SatoPrado - coletâneas

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domingo, 4 de abril de 2010

1891 ... OS CORONÉIS E MANDATÁRIOS

I - A política dos coronéis e mandatários 
O coronelismo em Santa Cruz tem origem desde 1876 quando a elevação do lugar à condição de Vila, então politicamente disputada entre os conservadores e os liberais, através de seus líderes 

Não diferente de outros lugares, para a época, os 'coronéis e mandatários santacruzenses', conservadores e liberais, atuavam através de uma estrutura político-partidária centrada na violência com utilizações de grupos armados, capangas e jagunços. Os coronéis e mandatários tinham e usufruíam o poder em seus redutos, indicando seus candidatos e para eles encabrestando votos, em troca de nomeações de autoridades locais, como delegados, coletores, promotores, juízes e outros funcionários públicos. Mandavam e desmandavam na Câmara Municipal, e as disputas entre os coronéis rivais eram violentas e se transformavam em verdadeiras guerras locais.  
Santa Cruz teve seus coronéis, entre 1876 até a Revolução de 1930 com a tomada do poder por Getúlio Vargas, e aí o coronelismo perdeu força e deixou de existir.
1. Cel. Emygdio José da Piedade
 
Para o Almanaque da Província de São Paulo, edição de 1888, Santa Cruz do Rio Pardo: "Creado o municipio em 1876, tem desde então para cá prosperado admiravelmente sob a immediata proteção e direção do notavel paulista Exmo. Sr. Coronel Emygdio José da Piedade, illustrado representante deste 5º districto na Assembléa Provincial" (1888: 623). 
Emygdio José Piedade nasceu em Sorocaba (SP), aos 25 de maio de 1832 – Registro de Batismo de 03 de junho do mesmo ano, filho do Major Antonio José da Piedade e de dona Rita Maria da Conceição, casado aos 21 de abril de 1853 com Francisca Emilia Leonel Ferreira ou Ferreira Leonel "dos Leonéis de Itapetininga, era tia do General Ataliba Leonel" (Aluisio de Almeida, 1960: 56), nascida por volta de 1833, em Itapetininga, filha legítimas do Tenente Coronel José Leonel Ferreira e dona Maria Perpétua de Siqueira. 
Piedade estudou Teologia Dogmática e Moral, em São Paulo, lecionou Latim (Aluisio de Almeida, 247: 52-56), e foi Serventuário da Justiça em Faxina (Itapeva), renunciando a vitaliciedade em favor do filho Augusto (RG, U 1131, 1882/1883: 16-17). 
Filiado ao Partido Conservador se elegeu por sucessivas e alternadas vezes deputado provincial paulista, iniciado na '18ª. Legislatura 1870/1871, 3º Distrito Imperial'. Após a República filiou-se ao Partido Republicano Paulista. 
No primeiro mandato parlamentar assumiu a Comissão de Câmaras Municipais, na condição de membro, com importantes realizações para São Sebastião do Tijuco Preto – Piraju, Lavrinhas, Ribeira e São João Batista do Rio Verde – atual Itaporanga, Faxina – hoje Itapeva, além de comprometido com aberturas de escolas, de estradas para diversas povoações em formação, inclusa Santa Cruz, aonde viria fixar residência. 
Com destacada participação legislatória, disputou e foi eleito para o mandato 1874/1875, via 3º Distrito Imperial.
Emygdio foi um grande paulista. O estudioso jesuíta Aluísio de Almeida forneceu sua exata dimensão provincial, como o primeiro deputado do centro sudoeste/oeste paulista, com atuações parlamentares para toda a região. 
De 1876 a 1880 ocorreu hiato na carreira política do deputado, dedicando-se às atividades particulares e aos cuidados com Santa Cruz, onde passara a residir, trabalhando nos bastidores da Assembleia para melhorias administrativas e conquistas de serviços públicos, além da elevação do lugar à condição de vila e município. 
Em 1876 conseguiu a instalação da Agência do Correio local, e nomeado o seu primeiro Agente (Correio Paulistano, 27/09/1877: 1).
Previstas as eleições municipais para o ano de 1876, Emygdio organizou o Partido Conservador para o embate eleitoral e obteve maioria na Câmara, além da conquista para o Juizado de Paz. 
Os seus afazeres públicos de Emygdio em Santa Cruz podem ser acompanhados em diversas publicações oficiais do Governo Provincial e Assembleia Legislativa, além dos jornais paulistanos. Retornou à Assembleia Provincial, legislatura 1882/1883, pelo 5º Distrito que abrangia a região. 
Desta disputa escreveria Queiroz Filho: "Em 4-11-1881 (cfr Livro de Atas da Câmara Municipal) disputavam a eleição municipal um Tenente-Coronel (Emigdio José da Piedade), um Capitão (Tito Corrêa de Melo) e um Coronel (Joaquim Leonel Ferreira), tendo vencido o primeiro" (1966: 204 – notas 17). 
Com forte rejeição em São Pedro do Turvo, pouco espaço em Campos Novos Paulista, também em Santa Cruz, Emygdio sofreria dura resistência dos liberais comandados pelo Capitão Tito, deputado e chefe político em Botucatu, representado em Santa Cruz por Jacob Antonio Molitor, dissidente conservador, que aspirava o mando político local. 
O Deputado Emygdio não pacificou os conservadores rebeldes santacruzenses, com votação aquém do esperado em 1883, valendo-lhe, todavia, o apoio do itapetiningano Manoel Cardoso (Correio Paulistano, 03/10/1883: 3), igualmente válido para a sua reeleição, 25ª Legislatura – 1884/1885, pelo 5º Distrito. 
Contando sempre com votos externos, Emygdio prosseguiu vitoriosa carreira política, com interrupção entre 1889 a 1895, para o retorno e, enfim, encerramento político na legislatura 1904/1906. 
Residente em Santa Cruz, importante e partícipe membro da sociedade local, Emygdio foi membro da Comissão de Ilustres indicado pela Câmara ao Governo de São Paulo (Ofício de 12/11/1884), para integrar o grupo responsável pelas obras da Igreja Matriz. 
Também, nos tempos santacruzenses, Emygdio pertenceu à Guarda Nacional, primeiro como Tenente Coronel do 5º Distrito de Botucatu/Regional, depois Comandante entre 1884/1886, e Coronel Comandante Superior da Guarda Nacional de Botucatu e Lençóis Paulista, pelo Decreto de 20 de outubro de 1888 RG, BN 1033 – 1888/1889: 26).
Sempre presente ou participante em todos os acontecimentos sociais, religiosos e políticos de Santa Cruz, Emygdio ocupava a presidência da Câmara Municipal em 1889, quando anunciado o Golpe Militar de 1889 que derrubou o Império e instaurou a República. No ato fez o pronunciamento recomendando resignação.
Eleitor em Santa Cruz, conforme alistamento eleitoral de 1890, Emygdio identificava-se negociante, e era residente à Rua do Coronel Piedade – morador mais importante, oficializada posteriormente como Rua Coronel Emygdio José da Piedade.
Sem espaço político em Santa Cruz, transferiu domicilio para São Paulo, em março de 1891, filiando-se ao PRP, noticiado em vários documentos oficiais como político e agregado à Guarda Nacional, e depois no Comando Superior da mesma, conjuntamente à frente dos paulistas na Revolução Federalista. 
No ano de 1896 foi Procurador do Gabinete de Leitura de Faxina (DOSP, 20/02/1896: 2), e eleito Membro da Comissão de Colonização e Imigração para o Estado de São Paulo, na sessão ordinária de 11 de junho de 1896, do Congresso do Estado, pela Câmara dos Deputados (DOSP, 12/06/1896: 7). 
Com a queda do Coronel João Baptista Botelho, em 1901, Emygdio manteve-se independente do grupo ascensionário de Costa Junior/Abreu Sodré. 
Abdicado da política desde 1906, Emygdio numa visita a familiares em Espírito Santo do Turvo, faleceu aos 30 de março de 1910, por "síncope cardíaca, aos 79 anos de idade, deixando descendentes" (Cartório de Registo Civil, Espírito Santo do Turvo, Certidão de Óbito nº 37, Livro C-3, fls. 144).
O Coronel Emygdio José da Piedade tinha autorização para ser sepultado, juntamente com a esposa, na Igreja Matriz de Santa Cruz do Rio Pardo – Lei nº 83, de 01/04/1889, no entanto abriu mão dessa concessão, tanto para a esposa – falecida em 1900, quanto para si. 
Deixou os seguintes filhos: 
  • Augusto César da Piedade, casado com Dona Cândida Macedo da Piedade; 
  • Minervina da Piedade, casada com o Coronel João Batista de Oliveira Melo; 
  • Acácio da Piedade, casado com Dona Leocádia de Mello Piedade, ou Dona Leocádia Bueno Pimentel, conforme também conhecida; 
  • Arlindo Crescencio da Piedade, casado com Dona Hermínia Romano (falecida em 23 de junho de 1902), e mais outros dois matrimônios conhecidos; 
  • Godofredo José da Piedade, faleceu solteiro; 
  • Rosalina da Piedade, casada com o Coronel Emygdio [José] Dias de Almeida; 
  • José Brasil Paulista da Piedade, casado com Dona Maria Ramos; 
  • Albertina da Piedade, casada com o Major Ernesto Trindade; 
  • Dona Maria Perpétua da Piedade, casada com o coronel Francisco Clementino Gonçalves da Silva, Coronel mais conhecido por Coronel Clementino Gonçalves da Silva; 
  • Emygdio [José] da Piedade Filho, coronel, casado; 
  • Maria da Conceição Piedade, apelidada Sancha, casada com Francisco Antonio Pucci. 
  • (Certidão de Óbito nº 37, Livro C-3, fls. 144, Cartório Registro Civil Espírito Santo do Turvo, estando entre os seus filhos "(...) uma neta de nome Alzira filha de sua filha de nome Minervina ..." falecida aos 20/11/1906 (Correio Paulistano, 21/11/1906: 4) e ausente da relação de filhos, assim o também falecido Godofredo. Dos genros e noras, por fonte Aluízio de Almeida, Abril/Junho 1960: 55-56 -Volume 247: 2-65. 
Marcou época em Santa Cruz, onde ocupou, a seu tempo, todos os principais cargos públicos, por nomeações ou eleições, mesmo aqueles sem remunerações (Aluisio de Almeida 1960: 52-56). 
1.1. Aparte histórico: Suspicácias 
Apesar do tanto que fez por Santa Cruz, Emygdio e familiares meteram-se em rumorosos casos de atuações políticas, em causa de interesses particulares e de envolvimentos em ilícitos. 
A família, dona de entreposto comercial em Santa Cruz, tinha interesses em elevar o lugar à condição de freguesia, e assim o fez, em detrimento a São Pedro do Turvo, exigindo do governo paulista uma estrada desde Avaré e Faxina para o fortalecimento do comércio santacruzense, tornando-se, em tese, o empório do sertão. Se a condição de freguesia ocorresse para São Pedro do Turvo, a estrada viria diretamente de Lençóis Paulista para São Pedro, não passando pela urbe Santa Cruz e nem atendendo interesses dos Piedade. 
O equívoco histórico transformando a Capela de São Pedro em freguesia a localidade de Santa Cruz do Rio Pardo, em vez de São Pedro do Turvo, teria sido proposital para os interesses da família Piedade, e Emygdio jamais teve votação naquela localidade maior que qualquer outro concorrente, quase sempre o último colocado.
À mesma maneira marcante o Coronel Emygdio, fazendeiro na região de Santa Cruz e Espírito Santo do Turvo, em 1881 procedera ilegal ao adquirir terras devolutas no Vale do Peixe, de Francisco de Paula Moraes – genro de José Theodoro de Souza. Emygdio adquirira a Fazenda Pomba do Futuro, enquanto o filho Augusto César [Cezar] da Piedade a Pomba de Prata (Nogueira Cobra, 1923: 71). 
Entretanto, o caso mais rumoroso, sem prévios na história santacruzense e fartamente documentado, teria sido a participação familiar dos Piedade na facilitação da fuga dos presos, irmãos Pedro e Joaquim Fortunato, da Cadeia de Santa Cruz, na noite/madrugada de 03 para 04 de setembro de 1881 (Correio Paulistano, 09/05/1884 – cópia de certidão), atendendo aos interesses do patriarca, nos tempos do Delegado Manoel Cândido da Silva, que apenas procedeu atos de rotina, sem inquérito policial, sindicâncias ou processo administrativo. 
  • Joaquim Fortunato mudaria seu nome para Joaquim Messias Dutra. 
Ao Deputado incidiu, ainda, o roubo de uma novilha pertencente a Salvador José Domingues Melchior (Correio Paulistano, 03/06/1884: 2), assim acusado.
Até 1884, porém, nenhum processo de qualquer natureza preocupava a família, afora o suspeitoso relacionamento do Coronel com os irmãos Fortunato, capturados em 1878 no município de Santa Cruz, pronunciados cúmplices no assassinato de grupo indígena em Faxina (Correio Paulistano, 04/12/1878: 2), lugar em que a família Piedade tinha interesses. Os presos foram encaminhados para Botucatu, de onde ao lugar do crime e, depois, libertos. 
Posteriormente os Fortunato envolveram-se noutro crime, em São Pedro do Turvo (RG, BN 1024, 1879/1880: A 12-23), sendo presos e encaminhados à Cadeia de Santa Cruz, de onde lograram fuga: 
  • "Evadindo-se da cadêa desta villa os criminosos: Pedro e Joaquim Fortunato em setembro de 1881, o delegado que então corria Manoel Cândido da Silva procedeu o auto do corpo de delito na cadêa, e o delegado Nicolao Barreiros abriu este inquerito, do qual algum tempo depois, de demittido Nicolao, prosseguiu o delegado nomeado Francisco Antonio de Castro, chegando a colher provas." (Certidão datada de 24/04/1884, emitida, a pedido, por José Manoel de Almeida, tabelião do público judicial e notas, de cível e crime – publicação Correio Paulistano, 09/05/1884). 
Emygdio, seus filhos Arlindo e Godofredo, e o genro, alferes João Baptista de Oliveira Mello, seriam os responsáveis pelas evasões dos Fortunato, segundo as testemunhas Francisco de Paula Martins, Salvador José Domingues Melchior e Modesto Pedro Claro; e outros depoentes, ainda, apontaram o Coronel no roubo da novilha de Melchior. 
Com as exonerações dos delegados Manoel Cândido da Silva, Nicolau Tolentino Roiz¨ Barreiros e Francisco Antonio de Castro, "Foi nomeado o cidadão Jacob Antonio Molitor para o logar vago de delegado de policia da villa de Santa Cruz do Rio Pardo" (Correio Paulistano, 07/02/1884: 2). 
De imediato à posse, Molitor investiu contra a família Piedade. A autoridade ou posição social do Deputado não meteu medos ao delegado que, então, agilizou os inquéritos policiais, além de revelar aos jornais da capital o envolvimento de Emygdio em negociatas partidárias (Gazeta Liberal, 10/04/1884, apud citação de Augusto Piedade – 21/04/1884, pelo Correio Paulistano 04/05/1884: 2-3).
O Deputado acusou o golpe, e devolveu a rês que teria sido roubada, informando que a mesma se encontrava em sua propriedade, por ordem do dono, em pagamento de dívida. 
Da tribuna da Assembleia, Emygdio procurava desqualificar o algoz e pedia providências do governo provincial para sua exoneração, além de incumbir o filho Augusto para revidar, acusar e desacreditar o delegado Molitor, em publicações na imprensa paulista e denúncias à chefatura de polícia. 
Molitor ousou a dar voz de prisão a dois filhos de Emygdio, defronte à residência deste, em Santa Cruz, acusados da facilitação para a fuga dos presos, ação retirada e transformada em intimação, a pedido de cidadãos e políticos presentes. Na ocasião Molitor teria destratado publicamente o Deputado. 
Apesar de influente, Emygdio Piedade não conseguiu a exoneração de Molitor e nem sensibilizou a Promotoria Pública. O governo provincial em mãos dos liberais, procedia conforme a vontade regional do Deputado Tito Correa de Mello, e o Molitor permanecia intocável. 
Apenas em 1885, quando os conservadores assumiram o governo provincial, Molitor foi exonerado dos cargos públicos ocupados, um alívio para a família Piedade, e então, no mesmo ano extinguiram-se os processos crimes e encerrou-se o administrativo, que apontava o soldado José Sebastião Domingues conivente com a fuga dos presos (RG BN 1030, 1885/1886: A 7-15), sem menção aos responsáveis pela guarda da cadeia, Antonio Meirelles da Silva e Antonio Nogueira, ou validação da confissão do preso Joaquim: "Della evadimos, é certo, mas o fizemos levados pelos conselhos e auxillios de Carlos Alves de Campos, que proporcionou-nos os meios para isso precisos" (Correio Paulistano, 09/05/1884: 2). 
De outro acontecimento, trata a história regional que, em 1893, o Coronel Emygdio José da Piedade teria desviado recursos públicos, quando no Comando Superior da Guarda Nacional e à frente dos paulistas na Revolução Federalista. 
Na ocasião teria Emygdio apresentado o coronel campos-novense, Francisco Sanches de Figueiredo, ao Governador de São Paulo, sob a argumentação do temor "que os sertões do Paranapanema viessem a soffrer com a invasão das tropas federalistas" (Nogueira Cobra, 1923: 118-119), conquistando grande soma em dinheiro e dezenas de carabinas para guarnecer as sentinelas do lado paulista nos pontos julgados vulneráveis. 
Finda a Revolução, sem nenhum tiro oficialmente disparado, o Coronel Sanches guardou para si as carabinas e munições, e do dinheiro recebido, sessenta contos de réis, prestou contas apenas da metade que afirmou ter recebido, todavia contestado pelo advogado Nogueira Cobra: 
  • "E os outros trinta onde foram parar! Na algibeira do portador do cheque que, em companhia do destinatário da quantia, foi recebel-a no banco. O chefe político de Campos Novos dizia que achou exquisito o caso, mas não teve remédio senão concordar com a divisão a meio, pois que o sócio era graúdo, cujo nome declinava; contra esse, cousa alguma podia fazer" (Nogueira Cobra, 1923: 120, nota 1). 
O Coronel Emygdio José da Piedade seria o 'sócio graúdo'. 
2. Cel. Joaquim José Botelho
Até 2010 um dos nomes esquecidos da política santacruzense, Joaquim José Botelho, foi o primeiro representante e chefe político do Partido Liberal em Santa Cruz, vinculado ao Coronel Francisco Dias Baptista, líder político em todo município de Lençóis Paulista. 
Sob sua liderança de Joaquim José Botelho, em 1876 o Partido Liberal disputou e perdeu a primeira eleição municipal santacruzense. 
Em 1878 Joaquim José Botelho foi nomeado Subdelegado de Polícia (Diário de S. Paulo, edição de 16/02/1878: 1), assumindo em São Pedro do Turvo. 
Aos 13 de julho de 1879 Botelho estava à frente dos liberais santacruzenses presentes numa reunião em Rio Novo, Avaré, em apoio político ao Capitão Tito Correa de Melo, de Botucatu, e ao advogado lençoense Dr. Francisco Martins da Silva (A Constituinte, 01/11/1879: 3). 
Botelho foi nomeado Agente de Correio no lugar do Coronel Emygdio José da Piedade, porém exonerado aos 16 de novembro de 1880 (Correio Paulistano, 19/11/1880: 2), quando não se apresentava mais como o prestigioso chefe político, praticamente sem importância na vitória do Partido nas eleições municipais de 1880. 
Joaquim José Botelho, casado com sua parente Maria Bárbara de São José, filha de José Botelho de Souza e Luiza Thereza de Jesus, enviuvado casou-se com outra aparentada, Maria Cândida de São José. 
