Junior, afastado do cargo, evadiu-se, e o Correio do Sertão de 28 de junho de 1902 informou a dispensa, não a causa, e ratificou notícia em sua edição de 12 de julho do mesmo ano.
Aos 12 de setembro de 1903 o mesmo Correio do Sertão noticiou a prisão do Alferes Chagas Junior, em Rio Claro – SP, e sua condução a Capital. O hebdomadário não informou a data da prisão, mas naquele 12 de setembro de 1903, por Ato do Poder Executivo do Estado de São Paulo, Secretaria da Justiça, o Delegado foi demitido, a bem do serviço público, também do cargo de Alferes do 1º Batalhão da Força Policial (DOSP, 13/09/1903: 1), por favorecimento aos mandatários onde prestava seus serviços.
O Correio do Sertão, de 28/11/1903: 2, ao criticar os mandantes arbitrários santacruzenses, afirmou que: "alguns delles, por isso que ha uma justiça na historia, ja tiveram a divida paga, como o ex-alferes Chagas Junior, que foi expulso do corpo policial do Estado não lhe tendo valido o ter sido instrumento inconsciente dos mandões locaes outros ...." 
Em 1921 Chagas Junior ainda era lembrado em Santa Cruz como opressor, num noticiário de briga partidária: "Dois Partidos: (...). Porque não tiveram no decurso de vinte annos um gesto digno como o do partido chefiado pelo cel. Antonio Evangelista da Silva quando afrontou o despotismo que tinha a seu lado sessenta praças commandadas por Chagas Junior, o terror dos tempos passados?" (Cidade de Santa Cruz, 24/06/1921: 1). O número aparentemente exagerado de policiais decorre da extensão do município com suas as freguesias e distritos. 
Ao longo dos anos outras fugas seriam tentadas no denominado cadeião, algumas exitosas. 
A cadeia, em 1902, serviu para o abrigo de dois alienados mentais, a italiana Cecília que por lá ficou algum tempo, após transferência da velha cadeia – onde colocada provisoriamente – até o internamento em Juqueri, e um homem "louco, o qual alli sofre horrivelmente, e, com suas extravagancias grande incomodo causa aos demais presos e ao publico." (Correio do Sertão, 29/11/1902: 1).
Algumas fotografias daquele edifício público revelam obra diferente, de duvidoso gosto arquitetônico, porém considerado pelo engenheiro Cornélio Schmidt, em 1904 "uma bonita cadeia" (Schimdt, 1904: 449). 
Descrição técnico-sanitária de 1923, do formando em medicina Luiz Costa de Abreu Sodré, informava que o prédio da Cadeia possuía serviços de abastecimento de água e rede de esgoto, melhoramentos apenas vistos no Grupo Escolar, construção de 1915 (LC Sodré, 1923: 34 e 30, na ordem). Naquele prédio todos tinham conforto e higiene que nenhuma residência possuía em Santa Cruz, nem no hospital onde os doentes eram tratados. 
6.4.1. Endereços posteriores para os Poderes e o Quartel
6.4.1.1. Câmara Municipal 
O edifício para o quartel e os poderes logo precisou de ampliação, no primeiro andar, e a Câmara deixou o local em 1906, provisoriamente, para funcionar "em uma sala do pavimento superior da casa de residencia do Tenente Coronel Moyzes Nelli" (O Progresso, 06/01/1907: 2). 
A Casa de Leis retornaria ao edifício anterior e lá permaneceria até a inauguração de prédio próprio, em 1910.
