SatoPrado - coletâneas

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domingo, 4 de abril de 2010

1883 - SAÚDE E ASSISTENCIALISMO

O médico Dr. João Candido de Souza Fortes
Crédito: Moá - Moacir Figueiredo, bisneto
do fotografado.
Os 'doutores' do sertão 
As artes e os ofícios da cura no sertão do Paranapanema, inclusa a região de Santa Cruz, chegaram com os mineiros, a partir de 1851, quando com alguma família chegavam os barbeiros, exercentes das práticas de cirurgiões sangradores e dentistas; e também vieram os boticários, as parteiras, os curandeiros que entendiam das ervas medicinais, e os rezadores [benzedores e benzedeiras]
Todos esses socioprofissionais tiveram suas importâncias e responsabilidades nos primeiros anos de sertão, com as parteiras predominando até as primeiras décadas do século XX. 
Afora tais 'especialistas', nem sempre próximos, os sertanejos se contornavam baseados na experiência, geralmente familiar ou dos mais antigos e nas "doenças dispunham de uma infinidade de chás e ungüentos à base de raízes, folhas, sementes, sumos, etc. de real eficácia" (Jorge Junior, 24/09/1967 – VIII). 
Em casos de torções graves e quebraduras, faziam-se uso de talas, rígidas ou flexíveis, para imobilizações das partes de membros afetados.
Os mais letrados tinham em casa um exemplar do Chernoviz, o livro eficaz de receitas para todas as doenças conhecidas, e uma farmácia montada com vidros de remédios variados (Nogueira Cobra, 1923: 148). 
Não era apenas o Chernoviz. A obra 'O Médico e o Cirurgião da Roça, edição de 1857' do médico francês Luiz Francisco Bonjean fez-se verdadeiro iniciativo de ciências médicas aos seus leitores. O mesmo Bonjean lançou depois, em 1866, com igual sucesso 'Os Primeiros Socorros'. 
O censo de 1872/1874 mencionou dois médicos na Paróquia de Santa Cruz, todavia impossível sabê-los se formados, remanescentes da fisicatura – escola extinguida em 1826, ou detentores de cartas autorizativas igualmente extintas, talvez curadores reconhecidos pelos sertanejos, num tempo que os atos médicos primavam, mais pela observação clínica, o uso de medicações recomendadas e as medidas de saneamento e profilaxia. 
No sertão de 1880 ainda existiam os práticos para atos cirúrgicos externos, geralmente mutiladores, ao lado dos sangradores que atuavam através de cortes, sanguessugas e ventosas, além das parteiras que assistiam as mulheres no momento do parto. Excetuando as parteiras, os demais atuantes eram chamados de 'médicos' e, muitas vezes, intitulados 'doutores', e aí inclusos os práticos dentistas. 
Os médicos, farmacêuticos e dentistas eram obrigados a apresentação de diploma de curso superior correlato à formação, além do registro em órgão autorizativo para o exercício legal da profissão.
No ano de 1888, o Relatório do Governo Imperial mencionava existência de um médico não legalizado no Termo da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo (Ministério do Império do Brasil, U 1374, de 1888, com demonstrativo anexo ao expediente Hygiene das Províncias/São Paulo).
Tratava-se de João Maria Luzi, imigrante italiano e naturalizado brasileiro, residente em Campos Novos Paulista desde 1887, que se dizia facultativo sem apresentação do diploma e o competente registro do governo brasileiro para o exercício da medicina (Câmara Municipal de Campos Novos [Paulista], apud Bruno Giovannetti, 1943: 105).
Luzi teve igual problema em Tatuí, no ano de 1882, acusado de exercício ilegal da medicina (Correio Paulistano, 25/09/1882: 2), e jamais provou documentalmente sua condição ou se de alguma maneira autorizado para a pratica médica no Brasil. No documento de naturalização – cidadania brasileira, Luzi declarou-se médico (Relatório: Brasil, Ministério do Império, 1884: 525-530), e, aparentemente, usou dessa credencial para o exercício da profissão.
1. Os primeiros e os destacados profissionais médicos
Com o ingresso dos italianos no Brasil, a partir dos anos de 1880, pela imigração subsidiada para as lavouras de café, também chegaram os profissionais médicos, da mesma origem, distribuídos pelas colônias conforme fixadas. 
O fenômeno de imigração promovia entrada de algumas doenças pouco ou nada conhecidas no sertão, como a febre amarela, afeta à zona portuária de Santos, onde desembarcavam os chegadores. Os imigrantes eram "mais sensíveis à doença, provavelmente, pela ausência de contato anterior com o agente causal" (Telarolli Junior, 1966: 267).
A imigração também foi propícia para ocorrências de epidemias de moléstias já existentes no país – como a varíola, e as importadas a exemplos da peste e o cólera, pelos portos europeus contaminados de Genova e Marselha. Telarolli Junior apontou: 
  • "A relação entre imigração, avanço da malha ferroviária, e progressão da febre amarela, pressentida pelas autoridades sanitárias paulistas logo no início do período republicano, teve uma explicação científica na década seguinte, com a identificação com o mecanismo de transmissão da doença através de um mosquito vetor, transportado de um local a outro pelos trens, juntamente com as cargas e passageiros" (1966: 267). 
Igualmente se pensava, conforme suspeitas de autoridades sanitárias, que os imigrantes transportavam e propagavam doenças infectocontagiosas como a escarlatina e a difteria. As ocorrências dos grandes surtos de doenças e mortes consequentes, de concidadãos em terras brasileiras, levaram o governo italiano a impedir novas saídas migratórias - por períodos, enquanto enviava médicos para as colônias já estabelecidas. 
Os médicos enviados pelo governo italiano eram autorizados no Brasil para o exercício da medicina, embora nem todos eles reconhecidos legalmente médicos. Esses doutores recebiam ajudas de custo do governo de origem, depois com o tempo complementados ou integralmente pagos pelas colônias através de arrecadações mensais. 
As mortes por doenças transmissíveis, a partir dos anos de 1890, correspondiam a um terço dos óbitos ocorridos em todo o Estado de São Paulo (Telarolli Junior, 1966: 267). As epidemias eram cíclicas, acontecidas em períodos de quatro e cinco anos, mas isto nada confiável diante das dificuldades de séries de ocorrências em pontos distintos. 
Por conseguinte, eram várias as epidemias e às vezes a uma sucedia-se a outra ou até misturavam-se, como a varíola de 1891 que em certo período, em algumas regiões, coincidiu com a febre amarela. No sertão, as epidemias eram terríveis, atingiam a todos sem distinções, mas os ricos não se sujeitavam aos tratamentos iguais, assim campo fértil à medicina não voltada para comunidades específicas ou a serviço do governo.
Além disto, o sertão tinha outros 'problemas de saúde' que não as epidemias, e ocorriam mortes também por 'febre'; 'não obrar'; 'caganeira', 'incômodo de saúde'; 'incomodo de mulheres'; 'sarna recolhida'; 'fraqueza'; 'enfermiço'; 'parto complicado'; 'anjinho'; 'tosse seguida'; 'tombo'; 'muito velho'; 'cabeça fraca'; e 'coração fraco' entre outras loantes enfermidades, destarte que aos primeiros profissionais médicos na região foram perceptíveis o elevado índice de mortalidade infantil, no município, para menores de um ano, a ter como causa principal a diarreia, seguido da pneumonia e desnutrição, enquanto os óbitos perinatais estariam relacionados às condições das gestantes, características da assistência ao parto e ao recém-nascido e dos fatores relacionados à prematuridade.
Os índices de mortalidade materna eram altos, mencionados em óbitos como 'incômodos de mulheres e partos' quando já se sabiam casos de infecções às hemorragias, naquilo que diz respeito à gestação e parto, quando não pela tuberculose e definhamento anêmico. 
A expectativa de vida das mulheres era baixa, observadas porque geralmente o homem casava-se duas ou três vezes. Também os falecimentos de mulheres, independentemente da classe social, relacionavam-se às condições a que eram submetidas pelo sistema patriarcal e no que diz respeito ao processo reprodutivo. 
No índice geral de óbitos figuravam as mortes por peçonhas e moléstias adquiridas pelas ausências de saneamento básico e ou medidas profiláticas. 
A preocupação do governo brasileiro com as epidemias e o elevado índice de mortalidade obrigou-o a descentralizar os serviços de saúde e colocar médicos no sertão, através de nomeações desses profissionais como autoridades sanitárias. 
As atitudes dessa política de saúde tornaram o sertão mais salubre e atrativo ao progresso, a facilitar que outros médicos, de famílias abastadas, a interiorizarem-se como fazendeiros, políticos, além do exercício regular da medicina particular.
Mas, ser médico 'pobre' no sertão do século XIX e primeiras décadas dos anos 1900 era uma aventura, por isso quase ninguém arriscava, mas aos fazendeiros e aqueles pagos pelo governo – geralmente de famílias ricas, o sertão era, sem dúvidas, campo fértil para se ganhar dinheiro e influências. 
1.1. Samuel Genuta
O primeiro médico oficialmente reconhecido em Santa Cruz foi o italiano Samuel Genuta, estabelecido no lugar a partir dos anos 1880.
Tradições apontam que Genuta teria chegado, primeiro, em Sorocaba-SP (Rios, 2004: 66), enviado pelo governo de seu país para a colônia italiana no lugar. 
Com segurança documental sabe-se de Samuel Genuta em Santa Cruz do Rio Pardo desde 20 de setembro de 1883, por assinatura e profissão indicada num abaixo-assinado, endereçado à Assembleia Provincial de São Paulo, reivindicando elevação santacruzense à condição de Comarca (ALESP, PR 84_007). 
Noutro documento oficial, de abril de 1890, Samuel está registrado como de nacionalidade italiana, filho de Vicente Genuta P [ilegível], profissional médico e morador à Rua Saldanha Marinho, em Santa Cruz do Rio Pardo (Livro Oficial do Alistamento dos Eleitores do Município, 1890/1894). 
O autor Rios prestou informações adicionais sobre o médico Genuta, morador "perto do Ribeirão [São Domingos], numa casa de tábua", que "atendia todo mundo, não cobrava de ninguém" (2004: 66). Ainda, pelas memórias, o Dr. Genuta mantinha em sua chácara galpão construído para cuidados e isolamentos das vítimas de epidemias e os infectocontagiosos, quando recomendado internação extradomiciliar. 
Dr. Genuta além de médico mantinha uma farmácia (Almanach Administrativo, Commercial e Industrial da Provincia de São Paulo, 1885: 526 e 1886: 480), e ele próprio manipulava os medicamentos (Rios, 2004: 66).
Lembranças na família Borges/Fleury indicam ato cirúrgico externo – amputação de membro superior – praticado em pessoa da família nos tempos de Genuta, quando já se conhecida a anestesia geral desde 1846. 
No sertão daqueles tempos as ações cirúrgicas se limitavam à patologia externa e, assim, mais comuns os atos de curas internas com prescrições de medicamentos.
Genuta teve presença garantida na sociedade santacruzense, por exemplos, aos 09/05/1884 arrolado testemunha, em inquérito policial, a favor do professor Godofredo José da Piedade, filho do Deputado Provincial Emygdio José da Piedade; testemunha de casamento de Salvador Rolim de Freitas Junior e Maria da Conceição Figueira em 07 de setembro de 1891; padrinho de batismo de Julieta aos 06 de julho de 1893, filha de Moyses Nelli e Leocádia de Oliveira.
Dr. Samuel Genuta permaneceu em Santa Cruz, pelo menos, até o ano de 1894 e nada mais se conhece a seu respeito.
A chácara de Genuta tornou-se conhecida como 'Domicílio do Leproso', onde residiu e faleceu a hanseniana Rita Generoza de Andrade, conhecida por Ritinha Emboava.
1.2. João Cândido de Souza Fortes
Dadas as sucessivas ocorrências epidêmicas na região santacruzense, em 1891, por ato do Governo do Estado de São Paulo "Foi nomeado para exercer o cargo de delegado de hygiene de Santa Cruz do Rio Pardo o cidadão Dr. João Cândido de Souza Fortes" (DOSP, 13/08/1891: 672), continuando à frente dos serviços de saúde pública municipal nos anos de 1892 e 1893, cuidando também da localidade de São Pedro do Turvo na prestação de serviços aos variolosos daquela localidade (DOSP, 18/11/1892: 4806).
Na região santacruzense, do século XIX, sabe-se que o Dr. Fortes, como Delegado de Higiene, enfrentou em 1891 a pior epidemia de varíola da história do lugar, situação amplamente observada e comprovada em diversas publicações pelo Diário Oficial do Estado de São Paulo.
O Dr. João Cândido de Souza Fortes era médico legalmente habilitado para o exercício da profissão, de acordo com Registros junto à Diretoria do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo (DOSP, 20/02/1900: 11, publicação tomada aleatoriamente), sendo a primeira autoridade sanitária do município e nele residente e alistado eleitor. Casado com Dona Amélia d'Alcantara Fortes, residiu por alguns anos em Santa Cruz do Rio Pardo, onde nascida a filha Amélia, batizada aos 10 de junho de 1893.
Afora as funções médicas, Dr. Fortes também foi Juiz Substituto em Santa Cruz, de 14 a 26 de julho de 1892 (DOSP, 10/03/1893: 5964). 
1.3. Francisco de Paula de Abreu Sodré 
Em 1895 Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré já exercia a medicina particular em Santa Cruz (O Paranapanema, 30/11/1895: 3), e, durante toda sua permanência no município, jamais apresentou o registro médico obrigatório para o exercício da profissão no Estado de São Paulo.
O nome de Francisco de Paula de Abreu Sodré não constou como médico, nas publicações sazonais do órgão estadual fiscalizador das profissões de saúde, pela Diretoria do Serviço Sanitário, até o início do século XX, e o advogado Dr. Olympio Rodrigues Pimentel denunciou-o, então, exercente ilegal da medicina (Correio do Sertão, 04/04/1903: 2). 
Apesar de não constar na relação de médicos registrados, Dr. Francisco Sodré era Major Cirurgião da Guarda Nacional de Santa Cruz do Rio Pardo (Correio Paulistano, 23/03/1895: 2), comprovadamente diplomado facultativo:
  • "Remmeteu-se ao presidente da camara municipal de Santa Cruz do Rio Pardo o diploma de medico do dr. Francisco de Paula de Abreu Sodre, para lhe ser entregue devendo elle assignal-o em sua presença e passado com recibos que devem ser remettidos a essa secretaria, para os devidos fins." (DOSP, 31 de julho de 1897: 21024). 
Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré formou-se em Medicina no ano de 1892 – grau de doutor (Diário de Notícias, 06/01/1893: 2), com a tese 'Estudo Clinico da Placenta Prévia' (Anuário Médico Brasileiro – RJ, 1892: 90-92). 
Dr. Sodré, o terceiro médico residente em Santa Cruz, manteve consultório na localidade até 1907, quando transferiu domicílio. Em 1908 o seu nome surge na relação dos profissionais autorizados para o exercício da profissão.
1.4. Ernesto Torres Cotrim
Ernesto Torres Cotrim nasceu no Rio de Janeiro, entre 1857/1862, filho do médico Custódio Cotrim da Silva e D. Carlota Torres Cotrim. Cursou as melhores escolas no Rio de Janeiro e formou-se em medicina.
Vinculado à importante família fluminense Castrioto, por matrimônio, o médico Ernesto Torres Cotrim apareceu na história do Vale Paranapanema por volta de 1893, na localidade de Campos Novos do Paranapanema, onde faleceu sua primeira esposa Saturnina Vieira de Castro, aos 18 de março de 1899; casou-se, seis meses depois, com a cunhada, também viúva, Maria de Castro [Castrioto], aos 23 de setembro de 1899.
Cotrim teve grave incômodo com o chefe político campos-novense, o Coronel Francisco Sanches de Figueiredo, em 1897, ao denunciar João Vieira Teixeira da Silva – protegido do Coronel, por exercício ilegal da medicina:
  • "Da Secretaria da Justiça – transmittindo uma representação do dr. Ernesto Torres Cotrim, residente em Campos Novos do Paranapanema, contra o exercicio pratico de medicina que o cidadão João Vieira Teixeira da Silva está fazendo naquella localidade. Á Directoria do Serviço Sanitario." (DOSP, 19/09/1897: 21582-21583). 
Segundo Rios, Cotrim somente viria residir em Santa Cruz, vindo de Campos Novos Paulista "Após o falecimento da esposa" (2004: 37), e talvez não antes de seu segundo matrimônio seis meses depois. 
O clínico e hoteleiro já em fevereiro de 1899 pretendia deixar a localidade (Cidade do Rio, RJ, 04/02/1889: 2), num artigo onde destacado seu humanismo e dotes culinários.
Morador em Santa Cruz, o médico logo envolveu-se na política local, aliando-se aos dissidentes do PRP: "Dr. Cotrim, agora ligado radicalmente aos dissidentes, é o médico escolhido dessa facção. Dr. Chiquinho Sodré [Francisco de Paula de Abreu Sodré] atendia aos de sua grei." (Rios, 2004: 65).
Não tardou Cotrim se indispor com o médico e mandatário político Sodré, ao testemunhar na noite de 28 para 29 de março de 1903 o espancamento de uma pessoa pelo próprio chefe político e seus asseclas. O Dr. Cotrim cuidou da vítima, denunciou a agressão e prestou depoimento na Delegacia de Polícia. 
Esta e outras posições tornaram difícil a permanência de Cotrim no lugar, o que o levou residir por algum tempo em São Manuel, entre 1905 a 1910, para então retornar a Santa Cruz, já sem a presença do Dr. Abreu Sodré. Cotrim tinha parentes em São Manuel.
Cotrim teve ativa participação social em Santa Cruz e muito trabalhou pela fundação da Santa Casa local, ao lado do médico Manoel Rodrigues Leite Oiticica (Casa de Misericórdia de Santa Cruz do Rio Pardo, Livro Ata 1913/1916: 1-2), vindo falecer aos 25/10/1914, idade de 56 anos (Vieira Filho, 2013: 22), ou 52 anos segundo Cadastro de Sepultamentos (Prefeitura Municipal, Cadastro/Cemitério), aí com o nome Domingos Ernesto Torres Cotrim, prenome não encontrado em quaisquer outros documentos.
1.5. Manoel Rodrigues Leite e Oiticica
Manoel Rodrigues Leite e Oiticica, mais conhecido como Dr. Leite e Oiticica, médico especialista em tratamento da sífilis, com consultório no Hotel Paulista, tinha fama de caritativo consultando gratuitamente os pobres num anexo à Farmácia Santa Maria, de Leônidas do Amaral Vieira (Cidade de Santa Cruz, 29/08/1912: 3 – anúncios do médico e do comércio).
Em setembro de 1912, Leite e Oiticica foi contratado pela Câmara Municipal para os serviços de combate à varíola, aos 29 de agosto de 1912 (Cidade de Santa Cruz, edição de 05/09/1912: 1).
Debelada a epidemia, Leite e Oiticica idealizou, com o amigo e médico Ernesto Torres Cotrim, um hospital para Santa Cruz, com pedra fundamental em 1913. Falecido Cotrim, Leite e Oiticica prosseguiu o intento como um dos líderes no prosseguimento das obras e, enfim a inauguração do nosocômio, em 1919, juntamente com outro célebre médico local, Dr. Pedro Cesar Sampaio. 
Leite e Oiticica teve terrível contratempo em 1913, com o falecimento de um cliente infante, filho do Tenente Coronel da Guarda Nacional, José Pavanelli que, revoltado, atentou contra a vida do médico, com arma de fogo, recebendo pronta reação do médico, também com revólver, ambos contido por populares.
Notícias da época indicam que Pavanelli havia contratado, também, um curandeiro que teria ministrado raízes ao enfermo, o que teria ofendido o médico que então abandonou o caso. Pavanelli foi preso preventivamente, com as regalias que lhe conferia a Guarda Nacional (Cidade de Santa Cruz, 07/09/1913: 1).
Consta que o médico Leite e Oiticica havia conferenciado, a respeito, com os médicos Ernesto Torres Cotrim e Carlos Correa, sobre o caso clínico do menor, acometido de "appendicite a molestia mais grave para o lado dos intestinos", e concordaram com ato cirúrgico, do qual participariam, porém, não realizado. A despeito do abandono Oiticica não sofreu punição, e Pavanelli assinou sumário de culpa'. 
Dr. Oiticica era especialista em tratamento da sífilis pelo 'Salvarsan 606', porém notabilizou-se por consultar gratuitamente os pobres, num anexo à Farmácia Santa Maria de Leônidas do Amaral Vieira. Também foi pela Câmara Municipal para serviços de combate à epidemia de varíola, em 1912, com isolamento "tendo para isso [a Câmara] alugado um prédio afastado do centro, a fim de serem os doentes convenientemente cuidados". 