Em sua vida privada teve propriedades e vínculos em São Pedro do Turvo, porém celebrizou-se chefe político liberal em Santa Cruz, tido cidadão honrado e elogiado até pelos conservadores (Correio Paulistano, 10/04/1884: 1-2 – por referência), daí a razão de sua queda.
3. Joaquim Manoel de Andrade 
Quando da qualificação administrativa para Santa Cruz, como freguesia em 1872, Joaquim Manoel de Andrade destacou-se líder, e seu nome, desde então, a ilustrar os principais cargos, por eleições ou nomeações. A história identifica-o respeitável cidadão, religioso prestante, fazendeiro, criador de porcos, dono de serraria, capitalista e escravagista. 
Andrade nasceu em Pouso Alegre (MG), em 12 de novembro de 1825 e batizado aos 20/11/1825 (Eclesial), filho de João Bernardino da Silveira e dona Bernardina Jesuina de Santa Catarina (Projeto Compartilhar, pesquisa de Paola Dias, Cap. 4º – Ângela Pires de Moraes: 9.8). 
Joaquim Manoel de Andrade apresentou-se no sertão paulista, com dois irmãos identificados, Messias José de Andrade e Manoel Joaquim de Andrade, sendo Messias José pioneiro no Turvo/Alambari, enquanto Manoel, associado a Joaquim, adquiria uma fazenda de campos e matas, aos 19 de dezembro de 1851 (Pupo e Ciaccia, 2005: 136-E 30 e Mapa), na qual inserida a povoação de São Domingos. 
O sócio e irmão Manoel seguiu rumo para Lençóis Paulista, enquanto Joaquim iniciou história santacruzense em 1870/1872, como rico fazendeiro, conhecido primo-irmão do homônimo desbravador no Turvo e Capivara, e do pioneiro-mor José Theodoro de Souza, sendo irmãs as mães dos três, respectivamente Bernardina Jesuína de Santa Catarina, Mariana Rosa da Assunção e Maria Teodora do Espírito Santo (Projeto Compartilhar, Família Bernarda Maria de Almeida). 
Andrade tornou-se um dos principais nomes da história local, de 1872 a 1891, elegido o 1º Juiz de Paz de Santa Cruz, em 1875 – pleito anulado em 1876, depois eleito vereador em 1876 para a primeira legislatura (1877/1880), consagrando-se como o primeiro Presidente da Câmara, e reeleito para o cargo em outras oportunidades disputadas. Em 1884 integrou o Rol de Ilustres, pela Câmara Municipal, ofício de 12 de novembro de 1884, para compor a comissão responsável pelas obras da Igreja Matriz. Respondeu, ainda, por cargos púbicos em nomeação: Delegado de Polícia – 1877 (Diário de S. Paulo, 25/11/1877: 2), Coletor de Rendas – 1879, e, designado Presidente do Conselho da Intendência Municipal – 1890 até sua morte em 1891.
Joaquim Manoel de Andrade foi casado com Umbelina Maria de Jesus, e teve os seguintes filhos conhecidos na história santacruzense: 
  • Manoel (Batismo: Botucatu, 30 de julho de 1853); 
  • Theodora (Batismo: Botucatu, 04 de setembro de 1858); 
  • Joaquim (Batismo: São Domingos, 05 de fevereiro de 1860); 
  • Antonio (Batismo: São Domingos, 01 de setembro de 1861); 
  • João (Alistamento Eleitoral: SCR. Pardo, 1890, nascimento 1862); 
  • Silvestre (Matrimônio: SCR. Pardo, 31 de outubro de 1891, nascido por volta de 1868); 
  • Pedro (Alistamento Eleitoral: SCR. Pardo, 1891, nascimento 1869); 
  • Benedito (Batismo: SCR. Pardo, 26 de janeiro de 1873); 
  • Thereza (Batismo: SCR Pardo, nascimento 1875). 
Andrade faleceu aos 26 de dezembro de 1891, com a idade de 66 anos, em plena atividade política, como Presidente da Intendência do Município, e seus despojos acham-se sepultados na Igreja Matriz de São Sebastião juntamente com os de sua mulher, Umbelina Maria de Jesus, morta em 09 de agosto de 1896. 
Não se tem notícia oficial que o chefe do clã dos Andrades, em Santa Cruz, pertencera à Guarda Nacional; no entanto, referência do Padre Andrea Barra em São Domingos, em 21/02/1858, identifica-o Major e escravagista, na celebração de Missa de 7º Dia pela 'alma do escravo Pae Manoel Thiburcio' (Eclesial, Livro de Batismos, Matrimônios e Óbitos, SCR. Pardo, 1856/1884). 
Noutra alusão foi mencionado como "Capitão" (Correio Paulistano, 17/07/1941: 12), todavia ausências de referimentos oficiais inviabilizam qualquer assertiva, quando se sabe de três homônimos no sertão paulista da época. 
Joaquim Manoel de Andrade teve grande importância na história local e a ele quase tudo se deve na formação do lugar e até transformou-se, nas lendas e tradições, como cofundador de Santa Cruz, o que histórica e documentalmente não procede. 
4. Cel. Marcelo Gonçalves de Oliveira 
Nome praticamente desconhecido na história santacruzense, dele se sabia apenas nome dado a uma rua e praça agregada, nesta, depois, substituído o nome.
Resgatada a história, o Coronel Marcello surge identificado como líder político, ocupante de cargos públicos por eleições – vereança e juiz de paz, e nomeações, como Subdelegado de Polícia, Inspetor Literário e Comandante da Guarda Nacional local, nesta com participação na Revolução Federalista de 1892, com envio de voluntários (Correio Paulistano, 18/07/1894: 2 – referências).
Marcello, nasceu em Itapetininga (SP), filho de Antonio Gonçalves de Oliveira e Vicencia de Oliveira Lima, casado com Malvina de Oliveira Machado, na localidade de Lençóis Paulista, em 1º de janeiro de 1879, sendo ela filha de Major Esperidião de Oliveira Lima e Maria Leopoldina de Oliveira, natural daquela localidade. 
  • D. Malvina era irmã de Dona Leocádia, esposa do Coronel Moyses Nelli (DOSP, 27/05/1919: 3.260). 
Fazendeiro em Santa Cruz, o Coronel foi o primeiro nome importante na formação do Partido Republicano Paulista – PRP local, pelo qual eleito Vereador em 1886. 
O advento republicano fez-lhe acontecer o poder até a primeira crise perrepista, optando por resignar-se da chefia política (Correio Paulistano, 10/12/1890: 3), através de carta datada de 26 de novembro de 1890, por se sentir desautorizado politicamente pela demissão do Promotor Público local e o recolhimento do Sargento Comandante do Destacamento Policial de Santa Cruz, e o então Tenente-Coronel João Baptista Botelho assumiu o lugar. 
O Coronel Marcello retornou ao quadro político em 1892, em lugar de João Baptista Botelho, demitido do cargo quando também substituídos os demais membros do diretório local. 
Aos 16 de julho de 1894, o Coronel ofereceu, em sua residência, marcante recepção aos heróis santacruzenses da Revolução Federalista, com as presenças do Juiz de Direito, Dr. Augusto José da Costa, e de outras autoridades. Marcello estava como o ilustre Comandante da Guarda Nacional local, e no ano seguinte, aos 30 de novembro de 1895, seu nome aparecia como 2º Juiz de Paz (O Paranapanema, 30/11/1895: 3).
Em sessão especial da Câmara, datada de 07 de janeiro de 1896, foi declarado eleito Juiz de Paz (Câmara, Livro Ata). Posteriormente, aos 28 de novembro do mesmo ano, em sessão extraordinária, a Câmara enlutava-se pelo falecimento do Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, e homenageia-o com o nome da Praça onde o Largo 13 de Maio.
O Coronel deixou bens a inventariar, inclusive no Estado do Paraná, conforme citação de 28 de maio de 1897 (A República, Curitiba - PR, 28/05/1897: 2-3). A ausência de Marcello Gonçalves de Oliveira trouxe a Baptista Botelho nova oportunidade para consolidar-se líder perrepista local. 
5. Cel. João Baptista Botelho 
Do que se conhecia sobre João Baptista Botelho quase tudo sustentava-se nas combinações publicadas pelo hebdomadário Correio do Sertão e nas tradições, com mínima consistência histórica.
Documentos levantados revelam o Coronel e seu tempo, sendo ele nascido em Lençóis Paulista, aos 27 de dezembro de 1856 (Correio do Sertão 12/07/1902: 1), filho de João Botelho de Carvalho e Jacintha Porcina de Jesus.
Os pais de Botelho teriam sido proprietários de terras, por volta de 1850, "No lugar denominado Água Rica, no distrito de Constituição" (Pupo e Ciaccia, 2005: 140 – E 36), atual Piracicaba. Pupo e Ciaccia transcreveram o nome da esposa de João Botelho de Carvalho como Jacintha Pereira do Amor Divino, sendo possível entendimento, no manuscrito, o sobrenome Pereira em vez de Porcina, podendo, no entanto, tratar-se de homonímia.
João Botelho de Carvalho, pai do Coronel Botelho, sendo ou não aquele residente em Piracicaba, era filho de Joaquim Botelho de Carvalho, casado em segunda núpcia com Maria da Assumpção, sendo esse Joaquim o terceiro filho do patriarca 'açoriano' Francisco José Botelho, casado com Rosa Maria 'de Carvalho' (Carvalho 1998: 77-78).
Rosa Maria era filha do 'madeirense' Lucas Borges de Carvalho e Anna [Maria] Nunes Cardoza – nascida em Jundiaí, comprovados em livros de batismos de filhos (1776/1799) e netos (1789/1799), em Cabo Verde – MG. 
Quanto a Dona Jacintha, se Porcina ou Pereira, não se sabe a origem, e até Policena lhe foi dado sequente ao prenome (Eclesial, SCRPardo, Livro de Óbitos – 1883/1897: 49-50, 15/02/1897). 
No ano de 1851 sabe-se que Antonio Botelho de Carvalho, irmão de João Botelho de Carvalho, participou da saga sertaneja de José Theodoro de Souza (Nogueira Cobra, 1923: 32-33), se direta ou financeiramente não se sabe, e não conhecida qualquer participação de João Botelho de Carvalho na conquista sertaneja de 1850/1851, porém ambos vistos proprietários de terras em São Pedro do Turvo, região que o conquistador-mor reservara apenas para si, familiares e aqueles, estranhos ao grupo familiar, porém de suas maiores intimidades. 
João Baptista Botelho, com segurança documental, chegou à região de São Pedro do Turvo em 1873, acompanhando a família sendo o seu progenitor contado entre os "fazendeiros de cana de assucar" (Almanaque da Província de São Paulo (...), 1873: 448), e no lugar residiam outros parentes e, depois, o futuro sogro, Francisco Narcizo Gonçalves, antes comerciante na localidade de Espírito Santo da Fortaleza (Almanaque da Província de São Paulo (...), 1873: 447), atual território bauruense. 
Botelho casou-se com Guilhermina Brandina da Conceição, figurando o casal em testemunhos de casamentos e apadrinhamentos de batizandos, em São Pedro do Turvo, a partir de 1882, quando residente em Santa Cruz no ofício de procurador e intermediário de compras e vendas de terras. 
No mesmo ano de 1882 Botelho iniciou destaque político-social quando nomeado 2º Suplente de Delegado de Polícia; depois Membro de Comissão de Obras Públicas, Construção da Cadeia; e Juiz Municipal, como 1º Suplente, em exercício (Correio Paulistano, nomeações publicadas conforme edições 02/08/1882, 28/11/1883 e 09/05/1884, respectivamente), e, em 1885/1886, também na titularidade de Juiz Municipal e de Órfãos, como 1º Suplente (Almanach Província de São Paulo, 1886: 478). Pela mesma fonte, conforme edições anuais seguintes, ocupou as mesmas funções até 1888.
Botelho meteu-se em política, (Correio Paulistano, 23/09/1884: 2), pelo Partido Liberal chefiado por Jacob Antonio Molitor, até o advento da república quando ingressou no Partido Republicano Paulista – PRP, chefiado pelo Coronel Marcello Gonçalves. 
A estrutura fundiária de Baptista Botelho, com cem mil ou mais alqueires de terras (R.SNA, 1903 – II: 98-161), contou com 'grilagens' e avanços sobre divisas, quando no sertão "Havia larga margem para arbítrio na apreciação de cada caso e os legitimantes, por isso mesmo, ficavam à mercê do funccionário encarregado do serviço, sobretudo no ponto referente à cultura effectiva e morada habitual" (Nogueira Cobra, 1923: 91), facultando o denominado 'grilo articulado', com apresentações de documentos antecedentes de algum morador/vendedor arranjado. 
  • "(...) aventureiros agrimensores e legítimos donos das terras disputavam a posse delas, todos em busca da escritura legítima, oriundas das três grandes posses abertas por José Teodoro de Souza, no vale do Rio Pardo, Rio do Peixe e Paranapanema. No mais das vezes, estas disputas começavam nos fóruns das Comarcas recém-criadas e terminavam em terríveis tocaias, quando as sentenças finais vinham das descargas das espingardas e dos trabucos" (Rios, 2004: 27). 
O Coronel Botelho foi homem violento, justificado pelo Correio do Sertão: 
  • "(...) commeteu erros, não ha duvida, mas seus erros tinham uma athenuante: è que elle sendo um homem sem instrucção, atrazado, nascido e creado no cabo do machado, não sabia cercar-se do melhor elemento para governar" (09/04/1903: 2). 
Em torno de Botelho criaram lendas, dentre elas que a ele recorrera João Evangelista da Silva para proteção ao filho, Antonio Evangelista de Souza – o Tonico Lista, que na noite de 10 de junho de 1892 assassinara dois policiais de São Paulo de passagem por Santa Cruz do Rio Pardo. 
Naquela ocasião, revelou Rios (2004: 28), o poder do Coronel mostrava-se contundente: "Ninguém aqui será preso enquanto estiver sob a proteção do Coronel João Batista Botelho. Porque ao nosso delegado falta coragem para ir buscá-lo e a preguiça não lhe permite caminhadas longas." 
No entanto, hoje se sabe, o próprio Coronel Baptista Botelho era o Delegado de Polícia, por Ato de Nomeação do Governo de São Paulo, sendo o seu suplente, Luiz de Oliveira Martins, e Botelho somente deixaria o cargo, a pedido, em agosto de 1894, substituído por Moyses Nelli (DOSP, 21/05/1892: 5 e 04 de agosto de 1894: 4, nomeação e exoneração, na devida ordem). 
Botelho assumiu a chefia perrepista uma primeira vez, período de 1890 a 1892, durante a ausência do Coronel Marcello que retornaria ao cargo, ainda em 1892, para nele permanecer até 1896, e novamente Botelho assumiu o lugar, com a morte do Coronel Marcello, para daí manter-se "prestigioso chefe político", até 1901, quando alijado definitivamente do poder.
Publicação referente à Guarda Nacional, "Por decreto de 21 do mez findo foram nomeados: Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo - Commando superior. - Coronel – Comandante superior, tenente-coronel João Baptista Botelho" (DOSP, 10/02/1897: 5). 
No tempo do Coronel Botelho, como chefe político, o PRP santacruzense fez eleger e viu reeleito Deputado Estadual (1898/1900 e 1901/1903), o advogado Cleophano Pitaguary de Araujo, pelo 5º Distrito, juntamente com Emygdio Piedade, este já residente em São Paulo desde 1891.
O Coronel Botelho em 1900 dominava a política local, quando aconteceu a decisão do Presidente da República, Campos Salles, romper com os compromissos políticos e quebrar a unidade partidária do estado, ato considerado intromissão e, neste conflito de interesses, o presidente paulista, Rodrigues Alves, apoiou Campos Salles sob a promessa da indicação de seu nome para a Presidência do Brasil. Dentre as desavenças políticas e administrativas locais, emergiram novas lideranças destacando-se Antonio José da Costa Junior e o genro deste, Francisco de Paula de Abreu Sodré, ambos residentes em Santa Cruz do Rio Pardo. 
5.1. Acontecimentos precedentes ao suicídio 
A ambição de Costa Junior na liderança política local consolidara-se com a chegada de Rodrigues Alves ao governo de São Paulo, em 1900, em detrimento aos interesses do Coronel Botelho, e ocorreu a dissidência. Com a cisão do Partido Republicano Paulista, rápido o Dr. Costa Junior, político habilidoso, detectou os insatisfeitos no grupo 'perrepista' local e assumiu controle do diretório em desfavor do Coronel Botelho, "deposto pelos próprios correligionários de escalão superior" (Rios, 2004: 49-50): 
  • "Aí se iniciara a divisão política santacruzense: fora aberto um fosso entre as duas correntes que até há pouco tempo viviam em harmonia, numa luta que viria separar famílias, amigos, até irmãos. Luta pelo mando, pelo poder, face ao que o adversário político seria considerado inimigo pessoal." (Rios, 2004: 63). 
Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, genro de Costa Junior, firmou-se líder local, rompendo com o Coronel Botelho, esquecido que pouco antes, em março de 1900, ele e a esposa haviam batizado a Benedicto, filho legítimo do Coronel e de dona Guilhermina. 
O grupo fiel ao Coronel Botelho perdeu as eleições gerais de 1900, e para a história local isto foi desonra ao abatido Botelho.
O prestígio do Coronel Botelho, na dissidência, arruinara-se, e numa última reação confrontou-se diretamente com o grupo Costa/Sodré na eleição municipal de 16 de dezembro de 1901, extremamente violenta, e culminou com a acachapante vitória do grupo rival. 
O engenheiro e arquiteto alemão, Edmundo Krug, a serviço do governo paulista nos levantamentos das bacias hidrográficas, terrenos e aberturas de estradas na região, comentou a violência política santacruzense da época: 
  • "Ahi ha pessoas de posição social bem elevada, dizem-me, porem, que justamente houve lutas bem renhidas na epocha da effervecencia política, e tudo porque? pensam os meus leitores, talves, por causa do bem estar do logar? enganam-se si assim julgam: tão hospitaleira é esta terra, mas as fraquezas humanas são sempre as mesmas em todas as cidades, em todas as regiões, em todas as terras: a intellectualidade pretende dominar, quer subir e governar o menos intruido, sabendo geralmente que aquelle quer mandar, ergue ainda mais a cabeça, não se curva; então começa a luta politica, que ahi no interior acaba com brigas e páu, tiros de garrucha e mortes." (Krug, 1925: 2). 
Do mesmo assunto, num texto vertido para o alemão, Krug mostrou-se mais contundente: 
  • "Santa Cruz desfruta da triste fama de ser uma cidade política, aqui pois a política é uma bagunça maior e mais burra que em outros lugares do sagrado Estado de São Paulo, existem dois partidos os jagunços e os pica-paus que brigam sem parar sem que tivesse logicamente algum resultado que poderia ser útil para a cidade e seus habitantes." 
  • "Briga pessoal e tudo isso faz com que o bem da cidade e suas pendengas está sendo esquecido completamente, só intrigas e chicanas estão na ordem do dia." 
  • "Infelizmente Santa Cruz não está sozinha com a sua política municipal, nos temos muitas pequenas cidades que podem agradecer seus políticos de chegar a lugar nenhum. Os políticos municipais infelizmente são sem exceção tão ignorantes que eles efetivamente não são capazes de diferenciar o certo do errado e por causa disso arruína tudo em vez de juntar as forças e iniciar progressos práticos. Se os jagunços ou os pica-paus tem razão objetivamente isto não é para mim diferenciar." 
  • "Praticamente os dois definitivamente não tem razão. Eles deviam ser sensatos antes de ter razão." 
  • (Í Deíne Reise nach dem Salto Grande Don Paranapanema, von Edmundo Krug, 1908, com a tradução do texto pelo Sr. Christoph Donsbach, por gentileza do Vereador santacruzense Rui Sérgio dos Reis, janeiro de 2011). 
