SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

domingo, 4 de abril de 2010

1888 - 1891: ACONTECIMENTOS NOTÁVEIS

1. Escravidões em Santa Cruz do Rio Pardo
1.1. A escravização negra - libertação

O Brasil, país essencialmente agrário, tinha na mão-de-obra escrava a grandeza de sua economia, tanto que foi um dos últimos americanos a abolir a escravidão negra.
Os fazendeiros santacruzenses possuíam escravos, em maior ou menor número, conforme as posses. Joaquim Manoel de Andrade mantinha grande plantel de escravos, da mesma maneira que Francisco Ignácio Borges - o pioneiro religioso presbiteriano no lugar, e outros grandes nomes.
O padre e fazendeiro João Domingos Figueira era escravagista e teve, pelo menos, uma filha nascida de escrava. A favor dos escravos, portanto, não se podiam esperar ações da sociedade e nem das Igrejas representadas - católica e presbiteriana.
Os escravos eram batizados na Igreja Católica, "como ato de precaução e confirmação de posse do senhor, tendo em vista que estes assentos poderia servir como prova de propriedade até mesmo em processos judiciais" (Lacerda Delfino, 2009: 93). 
Francisco Ignácio Borges, embora presbiteriano, permitia ou determinava batismos de seus escravos no catolicismo.  
As numerações aos negros, constantes dos registros em Botucatu e Santa Cruz do Pardo, revelam aumento da população, entre os anos de 1873 a 1880, em conseqüência à chegada de famílias brancas abastadas na região: "A população escrava aumentava. Não sabemos o quanto montou o número de escravos, mas os registros revelam a sua progressão." (Donato, 1985: 119), quando então cessaram os registros de entradas de escravos no Vale Paranapanema. 
A taxação sobre transações de escravos era bastante cara e, além disso, o proprietário tinha que pagar o imposto anual sobre peças possuídas, conforme eram chamados os negros nos mercados em transações livres, ajustes particulares e leilões públicos. 
As transações eram tais quais mercadorias e animais. O escravo Marcelino, 17 anos, negro, natural de Porto Feliz (SP), foi comprado por Bernardino José de Andrade, sendo vendedor Marcelino Alves de Lara, ambos residentes em Santa Cruz do Rio Pardo. O valor da transação foi de "(...) um conto e seis centos de réis ...", efetivada em 19 de setembro de 1882, com escritura lavrada em cartório de Santa Cruz do Rio Pardo, pelo Tabelião José Manoel de Almeida, com as testemunhas de Raphael Silvério de Andrade Joaquim Manoel de Andrade. O imposto, de número 6, foi recolhido pelo comprador junto à "Collectoria de Lençóes, pelo qual fica provado haver pago a quantia de quarenta e oito mil reis ..." (Junqueira 2006: 52). 
Então os negros eram contrabandeados, mesmo que oficialmente o motivo de cessação de entradas de escravos negros no território paulista ocorria por ausência de interessados. Os fazendeiros temiam comprá-los por altos preços e, de repente, ver triunfar o movimento abolicionista com prejuízo certo a qualquer momento. 
Outro motivo de cessação de entrada de escravos negros estava no uso da mão-de-obra indígena; os índios aldeados supriam bem os escravos negros e a menores custos.
Da mesma forma, desde 28 de setembro de 1871, pela Lei Imperial nº 2.040 - a chamada lei do ventre livre, a escravatura negra estava com os dias contados: 
  • "Declara de condição livre os filhos de mulher escrava que nascerem desde a data desta lei, libertos os escravos da Nação e outros, e providencia sobre a criação e tratamento daqueles filhos menores e sobre a libertação anual de escravos."; era somente questão de tempo, em verdade ainda uma longa agonia e sofrimento, mas o fim da escravidão estava decretada.
A Lei do Ventre Livre também fazia cessar práticas hediondas, que consistiam obrigar mulheres negras manterem relações sexuais com negros especialmente escolhidos como reprodutores. 
A Lei 2.040, no entanto, não tratava apenas do ventre livre e os cuidados do governo com os "(...) nascidos livres de pais escravos - artigos 1º e 2º." Certa atenção e se pode verificar que o artigo 3º podia trazer a libertação antecipada do escravo:
  • "(...)."
  • "Art. 3º: Serão anualmente libertados em cada província do Império tantos escravos quantos corresponderem à quota anualmente disponível do fundo destinado para a emancipação."
    • "§ 1º: O fundo da emancipação compõe-se:"
      • "1º: Da taxa de escravos."
      • "2º: Dos impostos gerais sobre transmissão de propriedade dos escravos."
      • "3º: Do produto de seis loterias anuais, isentas de impostos, e da décima parte das que forem concedidas d’ora em diante para correrem na capital do Império."
      • "4º: Das multas impostas em virtude desta lei."
      • "5º: Das quotas que sejam marcadas no orçamento geral e nos provinciais e municipais."
      • "6º: De subscrições, doações e legados com esse destino."
    • "§ 2º: As quotas marcadas nos orçamentos provinciais e municipais, assim como as subscrições, doações e legados com destino local, serão aplicadas à emancipação nas províncias, comarcas, municípios e freguesias designadas."
  • "(...)."
Embasado neste artigo o Governo Imperial criou o 'Fundo de Emancipação da Mão-de-Obra Escrava', aplicada e acrescida de valores pelos Governos das Províncias. 
De acordo com o Relatório de Governo da Província de São Paulo (RG U 1113, 1882/1883: 24 e 26), Santa Cruz do Rio Pardo fez sua adesão a referido Fundo, em 1878, com plano de libertação de 236 [duzentos e trinta e seis] escravos matriculados que seriam libertos, gradativamente, mediante reembolso aos senhores escravagistas, através do município, em cotas anuais.
Apesar do recebimento da quarta cota do Fundo de Emancipação da Mão-de-Obra Escrava em 1882, Santa Cruz não registrara, ainda, a libertação de nenhum escravo, consoante documen-to oficial, com justificativa quanto a aplicação apenas da primeira cota e que as demais seriam lançadas conjuntamente em razão dos baixos valores do referido fundo (RG U 1113, 1882/1883: 24 e 26).
Não obstante elevou-se para 253 o número de escravos matriculados em Santa Cruz do Rio Pardo (RG BN 1027, 1882/1883: Mapa S/N entre as páginas 62 e 65).
Santa Cruz, para 1886, considerando recebimento de recursos financeiros do Império e da Província para libertação de escravos, e não o tendo feito, teve anunciado vistoria, por junta nomeada, para verificação e classificação de escravos efetivamente matriculados no município. 
O governo municipal, apesar do recebimento financeiro para emancipação da mão-de-obra escrava, teve declarado apenas 1 escravo livre, mas o número de escravos inscritos no programa caiu de 253 para 243, em causa dos libertos pela Lei dos Sexagenários, com direitos já assegurados, todavia ainda explorados como mão de obra gratuita (RG BN 1031, 1886/1887: 37-43). 
A libertação de escravos sexagenários nem sempre ocorria, mais em razão de pedido do próprio beneficiado, afinal para onde iria ele com avançada idade e sem condições de sobrevivência independente? Da mesma maneira as próprias entidades envolvidas na libertação da escravatura não estavam preparadas para albergar velhos libertos e nem tinham interesses naqueles considerados improdutivos. 
Os fazendeiros, através do município, mantinham a justificativa que o ressarcimento pela libertação de um escravo não era compensador para o proprietário individualizado. 
O escravo negro custava caro. Donato cita exemplos de transações no Mercado Nacional de Botucatu: "João por dois contos de réis, Joana por um conto e 200, Elizário por quatrocentos, Maria por 700”. (...). 'A crioula Carolina, cor fula, de oito para dez anos de idade, que ouve por arrematação que fez em hasta pública nesta Vila', ao preço de 500 mil réis." (1985: 119). 
O Governo confirma Santa Cruz com 306 escravos matriculados de acordo com o Regulamento de 14 de novembro de 1885, no valor de 121:075$000 (RG BN 1032, 1887/1888: 19, 5º Distrito), valor médio de 702$615 cada 'peça' ou escravo a ser libertado. 
Registro oficial revela, ainda para o ano de 1887, a libertação de 100 escravos, em Santa Cruz, pelo Fundo de Emancipação, acrescidos de 1 sexagenário liberto e 3 óbitos. Os demais seriam livres a seguir, ainda antes da abolição (RG U 1140, 1887/1888: 28).
Percebe-se que nenhum escravagista regional teve prejuízos com a Lei Áurea, nem a escravidão local encerrou-se com o ato abolicionista, diante de artifício, senão legal ao menos permitido, que fez lucrar ainda mais todos os donos de plantéis.
Ocorria que desde 1881 todos senhores de escravos negros, no Vale do Paranapanema, sabiam prestes a abolição, por isso concediam-lhes a liberdade, através de escritura lavrada em Cartório, na qual o liberto comprometia-se prestar serviços gratuitos ao ex-dono, durante determinado tempo, a título de reparação, indenização ou alforria, sendo muitos documentos sem datas e assinaturas, ou nem preenchidos, para uso posterior em caso de necessidade.
Segundo Leoni, tal feito tratava-se de evidente estratagema, posto escrituras lavradas "(...) com datas atrasadas, com poucos dias de antecedência ao decreto, diferenciando algumas de prazo maior, outras de menor prazo, mas se vê que tudo era a mesma coisa." (1979: 298-300).
Acontecia, de alguma maneira, escravos adquirirem a liberdade, por meios próprios, por auxílio de
Irmandade. O negro podia ingressar com processo de libertação - pelo fundo de emancipação, pela compra particular da liberdade ou através da Irmandade, mas o processo podia ser contestado pelo patrão e isto demorava anos, e durante a tramitação processual, quase sempre o negro ainda estava sujeito ao 'Jugo do Cativeiro'.
Na Paróquia de Santa Cruz aconteceu caso emblemático:
  • "(...) a perseguição de cinco cidadãos libertos - para serem entregues ao jugo do captiveiro! - effectuada em virtude de ordem do delegado da policia deste termo, cujo nome - Manoel Luiz de Souza - aqui deixo estampado, recommendando aos exmos. sr. presidente e chefe das policias da provincia, bem como à posteridade, como um padrão de gloria - fructo da atual situação politica, não se explica."
  • "Este triste e ridiculo espetaculo, já por mais de uma vez representado em nossa provincia, desta vez foi com tanta pericia e perfeição - pelos actores assalariados, e especialmente da autoridade referida, que a amorte, a desolação de uma familia, apresenata-se como um rasto negro, tinto de sangue da victima, e atalvez ainda tenhamosa dizer - das victimas - que fará semepre e sempre lembrar à casa perfeita autoridade publica, á quem a lei confiou a vida, a honra, a tranquilidade e a garantia de uma inteira população, o infausto assalto, que ordenou, dado no dia 15 do corrente mez, em casa do pacigfico cidadão Francisco José da Rosa, residente na freguesia de S. Pedro do Turvo, deste termo, e lhe servirá de verdadeira coroa de louros."
  • "Os agentes, - capangas, secretamente provocaram a prisão dos infelizes - que a todo transe pretendem amarrar, para merecerem as graças do dignissimo delegado escravocrata; e o conseguirão certamente visto a boa vontade com que encetaram a campanha."
  • " - Chamando a attenção do publico e do governo para o acontecido já, aguardamos o desfecho dessa gloriosa campanha, encetada a 15."
  • "Santa Cruz do Rio Pardo, 17 de dezembro de 1883,"
  • (Ano XXX nº 8215, 04 de janeiro de 1884: 2).
Leoni descreve sobre uma escritura pública, lavrada e registrada em Campos Novos Paulista aos 06 de abril de 1888, em que o fazendeiro santacruzense João Marques da Silva concede liberdade à escrava Victória, matriculada na Coletoria de Santa Cruz do Rio Pardo, sob condição dela prestar-lhe serviço gratuito pelo prazo de um ano, documento qual Leoni faz juntar fac-símile em sua obra à página 365. Para a escrava, livre por documento oficial em 6 de abril de 1888, a escravatura terminou, na realidade, em 1889.  
Certos contratos consideravam o escravo ter recebido antes determinado valor pela sua liberdade, ou seja, o período que o patrão lhe cuidou, seu preço de compra, os gastos com alimentações, vestuários, medicações e prejuízos causados, morte provocada ou não de algum animal, dias parados por quaisquer motivos, quebras de equipamentos ou maquinários, entre outras ocorrências, daí o serviço gratuito em retribuição. 
  • Quando do vencimento do prazo contratual, se anterior a edição da lei de libertação, renovava-se o período sob qualquer pretexto ou exigência patronal.
No município de Piraju, ainda São Sebastião do Tijuco Preto, por Lei Municipal de 15 de janeiro de 1888,  foram libertos todos os escravos dentro de sua jurisdição, mediante compensação indenizatória, na forma de prestação de serviço gratuito.
Apesar das peculiaridades locais, não se pode pretender que o regime de escravidão negra em Santa Cruz do Rio Pardo tenha sido diferente das demais regiões, em especial, na província de São Paulo. Assim, assevera-se que os seus negros escravos também foram protagonistas de diversas rebeliões, fugas, crimes e mesmo formações de quilombos, de onde partiram suas resistências contra a escravidão, fossem através de assassinatos de preadores e colaboracionistas, fossem através das promoções de fugas. 
Onde atual município de Paraguaçu Paulista existiu o Quilombo Patrimônio das Antas, fundado por escravos antes da Lei Áurea. O Patrimônio das Antas já existia antes da chegada dos primeiros desbravadores, 1870 / 1878, com os quais tiveram uma convivência mais ou menos pacífica, desde que por lá não se abrigassem negros fugidos das fazendas locais. Naquele Quilombo tinha negros das regiões do Rio Novo [Avaré] e do Pardo, entre outras localidades.
Giannasi confirma existência do Patrimônio das Antas "(...) fundado antes da Lei Áurea por ex-escravos alforriados e, após essa lei, tinha crescido consideravelmente, com adesão de muitas famílias de libertos." (Giannasi - Chrysostomo, 2003: 170-171). O autor Giannasi demonstra certo e compreensível receio em ferir pundonores dos descendentes locais de famílias escravagistas. 
Em 2007 ainda residia uma família quilombola no Patrimônio das Antas, tão somente uma velha casa. A antepassada escrava, segundo informações colhidas, tinha matrícula em Santa Cruz do Rio Pardo. 
Hércule Florence menciona um Quilombo às margens do rio Paranapanema, umas léguas acima da sua desembocadura no Paraná, citação semelhante a outro Quilombo nas proximidades do rio Tietê – lugar hoje chamado Quilombo, localidade também dentro da nossa área de estudo (Hardman, 2004: 65). 
Santa Cruz teve Irmandade do Rosário, formada de homens negros - escravos ou forros, inclusive com uma praça no o Largo do Rosário, para suas reuniões e festejo. A confraria também era conhecida por Irmandade de São Benedito dos Homens Pretos.
Assunto polêmico, não se pode ignorar a presença da Irmandade do Rosário e São Benedito "dos homens pretos ..." em Santa Cruz do Rio Pardo, porque os escravos trazidos para a região procediam, assim como seus senhores, do sul mineiro, onde historicamente eram ativas as congregações de forros e cativos.
No Sul de Minas, havia muitas irmandades "(...) como por exemplo, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário." (Hiansen, 2003: 101). 
Os associados tinham liberdades de ações limitadas pelo Clero, com objetivos sociais de libertação pacífica de escravos negros mediante compra - alforria, a troca por outro cativo ou a coarctação negociada, contudo nenhum registro sabido chegou aos dias atuais. 
Para esta ausência de documentos culpa-se o Padre João Domingos Figueira, Vigário em Santa Cruz a partir de 1873. Figueira era fazendeiro na região desde o início dos anos de 1860, dono de considerável plantel de escravos, conforme atestam assentos eclesiais declarados pelo próprio e outros oficiantes religiosos.
Evidentemente nada fácil juntar os retalhos para se reconstituir traços de uma cultura que a Igreja fez arrasar, mas em Santa Cruz do Rio Pardo os negros, escravos e forros, vindos de Minas Gerais nos primeiros tempos da formação regional, congregavam a Confraria do Rosário, porque outra razão não teria destinar-lhes a Igreja, documentalmente, um lugar denominado Largo do Rosário, para as suas reuniões e folguedos. 
Para o autor Junqueira: 
  • "A concentração maior de pessoas de cor negra verificava-se na '13 de maio', uma praça na Rua Conselheiro Dantas. Ali os homens de cor se confraternizavam sob a proteção da Irmandade de São Benedito. A praça, oficialmente, passou a se chamar Praça Coronel Marcello Gonçalves, a partir de 1893. Mesmo com a nova denominação a voz do povo consagrava como praça '13 de maio' e, mais tarde, ao patrono dos negros, São Benedito" (2006: 56). 