  • O medicamento contra a sífilis, Salvarsan, foi descoberto em 1910 pelo sorologista Paul Ehrlich, no experimento de número 606 daí o nome Salvarsan 606. Depois viria o Neosalvarsan 914. Ehrlich foi Nobel da Medicina em 1908.
1.6. Outros profissionais médicos 
Entre 1906 e 1913, ainda antes da existência da Santa Casa de Misericórdia, são citados, entre os já mencionados, os seguintes médicos estabelecidos em Santa Cruz do Rio Pardo, conforme indicadores e anúncios em publicações dos semanários 'O Progresso', 'Correio de Santa Cruz' e 'Cidade de Santa Cruz', nas respectivas épocas: 'Dr. Manoel Monteiro de Araripe Sucupira (1906) – Inspetor do Serviço de Higiene Pública; Dr. Alcides Torres (1908); Dr. J P Teixeira Guimarães (1909) atendendo também em Irapé; Dr. Marco Tullio de Carvalho (1911) anteriormente em Ipaussu (1910); Dr. J. Martins Vieira (1911); Dr. A. V. Vianna Junior (1911); Dr. Amaral de Araujo (1911); Dr. Angelo de Menezzes (1911); Dr. Violantino dos Santos (1911) com especialização na Europa; Dr. Carlos Correia ou Correa (1912)'; Angelo Menezes (1913).
  • Dr.  Alcides Torres clinicou em Santa Cruz entre 1906/1915 e foi influente membro da sociedade local, destacando-se no tratamento de 'Bócios de Minas' (Correio Paulistano, 14/01/1911: 4 – trabalho anunciado pela Gazeta Médica do Rio de Janeiro. O ilustre facultativo apresentaria, ainda, interessante tese, 'O paludismo no sudoeste paulista' (Correio Paulistano, 02/12/1916: 3), iniciada em Santa Cruz e apresentada quando já residente em Itapetininga – SP.
O médico J.J. Fernandes de Barros, conhecido por Dr. Fernandes de Barros, montou consultório em 1915, à rua Coronel Emygdio José da Piedade. O semanário O Contemporaneo (14/08/1915: 2) cita-o filho do iminente médico Fernandes de Barros, pernambucano estabelecido em Porto do Pernambuco.
Também no ano de 1915 estabeleceu-se em Santa Cruz o profissional médico "Alvaro Camera, autor e apresentador da tese 'A Heliotherapia nas Tuberculoses Cirurgicas e S.S.', em 30 de outubro de 1914, na Faculdade de Medicina de Bahia" (O Contemporaneo, 28/08/1915: 1).
Dr. Ramiro Rabello Teixeira já estaria em Santa Cruz em 1915, com consultório à Rua Coronel Emygdio José da Piedade, nº 13, e tem anúncio em O Contemporâneo (28/05/1916: 2). Em 1917 referido médico residia e tinha consultório no 'Largo da Matriz - casa nova' (O Contemporâneo, 05/10/1917: 1).
Dr. Magalhães Viotti, noticiado em 1917, residiu e exerceu medicina em Santa Cruz, por algum tempo, onde moravam outros membros da família Viotti (Antonio Viotti). A residência do médico situava-se à Rua Visconde de Pelotas, nº 9, atual Rua Dr. Alziro de Souza Santos, defronte ao hebdomadário O Contemporaneo (O Contemporaneo, 20/09/1917: 1).
  • Esses médicos, chegadores de 1915 a 1917, pouco permaneceram na cidade, quando em 1917 já se anunciava a presença do médico Pedro Cesar [Cesar] Sampaio, formado pela Faculdade de Medina da Bahia, que se tornaria, ao longo de décadas, influente membro da sociedade local, ativo partícipe nas conclusões das obras da Casa de Misericórdia - Santa Casa, além de político.
A partir de 1918 outros profissionais médicos chegaram a Santa Cruz, destacado o facultativo Dr. José Carqueijo (O Contemporaneo, 24/011918: 1 – provisoriamente no Hotel Bela Vista), cujo nome dado ao Centro de Saúde local.
Outros médicos chegadores conforme anúncios em órgãos noticiosos da época: Péricles Reis (1918, O Contemporaneo); B. Castro Simões (1920, O Contemporaneo); Antonio Vita (1921, Cidade de Santa Cruz); Lamounier de Andrade (1921, A Cidade); Jonathan Bonfim (1922, A Ordem); Marco Tulio de Carvalho (1922, A Ordem); Dr. Abelardo Pinheiro (1923, Documentos Públicos), dos mais ilustres nomes da política santacruzense desde 1925, com a dissidência perrepista, e foi prefeito municipal entre 1930 e 1935; Silva Faia (1924, A Cidade); Carlos Alberto Nunes e o Dr. A. Azevedo Sacramento (1926, A Cidade); J. de Queiroz e Reis Neto (1929, A Cidade); Dr. Luiz de Fillipi (1933, Santa Cruz Jornal); Marcos Bento de Souza (1935, Santa Cruz Jornal); J. Lintz Filho (1938, A Cidade); Waldomiro Ferreira Neves, (1938, A Cidade).
O médico identificado por Dr. Bannitz, em agosto de 1926, era anunciado Chefe Clínico do Posto Sanitário, instalado à Rua Conselheiro Antonio Prado (A Cidade, 29/08/1926: 1 e 2). Tratava-se do paulista são-carlense Joaquim Noavais Bannitz (1898/1961), ilustre nome na saúde pública.
Muitos destes médicos pouco tempo permaneceram em Santa Cruz, partindo os grandes centros populacionais progressistas, no Oeste Paulista e Estado do Paraná, muito mais atrativos. Alguns profissionais, enricados e bem casados, procuraram os grandes centros, a exemplos de São Paulo, Ribeirão Preto e Campinas.
A sequência de profissionais médicos apresenta: J. Prisco Paraizo (1941, A Cidade); Miguel Losso(1942, A Cidade); Urandy Silveira Lobo (1942, A Cidade); Lauro de Oliveira (1946, A Cidade); Moacir Deleuze (1950, A Cidade - Chefe do Serviço de Saúde Pública); Dr. A. Moura Zamoura (1951, A Cidade); James Ferraz Alvim (1952, O Regional); Mário Franco (1953, O Regional); Nelson da Silva Leite (1956, A Folha); Glicéryo Barrios Pompe (1957, A Cidade, consultório à Rua Marechal Bittencourt, 494, nome vinculado ao Serviço Público de Tuberculose local, Lei n.º 10.010 - D.O. 03 publicado aos 05/01/1968, falecido aos 04 de junho de 1966); José Franco Barrios (1952, Médico Auxiliar e depois Chefe do Centro de Saúde - Referência Decreto Municipal nº 42, de 12 de novembro de 1952); José Carlos Braga de Souza e Samuel Martins Figueira (1957, A Cidade); Aparecido Rodrigues Mouco (1959, exerceu diversas funções-atividades na Administração Pública, como Médico Chefe e Diretor Técnico do Centro de Saúde, Delegado de Saúde em exercício, também foi Diretor do Serviço Integrado de Saúde (Municipal, Estadual e Federal) e Secretário Municipal de Saúde, além de Diretor Clínico do Hospital Santa Casa, Médico do Serviço Público Federal, e ocupar cargo eletivo de vereador).  
Nos anos de 1960 são referenciadas presenças dos médicos, Calil Ali, Paulo Corazza, Carlos Alberto Pereira de Magalhães e Luiz Carlos Famadas assumiram o Hospital Maternidade. Famadas e Pereira Magalhães retiraram-se pouco depois, e, a seguir, notadas as presenças de outros facultativos, por períodos, a exemplos de Zuhair Tarraf e Paulo Kato.
Outros médicos estiveram presentes no município também nos anos de 1960: Tuffi Pedro Haddad (1961, O Regional, Médico Chefe de Serviço de Saúde Pública); e Clovis Guimarães Teixeira Coelho (Documentos Públicos), que exerceu Chefia do Posto de Puericultura, depois foi Chefe de Equipe Médico Odontológica – Centro de Saúde, Diretor Substituto do mesmo Centro de Saúde, Diretor do Serviço Integrado de Saúde (Federal, Estadual e Municipal), também ocupando cargos eletivos de Vice-Prefeito (1983-1988) e Prefeito (1989-1992 e 1997-2000). 
Nos anos de 1970 são registradas presenças de Luiz Roberto Tinazo (1972, A Folha); o santacruzense Isaias Carvalho dos Santos (Médico Chefe de Equipe, Diretor Técnico do Centro de Saúde e Vereador), Araci Alves Marinho (Sanitarista), Cid Libero Machetti (Diretor Técnico do Centro de Saúde e Secretário Municipal de Saúde), Oswaldo Luiz Fortes Paschoal, José Roberto Vuolo – santacruzense antes médico em Bernardino de Campos. 
  • Dra. Araci pode ter sido a primeira mulher profissional médica em Santa Cruz do Rio Pardo. 
Na década de 1980, são constatadas as presenças dos médicos, o casal Walter Henares Filho e Kátia Isabel Bernardes Henares, Jorge Rosa, Sérgio Tadeu Rosa, Jonas Jovanelli, Glauco Antonio de Souza, o casal Massaro Haysaki e Irene H. Hayasaki, os santacruzenses Otacílio Parras Assis (Secretário Municipal de Saúde, Vereador e Prefeito), Brazil Zacura (Secretário Municipal de Saúde e Vereador), Bruno Daniel Rasmussen Chaves, José A. Perez e Paulo Sérgio Marcato. 
Atualmente é possível acompanhar médicos residentes e estabelecidos em Santa Cruz do Rio Pardo, através do DATA-SUS endereço eletrônico: http://cnes.datasus.gov.br.
Todos os profissionais citados exerceram medicina particular, alguns trabalharam no Serviço Público Federal, Estadual e Municipal, e destes empregados públicos somente identificados aqueles que exerceram cargos de comando. 
A lista não tem pretensão de exatidão.
1.7. Os médicos históricos
Documentos e tradições lembram, além dos já mencionados, aqueles profissionais que se destacaram pela atuação profissional, exercício de cargo público, por acontecimentos pessoais ou, quando não, tangíveis em duas ou mais situações.
1.7.1. Pedro Cezar [Cesar] Sampaio
A despeito da debandada, alguns médicos chegaram, como o anunciado o Dr. Pedro Cesar [Cezar] Sampaio, em 1917, formado pela Faculdade de Medicina da Bahia.
Dr. Sampaio residiu em Chavantes, em 1918, para no mesmo ano fixar-se em Ipaussu (Correio Paulistano, edições de 27/01/1918: 3 e 25/03/1918: 6, respectivamente), e depois, Santa Cruz do Rio Pardo, por décadas, tornando-se influente membro da sociedade local, além de partícipe nas conclusões das obras da Casa de Misericórdia – Santa Casa.
Nome sempre lembrado na política local, Dr. Sampaio foi Vereador (1923/1926) e Prefeito, pela Câmara Municipal, em 1924. Depois, emm 1948 foi nomeado Prefeito pela Interventoria de São Paulo, para o lugar de Leônidas Camarinha; não assumiu o cargo e sua nomeação tornada sem efeito.
Outra vez Vereador, eleito em 1947 – mandato 1948/1951, embora diplomado viu-se impedido da posse, pela não descompatibilização de cargo público. Tomadas as providências, assumiu a vereança.
Dr. Pedro Cesar Sampaio tem seu nome emprestado à praça aonde elevada a Igreja Matriz de São Sebastião.
1.7.2. José Carqueijo
O facultativo José Carqueijo, nome dado posteriormente ao Centro de Saúde local, chegou em 1918 (O Contemporaneo, 24/01/1918: 1), transferiu-se para São Paulo no ano de 1921, para retorno em 1925 (A Cidade, 27/03/1925: 1). 
1.7.3. Abelardo Pinheiro Guimarães
Dos mais ilustres nomes da sociedade santacruzense de sua época, teve presença registrada em 1923, destacando-se na profissão e na militância política, desde 1925, quando da dissidência do PRP, e foi prefeito municipal entre 1930 e 1935, além de vereador.
1.7.4. Luiz de Fillipi
No ano de 1933 chegou à cidade o pinhalense Dr. Luiz de Fillipi (Santa Cruz Jornal, 08/01/1933: 2), que viria se transformar num dos grandes nomes da medicina local, benquisto na sociedade e quase venerado por aqueles que a ele se socorriam, ou os amigos, até ver-se envolvido num dos mais rumorosos escândalos na época, entre 1940/1941, a culminar com sua morte, assassinado por outro médico, seu amigo e conterrâneo. 
Luiz de Fillipi fez-se o responsável maior pela ampliação do prédio da Santa Casa de Misericórdia, dotando-o de melhores instalações e modernos equipamentos, trabalhando ao lado do colega Salvador Ceglia – Diretor do Posto de Higiene em Santa Cruz (Correio paulistano, 25/04/1937: 3).
-Interposição histórica: 'O assassinato do médico Luiz de Fillipi' 
Já estabelecido em Santa Cruz do Rio pardo, onde gozava de grande prestígio profissional e popular, o médico Luiz de Fillipi em 1938 "para aqui trouxe o Dr. Waldomiro, levando-o para sua residência, emprestando-lhe todo o seu apoio e conseguindo-lhe os primeiros clientes!" (A Cidade, 17/08/1941: 1). 
Três anos depois, em 1941, o médico Ferreira Neves – constitucionalista de 1932, também pinhalense, assassinava Luiz de Fillipi, num rumoroso acontecimento não de todo explicado, desde ciúmes de serviços a crime passional. 
Aos 03 de agosto de 1941, por volta das dez horas, Luiz de Fillipi havia deixado a Santa Casa e caminhava pela Rua Benjamin Constant rumo a sua residência, quando alcançado por Waldomiro, entre as ruas Marechal Bittencourt e Conselheiro Dantas, e alvejado com tiro no abdômen (A Cidade, 10/08/1941: 1). 
O assassino evadiu-se – depois encontrado em sua residência e preso, enquanto a vítima era socorrida pelos profissionais Barrios Pompe, Cezar Sampaio, Samuel Figueira e Abelardo Guimarães. Fillipi foi conduzido de avião para São Paulo e, sem condições de pouso aterrissou em Campinas, onde internado e cirurgiado pelos médicos Armando Rocha Brito e Hermes Braga, vindo a falecer aos 07 de agosto de 1941, por volta das 23,00.
Aos 17 de novembro de 1941, O Tribunal do Júri, presidido pelo Juiz Arlindo Pereira Lima, absolveu, por unanimidade, o réu Waldomiro Ferreira Neves. Atuaram na acusação o Promotor Raul Carlos Galvão e o advogado Celso Vieira, e na defesa o Dr. Ataliba Nogueira – Professor de Direito em São Paulo, e o residente em Santa Cruz, Omar Ferreira, sendo os jurados: Alzim de Souza Lemos, Luiz Zizi, Teodomiro Carneiro, Clovis Carvalho, Roque Macedo, Laura Matos Cunha e Benedito Hilário de Almeida (A Cidade, 23/11/1941: 1). 
A imprensa atacou o júri, cobrou providências, e durante anos promoveu campanhas para homenagens póstumas ao falecido, lembrando-o como conceituado médico, responsável pela ampliação e reestruturação da Santa Casa de Misericórdia, sugerindo o seu nome ao nosocômio. 
Oito anos decorridos do fatídico, o semanário 'A Cidade' anunciava a denominação de via pública em homenagem ao Dr. Fillipi, "uma parte da rua Conselheiro Antonio Pardo", conforme proposta camarária apresentada pela bancada majoritária, PSD/PTB. Dr. Alziro de Souza Santos e seus partidários não honraram compromisso prévio e o projeto arquivado, sobretudo considerando provocação, afinal o início da rua a ser denominada passava defronte à residência do Dr. Valdomiro.
Dr. Fillipi jamais recebeu qualquer homenagem pelos seus préstimos à sociedade santacruzense, senão placa no saguão da Santa Casa, ironicamente de frente ao busto de seu assassino. A distorção foi corrigida.
Luiz de Fillipi também foi professor na Escola Normal Livre – Curso Ginasial, cadeira de História Natural (Portaria nº 313, de 02/05/1928).
A despeito dos acontecimentos, o médico Valdomiro ou Waldomiro Ferreira Neves um dos mais respeitados nomes da medicina santacruzense, várias vezes Diretor Clínico do Hospital Santa Casa.
1.7.5. Samuel Martins Figueira 
Notório profissional a partir de 1940 (A Cidade, 22/09/1940: 3), também se meteu em política e, com o fim do Estado Novo, e se elegeu vereador em 1947. 
1.7.6. Aparecido Rodrigues Mouco
O auxiliar de farmácia Aparecido Rodrigues Mouco, natural de Monte Aprazível – interior paulista, formou-se médico na Escola de Medina e Cirurgia do Rio de Janeiro, em 1952, exercendo seu primeiro emprego público como Escriturário da Caixa Econômica Federal para, num arranjo, exercer a Medicina junto aos funcionários da instituição.
Posteriormente Mouco foi médico em Estrela do Oeste – SP, em 1955, e ingressou no serviço público estadual para o Posto de Atendimento Médico Sanitário – PAMS, naquela localidade, onde ainda ativo em 1958, para se transferir no ano seguinte para Santa Cruz do Rio Pardo onde exerceria a profissão durante décadas, também como empregado público, ocupando diversos cargos de comando, como Delegado de Saúde, Médico Chefe de Unidade de Saúde, Diretor Técnico do Centro de Saúde, Secretário Municipal de Saúde, Diretor Clínico da Santa Casa e eleito para o Cargo de Vereador em 1982.
Ainda que não sanitarista, Mouco, como Médico Chefe e depois Diretor Técnico do Centro de Saúde, foi o mais atuante profissional médico na saúde pública municipal. A Saúde Pública de Santa Cruz do Rio Pardo ganhou qualidades com suas atuações, sempre exigente das medidas sanitaristas, profiláticas e de saneamento básico, e do rigor ás regras da Vigilância Epidemiológica. 
Não se subordinando às autoridades políticas Mouco foi afastado de suas funções públicas, em 1989, após quase trinta anos de chefia em saúde pública, vítima da municipalização dos serviços de saúde, que se transforma em 'prefeiturização', onde o chefe do executivo faz ou fazia-se a autoridade maior e inquestionável.
Mouco morreu em Santa Cruz no ano de 1996.
1.7.7.
 Dr. Clóvis Guimarães Teixeira Coelho 
Médico Chefe do Posto de Puericultura, depois Chefe de Equipe Médico Odontológica e Diretor Técnico Substituto do Centro de Saúde, e Diretor do Serviço Integrado de Saúde – correspondente à atual Municipal de Saúde, além dos cargos eletivos de Vice-Prefeito (1983/1988) e Prefeito (1989/1992 e 1997/2000). Também foi médico do serviço público federal.
2. Outros profissionais de saúde
2.1. Cirurgiões-Dentistas
  • A listagem não tem por objeto a exatidão de todos os nomes ou quantos profissionais de saúde, cirurgiões-dentistas, que passaram por Santa Cruz do Rio Pardo. 
O primeiro exercente na profissão conhecido em Santa Cruz foi Zepherino Fernandes Bretas, Capitão da Guarda Nacional (DOU edição de 04/11/1892: 2, Seção 1), Dentista Licenciado (DOSP, edição de 18/07/1908: 2174). Bretas destacou-se, ainda, fazendeiro no ramo cafeeiro, e anos depois exerceu a odontologia em Avaré (Pires, 1952: 107).
Em 1900 o Capitão da Guarda Nacional, Julio Estevam de Sant'Anna, também Dentista Licenciado (DOSP, 18/07/1908: 2173) exerceu a profissão em Santa Cruz (DOU, 23/06/1900: 1, Seção 1). 
  • Sant'AnnaDeixou o lugar por algum tempo e depois retornou: "de volta de Campos Novos do Paranapanema, acha-se novamente n’esta cidade, com seu gabinete instalado em sua residência á Rua Visconde do Rio Branco esquina com rua Dr. Euzebio de Queiroz." (Correio do Sertão, 31/01/1903: 3, anúncio de 10/12/1902).
No ano de 1904 consta o Damaso Duarte e Silva exercendo a profissão em Santa Cruz do Rio Pardo.
Ubirajara Pinto, Dentista Diplomado (DOSP, 18/07/1908: 2173) e também Capitão da Guarda Nacional, residiu e teve consultório no lugar, no entanto mais destacado como político, Vereador (1907/1910) guindado ao posto de Presidente da Câmara Municipal e Intendente, entre 1907/1908. A atuação política de Ubirajara coloca-o em Santa Cruz antes de 1907.