Matéria jornalística de 1903, pró-Botelho, informava aquela eleição de 16 de dezembro de 1901 como bacanal política: 
  • "Indivíduos sem escrupulos repellidos pela opinião publica ou por todos aquelles que têm a felicidade de conhecel-os, tendo um estado maior composto de assassinos, resolveram, como meio de vida, se transformar da noite para o dia em chefes supremos desta terra, como, de facto, se transformaram. Uma vez feitos chefes, precisaram ganhar as eleições do dia 16: d'ahi a soldadesca encarabinada e a capangada engarruchada; d'ahi o atenttado barbaro, selvagem, escandaloso, contra o direito de voto no alludido dia; d'ahi, a espoliação de que foi victima o eleitorado desta comarca." (Correio do Sertão, 19/12/1903: 2). 
5.2. Apelações desesperadas 
Perdedor nas eleições de 1900 e 1901, Botelho ainda procurou reverter situações, em São Paulo, para assumir a chefia perrepista, retornando sem realização alguma. A viagem, segundo o Correio do Sertão que ainda o saudava como prestigioso chefe político, teria sido por motivos de saúde (28/11/1902: 3).
Botelho, afastado do poder, perdeu alguns dos importantes correligionários. O dissidente de primeira hora, Moyses Nelli, renunciou ao cargo de suplente de delegado, no qual o exercente, e colocou-se ao lado dos vencedores para eleger-se Juiz de Paz; e outros companheiros seguiriam o mesmo rumo, e até o Deputado Dr. Cleophano Pitaguary de Araujo, fiel a Botelho, sentia-se constrangido: 
  • "S.Exc. manteve comnosco disse-nos francamente que em tudo que se relacionar com melhoramentos e progresso desta zona e, em particular desta localidade, se esquecerá de sua posição de dissidente, que sò manterá no terreno puramente político." (Correio do Sertão, 12/04/1902: 2). 
O Coronel tentou compreensão popular, num documento dos dissidentes ao eleitorado, que assinou conjuntamente com o Deputado Pitaguary e João Evangelista da Silva, pai de Tonico Lista, que o PRP dissidente se absteria das eleições para presidente do estado, vaga aberta com a renúncia de Rodrigues Alves, concorrente para a presidência do país: 
  • "(...) declaramos ao brioso e independente eleitorado dissidente deste município que, consoante tal deliberação, não pleiteamos a eleição para presidente do estado" (Correio do Sertão, 10/05/1902: 3). O informativo esclarecia, ainda, a decisão partidária dissidente em não participar das eleições municipais para Juízes de Paz. 
Tal documento, assinado aos 07 de maio de 1902, foi o último ato político e não correspondido de Baptista Botelho, e, a seguir, o advogado e ex-deputado Dr. Olympio Rodrigues Pimentel assumiu a chefia dissidente, posto declarado inapto o Coronel para quaisquer decisões, inclusive pessoais. 
A derrota política associada aos rumores de traição conjugal de sua esposa com Tonico Lista, e o abandono pelos companheiros, levaram o Coronel ao desespero, e, no dia dois de julho de 1902 tentaria suicídio, um tiro no ouvido direito, e, em consequência, vindo a óbito aos oito do mesmo mês, e então toda a pompa de cortejo fúnebre com a presença das mais ilustres personalidades políticas da cidade, da região e do estado, com completa cobertura pelo Correio do Sertão, em sua edição de 12 de julho de 1902, trazendo o rol dos presentes, os destaques e as oratórias. 
Documentos e referências 'resgatadas' explicam e informam aquelas e outras causas que levaram o Coronel ao tresloucado ato em pôr fim à própria existência. 
5.3. Grave crise financeira 
O Coronel teve problemas sérios com a primeira quebradeira dos cafeicultores em 1901, "difficuldades que vêm de longe, creadas pela crise financeira do paiz, aggravadas neste momento pela baixa do preço do café", segundo mensagem de Rodrigues Alves, de 07 de abril de 1901, ao Congresso Paulista (RG, U 1156, 1901: 5), responsáveis pela bancarrota de muitos grandes cafeicultores na época, na pior crise, agravada sobremaneira pela política deflacionária do Presidente Campos Salles e seguida à risca pelo governo paulista.
Baptista Botelho atingido pela desordem econômica pusera-se a dissipar seus bens. Publicações em jornais da Capital e até a imprensa local revelavam que algo não lhe ia bem, com anúncios de vendas de algumas de suas importantes propriedades: Fazenda do Dourado, Fazenda da Boa Vista, Fazenda do Salto da Boa Vista, Fazenda Nova e o Sítio das Perobas. As dificuldades financeiras do Coronel eram tantas que, inclusive, deixou dívidas pendentes em seu espólio, por exemplo, a Joaquim José Pinto (Correio do Sertão, 24/05/1902: 3), fazendeiro na Perobas. 
5.4. Conflito conjugal 
A tradição revela que o Coronel Baptista Botelho e Dona Guilhermina não puderam ter filhos, ousando até que o Coronel seria infértil ou, mesmo impotente, e no registro de seu óbito constou que "não deichára filho algum", conforme declarações do sogro Francisco Narcizo Gonçalves (Cartório Registro Civil, SCR.Pardo, Certidão de Óbito nº 1894, de 09/07/1902 – L.C 4 de 16/03/1902 - 30/12/1903: 136 a. – v).
A despeito de longos anos casado com Dona Guilhermina, pelo menos desde 1880/1882, o casal somente teve filhos identificados após 1895, primeiro a Maria, nascida aos 25 de outubro do dito ano (Igreja Católica, SCR. Pardo, Registro de Batismo nº 323), depois Benedicto, nascido aos 02 de março de 1900 (Igreja Católica, SCR. Pardo, Assento LX – 4323), este falecido em 07 de março do mesmo ano de 1900, conforme Registro de Óbito nº 567, no Cartório Registro Civil de Santa Cruz do Rio Pardo, mas não localizado o óbito de Maria, antes do falecimento do pai, o que evidentemente não a pressupõe viva por ocasião do ocorrido. 
Apesar de insistentes conjecturas, não se pode comprovar relacionamento extraconjugal de Dona Guilhermina com Tonico Lista, ou qualquer outra pessoa, contudo, morto Botelho, o então Capitão Lista casou-se 'no religioso' com Dona Guilhermina Brandina da Conceição, aos 17 de julho de 1904, com quem teve três filhos, João (1905), Rita (1907) e Alice (1909), antes do casamento 'civil' realizado aos 18 de novembro de 1913. 
5.5. Desvios de dinheiro público ... 
5.5.1. Fraude contra o Tesouro do Estado 
O Coronel Botelho exercia o cargo de Coletor de Rendas quando, em 1889, solicitou exoneração indicando como seu substituto o advogado João Castanho de Almeida. 
No exercício das funções Castanho de Almeida detectou um rombo contra o Tesouro do Estado, praticado pelo seu antecessor, o Coronel Botelho, denunciando-o ao Governo Campos Salles. A força política do Coronel, porém, prevalecera:
  • "(...) foi exonerado o sr. João Castanho de Almeida, do cargo de colletor de rendas de Santa Cruz do Rio Pardo, e nomeado para substituil-o o sr. Antonio Olympio de Oliveira Ferraz."
  • "Qual a causa dessa demissão?" (A Nação, SP, 03/09/1897: 1)
A matéria denunciativa prosseguiria: 
  • "O Collector foi demitido porque denunciou a existencia de uma fraude contra o Thesouro do Estado na importacia de 130 contos de réis mais ou menos e na qual esta envolvido um chefe politico dessa localidade [Coronel Botelho]." 
  • "O dr. Campos Salles [Presidente do Estado de São Paulo: 1896/1897] que precisa de votos para vencer a sua vaidade e ambição [Presidência do Brasil: 1898/1902] não trepida em prejudicar os dinheiros publicos (será a primera vez?...) e a repartição de um funcionario, entretanto que satisfação o capricho do chefe politico fraudulento." (A Nação, SP, 30/09/1897: 1). 
Apesar do apoio político dado ao Dr. Campos Salles, o Coronel Botelho não resistiu à chegada de Rodrigues Alves ao governo paulista, indicado pelo próprio Campos Salles, o que o levou à dissidência em 1900.
Com a ascensão de Costa Junior e Abreu Sodré à liderança política local, Botelho viu ressurgir o assunto da fraude praticada, e isto teria sido mais um motivo, associado, para a tentativa de suicídio.
5.5.2. Desfalques e desvios de recursos do município 
Outra causa para Botelho atentar contra a vida, aliada ou não às demais justificações, foram as denúncias sobre desvios de dinheiro público municipal, malversação do erário, dilapidação dos bens municipais, formação de quadrilha, corrupção e exacerbado despotismo. 
Botelho era o mandatário político de Santa Cruz quando em 1897 o Fiscal da Câmara, Gaspar Serpa, foi demitido, e cinco anos depois o mesmo Serpa colocaria sob suspeições aquela legislatura, 1897/1898, e a seguinte, de 1899/1901, denunciando desvios de recursos públicos numa indagação sarcástica, sobre as procedências dos bens individuais de cada um deles e, aonde "que os honrados chefes e não menos sérios vereadores guardaram as rendas da camara durante os cinco anos que deixei de ser fiscal"? (Correio Paulistano, 01/02/1902: 2). 
A postura de Serpa confirmava as razões que o Vereador e Vice-presidente da Câmara Municipal, Israel Machado, teria renunciado por recusar-se em "assinar folha de pagamento dos funcionários do Município, com diversos nomes fantásticos. (...) examinou e constatou as irregularidades. Jamais voltou, apesar de todo malabarismo dos interessados" (Carta de Israel V. Machado, pela sua família, datada de 28 de setembro de 1960, CD: A/A). Machado fora Intendente em 1896, e quando da sessão de 08 de abril de 1897, pediu renúncia dos cargos de Vereador e Vice-Presidente da Câmara.
A Câmara eleita em 1901, para o triênio 1902/1904, resolveu investigar ambas as legislaturas denunciadas, nomeando duas comissões de investigações, uma interna formada pelos 'Vereadores Salathiel Ferreira e Sá, Antonio Mariano Galvão de Moura Lacerda e Henrique Hardt', e outra externa e independente, composta pelos, 'Coletor de Rendas Públicas, Ismael de Barros, o Delegado de Polícia, Capitão Ezequiel da Silva Guedes, e o industrial em São Carlos (SP) Ernesto Raffaelli, sócio de David Nelli – irmão de Moyses Nelli. 
As duas Comissões apresentaram o mesmo veredicto em março de 1902: Botelho era o culpado de um rombo maior que 10:000$000, dos cofres da municipalidade, e demais acusações imputadas, a ele e ao Procurador da Câmara, Major Firmino Manoel Rodrigues [Roiz¨], sendo que este se recusara entregar às Comissões os livros contábeis e demais documentos necessários a melhor investigação.
Contra Botelho as comissões tentaram, em vão, seduzir o Major apenas cumprira as ordens dadas por Botelho, o Presidente da Câmara e chefe político. Com a negativa Câmara solicitou buscas e apreensões dos documentos na residência do Major Firmino, e que este fosse conduzido coercitivamente perante as comissões, para explicar retiradas pessoais de porcentagens, sobre os pagamentos inexistentes e as ausências de lançamentos, ou mais precisamente, onde estaria todo o montante desviado. O Major evadiu-se e, assim, teria evitado provas documentais contra Botelho.
Algumas publicações colhidas no Correio Paulistano mostravam o cerco a se fechar em torno dos acusados, desqualificando testemunhos e defesas: "Entre a honra e a Privação (01/02/1902: 2); Cartas na mesa (21/03/1902: 2); "Calumnia Abatida" (17/04/1902: 1-3); e Caixeiro Expulso (17/04/1902: 2)." 
O Correio Paulistano em "Como se escreve a História!!!", revelou publicamente relatórios e atas das Comissões de Investigações nomeadas pela Câmara Municipal, conclusos pela culpabilidade de Botelho e de Firmino Roiz¨ (Mala do Interior, 23/04/1902: 2). Estas foram as arremetidas do grupo 'sodrelista', dominante perrepista contra os dissidentes excluídos do poder. 
5.6. Tentativa de suicídio e morte 
Os dissidentes, acuados, buscaram justificativas e contra-atacaram os 'sodrelistas', sendo o Correio do Sertão o principal veículo de ofensiva, no entanto Botelho não tinha mais forças nem aliados fortes, e o processo camarário seria remetido ao Judiciário e Botelho entregue à Justiça, onde era Juiz o Dr. Augusto José da Costa, irmão do Dr. Costa Junior e, consequentemente tio e cunhado de Francisco de Paula de Abreu Sodré. Já se previa Botelho condenado e preso. 
Ciente do futuro o Coronel Botelho optou por atentar contra a própria vida, aos 02 de julho de 1902, e ir a óbito seis dias depois – 08 de julho de 1902. 
O Correio do Sertão não ignorava a perseguição política como uma das causas do suicídio de Botelho, preservando, contudo, a imagem do líder quanto as falcatruas, situação financeira ou algum possível adultério da esposa: 
  • "Não tendo deixado escripto algum explicando o motivo que o levou a praticar o lamentável acto de desespero, que causou-lhe a morte, constitue para nòs um mysterio, que talvez ainda seja desvendado. Má posição pecuniaria? Não, porque, segundo estamos informados, é ella das melhores. Alguma molestia incurável? É possível. Loucura? Não; pelo menos nenhum absolutamente nenhum acto praticou anteriormente que tal fizesse crer. Perseguições políticas? Talvez. O que é facto é que o suicídio do coronel Botelho é para nós um mysterio." (Correio do Sertão, 12 de julho de 1902: 1).
6. Dr. Olympio Rodrigues Pimentel 
Olympio Rodrigues Pimentel nasceu por volta de 1865, filho do Coronel Salvador Rodrigues Pimentel e Benedicta Monteiro dos Santos. Formou-se advogado em 1890 – em São Paulo (Correio Paulistano, 04/12/1890: 1) e foi Promotor Público em Silveiras, quando em 1891 removido para Itapeva da Faxina (DOSP, 19/05/1891), rejeitando a resolução de governo, e denunciando as elites instaladas no poder do governo paulista chefiado pelo Dr. Américo Brasiliense. 
Convicto que sua remoção trazia motivos políticos, Pimentel esclareceria melhor, numa segunda denúncia publicada: 
  • "Tal remoção equivale a minha demissão, porque sabiam perfeitamente os mandões locaes que a inspiraram, que eu daqui não sahia. Foram algum tanto cobardes; deviam aproveitar da culminante posição que occupam e impôr ao dr. Americo a minha demissão a bem do serviço publico." (Correio Paulistano, 26/05/1891:2). 
Requereu demissão e, no ano de 1892, disputou eleição e conquistou vaga para Deputado Estadual: 
  • "Eleição na Capital: A chapa recommendada nos suffragios do partido republicano desta capital para senadores e deputados ao Congresso do Estado, na eleição de 7 do corrente é a que em seguida publicamos: (...) para deputados: Dr. Olympio Rodrigues Pimentel – advogado, residente em Silveiras." (Correio Paulistano, edição de 04/03/1892: 1). 
O então Deputado Pimentel participou de estudos quanto às pendências de terras no Estado de São Paulo, das terras devolutas, das posses não determinadas e dos registros discutíveis. 
Pouco depois transferiria domicílio para Santa Cruz, aonde, após o exercício de Deputado se elegeu Vereador (1894/1896), no entanto sua preocupação maior, pós deputação, estava em advogar a favor dos grandes fazendeiros nas demandas e posses de terras, tornando-se famoso na atividade, tendo entre os principais clientes, Coronel João Baptista Botelho, Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, Balthazar de Abreu Sodré e Antonio Evangelista da Silva – Coronel Tonico Lista, e em causa própria, de acordo com publicações de editais forenses, até após a primeira vintena do século XX.
Para os irmãos Sodré, à frente de outros interessados, Dr. Pimentel regularizou situações de terras das Fazendas São Domingos, outrora de Manoel Francisco Soares, a Crissiumal, do mesmo Soares em comum com João Francisco dos Santos. A favor de Balthazar de Abreu Sodré acertou, ainda, documentações da Fazenda Onça. 
O advogado requereu para si a fazenda que viria ser denominada Santa Aureliana, e para Antonio Evangelista da Silva e família Lara a área da futura Fazenda Chácara [do] Peixe, ambas a partir das divisas com a urbe santacruzense. 
Pimentel fez-se proprietário de terras na região de Campos Novos Paulista e representou na mesma posse clientes santacruzenses e outros, de acordo com Relatório da Secretaria dos Negócios da Agricultura do Estado de São Paulo, para o exercício de 1903. 
Outro apossamento, pouco conhecido, revela o advogado como proprietário de aproximadamente 10 mil e quatrocentos alqueires de terras, no lugar denominado 'Ribeirão do Moinho' em atual município de Muritinga do Sul – SP (Histórico – Prefeitura Municipal, 2009: 1). 
Referido imóvel fora dado como posse primária ao sertanejo Francisco Mario dos Santos, conforme justificação feita por documento no ano de 1850, e julgado por sentença do Juiz Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo em 31 de janeiro de 1891. 
A favor de Antonio Evangelista da Silva – Tonico Lista, advogou em outras pendengas de terras, inclusive para as legalizações das fazendas São João/Anhumas, na localidade de São Pedro do Turvo, terras advindas da primitiva posse de Gabriel Archanjo de Faria, sertanista regional. 
Pimentel não teve grande atuação política como vereador, rejeitado nas urnas para a legislatura 1899/1901.
Fadado ao esquecimento político foi catapultado à 'chefia perrepista dissidentes', em substituição ao Coronel João Baptista Botelho, morto por suicídio em 1902, e tornou-se figadal inimigo político das interligadas famílias Abreu Sodré e Costa, com denúncias de cunho inclusive particular aos detentores do poder, acusando Francisco de Paula Abreu Sodré não apenas déspota, corrupto e mandatário de crimes de violência, como também exercente ilegal da medicina. 
Nem o Juiz de Direito da Comarca, Dr. Augusto José da Costa, irmão do Deputado Federal Dr. Antonio José Costa Junior e tio da mulher de Sodré, escapou-lhe das delações e críticas por abusos de poder e da confiança pública, além de protecionismos aos correligionários das famílias Costa e Sodré, desde os crimes políticos, aos espancamentos, invasões de terras, atentados e assassinatos. 
Num dos entreveros com as famílias Sodré e Costa Junior, por conta da política, Pimentel tomou chicotadas e atirou no agressor João Ferreira de Castilho, vulgo Joãozinho Costa, sobrinho e capanga da família Costa. Joãozinho sobreviveu e o advogado absolvido. 
Os adversários de Pimentel vinham à forra, tipificando-o de bêbado, arengueiro e cometedor de atos de violências, a mando ou em defesa de acusados. 
A imprensa da época, situação e oposição, registraram as muitas altercações entre o dissidente político Pimentel e o 'sodrelista' Samuel Porto, advogado e jornalista da Capital que se tornaria famoso no judiciário paulista. 
Olympio Pimentel insistia sua pugna política contra Abreu Sodré e a família Costa, com as constantes denúncias políticas junto à Comissão Central do PRP, em São Paulo, e contra o Juiz de Direito Augusto José da Costa perante o Tribunal de Justiça que, em agosto de 1904, resolveu pela suspensão sumária do magistrado. 
O revide não tardou e Pimentel foi acusado, juntamente com Antonio Evangelista da Silva – Coronel Tonico Lista, do assassinato do Capitão Jacob Antonio Molitor, em Salto Grande, aos 31 de outubro de 1904, ambos presos até o 'habeas-corpus' (Correio Paulistano, 08/11/1905: 5). 
Apesar da perda nas eleições municipais de 1904 para Abreu Sodré, e a prisão ocorrida pela suspeição no assassinato de Molitor, Dr. Olympio em 1905 teve nomeação para Delegado de Polícia, em substituição ao Capitão João Manoel de Oliveira (Correio Paulistano, 11/01/1905: 3). 