Naquele largo os negros se reuniam num terreiro onde erigido o abrigo que lhes servia de templo, para a prática de seus cultos e festas sincretizados sob a proteção de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito, conforme a Confraria, até que "A nova face da Irmandade desperta a antipatia das oligarquias, forçando setores da Igreja Católica a exercer todo o seu poder de coerção para a proibição de práticas estranhas aos ditames sacramentais." (Araujo Neto, 2009: 17).
O espaço físico era uma necessidade. 
  • "Para as irmandades, a construção da igreja ou capela resultava, sobretudo, da necessidade de compartilhar os interesses coletivos num espaço que lhes garantisse uma certa segurança. (...). A construção de um templo religioso próprio era tida como um dos principais meios para alcançar essa independência, permitindo aliar maior status à maior liberdade de ação (Scarano, 1976)." (Taynar, 2001: 173). 
Acerca do sagrado, aos negros não era permitido acesso às igrejas dos brancos, às vezes tolerados numa lateral do altar. Tal segregação religiosa determinava ao negro constituir, ou o branco lhe impor, espaços próprios de devoção, em lugares distantes do centro urbano, com o levantamento de uma capela, bastante simples, em volta da qual promoviam suas folganças denominadas Congos. 
Evidentemente existiam conflitos: 
  • "Essas irmandades tiveram o auge até meados do século 19. Depois disso, com o pontificado de Pio IX e o Concílio do Vaticano I, em 1869, a Igreja passa por uma transformação muito importante, conhecida por período de romanização. Essa fase é marcada por uma nova visão do papel do leigo no interior dessa instituição. Os negros que pertenciam às irmandades foram expulsos das igrejas, por eles mesmos construídas, e no lugar dessas associações foram criadas outras, mais de acordo com o espírito do Concílio." (Cezerilo, 2002: 1 - apresentação). 
Sem exageros, o estudioso Martins ao pesquisar paróquias de São Paulo – período 1870/1900, conclui que:
  • "(...) isto se comprova sobejamente nas instruções aos párocos registradas n'os livros de tombo paroquiais do final do século XIX - foi, aos poucos, introduzindo modificações no culto e nas cerimônias, (...), fundindo cultos e criando novas festas e devoções, aformatadas às manifestações da Festa do Rosário, a exemplo da Festa dos Reis Magos, Festa do Divino, Folia dos Santos Reis ..."(1999: 5). 
Araújo Neto apresenta as causas: 
  • "Nas celebrações das tradicionais Festas do Rosário, (chamadas de 'oragas', que significa padroeira), é inegável a presença de imagens e ritos profanos, destaque para a música, dança, comilança e consumo de bebidas alcoólicas. Na verdade, a festa era momento único para os negros sentirem o sabor da liberdade, transgredindo normas e preceitos difundidos pelo Estado e pela Igreja Católica. Enquanto a Igreja pregava a libertação da alma, a irmandade estava mais preocupada em romper os grilhões que acorrentavam corpos de um povo, considerado inferior pelo simples fato de ter a cor da pele e a cultura diferentes da raça dominante. Portanto, a verdadeira antinomia existente entre a igreja e a irmandade ia muito além da mera heterogeneidade das concepções doutrinárias de ordens espirituais." (2009: 17).
Sem dúvidas ocorreram conflitos. No Vale do Paranapanema, onde os patrões e senhores usavam de engôdos para a continuidade cativa de seus escravos libertos pelo Fundo de Emancipação, ocorreram sem dúvidas, confrontações entre a confraria e os escravistas.
As tradições indicam revoltas de escravos em Santa Cruz do Rio Pardo e região. Mesmo quando já declarada a libertação, a comunidade de ex-escravos e descendentes revoltaram-se contra a família Gonçalves da Silva, mais propriamente Marianna Amélia Freitas Pinto Mello, mãe do Coronel Francisco Clementino Gonçalves da Silva, que mandara executar a amante do marido, uma afrodescente, e o filho da união adulterina. Os rebelados cercaram e incendiaram o lugar onde homizados os executores do crime.
A secretividade da confraria era exercitada nos incentivos às rebeliões, além de proteções aos negros fugidos, levando-os às escondidas para os quilombos.
Pós-libertação e esgotados os compromissos de alguns cativos, uns e outros negros, através da confraria, procuraram por Quilombos ou Comunidades Negras onde o trabalho por conta própria; outros, no entanto, permaneceram trabalhadores da terra – mão de obra remunerada, à vezes no próprio local onde foram escravos.
Certamente os idealistas pensaram fácil a abolição da escravatura, não contando que os negros não sabiam outra vida de trabalho que não a servidão imposta e forte, por isso quando livres todos se tornaram indolentes e trabalhadores ineficientes, entregando-se rápidos a uma vida dissoluta e de fanfarrices, porque era assim que entendiam a vida livre que seus antepassados não tiveram e de repente lhes foi ofertada. 
Para muitos estudiosos, no entanto, a maioria dos negros libertos buscou centros maiores para se empregar, com isso a quebrar um período da transição necessária entre os negros e a chegada dos imigrantes, a gerar conseqüentemente clima de pessimismo e caos econômico no sertão. 
Desconhecendo as regras e o preço exigido para a liberdade, os negros que se fizeram urbanos foram repelidos para as periferias, formando os primeiros bolsões de miséria. 
A abolição representou, para os negros e mestiços cativos, o ato redentor de juridicidade governamental, mas não sua emancipação civil, política e econômica, mantendo-os segregados sociais, dependentes de subempregos, incapazes de algum movimento que os tornasse iguais ou competidores com a mão de obra dos imigrantes europeus e asiáticos.
Com a libertação dos negros e até a chegada não uniforme dos imigrantes, toda carga de trabalho recaiu sobre os índios, que já não eram mais tão dóceis para o trabalho servil, certamente inspirado nos negros e seus movimentos em pró a liberdade. Sabendo viver nas florestas e amando a vida livre, os índios fugiam de seus senhores, cada vez mais, sendo notícias tribos inteiras abandonarem suas aldeias nas fazendas, para embrenharem-se nas matas, numa volta aos antigos hábitos extrativistas, vindos aos povoados apenas para as práticas de pequenos furtos e atazanarem os brancos.
A respeito da confraria esta efetivamente acabou-se, conforme seus princípios originais. Subsistiu por alguns anos após a abolição, e depois se transformou numa associação exclusivamente religiosa católica. 
Para o antigo Largo do Rosário, apenas a tradição deu lembranças ao orago São Benedito e ali uma igreja sob sua invocação, mas o lugar teve o nome oficial de Praça Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, a partir de 1893.
Embora conhecida popularmente no início do século vinte como Praça 13 de Maio e, mais tarde, São Benedito, a Praça Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira teve o nome oficialmente mudado para Octaviano Botelho de Souza, pela Lei Municipal 689, de 14 de abril de 1976.
No ano de 1903, aos 14 de março, o Correio do Sertão publicou o Estatuto de Compromissos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito da Paróquia de Santa Cruz do Rio Pardo, do Bispado de São Paulo. A confraria dizia-se de livre associação, sem distinção de sexo, idade e condição social, na qual para associar-se o católico apostólico romano deve pagar jóia e mensalidade. O estatuto foi lavrado em 11 de janeiro de 1903, por Benedito Marques, Secretário 'ad-hoc', assinado pelo Vigário Francisco Botti, Sylvestre Setti, Francisco Pinto Ferreira e José Sebastião de Oliveira, de cuja ata aprovada foi encaminhada cópia ao Arquivo da Câmara Eclesiástica. 
Estava a Irmandade então na forma estritamente de instituição religiosa, sob autoridade Diocesana, e regida por Leis Canônicas.
1.2. Acerca dos escravos mulatos e cafuzos
Oficialmente não se tem registros oficiais de escravos mulatos e cafuzos em Santa Cruz.
Os cruzamentos interétnicos eram proibidos, porém, veladamente se sabe de nascidos cafuzos como meio de manter o cativeiro e a comercialização de escravos sem o ônus dos registros cartoriais.
A escravidão de cafuzos sempre foi negócio altamente rentável, sem o melindre da consanguinidade branca, tanto que fazendeiros e responsáveis pelos aldeamentos, ainda no século XIX  mobilizavam esforços para apresamentos indígenas onde garantida a presença do negro, para cruzamentos, ainda que oficialmente a captura de índios fosse com finalidade evangelizadora e de catequese, para assim evitá-los mortos pelos fazendeiros ou que fossem apresados.
Se proibida a reprodução negra/indígena, então a criança era retirada do lugar e encaminhada às fazendas interessadas, com ou sem a mãe.
Por conseguinte, a Lei do Ventre livre não atingia os cafuzos, porque não eram filhos de mães escravas - uma brecha legal ao se usar o negro como pai - o que, no entanto, se antepunha a outra lei, que os índios não eram oficialmente escravos e sim prestadores de trabalho obrigacional gratuito.
Mas, não constam embaraços regionais em causa dos descendentes negros com indígenas.
1.3. Os 'forros' 
Na sociedade da época era difícil a condição do negro forro. A escravidão era difícil, desumana, mas ser liberto sem os meios garantidos de sobrevivência parecia ser ainda pior.
O negro forro, comum, não arrumava emprego, e se montasse algum estabelecimento ninguém comprava ali, nem o próprio negro. Tinha constantemente que dar satisfações, apresentando sua carta de liberdade.
Uma das opções era o liberto ir viver em algum quilombo onde trabalhava para sustentação própria e numa situação que beirava a calamidade, sem nenhuma estrutura e desamparado socialmente. Outra maneira era disputar oportunidade nas Irmandades, já saturadas de tantos elementos, que então preferiam aqueles que sabiam ler e escrever, com algum grau de estudo, ou os mulatos cujos pais brancos lhe deram condições sociais melhores e que depois irmanaram-se na causa da libertação.
Evidente que o escravo sonhava com a liberdade e a desejava para si, e se empenhava em guardar suas economias - frutos de escambos ou algum donativo recebido. Contava para o sucesso disto com as entidades abolicionistas e as irmandades. 
Alguns faziam-se meeiros com os patrões, em horas vagas, trabalhando pequeno espaço de terra, e cujos lucros dividiam; outros arrendavam pequena propriedade para 'tocar a vida' por conta própria, nos fins de semana ou algumas horas por dia, e os produtos eram vendidos junto com as mercadorias do dono da terra. 
Certos afortunados ganhavam pequena propriedade, e onde valia tudo em termos de trabalho e ganho, criar galinhas, cabras, porcos, ovelhas, vacas e até muares, em qualquer espaço, e o objeto disto tudo era a conquista de liberdade. 
Quase nunca o fracasso de algum liberto tirava a empolgação do ideal de liberdade.
Nos anos de 1820 - nem era, ainda, época do Sertão Paranapanema, alguns abolicionistas entendiam que o negro que conquistasse sua liberdade - se tornasse forro, e não tendo condições de sustentação, lhe seria destinada uma quantia de terra para que pudesse nela trabalhar. 
Isto gerou complicações e até 'guerra', pois uma vez identificadas as terras devolutas para esse fim ou o latifúndio improdutivo, as Irmandades promoviam invasões e lá estabeleciam Quilombos.
Alguns conseguiam libertação mediante feitos em favor do patrão ou de algum membro da família. Outros iam lutar em revoltas, levantes ou mesmo guerra, no lugar de familiares do patrão, em troca da alforria, mesmo que depois a vendesse de volta, porque quase sempre a liberdade lhe era utopia.
-A Revolta dos Liberais e Guerra do Paraguai proporcionaram condições de muitos negros libertos.
A Lei 2.040, de 28/09/1871, também conhecida como a Lei do Ventre Livre, ou os nascidos livres de mães escravas, também apontava:
  • "Art. 4º: É permitido ao escravo a formação de um pecúlio com o que lhe provier de doações, legados e heranças, e com o que, por consentimento do senhor, obtiver do seu trabalho e economias. O governo providenciará nos regulamentos sobre a colocação e segurança do mesmo pecúlio." 
    • Com o resultado, o negro podia adquirir sua liberdade.
Mas o Artigo 3º da mesma lei 2.040 preconizava o Fundo de Emancipação da Mão de Obra Escrava, pago pelo Governo - Imperial e Provincial ao dono de plantel: "Serão anualmente libertados em cada província do Império tantos escravos quantos corresponderem à quota anualmente disponível do fundo destinado para a emancipação."
O negro também adquiria direito a liberdade pela Lei do Sexagenário. 
De qual maneira fosse, ninguém indenizava o negro; o patrão não perdia, era compensando e usava, muitas vezes, de ilícitos para lucrar mais, conforme já observado. Quando já era certa a Lei Áurea, os patrões deram liberdade antecipada a seus escravos em troca de compensações pagas com o trabalho.
Tornar-se liberto, portanto, era possível por diversas maneiras e meios, bastando superar obstáculos. A conquista às vezes podia não ser interessante, mas nem todos os forros fracassavam.
1.3.1. O 'forro' Antonio Joaquim Melchior de Camargo
O mais famoso forro no sertão centro sudoeste paulista foi Antonio Joaquim Melchior de Camargo. Na época quando os sertanistas mineiros mais abastados chegaram acompanhados de escravos negros, também, acorreu Antonio Joaquim Melchior de Camargo, ou Antonio Joaquim Melchior conforme mais conhecido, com seus muitos escravos e ele próprio "(...) era preto alforriado ..." (Leoni, 1979: 4), cuja carta de liberdade recebera por atos de bravuras em defesa dos interesses da família Ferreira Medeiros, a quem pertencia.
Nantes, que afirmou ter visto foto de Melchior, atesta-o forro e que "(...) era preto, mas creio que mestiço. (...). Tinha olhos claros. Muito estranho." Nantes não tem certeza, mas admite ascendência européia na linhagem daquele ex-escravo, talvez "(...) descendente de holandeses ou espanhóis," (2007: 57-58). 
Para trineta Ireni dos Santos Braga, "Antonio Joaquim Melchior de Camargo era pardo, neto de uma escrava e de um francês, este, um senhor de engenho em Minas Gerais." (Braga, 2010: 3), e desconhece seu parente ter sido escravo: "(...) não possuo documentos que diz sim ou que diz não, só história da família verbalmente e os fatos que nunca, em momento algum, foi mencionado, Antonio Joaquim Melchior como escravo ou o pai dele Antonio José Belchior, só possuidores de numerosos escravos." (2011: 1).
  • Braga não revelou quem foi o avô francês de Melchior, talvez por não saber. Pode não ser o caso, mas em dias atuais ainda muitos afro-brasileiros atribuem certa importância à sua origem tribal afro.
Descrições dadas pelas famílias Ortiz Salles, Nantes, Vieira, Ferreira e Medeiros, entre outras, vinculadas por afinidades parenteiras ou de compadrescos, confirmam Melchior escravo alforriado pela família Ferreira Medeiros.
Os estudiosos Nantes e Leoni citam Melchior escravo afrodescendente e, também, concordam quanto às motivações para sua alforria; o primeiro menciona favores às famílias Vieira e Medeiros, e o segundo aos, Ferreira e Medeiros, mas tais famílias integram-se por laços diversos desde os tempos de Minas Gerais. A condição de ter sido mulato ou pardo, em nada modificaria a situação de Melchior como escravo, exceto a partir da alforria.
As ações de Melchior em favor da família Ferreira Medeiros teriam acontecido na Revolta dos Liberais, em 1842, em Minas Gerais. Alforriado, Melchior metera-se no tráfico de escravos contrabandeando-os entre as províncias, atendendo interessados, além das atividades típicas de 'capitão-do-mato', autônomo, na captura de negros foragidos ou metidos nos Quilombos.
Traficante e fornecedor de mão de obra escrava, Melchior de Camargo tornou-se homem rico, influente e poderoso em toda a região adiante de Santa Cruz do Rio Pardo, dono de grandes fazendas.
Segundo Braga:
  • "Antonio Joaquim Melchior de Camargo era filho de Antonio José Belchior e Joaquina Maria do Espirito Santo (ou Joaquina Maria da Rocha Camargo). Foi casado em primeiras nupciais com Delphina Maria de Jesus, com a qual teve um filho, José Delphino de Camargo. Viúvo, casou-se com Emerenciana Maria de Jesus e teve as filhas: Ana Joaquina, Eduarda Maria, Faustina Brigida e Caetana. Viuvo novamente, Antonio Joaquim casou-se com Mathildes Maria de Jesus (ou Mathildes Maria Vieira Martins), em 31 de maio de 1864 (...) tiveram os filhos: Joanna Batista, Antonio Lazario Melchior (...), Maria Cassiana, Silveria Maria Maximiana Cirilia, Maria Ângela, Luiza Dionizia, Licerio Theodoro Melchior, Marianna Olympia e João Antonio Melchior." (2010: 2).
A história do Vale do Paranapanema confirma Antonio Joaquim Melchior de Camargo povoador na denominada Fazenda Pouso Alegre e propriedades menores agregadas, compreendendo partes de atuais territórios de Assis, Paraguaçu Paulista e Maracaí, entre outras, num total de 22 mil alqueires de terras (Braga, 2010: 2).