Também anunciados Cirurgiões-Dentistas, no primeiro decênio santacruzense, Eduardo de Andrade (1909); Aristide Spinola (1910/1911).
Outros profissionais viriam, todos formados ou autorizados às práticas da profissão, conforme anúncios colhidos de publicações e anúncios em semanários da época correspondente, não indicando necessariamente ano de formação ou mesmo início da atividade no município. As datas referentes aos primeiros dentistas podem não coincidir, exatamente, com indicativos profissionais mencionados ao longo deste trabalho. 
No 'Lançamento do Imposto de Indústrias e Profissões para 1914', Câmara Municipal, publicação de 26 de outubro de 1913 informa atuantes os seguintes Cirurgiões Dentistas: Durval Spíndola, José B. da Silveira Bispo, Sebastião Antunes dos Santos, Alfredo Theodoro e Joaquim Mathias Oliveira (In Cidade de Santa Cruz, 26/10/1913: 1). Pouco depois mencionados profissionais Gabriel de Oliveira Ramos (1914); Domingos Augusto Sette; Policarpo Viotti (1915); Donato Ferreira (1917).
  • O Cirurgião-Dentista, Donato Ferreira, sobressaiu-se partícipe no Congresso da Mocidade referente a 1ª Guerra Mundial, juntamente com os santacruzenses, Pedro Soares Sampaio Doria – Advogado, e Francisco Rodrigues Costa – Oficial de Registro de Protestos (Correio Paulistano, 14/11/1917: 4). Numa outra oportunidade o Dr. Donato foi o encarregado pela Colônia Síria de Santa Cruz do Rio Pardo, para entregar auxílios à linha de tiro local e à Cruz Vermelha Brasileira, seção de S. Paulo (Correio Paulistano, 01/12/1917).
No ano de 1917, Waldomiro de Queiroz exercia a profissão em Santa Cruz, e em 1918 o Dr. Mathias Berringhs, de origem belga, formado no Rio de Janeiro em 1889, noticiado pelo tratamento gratuito em odontalgia aos escolares santacruzenses (Correio Paulistano, 13/03/1921). 
Também identificados profissionais da área: Alfredo T.S, de Almeida (1919): Augusto Ribeiro (1920); Flavio M de Campos e Arnaldo G. Henriques (1924); Guerino Bertolazo Stella, Jeremias Camillo de Godoy, Sylvio Campos e Julia Ferraz (1928), a primeira mulher, que se tem notícia, a exercer a profissão de Cirurgiã-Dentista em Santa Cruz do Rio Pardo. 
  • Julia B Ferraz também era professora de Trabalhos Manuais – Escola Normal (Portaria de 15/07/1931), e, casada, apostilou nome: Julia B Ferraz Porciúncula, ignorando-se, ainda, o inteiro sobrenome B...(?).
Aparte histórico
Nas comemorações do cinquentenário do Grupo Escolar Professora Sinharinha Camarinha, foi lembrada a criação do primeiro serviço odontológico escolar:
  • Gabinete Dentário: Fundado em meados de 1930, recebeu o nome de Gabinete Dentário 'Dr. Fabio Barreto', tendo a colaboração nos trabalhos assistenciais dos seguintes cirurgiões-dentistas, Dr. Guerino Bertolazzo Stella, Celio Martins, Jeremias Camilo de Godoy, Cristalino Rodrigues da Silva e Julia Ferraz (A Folha, 20/06/1965: 1).
Dr. Fabio Barreto foi deputado federal (1924/1926) e durante o governo de Júlio Prestes de Albuquerque (1927/1930) ocupou a pasta de Secretário do Interior, promovendo a melhoria das condições de trabalho dos cirurgiões-dentistas na rede publica. 
Posteriormente o Serviço de Atendimento ao Aluno teve importantes nomes da odontologia local sob o comando do Cirurgião-dentista Lino Antonio Lorenzetti. 
Continuidade ao assunto
Outros profissionais lembrados: Nagib Koury (1930); Christalino Rodrigues da Silva (1934); Argemiro Orestes Silveira (1940); Antonio Honorato Lino (1951); Abilio de Almeida e Celio Barbosa Martins (1952); Durval Pinheiro Cavalcante e Lenine Queiroz (1958); Ozir Moraes Bastos (1962); e adiante, Alcides Vieira de Almeida, Clelio Zanoni, Derly Ribeiro. Eder Gonçalves, Lino Antonio Lorenzetti e Glaury Quagliato. 
  • São noticiados e as tradições lembram alguns 'práticos dentistas', ou protéticos 'extratores'. Argemiro Orestes Silveira, protético e prático na profissão, fez curso de dois anos para atuação legal da profissão de Cirurgião-Dentista, com consultório à Rua Conselheiro Dantas e depois transferido para a Praça Anchieta, em setembro de 1940 (A Cidade, 29/09/1940: 2).
A partir dos anos 1970 são destacados os nomes dos exercentes: Moacyr Ferraz de Moraes, Iracira Andrade Paes Fabiano, Junko Sato, Rosalina de Souza Cardeais e Danilo da Silva Castanho, entre outros cujos nomes constam das entidades de classe e no DATA-SUS. 
Junko Sato exerceu a profissão em consultório particular e ingressou no serviço público estadual no ano de 1976, tida a primeira mulher, conhecida, cirurgiã-dentista no Centro de Saúde local, e a primeira nisei na profissão.
Leandro Fonseca Mendonça, Cirurgião-Dentista se elegeu vereador para os mandatos consecutivos de 2005/2008, 2009/2012, e 2013 com previsão até 2016. 
2.2. Farmacêuticos, oficiais e as primeiras farmácias
Aos 16/12/1876, o diário Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, publicou: "A junta central de hygiene publica despachou os seguintes requerimentos concedendo licença para ter botica aberta" e em Santa Cruz foi autorizado "José Florencio de Oliveira" (Gazeta de Noticias, 16/12/1876: 1).
Por volta de 1880, estabeleceu-se no lugar o farmacêutico Manoel Antonio de Oliveira, Capitão e depois Major da Guarda Nacional. Oliveira tem nome lançado como eleitor local, numa ata de 1883 (ALESP PO 88_110), e em junho de 1912 era, ainda, mencionado farmacêutico, na coluna Vida Social (Cidade de Santa Cruz, 06/06/1912: 2). 
  • Oliveira destacou-se na política local como Vereador, em algumas legislaturas, e Prefeito no ano de 1915, com a renúncia do Dr. Agnello Villas Boas, para logo resignar-se a favor de Antonio Evangelista da Silva – Tonico Lista. 
O médico italiano Samuel Genuta também teve farmácia (Almanach Administrativo, Commercial e Industrial da Provincia de São Paulo, 1885: 526 e 1886: 480), e as tradições afirmam que ele próprio manipulava medicamentos (Rios, 2004: 66). 
Na mesma época de Genuta, igualmente estabelecido farmacêutico o José Rodrigues L. Paul (Almanach, op.cit), nome desconhecido na história santacruzense.
Em 1890, Theophilo Correa ou Ribeiro de Camargo, licenciado prático, requereu licença para estabelecer-se no ramo de farmácia em Santa Cruz (Correio Paulistano, edição de 02/09/1891: 2). 
No ano de 1893 Balthazar de Abreu Sodré requereu registro de abertura de farmácia (DOSP, 18/03/1893), depois, em 1895 aparecia como oficial e proprietário da Farmácia Popular, situada defronte à Igreja Matriz, na então Praça Anchieta, cujo nome já modificado em 1895 para Praça Marechal Deodoro (O Paranapanema, 30/11/1895). 
  • Irmão do médico, fazendeiro e político Francisco de Paula de Abreu Sodré, Balthazar foi denunciado por exercício ilegal da profissão de farmacêutico. A denúncia partiu do então Suplente de Delegado Vicente Finamore, porém o órgão estadual responsável pelo exercício da profissão decidiu: "Em vista da informação do juiz de direito da comarca, não ha que providenciar" (DOSP, 17/04/1896: 8). Ação paralela no Justiça também não prosperou (DOSP, 17/05/1896: 1). 
Na epidemia variólica (1895/1897), no Óleo, destacou-se o farmacêutico Adolpho Manoel Loureiro (Correio do Sertão, 24/02/1902), estabelecido naquele bairro, então santacruzense.
No ano de 1896, Joaquim Fernandes Negrão, requereu autorização para trabalhar em Farmácia de sua propriedade, como oficial (DOSP, 21/04/1896). 

  • A Diretoria do Serviço Sanitário assim se manifestou: "si no praso de trinta dias, nenhum pharmaceutico formado, lhe communicar a resolução de estabelecer pharmacia na citada localidade, concederá ao prático a licença requerida." (DOSP, 12/05/1896: 11). Vencido o prazo, recebeu a autorização devida.
Antonio Sanches Pitaguary de Araujo, em 1900 estabeleceu-se farmacêutico, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, cujo diploma registrado e encaminhado, pela Secretaria do Interior – São Paulo, à Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo (02/08/1900), para assinatura e entrega ao profissional. O estabelecimento situava-se à Rua Saldanha Marinho.
Entre 1900/1910, são anunciados novos farmacêuticos em Santa Cruz, uma dezena ou mais deles, destacados Diogo de Mattos Azevedo e Fabiano Alves Barbosa e Silva, providenciando os registros de diplomas de farmacêutico, aos 15 de junho de 1910, na Secretaria da Câmara (Documentos Municipais - folhas avulsas - CD: A/A).
Jozué de Toledo farmacêutico, abriu a Farmácia Toledo, no início dos anos de 1900, situada no Largo do Jardim ou Praça da República [atual Praça Deputado Dr. Leonidas Camarinha], depois vendida a Agenor Soares de Camargo (Cidade de Santa Cruz, 10/07/1909: 1). 
  • Toledo retornaria ao ramo farmacêutico, em outubro de 1915, anunciando a Farmácia Toledo, como a mais antiga da cidade, localizada à 'Rua Antonio Prado atraz da Cadeia' (O Contemporaneo, 30/10/1915: 4). Não era nenhuma pioneira.
Agenor Soares de Camargo adquirente da Farmácia Toledo, em 1909, mudou o nome para Farmácia Camargo, vendida a Luiz Bezana ou Besana em 1917, para retornar ao ramo cinco anos depois.  
  • Agenor era farmacêutico formado – pela Escola de Farmácia em 1904/1905 (Correio Paulistano, 23/03/1905: 3). No ano de 1923 Agenor, à frente de outros profissionais de farmácia em Santa Cruz, denunciou Miguel Magdalena pelo exercício ilegal da profissão e diploma falso, adquirido no Rio de Janeiro (O Paiz, edição de 30/03/1923: 4). 
    • Agenor, segundo tradições familiares, era jogador inveterado, ganhando e dilapidando fortunas, a exemplo o casarão que construíra em 1910, que atualmente abriga a Biblioteca Municipal, adquirida por Antonio Evangelista da Silva, o Coronel Tonico Lista.
No ano de 1911, Leônidas do Amaral Vieira, estabeleceu-se no lugar, como farmacêutico proprietário da Farmácia Santa Maria, à rua Conselheiro Dantas esquina com a Benjamin Constant, e assim observado ainda em 1915 (O Contemporaneo, 30/10/1915: 4). Metido em política, se transformaria num dos maiores nomes da história regional. 
Maria Benedicta França, no ano de 1915, era proprietária responsável pela Farmácia Santa Cruz, à Rua Coronel Emygdio José da Piedade, nº 16 (O Contemporaneo, 30/10/1915: 4). Maria Benedicta França, filha de José Nestor de França e Maria Cristina da Silva ou França – a irmã de Tonico Lista, foi a primeira mulher profissional no ramo. 
  • Maria Benedicta casou-se com Philadelpho Aranha Junior aos 12 de outubro de 1915, e em nome dele está anunciado o mesmo estabelecimento, ainda em 1915 (O Contemporâneo, 27/11/1915: 4). 
Luiz Besana, farmacêutico, adquiriu o comércio de Agenor Camargo em 1917, empregando o jovem Alziro de Souza Santos, em 1919, e no ano seguinte ampliou os negócios tornando-se proprietário da Farmácia Santa Maria, antes pertencente a Leônidas do Amaral Vieira. 
  • Besana também foi Vereador (1923/1926), e morreu aos 31 de julho de 1932, assassinado por João Evangelista da Silva Neto, filho do Coronel Tonico Lista (Santa Cruz Jornal, 18/12/1932: 4). 
Em 1922 Alziro de Souza Santos prestou exames de Oficial em Farmácia e foi trabalhar com seu irmão, o empresário Manoel de Souza Santos, adquirente da Farmácia Santa Cruz. Alziro formou-se em Farmácia no ano de 1927, em Itapetininga, e, depois, assumiu controle da Farmácia Santa Cruz, para tornar-se importante nome na sociedade santacruzense e político atuante.
Luiz Assumpção Filho foi proprietário de farmácia, conforme observado em publicação oficial de 1923 (Correio Paulistano, 28/04/1923: 2).
O japonês Morimitsu Aizawa foi dono de farmácia em Santa Cruz do Rio Pardo nos anos de 1930.
No ano de 1936 Lucio Casanova, Oficial em Farmácia, iniciava atividades na Farmácia Santa Lúcia, por ele adquirida pouco depois (1940), à Rua Marechal Bittencourt nº 447, onde atual Escritório de Advocacia do Dr. João Pereira Nantes (referência ano 2014). 
  • Lúcio destacou-se na política, como vereador, prefeito em dois mandatos, e deputado estadual em duas legislaturas, até sua cassação.
Outros profissionais e estabelecimentos viriam depois, conforme cadastros.
2.3. Enfermeiros 
No ano de 1898, Alexandre Francisco da Cruz e Avelina Barbosa são os primeiros profissionais em enfermagem oficialmente nomeados para Santa Cruz do Rio Pardo (DOSP, 14/06/1898). 
2.4. Parteiras oficiais
Santa Cruz deve muito às parteiras, infelizmente quase todas anônimas ou sem sobrenomes. 
No século XIX a mulata Inocência tornou-se conhecida parteira e assim conhecida outros trinta anos do século XX, e citada por Queiroz na profissão que herdara da mãe e da avó (Queiroz Filho 1966: 195), aprendizes de uma ancestral.
Em 1926 Anna Gaigher mantinha anúncio como: "Parteira Diplomada, Rua Euclydes da Cunha 232 – Villa Nova." (A Cidade, 28/11/1926: 3).
As tradições lembram outras 'comadres' como eram chamadas as assistentes de partos, destacando-se Rosa Magdalena no início do século XX (Almanak (...), 1916: 553), Benedita e Madalena nos anos de 1940/1950, entre outras, inclusive a nipônica, Dona Emma – nome adotado, esposa de Tokugiro Tagima.
Os primeiros médicos santacruzenses, invariavelmente anunciavam-se 'parteiros', sendo o Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, em 1895, o primeiro.
3. Saúde Pública
A Câmara eleita em 1876 tinha por dever e obrigação cumprir e fazer cumprir o Código de Posturas, como o conjunto de normas municipais, em todas as áreas de atuação do poder público, inclusive os cuidados com a saúde da população, zelando pelas medidas profiláticas e de saneamento, com rigor o combate à insalubridade, excluídas as epidemias, quando o Estado fazia intervenções. 
Destarte o poder público responsabilizava-se pelas, distribuição de água à população, limpeza das ruas e praças, destinações do lixo urbano, medidas para evitar moradias em lugares úmidos ou ambientes promíscuos, construções de ambientes para as defecações e urinações, e outras medidas pertinentes ou estabelecidas. Até a elaboração e entrada em vigor do Código local, em 1882/1883, aplicava-se o de Lençóis Paulista, o município mãe.
Tão somente com a presença do primeiro profissional médico se pensou em saúde coletiva, com efetivas medidas profiláticas e de saneamento, identificações de doentes sintomáticos e promoções de isolamentos ou encaminhamentos obrigatórios para tratamentos.
Às mesmas maneiras, aplicaram-se as regras no trato com as mercadorias de consumo, especialmente as carnes, com os critérios para matanças de animais de corte, através das normas de higiene, além do controle de animais soltos ou pestilentos.
3.1. Dos agravos à saúde
A posição urbana/geográfica santacruzense, entre o Rio Pardo e o Ribeirão São Domingos, aliada às modificações ambientais pelo homem, propiciava proliferações de mosquitos transmissores de infecções humanas, "deixando em suas vítimas, para sempre, vestígios do mal." (Rios, 2004: 65).
Das doenças, a febre tifoide, de transmissão hídrica, e a tuberculose transmitida por via aérea, e ambas adquiridas também pelo consumo de leite contaminado ou não pasteurizado, eram preocupantes ao lado das epidemias avassaladoras de febre amarela e varíola. 
A primeira ocorrência de varíola 'lembrada' teria ocorrido por volta de 1891, conforme noticiado pelo Correio do Sertão em 1902: "Um caso de varíola que aqui tivemos pois primeira vez, ha 10 annos pouco mais ou menos" (Correio do Sertão, 24/05/1902: 1). 
A reportagem esclarecia que um doente, hospedado num hotel da cidade, logo detectado foi isolado numa chácara "para não sacrificar a população desta cidade." Pelo Correio do Sertão, após isto "quasi todos os annos, ora aqui, ora alli, têm apparecido, neste municipio, casos de variola." 
Na mesma edição o hebdomadário relembra outra epidemia variólica ocorrida no bairro rural da Mombuca, entre os anos de 1895/1897, morrendo diversos membros de uma mesma família, e, já no final do século XIX, em Óleo, morreram "5 ou 6 variolosos, devendo-se unica e exclusivamente ao benemerito e humanitario pharmaceutico, sr. Adolpho Manoel Loureiro, o não ter a epidemia alli tomado maiores proporções." 
Pela Diretoria do Serviço Sanitário – Governo de São Paulo, no ano de 1898 aconteceu epidemia de varíola em Santa Cruz, sendo contratados emergenciais os enfermeiros, Alexandre Francisco da Cruz e Avelina Barbosa (DOSP, 14/06/1898: 4).
Sem qualquer estrutura hospitalar, no século XIX e primeiros anos dos anos 1900, optava-se por local ou locais de isolamentos para os infectocontagiosos, por exemplo, no ano de 1898 existiu o confinamento de variolosos na chácara de um tal Florêncio, sobrenome não conhecido e lugar não identificado (Livro Ata, Câmara, 28/05/1898).
Para os agravos parecia não existir algum programa de controle preventivo e nem mesmo de redução da gravidade, por meio de diagnóstico e tratamento precoce. A única preocupação observável era conter a letalidade quando o mal já instalado, características de ausência de ações públicas para a redução das incidências epidêmicas ou, mesmo, eliminações das fontes.
O Correio do Sertão não teve fontes oficiais de informações quanto a epidemia de 1891, e apesar de dez anos ou pouco mais daquele grande surto, a notícia não representou com exatidão as ocorrências da época, porém o assunto continuado torna-se mais exato à medida da aproximação do tempo, 1895 e, após, 1900.
A maior tragédia causada pela varíola, por fonte jornalística, teria ocorrido no denominado bairro Córrego Fundo, à margem direita do Pardo, por volta de junho a agosto de 1901, perecendo "quarenta e tantas vidas, tendo escapado apenas um ou outro doente! ..." (Correio do Sertão, 24/05/1902: 1).
Em 1902 o Coronel Emygdio José da Piedade Filho requereu "pagamento para o soldado Divino de seu trabalho, no lazareto dos variolosos existentes no Douradinho deste município." (Livro Ata, Câmara, 01/04/1902).
3.2. Do cemitério insalubre
As grandes fazendas possuíam cemitérios, às vezes servindo outras comunidades.
O padre e fazendeiro João Domingos Figueira revela um sepulcrário em sua fazenda, benzido e, para o qual, tinha provisão. 
Notícias de 1886 revelam que o fazendeiro presbiteriano Francisco de Paula Martins, mantinha cemitério em sua propriedade (Imprensa Evangélica, São Paulo, edição de 06/02/1886, Volume XXII: 46).
Os locais para os mortos nas fazendas desapareceram, às exceções daqueles dos bairros organizados – depois distritos, quando decretada a laicidade do estado e os cemitérios ditos municipalizados ou tornados públicos. 
Não se sabe de algum lugar de destinação aos mortos para o bairro Santa Cruz e adjacências, nos anos iniciais de sua formação, no entanto o Padre João Domingos Figueira mencionou, em 1862, o cemitério daquela povoação que se tornava Capela, localizado, segundo antigas lembranças, aonde os atuais Fórum e a Delegacia de Polícia – 1º Distrito Policial (2012).
A história aponta alguns sepultamentos no chão da Igreja, observadas num pedido de autorização para a "exhumação dos ossos de várias pessoas, da egreja velha para serem transladados para a matriz nova ..." (Correio Paulistano, 01/06/1905: 4), porém não era o usual, apenas os distinguidos ou autorizados.