No ano de 1909 a Câmara Municipal iniciou a construção de prédio para si, a Prefeitura e a Coletoria Municipal, conforme combinação entre a Prefeitura – pelo Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, e o empreiteiro de obras Antonio Centophanti, primeiro e segundo contratantes, nos seguintes termos: 
  • "Primeiro: - o segundo contractante obriga-se e compromette-se dentro do praso de déz meses, a contar desta data; a construir, de accordo com a planta que apresentou, um predio para Paço Municipal no terreno que a Camara adquiriu do senhor Julio de Cerqueira Cezar, na esquina das ruas Antonio Prado e Vysconde de Pelotas; Segundo: - o predio terá: a) na frente para a rua Antonio Prado doze metros de cumprimento e quatorze na frente para a rua Vysconde de Pelotas; b) terá o alicerse de oitenta centimetros no minimo; c) terá no minimo oitenta centimetros de altura do alicerse da superfície da terra, na frente para a rua Antonio Prado; d) a largura do alicerse será de setenta centimetros no minimo; e) as paredes externas terão trinta centimetros de espessura e as internas quinze; f) o assoalho sera entrelaçado de taboinhas estreitas de dez centimetros e o forro sera tambem entrelaçado com cimalha a beira; as portas e janellas, que serão feitas de accordo com o padrão municipal, serão de almofadas e as componentes vidraças e ferragem necessaria; g) a altura do assoalho a cimalha será de quatro metros e concoenta centimetros. Terceiro: - O segundo contractante obriga-se a empregar na construção, que será feita com toda solidez, material de primeira ordem, cal e areia de accordo com as exigencias do regulamento adaptado nas construções publicas do Estado. Quarto: - O segundo contractante obriga-se a fazer o passeio de um metro e vinte de largura na frente para a rua Visconde de Pelotas, sendo todo passeio ladrilhado com mosaico. Quinto: - O predio a construir terá os seguintes compartimentos: um salão nobre para as sessões da Camara Municipal, uma sala para a secretaria da Camara, anexa, uma sala para Gabinete do Prezidente da Camara, anexo uma saleta para latrina, em seguida uma sala para Archivo, em seguida uma para recepção em frente uma sala para Gabinete da Prefeitura e anexa a esta uma sala para Collectoria, tudo de accordo com o disposto e dimensões constantes da planta apresentada pelo segundo outorgante. Sexto: - O segundo outorgante sujeita-se a multa de cinco a déz por cento caso não cumpra as clausulas precedentes, alem da obrigação de faser a obra nas condições contractadas. Setimo: - O primeiro contractante obriga-se por conta do serviço contractado à pagar dezeseis contos e quatrocentos mil reis (16:400$000) em tres prestações, sendo a primeira de cinco contos no dia primeiro de fevereiro de 1910, a segunda de cinco contos no dia 1º de maio do mesmo anno e a terceira de seis contos e quatrocentos mil reis, trinta dias a contar da data em que a Camara Municipal recebeu a obra. Oitavo: - O primeiro contractante obriga-se a pagar os juros de um por cento sobre as prestações não pagas no prazo estipulado. Nono: - O primeiro contractante reserva-se o direito de fazer qualquer acrescimo ou modificação na obra, correndo por sua conta ou melhor devendo ser paga pelo primeiro contractante as despesas determinadas pelas alterações. Decimo: - O primeiro contractante, caso julgue conveniente poderá faser algum adeantamento ao segundo contractante. Decimo primeiro: - O presente contracto considera-se perfeito e acabado na data em que for approvado pela Camara nos termos da Lei que autorizou o primeiro contractante a contractar a obra em questão. E por se acharem assim contractados, lavrou-se o presente contracto, que lido e achado confórme, perante as testemunhas Capitão Constancio Carlos da Silva e Luiz Rogério, ambas as partes, acceitaram e assignam. Vão collados oito estampilhas federaes no valor de dezoito mil e setecentos reis, inutilisados na forma da lei. Eu, Luiz Octavio de Souza, Secretario da Prefeitura, descrevi (...)." (Câmara, Livro de Contratos, 1909). 
A inauguração ocorreu 1910 abrigando a Câmara e a Prefeitura com a Coletoria Municipal (Tesouraria) por dois anos.
Em 1912/1913 o executivo, com a respectiva coletoria, transferiu-se para novo endereço, prédio alugado, à Rua Coronel Emygdio José da Piedade esquina com a atual Catarina Etsuko Umezu, hoje prédio público onde funciona a Biblioteca Municipal. A Câmara permaneceu no local e, em 1921, sofreu reforma geral "ficando completamente novo e com apparencia de destaque." (Correio Paulistano, 31/03/1921: 4).
Desde 28 de junho de 2012 a Câmara tem endereço à Avenida Clementino Gonçalves, nº 586, obra iniciada na presidência legislativa de Jorge de Araújo – 2009/2010, e concluída na de Roberto Mariano Marsola – 2011/2012.
6.4.1.2. Prefeitura Municipal e Tesouraria
A Prefeitura, desde o tempo do Prefeito Olympio Rodrigues Pimentel, já possuía relativa independência da Câmara, como poder constituído, e o espaço físico seria pequeno para as duas estruturas, e assim o Executivo, após 1912, procurou novos endereços para funcionamento, inicialmente num prédio à Rua Coronel Emygdio José da Piedade esquina com a atual Catarina Etsuko Umezu, alugado, sendo tal imóvel posteriormente adquirido pela Municipalidade, quase um século depois, para a instalação da Biblioteca Municipal. 
No período ditatorial Vargas a Prefeitura voltou ocupar o edifício camarário, até a restauração do poder legislativo, quando o seu executivo se transferiu para um prédio na esquina entre as ruas Euzébio de Queiroz (Catarina Etsuko Umezu) com Joaquim Manoel de Andrade, para depois abrigar-se na Avenida Tiradentes esquina com a Rua Marechal Bittencourt, no ano de 1958, e daí à Rua Euclides da Cunha, nº 466, antes de ser transferida para o seu endereço atual, à Praça Deputado Leônidas Camarinha 340.