Da Fazenda Pouso Alegre, documento oficial comprova que Melchior a adquiriu e depois permutou parte na localidade definida:
  • "(...) para o rio Capivara, situado no districto de paz de Conceição de Monte Alegre, desta comarca, fazenda essa que adquirida por Antonio Joaquim Melchior a José Theodoro de Sousa e outros, por escriptura publica de 1º de Abril de 1871, lavrada nas notas do escrivão de paz e tabellião da freguezia de São Domingos, termo de Lençóes e Comarca de Botucatú, Manoel Joaquim Bueno, com as divisas e confrontações constantes na alludida escriptura; segundo - Que Antonio Joaquim Melchior de Camargo, requereu e promoveu perante o juiz comissario [Theodoro de Camargo Prado] a medição e demarcação das terras de sua propriedade denominada fazenda 'Pouso Alegre', tendo approvada e expedida a seu favor a respectiva carta de a legitimação em 9 de Dezembro de 1888 e a assignada pelo então Governador [Presidente] da Provincia S. Paulo, conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira, o que tudo se evidencia pelo decreto nº 1; terceiro - Que Antonio Joaquim Melchior de Camargo e sua mulher por escriptura publica de 13 de agosto de 1888, lavrada nas notas do tabellião Augusto José Fernandes, da cidade de Batataes, permutaram com Candido José Garcia, e sua mulher, o referido immovel, com divisas e confrontações constantes da mesma ecriptura (...)." (DOESP, 18 de março de 1913 - citação de condôminos pelo- Juizo de Direito da Comarca de Campos Novos do Paranapanema).
    • Trata-se da transação de 2.900 hectares de terras, no valor de 40:000$000 (R - SNA... 1902: 120-121).
Melchior vendeu 2.420 hectares de sua propriedade Fazenda do Cervo, no Distrito de Paz de Conceição de Monte Alegre, Comarca de Campos Novos do Paranapanema, conforme "Escriptura de compra feita por Marcellino Antonio Diniz a Antonio Joaquim Melchert [erro de grafia - Melchior o correto] em 14 de Outubro de 1875. Carta de legitimação passada em 26 de junho de 1890. (...)." (R - SNA... 1902: 108-109).
Da carta de legitimação de 3.630 hectares de terras da Fazenda Barra do Cervo, Distrito de Paz de Conceição de Monte Alegre, Comarca de Campos Novos do Paranapanema, passada em 09 de dezembro de 1885, a favor de Antonio Joaquim Melchior de Camargo, depois alienada em "Escriptua de venda deste a João Hyppolito Alves de Barros. (...)." (R - SNA... 1902: 108-109). 
Esta fazenda tornou-se propriedade de Antonio José de Macedo, registrada por sua viuva D. Ignacia de Abreu Macedo e negociada por "Escriptura de permuta entre o Padre Paulo de Maya [o correto é Mayo] e a registrante." (R - SNA... 1902: 108-109).
Outro registro, em nome de Melchior, refere-se à propriedade 'Cabeceiras do Cateto' no Distrito de Paz de Conceição de Monte Alegre, Comarca de Campos Novos do Paranapanema: "Escriptura de venda feita por Antonio Joaquim Melchior a Marcellino Antonio Diniz, e deste a outros intermediarios inclusive João Machado de Toledo que por sua vez vendeu ao registrante [Padre Francisco José Serodio] em 26 de abril de 1900." (R - SNA... 1902: 110-111).
Ao Marcellino Antonio Diniz, Melchior vendeu, ainda, outros 14.520 (quatorze mil quinhentos e vinte) hectares da Fazenda Cervo, de acordo com documentações descritas desde as origens:
  • "Certidão de Escriptura de venda que fez José Theodoro de Souza a Antonio Joaquim Melchor [erro de grafia para Melchior] de Camargo. Certidão da Escriptura de venda que fez Antonio Joaquim Melchor [erro de grafia para Melchior] de Camargo a Marcellino Antonio Diniz. Certidão de Escriptura de venda que fez Marcellino Antonio Diniz a Salviano José Nogueira e sua mulher da fazenda do Cervo. Escriptura de 18 de Julho de 1894. Imposto de transcripção de propriedade e extracto para transcripção de immovel datados em 19 de julho de 1894." (R-SNA... 1902: 136-137). 
Desde a abolição dos escravos, em 1888, Melchior vinha se desfazendo de seus bens, segundo exemplos acima, e em dois anos vendera muito mais e as divisas avançaram terras além daquelas efetivamente escrituradas, pois que ele dado unicamente ao tráfico escravagista, não sabia trabalhar as terras, não tinha noção alguma do quanto possuia e perdera todo o seu prestígio. 
Já doente, por escritura de 9 de novembro de 1890, Melchior doou 750 braças quadradas de terras da Fazenda Pitangueira, nas divisas com Marcellino Antonio Diniz, para o Patrimônio de Nossa Senhora do Patrocinio, onde hoje a cidade de Maracaí. 
  • A braça quadrada corresponde a 2,20 X 2,20 metros, ou seja, 0,000484 hectares, sendo o hectare 10 mil metros quadrado. 
Antonio Joaquim Melchior faleceu aos 11 de agosto de 1892, com 78 anos de idade, e foi sepultado em Conceição de Monte Alegre - atual distrito de Paraguaçu Paulista.
Aos 15 de janeiro de 1898, a viúva Mathildes Maria de Jesus e família doaram ao Patrimônio de São Sebastião da Roseta, 31 alqueires de terras (Braga, 2010: 4).
Documento de 1902 traz o seguinte informe: "Certidão dos autos de inventario dos bens do finado Antonio Joaquim Melchior de Camargo dos quaes consta esta parte que coube ao registrante na qualidade de herdeiro por cabeça de casal." (R - SNA... 1902: 122 124). A propriedade tratava-se da Fazenda da Roseta, com 150 alqueires, no atual Distrito de Roseta em Paraguaçu Paulista, sendo registrante José Vicente Ferreira - genro do falecido.
1.4.2. Forros porém sujeitos ao jugo do cativeiro
Acontecia de alguma maneira, escravo adquirir a liberdade, por meios próprios, por auxílio de Irmandade. O negro podia ingressar com processo de libertação – pelo fundo de emancipação, pela compra particular da liberdade ou através da Irmandade, mas o processo podia ser contestado pelo patrão e isto demorava anos, e durante a tramitação processual, quase sempre o negro ainda estava sujeito ao 'Jugo do Cativeiro', bastando denunciá-los arruaceiros ou não adaptados para a vida em sociedade, e retornavam aos antigos patrões.
Armavam-se situações para pender negros libertos, que assim voltavam ao cativeiro, sob a justificativa de não adaptação social, ou procedimentos incompatíveis com a vida em liberdade.
Na Paróquia de Santa Cruz cinco libertos foram ilegalmente detidos por ordem do Delegado de Polícia em exercício, Manoel Luiz de Souza, e devolvidos ao antigo senhor, "para serem entregues ao jugo do captiveiro. (...). Os agentes, – capangas, secretamente provocaram a prisão dos infelizes – que a todo transe pretendem amarrar, para merecerem as graças do dignissimo delegado escravocrata; e o conseguirão certamente visto a boa vontade com que encetaram a campanha" (Correio Paulistano, 04/01/1884: 2).
1.5. E os índios continuaram escravizados
A despeito das libertações das escravaturas no Brasil, primeiro a indígena, definitivamente desde 17 de outubro de 1831, depois a negra aos 13 de maio de 1888, isto não impediu a mobilização do índio para trabalho obrigacional gratuito, no Sertão Paranapanema, até os primeiros anos do século XX.
Para burlar a legislação quanto a continuidade da escravidão indígena, os fazendeiros valiam-se das admissibilidades legais, através de aldeamentos particulares, declarando os índios que viviam pacificamente em suas terras onde recebiam a cristianização, além da moradia, alimentação e proteções contra inimigos.
Os fazendeiros podiam, também, requisitar mão de obra indígena diretamente nos ditos aldeamentos oficiais, como contribuição na socialização e educação do índio, através do trabalho, para sua inserção social, qual seja, torná-lo útil à sociedade.
Existiam outros meios legalmente permitidos para o uso do índio para o trabalho obrigacional gratuito, sem declará-los oficialmente escravos, por exemplo, como medida de segurança, impedindo índios errantes na região que podiam colocar em risco a vida das pessoas brancas ou causas de danos nas propriedades.
Os senhores podiam dispor dos indígenas a bel prazer, como objetos de permutas, compras e vendas. Em 31 de setembro de 1885, o policial José Sebastião vendeu a índia Maria ao João Antonio Molitor,  Comandante do Destacamento de Santa Cruz do Rio Pardo (Correio Paulistano, Ano XXXI nº 8719, 16 setembro de 1885: 2).
Desta maneira, a escravidão indígena era tolerada, ainda em 1900, em todo centro sudoeste paulista, inclusa a região de Santa Cruz, sabendo-se de índios nestas condições residentes na Fazenda Perobas. No ano de 1903, aos 22 de abril, foi declarado em Cartório o óbito de José  "(...) filho legitimo de João ìndio e Rita de Tal, indios guaranys ...". 
Os mestiços, índios e brancos ou índios e negros, também eram escravos, ou submetidos a tal regime, embora pais brancos pudessem evitar esta situação para filhos mamalucos. A despeito da proibição da escravatura indígena desde 17 de outubro de 1831, isto não impediu sua mobilização para trabalho obrigacional gratuito, no Sertão Paranapanema, até o final do século XIX, e mesmo no primeiro decênio dos anos de 1900.
Foram diversas as leis proibitivas de guerra ao índio e sua escravização, a primeira delas ainda em de 1570, lei parcial por permiti-la sob referida alegação de 'guerra justa', quando no ano de 1609 achou-se por bem ratificar o direito indígena à liberdade, sem nada lhe acrescer às garantias individuais. 
Outras leis vieram até quem em 1758 foi declarado o fim da escravidão indígena, sob qualquer pretexto, se não fosse prejudicada pelas guerras justas que, pela Carta Régia de 05/11/1808, permitiu na Província de São Paulo, excepcionalmente, a guerra e escravização indígena de tribos que atacam os brancos, impedem o progresso e o avanço civilizacional.
Não era complicado burlar a legislação. Muitos fazendeiros mantinham diversas famílias indígenas em suas propriedades, como aldeamento particular protecionista, para com isso obter do índio a retribuição legalmente admitida, ou seja, o trabalho obrigacional gratuito; então não eram oficialmente escravos, e o Censo de 1872 revela-nos índios - caboclos contados com a população [livre] santacruzense.
Sob todos os aspectos, a mão de obra indígena era barata, sem custos com alimentação, remédios, vestimentas, bastando lhes dar espaço de terra para a aldeia e pequenos roçados, cuidados pelas mulheres, pelos velhos e crianças, também responsáveis pela coleta extrativista enquanto os adultos trabalhavam para os brancos. É certo que o índio perdia sua condição seminômade, mas lhes era preferível tal subjugação que os riscos de enfrentamentos com os brancos, ou obrigados a fugas constantes. 
Portanto, os fazendeiros utilizavam a mão de obra indígena em suas propriedades, em regime de servidão, porém declarando-os aldeados ou que viviam pacificamente em suas terras, apenas pagando com serviços voluntários a proteção que lhes eram ofertadas contra inimigos, além da moradia e alimentação. 
A lei faculta-os: 
  • "Qualquer morador que segurar algum destes Indios, poderá consideral-os por quinze annos como prisioneiros de guerra, destinando-os ao serviço que mais lhe convier." (Carta Régia de 05 de novembro de 1808, a despeito de revogada, permissionária para o devido enquadramento). 
Não existindo aldeamentos disponíveis, as tribos aprisionadas eram divididas em grupos e distribuídas entre os fazendeiros interessados.
À Carta Régia arrogava-se complementar observância ao 'Aviso de 14 de fevereiro de 1855', qual seja, para as autoridades se limitarem a proteger a população e de empregarem a força no caso, de absoluta necessidade, a bastar a população branca sentir-se ameaçada, para a pronta ação de aprisionamento ou morte do índio. 
Em diversas regiões e ocasiões foi este o argumento utilizado:
  • "Á 5 de outubro [1864], á 6 leguas de distancia da freguezia de S. Domingos, do termo de Botucatú, foi acommettida pelos indios aldeados no Salto-Grande, além do rio Paranapanema, a residencia de D. Policena Maria da Luz, resultando serem barbaramente assassinadas oito pessoas, das que ahi residão, e ficarem outras gravemente feridas, inclusivé aquella senhora, e dois filhos seus, de menor idade." (RG BN 1005, 1864/1865: A-63)."
Não há como desqualificar a violência cometida, senão revide de tribo atingida cujos sobreviventes metidos num aldeamento e escravagismo. As tradições lembram esse massacre como vingança indígena contra a família do bugreiro Euzebio da Costa Luz, um dos citados companheiros de José Theodoro de Souza na conquista sertaneja, partícipe de massacres de tribos inteiras.
Outro acontecimento célebre: 
  • "A poucos dias forão barbaramente assassignados, perto da capela de S. Pedro do Turvo, da freguezia de S. Domingos, o distincto e honrado fazendeiro, Francisco de Souza Ramos, um filho e um genro, ficando gravemente feridos outro filho de Ramos que já falleceu e outras pessoas. Consta que os assassinos forão os indios mansos do aldeamento do Paranapanema; a aprova é que, como refere uma das vitimas que escapou, durante o ataque entretiverão diversas cobersações em nosso idioma portuguez, e se achavão vestidos. Agora que esatmos em guerra conveniente era que o governo desse autorisação para a policia deste municipio agarras a todo o aldeamento enviando-se depois os que tiverem idade propria para a guerra e os mais repartir-se em pequenos lotes por diversas localidades das provincias de Minas e Rio de Janeiro, afim de se civilisarem e tornarem-se cidadãos uteis, por isso que pela cibilisação que tiverão apenas se tornarão vadios, ladrões e assassinos, e muito fataes tem sido aos que se tem entranhado mais para o interior, pois as catastrophes se repetem de mez em mez." (Diario de São Paulo, 26/10/1865: 2).
O destaque da notícia foi a morte de Francisco de Souza Ramos, irmão de José Theodoro de Souza que, até 1864, fora o Diretor do Aldeamento de Salto Grande, no Paranapanema.  
  • "O municipio de Santa Cruz do Rio Pardo, que já este anno foi theatro das correrias de indios bravios, acaba de ser invadida por um bando d’esses selvagens, que immolaram em cruel hecatombe 14 vidas, estragando plantações e gado!" (RG BMIP 1022, 1878/1878: 58). 
  • "Este anno [1878] os índios de CamposNovos, por três vezes, atacaram trabalhadores e proprietários do município de Santa Cruz do Rio Pardo." num assunto prosseguinte "Os índios de Campos-Novos, consta-me que já conhecem e fallam o nosso idioma; e accossados como vivem por algumas raças selvagens e inimigas, com muito pouco esforço são capazes de estabelecer relações que os tirem d’aquella vida nômade, augmentando a prosperidade do lugar." (RG BMIP 1022, 1878/1878: A 15-16 - Incursão de Índios). 
À página 16 do mesmo documento, o Governo incentivava: 
  • "Considero indispensavel, sob um duplo ponto de vista, ensaiar algumas providencias para attrahir os índios mansos que erram n’aquellas regiões; e, na proximidade em que elles se acham dos povoados, e so converter em aldeamentos regulares os campos em que elles se convervam sem aproveitar as forças da natureza. (...). A civilização offerece meios e torna obrigatória a conquista desses habitantes do deserto." (RG BMIP 1022, 1878/1878: A 15-16). 
José Antonio de Paiva Junior, pelos lados de Conceição de Monte Alegre [Fazenda São Mateus, região de atual Paraguaçu Paulista], conta sua participação num massacre aos Otis que, graças narrativa de Curt Nimuenda-ju [Kurt Unkel] se tornou documento histórico: 
  • "Uns sessenta homens armados até os dentes, numa manhã de nevoeiro, quando os Otis ainda dormiam, assaltaram a aldeia mais próxima na cabeceira do Córrego da Lagoa, afluente da margem direita do Sapé (...). Foram barbaramente assassinados sem distinção de idade ou de sexo (...). É difícil saber-se o número de Otis chacinados (...). Afirma José de Paiva, que tomou parte no feito, que os cadáveres estavam empilhados em grande quantidade." (Tidei Lima, 1978: 135-136). E o Governo, naquele seu mesmo Relatório, fala dos "horrores da parte dos índios quando executam feroz e premeditada vingança."
Criaram aldeamentos, e neles a presença da Igreja, desde o Regulamento das Missões em 1845, responsável pela catequese e civilização dos índios, além de sua transformação em mão-de-obra 'livre' a ser usada pelos proprietários de terras. Deveria ser livre, mas não foi.
Do ponto de vista da Igreja, oficialmente, nas fazendas, os índios recebiam em troca dos serviços a alimentação, o pouso e a segurança contra inimigos, além da educação cristã e do aprendizado trabalhista, como forma despretensiosa do branco colaborar na manutenção do aldeamento. Por seu turno, os fazendeiros preferiam índios catequizados que o selvagem, como mão de obra, indo buscá-los nos aldeamentos, já domesticados e preparados para o servilismo. 
