SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

domingo, 4 de abril de 2010

1892 - 1895: A AGRICULTURA LIVRE E OS IMIGRANTES

1.  Localização geográfica e tipos de solos 
Santa Cruz do Rio Pardo localiza-se, geograficamente, no Planalto Ocidental Paulista, centro para o extremo sudoeste, ao norte do trópico de Capricórnio em 22º54’18”, altitude de 400 a 500 metros em relação ao nível do mar, para o sul, e 500 a 600 metros ao norte, fatores que, "(...) conjugados, latitude e altitude tornam a área de Santa Cruz passível de sofrer baixas térmicas durante o decorrer do inverno (meados do ano)." (Santos Silva, 1955: 19-20), com ocorrências intermitentes, quase nunca dois invernos seguidos de rigorosa intensidade. 
Nas considerações observadas e descritas pelos especialistas se pode afirmar que os riscos de geadas jamais inibiram o plantio de café, ou de qualquer outra cultura, na região de Santa Cruz do Rio Pardo, mesmo naqueles tempos quando ainda não se conheciam os meios tecnológicos para previsões e abrandamentos das ocorrências causadas pela 'Frente Polar Atlântica', as quais "(...) são poucas, duas ou três para cada inverno e as geadas com mínimas inferiores a 3 ou 4º mais raras ainda, sendo talvez mais frequentes os anos, em que elas não se observam."  (José Setzer, Os Solos no Estado de São Paulo, apud Santos Silva, 1955: 20).
Com os dados de temperaturas coletadas conforme estações, e os índices pluviométricos em toda a região (Boletim DER 1946, Contribuição para estudo do clima do estado de São Paulo, apud Oliveira Zanoni, 1976: 25), consideram-se:
  • Verão, temperatura média de 23,4º C, e 560 mm de chuvas;
  • Outono: 20,9º C, e 250 mm de chuvas;
  • Inverno: 16,8º C - temperatura, e 115 mm - chuvas;
  • Primavera, 21,0º C de temperatura, e 185 mm as chuvas. 
Para isto há que se considerar a hidrografia para o município com as considerações para os principais rios, o Pardo, o Turvo e o Alambari, com seus respectivos tributários. 
O Rio Pardo nasce na Serra do Limoeiro, a 1.003 / 1.007 metros de altitude junto ao paredão da 'Cuesta Botucatu', na parte do município de Pardinho, com localização geográfica por latitude 23º04’51” e longitude 48º04’51”. Com 264,25 quilômetros de extensão consideradas as sinuosidades, ou 175 quilômetros em curso direto, corre para o poente e deságua no Paranapanema, com passagem por quinze atuais municípios: Pardinho, Botucatu, Pratânia, Itatinga, Avaré, Cerqueira Cesar, Iaras, Santa Bárbara, Óleo, Bernardino de Campos, Santa Cruz do Rio Pardo, Chavantes, Canitar, Ourinhos e Salto Grande.
O Pardo entra no município de Santa Cruz do Rio Pardo após receber diversos manadeiros e dois afluentes maiores, o Rio Claro com 72 quilômetros de extensão desde as cabeceiras em Botucatu à barra no município de Iaras; e o Rio Novo que nasce no município de Itatinga, passa por Avaré para desaguar no município de Estância Hidromineral de Santa Bárbara, num curso total de 77 quilômetros. 
Segundo Oliveira Zanoni, o Rio Pardo corta o atual município santacruzense em 44 quilômetros (1976: 15), citação diferente da conclusão que "(...) somente em nosso município o rio possui 95 km de extensão e a vazão máxima é de 68.000 l/s." (Cavalchuki, Rio Pardo Santa Cruz, 2009: 1). O estudioso Antonio Viotti informava, em 1916/1917, que o Rio Pardo tem em sua barra "... descarga de 30 metros cúbicos d’agua, por segundo, no tempo da secca." (Viotti, apud O Contemporaneo, Ano III nº 120).
Ao longo do curso o Pardo tem queda de 2,04 metros, em média, por quilômetro, perfazendo total de 426 metros relação da nascente à barra, ou de 1,20 metros / quilômetro considerando as sinuosidades. É o mais importante tributário paulista do Paranapanema, e conta, apenas no município de Santa Cruz do Rio Pardo, com o acréscimo de trezentas nascentes até receber as águas do Rio Turvo - já no município de Ourinhos, e chegar ao Paranapanema.
O afluente Turvo tem suas nascentes na Serra dos Agudos, no município de Agudos - SP, o Turvo tem extensão de 130 quilômetros e é o principal afluente do Rio Pardo. 
Viotti, em seu tempo, menciona que o Turvo desce por um "(...) valle apertado dos campos visinhos da povoação de S. Domingos. (...). Rega o Turvo excellentes terras de cultura e empresta seu nome a duas futurosas localidades - Espirito Santo do Turvo e S. Pedro do Turvo, se bem que passe afastado desta ultima localidade que é banhada pelo Ribeirão S. João. O seu leito é muito íngreme, desce 304 metros em 100 kilometros de curso directo, ou 3 metros e 04 por kilometro. Adimittindo-se como provável um desenvolvimento de 100% para o curso sinuoso desse rio, teríamos 1 metro e 5 para o rio Turvo. A sua descarga, na barra, é de 10 metros cubicos por segundo, no tempo de secca." (Apud O Contemporaneo, Ano III nº 120).
O subafluente Alambari também tem suas cabeceiras na Serra dos Agudos, em atual município de Piratininga - SP, em direção ao Rio Turvo onde a foz na região do distrito de Caporanga - Santa Cruz do Rio Pardo, recebendo os seus afluentes  formados na mesma Serra dos Agudos, sendo os principais o Ribeirão das Antas - em atual Lucianópolis, e o Ribeirão do Serrote - no município de Duartina. É o principal contribuinte do Turvo no município de Santa Cruz do Rio Pardo.