6.4.1.3. Quartel
6.4.1.3.1. Delegacia de Polícia 
O aumento populacional santacruzense e as novas complexidades para os serviços públicos, tornaram o edifício da cadeia obsoleto, a exigir ampla reforma em 1932/1933, obrigando a transferência da Delegacia de Polícia para a Avenida Tiradentes, num imóvel alugado pelo Estado do particular de Joaquim de Souza Campos, firmado por Decreto Estadual nº 5.869, de 27 de março de 1933, com renovação pelo Decreto Estadual nº 8.873, de 28 de dezembro de 1937. 
A renovação contratual para a continuidade da Delegacia de Polícia no local, pelo Decreto Estadual nº 11.825 de 27 de janeiro de 1941, apresentava como proprietária do imóvel Francisca de Mello Camarinha, no mesmo endereço, local onde a agência do Bank Brasil S/A Banco Múltiplo – HSBC (2012). A Delegacia Policial foi transferida para a esquina das ruas Benjamin Constant e Rua Marechal Bittencourt permanecendo até 1952.
Na sessão camarária extraordinária, de 10 de outubro de 1936, aprovou-se a aquisição de quatro datas de terras, à então Avenida Silva Jardim [atual Dr. Cyro de Mello Camarinha], onde o cemitério desativado, para edificação de prédio para a cadeia e delegacia.
Na mesma ocasião os vereadores decidiram pela reconstrução e ampliação do antigo edifício para acomodações de todos os cartórios nele existentes ou necessários (Câmara, Parecer Legislativo de 9, 10/10/1936).
6.4.1.3.2. Cadeia também deixou o local
Resolveu-se pela reforma total do prédio, quando ali apenas a Cadeia. 
As edificações iniciadas pela Secretaria de Viação e Obras Públicas do Governo do Estado de São Paulo, com a participação da Municipalidade, demorariam três ou quatro anos, enquanto o antigo edifício, sem quaisquer condições foi então desocupado e os presos transferidos para a cadeia de Botucatu.
Aos 27 de abril de 1952: "Informou-nos o Dr. Ereovaldo que os presos que se encontram em Botucatu, serão transferidos, ficando assim nossa cadeia com 40 presos mais ou menos." (O Regional, 27/04/1952: 1-2). 
Reativava-se o conjunto Delegacia de Polícia/Cadeia Pública, e o local serviria, também, para o Departamento de Serviço do Trânsito.
O prefeito Cyro fez incluir ao prédio, por conta da Secretaria da Viação e Obras Públicas, reservatório térreo de água e instalação do conjunto bomba-motor para a Cadeia Pública, conforme Lei Municipal nº 29, de 11 de dezembro de 1952, enquanto mantinha a continuidade das obras referentes ao [novo] Fórum.
6.4.1.3.3. Judiciário 
Nos anos de 1940 o velho prédio estava deteriorado, desconfortável, fedonho e sem higiene, com nenhuma importância arquitetural a ser preservada, funcionando ali, precariamente, apenas o Fórum no andar superior, e no térreo a carceragem e cadeia. O semanário A Cidade (09/03/1947: 1) publicou a matéria "Uma Tremenda Batalha de Higiene", denunciando "a miseria, o desconforto, o desleixo, o abandono moral e material em que se acham os detentos da Cadeia Pública de Santa Cruz do Rio Pardo", fundamentada numa carta enviada pelos próprios encarcerados.
Pretendeu-se uma grande reforma, e o Poder Judiciário foi transferido para a Rua Conselheiro Antonio Prado, nº 638 – na época, conforme observado em editais forenses.
O prefeito Lúcio Casanova Neto (1948/1951), conveniou com o Governo do Estado, pelas Secretarias da Justiça e da Segurança pública, os terrenos municipais do cemitério desativado, para as construções de prédios distintos para o Fórum e o conjunto Delegacia de Polícia/Cadeia Pública.
O Fórum permaneceu na Rua Conselheiro Antonio Prado até 1954, quando transferido para o endereço Avenida Silva Jardim – atual Dr. Cyro de Mello Camarinha.
O novo Fórum teve sua inauguração aos 11 de setembro de 1954, pelo Governador Dr. Lucas Nogueira Garcez, conforme placa alusiva ao acontecimento, na mesma data que referida autoridade entregou à população a atual ponte sobre o Rio Pardo.
6.4.2. Demolição do velho edifício dos Poderes e Quartel
Não frutou como esperado a reconstrução do antigo edifício que servira de Quartel e Poderes constituídos, nem mesmo servindo para instalações dos cartórios existentes na cidade, conforme o velho projeto camarário de 1936.