Questiona-se o papel da participação ou não da Igreja na escravização indígena, assunto polêmico e sempre tratado de maneira secundária, mas evidente que jamais a Igreja utilizou toda sua importância e força para que a escravatura fosse proibida; nem a indígena, nem a negra.
A Igreja entendia e justificava a escravidão indígena por passagem necessária à libertação e salvação da sua alma, que o índio possuía apenas vestígios de humanidade, posto que lascivos e mais próximos às bestialidades pelas práticas anticristãs, ou melhor, pelas práticas condenadas pela Santa Sé, tais como sodomias, incestos, prostituição, de canibalismo e sacrifícios humanos, todas tidas e vistas como ações demoníacas (Schiling, 2002: 1-3). 
Às vezes até se pode ver o Clero por inspirador escravocrata, nos relacionamentos entre os fazendeiros e padres, em busca de fórmulas alternativas, como a utilização do trabalho compulsório gratuito de comunidades indígenas, obviamente para aquela mesma eficácia espiritual de salvação. 
No ano de 1857, referindo-se ao exercício anterior, o Governo de São Paulo informava: 
  • "Em officio de 30 de Maio do mesmo anno, o Padre Tristão Carneiro de Mendonça, representou à Presidencia, expondo diversos actos de violencias praticadas contra os indígenas de Baurú e Paranapanema. Ouvindo immediatamente o dito Director Geral, informou-me elle que taes violencias se não davão, negando a exactidão das informações prestadas por aquelle Sacerdote." (RG U 1090, 1856/1857: 11-12).
Na província paulista existira diversos núcleos de proteção ao índio - os Aldeamentos, em localidades litorâneas, próximos à capital e outros espalhados pelo interior, servindo para a região, no Vale Paranapanema paulista os aldeamentos: São João Batista do Rio Verde [futura Itaporanga] - desde 1845, o de São Sebastião do Tijuco Preto [onde atual Piraju] datado de 1854, o de Salto Grande instituído em 1862.
Os aldeamentos em João Batista do Rio Verde e São Sebastião do Tijuco Preto, desde o princípio, se mostravam com população já excedente e somente com índios egressos do Mato Grosso [ao sul], do Paraná, do leste do Paraguai e do nordeste da Argentina, 487 deles instalados em Rio Verde e 210 para o Tijuco Preto (Tidei Lima, 1978: 88). 
Uma farsa. Relatório do Governo de 1881 - Diretoria Geral do Índio, sobre catequese e aldeamentos, diz que: 
  • "O Director-Geral, declarando que só existem realmente 2 aldeamentos, o de São João Baptista, no município de Rio-Verde, com 60 indígenas, e o de Itarery, no município de Iguape, com 10, propõe a extincção dos aldeamentos puramente nominaes, e a creação de um no município de Faxina, outro no de Botucatu e um terceiro no de Lençóes." (RG BN 1025, 1881/1881: 59). 
    • E nenhum índio da região estava aldeado neles, aliás, à exceção Caingangue, praticamente não mais existiam outros índios por estes lados, exterminados por José Theodoro e bugreiros.
Percebe-se disparidade numérica entre o real e o oficial de quantos indígenas efetivamente matriculados, a sugerir o mercado de escravos em funcionamento. Participa-nos Giovannetti, página 52 - notas, que o Coronel Francisco Sanches de Figueiredo, da região de Campos Novos, "trouxe para sua fazenda vários índios, talvez com o fim, de civiliza-los encaminhando-os para os trabalhos agrícolas (...) foi um sertanejo de invulgar valor." 
Existiam outros aldeamentos no Vale Paranapanema [lado paranaense] que atendiam fazendeiros paulistas, necessitados de mão-de-obra indígena, sendo eles: São Pedro de Alcântara [de 1855] levantado à margem do rio Tibagi, onde está a atual localidade de Jataizinho [Paraná], e o São Jerônimo da Serra [em lugar de igual nome, criado em 1859, situado no rio Tigre, afluente do Tibagi, no Paraná]. 
Jorge Junior cita o fazendeiro João Vieira, senhor de índios catequizados em São Pedro de Alcântara, em atual Jataizinho - PR  (Jorge Junior, edição de 19/11/1967). 
Testemunhos de nascidos entre os anos de 1880 a 1920 dão conta de relatos familiares, quando não diretamente partícipes, que fazendeiros empregavam mão-de-obra indígena em suas propriedades. 
Daquilo que o autor viu, observou ou ouviu, fazendeiros do Vale Paranapanema quase todos foram escravocratas ou usaram índios aos seus serviços, contados destaques das famílias Alvim, Andrade, Caetano, Henriques, Nantes, Ortiz de Oliveira, Paiva, Pontes, Reis, Salles, Santos, Soares e Souza, ao lado de outras que, em algum momento, foram proprietárias de terras na região de Santa Cruz do Rio Pardo.
Alguns fazendeiros possuíam tribos inteiras de indígenas em seus domínios, destacadamente o Capitão Francisco Sanches de Figueiredo, Fazenda Matão, onde hoje município paulista de Palmital, e as famílias Paiva e Alvim na localidade denominada Aldeia, na confluência de suas posses às margens do rio São Mateus, atual município de Paraguaçu Paulista. Giovannetti (1943: 58), menciona as localidades e informa transferências de índios de um para outro lugar, porque corriam riscos de morte.
  • Também as famílias, vinculadas à ascendência do autor (Celso Prado), Caetano Silva, Ortiz, Salles e Soares Monteiro, entre outras, a exemplo dos Nantes, que tinham ou tiveram interesses em Santa Cruz do Rio Pardo, possuíram famílias indígenas em suas propriedades. 
Oficialmente, nas fazendas, os índios recebiam em troca dos serviços a alimentação, o pouso e a segurança contra inimigos, além da educação cristã e do aprendizado trabalhista, como forma despretensiosa do branco colaborar na manutenção do aldeamento. 
Havia um grande interesse em aldear índios. A falta de braços "(...) reduz as vantagens da producção e faz recear pelo futuro do paiz." - reclamam os fazendeiros e os refletem o Governo da Província: "O serviço de catechese deve ser mantido em certos lugares com um duplo fim: tornar úteis á sociedade homens que vivem ociosos e garantir a segurança pessoal dos habitantes de lugares como Santa Cruz do Rio Pardo, São Pedro do Turvo, Capella de Campos Novos, Lençóes e outros que, neste ponto, parece que estão fora de comunhão." (RG U 1131, 1882/1882: 58). 
Com esse duplo fim, o Juiz de Paz de Santa Cruz do Rio Pardo denunciou presenças de índios nas matas do Alambari, Pardo e Turvo, a importunar os brancos, pedindo prontas soluções, ou seja, metê-los num aldeamento e assim transformá-los homens trabalhadores à disposição dos fazendeiros. A autoridade sugere um aldeamento na região de Bauru.
Uma terceira finalidade embutia-se na questão de se "(...) garantir a segurança pessoal dos habitantes ..." (Relatório de Governo U 1131 de 1882: 58), cujo significado mais bem expressado nas propostas do Deputado Emygdio José da Piedade, da tribuna da Assembléia Legislativa Provincial de São Paulo, em se fazer aldeamentos na Comarca de Lençóes (Lençóis Paulista): 
  • "Assemblea Provincial - 23ª sessão ordinaria, 23 de Fevereiro de 1882"
  • "Entra em 1ª discussão o projecto de nº 146 de 1880, creando dois aldeamentos de cateche... de indios, na comarca de Lençoes."
  • O sr. Piedade: - (ilegível) mais selvagens como os coroados e outras tribos ferozes."
  • "(Ilegivel)."
  • "Esta limitação, traz falta dos recursos naturaes que ellas tinham á sua disposição, e que hoje escapam rapidamente, é o que succede! Os indios (ilegível) ás criações dos moradores que temerariamente se tem collocado á aqueles terrenos, e o que tem conquistado áquelles selvatticos habitantes. D'ahi tem resultado grandes prejuizos aos moradores, que muita vezes são victimas, e represalias d'estes contra aquelles, ceifando viddas que poderiam ser aproveitadas."
  • "O projecto autorisa ao governo a providencia sobre aldeamento e catecheses. Não será difficil este serviço, desde que o governo estabeleça em ponto determinado, para o aldeamento e meio que attraiam os indios. Elles serão chamados ao estado de sociedade, poderá prestar bons serviços e servirão de guarda á população contra a incursão dos habitantes bravios d'aquelle desconhecido sertão, que fazem estragos com a menor resistencia."
  • "Resido em Santa Cruz do Rio Pardo à cerca de 6 anos. Durante o periodo, á excepção do anno passado, foram victimas muitas pessoas. Em 1880, de uma só ves assaltaram a lavoura de um daquelles noradores e mataram uma familia composta de 15 pessoas. Pouco depois assaltaram outro roçado e mataram 9 pessoas, e assim em diferentes tempos e lugares, fizeram sempre grande numero de victimas."
  • "O aldeamento destes indios, nas condições expostas é um proveito duplo! Chama-os ao gremio social modificando os seus costumes pelo trabalho, e tornando-os garantia contra a aggressão dos selvagens a que me referi. Entendo, sr, presidente, que a assemblea deve autorisar o governo a attender a este serviço, embora pese alguma cousa no orçamento. Se temos outras despezas e serviços a que attenderemos com liberalidade, não devemos (?) lamentar (?) o emprego de qualquer quantia em uma obra de civilização qual de catechizar em grande numero de infelizes que vivem errantes sem vantagens para alli com prejuizos da sociedade."
  • (Correio Paulistano, Ano XXVIII nº 7596, 20 de março de 1882: 1).
A proposta ou defesa de Piedade consistia no uso da mão de obra indígena, para o 'prestar bons serviços', e garantia contra agressões de outros índios, ou seja, a valia do índio amansado contra o índio bravio. 
Ainda em 1882 o Juiz Municipal, Antonio José da Rocha, comunicava a perigosa presença indígena em Santa Cruz do Rio Pardo, e requeria providências do Governo da Província junto à Diretoria Geral do Índio, recomendando aldeamento no próprio Termo. 
Óbvio que as sugestões de aldeamentos consistiam capturar e 'tornar úteis a sociedade homens que vivem ociosos', assim fazê-los tementes a Deus, pacíficos, civilizados e doutrinados à obediência servil para obrigacionais gratuitos. Juízes e fazendeiros interatuam-se. 
Nestas circunstâncias, como real conjunto de soluções para se burlar a legislação a respeito da escravização indígena, os preadores tornaram-se elementos de convencimento ao índio aldear-se, cabendo ao administrador do aldeamento repassá-lo aos interessados em colaborar com a instituição, na educação e profissionalização do bárbaro, com isso a evitar extermínios ou guerras desiguais entre indígenas e fazendeiros, destarte a mascarar o tráfico de mão de obra escrava nativa, 'proibida por lei'. 
Os Aldeamentos Oficiais no Vale Paranapanema se transformaram em viveiros de cativáveis e depósito de valetudinários, os primeiros entregues ao servilismo sem nenhum critério ou pudor, os seguintes apenas os velhos caquéticos, os doentes e os inutilizados. 
Os índios regionais postos para o trabalho servil eram descendentes de destroços tribais e índios Xavantes, de natureza pacífica e trabalhador, além de numerosos, sumamente úteis ao trabalho.
Além da escravização, contra os índios cometiam-se excessos. Relatório do Governo de São Paulo, de 1886 atestava crítica a presença indígena na região e solicitava mais aldeamentos para os indígenas: 
  • "Em assumpto de catechese e civilisação dos Indios, infelizmente ainda está tudo por fazer. O Brigadeiro Director Geral dos Indios insiste na conveniencia de serem fundados novos aldeamentos dotados dos necessários meios, em Lençóis, Botucatu e Campos-Novos do Turvo, onde há excellentes terras de cultura e onde, errantes, vagam para cima mais de mil índios Xavantes e Coroados, em sertão de mais de 30 leguas." (RG BN 1031, 1886/1887: 28). 
A Missão Catequizadora, na localidade de Campos Novos, somente surgiu em maio de 1888. Quatro anos depois se pretendeu um sistema de aldeamento oficial religioso, também para Santa Cruz do Rio Pardo. 
Em maio de 1902, Padre Lavalle deixou São Paulo acompanhado de frei Daniel de Santa Maria, frei Boaventura de Adeno, o leigo Paulo de Sorocaba e o ex-carmelita padre Francisco Savelli. Lavalle, decidido fundar um Núcleo Capuchinho para Santa Cruz do Rio Pardo, aonde chegou em junho de 1902, sendo repelido pelos habitantes do lugar, quanto aos seus propósitos, porque o município não tinha índios agrupados, nem interesses em meter-se com os Caingangues. 
1.5.1. Dos mamalucos
Sempre se teve por tradição que os filhos de brancos com índios, os mamalucos ou mamelucos, chamados caboclos, não eram destinados à escravidão, afinal, não existia, oficialmente, escravidão indígena. 
Situação interessante advinda desde os tempos das célebre bandeiras e entradas, quando os portugueses se relacionavam com as índias, e quase todos os paulistas da época tinham sangue indígena, por isto mamalucos, e estavam entre os  povoadores de Minas Gerais, cujos descendentes posteriormente viriam habitar terras do interior da Província de São Paulo - século XIX.
Então os caboclos do século XIX, gerados no centro sudoeste paulista, eram remunerados e destinados aos serviços menos rudes, servindo de vaqueiros, carreiros e condutores de tropas. Também eram utilizados na caça ao índio em estado selvagem, com a facilidade que entendiam línguas e costumes indígenas. 
Ainda que não escravos, os caboclos de primeira geração sertaneja eram contados à parte no Censo, mas os brancos evitavam mencioná-los mestiços, principalmente se filhos relacionados à casa. 
1.5.2. Recomendação: catequese à bala
No ano de 1901 os Caingangues se defendiam dos constantes ataques dos grupos armados a serviço das frentes expansionistas, quando o capuchinho Claro Monteiro do Amaral juntava-se ao Padre Bernardino de Lavalle, para implantação de uma catequese "(...) próximo as cabeceiras do Ribeirão Veado, na raiz da Serra do Mirante ..." (Giovannetti, 1943: 43-56). imediações da atual Echaporã – proximidades do rio do Peixe.
  • O monsenhor Claro Monteiro do Amaral também era conhecido por Claro Monteiro Homem de Mello - (Migalhas: Penápolis, Apontamentos sobre a história da cidade, SD: 1), Claro Monteiro de Mello - (Giovannetti, 1943: 44), ou Claro Monteiro de Barros (Correio do Sertão – ano I nº 17).
Padre Claro e o Padre Lavalle sensibilizaram autoridades e outros setores da sociedade paulista a favor dos Caingangues, para que fossem suspensas as invasões territoriais enquanto se discutia meios de pacificações através da Catequese da Serra do Mirante, outras em pontos estratégicos, e destinação de amplo território para confinar os índios, aí se visualizando uma faixa de terras à esquerda do Tietê (Tidei Lima, 1978: 152, ao citar artigo de Bernardino de Lavalle, A Catequese dos Índios de São Paulo, publicado pelo Comércio de São Paulo aos 24 de novembro de 1902), certamente adiante de Avanhandava e Itapura, obviamente contrariando interesses dos empreendedores capitalistas e dos grileiros de terras. 
O monsenhor Claro, desavisado talvez, embrenhou-se nas matas com alguns homens, alcançando o Rio Feio, para o contato direto com os Caingangues, e a expedição foi trucidada, sendo o acontecimento o pretexto para se recomeçar os ataques aos índios e terríveis carnificinas, nada obstante os protestos de Padre Lavalle.
Em 1902 o Padre Lavalle passou, então, por Santa Cruz do Rio Pardo com aquelas pretensões de aldeamento no local. Do assunto, assim noticiou o Correio do Sertão em editorial: 
  • "De passagem para a visinha comarca de Campos Novos do Paranapanema, esteve entre nós frei Bernardino de Lavalle, benemerito missionário e illustrado provincial dos capuchinhos, que vai encetar a cathechese dos indios na referida comarca, removendo assim uma das causas que mais tem concorrido para paralysar o povoamento de tão importante zona." 
  • "Ouvimos que o revmº. frei Bernardino pretende percorrer toda a extensão sertaneja que fica entre os Rios de Peixe e Tietê, sendo assim está claro que vai entrar mesmo no ninho dos indios corôados. Não ficariamos em paz com a nossa consciencia si não fizéssemos ver o risco que correu frei Bernardino e seus companheiros, todos os quaes são homens mortos para nòs, desde que prossigam em seu nobre intento. Queira Deus que estejamos enganados."
  • "A missão de frei Bernardino é toda evangelica, toda de paz, toda de amor; mas os indios corôados, que são os que existem na referida zona – ou por causa do odio que votam á nossa gente, em virtude da perseguição deshumana, selvagem, que os brancos, isto é os civilisados lhes tem feito, ou por serem mesmo mãos – absolutamente não querem saber de paz e nos votam um odio de morte."