O grupo 'sodrelista' enfraquecia-se, e mais ainda, quando em 1906 a Comissão Central do Partido Republicano Paulista – PRP, em São Paulo, reconhecia oficialmente o novo Diretório Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, composto por Antonio Evangelista da Silva, Antonio Sanches Pitaguary, Vicente Finamore e Antonio Martins de Almeida, além do próprio advogado Pimentel (Correio Paulistano, 17/04/1906: 1). 
A 'tomada' do diretório e a vitória nas eleições municipais, em 1906, encerrou de vez o mando de Costa Junior e Abreu Sodré, para o início da 'era Tonico Lista' e revelar a importância política de Olympio Rodrigues Pimentel, a partir de 1907, quando guindado ao cargo de Prefeito Municipal – o primeiro de Santa Cruz sob esta designação. 
A atuação administrativa de Pimentel surpreendeu pelo progressismo aplicado, sendo responsável por obras e melhorias diversas no município, exemplificadas no contrato de iluminação pública em Santa Cruz e em Ipaussu, pelas aberturas e melhorias de estradas, construções de pontes, a edificação do Paço Municipal e outros significativos avanços. 
Mesmo no exercício do cargo de Prefeito, Pimentel atuou também como Vereador, uma possibilidade legal naqueles tempos, por exemplo, em 1909 quando autor do Projeto Municipal, de 16 de agosto daquele ano, aprovado pela Câmara Municipal, para a escolha do melhor lugar para se retirar a água para a população, sugerindo o Rio Pardo, no início da então Rua Senador Feijó; o Ribeirão da Boa Vista – propriedade de Dona Guilhermina Brandina da Conceição; e o Ribeirão da Mandassaia, nas divisas de sua propriedade com as do Major Firmino Manoel Rodrigues, de Paschoal Serraceno e outros, de onde já o abastecimento de água através de regos. 
Pimentel pretendia o abastecimento de água mediante o uso da energia elétrica, de instalação recente, para o bombeamento, projeto infelizmente não concretizado e que, ainda, aguardaria décadas para sua realização. 
Bom administrador, Pimentel outra vez eleito Deputado Estadual para a legislatura 1910/1912, se destacou pelas atenções às causas agrárias e regularizações de posses. 
Advogado dos ricos, sem dúvidas suas emendas e propostas legislativas estavam voltadas para o capital, conforme citação do parlamentar Antonio Cintra, em 11 de junho de 1915, sobre a nova Lei da Terra, destacando a emenda de autoria de Pimentel (1910/1912), cessando os poderes dos Juízes Comissários de Terras, e as medições havidas: 
  • "Pois si esse deputado [Pimentel] que apresentou a emenda é o primeiro a dizer que em bôa hora foram essas medições suspensas, cassando-se o poder desses juizes que estavam fazendo medições, elle confessa implicitamente que alguma coisa que não era justo e legal, algum escandalo se praticava, e por isso louva o acto do presidente do Estado.", assunto referente: Da Comissão de Terras Públicas, sobre as emendas da Câmara dos Deputados ao Projeto nº 15 de 1893, do Senado Paulista, relativo às terras devolutas do Estado (DOSP, 18/07/1895). 
O advogado e político Pimentel, homem de pequena estatura, era agressivo. Na Fazenda Mandassaia, de sua propriedade no bairro do mesmo nome, proibiu o trânsito por um caminho costumeiro e fez abrir outro, mais adiante, aumentando o percurso. 
Num casamento naquele bairro, ocorrido aos 28 de junho de 1911, os noivos, familiares e convivas entraram pelo caminho interditado, dirigindo-se a Santa Cruz onde a realização dos ofícios do casamento no juizado de paz e na igreja matriz. No percurso os transeuntes teriam promovido estragos. 
Pimentel, ciente do fato, dirigiu-se ao local em companhia de dois camaradas, Eduardo Negrão e Antonio Ozório, a esperar o regresso dos nubentes e comitiva. 
Por volta das 20,00 horas deu-se o encontro dos festivos – no uso do caminho proibido – com o proprietário que os intimou a passagem pelo novo caminho. Parte atendeu o pedido e outra resistiu, para o início de tiroteio, e, por fim, a debandada dos resistentes deixando mortos no local, Manoel Euzebio Dias, fazendeiro nas redondezas, e um cavalo. 
O acontecido foi comunicado à polícia de Santa Cruz e telegrafado ao Dr. Washington Luiz, Secretário da Justiça, que ordenou a vinda do Dr. Theophilo Nobrega, 4º Delegado Auxiliar, para instaurar e acompanhar o inquérito, concluído e remetido ao Juiz da Comarca, responsabilizados Eduardo Negrão e Antonio Osorio (O 'Paiz', 16/07/1911: 7). Julio Prestes foi o advogado de Pimentel. 
Olympio Pimentel, ainda Deputado Estadual, sofreu atentado numa emboscada, em Santa Cruz, na qual acusado agressor João Meirelles, ex-detento, por razões não esclarecidas (Cidade de Santa Cruz, 25/02/1912: 1). 
O advogado deixou a política em 1913, renunciando os cargos de Prefeito e Vereador, por transferência de residência e domicílio para São Paulo (Câmara, ata da sessão legislativa de 15/03/1913), e, depois, por algum tempo residiu em Assis (SP), nos anos de 1920 (Correio Paulistano, 26/09/1921: 5). 
Viria se transformar num dos maiores nomes da advocacia brasileira, em legitimações de posses, ao lado do Dr. Julio Prestes, com quem associado em algumas causas, sendo destaque maior em 1912 no caso da Fazenda Ponte Pensa, a favor da firma Glória e Furquim, em cujo lugar surgiu a cidade de Jales – SP. 
Dr. Olympio Rodrigues Pimentel faleceu em 04 de abril de 1964, aos 99 anos de idade, na cidade de São Paulo "Foi até então o mais velho membro inscrito na Ordem dos advogados de S. Paulo" (A Folha, 26/04/1964: 1). 
7. Dr. Antonio José da Costa Junior 
Costa Junior, assim conhecido, apelidado Costão, nasceu aos 21 de novembro de 1843, em Campo Belo (RJ), formou-se advogado no ano de 1864, pela Faculdade de Direito São Francisco – São Paulo, advogando por algum tempo em Resende (RJ). Foi casado com Anna Ignácia de Macedo nascendo-lhes os filhos: Eurídice, Antonio, Anésia, Christiano, Idalina, Augusto, Clotilde e um falecido. 
Representante das elites, Costa Junior se elege Deputado para a Assembleia Legislativa Provincial de São Paulo, pelo Partido Liberal, legislatura de 1880/1881, e reeleito para 1882/1883. Adesista ao Golpe Militar de 1889 que instituiu a República conquistou vaga de Deputado Constituinte, por São Paulo, e outras vezes eleito para a Câmara. 
Costa Junior residiu "primeiro em Campo Bello mudou-se depois para Cachoeira neste Estado, por pouco tempo para o Rio de Janeiro e finalmente para Santa Cruz do Rio Pardo" (Correio Paulistano, 14/05/1902: 2, matéria Homens Públicos – Deputados Federais). 
Grande capitalista, proprietário da fazenda Ourinho na então localidade de Santa Cruz, em atual Ourinhos, avançando terras para além do Rio Paranapanema até o hoje município de Jacarezinho, em algum tempo conhecido, também, como Ourinho. 
Para a história santacruzense importa a presença pioneira da família, quando Costa Junior adquiridor de fazendas na região e no norte pioneiro paranaense, e o seu irmão Augusto José da Costa nomeado o primeiro Juiz de Direito da Comarca, em 1890. 
Ao mesmo tempo que a família Costa se fixava em Santa Cruz, também chegava a família Sodré, pelo designado primeiro Promotor Público da Comarca, Dr. José Balthazar de Abreu Cardozo Sodré, em 1891, tio dos outros Sodré também presentes, contando, Balthazar de Abreu Sodré, membro da Guarda Nacional, dono de farmácia e fazendeiro; e o irmão deste, Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, igualmente da Guarda Nacional, médico, fazendeiro e genro do Dr. Costa Junior. 
Com a família Costa, em Santa Cruz, são lembrados os irmãos Cerqueira Cesar: Julio dono de propriedades no município, na região e no norte pioneiro paranaense, também genro de Costa Junior; José Alves de Cerqueira Cesar Filho e Bento de Cerqueira Cesar, filhos do capitalista e político, Dr. José Alves de Cerqueira Cesar, Presidente do Partido Republicano Paulista e Presidente interino do governo paulista (1891/1892). 
Político oportuno, Costa Junior assumiu controle partidário perrepista em Santa Cruz, no ano de 1901, transmitindo a liderança ao genro Francisco de Paula Abreu Sodré, com a queda do Coronel João Baptista Botelho. Não lhe foi tarefa fácil e muito se bateu contra adversários políticos locais, através da imprensa, ou mesmo discussões pessoais, uma delas quase resolvida a tiros com Tonico Lista. 
O Dr. Costa Junior era acusado de atacar pessoas, via imprensa, valendo-se do anonimato. Aos 04 de novembro de 1905 viu-se exposto: 
  • "(...) o façanhudo deputado federal Costa Junior, celebre por sua nullidade, por sua arrogancia e valentia, celeberrimo por suas fraudes eleitoraes, por seu servilismo aos governos e pelos subsidios que tem comido, á razão de R$ 75$000 por dia, desde 1890." (Estado de São Paulo, 04/10/1905, Seção Livre). 
Costa Junior e o genro Abreu Sodré perderam o comando perrepista local para Antonio Evangelista da Silva, e sua reação constou na Seção Livre do jornal Estado de São Paulo, expediente de 1º de outubro de 1905, agredindo os membros e simpatizantes do novo diretório, inclusive o advogado Olympio Rodrigues Pimentel e o novo chefe perrepista, acusados e preventivamente presos em 1905, por ordem do Juiz Dr. Augusto José da Costa – irmão e genro de Costa Junior, pelo assassinato de Jacob Antonio Molitor em 1904.
Costa Junior não se elegeu deputado federal em 1905 legislatura 1906/1908, talvez nem tenha se empenhado nisso, mas assumiu lugar em decorrência da morte do Dr. José Rebouças de Carvalho, eleito pelo 4º Distrito. 
A despeito da posse do líder, o grupo Costa Junior/Abreu Sodré, em Santa Cruz, estava abatido.
Costa Junior faleceu aos 07 de abril de 1919 em São Paulo. 
8. Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré 
A família Abreu Sodré, tida marrano-judaica e de expressiva notoriedade política e social nas províncias da Bahia e Rio de Janeiro, e "destes Sodrés do Rio vêm os de S. Paulo, que deram no Abreu Sodré, governador do estado no tempo dos militares" (Sodré, 2004: 1-2), radicando-se no sertão Paranapanema, na última década do século 19, a destacar o médico Francisco de Paula de Abreu Sodré, segundo filho de Francisco Balthazar de Abreu Cardoso Sodré e de dona Maria Firmina da Silva Veiga.
Ao sertão veio antes o tio paterno, Dr. José Balthazar de Abreu Cardoso Sodré, nomeado Promotor Público para a Comarca de Santa Cruz, no ano de 1891 (DOSP, 07/06/1891). Depois, em 1893, apresentava-se o irmão de Francisco, Balthazar de Abreu Sodré licenciado para a instalação de farmácia (DOSP, 18/03/1893: 2). 
Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré chegou em algum tempo entre 1893 e 1895, mencionado residente no município por ocasião de seu casamento, aos 08 de maio de 1895, com dona Idalina Macedo Costa, filha do Dr. Antonio José da Costa Junior, também morador na cidade. 
Em Santa Cruz o Dr. Sodré estabeleceu-se médico a partir de 1895, com garantia histórica, e tornou-se fazendeiro e líder político. Quanto ao exercício da medicina, o adversário político, Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, não lhe perdoou: "(...) este sr. não é formado em medicina como apregoa; pelo menos não tem carta de medico e si a tem, não a registrou na Directoria de Hygiene do Estado, como manda a lei, (...). Portanto, està exercendo illegalmente a medicina nesta localidade." (Correio do Sertão, 04/04/1903: 2). 
Diplomado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1893, ainda que sem o competente registro no Estado de São Paulo, e nisto o exercício ilegal da profissão, Dr. Abreu Sodré mais importa a Santa Cruz como líder político, entre 1901 a 1907, assumindo o lugar do Coronel João Baptista Botelho.
Visto inimigo de Botelho e causador do seu desastre político, em verdade Dr. Abreu Sodré mantinha relações de compadresco ao batizar Benedicto, filho do Coronel e Dona Guilhermina Brandina da Conceição, aos 02 de março de 1900. 
Sodré e Botelho romperiam laços de cordialidade em 1901, quando da indisposição do Coronel com os presidentes do Brasil e do Estado de São Paulo, ocasionando vazio político ocupado por Dr. Sodré, graças ao sogro Costa Junior, amigo do Presidente Campos Salles e influente na administração Rodrigues Alves. 
Intendente da Câmara em 1901, o Coronel Botelho perdeu as eleições municipais daquele ano para o grupo Costa Junior/Abreu Sodré, quando eleitos apenas vereadores 'sodrelistas', inclusive a maioria dos suplentes. O suicídio de Botelho, em 1902, fez consolidar a liderança de Abreu Sodré até 1907. 
O Correio do Sertão, instalado em Santa Cruz no início de 1902, tornou-se oposição a Costa Junior/Sodré, e em Santa Cruz chegava com regularidade o jornal 'O Rebate', assinado pelo Capitão Samuel Porto, defendendo os novos líderes, esculachando os dissidentes. 
Dr. Olympio Pimentel, através do Correio do Sertão, atacava e desqualificava o grupo 'sodrelista' e este, sob as ordens do truculento Fernando Eugênio Martins Ribeiro, subdelegado, quase sempre titular no cargo, ameaçava invadir as oficinas do hebdomadário, promover empastelamentos [misturas de caracteres tipográficos] e ordenar a prisão do diretor da empresa, o Antonio Galvão (Correio do Sertão, 10/01/1903: 1, e apanhados de outras edições). 
Com ameaças entre si, a partir de 02 de agosto de 1902, o próprio editorial do Correio do Sertão, iniciava uma sequência de críticas ao grupo de Sodré, ou a este diretamente, pela inoperância e descasos com as obras públicas urbanas: "dentro em pouco não nos será possivel, nem de dia, transitar em certas ruas da cidade." (Correio do Sertão, 16/08/1902: 1). 
O hebdomadário informava rumores de dissidência no grupo sodrelista, ou queria assim passar aos seus leitores, que os vereadores Estevão Ribeiro de Assis Rezende e Henrique Hardt destoavam de seus pares, ensejando melhores atendimentos e serviços municipais, porém nada podiam conseguir (Correio do Sertão, 29/09/1902: 1). 
Aos 3 de janeiro de 1903 ocorreu sério conflito entre o grupo de Sodré e o semanário Correio do Sertão, quando o diretor Antonio Galvão, ao posicionar-se a favor de uma imigrante italiana, Dona Colomba Mariani – advertida por transitar com carro de boi em lugar proibido –, foi preso por ordem do delegado em exercício, Dr. Fernando Eugênio Martins Ribeiro.
A prisão do diretor do Correio do Sertão foi contestada pela população e os principais advogados da localidade. A edição do semanário para dia 10 de janeiro de 1903 estava ameaçada, pelos 'sodrelistas', em não circular, e isto gerou fato inusitado de plantonistas populares na guarda dos próprios da empresa jornalística, bem como os assinantes vindos buscar seus exemplares na redação do semanário, e até banda de música presente em solidariedade a Galvão, e a folha circulou normal. 
O Correio do Sertão veio à forra e, na edição de 4 de abril de 1903, revelou o lado cruel e violento do líder político Abreu Sodré, que fizera invadir a residência do negociante João Daminoso, na noite de 28 para 29 de março de 1903, onde hospedados o italiano Sertori, sua esposa Candida Fioramante com uma criança de apenas três dias, e o filho maior Phelippe. A agressão deu-se em razão que Sertori e o filho ousaram criticar o governo Sodré. 
Consta na reportagem que o próprio Sodré determinou aos capangas as imobilizações de Sertori e Phelippe, enquanto aplicava-lhes tremenda surra com rebenque de couro tipo 'rabo-de-tatu', além de apoderar-se de uma espingarda da vítima. Teriam testemunhados os fatos: Antonio Jacob Molitor, Francisco Grano, André de Moura, Benedicto Flávio, Antonio Tanoeiro, Luiz Bonifacio Figueira, Maria Furtado, Rita Anna de Jesus, Joaquim D'Oliveira Ferraz e os donos da casa, João Dominoso e Luiza Molare. 
A matéria mencionou, ainda, que o médico Ernesto Torres Cotrim examinou e medicou os agredidos, marcando para o dia seguinte o exame de corpo de delito, no entanto os italianos partiram de madrugada para a fazenda Caiuá no estado do Paraná, e, assim, nenhuma providência tomada contra o abuso de Sodré. 
O Correio do Sertão continuou as denúncias contra Sodré, cujo governo além de arbitrário, prevaricador e violento, voltava-se aos interesses familiares, utilizando verbas públicas e serviços da união, estado e município, para aberturas e manutenções de estradas oficiais que ligavam suas propriedades, com custeamentos de pontes, além dos direitos às explorações de balsas no Rio Paranapanema.
Para o Correio do Sertão o governo Sodré era ímprobo. Em 1903 a Câmara, por iniciativa do Vereador e Delegado de Polícia, Dr. Fernando Eugênio Martins Ribeiro, autorizou o Município tomar empréstimo de 30:000$000, "para dotar esta cidade de encanamento d'agua potavel" (Correio do Sertão, 21/02/1903: 2), furtando-se à publicidade de seus atos e tornando nula a fiscalização de dois vereadores oposicionistas, Dr. Henrique Hardt e Salathiel Ferreira e Sá. 
A reportagem alertava, a possibilidade dos desvios daqueles recursos de sua destinação, a lançar dúvidas quanto às intenções do grupo sodrelista, além de lamentar a falta de credibilidade da Câmara. 
As arbitrariedades praticadas a mando de Sodré tinham proteções seguras, tanto por ele quanto pelo Poder Judiciário local, em mãos do cunhado e tio de sua esposa, o Juiz Dr. Augusto José da Costa. 
O Correio do Sertão criticava as violências praticadas por ordens e pelo próprio Sodré, porém admitia que o Coronel João Baptista Botelho também fora violento: 
  • "O Coronel Botelho commeteu erros, não ha duvida, mas seus erros tinham uma athenuante: è que elle sendo um homem sem instrucção, atrazado, nascido e creado no cabo do machado, não sabia cercar-se do melhor elemento para governar; ao passo que o sr. Francisco Sodré se diz formado em medicina, e é de se suppor que esteja cercado de melhor elemento, porque a gente que o está auxiliando, ou são parentes seus, ou são doutores, gente illustrada, que deve saber onde tem o nariz." (Correio do Sertão 09/04/1903: 2). 
Na opinião do Correio do Sertão, edição de 09 de abril de 1903, Abreu Sodré estaria: "(...) cem furos abaixo da política seguida pelo Coronel Baptista Botelho e por seus companheiros de directorio", e que os atos ficarão impunes "porque nesta terra o rigor da lei tem sido e é só para os desafectos, para os inimigos, para os adversarios politicos." 
Outro caso de espancamento denunciado pelo Correio do Sertão, em edição de 03 de outubro de 1903, ocorreu aos 20 de setembro do mesmo ano contra o cidadão italiano Giuseppe Scieretti – aportuguesado por José Ceretti, estabelecido negociante, na então denominada Vila Nova, de Santa Cruz do Rio Pardo. 