Distante do centro urbano, para a época, o cemitério santacruzense não era lugar salubre nem ideal, divisando com a nascente de rego d'água rumo ao ribeirão São Domingos, e o engenheiro Dr. Francelino Faria da Motta, denunciou publicamente a insalubridade do lugar até conseguir a desativação por 'questões em hygiene', e abertura de outro campo nos altos do atual Bairro de São José. 
Inicialmente, solicitado pela Câmara, de acordo com ata legislativa da época, o denunciante Dr. Motta apresentou justificativas, elaborou projeto e orçamento e requereu urgentes providências.
Depois, eleito vereador no ano de 1894 o Dr. Motta, realizou o intento na construção do novo local para a destinação dos mortos e o consequente fechamento do cemitério comprometido. 
Por décadas o cemitério inativo permaneceu no lugar, com poucos traslados de restos mortais, e abandono de sepulturas em ruínas, até o ano de 1947.
A Igreja Presbiteriana obteve direitos em edificar seu templo no velho cemitério, parte destinada aos acatólicos, porém renunciou a posse em favor da Municipalidade. João Evangelista da Silva Neto e Ataliba Piedade Gonçalves, filho e genro do Coronel Tonico Lista, tiveram posse de duas datas no quarteirão do cemitério velho (Lei Municipal nº 419, de 30/12/1927).
3.3. Os cuidados com o abastecimento de água 
O engenheiro e vereador Motta lutou, arduamente, para tratamento da água no município, que esta fosse encanada "para que deixe de ser o rego d'agua foco permanente de febres palustres e uma fonte de despejos contínuos." 
Motta pretendia água tratada e levada às residências por encanamentos. Pelos recursos então disponíveis e os avanços em engenharia hidráulica, o sistema mais eficiente era a bomba a vapor que, através da pressão produzida pelas caldeiras faziam trabalhar os pistões que movimentavam uma roda, a qual fazia girar uma maior que bombeava, através de tubulações, água para reservatórios que deveriam ser construídos nos pontos altos da cidade, onde tratada e, então, distribuída para as casas, por gravidade.
Para melhor compreensão, o funcionamento de uma caldeira, nas proximidades onde a captação de água para o bombeamento, assemelhava-se ao mecanismo de locomotivas a vapor, tipo 'Maria Fumaça'. 
Não conseguiu êxito senão em melhorar os regos d'água não os deixando a céu aberto, inclusive sujeitando-se a multas aquele que viesse a danificar o rego ou poluir as águas.
3.4. O matadouro e a fiscalização de carnes
Outra luta do engenheiro e político Motta foi a pretensão em construir o matadouro municipal para abate de bovinos e suínos, com local sugerido ao final da rua General Osório, bem próximo onde o deságue do Ribeirão São Domingos no Rio Pardo, com a devida fiscalização municipal, em questões de higiene e saúde.
A ideia não era novidade para matança de gado bovino, já prevista no Código de Postura Municipal, de 1883, Capítulo IV – Da Salubridade Pública, artigos 37 ao 42, com as respectivas penas e multas. Não havia lugar determinado para abates.
Dr. Motta exigia, no entanto, o cumprimento do Código de Posturas do Município, com as regras do aditamento de 1889 e todas as normas de exigências para o setor de abates, pois que as matanças eram praticadas em lugares não adequados, sem as mínimas condições de higiene e nenhuma fiscalização. 
Para a construção do matadouro pretendia-se a barra do São Domingos, de propriedade do Major Firmino Manoel Rodrigues, sem qualquer acordo e o assunto entrou num plano secundário com a transferência do engenheiro e vereador Motta para o Rio de Janeiro em 1895. 
Em 1898 a Municipalidade desapropriou terreno pertencente a Marcos de Souza Prado, alagadiço e foco de doenças de veiculação hídrica, entre as duas pontes urbanas no rio Pardo (Livro Ata, Câmara, 28-0501898), e ali, pós-drenagem, fez-se o matadouro apenas para bovinos (CD: A/A - fotos), e os suínos não eram abatidos por ausências de espaço e regularização de normas (Correio do Sertão, 18/03/1902: 2).
Face a insalubre e sem condições de higiene no local, a Municipalidade construiu novo matadouro, referenciado em 1909, ao final da Rua General Ozorio e margem do rio Pardo (Lei Municipal nº 143, de 03/11/1909). Servia para abates de bovinos e suínos, mas já em 1911 reclamava-se da inadequação do prédio e carência de normas mais austeras para abates e fiscalizações do comércio de carnes e derivados porcinos. 
Em 1926 celebrou-se contrato entre a Municipalidade e o engenheiro Thomaz de Campos – morador em Piraju, para a construção de novo matadouro, desta feita na barra do São Domingos – no mesmo terreno da Zootecnia, um prédio de 18 metros de largura por 16 de fundos, com áreas distintas para abates de bovinos e suínos, além do local de pesagens e inspeção sanitária (Livro de Contratos, 20/12/1926). O Prefeito em exercício, Pedro Camarinha, confirma-o construído "na confluência do Rio Pardo com o S. Domingos" e a fiscalização dos transportes das 'carnes verdes' em carroções adequados (A Cidade, 06/02/1927: 1). 
O Matadouro outra vez sofreria mudança de endereço e melhorias de higiene:
  • "Dessa data em diante, ou mais precisamente, de 7 de setembro de 1939 para cá, que bois e suinos são mortos no edifício e instalações novas e modernas do atual Matadouro Municipal, construído alguns metros afastados do antigo" (Prefeitura, Relatório de Governo, janeiro de 1940). 
O Matadouro de 1939 funcionou até meado dos anos de 1980, quando desativado no Governo Onofre Rosa de Oliveira (1982/1988) por inadequações sanitárias.
3.5. Lixos urbanos e as medidas saneadoras 
Antes da edição do Código de Posturas de 1883, o lixo doméstico sólido ou o material inútil gerado pela atividade humana era queimado, no próprio quintal da casa. Eram os orgânicos – sobras de organismos vivos, vegetais ou animais que serviram de alimentação, além de restos, inclusos papéis, madeiras, folhas, os tecidos velhos e objetos imprestáveis. Alguns inorgânicos já faziam parte dos descartáveis, como vidros, latas e ferros entre outros.
Os mais ricos, para evitações de maus cheiros e consequências de queimas, ou até zelo da saúde familiar, determinavam que seus escravos conduzissem os lixos para lugar afastado, fora dos limites da povoação, e ali promovessem queima ou destinação final. Águas servidas e dejetos dessas famílias de maior aquisitivo eram coletados pela madrugada, em recipientes fechados – latões ou barris, colocados em carroções e conduzidos à margem do Rio Pardo, onde lançados pelos escravos ou negros libertos, conforme o tempo, que trabalhavam em serviços dessa natureza. 
  • As tradições lembram, vagamente, os 'negros tigres', carregadores de vasilhames com os excrementos, carregados aos ombros desde o veículo à rampa de lançamento. A ureia caía-lhes sobre os ombros e provocava surgimento de manchas claras, em forma de listras, sobre a pele escura. 
Não havia, portanto, coleta sistemática de lixo domiciliar, nem limpeza pública. Para manter limpas as ruas e praças, ou retirar animais mortos, o padre ou o fabriqueiro determinavam remoções, usando algum símplice que se dispusesse exercer as atividades. Os resíduos líquidos – águas servidas, em geral ficavam nos quintais, alguns lançavam nas latrinas, outros os faziam correr pelos passeios e ruas até estancarem-se.
As margens dos rios e ribeirões, os mananciais, as minas e regatos que corriam pelas ruas da povoação, não eram cuidadas. Das proximidades do cemitério descia um córrego em direção ao Ribeirão São Domingos, outros que passavam pela zona do meretrício e no domicílio dos leprosos, cujas águas eram utilizadas e devolvidas aos próprios cursos.
Não havia, destarte, cuidados sistemáticos em não deixar água parada nos quintais ou nas ruas, ou lixo acumulado, situações próprias para diversas doenças por contaminações diretas, como 'o cólera', a diarreia, a febre tifoide e doenças parasitárias, entre outras de naturezas não menos graves; e as indiretas: esquistossomose, leptospirose, febres diversas, perturbações gastrointestinais, infecções dos olhos, do nariz, dos ouvidos e da garganta.
Inexistia a educação em saúde pública, o saneamento era precário, senão inexistente, em termos de coletividade, e praticamente nulas as medidas profiláticas e não havia medicina preventiva.
Com a instituição da Câmara Municipal, a esta cumpria os cuidados com distribuição de água saudável à população; das limpezas das ruas e destinações dos lixos; do controle de animais soltos; das adoções de medidas para evitar moradias em lugares úmidos ou ambientes promíscuos; exigir dos moradores construções de ambientes para as defecações e urinações; além da identificação dos doentes sintomáticos, com as promoções de isolamentos e ou encaminhamentos para tratamentos. 
O Código de Posturas de 1883, previa medidas a serem adotadas pelo poder público, aparentemente de pouca ou nenhuma eficácia, a prevalecer a máxima de 'cada um ser o responsável por si e pela família', o que fazia limitar os gastos com a saúde local, mesmo nas crises sanitárias. 
Por conseguinte, não havia política do governo central ou provincial para as diversas regiões interiorizadas, sendo tratadas todas de maneiras iguais, sem observâncias para peculiaridades. Para o Império os problemas sanitários estavam sob os encargos e responsabilidades das Câmaras, exceto em casos de epidemias ou surgimentos endêmicos. 
O engenheiro e vereador Francelino Faria da Motta preocupou-se, também, com as políticas de saúde para o município, especialmente para a sede. Se não resolvidos os problemas, foi Dr. Motta o responsável pela desativação do velho cemitério, mas lhe foi impossível remover todos os sepultados e fazer um tratamento adequado do terreno, então abandonado por mais de meio século, a causar outros problemas de saúde.
Motta trabalhou pelas primeiras regras no trato com mercadorias de consumo, especialmente as carnes, estabelecendo critérios para matanças de animais de corte, em local próprio e fiscalizado através das normas de higiene. Também havia a preocupação com os regos de água potável, com o estancamento de águas servidas, com as destinações do lixo doméstico, e as recomendações de salubridade.
As lutas do Dr. Motta pecavam em carrear águas pluviais e servidas em canais de esgotamentos para deságues no Rio Pardo ou no Ribeirão São Domingos, ainda que fora do perímetro urbano. 
No século XX, Santa Cruz convivia com graves problemas de esgoto e lixo urbano. Em 1903, conforme artigo publicado na Coluna "Assumpto do Dia – Graves abusos na Cadeia", matérias fecais coletadas na cadeia eram levadas em barris para lançamentos no Rio Pardo. Mas o objeto da denúncia não estava na ausência da rede de esgoto e sim no uso de detentos, condenados ou aguardando julgamentos, para os serviços de transportes, fato considerado desrespeitoso à lei além de abuso da autoridade policial, considerando que o Regulamento nº 217, de 27 de novembro de 1898, em seu artigo 37, apenas obrigava os presos aos cuidados e serviços internos: 
  • "Sendo assim, a baldeação d’agua da fonte para a prisão e o transporte de barril de matérias fecaes das prisões para o Rio Pardo deverão ser feitos pelo carcereiro, e nunca pelos presos como aqui se pratica, porque para isso é preciso que elles saiam fóra das prisões, com manifesta violação do artigo 19 do cit. Regulamento que dispõe: 'o carcereiro não poderá usar preso algum, nem consentir que elle saia da prisão, sob qualquer pretexto, ainda que seja por momentos'-." (Correio do Sertão, 03/01/1903: 1).
Apesar das calamidades e total descaso com a saúde pública, durante todo o mando político do médico Abreu Sodré (1901/1907), o sanitarista Manoel Monteiro de Araripe Sucupira, Inspetor de Higiene na regional de Botucatu, mostrou-se impressionado com o regular estado de salubridade em Santa Cruz, graças à Câmara Municipal "incansavel em propor medidas, aconselhar melhoramentos para a perfeita higiene do lugar." (O Progresso, 15/10/1906: 1).
Os médicos santacruzenses, já ausente Sodré, cobravam da Câmara os rigores do Código de Posturas, quanto ao seu papel em orientar, fiscalizar e determinar remoções de lixo da cidade dando-lhes a destinação conveniente, fora do perímetro urbano, de modo não afetar a saúde pública. Exigiam, igualmente, a atenta vigilância para coibir águas servidas nos quintais, logradouros públicos e dos terrenos baldios que serviam de depósitos de lixos e águas estancadas. 
Em 1908 o Prefeito Olympio Rodrigues Pimentel fez publicar edital de concorrência pública para o serviço de limpeza das ruas e praças da cidade, inclusive as remoções de lixo doméstico e de águas servidas (Correio de Santa Cruz, 21/06/1908: 2-3), exigindo limpezas de terrenos baldios, feituras de calçamentos e muros, e determinar condições de higiene no abate e transportes de carnes para os açougues, e que estes também cumprissem regras de manipulações e exposições dos produtos.
Aos 20 de julho de 1908 a Municipalidade celebrou contrato com Ozorio Antonio Gonçalves, vencedor da concorrência para limpeza urbana diária, do chafariz e as ruas Saldanha Marinho, Visconde Pelotas, Euzebio de Queiroz, Conselheiro Dantas, até os extremos, as vias transversais, praças e limpezas dos bueiros (Câmara, Livro de Contratos, 1908). 
Para as execuções dos serviços foram exigidas carroças apropriadas para remoções do lixo e de águas servidas, sendo as destinações finais em locais indicados pela Prefeitura. Do pagamento mensal o contratado deveria depositar uma quantia (10%) na Prefeitura para garantias de multas.
3.6. Situação sanitária de 1915
O clinico Alcides Torres, ainda em Santa Cruz no ano de 1915, contra-atacou uma reportagem calamitosa do paulistano 'Jornal da Noite' sobre o estado sanitário de Santa Cruz, e forneceu informações que permitem avaliar o quadro sanitário santacruzense naquele ano (O Contemporaneo, 30/10/1915: 1): 
  • "Não é exacto que Santa Cruz, seja uma cidade assolada por epidemias; clinicando 9 annos, apenas observei 3 e a ultima do verão passado que foi a maior, foi a mais benigna que se estendeu na mesma epocha em todas as cidades e villas da zona Sorocabana." 
  • "O registro de obitos durante os mezes da epidemia palustre não excedeu a media da lethalidade normal da cidade, apezar de parte da população por ignorancia não procurar recursos medicos." 
  • "A Camara Municipal, organisou um serviço de assistencia publica, que eu dirigi gratuitamente, o qual prestou relevantes serviços." 
  • "Houve mesmo um começo de saneamento do Rio Pardo, drenagem, extincção de focos de anópheles, que não continuou por falta de recursos financeiros."
  • "E, depois o paludismo e proprio das terras ferteis, não é previlegio de nossa terra, é de todo Estado, não respeita clima, até o doce e temperado da bella França, pela sciencia está provado, é uma molestia evitavel e de prophilaxia conhecida."
  • "Porque razão o governo do Estado, não manda fazer em Santa Cruz do Rio Pardo, o serviço de aguas e exgottos e o saneamento do solo, o que não seria favor porque o municipio fez o sacrificio de construir o leito do ramal para o governo que até hoje não pagou a dívida sagrada?"
  • "É uma injustiça em egualdade de circunstancias tratar de um modo Santa Cruz e de outro Pirajú." 
  • "Só faltava agora depois de esquecidos pelo governo que a imprensa da Capital se lembrasse de nós para uma campanha irritante, injusta e cruel!"
  • "É incrível que um Estado progressista despreze uma região tão rica e productora por motivos que ignoramos." 
Ainda em 1915, conforme notícia em 'O Contemporaneo', o Prefeito Antonio Evangelista da Silva – Tonico Lista, promovera saneamento nas margens do Rio Pardo e Ribeirão São Domingos, pelo sistema de drenagem, inclusive no Rio Pardo deixou o solo "completamente secco sem as águas estagnadas, e extinctos portanto os fócos de esanofeles." (O Contemporaneo, 30/10/1915: 2).
Pela mesma reportagem:
  • "O ribeirão S. Domingos em que haviam duas represas que foram demolidas, corre actualmente com toda a facilidade sem impecilho algum (...). Podemos portanto ficar tranquillos que o paludismo este anno não nos atacará pois, alem do serviço de hygiene já feito, outros serão em breve postos em execução." 
Apesar dos feitos Santa Cruz convivia com problemas calamitosos. 
3.7. Precariedade sanitária prevalente em 1923
No ano de 1917 Santa Cruz se preocupava com as destinações de águas servidas e esgotos, tanto que a Câmara, em sessão extraordinária de 04 de maio, aprovou com emendas projeto de concessão, por trinta anos, ao Coronel Sebastião Louzada ou à empresa que ele viesse organizar, para os serviços de abastecimento de água e instalação de rede de esgoto (O Contemporâneo, 12/05/1917: 2-3). 
Após tramitações de praxe e pareceres das comissões, na sessão ordinária de 02 de julho de 1917 a Câmara Municipal aprovou autorização para o Prefeito celebrar o contrato, para os serviços de abastecimento de água e esgotos, na forma da concessão outorgada ao Coronel Louzada.
O lixo urbano era outra situação crítica. A municipalidade, para pronta solução determinou lugar para o depósito do lixo urbano no extremo da cidade onde confina com a "a antiga Chacara do Peixe, próximo á Chacara do senhor Pedro de Andrade." (O Contemporaneo, 05/10/1917: 2), um apartado abaixo da atual Rua Joaquim Manoel de Andrade, entre as vias Padre Pio Giocondo de Lorgna e Pedro Manoel de Andrade.
Luiz Costa de Abreu Sodré - L.C. Sodré, em seu trabalho universitário Inspeção Sanitária de Santa Cruz do Rio Pardo*, de 1923, num panorama geral, à página 7, apontava para Santa Cruz, zona urbana, 4 mil habitantes em 800 domicílios, e apenas dois prédios possuíam rede de esgoto, a Cadeia Pública e o Grupo Escolar. O lugar era servido por duas pontes sobre o Rio Pardo, possuía 41 ruas e 7 praças, uma delas com parque e jardim com coreto, e eram regulares os serviços de rede elétrica.
L.C. Sodré tinha visão crítica a respeito do saneamento básico e das medidas profiláticas adotadas para a sede do município, conforme item dedicado aos 'Detritos e Limpeza Geral', informando que o lixo urbano era coletado, dia sim e dia não, apenas na parte mais central da cidade, por dois veículos, um para material sólido despejado em caixões, e outro para as águas servidas ou de lavagens em latões ou pipas. 
O lixo sólido era despejado a céu aberto, em terrenos baldios destinados a esse fim, e o lugar mais usual eram terrenos situados 150 metros acima do hospital Santa Casa, dentro do perímetro urbano, sem as devidas atenções à saúde pública, lugar frequentado por urubus, animais roedores e de rastejamento, além de artrópodes inoportunos e de peçonhas, com fedor importunante, e a agravante presença de porcos e aves disputando restos. A parte líquida era desejada no Rio Pardo (LC Sodré, op.cit: 15).
As duas situações demonstravam descasos das autoridades com o saneamento básico e com os fatores de poluição e insalubridade, com agravante dos terrenos baldios centrais e nas periferias, com amontados de restos de construções, matagais e lixos despejados, além de latrinas abandonadas. 
Afora as moscas domésticas, nas águas paradas e margens alagadas do rio e ribeirão proliferavam o mosquito 'cullex fatigans ou quinquefasciatus' (LC Sodré, op.cit: 16), de hábito noturno e que já se sabia, à época, causadores de preocupações em Saúde Pública, como vetor da 'elefantíase' e a 'hidrocele quilosa', além de transmissor secundário da 'Oropouche' – febre viral. 
L.C. Sodré também constatara naqueles ambientes as presenças de 'Stegomyia Calopus', o vetor da febre amarela, já com adaptações domésticas proliferando em vasilhames imprestáveis, cacos de garrafas, calhas de telhados, vasos e até urnas no cemitério, com possibilidades de surtos em qualquer época do ano.
Outro grave problema para a saúde pública era a criação de porcos em quintais urbanos, destacados dois grandes criadouros às margens do ribeirão São Domingos, com duas centenas ou mais de animais, situados entre o lugar onde as mulheres lavavam roupas – região do chafariz, e o 'domicilio dos leprosos' – local de presença e atividades da hanseniana Rita Generoza de Andrade – Ritinha Emboava, e outros doentes:
  • "Cumpre ainda menccionar aqui, um facto, digno da indolencia, fatalismo indiferença dos fiscaes da Camara Municipal: o ribeirão antes de passar pelos chiqueiros acima referidos passa pelos fundos de quintal de uma familia de leprosos em estado adeiantado – ahi são lavadas por elles proprios suas roupas – em aguas onde mais tarde toda a população manda lavar suas roupas." (LC Sodré, op.cit: 17-18). 