  • "Os indios corôados adultos são mãos, perversos, refractarios á cathechese, tanto assim que entre os indios mansos que existem em Campos Novos [do Paranapanema], poucos delles encontram-se na fazenda do coronel Francisco Sanches de Figueiredo além de um casal pegado pequeno em uma dada (*) que o mesmo coronel ha tempos fez contra os coroados; a maior parte dos indios mansos è, ou do Jatahy [aldeamento] ou dos Campos e pertence á tribu dos guaranys, cayuás, ou dos chavantes."
  • "Acresce que os coroados são algum tanto civilisados e não desconhecem muitos dos nossos usos e costumes - o que habilita-os a levarem contra nós algumas vantagens nos ataques que nos fazem."
  • "Infelizmente estamos convencidos de que vai acontecer ao revdmo. frei Bernardino o mesmo que aconteceu ao padre Claro Monteiro de Barros, o anno passado. Os indigenas que sacificaram este distincto sacerdote pertencem á tribu dos coroados, tanto assim que posteriormente ao ataque que foi victima o padre Claro, os coroados atacaram a Fazenda Tres Barras em Campos Novos, pertencente a João Vieira. Este achava-se na roça trabalhando com seus filhos, e teve conjunctamente com estes de repellir o assalto, no qual mataram tres indios, em poder de um dos quaes foi encontrado uma fouce com a marca do Jahu, a qual pertencia a um dos companheiros do padre Claro. Esta fouce acha-se em poder de um filho do referido João Vieira."
  • "Outro facto que nos induz a acreditar que o revdmo. frei Bernardino e seus companheiros vão ser victimados - è que os indios coroados ja estão alvoroçados e começando a fazer suas correrias ou assaltos, devido ser estação secca, por isso que durante a estação das aguas elles não se alongam das tabas. Ha poucos dias sahiram elles em dous lugares: na serra dos Figueiredos, fazenda do Veador, e fazenda do Monte Alegre, do Joaquim José."
  • "Manda pois a prudencia que fre Bernardino não prociga em sua santa missão no seio de indios tão bravos; os quaes, pelas imformações que temos, só poderão ser – peza-nos dizel-o – chamados á civilisação por meio de bala, a menos que se queira sacrificar cathechisadores."
  • "Sendo os coroados um obstaculo muito serio ao povoamento e desenvolvimento da zona sertaneja que fica entre os Rios do Peixe e Tietê, nossa opinião è que o governo deve, por meio da força publica, manda exterminar os coroados adultos, desde que elles sejam tal qual nos descreveram, prender os pequenos e trazel-os para o seio da sociedade, afim de civilisal-os e educal-os."
  • "Já que não podemos cathechisal-os com amor, com paz, com abraços, cathechisemol-os á bala."
  • "Em 1561, depois de projectado fazer guerra aos indios escrevia o padre Anchieta, 'para que podessem viver com alguma paz e socego, e juntamente começassem a abrir algum caminho para se poder pregar o evangelho, assim aos inimigos como a estes Indios; sobre os quaes ja temos sabido que por temor se hão de coverter mais que por amor'." 
  • "-'E o proprio Padre Antonio Vieira, apregoado defensor dos Barbaros, dizia, em carta do Pará, de 14 de dezembro de 1655, ao secretario d’Estado Pedro Vieira da Silva, que André Vidal, a quem elogia ‘ficará dispondo umas tropas, que hão de ir ao sertão, do que esperamos primeiro a quietação e paz, depois uma grande conversão de almas'-" (Porto Seguro, Hist.ger. do Brazil, pag. 216)."
  • "Portanto, não estomos sós com nosso modo de pensar; e uma vez que os indios coroados são bravos, perversos e refractarios à cathechese, não vemos outro meio de ficarmos livres delles a não ser por meios energicos."
  • "Em todo o caso ahi ficam o nosso aviso e o nosso conselho, dados em virtude de informações que nos foram ministradas por pessoas fidedignas."
  • "Oxalá! Estejamos enganados! Oxalá! O revdmo. frei Bernardino de Lavalle seja bem succedido! Oxalá! Só com palavras de paz, de amor, com o Evangelho e com o Crucifixo, consiga elle cathechisar os terriveis indios coroados oppondo assim formal desmentido ao juízo que aqui externamos sobre taes indios!"
  • "Eis os votos que com toda sinceridade e humanitarismo fazemos, desde que o revdmo. frei Bernardino não queira ouvir o nosso conselho."
  • "(*) Assim denominam-se os assaltos que nossa gente dá nas aldeãs ou tabas dos indios."
  • (Correio do Sertão, Ano I nº 17). 
Independente dos feitos e realizações capuchinhas, a dominação branca sobre os indígenas foi através das razias e dadas,  na mais horrenda carnificina promovida desde o século XIX e nos primeiros anos do século XX, em nome do progresso e civilização. 
Em 1908:
  • "No Congresso Internacional dos Americanistas em Viena surgiria uma acusação contra colonizadores brasileiros e europeus, da região sul do país [São Paulo era região sul], de serem os responsáveis pela escravização, raptos, assassinatos e introdução das doenças contagiosas nas aldeias indígenas. Presentes neste congresso estavam representantes das comunidades cientificas do Brasil e do mundo, solicitando ao governo brasileiro que tomasse conhecimento do fato e cessasse o extermínio." (Davim, 2006: 69). 
A partir de 1908 já não existia mais a escravidão indígena no Brasil, de maneira declarada, e em Santa Cruz do Rio Pardo, nem índios para escravizar. Sem opções gratuitas, os fazendeiros santacruzenses aceitaram os estrangeiros: italianos, espanhóis, portugueses e alemães. Depois viriam os russos, letões, os japoneses, e outros, que constam em registros de imigrações e relações de estrangeiros, em Santa Cruz do Rio Pardo, século XX.
2. Santa Cruz - Sinopse de 1888*
Santa Cruz do Rio Pardo de 1888 foi assim descrita e apresentada pelo Almanaque da Província de São Paulo:
  • "O Municipio de Santa Cruz do Rio Pardo, compoem-se de duas parochias - a de Santa Cruz do Rio Pardo, sede do Municipio, e a de São Pedro do Turvo."
  • "O seu territorio, composto de um perimetro de mais de 200 kilometros, é habitado por dez mil almas aproximadamente e foi tirado do vastissimo territorio de que se compunha o municipio da Villa de Lençóes, da qual esta Villa está separada por 12 kilometros de pessima estrada."
  • "Creado o Municipio em 1876, tem de então para cá prosperado admiravelmente sob a immediata proteção e direcção do notavel paulista Exmo. Sr. Coronel Emygdio José da Piedade, illustrado representante deste 5º districto na Assembléa Provincial, é já comarca e possue todos os melhoramentos necessarios à justiça, ao commercio e á lavoura, sendo digno de cinceros [?] encomios o zelo e a dedicação do mesmo Exmo. Sr. Coronel Piedade, em pról desta e de outras povoações sertanejas, que tudo devem-lhe."  (Fonte: Almanach da Provincia de São Paulo (...), 1888).
O indicador geral apresentado pelo Almanaque revela uma Santa Cruz relativamente conhecida, Termo da Comarca de Lençóis Paulista, não obstante já elevada à condição de circunscrição judiciária desde 1884, com efetiva implantação em 1890.
Nestes considerandos, o Juiz de Direito era o Dr. Joaquim A. do Amaral Gurgel era o titular da Comarca, e o Dr. Marcolino Pinto Cabral nomeado Juiz Municipal. 
O Judiciário completava-se, na localidade, com os suplentes João Baptista Botelho, Antonio de Souza e Francisco Martins. Botelho, na condição de 1º Suplenete era o exercente do cargo na ausência do Juiz Municipal.
A Promotoria Pública era ocupada pelo Dr. Gaspar Mena B. de Barros Falcão, todavia quase sempre ocupada por algum advogado da localidade designado para tal fim.
O Escrivão da Vara era Vicente Finamore; o do Jury: José Manoel de Almeida; de Órfãos, Galdino Carlos da Silveira; e as Contas aos encargos do Contador José Sebastião de Almeida.
A Cãmara era o poder constituído que governava o município, cuidando dos interesses e das reivindicações perante as diversas esferas do poder brasileiro. Em 1888 sete vereadores ocupavam assento à Casa: Arlindo Crescêncio da Piedade, Luiz Antonio Rodrigues, Firmino Silverio de Andrade, Marcello Gonçalves de Oliveira, Manoel Antonio de Andrade, Manoel Garcia Duarte e Bernardino Antonio Pereira [de] Lima.
A estrutura camarária completava-se com os cargos e exercentes: 
  • Procurador: Firmino Manoel Rodrigues;
  • Secretário: Vicente Finamore, também Escrivão da Vigairaria;
  • Fiscal: Joaquim Francisco de Oliveira Tocaia;
  • Arruador: João Aureliano de Lima;
  • Porteiro: Manoel Herculano Leite; 
  • Samuel Genuta, médico italiano, atendia a população.
O ensino público - primeiras letras estava sob a responsabilidade do Presidente da Inspetoria Literária (Lei nº 81, de 06 de abril de 1887, artigo 11 - RG U 1139, 1887/1887: 51), Arlindo Crescêncio da Piedade - também Presidente da Câmara.
  • Arlindo foi antes Inspetor Lieterário, porém o aumento de classes de aulas e criações de escolas isoladas nos distritos e fazendas, exigiram mais Inspetores Literários e um Coordenador/ Presidente.  Adriana de Oliveira era professora particular.
O Vigário Forâneo Bartholomeu Comenale comandava a Vigairaria de Santa Cruz, sendo Escrivão da Vara, Vicente Finamore,  também Secretário da Câmara, e os cuidados da Sacristia sob a responsabilidade de Luiz Rodrigues.   
Joaquim Manoel de Andrade desde 1886 ocupava o cargo de Coletor de Rendas Gerais e Provinciais em Santa Cruz do Rio Pardo, sendo Luiz Manoel de Souza ou Manoel Luiz de Souza, o Escrivão de Coletoria.
O mesmo Joaquim Manoel de Andrade era capitalista e dono de serraria. Também proprietários de serrarias Francisco Garcia de Oliveira e Bernardino Antonio Pereira de Lima.
Trabalhavam no comércio, Arlindo Crescêncio da Piedade; Antonio Victorino ou Victoriano de Castro; Botelho e Irmão, Candido Rufino Chaves, Emygdio José da Piedade, Firmino Manoel Rodrigues, José Luiz de Andrade, José Gomes de Oliveira, João Bonifácio Figueira, João Evangelista da Silva, Luiz de Oliveira Martins, Luiz Antonio Rodrigues e Marcello Gonçalves de Oliveira." 
João Bonifacio Figueira ocupava o cargo de Agente do Correio local.
Segundo o Almanaque da Provincia de São Paulo, em Santa Cruz do Rio Pardo criou-se a "(...) Comissão Especial de Engenheiros para medição e discriminação de terras do valle do Rio Paranapanema, e della fazem parte: Chefe, José Ribeiro da S. Piraja - Dr.; Dr. Ajudante, Ignacio G. dos Santos Dr.; Agrimensores: Helvidio Augusto de Mattos, Dr. José Nestor de França."
Pela mesma fonte, João Aureliano de Lima era outro agrimensor estabelecido no município. 
Outras profissões e profissionais foram enumerados: João Sebastião de Almeida - seleiro; Antonio Victoriano ou Victorino de Castro - serralheiro; José Pereira e Luiz Antonio da Costa Goulart - fogueteiros; e oleiros: João Machado, Salvador Gonçalves, Manoel Garcia de Oliveira e Raphael Silverio de Andrade.
  • *O presente capítulo assenta-se em dados colhidos, principalmente, do 'Almanach da Provincia de São Paulo (...), 1888: 622-625'.
3. As últimas realizações do império e Província para Santa Cruz
3.1. Criações de cargos públicos
A Lei de nº 048, de 22 de março de 1889, "(...) cria os lugares de Contador e Partidor nos termos de (...) Santa Cruz do Rio Pardo, ...", ou seja, servidores públicos encarregados, o Contador dos números - valores e cálculos, e o Partidor como o responsável pelas partilhas de bens. Partilhas e contabilidades eram atividades de natureza complexa e exigiam conhecimento técnico específico, principalmente considerando as grandes propriedades da época.
Por Ato do Governo de São Paulo, de 25 de maio de 1889, foi nomeado Escrivão – Serventia Vitalícia, o senhor Francisco Xavier Dantas de Vasconcellos Junior (RG: U 1144, 1889). 
Já nos tempos republicanos, o Diário Oficial do Estado de São Paulo (07 de julho de 1891) reconhece o exercício de Coletor em Santa Cruz do Rio Pardo para o Sr. João Castanho de Almeida, e Manoel Luiz de Souza como Escrivão do Município, exercício de 1890. Dias depois em expediente do Tesouro do Estado, datado de 12 de junho de 1891, exige-se do Coletor a urgente remessa dos balancetes - prestações de contas das aplicações do Fundo Escolar e do Município, período de 01/10/1889 a 30 de junho de 1890 (DOSP, 13 de junho de 1891).
3.2.  Ato provincial de nomeação 
Em relatório apresentado à Assembléia Legislativa Provincial de São Paulo pelo Presidente da Província, Doutor Pedro Vicente de Azevedo, exercício de 1889, consta nomeação de Emydio José da Piedade para o Comando Superior da Guarda Nacional de Botucatu e região: 

  • "GUARDA NACIONAL"
  • "O movimento da Guarda Nacional, durante o anno finndo, foi o seguinte:"
  • "(...)."
  • "Foram nomeados:"
  • "Coronel Comandante Superior de Botucatu e Lençóes, o Tenente Coronel Emydio José Piedade."
  • "Decreto de 20 de outubro." (RG, BN 1033, 1889). 
Tratava-se de elevado cargo, prestigiado e eminentemente político, o que evidencia as importâncias do distinguido e de Santa Cruz do Rio Pardo como força representativa regional, na época com mais de quinhentos eleitores, número suficiente para decidir eleições.
4. Seitas [religiões] cristãs acatólicas
4.1. Presbiterianismo – a oficialidade em 1889
O presbiterianismo chegou a Santa Cruz do Rio Pardo pelos mineiros, não se sabe quando, e o Censo de 1872, concluído em 1874, não identificava acatólicos residentes na paróquia.
Tradições apontam os primeiros presbiterianos, a partir de 1874, membros das famílias Borges, Lopes, Lopes Martins ou Martins Lopes, Martins e Ribeiro, vindos da região mineira de Borda da Mata, das regiões paulistas de Araraquara e Jaú, acrescidos posteriormente dos chegadores fluminenses e os oriundos das regiões de Sorocaba e Itapetininga.
A família Borges teve presença registrada na região de Santa Cruz do Rio Pardo desde o início dos anos de 1860. A opção de credo, no entanto, teria ocorrido com a chegada de parentes mineiros, presbiterianos, depois de 1873, e os cultos e reuniões realizavam-se nas residências dos fiéis.
O chefe do clã, Francisco Ignácio Borges, casado com Anna Rosa de Oliveira, fora senhor de escravos cujos filhos batizados na Igreja Católica Apostólica Romana, para prevalecer direitos de posses. Mesmo presbiteriano, ou protestante, manteve-se escravista.
Em 1883 os presbiterianos e católicos santacruzenses não mantinham bons relacionamentos. Uma carta de 17 de dezembro daquele ano acusava o presbiterianismo local em arrebatar "jovens da religião catholica, em que foram creados, para unil-os na seita protestante!" (Correio Paulistano, 04/01/1884: 2).
Mas a protestante Carolina Cândida de Oliveira Borges, filha de Francisco Ignácio Borges, casou-se com o católico Joaquim Manoel de Andrade Junior, e Daniel, filho do casal, nascido aos 23 de março de 1890, foi batizado no credo católico, e aparentemente família não sofreu preconceitos ou discriminações sociais, talvez porque fossem de famílias ricas e influentes.
De maneira geral, os presbiterianos foram fortemente reprimidos em Santa Cruz. Uma demonstração de ranço religioso imiscuído com a política local, deu-se quando nomeado Francisco de Paula Martins, professo presbiteriano, para suplente de Juiz Municipal (Correio Paulistano, 02/08/1884: 1). 
Notícias de 1886 informam que o filho de um presbiteriano teve 'negação de sepultura' e foi enterrado na propriedade de Francisco de Paula Martins, membro da seita protestante (Imprensa Evangélica, São Paulo, 06/02/1886, Volume XXII: 46). Com a repercussão negativa, logo arranjou-se lugar para os sepultamentos presbiterianos, em campo segregado do cemitério católico, separado por cerca, lugar onde o atual 1º Distrito Policial (2012). 
Em 1888 o Reverendo Georges Anderson Lands, ministro presbiteriano, foi a júri acusado ter celebrado matrimônio de uma menor, sem o consentimento paterno. O caso ganhou manchetes e o pastor protestante viu-se livre, defendido pelo renomado advogado paulista, Dr. Antonio Teixeira da Silva (Diário de Notícias, 22/01/1888: 2).