Pelas edições seguintes do hebdomadário sabe-se que Ceretti metera-se numa discussão com outro italiano, intitulado engenheiro, o 'sodrelista' abridor de estradas e construtor de pontes e pontilhões, Dr. Constante Trevisani, denunciado por envolvimento em negociatas com a Câmara e seu presidente, Francisco Sodré. Sodré solidarizou-se ao amigo, ordenando o espancamento. 
O Correio do Sertão mostrava-se implacável em relação ao Dr. Sodré, conforme edição de 28 de novembro de 1903, ao denunciar caso de omissão policial, pelo delegado titular Ezequiel Guedes, sobre o assassinato praticado a mando da família Costa/Sodré, crime conhecido como 'O assassinato do Preto Basilio'. 
Segundo denúncias, João Ferreira de Castilho –o Joãozinho Costa, sobrinho do Juiz Augusto José da Costa e administrador da sua fazenda, cometera o crime, como braço executor do aparentado chefe político Abreu Sodré. 
Joãozinho era extremamente agressivo contra adversários políticos, correligionários dissidentes e os discordantes da política 'sodrelista', provocando-os e atacando-os a chicotes e rebenques, cercado de capangas, sabendo ser "escandalosamente protegido nesta comarca, cuja direcção, quer sob o ponto de vista da justiça, quer sob o ponto de vista da politicagem, está entregue a parentes seus." (Correio do Sertão, 19/12/1903: 2).
O assassinato do 'Preto Basilio' foi a última grande denúncia do Correio do Sertão contra o grupo 'Costa Junior/Sodré', e aos 31 de dezembro de 1903, sem comunicação de aviso prévio, o semanário transferiu-se de Santa Cruz para Avaré, com a mesma denominação e mantendo o número sequente de suas edições santacruzenses. 
Abreu Sodré venceu as eleições de 1904, sob denúncias de irregularidades, fez-se Presidente da Câmara, e elegeu como Intendente o Dr. Fernando Eugênio Martins Ribeiro, sucedido pelo adesista Henrique Hardt em 1905. 
Em razão das fraudes denunciadas Sodré perdeu importantes membros de seu grupo, a exemplo do Arlindo Crescêncio da Piedade que se filiou aos dissidentes: 
  • "Não tendo meus companheiros de directorio dr. Francisco Paula de Abreu Sodré e tenente-coronel Moyses Nelli correspondido ao appello feito por vv. exas. para que as eleições de 30 de outubro ultimo corressem livres e escoimadas de fraudes e outros vicios que, em matéria de liberdade de voto, tanto nos têm degradado, desliguei-me do directorio, presidido pelo referido dr. Francisco Sodré, do qual deixo de fazer parte." (Correio Paulistano, 24/11/1904: 3). 
Abreu Sodré estava chefe político decadente quando Tonico Lista, audaciosa e inesperadamente, conquistou o diretório perrepista local, em 1906. Costa Junior e Sodré tentaram, em vão, revogar a decisão do Diretório Paulista do PRP. 
Então Sodré, como Presidente da Câmara e num ultimo azo, ainda firmado nos seus vereadores fiéis, fez-se autorizado pela Lei Municipal nº 57, de 15 de julho de 1906, a celebrar o contrato para construção de 24 quilômetros de ramal ferroviário, desde Bernardino de Campos, passando por sua propriedade, obra custeada pelo município e doada ao Governo do Estado, de acordo com a escritura lavrada tardiamente em 29 de julho de 1912, no Cartório do 1º Ofício de Santa Cruz do Rio Pardo. 
A ferrovia atendia interesses particulares de Abreu Sodré, custando 200:000$000 ao município, numa dívida que perdurou décadas, avolumando-se ano após ano, e os lucros remetidos para o Governo do Estado conforme estabelecido em convênio assinado pelo Dr. Sodré, em nome da Câmara Municipal.
Excluída a coincidência de aquele ramal ferroviário fazer parada na fazenda de Sodré, no atual Distrito de Sodrélia, o contrato celebrado e o endividamento municipal sempre foram motivos para suspeição de desvio do dinheiro público. 
Com o PRP local nas mãos de Lista e seu grupo, Dr. Abreu Sodré candidatou-se a Deputado Estadual elegendo-se graças o prestígio do sogro, pelo 3º Distrito Eleitoral do Estado de São Paulo, para a legislatura 1907/1909; e depois sucessivamente até a legislatura 1922/1924, porém nenhuma vez pelo 5º Distrito do qual Santa Cruz fazia parte.
A despeito de estar em exercício de Deputado Estadual, em 1907, Sodré ainda se manteve Presidente da Câmara, conforme documentos assinados em 04 e publicado aos 28 de julho de 1907, pelo semanário 'O Progresso', que o saúda como Deputado Estadual e Presidente do Legislativo Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo: "Jubilosa sente-se a população de Santa Cruz do Rio Pardo por haver regressado hontem da Capital, o nosso idolatrado chefe Dr. F. Sodré, digno Presidente da Câmara e Deputado Estadoal." 
A cumulação era permitida e prática usual até nos anos de 1930, e na ausência do Presidente da Câmara o substituo assumia, todavia, alguns acontecimentos em Santa Cruz causaram estranhezas. 
O livro ata camarário, iniciado em 07 de janeiro de 1906 e encerrado aos 29 de dezembro do mesmo ano de 1906, teve o seguinte principiado aos 23 de dezembro de 1907, evidenciando ausências de registros das sessões legislativas ocorridas no período de 30 de dezembro de 1906 a 22 de dezembro de 1907. 
As sessões, no entanto, ocorreram, e a Câmara comprova-as, quando em sessão legislativa de 23 de dezembro de 1907 menciona assuntos camarários de 03 de julho de 1907, e das aprovações quanto as destinações de recursos municipais e arrecadações previstas para 1908, destinadas a pagamentos e amortizações de dívidas do município com o preparo e construção do leito ferroviário. Também, na sessão de 23 de dezembro de 1907, são lembradas as reuniões de 28 de outubro e 21 de dezembro de 1907, que tratam das obras públicas contratadas pela Câmara com a Superintendência de Obras Públicas do Estado. 
As ocorrências fortalecem indícios sobre o desaparecimento propositado do livro ata das sessões ocorridas entre 30/12/1906 a 22/12/1907, período quando o Dr. Sodré estava Presidente da Câmara, ao mesmo tempo que Deputado Estadual. 
Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré transferiu domicílio em 1907, porém manteve interesses no município por tempos, e algumas de suas visitas foram registradas pela imprensa. 
Falecido aos 17 de julho de 1942, em São Paulo, aos 81 anos (Correio Paulistano, 18/07/1942: 2), Dr. Sodré teve os seguintes filhos com Dona Idalina, nascidos em Santa Cruz do Rio Pardo: Francisco de Assis Abreu Sodré; Antonio Carlos de Abreu Sodré, que participou da Revolução de 1932, foi Deputado Constituinte em 1934 e Deputado Federal em 1835-1837; Luiz Costa de Abreu Sodré – médico; Maria Alice de Abreu Sodré; Arnaldo de Abreu Sodré; José de Abreu Sodré; Maria Eugênia de Abreu Sodré; Armando de Abreu Sodré; e Reinaldo de Abreu Sodré. 
Não nasceu em Santa Cruz o filho caçula, Roberto Costa de Abreu Sodré, formado em Direito, fazendeiro e político, destacado Deputado Estadual em três legislaturas, antes de ser eleito, indiretamente, Governador do Estado de São Paulo (1967/1971), depois Ministro das Relações Exteriores entre 1986/1990. Faleceu em 1999.
9. Cel. Antonio Evangelista da Silva – o Tonico Lista
9.1. Um nome anterior
Antonio Cândido da Silva, que trocou o nome para tornar-se Antonio Evangelista da Silva, apelidado Tonico Lista, nasceu em São Simão - SP, ao 1º de setembro de 1867, filho de João Evangelista da Silva e de Dona Marcolina Baptista de Jesus ou Bueno, batizado aos 7 de outubro de 1867 com "hum mez e seis dias (...) foram padrinhos Maximiano Baptista Bueno e Prudenciana Esmeria Vilella" (Batismos, São Simão).
Tonico tinha a idade de 18 anos, em 1885, quando a família chegou a Santa Cruz (O Contemporaneo, 08/09/1915: 1), aonde já residentes alguns parentes de sobrenomes Baptista, Bueno, Ferreira, Negrão e Silva. 
Quase nada se sabe de Tonico em Santa Cruz, nos tempos ainda de Antonio Cândido, senão que era eleitor inscrito em 1890, aos 23 anos de idade, solteiro e comerciante, assim qualificado até 1893 quando, em 1894, teve seu nome lançado no rol de eleitores como Antonio Evangelista da Silva. 
Apesar da troca de nome em documento eleitoral de 1894, apenas aos 08 de outubro de 1897 informaria legal e publicamente: "Antonio Cândido da Silva, sócio solidário da casa commercial que nesta praça gyra sob a firma Silva & França, declara, para todos os fins, que de hoje em diante passa a assignar-se Antonio Evangelista da Silva." Correio Paulistano, 19/10/1897: 3, e outras publicações).
9.2. Tonico Lista matou um soldado e feriu outro na zona do meretrício
Aos 10 de junho de 1892, Tonico Lista metera-se num entrevero e, "na casa da prostituta Maria Antonia do Espirito Santo feriu mortalmente a Manoel Bispo e ferindo gravemente a Nepomuceno [?] da Silva" (O Combate, 03/11/1921: 3 – da ficha criminal), ambos integrantes do 7º Batalhão de São Paulo, aquartelado em Santa Cruz, com destino a São Pedro do Turvo, com objetivo de prender o místico intitulado Frei Manoel (Rios, 2004: 21). 
Segundo o Dr. Antonio José da Costa Junior, desafeto de Lista, os dois policiais teriam morrido e um terceiro gravemente ferido (Correio Paulistano, 04/01/1905: 3), situações não confirmadas. 
Maria Antonia, meretriz e dona da casa de prostituições, fazia-se na ocasião acompanhada de Tonico Lista, quando um dos soldados, preterido por ela, invadiu o quarto onde se encontrava o casal, de arma em punho, sendo abatido a tiros. O outro policial, em socorro ao companheiro, também alvejado.
Tonico Lista livrou-se do flagrante, quando era Delegado de Polícia o Coronel João Baptista Botelho, também Intendente e chefe político perrepista local. 
O desenrolar processual ocorreria, ainda, em 1892: a denúncia no dia 04 de julho, quando Promotor Público o Dr. José Balthazar de Abreu Cardoso Sodré; a pronuncia deu-se aos 23 de julho pelo Juiz Municipal, Capitão Bernardino Pereira Lima, com a confirmação pelo Juiz de Direito, Dr. Augusto José da Costa, em data de 29 do mesmo mês de julho. 
A prisão efetuou-se em 31 de agosto e o julgamento aos 06 de setembro, pelo Tribunal do Júri, com absolvição por unanimidade, atuando na defesa o advogado Dr. Frederico Carr Ribeiro, e não foi apresentado recurso.
9.3. Lista mandou surrar o Sargento Augusto (...) de Camargo e intimida adversários
Inteligente, ambicioso e sinônimo de sucesso em 1900, Lista já estava Capitão da Guarda Nacional, conforme Decreto Estadual de 16 e publicado aos 26 de junho de 1900. 
Falecido o Coronel Botelho, Tonico Lista manteve-se politicamente fiel ao advogado Dr. Olympio Rodrigues Pimentel que, à frente do PRP dissidente preparou-se para as eleições gerais de vinte oito de fevereiro de 1903, criou tumultos, lançou protestos, mudou o local de votação para os da grei e simpatizantes, registrou os votos em cartório, e perdeu as eleições.
No ano de 1904, Tonico Lista, acompanhado de capangas, surrou violentamente o Delegado de Polícia, Sargento Augusto Luiz (?) de Camargo (O Combate, 03/11/1921: 3 – ficha corrida), sendo denunciado, pronunciado e julgado livre pelo Tribunal do Júri. Dr. Costa Junior informou que o Sargento ocupava o cargo de Delegado de Polícia (Correio Paulistano, 04/01/1905: 3).
Lista revelou melhor o seu lado cruel e intimidatório quando do julgamento do Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, por tentativa de morte contra João Ferreira de Castilho, conhecido por João Costa ou Joãozinho, membro da família de Costa Junior. Na ocasião Lista fez desfilar em Santa Cruz dezenas de seus capangas, "uma grande orgia já preparada antes do julgamento, ja denotava que o réo sahiria da prisão ainda que fosse condenado" (Correio Paulistano, 04/01/1905: 3, de acordo com o Dr. Costa Junior). 
9.4. Suspeições no assassinato do Capitão Jacob Antonio Molitor
Santa Cruz vivia tempos de violências extremadas desde o fim do século XIX e os primeiros anos do seguinte, com ameaças, imposições, atentados e assassínios, entre os grupos políticos rivais. Sabia-se, no entanto, que desde agosto de 1904, o grupo Costa Junior/Abreu Sodré estava debilitado com a suspensão, ex-ofício, do Juiz da Comarca, Dr. Augusto José da Costa, substituído interinamente por Moyses Nelli.
A despeito da suspensão sumária do Juiz Augusto José da Costa para o exercício do cargo, o grupo 'sodrelista' fez-se vitorioso nas urnas, e Tonico Lista, candidato, não se elegeu vereador. A oposição denunciou fraude eleitoral e a situação acusou os adversários de violências, inclusive de assassinato, acusando Olympio e Lista pela morte do Capitão Jacob Antonio Molitor. 
Molitor, Suplente de Delegado de Polícia, embora não estivesse no exercício do cargo, teria ido até Santo Grande, acompanhado de dois praças, para trazer a ata da eleição municipal até Santa Cruz do Rio Pardo, sede do município e comarca, a mando de Costa Junior, Abreu Sodré e Augusto José da Costa (Correio Paulistano, 03/12/1904: 2, depoimento de Higino Molitor, filho do assassinado Jacob Antonio Molitor).
Desconfiados das intenções de Molitor e mandantes, Tonico e Olympio encarregaram seus capangas para executá-lo, conforme dezenas de testemunhas arroladas em Inquérito Policial encaminhado à Chefatura de Polícia em São Paulo.
Lista e Pimentel foram presos por 'recomendação' do Dr. Costa Junior, ao Juiz substituto, Moyses Nelli, para que este, "(...) mediante requerimento de um promotor mais instrumento ainda, requeresse a prisão preventiva das pessoas que o dr. Costa Junior quis que ficassem envolvidas no processo, tanto que foram presos, preventivamente, o dr. Olympio Rodrigues Pimentel e o capitão Antonio Evangelista da Silva." (Correio Paulistano, 08/11/1905: 5), até o competente habeas-corpus pelo Egrégio Tribunal de Justiça. 
9.5. Um chefe político firmado na violência
Em 1906 os dissidentes capitaneados por Tonico Lista assumiram controle do Diretório do PRP santacruzense, com o reconhecimento oficial da Comissão Central perrepista (Correio Paulistano, 17/04/1906: 1).
Já em janeiro de 1906, o Presidente da Câmara, Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, o Vice-presidente Frederico Carr Ribeiro, o Intendente Henrique Hardt, os Vereadores Lucio de Oliveira Lima e Pedro Paulo Rodrigues, além de cidadãos ligados ao grupo sodrelista, denunciaram arbitrariedades do Delegado Antonio Evangelista da Silva intimando a população não participar do pleito eleitoral de 30 de janeiro de 1906, sob pena de prisão e espancamento (O Estado de São Paulo, 17/01/1906: 1).
A despeito da condição do Dr. Costa Junior como Deputado Federal, e da eleição de Abreu Sodré para a Assembleia Legislativa, em 1907, ambos já não tinham vontades e condições políticas para enfrentamentos ao Lista, embora Costa Junior e Lista confrontarem-se uma vez ameaçando-se e prestes sacarem as armas, apartados por correligionários (Rios, 2004: 79). 
Lista, a partir de 1907, acercado de doutores e jagunços, iniciou o poder político absoluto que entendera possuir, "para formar um dos maiores impérios políticos do interior do Estado" (Rios, 2004: 113).
Os adversários o acusavam de 'encabrestar votos', fraudar eleições, eliminar inimigos, promover incêndio numa das salas da Delegacia de Polícia ou do Fórum, mas nada se provava contra ele, e sua fama correu sertão para além das divisas do estado, espécie de lenda viva que tudo podia e fazia contra adversários e inimigos, ao mesmo tempo que protetor dos colaboradores e asseclas. 
Santa Cruz vivenciaria, por mais quinze anos: "Uma série de odientos crimes viria incitar ainda maior rancor entre as facções políticas, onde as paixões cegavam os homens, e as rixas e vinditas de famílias sucediam, e corroborava-se mais uma vez o velho provérbio dos silvícolas: 'A árvore do esquecimento não pode mais brotar onde o sangue correu'-." (Rios, 2004: 95).
Lista contava com bons advogados, Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, experiente político – vereador, prefeito e deputado, além de ex-promotor; Dr. Antonio França Paranhos; Dr. Vasco de Andrade; e Dr. Pedro Camarinha, a seu tempo; além de Julio Prestes, Altino Arantes e outros renomados nas defesas de cunho particular. Também lhe aproximavam grandes proprietários rurais e capitalistas, enquanto o mando político era todo seu, bem guardado por jagunços, e com o apoio regional dos coronéis estabelecidos.
9.6. O assassinato do Coronel João Pedro
Citando alguns dos coronéis coadjutores de Lista, em Chavantes mandavam os irmãos Osório e Azarias Bueno, seus primos vindos de São Simão; em Espírito Santo do Turvo davam as ordens os coronéis João dos Santos Camarinha, Clementino Gonçalves e João Dias Junior; em São Pedro do Turvo estavam os Manoel Marques Vieira – o principal deles, e os auxiliares Pedro Leite do Amparo, Joaquim Pedro de Oliveira e Silva, Francelino Manoel da Silva, Benedito Ferreira de Souza e Manoel Pereira Tavares; em Ipaussu, Cristiano Rodrigues da Silva e Mizael Gonçalves de Oliveira dividiam o poder localizado; em Caçador [Ubirajara] era forte o coronel Porcino de Lima; em Salto Grande mandavam os parentes Virgilio e Lydio Ferreira, primos de Lista, e Pedro Pocay [Pocai]; em Bernardino de Campos, o coronel Albino Alves Garcia distribuía as ordens; em Ourinho [Ourinhos] Jacintho Ferreira e Sá e Eduardo Salgueiro, ainda unidos, eram os mandatários.
Embora forte e controlador Lista era, às vezes, contestado diante de interesses regionais, com rebeldias de alguns dos coronéis aliados. 
O João Pedro, quis fazer-se 'o poderoso' em São Pedro do Turvo, declarou-se divergente, na tentativa em unificar o coronelato de lá e foi morto, em 1908, a mando ou pelo próprio também coronel são-pedrense, Marciano José Ferreira, como favor prestado ao primo Tonico Lista (Nogueira Cobra, 1923: 253).
Do Coronel Marciano José Ferreira, diz Amador Nogueira Cobra que ele "Viera de S. Simão para o Paranapanema, em companhia de outros parentes, entre os quaes o cel. Antonio Evangelista da Silva, chefe político de prestígio em Santa Cruz do Rio Pardo." (Nogueira Cobra, 1979: 247, notas 2).
9.7. O assassinato do Coronel Emygdio José da Piedade Filho
Em Ilha Grande (Ipaussu) agigantava-se o Coronel Emygdio José da Piedade Filho, o Emygdião, como expressiva liderança política a incomodar o prestígio do Deputado Ataliba Leonel, eleito em 1907 (Cáceres,1998: 51) além do afrontamento ao poder de Tonico Lista na Comarca.