Quanto a presença de hansenianos, com uso direto ou indireto das águas do ribeirão, sem méritos dos autores quanto a possíveis contaminações, todavia, das criações de porcos, há que se concluir efetivamente prejudicial ao homem, porque os animais pisavam, banhavam-se, defecavam, urinavam e alguns morriam, e tudo isto podendo ser arrastados, com verminoses possíveis e outras impurezas, ribeirão abaixo, situações capazes de interferir na qualidade da água e mesmo impregnar roupas lavadas, a ponto de intrometer-se na saúde humana. 
De maneira igual era fato, onde a quantidade de porcos, ocorrer a contaminação do lençol freático e as infestações de parasitas em ribeirões, e a possibilidade de alguma condição para doenças de veiculação hídrica, ou em relação a água utilizada. A imundície de chiqueiros, além de cheiro horrível, facultava infestações de moscas, e a 'Tunga Penetrans' – o conhecido 'bicho de pé' propício em terreno seco e arenoso.
  • *L.C. Sodré, então formando em medicina no ano de 1923, insere em referido trabalho situações sanitárias santacruzenses de 1902/1907 e 1922/1923, sem distingui-las, por exemplos 'fotos tiradas' de situações quando seu pai era o chefe político local.
3.8. Dos vícios, mendicâncias e prostituições
Sobre o assunto L.C. Sodré escreveu, de maneira tímida, todavia esclarecedora, que até o ano de 1923 o pauperismo não era significativo e a mendicância praticamente nula no município, senão, as notas da imprensa sobre os hansenianos – os leprosos ou morféticos, conforme denominações da época, que vinham esmolar na zona urbana.
L.C. Sodré informava sobre o alcoolismo e a prostituição como flagelos "que os poucos precavidos não escapam", revelando "alguns outros vicios mais dilectantes (cocaina e morphina) os vicios mais praticaveis pelos elementos mais perniciosos", sem apontamentos de causas e desdobramentos (LC Sodré, 1923: 51).
Para a época, ou mesmo retrocedendo à última quinzena de anos do século XIX, até onde alcançam os assuntos para a região, os tais flagelos sociais agravaram-se a partir da abolição da escravatura negra, ou período de transição da mão de obra cativa para a livre, quando os libertos, desconhecendo as regras da convivência, entregaram-se às desagregações, porque a sociedade e os organismos da época, não estavam preparados para inseri-los no contexto social, cerceando-lhes as oportunidades de vida decente, repelindo-os para as periferias onde formados os primeiros bolsões urbanos de miséria. 
Os declarados livres tornaram-se indolentes, ineficientes para o trabalho e embrutecidos, rapidamente entregues à vida dissoluta, fanfarrices e bebidas, porque era assim que entendiam a liberdade. Em pouco tempo suas crianças e os seus velhos tornaram-se mendicantes, enquanto as filhas jovens encaminhadas para a prostituição, muitas vezes subsidiando adultos metidos na marginalidade.
A promiscuidade propiciava disseminação das doenças sexualmente transmissíveis, onde a estupidez cultural ditava, por exemplo, que a gonorreia adquirida deveria ser repassada a outra pessoa, para o processo da cura, e assim o seu alastramento e consequências.
Tais situações facultavam aos integrantes desse segmento social marginalizado, maior exposição aos vícios ou situações de riscos, sendo mais comum o alcoolismo, mas outras dependências eram notadas, por exemplo, o uso indiscriminado do cânhamo – de livre comércio para alimentação de pássaros cativos, cujas sementes maceradas eram fumadas, misturadas ou não ao tabaco.
Outra gravidade era o livre uso da cocaína, já com a transmigração do propósito medicinal ao narcótico viciante, agregado ou não ao rapé, ou a mascação com fumo, para economia do produto base. 
Quanto ao ópio e seus derivados, inicialmente para tratamentos de determinadas moléstias, descobriu-se maneiras de utilizações das drogas viciantes, como a morfina ou o próprio ópio inalado. 
O comércio tornou-se lucrativo, e o uso das drogas difundido para outras camadas sociais, de melhor poder aquisitivo, sendo as zonas de meretrício os pontos intermediários de compra e vendas das substâncias. 
As drogas não eram sintetizadas e nem conhecidas suas estruturas químicas, ou não compreendidas de modo satisfatório, mas o consumo, podia-se dizer, era elevado e crescente, porque, associado empiricamente a outras propriedades, mais comumente o álcool, a gerar dependências, aprofundando os fenômenos antissociais para se fazer dinheiro destinado às aquisições das drogas.
Análise acurada remete essa marginalização aos tempos da chegada do branco à região, produzindo os primeiros vagabundos advindos da população indígena, antes senhora das terras, com usos, costumes e tabus, de repente escorraçada, obrigada a perambulagem, e viciada em bebida alcoólica derivada da cana, além de seus próprios aguardentes disseminados. Até os aldeamentos montavam alambiques para ali manterem os índios que seriam disponibilizados para os serviços gratuitos obrigacionais. 
Entre os brancos, do século XIX aos primeiros sessenta anos do século XX, era forte e impositiva a estrutura familiar centrada no patriarcado, que evitava ou bem escondia o problema das drogas, visíveis apenas naqueles indivíduos ditos desajustados e, tendo condições, a família mandava interná-los nalgum sanatório ou colégio 'linha dura', tornando-o militar, padre ou perdendo-se a ponto da mendicância. O desaparecimento do patriarcado e a quebra da estrutura familiar, revelaram situações nunca imaginadas, como o homossexualismo ou as combinações de bissexualidade, reveladas a partir dos anos de 1970, coisas antes de pervertidos.
À mesma maneira, em tempos anteriores aos anos de 1950 – com menor rigor e em algumas famílias ainda nos anos de 1970, as jovens 'desonestadas', as grávidas antes do casamento, e as abusadas sexualmente, por estupro, ora salvavam-se pelo casamento que até custavam rompimento definitivo com a família, ora metidas no meretrício, ou nalgum convento, quando não simplesmente abandonadas e aí, quase sempre, a prostituição por destino e a mendicância para o final precoce de vida, geralmente com alguma moléstia manifestada.
Até as vítimas de violência sexual na infância, consideradas 'estragadas', eram separadas do convívio familiar, e não raras vezes a família atingida, julgando-se pejada, deixava o lugar.
As prostitutas chegaram com os pioneiros e se instalaram um tanto distante do centro urbano residencial. É preciso compreender que a prostituição era entendida, em todo século XIX e grande parte do século XX, numa sociedade machista, como mal necessário para a preservação da moral social e, assim, evitar dramas familiares de moças defloradas.
Muitas mulheres índias, possuídas por bugreiros, foram encaminhadas à zona do meretrício tão logo as chegadas das famílias. Mulheres pardas, mamelucas ou cafuzas, assinaladas pela escravatura, quase sempre optavam pelo meretrício em troca da alforria. Alguns senhores exploravam as belas mulheres de seus plantéis; outros mantinham suas amantes como donas de casas de prostituições.
Se a prostituição, segundo entendimento da época, era útil para conter a impetuosidade sexual dos não casados, ou preservar os bons costumes, além das iniciações dos 'jovens machos' na sexualidade, por outro lado as prostitutas eram afronta às mulheres do lar, porque os maridos também buscavam formas de prazeres condenáveis de se praticarem com as esposas.
Às zonas do baixo meretrício associavam-se as transgressões, os vícios e as criminalidades. As bebidas, drogas proibidas, sexo libertino e promiscuidades contribuíam significativamente para os agravos à saúde, com as doenças sexualmente transmissíveis e as associadas ou consequentes, por exemplo, a tuberculose. 
Na continuidade, cumpre abordar o 'flagelo do jogo', vício assolador de muitas famílias santacruzenses desde os primeiros tempos. Os jogos, envolvendo apostas, revelavam elementos compulsivos, aqueles que mesmo perdedores de altas quantias, retornavam e jogam mais, com o objetivo de recuperar a perda anterior, como verdadeiro desastre que atingia todas as classes sociais, mas entre os ricos repercutiam os maiores escândalos, e nessa classe privilegiada, até as mulheres respeitáveis envolviam-se em jogatinas.
A exemplo de acontecimentos em outras localidades, o jogo também se tornou o principal fenômeno desagregador familiar santacruzense, causa de ruínas financeiras e suicídios, reduzindo à miséria famílias antes prósperas, responsável por situações de prostituições de membros da família, sexo feminino, ou de casamentos arranjados em troca das dívidas.
Os jogos de apostas sempre acompanharam os sertanejos. No sertão jogava-se o permitido, como os jogos de diversões, e o proibido, especificados nos jogos de azar, uma tênue separação facilmente burlada. O Código de Posturas do Município identificava quais os divertimentos liberados e aqueles vedados e sujeitos a multas e prisão, porém os ricos jamais foram perturbados em seus 'folguedos', mesmo onde, sabidamente, a prática de jogos proibidos, envolvendo apostas milionárias. Aliás, as apostas eram comuns, desde as loterias de governos, provincial e imperial, aos carteados, bingos, corridas de cavalos, e as brigas de galos, de pássaros, de cães e de touros, entre outras tantas, caras, proibidas e estúpidas diversões. 
Em todos clubes santacruzenses da época praticavam-se jogos permitidos e proibidos, sendo os últimos deles, pela notoriedade de dramas causados, o Clube [do] Xadrez e o Clube dos Vinte, além de um espaço na Zona do Meretrício, onde os dramas dos jogos de azar misturavam-se aos 'casos de amor', com as violências e agressões de praxe, aos homicídios e suicídios. Santa Cruz teve cassino e casas de jogos, quando nos tempos tolerados ou legalmente permitidos.
O 'Jogo do Bicho', até culturalmente aceito, ainda que contravenção penal, também entra na discussão. Trata-se de bolsa [atualmente] ilegal de aposta, sem documentação legitimada, contudo firmada na confiabilidade de 'quem ganha recebe'. O 'Jogo do Bicho' gera empregos e movimenta milhares de reais, diariamente, em Santa Cruz, ainda que a maior parte da arrecadação seja remetida a centros maiores, onde fixados os grandes 'banqueiros'. 
O 'Jogo do Bicho', inventado em 1892 e proibido desde nos anos de 1940, é controvertido até mesmo quanto a sua legalização ou não, para muitos uma prática barata de se tentar vida melhor, que auxilia famílias e não seria fenômeno desagregador. Outros entendem que por trás dessa inocente e benfazeja prática residam os grandes males da sociedade, identificados na violência urbana, na 'máfia dos caça-níqueis', nas corrupções de autoridades, nas 'lavagens' de dinheiro, nos grandes contrabandos - inclusive de armamentos e tráfico de drogas.
Para os críticos, o 'Jogo do Bicho' é viciante e tem gerado transtornos familiares e mesmo sociais, principalmente nas camadas mais pobres, onde se encontram os vulneráveis às ações bandidas dos responsáveis pelo jogo e das atividades nocivas, consequentes e interligadas. Por conseguinte, não há comparação da prática do 'Jogo do Bicho' com as loterias legalizadas e bancadas pelo governo, sob o compromisso de investimentos sociais.
De outra maneira, existiam os jogos eventualmente tolerados, em formas de 'bingos' com apostas e grandes lucros aos organizadores, em nome de duvidosas parcelas de destinações sociais, esportivas e ou assistenciais. Muitas vezes, excetuando-se os 'bingos' sabidamente assistenciais localizados, os administradores da prática são, geralmente, compactuados com o crime organizado. 
Na atualidade o vício do jogo é visto como terceira maior causa de dependência nociva do indivíduo, abaixo do cigarro e da bebida, talvez agora emparelhado às drogas proibidas e permitidas, porque quase sempre o viciado em jogo seja, necessitadamente, recorrente àquelas compensações. 
Dos agravos identificados, alguns são considerados problemas de saúde, exigentes de tratamentos especializados, mas ainda não se tem um divisor a partir de quando o indivíduo pode ser considerado doente ou dependente, pois são muitas as variáveis e alguns pontos altamente polêmicos, como o homossexualismo, visto como opção de vida, práticas desejadas, sentimentos, doença, e outras discussões, aqui desnecessárias.
As drogas – mais antigamente, associadas ou não a outros fatores, não pareciam causas de violências, à exceção do álcool. Atualmente entende-se que privação de aquisições na infância – desigualdade social, a desestrutura familiar e o uso de droga, como fenômenos associados, são causas de extremada violência.
Assim se apresentava Santa Cruz do Rio Pardo nos anos de 1950.
3.9. Relatório do Dr. Lintz – A Saúde Pública e Assistência Hospitalar em 1939
O médico Dr. José Lintz Filho, na Chefia do Centro de Saúde local, descreveu em 1939 extenso relatório, quanto a situação da saúde pública e de assistência hospitalar santacruzense. 
Lintz Filho iniciou o descritivo informando da anterior endemia de paludismo no município, que atingiu as populações ribeirinhas do Pardo, Turvo e Alambari, e ainda prevaleciam, em 1939, nos pauis marginais do Turvo, "não obstante as prontas e custosas providências do Departamento de Saúde do Estado de São Paulo, criadouros onde a proliferações de anofelinos vectores", favorecidos pelo assombreamento das matas.
O facultativo lançou discussão que a incidência maior do paludismo se devia aos migrantes nordestinos "quase todos são portadores de hematozoários" – agentes do paludismo ou malária, mas que a 'Doença de Laveran' – causada por protozoários, achava-se em processo de debelação. Quanto à febre amarela, tipo silvestre, Lintz destacou o ápice de acometimentos em 1936/1937, e nenhum caso, mesmo suspeito, em 1938, dados esforços do Serviço Especial de Defesa do Estado de São Paulo, cujo controle a seguir tornou-se responsabilidade da Fundação [de Saúde] Rockfeller.
O tifo-paratifo em 1939 era o grande mal santacruzense, tendo como causas as águas de poços invariavelmente contaminadas por fossas e latrinas próximas, e o Dr. Lintz esperava solução com o início da distribuição de água por rede de abastecimento e a construção de esgotos, já na programação municipal.
A 'solução do tifo-paratifo' somente aconteceria quase três décadas depois, com os fechamentos obrigatórios das fontes de águas, das quais se valiam os distribuidores – exemplo a Fonte de Água Samaritana, etc, as eliminações de fossas e latrinas, e rede de esgoto mais eficiente também estendidas às vilas.
O Relatório de Lintz considerava modelar o Serviço de Profilaxia da Lepra do Estado de São Paulo, com boa atuação nos casos surgidos em Santa Cruz; entendendo a tuberculose como casos famélicos – de subalimentação, de ignorância e descasos higiênicos; e a verminose como "a mais notável ancilostomíase, sendo que nas populações rurais a porcentagem de opilados chegava aos 70%", porém nas crianças do Grupo Escolar situava-se em 30%, com maior incidência para o sexo feminino. Ainda no meio escolar a detecção de tracomatosos situava-se em torno de 3,5%. 
A população santacruzense também era acometida de disenterias bacilar e amebiana, atribuídas comuns nos países tropicais. 
No relatório percebe-se ausências de detalhamentos sobre a leishmaniose, nenhuma melhor informação sobre esquistossomose – Schistosoma mansoni – parasita que se instala em caramujos de água doce e tem no homem o hospedeiro definitivo. 
Outro esquecimento, o Mal ou Doença de Chagas [Tripanossomíase americana] causada pelo Trypanosoma cruzi – protozoário parasita transmitido pelas fezes do inseto (triatoma), conhecido como barbeiro.
Na 'visão' de Lintz:
  • "A cidade é toda de um perfeito serviço de policiamento sanitario e prevenção das moléstias, representado por seu Centro de Saúde, com um médico-chefe, um médico-sanitarista, dois secretarios, oito guardas sanitarios e uma servente. É uma dependência do Departamento de Saúde do Estado. Suas instalações e serviços têm sido de gra, digo de grande alcance e eficiência, mórmente na parte referente à epidemiologia." 
Lintz, também descreve sobre a assistência hospitalar santacruzense:
  • "A assistência hospitalar no municipio de Santa Cruz do Rio Pardo, resume-se, infelizmente, a um único hospital de caridade localizado na própria sede. Trata-se de um prédio deficiente sob todos os pontos de vista dos apetrechos indispensáveis." 
O médico relator destacou os bons serviços da equipe do nosocômio, enumerou as aparelhagens existentes, as subvenções de governos, tratamento de indigentes e outras atividades, prevendo melhorias:
  • "Presentemente acha-se em construção o novo edificio, e que, uma vez pronto, será um dos mais importantes e bem dotados de toda a zona da Alta Sorocabana. Nele não faltarão todos os requisitos modernos a um bom hospital." 
O relato no tocante a assistência hospitalar resume-se em números de internados – entradas, saídas e óbitos, sem nenhuma descrição das causas de internamentos e dos óbitos.
  • "Convem salientar que nesse precario hospital, graças à capacidade profissional dos clinicos da Santa Casa, praticam-se as mais difíceis intervenções de alta cirurgia."
O Relatório do Dr. Lintz pode ser entendido como simplista, distorcido da realidade, servindo apenas para aquilatar o governo de Leônidas 'Lulu' Camarinha, positivamente, quanto aos serviços sanitários, medidas profiláticas, defesas contra endemias e moléstias surgentes:
  • "A Prefeitura local sempre e ainda empresta o seu decidido apoio a tudo o que se refira à Saúde Publica, quer subvencionando adjutoriamente suas instituições neste município, quer cooperando valiosamente com as autoridades sanitárias. Oxalá todas as Prefeituras do Brasil seguissem seu luminoso exemplo!" 
O prefeito Leônidas Camarinha, pela conveniência ou sua vontade satisfeita, fez publicar na íntegra o Relatório do Dr. José Lintz Filho (Revista da Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, janeiro de 1940: 21-25).
3.10. As mudanças nos conceitos em Saúde Pública
O médico Aparecido Rodrigues Mouco – Dr. Mouco, nos anos de 1960 iniciou empreitada para o fechamento de chiqueiros na zona urbana, agindo da mesma maneira com os estábulos, as cocheiras e os criadouros de caprinos. Também fez encerrar os pontos distribuidores de águas para consumo humano, sem o tratamento adequado ou aprovações por órgãos competentes, por exemplos, a Fonte Samaritana que engarrafava o produto para vendas, ou o 'Poço do Matias Ban' que vendia e distribuía água aos fregueses sem o tratamento adequado, além de proibir irrigação artificial em hortas à beira do Ribeirão São Domingos, contaminado pelo lançamento irregular de esgoto não tratado.
Nos anos de 1970/1980 Mouco requereu a reforma do matadouro local, dentro das normas exigidas pelo Código Sanitário em vigor, exigindo fiscalização no abate de animais para o consumo, inclusive com o controle da saúde animal e qualidade no transporte, concorrendo para cercear matanças clandestinas, assomando-se a isto as inspeções sistemáticas nos açougues, casas de carne, supermercados, bares, restaurantes, lanchonetes e feiras, além combater a arraigada prática de venda de leite 'in natura'. 
Outra árdua luta foi exigir das autoridades municipais que os lixos domésticos, comerciais e industriais fossem colocados em aterros sanitários, com encaminhamento dos lixos hospitalares de clínicas e consultórios para incinerações.
Então o lixo em Santa Cruz era amontoado em locais pouco distantes do perímetro urbano ou mesmo dentro, partes na Chácara Peixe, servindo para preencher vazios provocados por erosões. As situações assim facilitavam presenças de 'catadores' de restos indesejáveis para a população de melhor renda. Alguns moradores vizinhos criavam porcos soltos no lixão, onde alimentavam-se, e depois de abatidos suas carnes eram colocadas no mercado consumidor.
O lixo não era selecionado e então despejados juntos aos restos orgânicos, os vidros, plásticos, madeiras e descartáveis hospitalares e de consultórios. Por conseguinte, os aterros, quando promovidos, não tinham a impermeabilização recomendada, ou que neles fossem colocadas canaletas para a condução do chorume, até os tanques secos e areados onde transformados, então, em adubos para hortas e outras culturas domésticas, reconhecidamente procedimento caro e sem visualizações políticas.
O Governo Onofre Rosa de Oliveira (1982/1988) optou por 'usinar' o lixo doméstico com seleção manual dos inorgânicos, e o resultado esperado seria o rendimento de 50% de composto orgânico do lixo recolhido, inovação para o lugar, uma característica do Prefeito Onofre que também adquirira uma varredora motorizada para limpeza das vias públicas.
Onofre enfrentou dificuldades: a usina ficava em perímetro urbano, o cheiro era forte e a 'CETESB – Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Básico' não lhe foi nada complacente. Também não havia comércio para a saída dos recicláveis, nem mercado para a venda do adubo produzido, além que a ideia foi adotada por cidades da região, a exemplo da vizinha localidade de Ourinhos.