Nos anos de 1950 optou-se pela demolição, considerando erros estruturais de fundação, cujos problemas tecnicamente insanáveis.
7. Agência Postal
A Santa Cruz dos anos de 1860 tinha problemas em receber expedientes oficiais – atos de governo, documentos pessoais ou de informalidades entre pessoas. Os serviços eram prestados por tropeiros, mascates ou algum viajante, sem a obrigação formal de resultados. 
Com a elevação do lugar a freguesia, em 1872, estafetas particulares ofereciam serviços para o leva e traz de correspondências até Botucatu.
Somente no ano de 1876, já na condição de vila, Santa Cruz teve sua primeira Agência Postal, com serviços de transporte do correio até São José do Rio Novo [Campos Novos Paulista]. Antigo mapa santacruzense para o Patrimônio de Santo Antonio, em 1900, localiza a Agência do Correio onde a atual Rua Duque de Caxias, sem nenhum outro endereço anterior conhecido.
A primeira nomeação para Agente do Correio local recaiu, interinamente, sobre o Coronel Emygdio José da Piedade (Correio Paulistano, 27/09/1877: 1), demitido por conveniência política em 1879, substituído pelo chefe local do Partido Liberal, Joaquim José Botelho (Correio Paulistano, 02/10/1879: 2).
Em 1881, por Ato da Presidência da Província de São Paulo em 30 de junho e 1º de julho, declarou-se sem efeito a nomeação de Francisco Antonio de Castro para Agente do Correio local, em razão de sua escolha para o cargo de Delegado de Polícia, enquanto para o cargo de Agente nomeado José Sebastião de Almeida (Correio Paulistano, 06/07/1881: 2).
A Agência local apresentava dificuldades para entregas de malas, dependente do tempo e, às vezes, condicionado aos mandos e desmandos políticos em passar ou não pelo lugar, e até o Delegado de Polícia, Francisco Antonio de Castro, numa das determinações declarou suprimida a Agência em Santa Cruz (Correio Paulistano, 24/12/1881: 1-2), situação depois resolvida pelo Correio Geral – Administração São Paulo.
Os problemas do Correio vinham desde sua instalação, motivos de constantes reclamações, diante dos atrasos das correspondências, mesmo com instalações de duas linhas, a partir de Botucatu, uma por atual Cerqueira Cesar (Três Ranchos) e outra por Lençóis Paulista, sem critérios de seleção. Por exemplo, a edição de um jornal de segunda feira, por Lençóis, chegava na quinta-feira, enquanto a edição de terça, por Cerqueira Cesar, estava em Santa Cruz na quarta-feira. Mas as distribuições eram aleatórias.
Por edital de outubro de 1891 o Correio Geral – Administração de São Paulo anunciava recebimento de proposta para serviços de entregas de postagens – terceirização para condução de malas, estando previstas para Santa Cruz cinco vezes ao mês, no exercício de 1892 (DOSP, 20/10/1891: 5-6). 
Quase três décadas depois de sua instalação, os serviços de correios continuavam ineficientes, com desvios, perdas e devoluções de correspondências, gerando reclamações pela imprensa, inclusive de prevaricações do agente privilegiando pessoas em detrimento a outras.
Frediano Colli, segundo uma das denúncias, ao receber as malas do correio, abriu-as para entregar somente às pessoas de maior influência, mandando as demais pessoas procurar pelas suas correspondências no dia seguinte. Segundo nota pela imprensa, o agente sabia não haver expediente no dia seguinte, e tratou com deselegância aqueles que não foram atendidos (Correio do Sertão, 24/05/1902: 2). 
O agente Colli, comerciante e líder da colônia italiana de sua época, posteriormente foi homenageado emprestando seu nome a uma das ruas na cidade.
As correspondências entre Santa Cruz do Rio Pardo e Santa Cruz da Boa Vista – atual Domélia, ainda no primeiro trimestre de 1938, eram conduzidas por linha a cavalo, quando suprimida (DOSP, 09/03/1938). 
Nos anos de 1940 o Correio funcionava num prédio à esquina das ruas Conselheiro Dantas e Benjamin Constant, e, em 1949, pretendendo prédio próprio, o Prefeito Lucio Casanova Neto, pelo Decreto nº 21, de 15 de julho, desapropriou terreno da família Barbosa (Adelaide, Cândido, Noêmia Carmem e Hercília e/ou sucessores) nas medidas de 25 metros de frente por 35 de fundos, na esquina da atual Rua Farmacêutico Alziro de Souza Santos – defronte a Praça Deputado Leônidas Camarinha, com a Rua Coronel Julio Marcondes Salgado – antiga Rua Joaquim Manoel de Andrade ou Rua do Andrade, conforme mencionado expediente.