Ignorando os mandatários estabelecidos, Emygdião angariava simpatias e apoios de capitalistas e dos fortes fazendeiros, entre eles o ex-deputado Cleophano Pitaguary e o Coronel Cunha Bueno que "Fez séria oposição ao Cel. Antônio Evangelista (Tonico Lista), de Santa Cruz do Rio Pardo" (Zizi, 2007: 2), com prenúncios de contendas: "(...) o homão [Emygdião] que está cada vez pior, cada vez mais impossível em Ilha Grande. É desaforo toda hora, roncação de valentia, o homem diz que manda de Jacarezinho até aqui, tem capanga com ele, dizem que outro dia matou gente e mandou de presente para o delegado de Jacarezinho" (Rios, 2004: 99). 
Lista determinou a morte do rival e Amador Nogueira Cobra descreve o assassinato ocorrido aos 23 de janeiro de 1908: "Piedade viajando pela estrada que passava pelo sitio onde hoje se encontra a villa de Irapé e chegando-se a uma porteira para abril-a, encontrou-a amarrada ao batente; enquanto procurava desatar o nó, recebeu uma bala que lhe atravessou o peito, cahindo morto no mesmo instante." (Nogueira Cobra, 1923: 185). 
Na fuga um dos assassinos teria deixado para trás botas e chapéu, e certo João Custódio, tido mandante do crime, chegou a ser preso, porém logrou fuga para homiziar-se no Estado do Paraná (Correio Paulistano, 24/01/1908: 3). O mesmo Custódio, aos 20 de fevereiro de 1908, apresentou-se às autoridades na Comarca de Santa Cruz para declarações ao Delegado de Polícia – Dr. Américo França Paranhos, acompanhado do Juiz de Direito, Dr. Francisco Cardoso Ribeiro, e em seguida liberado (Correio Paulistano, 25/02/1908: 3).
A polícia prendeu, também, Possidonio Gonçalves Machado Filho – vulgo Machadinho, Alferes da Guarda Nacional, e certo Christiano, como autores do crime e foram a julgamento, todavia as botas e o chapéu apreendidos não lhes serviram, e assim absolvidos por unanimidade (Rios, 2004: 97-101). O Correio Paulistano noticiou a absolvição: "Foi advogado dos réos o dr. Octaviano de Azevedo, que fez uma defesa brilhante, destruindo completamente a accusação" (13/09/1908: 2). 
  • Machadinho integrara, segundo inquérito policial da época, o bando que assassinou Antonio Jacob Molitor, na localidade de Salto Grande, em 1904 (Correio Paulistano, 03/12/1904: 2).
Lista metia medos e, ainda que suspeito de ser o real mandante do assassinato de 'Emygdião', o irmão deste, Arlindo Crescêncio Piedade, uniu-se ao suspeito Tonico Lista (O Combate, 19/03/1921: 1), por temor e submissão. Apenas Ozório Alves de Lara categorizaria, anos depois: 
  • "Que foi o Coronel Antonio Evangelista da Silva o autor da morte de Emygdio Piedade Filho, mas, que não foi processado porque era chefe, e mandava na Justiça, e, em tempo, os jurados eram seus" (...). "Não depois isso na ocasião do [facto] por falta de garantias." (O Estado de São Paulo, 25/08/1921: 10, Defesa do Coronel Antonio Evangelista da Silva, Processo Crime – Caso dos Irmãos Rocha).
9.8. O ultimato ao Juiz de Direito, Dr. Francisco Cardoso Ribeiro
O Dr. Francisco Cardoso Ribeiro, Juiz de Direito na Comarca (1905/1909) que dizia ter retaguarda na Capital, diante dos tantos crimes suspeitos de mandos ou encomendas, resolveu inquirir fatos ouvindo partes adversárias, desprezando conselhos para que usasse bom senso e cautela ao tratar-se com Lista. Washington Luiz, então Secretário Estadual de Justiça e Segurança Pública de São Paulo, nomeado em 13 de março de 1906, seria o apoio avocável de Cardoso Ribeiro. 
Cardoso Ribeiro e Lista atritaram-se quando aquele juiz "envolveu um delegado militar, um tenente da polícia, em processo, de que lhe resultou a prisão por 2 anos" (Voz do Povo, 20/04/1920: 2). Tudo teria sido intriga do delegado Fernando Eugenio Martins, amigo do Juiz Ribeiro, e Lista deu ordem para que o magistrado abandonasse a Comarca, sob pena de represália.
Numa incerta judicial, o Juiz Ribeiro fazia-se acompanhar de Eugenio Martins, quando se deu um atentado que feriu gravemente o delegado, e o magistrado, temeroso pela própria vida, fugiu oculto numa carroça para transporte de pães, conduzida por João Dalmati até a estação ferroviária de Bernardino de Campos.
O Juiz Cardoso Ribeiro, pós-expulsão, foi nomeado Juiz de Direito para Campinas, por arranjo de Washington Luís, e a seguir teve sua permuta autorizada com o Dr. José Martins Bastos, para ocupar a titularidade da Comarca de Taubaté (DOSP, 06/01/1909: 55). 
Do acontecido relembrou o Informativo Jurídico Migalhas (16/05/2007): 
  • "Francisco Cardoso Ribeiro teve interessante passagem pela história do município de Santa Cruz do Rio Pardo / SP, na qual foi o segundo juiz. Diz a história que após desavença com um coronel local (Tonico Lista), o juiz Cardoso Ribeiro – jurado de morte – abandona Santa Cruz do Rio Pardo escondido numa carroça usada para entregar pão." 
O humilhante acontecimento acompanharia o Juiz Cardoso Ribeiro até 16 de maio de 1932 quando, aos 56 anos, pôs termo à própria vida, não sem antes vingar-se de Lista. 
9.9. Possível confronto entre 'Lista e Sancho' os mais poderosos coronéis do sertão
Lista enfrentava alguns contratempos em 1911, quando do desaparecimento do primo Marciano José Ferreira, também Coronel, provavelmente morto numa trama arquitetada pelo Coronel Francisco Sanches de Sanches, o todo poderoso de Campos Novos Paulista e sertão adiante, crime que perturbou até a capital do país.
Marciano trabalhava como agrimensor de terras no Vale Paranapanema e partes do Peixe, com a técnica em medir espigões secundários como primários, com isso a determinar a área e deixar terras de fora (Cobra, 1979: 249, esclarecendo o método), ou medir espigões ignorando baixadas, para concluir menor o tamanho da propriedade em questão, embora com mais terras. 
Os serviços de Marciano interessavam ao Coronel Sanches e até associaram-se para posterior desentendimento.
Antes da discórdia Marciano e sua equipe, em número de trinta pessoas, foram contratados por Sanches para medir e divisar terras nos lados do Ribeirão das Anhumas, adiante das terras dos Medeiros, então a última sentinela conhecida do sertão. 
Nessa empreitada, no ano de 1911, durante as medições, o Marciano desapareceu, misteriosamente, de nada a adiantar as tantas expedições procurá-lo. Encontraram roupas e armamento, viram restos de fogueira recente à maneira dos brancos, mais nada.
Entre expedições convocadas constam participações do Exército Brasileiro e dos membros da Comissão Rondon (Nogueira Cobra, 1923: 145), para depois recorrerem ao suspeito Coronel Sanches e seus homens, descritos como:
  • "(...) os mais afamados conhecedores do sertão, tendo à frente o cel. Sanches de Figueiredo, Domiciano Luiz da Rosa e tantos outros; sua opinião não podia ser fructo de um erro de observação; conheciam perfeitamente os hábitos dos silvícolas, por ter dirigido campanha contra elles durante muitos annos! Com que fundamento regressou Sanches affirmando que, a seu inimigo Marciano, o indígena capturara e conduzira para aldeia? Ninguem deu credito a essa balela." (Cobra, 1923: 251, notas 2).
O Coronel Sanches teria motivos para matar Marciano, porque este teria ameaçado denunciá-lo ao governo central das práticas de dadas e escravização indígena, como informa Nogueira Cobra (1923: 143); no entanto, mais propriamente, acredita-se que o desentendimento, entre Marciano e Sanches, tenha ocorrido em razão das delituosas medidas de terras e divisões entre eles.
Urdiu-se a eliminação de Sanches. José Antonio Garcia, o aliado de Tonico Lista em Campos Novos Paulista, teria encomendado o assassinato do coronel campos-novense, ocorrido aos 22 de fevereiro de 1912 (Jacques Sodré, 1951: 12), sendo conhecidos os assassinos Brasiliano da Silveira Castro, foragido na Argentina, e João Antonio de Campos, preso na localidade de Pereiras (SP), e que morreu na cadeia antes de ir a julgamento (Justiça Pública: réu João Antonio de Campos e outro, Processo 010/1912 de 03/julho/1912, Platina - SP, Arquivos CEDAP/Assis, Referência III C12, Caixa 25/26).
O crime repercutiu em todo o Brasil e exigiu providências do governo paulista, que então encaminhou para Campos Novos o Alferes João Antonio de Oliveira, cognominado 'Tenente Galinha', que se achava comissionado no posto de Chefe do Serviço de Captura da Polícia de São Paulo. 'Galinha' era famigerado caçador de homens procurados pela justiça ou cometedores de crimes. 
Nogueira Cobra (1923: 233-235), refere-se à presença e objetivos do 'Tenente Galinha' na região, destacando, porém, que além da violência e sem qualquer simpatia granjeada, não apresentou nenhuma solução para o crime, e sobre ele pesou a suspeição pelo sumiço de 30 mil réis que Sanches guardava em sua casa, num lugar de costume, fruto da venda de terras, sendo improvável que na data de sua morte tivesse ele saído com tanto dinheiro na guaiaca.
Tonico Lista, à época Delegado de Polícia em exercício, pediu exoneração do cargo (O Município, 27/08/1913: 1). Como autoridade policial teria vantagens em acobertamento de crimes de seus jagunços, porém seria cobrado pelas autoridades estaduais em solucioná-los, portanto, exonerado, teria maior liberdade em tratar empreitadas com assassinos de aluguel.
O coronel santacruzense livrou-se logo das suspeições, afinal, de um homem como Sanches, que colecionara tantos inimigos, quaisquer deles que se visse prejudicado, ou sua parentela, seria potencial mandante da execução, "e há notícias de que muitos crimes tinham ligação com este assassinato, segundo relatório do Doutor Cobra. (...), entretanto não nos interessa averiguar tais fatos." (Leoni, 1979: 273-274). 
9.10. A morte do Capitão José Antonio de Moraes Peixe
O rico fazendeiro José Antonio de Moraes Peixe, ex-suplente de delegado, em 1913 quis rivalizar-se com Lista sendo tocaiado e morto (Rios, 2004: 109-110). 
Moraes Peixe era homem violento. Vinculado ao grupo político 'sodrelista', em 1902 assassinara, por motivo torpe e sob alegação de legítima defesa, um colono seu – português, colocando-se sob a proteção do Delegado de Polícia, Dr. Fernando Eugenio Martins Ribeiro, o alter ego de Francisco Sodré (Correio do Sertão, 06/09/1902).
Em 1913, o Capitão Moraes Peixe adquirira de Tonico Lista uma gleba no bairro da Serrinha, a partir das divisas com a zona urbana santacruzense e abaixo da estrada para Espírito Santo do Turvo, arrematada em hasta pública do ausente engenheiro Henrique Kruzmann (DOSP, 13/07/1909: 10). A propriedade divisava, ainda, com parte extraída da propriedade principal e repassada por Tonico Lista a José Alves de Lara.
Peixe teria invadido parte das terras de Lara, sem se importar que Lista não toleraria tal intromissão em cima de um amigo. Antigas lembranças dão conta que Peixe tinha uma amante, por nome Avelina (Rios, 2004: 110), a quem costumava visitar algumas noites, e, numa delas, foi tocaiado e morto, ficando o episódio marcado porque um dos assassinos, ao chutar a cabeça da vítima arrancou-lhe a peruca: o Peixe era careca.
Oficialmente e diferente do relato de Rios, o crime ocorreu na madrugada de 20 de setembro de 1913, quando o Capitão Peixe, após assistir filme no Cinema São Luiz, dirigiu-se para a chácara onde residia, quando emboscado e alvejado por tiros, com morte instantânea. A Dona Emerenciana – esposa de Peixe, que se achava na residência e um sobrinho que se encontrava no Hotel Peixe, ouvindo as detonações se dirigiram para o local, desconfiados de assalto, "porque andavam mais ou menos prevenidos, após o roubo que ha bem pouco fizeram ao cap. Peixe." (Cidade de Santa Cruz, 21/09/1913: 2).
O mandante do crime seria Lista, conforme documento expedido pelo judiciário santacruzense que: 
  • "(...) com a cumplicidade de seu cunhado Alfredo Antonio Gonçalves, vulgo Nenê Narciso, mandou assassinar ao fazendeiro José Antonio de Moraes Peixe, cujo inquerito está em andamento. Para afastar as suspeitas, Antonio Evangelista da Silva fez uma viagem a S. Paulo, deixando ordens criminosas, que foram fielmente executadas." (O Combate, 03/11/1921: 3 – expediente forense). 
Tonico Lista livrou-se das acusações e o caso jamais elucidado.
9.11. Ondas de violências, atentados e mortes sob encomendas
O Coronel Pedro Sylvio Pocay, de Salto Grande, foi morto no ano de 1913, num crime bem engendrado e nunca esclarecido. Para alguns, Pocay intentava ocupar o lugar do Coronel Sanches, situação inadmissível para o Tonico Lista.
Em 1914 Tonico Lista determinou aos seus capangas, Christalino Rodrigues da Silva e João de Paula Garcia, que invadissem o domicílio do Capitão Theodorico José Teixeira Franco, renomado músico local, para agredi-lo fisicamente, ocasião que João de Paula apunhalou vítima, sem causar-lhe a morte (O Combate, 03/11/1921: 3 – expediente forense). 
Num segundo atentado o Capitão Theodorico Franco viu-se atacado, numa noite, pouco depois que deixara a Igreja, e o inquérito policial não prosperou. Atribuiu-se o atentado ao grupo de Tonico Lista, considerando o Capitão ferrenho oposicionista, situação confirmada em 1921 quando a União dos Artistas de Santa Cruz do Rio Pardo que "adheriu ao Partido Municipal, demittindo o regente sictuacionista e acclamando o Capitão Theodorico Franco para o substituir." (A Ordem, 02/06/1921: 1).
Benedicto Carmagnani era credor de Tonico Lista, quantia de 260 réis, e intentou recebe-la, em abril de 1915. Lista sentiu-se irritado e bateu de cacete em Carmagnani que, querendo bater-se em retirada deparou-se com João Evangelista Neto, filho de Lista, de 13 anos de idade, "que empunhava uma garrucha, apontando para a victima." (O Combate, 03/11/1921: 3 – expediente forense). 
O Coronel Albino Alves Garcia, líder em Bernardino de Campos, "passou a divergir do sistema político do Coronel Lista" (Rios, 2004: 114), em 1917, na pretensão de tornar a localidade vinculada ao recente município de Ipaussu. Lista não temeu investir num atentado corretivo contra Alves Garcia, cujo atentado noticiado na Capital (Correio Paulistano, 01/11/1917: 9).
Expediente forense de Santa Cruz do Rio Pardo (Apud O Combate, 03/11/1921: 3), relata que no mês de fevereiro de 1918, Lista mandou invadir a residência do médico Álvaro Camera que, atemorizado, deixou a cidade. O facultativo recusara dirigir-se até um esconderijo para atender o jagunço Joaquim Alves de Lara, ferido numa emboscada.
No mês de setembro de 1919 certo João Rapello, após concluir seu trabalho nas obras da Igreja Matriz, procurou pelo responsável Tonico Lista para receber o seu dinheiro combinado. O Coronel zangou-se e agrediu verbalmente o cobrador, e depois, tomando o 'rabo-de-tatu' das mãos de um dos presentes, surrou impiedosamente o Rapello, e o "delegado de policia, dr. João Francisco de Oliveira, fez sentir á victma o risco de vida que corria, se insistisse em instaurar inquerito sobre o facto" (O Combate, edição de 03/11/1921: 3 – expediente forense). 
9.12. O caso Foschini/Dr. Giraldes
Em 1919 a reação regional 'anti-Lista' estava forte, com risco de a oposição ganhar o pleito em Ourinhos, pelo oposicionista Fernando Foschini, ligado a Jacintho Ferreira e Sá.
Tonico Lista era o prefeito santacruzense e Eduardo Salgueiro o de Ourinhos quando, aos 30 de outubro de 1919, véspera das eleições previstas, aconteceu uma tocaia para matar Fernando Foschini, este, porém, reagiu e liquidou um dos seus agressores, um policial, e reconheceu o outro que fugira. A situação, pró Lista, ganhou o pleito eleitoral em Ourinhos, sob as suspeições de fraudes e violências.
Sobre o atentado em Ourinhos as versões são, ainda hoje, divergentes. Para alguns Fernando Foschini teria assassinado um policial desarmado, conforme declaração às folhas 65-verso, em Inquérito Policial sobre a ocorrência (Rios, 2004: 131), e inventado a história de atentado, acreditada por muitos. 
Sob a alegação de legítima defesa Foschini contratou o advogado Francisco Giraldes Filho, decidido a apontar o sobrevivente e revelar o ordenador da tocaia. Lista considerou desaforo o Dr. Giraldes aceitar causa contrária aos interesses santacruzenses. 
No Clube 21 de Abril, situado no Largo do Jardim, em Santa Cruz do Rio Pardo, Tonico Lista ao ser cientificado das pretensões de Foschini e de Giraldes teria ameaçado espanca-los, e tal pronunciamento deu-se nas presenças de Benedicto Xavier e Francisco Vidal, espancá-los.
O Coronel repetiria a ameaça em São Pedro do Turvo ao próprio Dr. Giraldes, que este poderia ser espancado e Foschini morto, num encontro na residência do Dr. Mesquita Barros, onde em discussão a partilha da Fazenda Anhumas, de propriedade da viúva Deolinda Cândida Coelho.
Pouco depois o Dr. Giraldes foi agredido por João de Paula Garcia e Nabor de Lara Toledo, na gare de Chavantes, no dia 18 de novembro de 1919, por ordem de Tonico Lista. Nabor mantinha Giraldes sob a mira de um revolver e um porrete, enquanto Garcia chicoteava a vítima que, após caída, foi violentamente espancada, às vistas de quarenta ou mais testemunhas.
Todos os identificados foram ouvidos em inquérito policial, intencionalmente malconduzido pelo subdelegado, dizem, para livrar Lista de responsabilidades, e o chefe político em Chavantes, Ozorio Bueno, avocava para si a intelectualidade e a responsabilidade do crime.
A história revela silentes a Justiça e a Segurança Pública aos detalhes e divulgações de cada um dos crimes que muitos atribuíam a Lista, entre 1909 a 1920, quando nem juízes, promotores ou delegados de polícia, nomeados, podiam permanecer na Comarca sem o seu beneplácito.
A situação, no entanto, agravou-se com a morte de Fernando Foschini, noutra emboscada, aos 08 de abril de 1920, sendo Lista suspeito de mando. 
9.13. A onda de ameaças, atentados e assassinatos continuam 
Os expedientes forenses feitos publicar na imprensa (O Combate, 03/11/1921: 3), e outros acontecimentos são relatados sobre Tonico Lista:
  • -Em 1º de janeiro de 1920 o Coronel "tentou aggredir, de revólver em punho, o menor Heitor Pimenta, havendo nesse dia intervenção da policia, para que não se consummasse o crime." 
  • -No mês de fevereiro de 1921, Lista "mandou cinco ou seis capagangas, armados de carabinas, com o fim de obrigar Severino José de Moura, a sahir com sua familia, das terras que possue no sitio denominado 'Agua do Serrado', onde reside ha 30 annos." 
  • -O relatório finaliza "Que é publicamente indigitado como autor material e moral de inúmeros crimes, violencias e atentados, conseguindo sempre, graças á sua habilidade, furtar-se á acção da justiça." 