A usina encerrou atividades e o lixo retornou aos amontoados e, depois, novamente em aterro sanitário, assim ainda em 2010, todavia com reciclagem antes das coletas, e mesmo no local de aterramento. Recicladores individuais ou através da 'HATUA - HOMENS ASSOCIADOS TRABALHANDO UNIDOS EM AÇÃO', associação fundada em 2002, com incentivo da Prefeitura e apoio não obrigacional do comércio, das indústrias, dos clubes e até de residências. A Associação tem apoio da Prefeitura que lhe destinou local – o antigo matadouro, arrumou veículos e manutenções, além de facilitar aquisições diversas e necessárias para as atividades.
Grande associada da 'HATUA' foi a empresa Topeplas, de Santa Cruz, especializada no fabrico de sacos de lixo e sacolas fabricados a partir do reaproveitamento de embalagens plásticas, em média 30% mais em conta que as de fabricação tradicional, com um problema, porém, a proibição legal do uso do plástico reciclado em contato com produtos alimentícios. A parceria não prosperou.
Sem o apoio político e gerenciamento adequado, além da localização sujeita a enchentes, em 2012 a HATUA não tinha mais condições de sustentações. Um incêndio, a seguir, tecnicamente encerrou a atividade comunitária de reciclagem, desde então restrita a empresa particular. 
O lixo santacruzense (2013) é depositado em aterro sanitário, já saturado e carente de novo lugar.
3.11. Das ações em saúde pública e responsabilidades sanitárias
Os serviços públicos de saúde, durante o Império, subordinavam-se à Junta Central da Higiene Pública estruturada a partir de 1850, para o saneamento das cidades, a fiscalização da alimentação pública, a profilaxia rural e a vigilância com a saúde coletiva estiveram a cargo das Câmaras Municipais ou do Governo Imperial, a quem a decisão final e os programas de execuções. 
As responsabilidades sanitárias, então, centravam-se nas cabeças de comarcas, de onde partiam equipes de atendimento e controle das doenças transmitidas por vetores, com reconhecimento ou não dos transmissores, através da higiene profilática agressiva, o isolamento domiciliar dos portadores de moléstias transmissíveis, ou assim entendidas, e a desinfecção ou incendimentos das casas, sem qualquer protocolo ou estratégias de prevenção.
Em 1884 instituiu-se a Inspetoria de Higiene Pública da Província de São Paulo, muito mais no caráter de supervisão, diminuindo as atribuições municipais, com perda de eficiência diante da política flutuante, modificada de governo para governo, quanto aos investimentos e prioridades, ou seja, a ausência de continuidade para ações de saúde, destarte sem resolutividades práticas em causa do centralismo imperial e das medidas mais efetivas apenas nos grandes centros. Também se atribuem os fracassos da Inspetoria de Higiene pelas dificuldades em se fixar médicos no interior paulista.
Com o advento da república estabeleceu-se a autonomia [relativa] do estado – antes província, com a reestruturação da Inspetoria de Higiene, em 1891, coordenadora dos programas sanitários e ações de saúde geridas pelo município, através de equipe municipal subordinada a um Delegado de Higiene, nomeado e mantido pelo Estado, sendo nomeado para Santa Cruz o médico João Cândido de Souza Fortes, aos 13 de agosto de 1891.
3.12. Epidemia de varíola – surto de 1891
Com população de 5.529 habitantes somados os moradores de Óleo, Ilha Grande [Ipaussu] e Salto Grande (IBGE, Censo de 1890), Santa Cruz teve em 1891 o primeiro surto variólico que se tem notícia oficial, e nele envolveu-se o médico João Cândido de Souza Fortes, Delegado de Higiene, para as vacinações iniciadas no mês de setembro de 1891 (DOSP, 01/10/1891). 
Sem qualquer relatório oficial encontrado nas repartições públicas locais, até os óbitos ocorridos no período foram excluídos, para desta forma mutilar história santacruzense, quando padre Bartholomeu Comenale era a autoridade maior municipal, em 1892/1893, e fez transcrever os livros eclesiais e cartoriais do ano anterior.
No livro eclesial de óbitos – volume 1 para o período de 1883 a 1897, os registros para 1891 cessam em 28 de janeiro de 1891, à folha 41 – verso, sob o número 17, para em seguida constar o de número 18 com data inserida de 04 de dezembro de 1888 – preenchimento tardio, enquanto o de número 19 refere-se a 31 de janeiro de 1896, já com assinatura do Padre Paschoal Maria Giffoni, indicando, com isso, o desaparecimento de algum livro e dados propositadamente suprimidos. 
O Cartório de Registro Civil local não traz os registros de óbitos ocorridos no ano de 1891, período descrito, perdendo-se, por exemplo, o assento da morte de Joaquim Manoel de Andrade. 
Igualmente não constam os registros epidemiológicos de 1891 e os óbitos decorrentes da varíola no período, a cumprir tão somente recorrência ao Diário Oficial do Estado para acompanhamentos das ações das autoridades envolvidas, e, assim, dimensionar a gravidade do grande surto epidêmico que assolou Santa Cruz. Certamente relatórios existem, ainda não localizados.
Detectada a epidemia em Santa Cruz, o Governo de São Paulo providenciou "remessa de tubos de limpha vaccinica" (DOSP, 01/10/1891), por via férrea até a gare de Botucatu, e daí por entregadores, a cavalo em galope máximo, com repasses de distância em distância a outro cavaleiro. Da mesma maneira, algum telegrama necessário de Santa Cruz a outra localidade era levado até Botucatu, de onde emitido ao destino. 
As sequências imediatas de correspondências, de pedidos e providências mútuas entre o Governo do Estado e Município, não teriam a eficiência se não fosse o uso de telégrafo. 
A população temia a doença ao mesmo tempo que resistia ao plano de saneamento e, sobretudo à vacinação – então inédita, ressalvas estas por saber que a vacina era produzida a partir de vitelos, desde 1887, e a situação poderia escapar do controle e tratamento.
As autoridades de governo recomendavam isolamentos extradomiciliares dos enfermos, nalgum isolamento, para se evitar contágios, bastante certo que a isto opunham-se os ricos, que não desejavam internamento junto aos indigentes. Em Santa Cruz, no centro urbano, o local de confinamento era um barracão, destinado para tais fins, na chácara do médico italiano Dr. Samuel Genuta, segundo as tradições e indicativos históricos.
Apesar das presenças do médico Dr. Fortes em Santa Cruz, e do italiano Samuel Genuta, o Juiz de Direito e o Juiz Municipal solicitaram do Governo do Estado fosse providenciado um médico "afim incumbir-se do tratamento de variolosos indigentes" (DOSP, 14/10/1891). O pedido denota desentendimento entre as autoridades locais e o médico Fortes, e tal solicitação do Judiciário local faz compreender o ensejo da sociedade em evitar tratamento igual para os doentes socialmente desiguais.
Dr. Fortes, como Delegado de Higiene, reagiu a essa situação para comunicar ao governo ser ele quem à frente do tratamento de variolosos no município, e apenas a ele cumpria as decisões e ações tomadas no combate à epidemia (DOSP, 15/10/1891).
Não foram encontrados registros, mas as discórdias teriam prosseguido e o médico Dr. Fortes momentaneamente teria deixado o cargo, assim depreendido do comunicado da Inspetoria de Higiene, "ter o dr. delegado de hygiene de Santa Cruz do Rio Pardo reassumido o seu cargo e por isto achar desnecessaria a nomeação de um medico para tratar dos indigentes atacados de variola n'aquella villa." (DOSP, 17/10/1891).
Dr. Fortes saiu fortalecido, e aos 17 de dezembro de 1891, "Conforme participou o Dr. Delegado de Hygiene de Santa Cruz do Rio Pardo, acha-se extinta na mesma localidade a epidemia de varíola." (DOSP, 17/12/1891). 
A Inspetoria de Higiene foi acabada pela Lei nº 43, de 18 de julho de 1892, com a reforma dos serviços sanitários em São Paulo, numa ambiciosa legislação firmada pelo Decreto nº 87, de 29 de julho do mesmo ano de 1892, criando para o Estado de São Paulo o Serviço Sanitário Estadual, vinculado à Secretaria do Interior, ato denominado de estadualização dos serviços de saúde, com sedes nas cabeças de comarcas, continuando sob a responsabilidade das Câmaras, e o Dr. Fortes permaneceu à frente dos serviços de saúde no município, ainda nos anos de 1892 e 1893.
Com a implantação do Serviço Sanitário Estadual as prevenções e decisões ao atendimento de saúde ficaram mais rápidas e eficientes, vistas comprovações nos combates à varíola, malária e febre amarela, cujos surtos após 1894, em muitas cidades do interior, inclusive Santa Cruz do Rio Pardo, cuja sede era Botucatu.
4. Nosocômios
4.1. Lazareto
Na Santa Cruz do século XIX não havia nenhuma estrutura hospitalar, embora nem sempre recomendado tratamento 'em casa' sem risco de contágio, necessitando, para tanto, a construção de um lazareto, para quarentena de pessoas suspeitas de doenças infectocontagiosas, ou, assim concebidas na época. 
No ano de 1898 determinou-se local de confinamento de doentes variolosos, na chácara de um tal Florêncio, lugar não identificado (Livro Ata, Câmara, 28/05/1898).
O Correio do Sertão (24/05/1902: 1) fez referência a algum possível isolamento existente em Santa Cruz, numa chácara, aonde confinado um varioloso, de passagem, "para não sacrificar a população desta cidade".
No ano seguinte a Câmara cogitou a construção de um lazareto no "alto da Villa de S. José, suburbio dessa cidade, sendo que nesse logar já se nota grande quantidade de pedras e tijolos, devendo em breve ser lançada a primeira pedra" (Correio Paulistano, 21/04/1899: 2).
Antigo mapa urbano santacruzense, ainda do século XIX, para o Patrimônio de Santo Antonio – atual Bairro São José, aponta o lugar escolhido para o isolamento extradomiciliar de doentes de enfermidades infectocontagiosas, e das vítimas dos surtos epidêmicos e das endemias. 
O mapa, assinado pelo engenheiro Lars Swenson, de 14/04/1900, encontra-se sob guarda da Municipalidade/Cadastro (CD: A/A).
O isolamento referenciado ficava defronte à atual Vila Madre Carmem. Quase nada se sabe desse isolamento, senão que nos primeiros anos de 1900 a população reclamava das presenças de hansenianos no lugar, sendo os mesmos retirados e levados para parte da Fazenda Água dos Pires, no lugar denominado 'Acampamento dos Morféticos'.
Também se tem notícia de um lazareto no Bairro Douradinho, utilizado para o confinamento de variolosos, em 1902 (Livro Ata, Câmara, 01/04/1902).
4.2. Isolamento precedente
A presença do médico italiano Samuel Genuta, por volta de 1880, foi preponderante fator na saúde pública do município. A ele atribui-se o primeiro local de isolamento extradomiciliar para tratamento de doentes de enfermidades infectocontagiosas, em terreno de sua propriedade, com construção em madeira, posicionamento adequado e ventilação recomendada pelo Serviço de Saúde e Higiene.
A construção era em madeira porque, a depender de óbitos ocorridos ou gravidades outras detectadas podia o lugar ser incendiado, como medida profilática e sanitária ou contenção de inconvenientes. 
As ausências de informações e documentos dificultam melhores esclarecimentos, mas, pelo já observado, a chácara de Samuel Genuta tinha construção destinada para alternativa de socorro de isolamento, ou de mantença de enfermos, nos períodos de endemias de varíola, paludismo e tifismo, além dos hansenianos. 
O médico Samuel Genuta manteve um lazareto à atual Rua Saldanha Marinho, onde mais próximo ao Ribeirão São Domingos, conservando na memória santacruzense que "a casa dele vivia cheia de leprosos" (Rios, 2004: 66), ou seja, de possível lazareto (confinamento para os acometidos de moléstia epidêmica ou contagiosa) tornou-se gafaria (leprosário incipiente).
Esta lembrança firmou-se na pessoa de Rita Generoza de Andrade, a Ritinha Emboava, cujo lugar de morada identificado como 'Domicílio dos Leprosos' (Cartório de Registro Civil, Livro C - 20, fls. 222-v e 223-a, do óbito de Rita Emboava, Santa Cruz do Rio Pardo - SP).
4.3. Casa de Misericórdia
O médico Ernesto Torres Cotrim abrira novo conceito para a criação da Casa de Misericórdia, para tratamento e sustento aos doentes, com ações cirúrgicas necessárias, e não apenas o isolamento de infectocontagiosos. Alguns anos depois teria o reforço ideal de outro médico, Dr. Leite e Oiticica, e a consideração política do Prefeito Olympio Rodrigues Pimentel.
No ano de 1909 o Prefeito Pimentel intentou desapropriar terrenos no Bairro São José, oito datas, acima da Chácara de Maria Caetano e anexo ao valo do pasto de Antonio Evangelista da Silva, para fins de fundação de Casa de Misericórdia, por associação religiosa ou civil (Lei Municipal 129, de 18/05/1909). Aconselhado, abandonou a ideia e resolveu: 
  • "(...) decretar por utilidade publica para a casa de misericordia desta cidade, a desapropriação do terreno cercado de taboas, pertencente ao coronel Balthazar de Abreu Sodré comprehendido entre a avenida Tiradentes, rua Benjamin Constant, rua marechal Bittencourt e avenida Silva Jardim." (Lei Municipal nº 148, de 17/04/1910). Referida lei observava que partes dos terrenos pertencia a Mizael de Souza Santos.
Essa desapropriação mostrou-se contraproducente, e o efetivo local ocorreu com a "desapropriação de terrenos para a construção de uma casa de misericordia", com frente para a Avenida da Intendência [depois Silva Jardim e atual Dr. Cyro de Mello Camarinha], fundo para a Avenida Baptista Botelho, entre as ruas, Prudente de Moraes, atual José Epiphânio Botelho, e Quintino Bocaiúva (Cidade de Santa Cruz, 07/09/1910: 1).
A responsabilidade para a construção do prédio e instalação dos serviços tornou-se civil.
Quase três anos depois (1913), enfim, a sociedade santacruzense mobilizou-se para a construção da Casa de Misericórdia, selada com a primeira reunião, lavrada em ata, aos 09 de março daquele ano, no Cine Oriente, com objetivo de se criar associação responsável para a fundação e execução do projeto, sob a liderança do agrimensor José Maria de Lacerda.
O Livro Ata da Santa Casa de Misericórdia apresenta a primeira reunião em 09 de março de 1913 e a segunda, conforme anunciada, acontece no dia 16 de março do mesmo ano, para aprovação de estatuto e eleição dos dirigentes. 
A reunião inaugural, e outras tantas viriam, contou com as presenças de alguns dos ilustres membros da sociedade santacruzense, e de início, por proposta unânime foi aclamado presidente provisório e dirigente dos trabalhos, o advogado Octaviano Carlos de Azevedo que, em seguida à indicação, escolheu como secretário o membro Leônidas do Amaral Vieira.
Os pontos principais da reunião seriam a escolha de Comissão para elaborar o estatuto pelo qual a reger a Associação, e a eleição da diretoria efetiva. Para a elaboração estatutária foram então escolhidos pelo Presidente, os senhores, Ernesto Torres Cotrim e Leite e Oiticica – médicos, Agnello Villas Boas – advogado, e Manoel Rodrigues – comerciante.
A reunião seguinte ocorreu aos 16 de março de 1913, no Paço Municipal para apresentação, discussão e aprovação dos estatutos, e a seguir a eleição da diretoria definitiva entre os Membros da Misericórdia, assim denominados os associados envolvidos na fundação e construção do hospital Santa Casa. 
Foram eleitos os primeiros diretores da Associação: Provedor: Dr. Octaviano Carlos de Azevedo; Vice-provedor: Dr. Agnello Villas Boas; Tesoureiro: Florberto Alves Cruz; Secretário: Arlindo Ornellas Figueira; Mesários: Dr. Jose Maria de Lacerda, Cel. Antonio Evangelista da Silva, Cap. Affonso C. Baptista, Saul Ferreira e Sá, e Alfredo Francisco Mammede; Comissão de Sindicância: Cel. Arlindo C. Piedade, Dr. Fernando E. M. Ribeiro e Jacintho Ferreira e Sà.
O Prefeito Olympio Rodrigues Pimentel autorizou "ao dr. Octaviano Carlos de Azevedo Provedor da Santa Casa de Misericordia assignar a escriptura de doação de terreno para a construção do predio destinado á instalação daquela casa" (Correio Paulistano, 04/04/1913: 4).
A Lei Municipal 203, de 1º de maio de 1913 efetivou a doação de "duas datas de terreno na rua Quintino Bocayuva, esquina da Avenida Silva Jardim, para o fim de nele ser construído o prédio destinado à Misericórdia.” O Prefeito em exercício, Capitão Godofredo Fernandes Negrão. 
O evento contou com a participação da imprensa da época, o hebdomadário Cidade de Santa Cruz, e o bi-semanário 'O Sul Paulista', ambos envolvidos não apenas nas divulgações das reuniões da Comissão, também nas campanhas de esclarecimentos da população, ampliação do quadro de associados e na arrecadação de fundos depositados no Banco de Custeio Rural. 
As reuniões eram realizadas nas residências e aquelas destinadas aos associados, no Paço Municipal ou em sala de cinema, com entrada aberta ao público interessado.
Aos cinco de julho de 1913, em reunião na residência do sócio secretário Arlindo Ornellas Figueira, deu-se o comunicado de dinheiro suficiente, em caixa, para o início das obras, com sugestão de construção por seções, à medida das entradas de valores.
Então ocorreu o primeiro impasse entre os principais Membros da Misericórdia: o construtor e empreiteiro Alfredo Bellinatti propunha-se construir o prédio, enquanto o advogado Pedro Camarinha entendia necessidade de apresentação de planta da obra e orçamento, além da apreciação de dois peritos nomeados.
A despeito dos embaraços, aos 13 de julho de 1913, lançou-se a pedra fundamental onde seria erigida a Santa Casa de Misericórdia, com entusiástico discurso do advogado Pedro Camarinha, e as obras iniciadas com empenhos dos médicos Leite Oiticica e Torres Cotrim, além dos benfeitores, destacados os fazendeiros Coronel Manoel Ferreira, residente em Chavantes, Lindolpho Ferdinando de Assis e o Coronel Antonio Evangelista da Silva – Tonico Lista mencionado em algumas atas como 'Provedor Honorário'.
Aos 02 de agosto de 1913 a reunião da Comissão ocorreu na residência do comerciante Florberto Alves Cruz, com significativo aumento de associados e, então, quebrou-se a série de sessões consecutivas registradas em atas, e outra reunião viria ocorrer apenas em 10 de dezembro de 1913 e, depois, aos 28 de fevereiro de 1914, e a assembleia seguinte aconteceria, um ano depois, aos 28 de fevereiro de 1915, para eleição de nova Diretoria e apresentações de novos sócios. 
O encontro foi um fracasso e notícias revelam a obra paralisada, com paredes levantadas, porém sem cobertura, e grave denúncia contra a Provedoria por desvios de recursos (Cidade Santa Cruz, 09/05/1915: 1, refere-se a denúncia cidadã anônima, em o Estado de São Paulo, dos problemas da Provedoria). 
Com notório desinteresse público, nova reunião apenas aos 12 de outubro de 1915 para apresentações dos balancetes, receitas e despesas, indicativos da construção e termos do contrato com o empreiteiro construtor Alfredo Bellinatti, e, ainda, os documentos da obra, registro do estatuto e o ofício do ex-prefeito Godofredo Negrão informando da autorização, pela Câmara Municipal, em outorgar o registro de doação do terreno para a Santa Casa de Misericórdia.
Aparentemente a reunião seria prestação de contas, participativa ordinária, até o momento quando os membros da diretoria renunciaram seus cargos, afastando-se num primeiro momento o Provedor, o Vice-Provedor, o Secretário e o Tesoureiro, cujas decisões, esperadas ou não, provocaram desestabilização em toda a Diretoria, Comissões e Conselhos, com renúncia geral e aceita, e aclamada nova mesa: 
  • "Provedor – Antonio Evangelista da Silva; Vice-provedor – Vicente Finamore; Tesoureiro – Francisco Vasconcellos; Secretário – Raymundo Vianna; Mesários – José Manoel Machado de Araujo Filho, Alvaro Camera, J.J. Fernandes Barros, Pedro Camarinha, Carlitos Affonseca e Affonso Celso Baptista; Comissão Fiscal: Ovídio Badaró, Francisco de Oliveira e Benedicto Xavier de Oliveira; Comissão de Sindicância: Fernando Eugenio Martins Ribeiro, Leônidas do Amaral Vieira e Agenor de Camargo" (O Contemporaneo, 16/10/1915). 