O terreno foi doado à União para a construção de edifício para instalação da agência de serviços do Departamento de Correio e Telégrafos – DCT, autarquia que se tornou Empresa de Correios e Telégrafos em 20 de março de 1969.
A construção ficou aos encargos profissionais do engenheiro José Carlos Nascimento Camarinha, sendo o engenheiro Píndaro Camarinha, Chefe do Serviço de Materiais dos Correios e Telégrafos, e Edie Galesso o Diretor do DCT regional de Bauru. Píndaro e José Carlos eram primos e sócios numa construtora responsável por diversas obras públicas relacionadas com as Agências Postais Telegráficas, sob as suspeições de fraudes em licitações, desvios de verba pública e materiais entre outros ilícitos relacionados. O novo edifício foi concluído e entregue em 1952, no mesmo local onde atualmente instalado.
Das suspeições mencionadas às investigações policiais, em 1964 foram presos os engenheiros, José Carlos Nascimento Camarinha – então vice-prefeito em Santa Cruz, e Píndaro Camarinha, "implicados em vultuosos desvios de dinheiro e materiais do DCT. Ambos faziam parte de uma 'construtora' de novos prédios de agências postais telegráficas em numerosas cidades do interior" (O Regional, 06/09/1964: 1). Também foi preso, pelo mesmo motivo, o Diretor do DCT de Bauru, Edie Galesso.
A título de complementação histórica, em sequência da matéria publicada pelo hebdomadário O Regional, "A reportagem conseguiu apurar também que vários outros elementos ligados à família Camarinha faziam parte da 'construtora' de prédios do DCT, estando entre eles o sr. Cyro de Mello Carinha, advogado, e os pedreiros Vicente Ribeiro e Antonio Ribeiro Filho (Bulota)" (O Regional, 06/09/1964: 1), este último uma figura folclórica na sociedade e política santacruzense.
José Carlos Nascimento Camarinha estaria, igualmente, implicado em obras de construção de ponte sobre o Rio Pardo, Rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó – a denominada Rodovia Ipaussu/ Bauru.
8. Termo de Comarca
Santa Cruz deixou de pertencer à Comarca de Botucatu para subordinar-se à recém instalada de Lençóes (Lençóis Paulista), nos termos da Lei nº 25, de 07 de maio de 1877. 
Tecnicamente Santa Cruz deveria pertencer ao Termo do Rio Novo (Avaré), este subordinado à comarca botucatuense, enfrentando, no entanto, séria oposição política de Santa Bárbara do Rio Pardo.
Documento de 1877 expedido pela Câmara Municipal de Santa Bárbara do Rio Pardo, atual Estância Hidromineral Águas de Santa Bárbara, ao Governo da Província, denunciou e mostrou-se contrária à pretensão de Santa Cruz pertencer ao Termo de Rio Novo [Avaré], "Contando que os habitantes da Villa de Sta. Cruz do Rio Pardo pretendem por toda a força e sem fundamentos legais, aprezentarem a 'V.Excia' solicitando, a passagem daquele Municipio para o Termo do Rio Novo." (ALESP, parte de expediente manuscrito em quatro laudas, EE 77.30.1).
Santa Bárbara estava em defesa de seus interesses por sentir-se ameaçada de preterimento, à condição de Termo Reunido à Rio Novo – Avaré, quando esta localidade se tornasse Comarca. Santa Cruz permaneceu vinculada à Comarca de Lençóes, elevada a Termo da Comarca através de Ato de 27 de setembro de 1877 do Governo da Província de São Paulo.
Santa Cruz, como Termo da Comarca, garantia relativa autonomia jurídica, com direito de nomeação de Juiz Municipal, pelo governo estadual, e quadro de Júri Popular em processos criminais.
Ao Juiz Municipal cumpria substituir, dentro dos limites do município, o juiz de direito em suas faltas e impedimentos, e a execução, dentro do termo, das sentenças de juízes de direito ou decisões dos tribunais, além da competência para o preparo de feitos cíveis cujo julgamento competisse aos juízes de direito, e, bem assim, para o processo de decisão das causas cíveis entre valores estabelecidos, exceto nas comarcas especiais, com apelação para o Juiz de Direito, podendo, ainda, executar cumulativamente a jurisdição policial.
Aos 26 de outubro de 1877 instalou-se o Termo de Santa Cruz e houve deferido juramento ao Tenente Coronel Emygdio José da Piedade, ao Alferes Antonio Caetano de Oliveira e Luiz Antonio Braga, como 1º, 2º e 3º Suplentes, pela ordem, do Juízo Municipal e de Órfãos ('Diario' de S. Paulo, 23/11/1877: 1), sendo Emygdio o exercente do cargo.