Os predomínios de Lista chegavam até Platina através de seus primos coronéis Azarias Gomes Ferreira e Joaquim Ferreira de Lima. Também a região de Palmital esteve sob influência de Lista: "O municipio de Palmital é governado pelos prepostos de Tonico Lista (...)" (O Combate, 21/09/1921: 1-3), onde dividiam mandos José Machado e Cândido Dias de Mello.
Machado e Dias de Mello divergiram-se em 1922, após a morte de Lista, e Cândido matou Machado no episódio que ficou conhecido como a 'Guerra dos Coronéis'. 
9.14. Combinações malandras para suprimir Tonico Lista
O rumoroso caso Foschini/Dr. Giraldes ganhou destaques na imprensa paulista, quando o eleito Presidente do Estado de São Paulo, Washington Luiz, tomou posse em 1º de maio de 1920, e nomeou o Dr. Francisco Cardoso Ribeiro o seu Secretário de Justiça e Segurança Pública, aquele outrora Juiz de Direito em Santa Cruz do Rio Pardo, posto a correr pelo coronel Tonico Lista.
Cardoso Ribeiro veio à forra contra o seu verdugo, com as nomeações do Dr. Arthur Mihich como Juiz de Direito da Comarca, o Dr. Ricardo Gumbleton Daunt para a Promotoria, e como Delegado de Polícia, o temível Dr. Coriolano de Araujo Góes.
Ainda fizera mais o Dr. Cardoso Ribeiro, somando-se ao Coronel Arlindo Crescêncio Piedade na fundação do Partido Municipalista em Santa Cruz, aos 13 de março de 1921, para oposição ferrenha ao Coronel Tonico Lista, e como veículo de comunicação partidária municipalista a criação do semanário 'A Ordem', aos 14 de abril de 1921.
Em matéria intitulada 'Um bom meio de se destituir directorios e vingar passadas mágoas', um correspondente santacruzense escreveu ao jornal O Combate: "O dr. Cardoso Ribeiro, no intuito de 'depor', agora, o sr. Antonio Evangelista da Silva usou desse 'truc' muito politico sertanejo, dando mão forte aos inimigos do sr. Antonio Evangelista da Silva e dahi a creação do partido 'opposicionista' local, capaz de escalar o poder." (19/03/1921: 1).
Presente em Santa Cruz, o delegado Coriolano assumiu as investigações sobre o espancamento do Dr. Giraldes e, de imediato, descartou Ozorio Bueno como mandante ou que este tivesse de espontânea vontade prestado favor ao seu chefe, para assim fazer recair a culpa diretamente sobre Tonico Lista, Dr. Américo Paranhos e Francisco Rodrigues Costa, fundamentado nas declarações da vítima e do testemunho de Eufrazina Silva Brito, a Dona Nenê, que teria presenciado conversas dos indiciados e a ameaça dada por Lista.
O Delegado firmou maior convicção por supostas contradições dos responsabilizados e dos precedentes de Tonico Lista, para encaminhar processo 'Dr. Giraldes' ao Promotor Público, aos 23 de janeiro de 1921, caso amplamente divulgado pela imprensa. 
O Promotor Daunt ofereceu denúncia contra "Antonio Evangelista da Silva, Dr. Américo F. Paranhos e Francisco Rodrigues Costa, respectivamente presidente, secretario e membro do directorio situacionista local, assim como Nabor Lara Toledo e João de Paula Garcia" (O Combate, 27/04/1921: 1). Para a Promotoria estava era evidente a participação dos citados membros do Diretório do PRP na decisão do espancamento a Giraldes, e Lista debateu-se exaustivamente sem se livrar da suspeição de mandante do atentado.
Também sobre Lista recaia o aconselhamento e o mando para o assassinato de Foschini, neste caso já presos, por ordem judicial, os suspeitos mandantes e executores, aguardando julgamento: Eduardo Salgueiro – Prefeito; José Antonio Rabello – Vice-Prefeito; Affonso Salgueiro – 1º Juiz de Paz; e João Rodrigues Junior – Vereador, todos residentes e domiciliados em Ourinhos, e mais os executores Francisco da Silva Coelho – 1º Delegado Suplente no lugar e o facínora José Manoel de Avilla. 
Dr. Coriolano intentava envolver o Coronel Lista no crime perpetrado contra Foschini, e a oposição não dava tréguas ao acusado e atacava os advogados pela coragem em defendê-lo. Lista contratara os melhores causídicos do país para sua defesa: o Dr. Julio Prestes, o Dr. Altino Arantes – a seus tempos chefes do governo paulista, e mais o Dr. Raphael Corrêa de Sampaio, professor e dos maiores nomes em Direito do Brasil, além de atuante deputado federal. Atuava, ainda, o santacruzense Pedro Camarinha.
Em apuros, Tonico Lista denunciou Coriolano em forjar provas, levando referida autoridade buscar formal e testemunhado desmentido dos presos suspeitos do caso Foschini, expediente registrado no Cartório de Registro Geral, Livro 1 A de Registro de Títulos, folhas 460 nº 1032. Na Seção Coluna Livre do jornal Estado de São Paulo, Lista acusou o Delegado Coriolano de apresentar os presos ao Dr. Francisco Sodré Filho, "afim de incutir nosso espirito para que digamos que foi o senhor Antonio Evangelista da Silva quem aconselhou o assassinato de Fernando Foschini" (A Ordem, 02/06/1921: 3).
O delegado optou pelo não indiciamento de Lista no processo de mando da morte de Foschini, porém não desistiu da intenção em prender o Coronel, pelo espancamento de Giraldes, e o diário O Estado de São Paulo, edição de 16 de julho de 1921, trouxe a condenação de Lista que, então, recorreu da sentença.
Lista viu-se excluído do caso Foschini, porém os acusados mandantes foram condenados a vinte e um (21) anos de reclusão e os executores a trinta (30) anos (A Ordem, 02/06/1912: 1-2, com reportagem própria e transcrições de jornais da capital), depois absolvidos num segundo Júri aos 24 de novembro de 1922, também em Santa Cruz, presidido pelo mesmo Juiz Arthur Mihich. A apelação do Promotor Público não reformou a segunda sentença.
9.15. O atentado aos irmãos Rocha
Tonico Lista defendia-se das acusações de outros quinze processos de crimes de morte e atentados, todos desarquivados, alguns possivelmente forjados, refeitos ou extintos, escolhidos apenas aqueles de maior impacto, com testemunhos seguros, quando lhe recai responsabilidade de mando na emboscada aos irmãos Rocha.
Segundo as tradições e de acordo com Rios (2004: 121-124), certa feita ocorrera aparente briga de bar, entre José Bispo e José Alves de Lara, conhecido por Juca, na venda de João Máximo, nas imediações do Chafariz. Bispo e Máximo eram parentes, descendentes de João Antonio Justino – ou João dos Santos, tido coofundador de Ipaussu, sendo José Bispo, tipo simplório, a apregoar que sua família fora destituída da herança de Justino pelos ladrões de terras. 
Numa das alocuções de Bispo, o Juca sentiu-se ofendido e surrou violentamente o arengador com cabresto que trazia às mãos. Se acalmado por Máximo não se sabe, Juca Lara teria desafiado qualquer defensor ou ofendido pelo seu ato, que lhe viesse tirar satisfações.
Os irmãos Rocha, Cyrillo, José, Laurindo e Pedro, filhos de Julio Antunes Rocha, resolveram interpelar o Juca Lara, que não sustentou a provocativa dada, e a humilhação sofrida despertou ira da família Lara, conhecida por Ludovico, contra os Rocha, principalmente de Joaquim Ludovico que vivia no estado do Paraná, desde que para lá fugira após assassinar José Antonio de Moraes Peixe, em 1913.
Joaquim Ludovico face aos acontecimentos, ou por ordem de Lista, retornou a Santa Cruz, ignorando que o patrão encomendara sua morte aos irmãos Cyrillo e José Rocha que, cientes da sua presença no lugar, tocaiaram e alvejaram-no a tiros, homiziando-se os agressores na Fazenda Mandaguahy, aguardando inquérito policial. Joaquim sobrevivera.
No período das eleições de 1919, quando não podiam ser presos, os Rocha viriam à cidade, dizem, por sugestão de Lista, através do serviçal José Adão, que teria avisado a Joaquim Ludovico, onde estivesse, que os Rocha deixariam a Mandaguary.
Joaquim armou-se e, de tocaia, atingiu José Rocha, vindo este a morrer pouco depois de socorrer-se na residência de certo Antonio Paulista, revelando o autor do disparo que o vitimara. 
O delegado Coriolano entendeu a ação ser trama de Lista para eliminar desafetos ou inconvenientes, e, posto isto, promoveu a seleção de diligências em adequação e sintonia com o Juiz Arthur Mihich e o Promotor Público Ricardo Gumbleton Daunt, para incriminar e condenar o coronel como mandante do crime.
Lista desembarcou na Estação Ferroviária, aos 09 de outubro de 1921, vindo de São Paulo, onde morava, para assumir a Prefeitura – sob pena de abandono do cargo, sendo preso de imediato por ordem do Juiz Arthur Mihich (Juizo de Direito, Despacho de Pronúncia de 08/10/1921).
Os acontecimentos alcançaram manchetes e notícias em jornais da Capital e do interior, destacando-se os locais, 'Cidade Santa Cruz' – situacionista, 'Trabuco' – oposicionista e satírico, e 'A Ordem' – de oposição crítico-oportunista. 
Na publicação pelo hebdomadário 'Cidade de Santa Cruz' (19/12/1921), sob o título 'Aos meus companheiros', Lista desprezava adversários "Quanto ao meu assassinato, que os nossos inimigos pregam e propalam pelas esquinas e pela imprensa, peço aos meus correligionários que não se preocupem com isso. Eu não temo essas ameaças, nem lhes dou ouvidos." (Rios, 2004: 154). 
O Coronel livrou-se da sentença condenatória. O Juiz da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo cometera um erro que foi a revisão no corpo de jurados, sob o pretexto de elevação do nível – preceitos da Liga da Defesa Nacional, com isso descartados suspeitos partidários do coronel, ou seja, para os advogados de Lista no quadro dos jurados estavam apenas os declaradamente contrários ao réu.
Ainda que enfraquecido, Lista retornou forte na política local; reorganizou o partido para as eleições de 29 de abril de 1922, aos cargos de deputados e senadores do estado.
9.16. O tiroteio defronte à Câmara Municipal
A antecedência do pleito de 1921 mostrava-se extremamente agitada. O hebdomadário 'O Trabuco' trouxe ameaça à integridade física do Coronel Lista, rechaçadas por Avelino Taveiros através do 'A Cidade'. 
Na véspera das eleições os eleitores já haviam sido arrebanhados e postos no denominado 'curral' onde permaneceram aguardando o momento de votação, e na manhã 29 de abril já havia fila, e, de repente, o início do tiroteio tendo como alvo o Coronel Lista que escapou ileso.
Adversários divergiam-se quanto a origem dos fatos: "A oposição nos atacou havendo mortes e feridos. (...). A provocação partiu do dr. Ataliba Vianna", telegrafou Lista ao Presidente do Estado de São Paulo, requerendo urgentes providências. 
A oposição, pelo advogado Dr. Ataliba Pereira Vianna – Secretário do Partido Municipal, também comunicara a mesma autoridade, que: "Antonio Evangelista da Silva, presidente do directorio situacionista, á porta da casa da eleição, com mais de cincoenta capangas, impede a entrada dos eleitores do partido municipal, a tiros de revolver, havendo varios mortos e feridos." (Correio Paulistano, edição de 30/04/1922: 4, ambas as citações).
Do entrevero, os mortos, João Cunha, Antonio Andrade e João Paula Garcia; e os feridos Chrystalino Rodrigues da Silva, Aristides Rodrigues da Silva, Armando Alves Lara, Manoel Claudino de Oliveira e Arlindo de Castro Carvalho. 
Affonso Celso de Paula Lima, Delegado Regional – Botucatu, e Victor Brenneisen, Delegado em lugar de Coriolano de Araujo Goes Filho, comunicaram a Secretaria da Justiça e Segurança Pública:
  • "Já foi concedida a prisão preventiva de Evaristo Ferreira Sousa, autor da morte de Antonio Andrade; de João Fleury, autor da morte de João Paulo Garcia; de Aristides Rodrigues Silva e João Machado Silva, autores da morte de João Cunha; e de Cyrillo Antonio Rocha, autor dos ferimentos graves em Armando Alves Lara. Foi negada a prisão preventiva de Antonio Evangelista da Silva, Durvalino Oliveira Silva e Gustavo Antonio Silva, continuando o inquerito regulamentar." (Correio Paulistano, 07/05/1922: 3). 
Também foram presos: Rachid de Queiroz, José Rachid de Queiroz, Gustavo Antonio da Silva, Chrystalino Rodrigues da Silva e Arlindo de Castro Carvalho.
Outros nomes seriam acrescidos ao rol de acusados, todos julgados e absolvidos aos 10 de outubro de 1925, com apelação para o Supremo Tribunal, com provimento do recurso e novo julgamento ocorrido em 24/25 de novembro de 1927, os réus absolvidos no crime comum, porém condenados por crime político, onde Evaristo Ferreira de Souza, Chrystalino Rodrigues da Silva, Rachid Queiroz, João Fleury, João Machado e Aristides Rodrigues da Silva, receberam pena de quatro anos de prisão, cada um, e Arlindo de Castro Carvalho, Gustavo Antonio da Silva e José Rachid Queiroz, penalizados em dois anos e seis meses de reclusão. Nova apelação, agora dos condenados, e outro julgamento, com absolvição definitiva aos 21 de julho de 1927 (Diario Nacional, São Paulo, 25 e 26/11/1927, páginas 8 e 2, respectivamente).
Lista, prefeito, prestou declarações, justificou-se, e incriminou a oposição. O chefe oposicionista, Coronel Arlindo Crescencio da Piedade, Juiz de Paz, culpou a situação. 
As opiniões entre situação e oposição estavam divididas, apenas a certeza que o Coronel corria risco de morte, por atentado. Tonico Lista colecionara inimigos, dentro e fora de Santa Cruz, não somente políticos, que bem poderiam atentá-lo.
9.17. Atentado fatal contra o Coronel Tonico Lista
Destemido, sem nenhum segurança a acompanhar-lhe, no dia oito de julho de 1922 o Coronel Antonio Evangelista da Silva cumpria a mesma rotina sempre que se encontrava em Santa Cruz: levantou cedo e se dirigiu ao armazém do amigo Mizael de Souza Santos, o Zaeca, para ler jornal, conferir apontamentos da municipalidade ou mesmo particular, quem sabe, ou apenas para colocar conversa em dia com os amigos.
Lista aparentava tranquilidade quando soldado da Força Pública local, Francisco Alves, Ordenança do Delegado de Polícia Victor Brenneisen (Correio Paulistano, 10/07/1922: 2), entrou, informam que uma segunda vez, então para apontar ao Coronel dois revolveres, já disparando e atingindo o alvo, de nada a resolver a pronta reação de Tonico Lista que acertou um tiro no assassino em fuga, pelas costas, ferimento não fatal. 
Tonico Lista, ferido de morte, foi socorrido e, por decisão médica imediata, conduzido para São Paulo, acompanhado pelo médico Dr. Pedro Cesar Sampaio, numa composição da Sorocabana, especialmente fretada, vindo a falecer nas proximidades da estação de São Roque, por hemorragia causada por tiro de revólver que lhe perfurou o estômago e os rins. 
Ditam que o Dr. Cardoso Ribeiro, ciente que Lista moribundo estava em trânsito ferroviário, teria ordenado parada da composição em Pantojo – lugar próximo a Mairinque, para passagem e manobras do comboio que conduzia as tropas para as frentes de combate no sul mato-grossense, como desdobramento do Levante de Copacabana de 05/07/1922; a morte do Coronel teria ocorrido na madrugada de 09/07/1922, às 2,30 horas, na altura da estação de São Roque. 
O corpo de Antonio Evangelista da Silva, o Tonico Lista, após autópsia realizada no necrotério do Cemitério Araçá e laudo cadavérico datado de 09 de julho de 1922, foi velado em sua residência na capital paulista e sepultado no Cemitério do Araçá, aos 10 do mesmo mês e ano (ACMSP/SGU – Cemitério Araçá - SP: Livro de Óbitos, julho/agosto de 1922: Imagem 44).
O assassino, soldado Francisco Alves, declarou vingança pessoal, em honra da família, por questões de terras, que Lista teria usurpado de seu avô, Jeremias Lopes dos Santos, para depois dar a versão de crime por empreita cujo mandante seria o Tenente da Guarda Nacional, Arlindo Crescêncio da Piedade Filho. Alves, ferido, foi preso e, após o auto de flagrante, conduzido para São Paulo com passagem pelo Hospital Militar e dele não se ouviu mais dizer.
A displicência de Lista tornara-o alvo tentador, e muitos tinham motivos fortes para elimina-lo, mas obviamente poucos poderiam assumir a responsabilidade. 
9.18. A quem interessava a morte de Lista?
O Coronel jamais temeu colecionar inimigos, e dentre eles o Juiz de Direito Francisco Cardoso Ribeiro, obrigado pelo chefe político deixar a Comarca; e este é o apontamento de dois pensadores santacruzenses, Professor Wilson Gonçalves e o Professor José Ricardo Rios.
O Juiz Cardoso Ribeiro adquirira poderes suficientes para determinar o atentado contra Lista, segundo o Wilson Gonçalves, sobrinho da mulher do Coronel, que sabia o suficiente, através do círculo familiar, para não duvidar da participação daquele magistrado (Gonçalves, CD: A/A), mas não apresentou uma pista segura.
Também Rios, filho e neto de contemporâneos amigos de Lista, aponta para a mesma linha de raciocínio e, igualmente, não elucida o crime nem identifica o autor, mas deixa indicativos que conduzem ao Juiz Cardoso Ribeiro, ao menos para suspeições.
Outro que teria motivo e condições para matar o Coronel Lista era o também Coronel Arlindo Crescêncio Piedade, pelo assassinato do irmão Emygdio José da Piedade Filho, cujas suspeitas recaíam sobre o antes companheiro político e amigo. 
Nesta linha investigativa os autores não desprezam as declarações do Coronel Arlindo Crescencio da Piedade, junto a Delegacia de Polícia de Santa Cruz do Rio Pardo, quanto aos acontecimentos de 29 de abril de 1922:
  • "(...) que com a posse do Dr. Washington Luís a presidência do Estado e conseqüente posse do Dr. Cardoso Ribeiro na pasta da Justiça e Segurança Pública, o povo de Santa Cruz tomou o alvitre a organizar um partido político em opposição ao Coronel Antonio Evangelista da Silva, vulgo Tonico Lista, o que foi feito e a que deram o nome de Partido Municipal, sendo, então, o declarante convidado a assumir a presidencia do Directório." (Rios, 2004: 160-162). 
O declarante, Piedade, fez questão em identificar-se com o Juiz – então Secretário de Governo, Dr. Francisco Cardoso Ribeiro, desafeto poderoso do Coronel Tonico Lista, além da verdade que ele próprio, Piedade, tinha motivo para atentar contra o vitimado.
O juiz Cardoso Ribeiro e Arlindo Crescêncio Piedade, amigos e da mesma grei política, ambos com fortes razões para a eliminação física do Coronel, sabiam que para qualquer viabilidade político-partidária em Santa Cruz, Tonico Lista teria que ser supresso, a qual preço fosse, e o mistério do seu assassinato encerra-se nas combinações entre Ribeiro e Piedade.
Não sem razões a Justiça Pública acusou Arlindo Crescêncio da Piedade Filho, como mandante do assassinato de Lista (A Ordem, 10/08/1922: 1): 
  • "Processo Crime - Por seus advogados drs. Pedro S. de Sampaio Doria e Ataliba Vianna, foi apresentada a defesa do tenente Arlindo Piedade Filho, no processo crime que lhe move a Justiça Publica, que o accusa de mandante do homicidio do coronel Antonio E. da Silva." 