'O Contemporaneo' noticiou as intenções da nova mesa administrativa em reiniciar as obras, destacando a significativa doação financeira do Coronel Manoel Ferreira (edição de 30/10/1915), contudo as obras não prosperaram devido aos desentendimentos entre os diretores, e dessa maneira na reunião de 30 de junho de 1916, no Paço Municipal, o coordenador Leônidas do Amaral Vieira, propôs eleição para os cargos vagos e Antonio Evangelista da Silva outra vez aclamado Provedor, da mesma maneira os demais cargos preenchidos, com o Ovídio Badaró – Vice-provedor, Francisco Contim Dantas de Vasconcellos – Tesoureiro, e Raymundo Viana – Secretário. Igualmente aclamados membros da Comissão de Contas, o Dr. Pedro Camarinha, Godofredo Fernandes Negrão, Benedicto Xavier de Souza; para a Comissão [Conselho] Fiscal, o Coronel Arlindo Crescêncio Piedade, Carlos Rios e José Olavo Pinto.
Desde então o Coronel Antonio Evangelista da Silva, Tonico Lista, assumiu o controle absoluto para a continuidade das obras da Santa Casa, com atuação menos burocrática e mais decisiva que seus antecessores.
Em 1918 pelo menos uma das alas do hospital estava concluída, talvez a faltar-lhe acabamento, porém em condições de uso, tanto que a Cruz Vermelha Brasileira, caracterizada como Associação Médica de Socorro no período da gripe espanhola 1918/1919, para lá transferiu o seu emergencial levantado na cidade, no antigo Grupo Escolar (O Contemporaneo, 19/12/1918).
No mês de abril do ano de 1919 a Cruz Vermelha encerrou suas atividades em Santa Cruz e repassou à provedoria da Santa Casa o seu saldo financeiro oriundo de donativos arrecadados no município. Com a ajuda da Cruz Vermelha e mais o levantamento de recursos junto à população, angariou-se dinheiro suficiente para contratação do empreiteiro/construtor José Nardi para concluir os acabamentos, e aquisições de equipamentos básicos necessários para o funcionamento hospitalar. 
De uma reunião da Mesa Administrativa da Casa de Misericórdia, em residência do Coronel Arlindo Crescêncio Piedade, em 22 de julho de 1919, noticiava-se, para breve, a instalação da Casa de Misericórdia de Santa Cruz: "A nós, alegra-nos sobremaneira esse facto, e é com a maior satisfação que fazemos noticia sobre o prosseguimento de tão dignificante trabalho." (DOSP. 24/07/1919).
Em 30 de novembro de 1919 a Santa Casa de Misericórdia foi oficialmente inaugurada, conforme ata, destacadas as presenças: Dr. Pedro César Sampaio; Padre Gasparino Dantas; Lindolpho de Assis; Prof. Carvalho Rosas (de Bernardino de Campos); além do primeiro Provedor, o Sr. Leônidas do Amaral Vieira e o Primeiro Tesoureiro, o Sr. Francisco Rodrigues da Costa.
Na inauguração o vigário Pe. Gasparino Dantas fez as preces e deu as bênçãos, seguidas dos discursos do médico Dr. Pedro Cesar Sampaio, e do professor Carvalho Rosas, este com "enthusiastica saudação á Diretoria que conseguiu concluir as obras desta Santa Casa e ao povo de Santa Cruz, pela inauguração que se realizava. Foi muito aplaudido." Assinaram a primeira ata, como diretores da Santa Casa: Leônidas do Amaral Vieira – Provedor; Francisco Rodrigues Costa – Thesoureiro e Plínio Braga – Secretário; além de outras 79 pessoas, dentre elas Dona Amasilia Martins, Benedito Demetrio Dias e Américo França Paranhos.
Aos 10 de julho de 1920 a Santa Casa recebeu visita ilustre do Bispo de Botucatu, Lucio Antunes de Souza acompanhado do padre Pedro A. Ciardela e do frei Ricardo – ambos de Botucatu, e ainda, as presenças registradas do Padre Martins Aguado - de Espírito Santo do Turvo, e o Padre Gasparino Dantas - Vigário de Santa Cruz do Rio Pardo. O escrivão de registro foi João Ferreira Leite, destacando-se a presença de Pedro Doria – advogado residente em Santa Cruz, o corpo clínico do hospital, administrativos e políticos. 
Os prédios públicos onde instalados a Cadeia e o Grupo Escolar possuíam serviços de água e esgoto, em 1923, ao contrário da Santa Casa:
  • "A agua usada pelo estabelecimento é retirada por meio de uma bomba de um poço feito no proprio local. As latrinas são patente porem os detritos são lançados por meio de encanamento a uma fossa fixa situada em um canto do terreno, nos fundos da Santa Casa." (LC Sodré, 1923: 57).
Entre 1964/1982 a Santa Casa esteve sob gerenciamento da Ordem Religiosa Católica, pelas freiras conhecidas como 'Irmãs de Caridade', as quais desde 1979, por questões jurídicas, inscritas como funcionárias passando a direção para grupo civil. Teriam sido demitidas em 1982 por contenção de despesas (Debate,16/01/1982: 1 e 3), ou, sabidamente nas entrelinhas, pelo excesso de interferências delas junto à administração e corpo clínico.
4.4. Hospital Maternidade
Pretendeu-se para Santa Cruz uma nova Santa Casa. Pelo Decreto Municipal nº 48, de 26 de outubro de 1944, o Prefeito Municipal Leônidas Camarinha declarou de utilidade pública mediante desapropriação, judicial ou amigável, área a grosso modo situada entre as atuais ruas Euclides da Cunha/Avenida Coronel Clementino Gonçalves e Benjamin Constant, confinadas pelas ruas Conselheiro Saraiva e Avenida Joaquim [de] Souza Campos, com identificações dos proprietários, herdeiros ou sucessores.
Os terrenos situados dentro do todo pretendido seriam destinados a obras públicas, revendas e, um deles, "onde será construido o novo hospital da Santa Casa local", da parte pertencente à viúva meeira e herdeiros de Joaquim Souza Campos, com a obra iniciada tão logo a regularização do terreno. 
Em 1848 noticiava-se o início da obra e propósitos:
  • "Por intermédio do deputado estadual Leonidas Camarinha, ex-prefeito desta cidade, acaba de ser doada a Santa Cruz do Rio Pardo moderna maternidade e hospital beneficente." (Jornal de Noticias, 28 de março de 1848: 6).
A obra arquitetônica ficou ao encargo do engenheiro Dinucci, e a reportagem, pelo correspondente, concluía: "As irmãs dominicanas já aqui sediadas serão as diretoras dessa maternidade destinada ao nosso município." Previa-se o término da construção em outubro de 1848. 
Sem o prenome do engenheiro, ressalte-se que a família Dinucci possuía a Construtora Adolpho Dinucci e Filho – o Camillo, e a Construtora e Comercial [de] Torello Dinucci onde responsável outro Camillo Dinucci, todos aparentados.
Lançada a pedra fundamental e iniciada a obra firmou-se, então, o primeiro estatuto da Associação pretendida, aos 24 de junho de 1948:
  • "NOVA SANTA CASA DE MISERICORDIA DE SANTA CRUZ DO RIO PARDO" 
  • "1. Denominação, fins, sede da associação e tempo e sua duração: Nova Santa Casa de Misericordia, com a finalidade precipua de prestar assistência hospitalar e médica aos necessitados nos moldes das sociedades similares com sede na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, neste Estado, sendo indeterminado o tempo de sua duração."
  • "2. Modo por que se administra e representa a sociedade, ativa e passivamente, judicial e extra-judicialmente:"
    • "A Sociedade será administrada por uma diretoria constituida de provedor, como presidente, vice-provedor, secretário, tesoureiro e procurador. No ano corrente de 1948 tais cargos serão exercidos do seguinte modo: provedor e presidente: Leonidas Camarinha; vice-provedor, João Rensi; secretário, José Antonio Ramos; tesoureiro, Angelo Nicolai; procurador frei Ceslau Cencini, servindo de suplentes os srs. Agenor de Camargo, José Graccho Pinheiro Lima e José Butignoli, pela ordem aqui estabelecida. O provedor representará ativa e passivamente a sociedade, judicial ou extra-judicialmente, e na impossibilidade de fazê-lo, desiganará o membro da diretoria que deverá exercer a representação, em cada caso."
  • "3. Si os estatutos são reformáveis no tocante a administração e de que modo:"
    • "O Contrato social ou estatutos são reformáveis no que tange a administração, pela maneira que fôr determinada por maioria dos sócios em assembléia especialmente convocada com antecedência de quinze dias e publicada na imprensa local, ou na falta desta, no órgão oficial do Estado."
  • "4. Si os membros respondem ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais:"
    • "Os membros da sociedade, mesmo porque não tem fito de lucro, não respondem pelas obrigações sociais."
  • "5. Condições de extinção da pessoa jurídica e o destino de seu patrimônio nesse caso:"
    • "Extinta a sociedade, seja por determinação legal ou por maioria de dois terços do número total de socios em assembléia convocada com antecedência e as formalidades exigidas para as demais assembléias no presente contrato, extinta a pessoa jurídica o patrimônio social reverterá em favor da instituição beneficente que a mesma maioria designar em dita assembléia especial."
  • "6. Os nomes dos fundadores ou instituidores e dos membros da diretoria com indicação de nacionalidade, estado, e profissão de cada um:"
    • "São socios fundadores os seguintes: Leonidas Camarinha, brasileiro, casado, proprietário; João Rensi, brasileiro, casado, industrial; José Antonio Ramos, brasileiro, bancário, casado; Angelo Nicolai, brasileiro, casado, comerciante; frei Ceslau Sensini, italiano, vigário da paróquia; Agenor de Camargo, brasileiro, casado, farmaceutico; José Graccho Pinheiro Lima, brasileiro, industrial, casado; José Butgnoli, brasileiro, casado, proprietário; Lucio Casanova Neto, brasileiro, casado, farmaceutico, prefeito municipal; Jaime Castanho de almeida, brasileiro, casado, provisionado, e José Rocha Silos, brasileiro, casado, comerciante, todos residentes na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo. A atual diretoria é a seguinte: deputado Leonidas Camarinha, provedor-presidente; João Rensi, vice-provedor; José Antonio Ramos, secretário; Angelo Nicolai, tesoureiro; procurador, frei Ceslau Sensini."
  • "Santa Cruz do Rio Pardo, 24 de junho de 1948."
  • "Leonidas Camarinha – provedor – presidente."
  • (Fonte: DOSP, 17/07/1948: 27).
Aos 30 de setembro de 1948, o então Deputado Leônidas Camarinha ao defender seu Projeto de Lei nº 522, pedia auxílio ao governo paulista para continuidade da obra e respectivas instalações, já com a certeza da denominação 'Dona Maria Perpetua Piedade Gonçalves', pelos empenhos da família Piedade, especialmente os descendentes e parentes da homenageada, filha do Coronel e Deputado Emygdio José da Piedade. 
Na oportunidade o Deputado Camarinha revelava a construção, até ali custeada por donativos públicos, já coberta, todavia obra paralisada, havendo necessidade do auxílio, reivindicado da Legião de Assistência, do Departamento Nacional da Criança e do Governo do Estado (DOSP, 02/10/1948).
Finalizada as obras o Hospital obteve registro como associação privada, inscrita no rol de instituições para auxílios e subvenções dos governos federal e estadual (DOU, 21/12/1953, citação de ocorrência). 
Os questionamentos foram inevitáveis e o novo Hospital tornou-se elitizado, distante, portanto, dos propósitos iniciais. 
Em 1957 a divisão política do grupo Camarinha, com a dissidência de Lucio Casanova Neto, fez surgir os grupos dos 'azuis' e 'vermelhos', e quase tudo na cidade dividiu-se entre as facções, até os hospitais, a Santa Casa tornou-se para os 'vermelhos' e o Hospital Maria Perpétua Piedade Gonçalves para os 'azuis'. 
Com a derrota do grupo de Leônidas Camarinha nas eleições municipais de 1960, os novos detentores do poder quiseram saber do estatuto de fundação do Hospital e o contrato de cessão a grupo particular, por tratar-se de obra pública levantada num terreno municipal, custeada com auxílio popular e do governo, inclusive para equipagem técnica, cuja verba repassada pela administração Jânio Quadros (O Regional, 24/09/1961: 1). 
Na semana 16/20 de outubro de 1961, foi repassada verba pública ao Hospital Maternidade, motivo de indignação e denúncia do semanário 'O Regional' (O Regional, 21/10/1961):
  • "Ora, a referida Maternidade, como é do conhecimento de todos, foi arrendada (embora contrariando seus estatutos e a sua finalidade) a quatro médicos, que a exploram com fins lucrativos. Segundo nos consta nêsse contrato de arrendamento, os contratantes (os médicos) não receberão subvenções de poderes públicos. É uma clausula do contrato." 
No entanto Cr$. 100.000,00 (cem mil cruzeiros) foram repassados ao hospital, através do então Banco do Estado de São Paulo, e o hebdomadário questionou a ausência de balancete da Instituição: "Pelo que sabemos ela foi equipada com dinheiro do Povo, recebido através de subvenções doadas pelo Governo do Estado, e, seria legal e honesto arrendá-la para fins lucrativos?"
Por fim a reportagem lançou suspeições, se os contratantes não podiam receber aquele repasse, então "não foi feita de prévia intenção de beneficiar alguém?" 'O Regional' não revelou quem foi o beneficiado ou o suspeito, porém as insinuações recaíam sobre o Deputado Estadual Leônidas Camarinha.
O terreno onde situado o prédio do Hospital Maternidade 'D. Maria Perpétua Piedade Gonçalves', foi doado à instituição, pela Lei Municipal nº 573, de 07 de agosto de 1973, no entendimento que, com o principal seguia o agregado – o prédio, sem constar devolução da área ao patrimônio público no caso de encerramento das atividades.
A Instituição trabalhou, durante anos, conveniada ao Sistema SUS, até seu descredenciamento pela "Portaria SAS/MS nº 263, de 17/04/2002" (DOU, 18/04/2002). 
Reportagem de abril de 2013, anunciou que "Após 52 anos de funcionamento, a Maternidade ‘Dona Maria Perpétua Piedade Gonçalves' encerrou as atividades" (Debate, 28/04/2013: 5), e o local passou a funcionar como clínica nas especialidades de ginecologia e obstetrícia, ortopedia, cirurgia plástica e gastrenterologia.
5. Repartições públicas de saúde
5.1. De Posto de Higiene a Centro de Saúde
As ocorrências epidemiológicas dos anos de 1889/1904 e os avanços da medicina, com identificações dos vetores de transmissões de doenças, exigiram modificações no Código Sanitário e na maneira de se pensar e agir em termos de saúde pública. 
No ano de 1906 os serviços municipais de saúde foram extinguidos e o estado assumiu controle, através da divisão administrativa em quatorze Distritos Sanitários [Regionais] de Saúde, cada unidade chefiada por um médico no cargo de Inspetor Sanitário.
Para os municípios de cada Distrito foram estabelecidos Postos de Higiene, e em Santa Cruz do Rio Pardo assumiu exercício como Inspetor de Higiene o médico Manoel Monteiro de Araripe Sucupira – 1906 (O Progresso, 14/10/1906: 2). 
Em 1911 entrou em vigor o novo Código Sanitário para a Saúde Pública do Estado, com igual estrutura dos Postos de Higiene e ainda firmado no processo imigratório, quanto ao avanço das grandes epidemias, e cuja eficiência ou não seria testada durante a ocorrência da denominada gripe espanhola (1918/1919).
Nos anos de 1920 buscou-se novo modelo sanitário para Saúde Pública, com a inclusão de assistência à saúde do indivíduo e não apenas coletiva, padrão reorganizado por Geraldo Horácio de Paula Sousa, com o apoio da Fundação Rockefeller, propendendo a profilaxia rural, saneamento urbano e saúde preventiva, com o arcabouço institucional para retaguardas de rotina.
O predomínio das atenções à saúde "só incluía a intervenção pública no tratamento de doentes (como, por exemplo, nos hospitais de isolamento) como um instrumento útil ao controle das doenças epidêmicas." (Telarolli Junior, 1966: 273). 
O Posto de Higiene, com a implantação das novas propostas transformou-se em Centro de Saúde, como estabelecimento de maior complexidade, e no ano de 1928 instalava-se em Santa Cruz o Centro de Saúde como instituição voltada à imunização, profilaxia e saneamento básico, com atendimento médico (Queiroz Filho, 1966: 205, notas 23).
Apesar reestruturação durante toda a década de 1920 ainda se pensava na eficiência campanhista das medidas de saúde, através de política sanitária fiscalizadora e de atuações, porque recentes as epidemias.
Em Santa Cruz, no fim dos anos de 1920 e toda a década de 1930, os serviços estavam relativamente estruturados para as imunizações, atenções ao tracoma [e higiene visual] e aos combates à ancilostomíase, aos surtos ocasionais de malária, febre amarela, varíola e tifo, e as campanhas sanitárias, através do auxílio estadual, além das ações para a profilaxia e tratamento das endemias, fez melhorar significativamente a saúde da população.
Após isso foi dada ênfase às buscas de casos de tuberculose pulmonar nos sintomáticos respiratórios, e, a partir de 1930, a concentração maior voltou-se para o combate à hanseníase – lepra, não para o atendimento ao paciente, posto que pela legislação ao médico fosse proibido o tratamento do doente, tanto no consultório particular quanto na rede pública, mas sim, uma vez diagnosticado, o doente ser conduzido compulsoriamente para algum leprosário – asilo-colônia, medida "ancorada pelas descobertas do agente etiológico da doença. Com o desenvolvimento da medicina, a idéia de isolar obedeceu a princípios científicos e envolveu, além do temor do contágio, a preocupação fundamental de proteger os 'sãos'-." (Lima, 2007: 44, notas 77).
A legislação sobre a então lepra sobrepunha às próprias leis do estado: "Qualquer pessoa, a partir do momento do diagnóstico passava a pertencer a uma outra sociedade, onde deveria assumir nova identidade: a de portador de Lepra, com todas as decorrências resultantes, tais como: o cerceamento da liberdade e o tutelamento realizado pelo serviço médico oficial." (Monteiro e Souza, 1987: 6). O Decreto Federal nº 962, de 1963, declarou extinto o isolamento compulsório de hansenianos, medida adotada no Estado de São Paulo somente a partir de 1967, cabendo ao internado o livre arbítrio de continuidade de tratamento nos Centros de Saúde – Serviços Integrados, ou nos Hospitais da rede estadual.
O Centro de Saúde nos anos de 1930 funcionou, por tempos, na Avenida Silva Jardim – atual Dr. Cyro de Mello Camarinha, nº 388 (Prefeitura, Relatório de Governo, janeiro de 1940), posteriormente transferido para Avenida Tiradentes nº 521, serviço reclassificado para Posto Sanitário, Decreto 41.798, 05/04/1963, com a desapropriação de terreno para a construção de próprios para os serviços de saúde, projeto modificado para tornar-se "Centro de Saúde II", instalado desde 1972 na mesma Avenida Tiradentes, nº 934. 
Os serviços de saúde, de âmbito ou manutenção estadual que não hospitalar, foram reestruturados em 1967 e integrados como Centro de Saúde, denominado 'Dr. José Carqueijo' pela Lei nº 9.694, de 25 de janeiro de 1967. Após série de outras reformas administrativas e adequações técnicas, em 1987 os serviços de saúde foram municipalizados.
5.2. Serviço de Tracoma e Higiene Visual 
Pelo Decreto-Lei Estadual 17.028, de 06/03/1947, ocorreu a "transformação da Seção do Tracoma do Departamento de Saúde do Estado em Instituto do Tracoma e Higiene Visual", instalando-se este serviço em Santa Cruz, com estrutura própria e independente, embora ocupando o mesmo espaço físico com o então Posto de Higiene [Saúde], primeiro na Avenida Silva Jardim [atual Dr. Cyro de Mello Camarinha], depois na Avenida Tiradentes 521, até sua integração funcional com os demais serviços de saúde para originar o Centro de Saúde, a partir de 1967.
5.3. Delegacia de Saúde
Como Regional de Saúde instalou-se a 6ª Delegacia de Saúde em Santa Cruz do Rio Pardo, pelo Decreto nº 18.503, de 28 de abril de 1949, referente à Lei nº 233, de 24 de dezembro de 1948 e Decreto Lei nº 14.334, de 30 de novembro de 1944, pela qual a localidade tornou-se sede de região estabelecida em Quadro Territorial, Administrativo e Judiciário do Estado de São Paulo, compondo-se dos municípios adjacentes já estabelecidos: Espírito Santo do Turvo [Rio Turvo], São Pedro do Turvo, Ipaussu e Bernardino de Campos, mais os Distritos de Sodrélia, Caporanga e Clarínia, e anexações dos municípios de Timburi, Ubirajara, Campos Novos Paulista.