A despeito dos acontecimentos, oficialmente o presbiterianismo teve início em Santa Cruz do Rio Pardo aos 13 de agosto de 1889 (Matos, 2009: 2), com o Reverendo João Ribeiro de Carvalho Braga e os ofícios religiosos realizados, ainda, nos lares. 
Em 1900 o Reverendo Othoniel Motta assumiu o lugar, e com os poucos fiéis na época, requisitou da Câmara um local para a construção do templo, no Largo da Matriz (Correio Paulistano, 27/10/1900: 3), bastante próximo do santuário católico, num tempo que os terrenos urbanos ainda pertenciam à Igreja Católica. A Igreja opôs-se e a decisão camarária favorável tornada sem efeito.
Os presbiterianos conquistaram o terreno do antigo cemitério onde sepultados os seus mortos até 1894 "Ja está firmado o contracto para a construcção da Egreja Presbyteriana desta cidade. Grande parte do material acha-se reunido no largo do cemiterio velho, logar onde vae ser contruido o templo." (Correio do Sertão, edição 06/09/1902). 
Sem qualquer indicativo de oposição, os membros da seita procuraram outro local e conseguiram terreno à Rua Marechal Bittencourt esquina com a Rua Quintino Bocaiuva, noticiado como elegante edifício, em construção, sob a direção de Salathiel Ferreira e Sá (Correio do Sertão, 18/04/1903: 2). 
Tudo parecia certo quando se agravaram as dissenções entre os líderes presbiterianos até 'o cisma' de 31 de julho, confirmado aos 16 de agosto 1903, com reflexos imediatos em Santa Cruz, surgindo daí a Igreja Presbiteriana Independente – IPI, com total adesão dos membros locais. O Reverendo Othoniel Motta, já ausente de Santa Cruz, contava entre os sete pastores do grupo independente. 
Com o separatismo formou-se a Igreja Presbiteriana Independente – IPI que em Santa Cruz manteve os objetivos religiosos e assumiu a sede construída, na qual permaneceu até a inauguração do templo atual, à Rua Quintino Bocaiúva, esquina com a atual Avenida Dr. Cyro de Mello Camarinha, em agosto de 1950, quando da data de memoração separatista.
A denominação Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), esvaziada pela cisão de 1903, construiria sua sede à Rua Joaquim Manoel de Andrade, quase três décadas depois, inaugurada em 1931.
Os religiosos católicos e presbiterianos ainda tiveram desavenças no século XX, por exemplo em 1903, quando o Vereador Presidente da Câmara, advogado e subdelegado, alterego do chefe político Francisco de Paula de Abreu Sodré, mandou multar o vereador e comerciante Salathiel Ferreira e Sá, presbiteriano, por ter se recusado fechar seu comércio em feriado religioso católico.
Em 1916 os presbiterianos queixavam-se das atitudes de certo Frei Lourenço, coadjutor, o que motivou Paulo Cagnoto, oficial marceneiro, a denunciar o procedimento do padre contra os presbiterianos e lançar público repto para debate dos princípios religiosos cristãos (O Contemporaneo, 24/09/1916: 2).
O Padre Vicente Rizzi, titular na paróquia, apaziguou os ânimos.
A maior dissenção, entre católicos e evangélicos em Santa Cruz ocorreu no domingo de 18 de abril de 1948, quando padres missionários em missão religiosa coletaram bíblias impressas por editoras evangélicas, distribuídas na cidade pelos líderes religiosos não católicos, lançando-as numa fogueira elevada para tais fins ao pé do cruzeiro no Bairro da Estação.
O Reverendo José Coelho Ferraz, da Igreja Presbiteriana Independente local, fez veementes protestos contra o ato sacrílego e insultuoso, através de publicações no informativo presbiteriano local (Chamas do Evangelho, 21/04/1948: 1-2 e 01/06/1948: 1-2).
4.1.1. Igreja Presbiteriana Independente no Bairro Ribeirão dos Cubas
Sudário Machado, vindo do Mato Grosso para o Bairro Ribeirão dos Cubas, nos anos de 1923, evangelizou primeiro o parente Antonio de Souza e, com a conversão deste, outros parentes e vizinhos também aceitaram o presbiterianismo, e assim, praticamente, todos os moradores do bairro tornaram-se membros da Igreja Presbiteriana Independente, logo vinculada à de Santa Cruz. 
O primeiro templo erguido no lugar era de madeira, depois substituído por outro de alvenaria que subsiste até os dias atuais, com programação evangélica semanal. 
4.2. Outros segmentos evangélicos 
O Censo de 1890, unificado Santa Cruz/São Pedro do Turvo, apresentava os primeiros evangélicos (48 fiéis), sem identificar denominações e o presbiterianismo com 126 membros.
Independente do Censo de 1890, ao longo de décadas surgiram em Santa Cruz as seitas cristãs evangélicas, desde as tradicionais, como a Metodista e a Batista, aos pentecostais, Assembleia de Deus e Cruzada Nacional de Evangelização – Igreja do Evangelho Quadrangular, nesta última com os destaques para o Pr. Armando Trovatti, que marcou a história deste ministério em Santa Cruz, através de batismos, tardes de bênçãos e curas de enfermos, tornando-se nome conhecido no meio evangélico brasileiro. Trovatti, famoso, buscou orientação ou corrente religiosa própria.
Demais denominações, com os processos de curas divina e demais dons espirituais manifestos, depois seguidos dos neopentecostais – dos ministérios de curas por reivindicações e da teologia da prosperidade, com espantoso aumento das denominações de cultos oriundos de dissidências. 
No ano de 1965, o norte-americano, Reverendo Steve Montgomery, presente no Brasil desde 1957 vindo do Japão, iniciou a Igreja Batista Independente em Santa Cruz do Rio Pardo, à Rua Major Gabriel Botelho (Montgomery, 1999: 13), nome bastante conceituado na sociedade santacruzense e no meio evangélico brasileiro. 
4.3. Seitas tidas heréticas e pseudo cristãs
Vistas como pregadoras de doutrinas contrárias aos evangelhos, ou de particulares interpretações ou, ainda, destoante aos interesses de seitas tradicionais, em todo ou em partes, alguns cultos assim cognominados existem ou existiram em Santa Cruz do Rio Pardo, a exemplos e sem discutir méritos, a Congregação Cristã no Brasil, a denominação Testemunha de Jeová, os Adventistas da Promessa, enquanto a Adventista do 7º Dia já alguns anos encerrou suas atividades no lugar. Os segmentos considerados heréticos são denominados, por alguns, como Seitas enquanto os demais seriam Igrejas.
Ainda são contados heréticos os seguidores do Tabernáculo da Fé e/ou Tabernáculo da Mensagem, originárias no norte-americano William Marrion Branham.
Também a Igreja Apostólica Santa Vovó Rosa tem ministério em Santa Cruz, tipo de culto miscelado e cuja patrona é considerada dotada da plenitude total do Espírito Santo de Deus, para completar na terra as obras que Jesus não pode concluir.
4.4. Os espíritas 
No censo de 1890 constou cento e vinte e seis praticantes de outros cultos, sabendo-se do crescente número de espíritas – os kardecistas, cujos cultos praticados pelos ditos intelectuais e entendidos, 'pesquisadores autodidatas' e simpatizantes.
O espiritismo praticado em Santa Cruz, desde os últimos anos do século XIX até os anos de 1920/1930, visava mais fenomenologias que a religiosidade em si; as sessões eram domésticas e restritas. Seria típico espiritismo científico, com estudos das fenomenologias à luz da metapsíquica. 
A popularização do kardecismo como religião aconteceu no final dos anos de 1930, e depois, em 1940 com um grupo de abnegados sob lideranças de Argemiro Orestes da Silveira e Pedro de Almeida Gonçalves [Pedro Caco], além de importantes nomes da seita, entre eles Nelson Fleury Moraes, José Garcia, Felipe Zied, Sebastião Correa de Moraes e Augusto [Augustinho] Alóe. As mulheres Jacyra [Jacira] Ferreira de [e] Sá e Hilda Fonseca, com grupos de senhoras, foram importantes nomes do movimento espírita santacruzense.
O espiritismo religioso sofreu perseguições de católicos e evangélicos, tendo seu templo sido alvo de apedrejamentos e seus membros discriminados.
Inicialmente os espíritas foram unidos – União Espírita Santa Cruz, fundada em 19 de novembro 1950, de breve duração, e na dissidência, dois Centros firmaram-se, o Jesus e Maria, e o Alan Kardec.
4.5. Os fanáticos ou exaltados
Santa Cruz foi palco, no final do século XIX, de religiosos místicos, como típico catolicismo popular, centrados no pessoalismo do líder e de reivindicação política ou restauração do império. Destacaram-se Francisco Izabel ou Francisco Catarina, conhecido como frei Manoel, morto em 1892, e seu substituto Francisco Garcia – o Chico Gago, autointitulado 'São Sebastião' ou 'Missionário de Cristo', à frente do grupo 'Contingente da Reacção' e, igual ao antecessor, seguido por multidão e velado apoio dos ricos, e seu grupo também caçado e desmantelado em 1893.
4.6. Sincretismo religioso - cultos raiz
Aparentemente os escravos e libertos tinham liberdade de cultos próprios em sua sede, no denominado Largo do Rosário, hoje Praça Octaviano Botelho de Souza. Pelas me-mórias, seria uma fusão de cultos mediúnicos afrobrasileiros com divindades africanas representadas nos santos católicos, vista por alguns como variante do Candomblé, por outros como cultos mediúnicos de raiz, ou, na visão dos kardecistas, como atos e manifestos do baixo espiritismo.
As práticas sincréticas observadas em Santa Cruz, desde os primeiros anos do século 20, caracterizavam-se 'cultos mistos', ou seja, com cerimoniais individualizados e centrados no conhecimento, vontade, personalidade e inspiração do chefe religioso, sem qualquer uniformidade de ritos, embora os líderes, a partir de meados de 1900, identificados com o Candomblé ou a Umbanda.
Uma mulher, sob a alcunha de 'Chumbeada', foi a primeira pessoa referenciada na prática condenável do baixo espiritismo em Santa Cruz. Perseguida pela polícia e com ordem de prisão, por curandeirismo, 'Chumbeada' pôs-se em fuga (Correio do Sertão, 01/11/1902: 2).
O afrodescendente José Dias de Melo – o José Bezerra ou Zé Dias, oriundo do Estado do Rio de Janeiro chegou na região do Paranapanema nos anos de 1930, com passagens por Piraju, Bernardino de Campos e Santa Cruz do Rio Pardo, onde residiu no Distrito de Caporanga [Monte Belo]. Considerado o maior de todos os chefes de cultos de raiz na região – seu nome virou lenda, sempre acossado pela polícia, anatematizado pelas denominações cristãs e injuriado pela imprensa. 
O hebdomadário A Cidade (14/01/1954: 2 e 4) dedicou-lhe extensa reportagem, intitulada Curandeirismo, juntando testemunhos negativos e críticas às autoridades que não conseguiam prendê-lo. Zé Dias tinha policiais entre seus seguidores e gozava de prestígios nos mais diversos segmentos da sociedade; morreu no início dos anos de 1980, em Bernardino de Campos.
O médium curador João Giardulo, acusado de embusteiro, foi perseguido e preso pelo Delegado Antonio Catalano (A Cidade, 21/11/1943: 4). 
Também de renome, José Vieira ou o Zé Capivara, com muitos adeptos, realizava seus cultos, segundo as memórias, numa ilhota no Pardo, não distante do centro urbano.
Nos anos seguintes se destacaram, entre outros, certo Crispim – vindo de Dois Córregos; Denise da Silva; Zulmira do Sacoco; Josefa Reali – Zefa de Ipaussu; Luiz Vermelho e Lourdes Machado. Todos os citados, embora federados, praticavam cultos mistos sob estranha identificação: "Umbanda por fora Candomblé por dentro". 
Do final de 1970 ao início de 1990, Celso Prado, devidamente registrado, apresentou-se formador de médiuns e atendimento público teológico-psicanalítico, práticas magicas e cultos de raiz.
5. O advento republicano
O grande acontecimento brasileiro de 1889 foi a Proclamação da República.
Acontecida a República, os vereadores santacruzenses se reuniram, aos 21 de novembro de 1889, para ciência de documento oficial que declarava "empossado o governo provisório do Estado de São Paulo (...)", triunvirato composto dos senhores Dr. Prudente José de Moraes e Barros, Coronel Joaquim de Souza Mursa e Jornalista Francisco Rangel Pestana.
O Presidente da Câmara Municipal, Coronel Emygdio José da Piedade, contando com as presenças dos vereadores Marcello Gonçalves de Oliveira, Manoel Antonio de Andrade, Alferes Firmino Silvério de Oliveira e Manoel Garcia Duarte, fez registrar em ata o seu pronunciamento, que o governo republicano estava instituído no Brasil, e instalado o governo provisório no Estado – antiga Província de São Paulo (Câmara, Ata Legislativa, sessão de 21/11/1889). 
Pouco depois o Governo de São Paulo, com base no Decreto nº 107, de 30 de dezembro de 1889, dissolveu 121 das 134 Câmaras Municipais eleitas na província, agora estado paulista, e nomeou Intendentes para as localidades – os 'Conselhos Municipais de Intendentes'.
Entre os municípios cujas Câmaras extinguidas estava Santa Cruz, com Intendência nomeada aos 17 de fevereiro de 1890, compondo o quadro Joaquim Manoel de Andrade, Moysés Nelly e João Evangelista da Silva, sendo o primeiro qualificado presidente e os demais na condição de membros. Também no rol Dr. Manoel Malta Leite de Araujo, Intendente Procurador do Município. 
O Livro de Registros de Eleitores para Santa Cruz do Rio Pardo, Termo de Abertura, de 07 de abril de 1890 está assinado por Andrade como Presidente da Intendência, enquanto no Auto de Demarcação da Vila, de 17 de setembro de 1890 assinam os Intendentes Moysés Nelli e João Evangelista da Silva, juntamente com o Coletor João Castanho de Almeida e o Secretário da Intendência Municipal, senhor Vicente Finamore.
Eram os seguintes Quarteirões Eleitorais estabelecidos para Santa Cruz com respectivos números de eleitores: 
  • 1º Quarteirão: Villa [sede] 108;
  • 2º Quarteirão: São Domingos 12;
  • 3º Quarteirão: Serrinha 03;
  • 4º Quarteirão: Perobas 15;
  • 5º Quarteirão: Praia Vermelha 15;
  • 6º Quarteirão: Mandassaia 18;
  • 7º Quarteirão: Pica-Pau 10;
  • 8º Quarteirão: Pedra Branca 01;
  • 9º Quarteirão: Óleo 08;
  • 10º Quarteirão: Lajeado 51;
  • 11º Quarteirão: Pires 12;
  • 12º Quarteirão: Figueira 16;
  • 13º Quarteirão: Mumbuca 14;
  • 14º Quarteirão: Boa Vista 17;
  • 15º Quarteirão: Poção 27;
  • 16º Quarteirão: Paranapanema 08;
  • Total de inscritos / votantes 335, mais o presidente, totalizando 336 eleitores.
Neste levantamento são observados os bairros rurais com maior concentração populacional. Alguns dos povoados iniciais à beira do Turvo, margem esquerda, estão lançados para Espírito Santo do Turvo e, aqueles ao lado direito, para São Pedro do Turvo.
Com o advento da República, Santa Cruz do Rio Pardo experimentaria profunda mudança política, com a ascensão do jovem João Baptista Botelho, que embora monarquista liberal viu-se guindado ao poder para fazer história como mandatário do lugar. Botelho foi, em 1901, o primeiro Intendente santacruzense do século XX.
6. Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo
Pela Lei Provincial nº 7, de 13 de fevereiro de 1884, o Termo de Santa Cruz era elevado à categoria de Comarca, sequenciada de longa disputa jurídica e política, entre o Judiciário de Lençóes [Lençóis Paulista] e a Câmara Municipal de Santa Cruz, com o primeiro a não concordar com as decisões da Assembleia Provincial e do Governo de São Paulo em conceder, imediatamente, a emancipação judiciária, enquanto a segunda a ensejar instalação imediata do foro conquistado.
As disputas para a instalação ou não da Comarca de Santa Cruz extrapolaram os limites da Província, remetido o processo para o Ministério da Justiça do Império, daí para a decisão do Governo Republicano que, pelo Decreto Federal nº 114, de 03 de janeiro de 1890, confirmou: "É declarada de primeira entrancia a comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, creada no Estado de S. Paulo pela Lei n. 7 de 13 de fevereiro de 1884." 
O Governo de São Paulo assim reconheceu: "No regimen actual foram classificadas as 15 comarcas seguintes, creadas por leis anteriores à proclamação da república: – (...), Santa Cruz do Rio Pardo." (RG, U 1145, 1890/1890: 11).