  • "Os autos com o parecer dr. Promotor Publico, já subiram a conclusão do M. Juiz para sentença." 
Os advogados Pedro Soares de Sampaio Dória e Ataliba Vianna atuaram na defesa do acusado mandante, Arlindo Piedade Filho, e o causídico Francisco da Silveira Filho a favor de mandatário Francisco Alves. Pela parte auxiliar atuaram os Drs. Leônidas Arantes Barreto e Wanderico Gonçalves Pereira (Correio Paulistano, 10/08/1922: 2). 
Mas o Promotor Público, Dr. Ricardo Gubletom Daunt, já estava transferido para a Comarca de Itápolis, conforme Decreto do Governo de São Paulo de 24 de julho de 1922 (Correio Paulistano, 25/07/1922: 5), embora ainda permanecesse por algum tempo em Santa Cruz, até concluir o processo, nível local, contra Arlindo Piedade Filho, então pronunciado.
Arlindo Crescêncio da Piedade Filho, acusado mandante, recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo que, contra o voto do Ministro Paula e Silva, deu provimento ao recurso designando o Ministro Gastão de Mesquita para escrever o Acórdão (DOSP, 07/11/1922: 7.181).
  • Seis anos após a morte de Lista, o despronunciado Tenente Arlindo Crescêncio da Piedade Filho faleceu por doença (Correio Paulistano 18/01/1926: 6). 
A herança política Tonico Lista recaiu para o Tenente Coronel Leônidas do Amaral Vieira.
9.19. A vida pessoal e familiar de Lista
Dos familiares diretos do Coronel Lista são conhecidos os pais, a irmã e o marido desta, José Nestor de França. 
São descritos demais parentes, vindos da região mogiana, membros das famílias, Baptista, com representação em Afonso Celso; Baptista Bueno – destacados Ozório e Azarias; e Ferreira – cujo nome José Marciano foi o mais conhecido. Outros familiares e agregados também residiram em Santa Cruz do Rio Pardo e região.
Lista fizera-se próspero comerciante e fazendeiro na região, cafeicultor maior, 'grileiro de terras' e exercente chefe político – visto bandoleiro pelos adversários, cognominado 'Ciganinho' (Rios, 2004: 87) – por imaginário uso de trajo tipo pala para esconder uma carabina, ou pelo o anticiganismo como sinônimo daquele que obra o mal. 
Dizia-se que o pala era característica de vestuário usado por Lista para identifica-lo Chefe, de acordo com informe partidário municipalista publicado em A Ordem, de 21/04/1921.
Ainda jovem Tonico Lista teve relacionamento com a meretriz Maria Antonia do Espírito Santo, dona de casa de prostituições, que entrou para história por estar ao seu lado, na fatídica noite de 10 de junho de 1892, quando Lista, em alegada e aceita legítima defesa por júri popular, assassinou um policial e feriu outro, ambos da Escolta da Diligência e Captura da Força Pública de São Paulo, de passagem por Santa Cruz. 
Tonico Lista casou-se com Dona Guilhermina Brandina da Conceição, viúva do Coronel João Baptista Botelho, no religioso aos 17 de julho de 1904 e no civil em novembro de 1913: "(...) effectuou-se no dia 18 do corrente o acto civil do consorcio do cel. Antonio Evangelista da Silva, acatado chefe político neste municipio, com a exma. d. Guilhermina Brandina da Conceição." (Correio Paulistano, 19/10/1897: 3). O casal teve os filhos: João (1905), Rita (1907) e Alice (1909).
Noticiários, denúncias e as tradições indicam que Tonico Lista sempre andou cercado de capangas; até sua mulher era acompanhada, desde os tempos do Coronel Botelho, por certo 'Luiz de Saia'– assim conhecido pelo hábito de usar aquele tipo de vestimenta em vez de calças, e bem escondia alguma arma de fogo e ou outra qualquer. 
No mês de fevereiro de 1922, o Coronel adquiriu imóvel residencial em São Paulo à rua Itambé (Correio Paulistano, 04/02/1922: 7), para onde transferiu sua família, permanecendo ele em Santa Cruz onde era o prefeito, embora já residente na Capital desde 1921.
Lista vendera quase todos os seus bens, inclusa a Fazenda Mandaguahy, o que faz pressupor ideação em retirar-se do lugar, após cumprimento de mandato político. Por conseguinte, seria mero boato que Dona Guilhermina envolvera-se com o Juiz Arthur Mihich, por isto sua retirada do município.
Dona Guilhermina, enviuvada, assumiu matrimônio com Victor Ressi, em São Paulo, sem deixar descendentes. Faleceu em Santa Cruz, com idade de 64 anos, aos 18 de junho de 1929, e seu óbito noticiado na Capital onde destacara-se figura proeminente na sociedade paulistana (Correio Paulistano 19/07/1929: 7).
Diante da magnitude usufruída em vida, Guilhermina morreu particularmente pobre, com apenas três prédios urbanos em Santa Cruz, um na Rua Benjamin Constant, e outro na Rua Emygdio José da Piedade, sendo ao fundo deste o terceiro imóvel à atual Rua Catarina Etsuko Umezu (Cartório 2º Tabelião de SCR. Pardo, Livro 113 – 1º Traslado, Folhas 164; documento cedido por Benedicto Celso Severino Martins).
Conjunto de memórias transmitidas oralmente indicam relacionamento amoroso entre o Coronel Tonico Lista e sua prima, Maria Rita da Conceição, nascida em Caconde (SP), filha de Manoel Coelho da Silva e Maria Balbina de Lima. 
Maria Rita aos vinte anos de idade, moradora com a família em Santa Cruz, engravidou-se do parente Lista nascendo-lhe Benedicto, aos 02 de julho de 1902. Tonico não reconheceu o filho, então natural de Maria Rita de acordo com o Registro Cartorial nº 2175, de 12 de julho de 1902, e Eclesial de Batismo nº 5878, de 12 de julho de 1902. 
A jovem Maria Rita, em 1910 foi desposada por Gustavo José Marques, que reconheceu Benedicto por legítimo filho. Benedicto trabalhou no Fórum de Santa Cruz do Rio Pardo, como Oficial de Justiça (DOSP, 25/01/1955), foi casado com dona Izabel Bueno Barboza e deixou por descendência a família Bueno Marques. Morreu em 1968, deixando descendentes. 
Cá e acolá noticiam-se outros possíveis procedentes de Tonico Lista fora do matrimônio.
De Gustavo José Marques sabe-se nascido em Conceição da Boa Vista – MG, no ano de 1864, filho de Manoel José Marques e Anna Luiza do Nascimento. Em Santa Cruz do Rio Pardo Marques, trabalhou como Fiscal da Câmara, do qual pediu demissão em janeiro de 1905 (O Progresso, 29/02/1905: 2); e seria partícipe político ou simpatizante do grupo 'sodrelista' (Correio do Sertão, 10/10/1903), proprietário de terreno urbano e Capitão da Guarda Nacional (A Cidade, 18/07/1926: 3).
Dos descendentes reconhecidos de Tonico Lista as notícias são poucas. 
João, ou Joãozinho, exímio enxadrista brasileiro, morreu solteiro, por volta de 1986. Em sua juventude assassinou o primo Luis Besana, que tentava apartar uma briga sua com Leônidas Camarinha, aquele que viria ser um dos maiores vultos políticos de Santa Cruz do Rio Pardo (Besana - Família, Rede Social, CD: A/A).
As filhas, casadas, foram residir em São Paulo. Rita casou-se com Dr. Ataliba Piedade Gonçalves, e Alice contraiu matrimônio com o advogado Dr. Celso. 
Celso Vieira, filho de Pedro Augusto Vieira e Francisca Vieira, experimentou carreira política em 1933 candidatando-se a Deputado Federal – Constituinte, pelo Partido da Lavoura santacruzense, obtendo a 6ª Suplência da sigla. Ocupou cargos públicos, incluso Censor de Imprensa em São Paulo, sendo reconhecido orador e membro do Partido Constituinte; residiu por alguns anos em Santa Cruz, onde exerceu a advocacia, além de fazendeiro. No ano de 1950, outra vez sem sucesso, disputou vaga para a Câmara.
Carta publicada pelo semanário Debate, edição de 18 de março de 2012, revelou em Lisboa – Portugal, "Pedro Francisco do Valle Vieira Filho, nascido de Pedro Francisco do Valle Vieira, neto de Celso António Evangelista Vieira, bisneto de Alice Evangelista Vieira [casada com Celso Vieira] e, assim, trineto do Coronel Tonico Lista." 
4.10. Tn-Cel Leônidas do Amaral Vieira 
Tenente-coronel Leônidas Amaral Vieira, o primeiro de quatro filhos do casal Antonio do Amaral Vieira e Anna Cândida de Campos, nascido aos 07 de julho de 1889 – por informativo de idade em alistamento eleitoral, farmacêutico de profissão, chegou a Santa Cruz em 1911, oriundo de Tietê – SP. Foi ele casado com dona Maria Lídia Fonseca Vieira, com a qual teve os filhos: Carmem Amaral Vieira; Mário Amaral Vieira; Octávio Amaral Vieira; Diva Amaral Vieira; Leônidas Amaral Vieira Filho; José Carlos Amaral Vieira; e Ilze Amaral Vieira.
Estabeleceu-se no ramo farmacêutico, Farmácia Santa Maria, à esquina das ruas Conselheiro Dantas e Benjamin Constant, e anos depois nomeado Serventuário, vitalício, do Tabelionato do 2º Ofício de Santa Cruz do Rio Pardo. 
Ingressou na política elegendo-se Vereador e foi Presidente da Câmara em 1917. 
Desde 1922, quando falecido Tonico Lista, Leônidas assumiu o controle político de Santa Cruz do Rio Pardo. Reconheceu-o numa carta, constrangido, o agrônomo Dr. Julio Lucante, prefeito nomeado após morte de Lista: 
  • "Não quero fazer jus, por excepcional dedicação à achincalhamento e deboche da parte do chefe. Escrevo-lhe esta para dar satisfação aos amigos e a minha consciencia, e o prefeito querendo quanto antes assumir será favor. Sem mais, etc. 'a' Julio Lucantte." (A Cidade, 28/03/1926 – da Carta de Lucantte de 09/05/1923, ao então Major Leônidas do Amaral Vieira). 
Leônidas do Amaral Vieira sobrepusera-se ao advogado Pedro Camarinha e conseguiu manter unido o grupo 'perrepista'. Pedro Camarinha, brilhante político, contado prefeito santacruzense, substituto de Lista, num período de 1917, também o foi nos tempos de Leônidas do Amaral Vieira, ocupando a chefia do executivo sempre nas ausências, às vezes prolongada, do chefe. 
Dinâmico e populista, o jovem líder mostrava-se intolerante com aqueles, companheiros ou rivais que o questionavam ou simplesmente ousavam opiniões.
Aos 02 de junho de 1926 Leônidas Vieira assumiu o Comando dos Legionários – força paramilitar – do Batalhão Ataliba Leonel, sediado em Botucatu. Em 1927 foi noticiado Comandante do Batalhão Ataliba Leonel lotado em Santa Cruz, que funcionava como Corpo da Polícia Militar, cujos integrantes agiam de maneira ostensiva e não poupavam adversários do chefe, submetendo-os a constrangimentos.
Notório fato ocorreu no dia imediato às eleições de 24 de fevereiro de 1927, praticado pelos soldados do Batalhão Ataliba Leonel contra o advogado Ataliba Pereira Vianna, que se encontrava na Praça da República [atual Deputado Leônidas Camarinha] em companhia de Octávio Pinto Ferraz – Fiscal do Partido Democrático, a serviço do Dr. José Adriano Marrey Junior, candidato a deputado, adversário do situacionista e mandatário Leônidas do Amaral Vieira. 
O subdelegado Ângelo Frazzio, acompanhando de praças armadas, fez sentir ao advogado Vianna que tinha ordens expressas do Delegado em exercício, Dr. Aristides Pinheiro de Albuquerque, para revistá-lo se portava arma proibida, tido ato abusivo perante o visitante, e nenhuma arma foi encontrada.
Após a vexação, assim considerada, e ciente que poderia ser novamente revistado em qualquer lugar e preso se oferecesse oposição à medida policial, Viana impetrou 'Habeas-Corpus', negado pelo Juiz de Direito, Dr. Guilherme Augusto de Oliveira, aos 02 de março de 1927: "A vista da informação, pois, do dr. delegado de policia, julgo prejudicado o pedido"(A Cidade, 06/03/1927: 1-2). 
O delegado informara que a revista individual se aplicava a todos os cidadãos, e que Dr. Vianna "andando habitualmente armado, e não merecendo deferencia alguma, para exhimir-se da medida posta em pratica, por ser máo elemento social, bulhento e trefego, trazendo, com as intrigas, toda a cidade inimisada" (A Cidade, 06/03/1927: 1-2).
Amaral Vieira teria implantado um regime de horror em Santa Cruz desde a passagem dos revoltosos de 1924, por Santa Cruz do Rio Pardo, tendo à frente João Cabanas e Orestes Corrêa de Castro, todos sob as ordens do General Isidoro Dias Lopes: 
  • "Disso não fazem mysterio os seus sectarios, que descansam as suas esperanças nas dezenas de baionetas à disposição do seu chefe. Argumento de indiscutivel valia... Ainda, ha tres dias, o Tenente da Força Publica, instructor daquelle Batalhão, seguidos dos de nome Diogo Sampaio e Basilio Maciel e uma praça do destacamento local, violou o domicilio do cidadão Francisco Pinheiro dos Santos e o aggrediu, como bom legalista, – sob pretexto de que o mesmo era revolucionário porque tinha em sua casa uma photographia do General Isidoro. O impetrante continúa ameaçado de – ser novamente, revistado e preso se offerecer opposição à medida policial." (A Cidade, 06/03/1927: 1-2, noticiário Ataliba Vianna, Habeas Corpus denegado). 
O advogado Ataliba Vianna, fortalecido na luta contra Tonico Lista, tornara-se o principal alvo dos ataques de Leônidas, com agravamento a partir das eleições de 24 de fevereiro de 1927, com as denúncias de Vianna sobre ocorrência de fraude na 2ª seção eleitoral de Santa Cruz, onde constou votos de ausentes, falecido e em duplicata, além do desprezo de cédulas de votantes no candidato a Deputado Federal, Dr. José Adriano Marrey Junior (Diario Nacional, 30/10/1927: 2-3).
Nos feitos, foram condenados Luis Octavio de Souza, funcionário público municipal; Deoclides dos Santos Marques, serventuário da justiça; Avelino Alcantara de Oliveira Borges, profissão ignorada; Jarbas Bueno, lavrador; e Antonio Alóe, comerciante, pelo Supremo Tribunal Federal, todavia atingidos pela anistia aos crimes eleitorais cometidos até 24 de outubro de 1930, nos termos do Decreto Federal nº 20.588 de 23/10/1931.
Leônidas candidatou-se e foi eleito para a Assembleia Legislativa – legislatura 1928/1930. Na eleição presidencial de 1º de março de 1930, Leônidas juntamente com Ataliba Leonel, líder político regional, optou pela candidatura de Julio Prestes, seguindo o Presidente Washington Luís, que não indicou o mineiro Antonio Carlos Ribeiro de Andrade para sucessor, encerrando a alternância São Paulo/Minas Gerais na presidência do país. 
O preterido e os inconformados lançaram a candidatura de Getúlio Vargas, que conquistou 742.794 votos em todo o país, mas perdeu para Julio Prestes com 1.091.709 eleitores, gerando insatisfação dos derrotados e, com isso, o espocar da Revolução de 1930, que depôs Washington Luiz, impediu a posse de Julio Prestes e conduziu Vargas ao poder. 
Os paulistas, juntamente com os legalistas de primeira ordem, perderam a Revolução de 1930, e a chegada de Getúlio ao poder colocou fim às aspirações de Ataliba Leonel, o ícone da Revolução Paulista de 1930, escolhido pelo PRP para o Governo de São Paulo, enquanto o Deputado Leônidas do Amaral Vieira já sugerido para a sucessão, quando Ataliba buscasse a presidência do país.
Decepcionado, Leônidas viu-se "affastado da política por effeitos da revolução" (A Cidade, 05/07/1931: 1), preso com outros tantos santacruzenses, destacados os irmãos Pedro e Leônidas Camarinha.
O semanário 'A Cidade', edição de 03 de julho de 1932, ao discorrer sobre o jogo político que levara ao fim, precocemente, a carreira de Leônidas apontou como causa: "O Major Leônidas Vieira jámais sujeitou a essas regras que, por muito praticas que sejam, não poderão contar a approvação da moral comum. Ninguem se avantajará a elle na fidelidade das opiniões." 
No entendimento daquele órgão de imprensa, Leônidas decepcionado, abandonara a política e não mais participaria de nenhuma eleição, e a família dos Camarinha assumiria a liderança política santacruzense, no tempo certo, com a abertura Vargas. 
Não foi assim. Leônidas continuou ativo na política local, como chefe partidário e forte oposição ao prefeito nomeado Dr. Abelardo Pinheiro Guimarães, além de partícipe na Revolução de 1932. Derrotado nas revoluções de 1930 e 1932, Leônidas esteve duas vezes recolhido prisioneiro "como um dos membros proeminentes das forças constitucionalistas." (Jornal de Notícias, 04/12/1949: 5).
Leônidas acossou, politicamente e por motivos pessoais, o Juiz da Comarca, Dr. Eugênio Fortes Coelho, que o teria chamado de ladrão. Numa carta aberta aquele Juiz, superior hierárquico de Amaral Vieira, Serventuário e depois Solicitador no Fórum, esclareceu que faria, "até por escrito a declaração de que jamais chamara de ladrão o solicitador Leônidas Vieira", e emendou:
  • "Devo, agora, declarar que esse caso não passa de mais uma intriga em que venho sendo envolvido. É verdade que li o relatorio, apresentado ao Dr. Prefeito Municipal, pelo perito que aqui esteve para examinar a escrita da municipalidade e que vi bilhetes assinados pelo solicitador Leônidas Vieira, com os quaes foram retiradas dos cofres da Prefeitura, vultuosas importancias, tendo verificado, igualmente, uma certidão do Tesouro do Estado, pela qual se constata, ter o mencionado solicitador recebido, para obras municipaes, a importancia aproximadamente de duzentos contos, sem que conste, da escrita da Camara, a entrada desse dinheiro." (O Trabalho, 28/02/1932: 2, Carta Aberta assinada pelo Juiz de Direito Dr. Eugênio Fortes Coelho). 
As acusações eram consistentes; Amaral Vieira estaria envolvido em desvios de recursos públicos e à frente de um grupo lesionador do erário. A Câmara Municipal abriu processo investigativo, face dos vultuosos e inexplicáveis pagamentos de obrigações cambiais de terceiros, cujos interesses não se poderiam colocar sob o patrocínio das rendas municipais, além de rendimentos de impostos não recolhidos ao Tesouro Municipal (Santa Cruz Jornal, 22/05/1932: 1). 
A edição de 12 de novembro de 1933, do 'Santa Cruz Jornal', trouxe reportagem documentada referente ao milionário desfalque ocorrido na Prefeitura Municipal sendo acusados responsáveis: Leônidas do Amaral Vieira, Avelino Taveiros, João Vasconcelos e José Pio.
Amaral Vieira afastou seu mais potente adversário, o Juiz Fortes Coelho, viu desfazer-se a Administração Pinheiro Guimarães, e concluiu, de maneira satisfatória, o processo contra si e os companheiros.
Desgastado, porém, mudou-se para São Paulo, e, com ele, se foi o último 'coronel' e mandatário santacruzense, falecido na Capital aos 03 de dezembro de 1949, com a idade de 59 anos.
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