Aos 11 de fevereiro de 1880, por Ato do Presidente da Província de São Paulo foram nomeados para Santa Cruz os Suplentes de Juiz Municipal e de Órfãos, Theodoro de Camargo Prado, Raphael Silverio de Andrade e Antonio José de Souza, primeiro, segundo e terceiro, respectivamente (Correio Paulistano, 29 de fevereiro de 1880: 2). Em lugar de Silvério tornou-se 2º Suplente de Juiz Municipal, por nomeação, Antonio José de Souza, conforme assinatura em documento publicado pelo Correio Paulistano em edição de 24/10/1882: 1.
A efetividade do Termo ocorreu em outubro de 1880, com a nomeação do Juiz Municipal titular, Antonio José da Rocha (RG, BN 1025, 1880/1881: 241-242 Mapa S/N), e após, nomeado Marcolino Pinto Cabral (RG, BN 1027, 1882/1883: 12, confirmação em RG, BN 1028, 1883/1884: 23). Entre Rocha e Pinto Cabral, o 2º Suplente Antonio José de Souza respondeu pelo cargo de Juiz Municipal em exercício (Correio Paulistano, 24/10/1882: 1).
No ano de 1885, com a presença de Juiz de Direito para a Comarca de Lençóis Paulista, Pinto Cabral foi renomeado Juiz Municipal daquela Comarca mantendo exercício junto aos Termos de Santa Cruz do Rio Pardo e São José dos Campos Novos (Campos Novos Paulista), com nomeação de 30 de dezembro de 1885, data de exercício em 23 de janeiro de 1886 (RG, BN 1033, 1888/1889: A 8 – 6). 
Após Marcolino Pinto Cabral, o Coronel Emygdio José da Piedade esteve à frente do Juizado Municipal do Termo até a instalação da Comarca, pelo Decreto Federal 114, de 03 de janeiro de 1890, então sucedido pelo advogado Dr. Arlindo Vieira Paes em 1890, sendo este o 1º Substituto do Juízo de Direito (CEDAP, processo 10/1890, Fórum III, 22 Caixa 38/39), sendo Juiz de Direito (titular nomeado em 1890) o Dr. Augusto José da Costa.
Vieira Paes foi exonerado por Decreto de 19, publicado em Diário Oficial do Estado de São Paulo – Justiça, aos 21 de maio de 1892, e em seu lugar designado Juiz Municipal o Capitão Bernardino Pereira Lima, mantendo-se o Dr. Costa como Juiz de Direito.
9. Da formação jurídica municipal 
O Governo Provincial apontou, em 1878, que "Nas villas da (...) e Santa Cruz do Rio Pardo forão creados conselhos de jurados e fôro civil, por acto de 16 de Fevereiro, 1º e 6 de Março e 27 de setembro." (RG, U 1127, 1877/1878: 7).
A primeira Sessão do Júri ocorreu no mês de abril de 1878 com a condenação do réu Antonio Leonel de Souza – ancião, à pena de morte por enforcamento (A Gazeta De Notícias, RJ, 28/04/1878: 1), após cinco anos preso aguardando julgamento. 
A superior instância evitou o cumprimento da sentença e todos os jurados tinham crimes por tentativas, mandos e execuções homicidas (Diário de São Paulo, 27/04/1878: 2). 
Registro de Governo, para o exercício de 1878, informava as nomeações de José Manoel de Almeida, para Tabelião do Público Judicial e Notas e Escrivão do Cível e Crime, e de Galdino Carlos da Silveira, para Escrivão de Orphãos e Ausentes, ambos para o Termo de Santa Cruz, por Ato de 21 de Março e retificado pelo Decreto de 25 de Maio daquele ano." (RG, BMIP 1022, 1878/1878: 53-54).
Desde 1875 Santa Cruz possuía Cartório do Juízo de Paz e Notas, que viria ser o 1º Tabelião de Notas do lugar, sob a responsabilidade do escrivão Jacob Antonio Molitor. 
10. Comissão Exploratória de Governo
Conforme instruções em Ofício nº 71, de 23 de outubro de 1877, da Diretoria de Obras Públicas do Governo de São Paulo, iniciaram-se os levantamentos dos terrenos entre o porto de Lençóes e o porto da margem do Paranapanema, em Salto Grande, de onde este rio apresentava melhores condições de navegabilidade." (RG, BMIP 1019, 1877/1878: A 9 - 1 a A 9-6) até o Rio Paraná. 
O governo pretendia saber dos meios de transportes fluviais e da capacidade dos portos, dos campos, das qualidades das terras e das ditas povoações, adiante da Serra de Botucatu, sendo nomeado para esta missão o engenheiro Francisco Carlos da Silva, respondendo ao Dr Elias Fausto Pacheco Jordão, Engenheiro Chefe da Diretoria de Obras Públicas do Governo da Província de São Paulo. O Dr. Francisco Carlos da Silva recebeu dinheiro para a exploração da estrada do porto de Lençóes à margem do Paranapanema abaixo do Salto" (RG, U 1127, 1877/1878: 62).