Como primeiro Juiz de Direito para a nova comarca foi nomeado o Dr. Augusto José da Costa, por Ato do Ministério da Justiça, de 11 e publicado aos 12 de janeiro de 1890, com prazo de três meses para assumir exercício (DOU, edição de 12/01/1890: 2 – Seção I). A publicação tornava sem efeito a nomeação anterior daquele Juiz para a Comarca de Paranapanema.
O Governo de São Paulo então designou o dia 1º de março de 1890 para a instalação da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, o que efetivamente realizado (RG, U 1145, 1890/1890: A-181). O Decreto 114 preservava a figura do Juiz Municipal e manteve-se a estrutura do Juizado de Paz. 
Pela Lei nº 80, de 25 de agosto de 1892, Campos Novos Paulista desanexou-se da então Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, para se tornar Sede de Comarca de todo o sertão adiante desde suas divisas com São Pedro do Turvo.
6.1. O Poder Judiciário
6.1.1. O Juiz Dr. Augusto José da Costa
O primeiro Juiz de Direito, titular para Santa Cruz do Rio Pardo, foi o Doutor Augusto José da Costa, nomeado por Ato do Ministério da Justiça de 11 e publicado aos 12 de fevereiro de 1890 cuja posse ocorreu no ato da instalação da Comarca, em 1º de março de 1890. Dr. Augusto José contava experiência judiciária anterior, como Juiz Municipal e de Órfãos na Comarca de Guaratinguetá – SP (Correio Paulistano, 10/11/1885). 
Dr. Augusto registrou-se eleitor aos 10 de abril de 1890, em 'Alistamento dos Eleitores do Município de Santa Cruz do Rio Pardo, de 1890', informando idade de 29 anos e residente na Praça da Liberdade, atual Praça Deputado Dr. Leônidas Camarinha. O juiz era casado com a sobrinha, Euridice de Macedo Costa – Dona Nhanhã conforme conhecida, filha do Dr. Antonio José da Costa Junior (Correio do Sertão, 13/12/1902: 1). 
A passagem de Augusto pela Comarca foi bastante tumultuada, e sua permanência no lugar, por mais de dez anos, deu-se graças a influência de seu irmão e sogro, Costa Junior, advogado, capitalista, fazendeiro e político influente no Império e na República.
O juiz sofreu acusações de fraudar eleições, consentir em assassinatos, protecionismos, arbitrariedades e atos de violências durante o exercício do cargo em Santa Cruz. Irmão e genro do Dr. Costa Filho e cunhado de Abreu Sodré – também tio deste por afinidade, líderes políticos em Santa Cruz (1901/1907), os adversários não o poupavam das críticas e denúncias de prevaricações, e até sua vida particular devassada, e dito beberrão.
O advogado Olympio Rodrigues Pimentel teve sérias pendengas com o Juiz José Augusto, e conseguiu enquadrá-lo em "receber, por adiantamento, custas não devidas e referentes á causa não iniciada." (Correio da Manhã, 08/04/1902: 4). O Tribunal de Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra o juiz que admitiu o crime, cuja pena previa prisão celular de um ano, perda do emprego público e inabilitação para outro, além de multa. Depois o próprio Tribunal retiraria a denúncia, por concludência que Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, como cidadão, não foi diretamente ofendido pelas transgressões do Juiz. 
No entanto, o Tribunal deveria devolver o expediente ao Ministério Público, para que este apresentasse nova denúncia, porém não o fez. O erro formal justificou novas providências, em 1904, e o Tribunal aceitou a denúncia e suspendeu Augusto das funções de Juiz de Direito, sentença ratificada por Ato do Poder Executivo – Decreto de 26 e publicado aos 27 de janeiro de 1905, que, "sob proposta do Tribunal de Justiça resolve que o bacharel Augusto José da Costa deixe o exercicio do cargo de juiz de direito da comarca de Santa Cruz do Rio Pardo." (DOSP, 27/01/1905: 1).
O Juiz procurou pelos direitos, licenciou-se por motivo de moléstia (DOSP, edição de 30/03/1905: 811), para mascaramentos da pena imposta, sem reverter a situação, conforme decisão publicada: "a 21 do mesmo mez [janeiro de 1905], o bacharel Augusto José da Costa, juiz de direito da comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, deixou o exercício do cargo, tendo assumido a jurisdicção o primeiro juiz de paz do districto, cidadão Moyses Nelli." (07/02/1905: 342-343).
Dr. Augusto José da Costa transferiu-se de Santa Cruz em 1º de agosto de 1905, nomeado Juiz de Direito para a Comarca de Ituverava, e dele, em relação a antiga sede de exercício ouviu-se dizer pela publicação do Decreto Estadual de 22 de março de 1921, autorizando pagamento da diferença de seus vencimentos, relativa ao período de 22 de janeiro a 06 de setembro de 1905, em que esteve sumariamente afastado do cargo na comarca.
Pela Lei nº 10.128, de 07 de junho de 1968, foi dada denominação de 'Dr. Augusto José da Costa', ao Fórum de Santa Cruz do Rio Pardo, pela aprovação do Projeto de Lei 807/1967, de autoria do Deputado Lucio Casanova Neto.
6.1.2. Dr. Francisco Cardoso Ribeiro
Após o Dr. Augusto José da Costa assumiu a Comarca o Juiz de Direito Dr. Francisco Cardoso Ribeiro – Decreto de 10 e publicado aos 12 de agosto de 1905. 
O Dr. Cardoso Ribeiro se tornaria famoso no anedotário do judiciário, por ver-se obrigado, às pressas, abandonar a comarca, em 1909, escondido numa carroça de padeiro, após desavença com o mandatário do lugar, o Coronel Antonio Evangelista da Silva, o Tonico Lista.
Referido juiz, depois da humilhante retirada, veio a ser o Secretário da Justiça e Segurança do Estado de São Paulo e, posteriormente, Ministro do Supremo Tribunal Federal. 
Dr. Cardoso Ribeiro, suspeito local em arquitetar o assassinato do desafeto Lista, suicidou-se aos 16 de maio de 1932, com idade de 56 anos.
6.1.3. Dr. José Manoel Machado de Araujo Filho
Após o Dr. Cardoso Ribeiro, apresentou-se nomeado Juiz de Direito da Comarca o Dr. José Manoel Machado de Araujo Filho, para o período de 1909 e 1916, numa desmedida subserviência ao coronelismo local.
6.1.4. Dr. José Mesquita de Barros
Doutor Barros sucedeu a Machado de Araujo Filho, para o período de 1916 a 1920, dentro do mesmo procedimento do antecessor, sem se indispor com os políticos, ou mais propriamente, com o Coronel Tonico Lista.
6.1.5. Dr. Arthur Mihich
De 1920 a 1924 foi Juiz de Direito na Comarca local, o Doutor Arthur Mihich, designado diretamente pelo Secretário de Justiça e Segurança Pública do Estado, o Dr. Francisco Cardoso Ribeiro, com instrução direta para fazer prender o desafeto Tonico Lista. 
As atitudes de Mihich revelam isto, e, também, Cardoso Ribeiro fizera nomear Delegado de Polícia o Dr. Coriolano de Araujo Goes Filho – policial linha dura para execução das ordens dadas, além da indicação do Promotor Público, Dr. Ricardo Gumbleton Daunt, com o propósito de incriminar o Coronel Lista, tão logo a primeira oportunidade efetiva.
O trio de nomeados iniciou providências quando acontecido o atentado que vitimou José Rocha, sendo Tonico Lista o suspeito. Conclusa a diligencia policial pelo Delegado Coriolano e oferecimento da denúncia pelo Promotor Daunt, o Juiz Arthur Mihich determinou a prisão de Lista aos 08 de outubro de 1921.
O Coronel esteve preso por alguns dias, mas livrou-se de todos os processos.
6.1.6. Outros Juízes de Direito
Após a morte de Lista em 1922 e com a saída do Juiz Mihich (1924), o Juízo de Direito entrou num período de normalidade com juízes titulares e substitutos revezando-se, numa localidade sem muitos atrativos para permanência efetiva de qualquer magistrado, à exceção do Dr. Antonio José Magdalena, no lugar desde 1989, ano de referência 2014.
6.2. Promotoria Pública
A Promotoria Pública, em meado do século XIX, era vista como instituição essencial à função jurisdicional do Estado, Órgão defensor da sociedade, atuando em defesa dos interesses do Estado e nos juízos de crimes.
Para o exercício das funções escolhia-se um advogado da localidade para determinada representação, podendo o juiz nomear até mesmo um leigo, com as devidas justificativas.
O primeiro Promotor Público, legalmente investido no cargo, foi Augusto Elysio de Castro Fonseca, nomeado em 23 de novembro de 1887, assumindo exercício aos 23 de dezembro do mesmo ano (RG, BN 1033, 1888/1889: 6-7), nos tempos de Santa Cruz como Termo Reunido da Comarca de Lençóes – Lençóis Paulista. 
A posse do Dr. Fonseca, ocorrida em Lençóis Paulista, precisou ser refeita, porque o juramento deu-se perante o Juiz Municipal do Termo, e não do Juiz de Direito que, naquela data, presidia o Tribunal do Júri em Santa Cruz. 
No exercício de 1888 o Dr. Gaspar Mena Barreto de Barros Falcão exercia o cargo (Almanach da Provincia de São Paulo, 1888: 623), até a efetivação de Santa Cruz do Rio Pardo como Comarca, quando designado Promotor Público o Dr. José Balthazar de Abreu Cardozo Sodré (DOSP, 07/06/1891: 5), tio do médico Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, o sobrinho por afinidade e concunhado do Juiz Augusto José da Costa.
José Balthazar de Abreu Cardoso Sodré era o primeiro titular da Promotoria Pública no julgamento de Tonico Lista, aos 06 de setembro de 1892, e deixaria o cargo em dezembro do mesmo ano, quando nomeado Juiz de Direito para a Comarca de Campos Novos do Paranapanema (DOSP, 22/12/1892: 1), substituído na Promotoria pelo Dr. Cleophano Pitaguary de Araujo, por Decreto Estadual de 23 e publicado aos 25 de dezembro de 1892. 
Dr. Pitaguary foi exonerado a pedido (DOSP, 04/09/1894: 1) e a vaga decorrente suprida pelo bacharel Octaviano de Aguirre Camargo, vindo da Comarca de Avaré, por Ato do Governo do Estado publicado aos 14 de setembro de 1894. Camargo permaneceria no cargo até a posse do bacharel Waldomiro ou Valdomiro da Silveira, nomeado Promotor Público por Decreto de 26 e publicado aos 30 de janeiro de 1895. 
Dr. Silveira, famoso literato brasileiro, teve passagem insólita pela comarca, com o denominado 'Crime da Mãozinha', e não resistiu às pressões da família da mandante do crime, pedindo férias e a seguir demissão do cargo, cujo pedido deferido conforme Decreto de 11 e publicado em 13 de janeiro de 1898.
Para a vaga do Dr. Silveira foi nomeado o bacharel Arlindo Vieira Paes (DOSP, 13/01/1898: 8), exonerado em 1902, com a nomeação do Dr. José Amadeu César, no mesmo exercício substituído pelo Dr. José Fernandes de Oliveira Moraes, este a permanecer no cargo até 1906, quando substituído pelo Dr. Aristides de Toledo Piza, titular até 1913.
Durante ausências legais, dos representantes da Promotoria Pública, cumpria ao Juiz de Direito designar substitutos. Dr. Pedro Camarinha, por exemplo, foi designado Promotor Público interino em 1913; em 1918 a designação recairia sobre o advogado Dr. Ovídio Badaró. 
Em 1921 assumiu a Promotoria Pública o Dr. Ricardo Gumbleton Daunts, quando da prisão do Coronel Tonico, acusado de mandos de crimes de mortes e espancamentos.
Dr. Daunt tornou-se famoso como o precursor da polícia científica e pioneiro da datiloscopia no Brasil.
Com as tantas designações interinas de Promotores Públicos, por Juízes de Direito, tornam-se difíceis as separações daqueles efetivamente Promotores Públicos – cargo de carreira, daqueles designados, inclusive pela transitoriedade nas funções. 
Cita-se o cidadão fazendeiro Hermínio da Cunha Campos, sem banco escolar, nomeado Promotor Público para os anos de 1923/1924, pelo Juiz Arthur Mihich: "Ofereci ressalva, pois não possuía condições para tanto. Mas dada a insistência, aceitei" (Debate, nº 1391, edição de 02/12/2007). 
7. A Maçonaria
Os movimentos sociais e políticos do século XIX, não podem ser isolados da importância e influência exercida pela Maçonaria nos principais líderes políticos, inclusive locais.
Em Santa Cruz, após proclamada a república, instalou-se a primeira loja maçônica em 1891, sob a denominação 'União Paulista' – Rito Adonhiramita (Boletim GOB, nº 117º ano, março de 1892: 35), ao Oriente São Paulo, e entre os fundadores estava João Raul Gonsalves [Gonçalves] da Silva, iniciado na Loja 'América', da Capital paulista, e um dos grandes nomes da maçonaria paulista (Grande Oriente do Estado de São Paulo, Boletim 10º fascículo – junho de 1911: 190). 
A loja teve o primeiro endereço conhecido à Praça Marechal Deodoro (Correio do Sertão, 03/05/1902: 1), atual Dr. Pedro Cesar Sampaio.
Raul Silva, assim melhor identificado, teve intensa participação na sociedade santacruzense de sua época, provisionado e depois advogado, Promotor Público interino, fundador e editor do hebdomadário 'O Paranapanema' – o pioneiro em Santa Cruz no ano de 1895, e o seu nome consta no rol de votantes de 1893. 
A loja esteve em situação de dissidência no ano de 1893, posto vinculada ao 'Grande Oriente Maçônico de São Paulo' (Grande Oriente de S. Paulo), criado por facção (sete lojas) da maçonaria paulista rompida com o 'Grande Oriente do Brasil', aos 28 de maio de 1893. Ato do 'Grande Oriente do Brasil', naquele ano, declarou espúrio o grupo das sete lojas aderentes, 'Roma', 'Sete de Setembro', 'Vinte de Setembro', 'Harmonia e Caridade', 'Amizade' e 'União Paulista' encabeçadas pela 'América' (Maçonaria Paulista. In: Boletim do Grande Oriente do Brasil, 1893, ano 18. n. 3. p. 102).
Pela participação, como loja organizada, ainda que não oficialmente estatuída, a União Paulista tem preexistência confirmada ao cisma de 28 de maio de 1893. Nenhuma das lojas paulistas, espúrias ou não, tinham estatutos em conformidade com a Lei [Federal] nº 173, de 10 de setembro de 1893, e a primeira a registrar-se foi a 'Loja Amizade', à igual data que assim procedeu o 'Grande Oriente Maçonico de São Paulo' (DOSP, 09/10/1894: 12).
Após Raul Silva, a União Paulista e o Coronel Botelho ajustaram-se. O Coronel tornou-se líder político regional e Venerável da Loja União Paulista.
Historicamente correto, de acordo com Registro Oficial em Diploma, que o senhor Bernardino Antonio Pereira de Lima, da Loja Maçônica de Lençóis Paulista desde 1876, filiou-se à Loja União Paulista aos 03 de junho de 1896, quando Secretário o senhor João Castanho de Almeida Junior.
A Igreja Católica, visando ampliação da Praça onde pretendia-se a nova Matriz, adquiriu o terreno da loja maçônica. Segundo reportagem do Correio do Sertão, a situação que parecia simples complicou-se porque a Loja "não é pessoa juridica, razão porque ainda não recebeu escriptura do terreno onde foi edificado o templo." (Correio do Sertão, 03/05/1902: 1). 
Igreja e Maçonaria, acertadas as documentações, confirmaram a transação através dos lançamentos da Igreja com despesas de escritura e demolição do prédio. O Correio do Sertão, de 30 de agosto de 1902 confirmava a transação através dos lançamentos de despesas com a escritura e a demolição do prédio.
A denominação 'União Paulista' era marca exclusiva para a Loja de Santa Cruz, em 1902, estando entre aquelas que, "Por Decreto nº 5 do Grande Oriente Estadoal, foram eliminadas do quadro geral de matriculas" (Correio do Sertão, 15/11/1902: 2, Eliminações – edital), depois, em 1905, reintegrar-se-ia ao Grande Oriente e Superior Conselho do Brasil.
Desde 1902 a Loja já não funcionava no endereço da Praça Marechal Deodoro, estabelecendo-se à então Rua Visconde de Pelotas – hoje Farmacêutico Alziro de Souza Santos, em partes onde posteriormente construído o Icaiçara Clube (CD: A/A - fotos).
No ano de 1905 a Loja ainda estava presente em Santa Cruz, integrada ao Grande Oriente e Superior Conselho do Brasil, conforme Diploma expedido pelo Órgão, de 23 de julho de 1905, ao maçom 'Constâncio Carlos da Silva – União Paulista de Santa Cruz do Rio Pardo'.