  • Ubirajara já pertencia à Delegacia de Saúde de Santa Cruz do Rio Pardo sob a denominação de Caçador.
Com a reforma instituída no setor saúde tornou-se agência de supervisão dos serviços de saúde naqueles municípios, e referência às demais sedes regionais na região do Vale Paranapanema até Assis.
Pela Lei Estadual nº 2.034, de 24 de dezembro de 1952, o Governo de São Paulo foi autorizado adquirir imóvel, por doação do município para a construção de prédio destinado ao funcionamento da Delegacia de Saúde. 
A construção concluída destinou-se, todavia, para o funcionamento do Posto de Puericultura, instalado no município em 1958, enquanto a Delegacia de Saúde, até sua desativação nos anos de 1960, continuou sua sede Rua Marechal Bittencourt, num prédio ao lado da Drogalar (referência 2013).
5.4. Dispensário de Tuberculose
A "Lei Estadual n° 2.646, de 20/01/1954, criou o Dispensário de Tuberculose em Santa Cruz do Rio Pardo", sendo autor do Projeto o Deputado Estadual santacruzense, Dr. Leônidas Camarinha. O Dispensário de Tuberculose situou-se na Rua Euclides da Cunha, ao lado dos fundos da então Delegacia de Polícia, depois 1º Distrito Policial.
O serviço integrou-se ao Centro de Saúde, numa nova política de ações de saúde já preconizada em 1967, e passou ocupar prédio do mesmo, a partir de 1972, na Avenida Tiradentes, nº 934, enquanto o aparelho de Raios X e Abreugrafia foi instalado em prédio alugado pela Municipalidade, à Rua Conselheiro Antonio Prado esquina com a Rua Conselheiro Saraiva. 
O aparelho de Raios X e Abreugrafia, por ausência de espaço, funcionou durante anos num imóvel alugado, na esquina das Ruas Conselheiro Saraiva e Conselheiro Antonio Prado, até sua desativação.
5.5. Posto de Puericultura 
Em 1952 o governo municipal lançou pedra fundamental de edifício público, destinado à instalação de Posto de Puericultura (O Regional, 29/06/1952: 1). 
A despeito da importância da obra e do serviço público a ser prestado, somente em 1958 o Governo do Estado de São Paulo, Dr. Jânio da Silva Quadros, consolidou o Posto de Puericultura, do Departamento da Criança, da Secretaria da Saúde Pública e da Assistência Social, para o município de Santa Cruz do Rio Pardo.
Tratava-se de serviço público inteiramente voltado para a saúde da criança, estruturado por unidade com "a lotação de um (1) médico, um (1) atendente e um (1) servente, podendo funcionar sem este último, a critério do Diretor do Departamento Estadual da Criança." – Decreto 31.888, de 22/04/1958.
Pouco depois da criação do Posto de Puericultura para a sede do município, o Decreto Estadual nº 33.406, de 12 de agosto de 1958, dispôs sobre desapropriação de terrenos para instalação de igual serviço de saúde pública, no Distrito de Caporanga. Em outros distritos a municipalidade cuidaria das providências para a descentralização daqueles serviços de saúde. 
O Posto foi instalado em sede própria, prédio do governo estadual e posteriormente revertido ao município, à atual Praça Dr. Carlos Queiroz, nº 415, até sua integração com os demais serviços de saúde do município, passando a funcionar, em 1972, no atual prédio do Centro de Saúde.
6. Entidades caritativas assistenciais
6.1. Irmandade N. S. do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos
Santa Cruz teve a Irmandade formada por negros – escravos e forros, com sede no Largo do Rosário – atual Praça Otaviano Botelho de Souza, local destinado para reuniões, festejos, e atenções aos desvalidos.
A Irmandade do Rosário, ou São Benedito dos Homens Pretos (Almanak (…), 1910: 207), teve presença em Santa Cruz desde as chegadas das primeiras famílias, por volta de 1856, e foi exemplo de auxílio mutuo aos necessitados, com propósitos não apenas de libertação da escravatura, mas de atenções aos inválidos, expostos e anciãos desamparados. 
Assunto polêmico, todavia, não se pode ignorar a presença da Irmandade em Santa Cruz, pois os escravos trazidos para a região procediam do sul-mineiro, onde historicamente ativas as congregações de forros e cativos, "como por exemplo, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário" (Padre Hiansen, 2003: 101), também conhecida como de São Benedito dos Homens Pretos. 
Os associados tinham liberdades de ações limitadas pelo Clero, para reuniões de lazer ou com objetivos sociais de libertação pacífica, mediante compra – alforria, a troca por outro cativo ou a coarctação negociada, contudo nenhum registro sabido chegou aos dias atuais, e, evidentemente nada fácil juntar os retalhos para se reconstituir traços de uma cultura que a Igreja fez arrasar.
Com a Lei Áurea a confraria abriu-se à comunidade branca, sem perder as características caritativas.
6.2. Irmandade Nossa Senhora do Carmo
Em 1900 o Vigário Padre Botti fundou a Irmandade de Nossa Senhora do Carmo, que levava alimentos aos pobres, detectava e fazia tratar os enfermos oferecendo-lhes consultas e medicamentos, além dos auxílios sociais, conforme exposições feitas pelo farmacêutico Antonio Sanches Pitaguary (Correio do Sertão, 14/03/1903: 2). 
6.3. Sociedade São Vicente de Paulo 
Em 21 de fevereiro de 1915 foi fundada a Sociedade dos Vicentinos – São Vicente de Paula, em Santa Cruz, pelos senhores Frei Ceslau Ceucini, Athos Bueno Couto – o primeiro presidente, Aristides Moacir Nelli – tesoureiro e Pedro Cenise Margarido – secretário. 
Sobre a entidade o 'O Contemporaneo' reportou: 
  • "A Confraria de S. Vicente de Paulo, fundada em boa hora, tem feito tudo quanto é possível em benefício dos infelizes que procuram se abrigar a sombra bemfazeja da sua caridade, mas não pode fazer tudo quanto é preciso porque lhe faltam recursos" (O Contemporaneo, 08/05/1915: 1).
A Confraria dos Vicentinos percorria os lares dos enfermos prestando-lhes auxílios e cuidados. Não tinha sede, mas seus membros reuniam-se na Casa Paroquial e, num prédio anexo, administravam espécie de dispensário de saúde, conhecido em 1940 como Dispensário São Vicente de Paula, à Rua Benjamin Constant, sem número, segundo a Prefeitura Municipal em seu Relatório de Governo, edição de janeiro de 1940. 
O dispensário era um estabelecimento sem adequação hospitalar, prestador de cuidados de saúde simples, mais voltado para os cuidados preventivos de natureza médico-social com a distribuição de remédios a pessoas pobres, assistindo-as, inclusive, com alimentos e roupas.
A atuação dos vicentinos foi de elevada importância à sociedade santacruzense, quando da gripe epidêmica denominada espanhola, como auxiliadora para a atuação da Cruz Vermelha – Brasileira, nos anos de 1918 e 1919, quando o Hospital Santa Casa ainda estava em construção.
A atuação dos Vicentinos foi de elevada importância à sociedade santacruzense, em especial a população mais pobre, mas pouco se sabe dos seus procedimentos quando da confirmação dos primeiros casos da gripe epidêmica – denominada gripe espanhola na cidade.
Infelizmente os vicentinos não registraram nenhuma ata conhecida a respeito.
6.4. A Cruz Vermelha em Santa Cruz nos tempos da gripe espanhola 
Na ocorrência da gripe epidêmica a Cruz Vermelha Brasileira instalou-se em Santa Cruz do Rio Pardo, período de outubro/1918 a abril/1919. 
Memórias perdidas no tempo, apenas alguns descendentes de famílias, que viveram a época, informam que a população temia contato com algum doente ou suspeito de gripe espanhola, ou até entre pessoas sadias, e não havia mais como tranquilizar a população diante da virulência da gripe, tornando-se exigido o isolamento dos gripados, mas não sabem informar onde teria sido o isolatório.
Levantamentos pelos autores apontam o isolamento nas dependências do Grupo Escolar, até a adaptação numa das alas da Santa Casa, em condições de uso (O Contemporaneo, 19/12/1918: 2).
Não encontrados, até o momento, registros oficiais de quantos casos de acometidos pela gripe, qual sua virulência e o número de óbitos, senão única referência pela Igreja Católica, às folhas 70 do Livro do Tombo, designando o mal de pandemia, no entanto minimizando informações "pois só fala em uma morte, para os cem casos de incidência" (Queiroz Filho, 1966: 199).
A informação não corresponde com demais dados obtidos, ainda que não oficiais, junto à imprensa da época, com as notícias de mortes, um integrante do Tiro de Guerra 451 (local) envolvido nas ações contra a epidemia; um preso conhecido por Camões; Cândido proprietário do Hotel Central; a mulher de Alfredo Mamede Filho – recém-casados; Paulo, filho do advogado Pedro Camarinha; Alexandre e as senhoritas Rosa e Maria membros da família Lorenzetti. 
Outros óbitos não foram divulgados, como a de Maria Clara – casada com Paulo Berna, e as mortes na família Magnani, situações reveladas por familiares. 
Na região mais vítimas: Augusta Baptista de Souza – irmã do médico Dr. Baptista Gomes de Souza, em Bernardino de Campos; o fazendeiro e advogado em Irapé, Dr. Castor Nogueira Cobra; o jovem Antonio Cezar Primo, em São Pedro do Turvo, filho do Juiz de Paz, Capitão Fernando Cezar.
Vários organismos da sociedade mantiveram atuações conjuntas no combate à influenza: a Igreja – pelo Reverendo Padre Gasparini Dantas; o Corpo Clínico Médico local – Dr. José Carqueijo, Dr. Pedro Cezar Sampaio e Emygdio de Novaes; os Médicos em Bernardino de Campos, Dr. João Francisco de Oliveira e Dr. Baptista Gomes de Souza; os Atiradores do Tiro de Guerra 451 e o seu responsável; os Professores da Rede Pública, Plínio Braga, Primitiva de Oliveira e outros; os Farmacêuticos da cidade e região; o Escotismo e as Irmandades da Igreja Católica; todos sob as orientações da Cruz Vermelha Brasileira.
A Medicina da época não tinha conhecimento da doença e do curativo eficaz, o suficiente, para acautelar a sociedade. Nem as medidas profiláticas eram adequadas, embora se recomendasse evitar aglomerações e resfriamentos, tomando cuidados com o nariz e garganta, e repouso absoluto, sem visitas, para evitar contágios. 
As concentrações públicas foram proibidas, as aulas suspensas e vedadas visitas ao Cemitério e às casas de diversões. As Irmandades visitavam lares em busca de casos, os Atiradores do Tiro de Guerra desinfetavam os chegadores à cidade, especialmente pela via férrea, enquanto os escoteiros angariavam fundos para aquisições de medicamentos, além da autorização camarária autorizando o Executivo para os gastos com tratamentos das vítimas da gripe espanhola.
Em abril de 1919 a Cruz Vermelha em Santa Cruz do Rio Pardo, caracterizada como Associação Médica de Socorro no período 1918/1919, encerrou suas atividades no local e repassou à provedoria da Santa Casa o seu saldo de 653$800, oriundos de donativos arrecadados no município.
Os fatos mencionados em relação à Cruz Vermelha e a gripe espanhola, em Santa Cruz do Rio Pardo, podem ser comprovados em jornais santacruzenses da época, não existindo relatórios oficiais conhecidos.
6.5. Asilo [atual Lar] São Vicente de Paulo
A Sociedade de São Vicente de Paulo, SSVP faz-se presente em Santa Cruz do Rio Pardo desde 21 de fevereiro de 1915, com a Conferência de São José e seguidas, atuando em três áreas: o Conselho Particular da SSVP criado em 24 de outubro de 1944; o Lar São Vicente de Paulo, em exercício desde 1938, com antiga sede na atual Praça Carlos Queiroz, onde funcionou até 1946, e então transferido para o endereço atual Rua José Epiphânio Botelho – Praça São Sebastião, regulamentação de 10 de março de 1946; e o lar Fermino Magnani.
Os objetivos e metas do Lar São Vicente de Paulo consistiam na atenção integral aos idosos em regime de abrigo, visando a valoração da vida e dignidade humana, e o dinamismo ganhou notoriedade com as atuações de Nilda Pereira dos Santos Caricati à frente de uma equipe de profissionais, administrativos e auxiliares, além de pessoal de retaguarda, com atendimento médico clínico especializado e terapêutico ao abrigado e os cuidados complementares de saúde, com oferecimentos recreativos, ludoterápicos e atividades físicas/ocupacionais recomendadas por profissionais.
O Lar está voltado para a manutenção de vínculos afetivos entre o idoso interno e grupos familiares e de amigos, até com possibilidades de reintegrar o interno ao convívio familiar, e mais o atendimento aos idosos carentes portadores de doenças terminais, crônicas, e de patologias ortopédicas até a recuperação.
Até 2010 o Lar era a única entidade congênere no município e ainda atendendo localidades como São Pedro do Turvo, Ipaussu e Espírito Santo do Turvo, sustentado por doações, vendas de artesanatos e variedades de artigos recebidos, além de recursos de fontes governamentais – municipal, estadual e federal.
6.6. Educandário Nossa Senhora Aparecida
Instituição sob a responsabilidade das Irmãs Dominicanas, da Beata Imelda, e o primeiro trabalho foi o Educandário Nossa Senhora Aparecida, para atendimento de crianças do sexo feminino. Integrava o rol de entidades subvencionadas, como obra assistencial (DOU, 14/12/1952 – Seção I: 583). 
A inauguração da obra deu-se aos 25 de março de 1953, no prédio adquirido da União Espírita, construção semipronta, onde os espíritas pretendiam a criação de um lar para abrigo de crianças carentes. As Irmãs Dominicanas tiveram auxílios da população e do poder público para tornar-se realidade.
Através da Lei Municipal nº 70, de 03 de junho de 1960, a Municipalidade doou um terreno com área de 2.080 metros quadrados à Sociedade Bemaventurada Imelda, diviso, por um lado, com a mesma Sociedade; por outro lado com antigo beco sem nome – atual Rua Padre Pio Giocondo Lorgna, tamanho de 14,50 metros; depois, ainda com a referida Sociedade, na distância de 92,000 (noventa e dois) metros e, pelos fundos, com terrenos municipais da Estação de Tratamento de Água – aonde atual SABESP, na distância de 30,00 metros. 
A Instituição manteve convênio durante anos, a partir de 1976, com a antiga 'FEBEM' – Fundação do Bem-Estar do Menor, para acolhimento de meninas com problemas sociais (Beata Imelda – Obras Sociais: Educandário Nossa Senhora Aparecida, 2008: 1). 
Em 1983 iniciou projeto de recuperação de crianças abandonadas, e em 1986 aplicou estilo de trabalho em regime de semi-internato, sem distinções de sexo. 
A Instituição anunciou encerramento das atividades em 2013.
6.7. Educandário Lar da Criança
A Sociedade denominada ou conhecida por União Espírita Santa Cruz foi fundada em 19 de novembro 1950, sob a presidência de Jacyra [Jacira] Ferreira de [e] Sá, com personalidade jurídica adquirida em 18 de maio de 1951 (O Regional, 24/02/1961: 1). Jacyra doou terreno na Vila Saul, para a construção do Lar da Criança onde a atual Escola Zilda Monti (referência 2012). Outro terreno, no entanto, deu opção à Sociedade iniciar as obras de um moderno prédio à Rua Pedro Manoel de Andrade para acolhimento de menores desamparados.
O prédio não foi concluído por desentendimento entre os membros da União Espírita, que acabou por desfazer-se, e a Igreja Católica adquiriu a construção em andamento e ali instalou, aos 25 de março de 1953, o Educandário das Irmãs Dominicanas (da Beata Imelda).
O sonho ressurgiu aos 17 de junho de 1960 com a reorganização da Sociedade Espírita preparando-se para o recebimento de terreno doado pela Municipalidade, para fins de um Educandário – Lar da Criança, com área de 13.640 m², situada na Vila Joaquim Paulino, Rua Quintino Bocaiúva a partir dos fundos do Hospital Maternidade, conforme Lei Municipal nº 80, de 24 de agosto de 1960.
O Educandário foi destinado exclusivamente para crianças do sexo masculino, e estavam entre os seus diretores, Uaraci Fortes da Silva – Presidente, Luiz Marchesi – Vice-presidente, Jorge Riston – Secretário, Pedro de Almeida Silos (Pedro Caco) – 1º Tesoureiro, e Jairo Muniz da Silva – 2º Tesoureiro.
Segundo o Presidente Uaraci, entrevistado em 1961 esclareceu que a exclusividade ao sexo masculino se dava em razão que "para meninas já existe um estabelecimento similar", referindo-se ao Educandário Nossa Senhora Aparecida (O Regional, 24/02/1961:1).
O projeto para a construção foi ofertado pelo engenheiro José Carlos Nascimento Camarinha, e a obra iniciada de imediato, porém somente inaugurada aos 25 de outubro de 1970.
O Educandário teve ilustres nomes em sua formação e primeiros anos de atividades, e foi conhecido por Lar Espírita, em causa de sua direção composta por membros da seita, pela ministração de regras da doutrina [passes], mas não se fazia acepção de credo religioso.
Na gestão Onofre Rosa de Oliveira (1969-1972), a Câmara Municipal autorizou permuta de imóvel da Municipalidade – à Rua Conselheiro Saraiva (atual nº 407) com terreno da Sociedade Espírita [Educandário] onde edificada a Escola Zilda Comegno Monti. O município voltou importância em dinheiro para a o término das obras do Educandário.
Nos anos de 1980 adequou-se às normas ou exigências de governo para recebimento de subsídios públicos.
6.8. Lar Fermino Magnani
Após construção do novo prédio para abrigo de idosos, Fermino Magnani, membro da Sociedade Vicentina, teve a ideia de alguma realização em favor das mulheres, e daí surgiu o projeto de uma creche.
A sociedade santacruzense apoiou a iniciativa e a obra teve início em terrenos doados por Onofre Rosa de Oliveira, Basílio Vidor, Cyro de Mello Camarinha, José Pinheiro Ribeiro, José Acácio dos Santos e Pedro Cesar Sampaio.
O Lar das Crianças, denominado Fermino Magnani, foi fundado em 1960, com a finalidade em prestar assistência diurna às crianças cujos pais ou responsáveis trabalhassem. 
O crescimento da Instituição obrigou aquisições de imóveis periféricos, esbarrando-se no antigo 'Clube Japonês – Kaikan' cuja associação somente poderia permutá-lo por outro imóvel, conforme cláusula, o que viria acontecer quando Lar Fermino Magnani, acordado com a direção do Kaikan, comprou um terreno na Avenida Tiradentes e construiu um novo clube.
A Instituição sempre esteve identificada com a Professora Noêmia Alóe, sua mais atuante e destacada Presidente por um quarto de século.
6.9. Centro Social São José e a Casa do Menor
Frei Laurentino Pessuto, conhecido por Frei Chico, fundou o Centro Social São José, aos 04 de maio de 1985, inaugurado em 04 de março de 1987, com objetivos de atendimento às crianças carentes do município.
A seguir Frei Chico fundou a Casa do Menor 'Adelina Alóe' para atendimento às crianças e adolescentes com lares desestruturados.
Em ambos os projetos e realizações, Frei Chico contou com todo apoio da sociedade santacruzense e autoridades legalmente constituídas, tendo como destaques na iniciativa o casal Yutaka Sato e Ângela Maria Claudino Sato.
A Casa do Menor tornou-se referência em toda a região e importante apoio ao Conselho Tutelar e o Juizado de Santa Cruz do Rio Pardo, para a reintegração familiar de adolescentes e inserção social.
Mantém importante ação educacional auxiliando na formação estudantil dos menores, além de oferecer serviços de atenções à saúde e psicoterápico, e o apoio às famílias de crianças e adolescentes problemáticos. Atua legalmente nos processos de adoções.As mortes de Frei Chico e, depois, Ângela não fracassaram os projetos, e as Entidades interligadas montaram uma chocolataria – Doceria Frei Chico, com vendas de panetones, chocotones e 'ovos de páscoa', com produção já em escala industrial (ano referência de 2012). Também trabalham – até por objetivos em laborterapia e de profissionalização – com produtos hortigranjeiros para consumo e os excedentes postos a vendas.
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