O grupo designado saiu de Piracicaba com destino a Botucatu, para o reabastecimento, depois rumou a Lençóis Paulista de onde, conclusos os trabalhos, se dirigiu a Espírito Santo do Turvo e seguindo para São Pedro do Turvo, destacando que: "Fomos felizes em encontrar, nesse povoado, habitantes do Salto, e outras pessoas conhecedoras desse lugar, que de bom grado se prestarão a nos fornecer conhecimentos relativos á descida do rio." (RG, BMIP 1019, 1877/1878: A 9-1).
Segundo o relatório do engenheiro Francisco, a Comissão desceu pelo rio Paranapanema, a partir de Salto Grande, com as anotações de tributários, terrenos de várzea, florestas e campos para, enfim, levantamento do porto Tibagi, e dimensionar terrenos, "nas vizinhanças de Figueira defronte a foz do Tibagi (...). Essa é uma zona de 35 léguas de sertão, pouco conhecido, que ainda não figura em nosso mappa da província." 
A dita Comissão fez retorno pelo porto do Salto – da povoação denominada Salto Grande a Santa Cruz do Rio Pardo, e prosseguimento de caminho "estendendo-os até o porto de Lençoes, sem deixarmos de passar pela Capella de Espírito-Santo, São Domingos e villa de Lençoes "
O descritor fez, ainda, citações de lugares não programados para as atividades da Comissão, apanhadas de outros serviços regionais: 
  • "O Valle do Paranapanema não ostenta, com a soberba vegetação e fertilíssimas terras, só nos lugares denominados Fartura, Santo Antonio, São Sebastião e Rio-Novo; elle extende a sua uberrima natureza até a foz do Tibagy e provavelmente por todo esse curso. Toda a parte do Valle que percorremos offerece grande zonas que se prestão a toda especie de cultura, uma vez estabelecida de harmonia comas as exigências climatericas e metereologicas o lugar." 
Todos os terrenos mencionados adiante da passagem do Rio Turvo rumo a São Pedro do Turvo e além, faziam parte do Termo e Município de Santa Cruz do Rio Pardo.
11. Das Coletorias
No ano de 1878 instalou-se em Santa Cruz do Rio Pardo a Agência da Coletoria de Rendas Gerais, como posto avançado de Lençóis Paulista, sendo nomeado responsável o Agente de Coletoria, Eloy Rodrigues da Costa (Correio do Sertão, 19 de julho de 1902: 3), e após ele assumiu Luiz Manoel de Souza.
Num ofício de 08 de setembro de 1885 a Câmara Municipal de Santa Cruz requereu do governo paulista a urgente criação da Coletoria de Rendas, independente de Lençóis Paulista, justificando maior proximidade com as regiões de São Pedro do Turvo, Campos Novos Paulista, Conceição de Monte Alegre e Piraju, além dos demais centros surgentes, com isso as fiscalizações seriam mais eficientes e maiores os recolhimentos. 
O Governo atendeu a reivindicação e nomeou Joaquim Manoel de Andrade para o cargo de Coletor de Rendas Gerais e Provinciais, em 1886, e designando Luiz Manoel de Souza para Escrivão de Coletoria.
Joaquim Manoel de Andrade foi substituído pelo Coronel João Baptista Botelho que, em 1889 estava no cargo de Coletor, porém demissionário, com a indicação de João Castanho de Almeida para substituí-lo, de acordo com o ofício nº 32, 06/12/1889, do Tesouro do Estado de São Paulo, assinado pelo Dr. José Alves de Cerqueira Cesar, Ato de 07/12/1889, da Secretaria do Governo (APESP, documentos Avulsos, 1.889).
Publicação oficial de 1891 confirmou João Castanho de Almeida e Manoel Luiz de Souza nos respectivos cargos, reconhecidos credores da União (AESP, 07/07/1891: 5). 
A "Coletoria [Federal] de Rendas Gerais" foi extinta pela Circular Federal nº 49, de 03 de agosto de 1891, sancionada pelas Leis de 30 de outubro e 30 de dezembro, ambas do mesmo ano de 1891, porém João Castanho de Almeida manteve-se no cargo como Coletor de Rendas Estaduais. Em Santa Cruz a Coletoria Federal seria reorganizada pela Lei Federal nº 746, de 20 de dezembro de 1900 e voltaria a funcionar no ano de 1902.
No ano de 1895, Castanho de Almeida continuava Coletor e João Bonifácio Figueira citado como o Escrivão (O Paranapanema, 30/11/1895: 3); estando extinta a Coletoria Federal, Castanho de Almeida era, portanto, o Coletor Estadual.