Desconhecida outra Loja denominada de 'União Paulista' entre 1893/1908, e a gênese maçônica, salvo melhor juízo, parece não concordar que duas casas tenham idêntica denominação, numa mesma época, exceto se da mesma origem e distinguida por números. Então a União Paulista seria exclusiva em Santa Cruz do Rio Pardo.
7.1. Maçom ilustre*
Pesquisas apontam o Presidente do Brasil, 'Dr. Washington Luiz Pereira de Souza' (1926/1930), como membro da Loja Maçônica "União Paulista" (Costa e Almeida Filho, 2000: 15), e membro honorário da 'Loja Amizade'.
A questão merece melhores estudos para efetivas comprovações ou eliminações de dúvidas, porque nenhuma outra Loja União Paulista, exceto a santacruzense, estava em atividade naqueles tempos. Alguns maçons informam a possibilidade de membro de uma loja residir em outra localidade, ou, por laços de amizades, estar filiado numa loja, mas dela não participar.
Washington Luiz, fluminense de Macaé, tinha fortes ligações com os fazendeiros do interior paulista, inclusive casado com a piracicabana Sophia de Mello Oliveira, com grandes possibilidades que tenha conhecido Raul Silva, o fundador da Loja União Paulista santacruzense, ainda no Rio de Janeiro, quando estudantes no Colégio D. Pedro II, sendo Washington nascido em 26 de outubro de 1869 e Raul aos 13 de agosto de 1866.
Se Washington Luiz efetivamente membro ou iniciado da 'Loja União Paulista', então foi maçom santacruzense, pois que, até prova em contrário, nenhuma outra Casa Maçônica da época apresentava-se com o nome União Paulista.
Nos tempos atuais duas lojas maçônicas identificam-se União Paulista, a mais notória em Itapetininga – SP. Também a Loja Maçônica 'União Paulista I nº 434', à rua São Joaquim 457, Bairro da Liberdade, São Paulo.
A transferência de domicílio dos principais maçons santacruzenses para Ipaussu e, consequentemente a formação de nova Coluna naquela localidade, a União Paulista teria entrado em situação de 'loja adormecida' em 1908.
  • *Colaborou nesta pesquisa o acervista Geraldo Vieira Martins Junior.
7.2. Continuação dos estudos sobre a maçonaria em Santa Cruz
Os autores não encontraram registros de alguma outra loja maçônica santacruzense entre 1908 e 1920, entretanto, no artigo, 'O Carnaval (...) Blocos Carnavalescos', o colunista responsável identificava, entrelinhas, alguns maçons santacruzenses, uns pela profissão e outros pelas origens ou características, descrevendo-os como sairiam fantasiados para o Carnaval daquele ano. A Maçonaria de então, cuja loja não identificada, era carnavalescamente cognominada 'Clube dos Pellas' (O Contemporaneo, 05/03/1916).
Com certeza, por documentos, nos anos de 1920 estava presente em Santa Cruz a Loja Maçônica 'Deus e Caridade', destacando-se dentre os membros Alfredo Theodoro de Souza Almeida (CD: A/A) e Amadeu Lucante (Correio Paulistano, 27/11/1924: 6, referência ao seu óbito).
A Municipalidade doou à Loja 'Deus e Caridade' terreno para sua sede, à Rua Benjamin Constant, conforme Lei nº 354, de 17 de junho de 1925.
Santa Cruz conta atualmente (referência ano 2014) com duas Lojas Maçônicas, a 'Santa Cruz – nº 395' da Grande Loja do Estado de São Paulo – fundada em 10 de outubro de 1990, e a 'União – Justiça e Fraternidade – nº 2815', fundada em 01 de agosto de 1994, do Grande Oriente do Estado de São Paulo, casas distintas abrigadas num mesmo imóvel, à Rua Francisco Maximiano de Oliveira, nº 42 – Vila Saul.
8. Ajustes territoriais e divisas 
8.1. São Pedro dos Campos Novos do Turvo – São Pedro do Turvo
A Capela São Pedro, no município de Lençóis Paulista, foi elevada à condição de Freguesia denominada São Pedro dos Campos Novos do Turvo, pela Lei Provincial nº 4, publicada aos 05 de julho de 1875, e as suas divisas marcadas por Ato do Governo de São Paulo, de 17 de dezembro do mesmo ano.
Ato do Governo de São Paulo, de 24 de fevereiro de 1876, transferiu São Pedro dos Campos Novos do Turvo, do município de Lençóis Paulista para Santa Cruz do Rio Pardo, mantendo as divisas.
Pelo Decreto nº 181, de 29 de maio de 1891, a freguesia foi elevada a Vila, conservando as mesmas divisas. E teve o nome reduzido para São Pedro do Turvo.
8.2. São José do Rio Novo – atual Estância Climática Campos Novos Paulista
A Capela de São José do Rio Novo, no município de Santa Cruz do Rio Pardo, assumiu a condição de Distrito Policial, por Ato do Governo da Província de São Paulo, de 24 de junho de 1878, com as descrições de suas divisas.
Pela Lei Provincial nº 62, de 13 de abril de 1880, referido Distrito Policial foi elevado a Distrito de Paz e, depois, pela Lei nº 023 de 20 de março de 1882 à condição de Freguesia, sem alterações das divisas.
A Freguesia de São José dos Campos Novos subiu à categoria de Vila, pela Lei Provincial de nº 25, de 10 de março de 1885, com a denominação de Campos Novos do Paranapanema, com território constituído pelo distrito sede, desmembrando-se de Santa Cruz e estabelecidas suas demarcações.
8.3. Óleo
No Relatório de Governo de 1890, Divisão Judiciária, foi criado "Arraial do Óleo, no termo de Santa Cruz do Rio Pardo, por acto de 02 de Outubro de 1890" (RG U 1145, 1890 / 1890: 13), com anexação oficializada pelo Decreto nº 205, de 06 de junho de 1891. O Óleo tinha classificação anterior como Distrito de Subdelegacia.
Com a nova classificação, o Óleo teve acréscimo territorial, com a propriedade agrícola denominada Novo Niágara, do dr. José Alves de Cerqueira Cezar." (DOSP, 14/06/1891: 1). 
Óleo, tornou-se município, pela Lei nº 1.576, de 14 de dezembro de 1917, com estabelecimento de suas divisas.
8.4. Salto Grande do Paranapanema – Salto Grande
O Distrito de Paz de Salto Grande do Paranapanema, no município de Santa Cruz do Rio Pardo, foi criado pelo Decreto nº 155, de 14 de abril de 1891, e declaradas suas divisas.
Salto Grande desmembrou-se de Santa Cruz do Rio Pardo, como município, nos termos da Lei nº 1.294, de 27 de dezembro de 1911.
8.5. Ilha Grande – Ipaussu
No ano de 1893, a Lei Estadual nº 187, de 23 de agosto, "desmembra, do município de Pirajú, e anexa, ao de Santa Cruz do Rio Pardo, o Bairro da Ilha Grande e fixa-lhe as divisas", antiga denominação de Ipaussu.
A Lei Estadual nº 550, de 13 de agosto de 1898: "Crea do districto de paz de 'Ilha Grande', no município de Santa Cruz do Rio Pardo", estabelecendo-lhe as divisas. O Distrito tornou-se freguesia pela Lei nº 550, de 13 de agosto de 1898. 
A Lei Estadual n° 1.465, de 20 de setembro de 1915, criou o município de 'Ipauçu', corruptela de 'Ipa-guaçu' – Ilha Grande (em Tupi), pertencente à Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, sendo formado pelo distrito de paz de Ilha Grande do Paranapanema e com sede no respectivo povoado, comunicando suas divisas.
Vinculada à Comarca de Ourinhos, em 1944 foi transferida para a Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo (DOSP, 02/12/1944: 8).
Por Lei Municipal nº 55, de 01 de outubro de 1990, pela Câmara Municipal, a localidade teve o seu Ipauçu nome alterado para Ipaussu.
8.6. Mandaguahy
Pela Lei Estadual nº 942, de 10 e publicada em 18 de agosto de 1905, criou-se o Distrito de Paz com a denominação 'Mandaguahy', no município e comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, estabelecendo confrontações.
Quase três anos depois, a Lei 1.114 de 24 de dezembro, publicada em 01 de janeiro de 1908, revogou a Lei 942, de 10 de agosto de 1905.
Mais adiante na história, pela Lei nº 1.657, de 04 e publicada aos 07 de novembro de 1919, Mandaguay torna-se Mandaguary e é incorporado territorialmente ao Município de Óleo.
Em conformidade com a Lei Estadual nº 2.119, de 30 de dezembro de 1925, "Fica transferida a séde do districto de paz de Mandaguary, para a Estação de Baptista Botelho, no municipio de Oleo da comarca de Pirajú."
O Decreto-Lei Estadual nº 9.073, de 31-03-1938, reafirmou o distrito de Batista Botelho com a mesma denominação, no município do Óleo.
8.7. Santana da Cachoeira – Irapé/Chavantes
Moradores do antigo bairro rural 'Santana da Cachoeira' iniciou um movimento reivindicatório para o reconhecimento do lugar como Distrito de Paz, feito conseguido pela Lei Estadual nº 1.172 de 22 e publicado aos 26 de outubro de 1909, sob a denominação 'Irapé' (do Tupi: Tapi'irape - Tapi -r- Anta e Irape Caminho, ou Caminho das Antas, também grafado pelo fonema Iapirape), dando-lhe as divisas.
Do referido distrito foi desmembrada uma parte, pela Lei nº 1.294, de 27 de dezembro de 1911, publicada em 09 de janeiro de 1912, que criou o município de Santo Grande do Paranapanema.
Em 1916, pelo Projeto Lei do Legislativo, nº 40, foi autorizado mudança de denominação do nome do Distrito de Paz de Irapé para o de Chavantes.
A parte restante para o Distrito de Irapé foi desanexada pela Lei 1.885, de 04 de dezembro de 1922, com a criação do município de Chavantes cujo distrito sede carregou a mesma denominação, Chavantes – 'chave antes' numa alusão ao leito ferroviário em relação a Canitar, mantidas as divisas.
8.8. Douradão – Bernardino de Campos
A origem do lugar, em 1886, foi sob a denominação bairro do Douradão, abandonado posteriormente pelos moradores que transferiram seus domicílios para as proximidades do leito da estrada de ferro, formando a povoação de Figueira ou Figueira Branca, onde instalada a gare, em 1907.
O novo lugar teve seu nome alterado para Bernardino de Campos, em homenagem ao ex-governador do Estado de São Paulo, de 1892 a 1896 e de 1902 a 1904, falecido aos 18 de janeiro de 1915.
A localidade tornou-se Distrito de Paz pela Lei nº 1.570, de 06 de dezembro de 1917, estabelecendo suas divisas, para depois emancipar-se de Santa Cruz do Rio Pardo, elevando-se a município pela Lei nº 1.929 de 09 de outubro de 1923, sendo as divisas as mesmas de quando da elevação para a condição de Distrito.
8.9. Sodrélia
A sede da fazenda do Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, cognominada Estação Sodré em razão da gare ferroviária, tornou-se o Distrito Policial de Sodrélia e depois Distrito de Paz pela Lei nº 2.366, de 07 de novembro de 1929, com as divisas que lhe eram conhecidas.
8.10. Rio Turvo [Espírito Santo do Turvo]
Desvinculada da Capela de Santa Cruz (depois Santa Cruz do Rio Pardo) quanto à origem, a Capela de Espírito Santo do Turvo ou Rio Turvo, no município de Lençóis [Paulista], tornou-se Distrito Policial criado por Ato do Governo da Província de São Paulo, aos 30 de dezembro de 1875, e dadas as suas divisas.
Elevado a Distrito de Paz, pela Lei Provincial nº 8, de 23 de março de 1878, teve condição de Freguesia, com a denominação de Espirito Santo do Turvo, pela lei provincial nº 8, de 23 de março de 1878, ainda subordinada ao município de Lençóis Paulista. 
Pela Lei Provincial nº 20, de 10 de março de 1885, o lugar foi desmembrado do município de Lençóis Paulista e elevado à condição de Vila, consequentemente município, com a mesma denominação e mantidas as divisas. 
A Lei Estadual nº 0111, de 01 de outubro de 1892, desanexou o município de Espírito Santo do Turvo da Comarca de Lençóis, anexando-o à Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo.
Administrativa e politicamente Espírito Santo do Turvo não teve vinculação com Santa Cruz do Rio Pardo no século XIX, senão quando a sua anexação jurídica, e depois quando lhe foi extinto o município, pelo Decreto Provincial nº 6.448, de 21 publicado aos 22 de maio de 1934 e passou a integrar aquele, na condição de Distrito de Paz.
Pelo Decreto-Lei 14.334, de 30 de novembro de 1944 perdeu terras para as formações dos Distritos de Caporanga e Clarínia.
Desmembrou-se de Santa Cruz do Rio Pardo, pela Lei Estadual nº 6.645, de 09 de janeiro de 1990, para se tornar município. 
8.11. Caporanga
Iniciado por volta de 1907, com a doação de 19 e meio alqueires de terras para o Patrimônio de Senhor Bom Jesus, para formação de um povoado entre diversas fazendas na região.
  • Apud Cúria Diocesana de Ourinhos, Documentos para Santa Cruz do Rio Pardo – Distrito de Caporanga; informações familiares por Zenaide de Souza Maitan; e Cartório de Registro de Imóveis Escritura de 13/10/1907 e Registro aos 24/04/1908 – transcrição nº 3.543, e Escritura de 13/03/1913 e Registro de 29/07/1943 – transcrição 9.838. 
Constam doadores:
-Doc. 3.543: 
  • José Theodoro de Oliveira e sua mulher Maria Custódia[o] de Oliveira;
  • Antonio Bernardino de Souza e sua mulher Maria Theodora[o] de Souza ou Maria de Souza;
  • João Bernardino de Souza;
  • Maria Ignacia Domiciano;
  • José de Souza;
  • Joanna Maria de Jesus;
  • Joaquim Ferreira de Souza;
  • Pedro Theodoro de Souza;
  • Maria Francisca Assumpção;
  • Joaquim Theodoro de Souza;
  • Vania de Jesus.
-Doc. 9.838: 
  • José Theodoro de Oliveira e sua mulher Maria Custódia[o] de Oliveira;
  • Antonio Bernardino de Souza e sua mulher Maria Theodora[o] de Souza ou Maria de Souza.
O Patrimônio do Senhor Bom Jesus deu origem a Caporanga – 'Ca(a) = Mato e Poranga = Belo', a primeira denominação que se tem notícia, antes de ser Monte Belo e outra vez Caporanga, lugar referência para os bairros adjacentes ao Turvo, a montante e jusante, com reconhecido destaque regional.
Tornou-se Distrito Policial em 1928:
  • "Foi creado o districto policial denominado Caporanga, no municipio e comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, com as seguintes divisas:"
  • "Começam no ribeirão dos Cubas no espigão do lado esquerdo, até á barra do Carrapatal ao espigão do corrego Grande, até Santa Clara; descendo pela Santa Clara, até á barra que faz no Turvo; atravessando o Turvo, sobem o córrego da Cachoeira, dividindo com Espirito Santo até o Lambary com suas vertentes Lambary abaixo até á barra que faz no Turvo, em frente ao ribeirão dos Cubas, onde tiveram começo." (Correio Paulistano, 27/12/1928: 3).
Caporanga tornou-se Distrito de Paz conforme Decreto-Lei Estadual nº 14.334, de 30 de novembro, publicado em 02 de dezembro de 1944: "O distrito de Caporanga foi criado com sede no povoado de Monte Belo e com terras desmembradas do distrito da sede do municipio de Santa Cruz do Rio Pardo e do distrito de Rio Turvo." 
O lugar somou-se territorialmente com o povoado de São Sebastião e mais as terras divisas entre Espírito Santo do Turvo e de Santa Cruz do Rio Pardo.
8.12. Clarínia
Lugar conhecido por Santa Clara, iniciada a partir dos anos de 1850, como sede de fazenda – propriedade de José Custodio de Souza, em 1889 parte de seu território e as fazendas vizinhas, Capivari e Barreiro, foram anexadas a Espírito Santo do Turvo (ALESP/Projeto: PR 89_081).
Santa Clara tornou-se Clarínia antes da oficialidade que lhe foi dada, através do Decreto-Lei Estadual nº 14.334 de 30 de novembro de 1944: "O distrito de Clarinia foi criado com sede no povoado de Santa Clara e com terras desmembradas do distrito de Santa Cruz do Rio Pardo e do distrito do Rio Turvo."
Em algum tempo Santa Clara teve denominação de "Patrimônio do Longo" (O Estado de S. Paulo, 30/01/1945: 6).
O distrito foi oficialmente extinguido quando publicada a Resolução nº 1, de 29 e publicada aos 30 de dezembro de 1971, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, das extinções de distritos incluiu-se "Clarínia – Vila do Município de Santa Cruz do Rio Pardo; incorpora-se ao distrito da sede do município", conforme "Seção IV – artigo 10 – XVII Resolução nº 1 de 29 de dezembro de 1971, pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo."
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