Em 1896 o Coletor João Castanho de Almeida propôs ao Governo de São Paulo, a designação do Tenente-Coronel Manoel Luiz de Souza, como seu substituto durante os impedimentos legais, com deferimento e determinação à Rendas Públicas para as anotações devidas (DOSP, 08/03/1896: 3). Pouco depois, por Ato do Poder Executivo, Dr. João Castanho de Almeida "Foi exonerado do cargo de Collector de Rendas de Santa Cruz do Rio Pardo (...) e nomeado para substituil-o o cidadão Antonio Olympio de Oliveira Ferraz." (DOSP, 01/09/1897: 2). 
Castanho de Almeida denunciara o Coronel João Baptista Botelho, seu antecessor, pelo desvio de dinheiro público da Coletoria local, "na importância de 130 contos réis mais ou menos.” Sem o prestígio político de Botelho, o denunciante foi demitido por Campos Salles, chefe do governo paulista com aspirações à presidência da república (A Nação, 03 e 30/09/1897).
Numa publicação tardia pelo Diário Oficial da União solucionou-se uma pendência processual de João Castanho de Almeida, quando Coletor, período de 09 de junho de 1890 a 25 de setembro de 1897 (DOU, 11/07/1909: Seção 1: 16, Tribunal de Contas da União, sessão ordinária de 09/07/1909). 
O Coletor de Rendas, Antonio Olympio de Oliveira Ferraz, encontrou dificuldades no exercício o cargo, em 1901, quando o capitalista e advogado Dr. Antonio José da Costa Junior, líder político vitorioso em Santa Cruz solicitou sua demissão do cargo, acusando-o de ser instrumento do chefe deposto Coronel João Baptista Botelho (Correio Paulistano, 07/11/1901). 
Oliveira Ferraz, rebateu o artigo e acusou o Dr. Costa Junior como o autor, pelo jornal Estado de São Paulo – matéria assinada aos 26/11/1901.
Antonio Olímpio de Oliveira Ferraz não resistiu e foi dispensado aos 07 de março de 1902 (Receita Federal, Memória: Coletorias Federais no Brasil), e, no lugar, assumiu o Capitão Ismael de Barros, Coletor Federal e Estadual, e designado o Capitão João Bonifácio Figueira como o Escrivão das Coletorias." (Correio do Sertão, 24/03/1902: 3).
Após o Capitão Ismael de Oliveira, em 1903 assumiu o cargo de Coletor Federal o Major Manoel Pereira de Castro, enquanto a Estadual estava sob a responsabilidade do Tenente Coronel Balthazar de Abreu Sodré, sendo Escrivão das Coletorias o Capitão João Bonifácio Figueira, com a distinção, de fato, entre as Coletorias Federal e Estadual, e ainda a Coletoria (Tesouraria) Municipal, sendo o Tesoureiro chamado Coletor Municipal, cargo ocupado desde 1902 pelo Capitão João Damasceno Negrão.
Os adversários políticos digladiavam-se pelo cargo junto ao governo federal, e em novembro de 1903 Antonio Olympio de Oliveira Ferraz, Major-Fiscal da Guarda Nacional, retornava como titular da Coletoria Federal em Santa Cruz do Rio Pardo, de acordo com sua assinatura num comunicado próprio da função (Correio do Sertão, 28/11/1903: 3). Não tardou e novamente Oliveira Ferraz exonerado, em 1904, e no seu lugar reassumia Manoel Pereira de Castro, de acordo com nota do Ministério da Fazenda, Expediente do Diretor, de nº 27, ao Tribunal de Contas da União (DOU, 26/02/1904 seção 1: 7). 
Assim, no mês de junho de 1904 eram Coletores em Santa Cruz do Rio Pardo: Manoel Pereira de Castro – Federal, Balthazar de Abreu Sodré – Estadual, e João Damasceno Negrão – Municipal (O Progresso, 26/06/1904: 2). 
A Coletoria de Campos Novos do Paranapanema foi suprimida aos 23 de outubro de 1912, e incorporada à jurisdição de Santa Cruz do Rio Pardo.
No ano de 1924 o Coletor Federal em Santa Cruz era o senhor Manoel Novaes Cortez, de acordo com edital de intimação e cobrança assinado por ele em nome da Coletoria (A Cidade, 24/05/1924: 3).
A Coletoria Federal funcionou em Santa Cruz até os anos de 1970, quando transferida para Ourinhos ou incorporada, enquanto a Coletoria Estadual, com a reestruturação de 2009 para Serviços de Pronto Atendimento, praticamente encerrou suas atividades no município, por ausência de demanda, deixando de receber pedidos e expedir documentos para apenas encaminhar pedidos para Ourinhos.
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