São estes os três rios destacados para o melhor aproveitamento agropecuário municipal, considerando qualidades e formações de solos, numa visão geral, correspondente à época, nada especializada e nem estratificada, porém sempre recorrente às outras fontes de informações, tem-se que a gênese do solo, sua classificação e dos processos e fenômenos nele ocorridos, em sua grande extensão, é formada pelo basalto oriundo do derramamento vulcânico, na era mesozóica, e o arenito do período paleozóico, observável na sedimentação existente, ou seja, no capeamento posto sobre o derrame e, secundado, pela cobertura neomesozóica, com variações de espessuras nos espigões, cujos solos formados pela decomposição do grés [arenito] de Bauru, com cimento argiloso ao norte, e o Botucatu, eólico ao sul, áreas ácidas; não servem para a alfafa, são excelentes para o café.
Nos vales e encostas, onde maior o afloramento basáltico, pelas ações erosivas dos rios, removendo a capa sedimentar [arenitos Bauru e Botucatu] para a decomposição e formação da denominada 'terra roxa', de baixa acidez ou propriamente neutra, onde prospera a alfafa.
Nesta composição, para Santa Cruz do Rio Pardo, distribuem-se diferentes tipos de solos, de acordo e seguindo critérios e entendimentos da época inicial do século XX:
  • 1. Nitossolo Vermelho ou Terra Roxa Estruturada, de textura argilosa a muito argilosa, cor vermelha escura, púrpura ou arroxeada, formadas sobre rochas básicas e situadas nas porções média e inferior de encostas médio-onduladas  até as mas fortemente onduladas, numa elevação de 400 a 500 metros acima do nível do mar, com profundidade superior aos 20 metros, de faixa mais larga e bem drenada às faixas próximas a cursos d’água e mais destacada às proximidades das barras do Pardo e Turvo - com estreitamento a montante, de considerável riqueza química com elevados teores de fósforo, magnésio, cálcio e, sobretudo, ferro, bastante ideal para a cafeicultura. Corresponde a 10% das terras do município contra 1,1% do Estado (Oliveira Zanoni, 1976: 32), com apresentações de erosões nos relevos ondulados pelo mau uso.
    • Segundo Santos Silva toda essa virtuosidade para as lavouras do café, porém, via-se interditada pelas geadas e encostas (1955: 12), e Oliveira acresce que "Há no entanto, manchas de terras roxas que devendo á presença de lençóis intrusivos de lavas que pela remoção das camadas superiores ficaram expostas à ação do rio intemperismo dando a formação da terra roxa. Este fato ocorre com mais freqüência, na área sudeste do município, ribeirão da Figueira e Palmeiras, Tres Barras e Tres Ilhas." (1976: 33).
      • Conforme Viotti, "No Valle do Rio Pardo a zona da matta penetra, formando reentrancias, até às visinhanças desta cidade. (...). As terras por ahi são de boa qualidade, alternando as faixas de terra roxa com as da terra argillo-arenosa, que na região mais alta deste valle e já fóra da comarca constitue a totalidade do solo. (...). O baixo Valle do Rio Pardo é todo de terra roxa e se acha, por completo, dentro desta comarca." (Apud  O Contemporaneo, ano III nº 120, página 1)
  • 2. Latossolo Roxo, a Terra Roxa Misturada, proveniente da amalgama entre os detritos do arenito eólico Botucatu com os originários basálticos, compostos que permitem solo fértil embora quimicamente mais pobre que a terra roxa estruturada, mais argiloso, porém, humoso e de profundidade adequada à cultura cafeeira, além do suporte dado pelo teor de carbono, acima de 2% existente neste tipo de solo, também capaz de atender, pela fertilidade, os cultivos tropicais como o milho, o algodão, o feijão e o arroz de espigão. Sua atração magnética é alta. 
    • Tal tipo de solo situado em altitude de 500 metros era bastante favorável ao cultivo do café, necessitando, porém de adubação orgânica para compensar a baixa concentração do teor de carbono.
      • Das diversidades vegetais características das florestas às extinções das matas, ao longo do Pardo e Turvo, tombaram infelizmente os padrões vegetais representativos dos acidentes geográficos ainda conhecidos: o ceboleiro, a grumixama, a figueira branca, a figueirinha, a peroba, e outras tantas variedades em cujos lugares floresceram os cafezais associados a outras culturas.
        • Considerando Oliveira Zanoni, parte dessa área "Abrange Palmeiras, Figueira, Caetê, Perobas, Cebolão, Três Barras, Onça, Matão da Onça, Três Ilhas." (1976: 39) 
  • 3. Latossolo Vermelho Escuro, Terras Roxas do Campo, formação por uma camada pouco espessa de arenito - de Botucatu, sobre plataforma basáltica, ou do arenito Bauru sem a cimentação calcária, em relevo predominante plano ou suavemente ondulado.
    • Quando apresenta textura argilosa ou muito argilosa tende a se confundir com a terra roxa misturada, e a diferença encontra-se na ausência ou quantidade menor de ferro, com baixa atração magnética. 
      • Pela semelhança com a terra roxa, mas de notória pobreza em relação àquela, era conhecida como 'terra sangue de tatu'.  
        • São as terras do campo, dito solo arenoso, permeável, lavável e profundo, com matéria orgânica escassa e quase à superfície, 30 centímetros. Naqueles tempos, não era o tipo de solo ideal para o café, nem para qualquer agricultura de produção comercial em grande escala, servindo mais para o uso pastoril, as grandes invernadas..
          • Em alguns pontos, nestas terras, existem as denominadas 'manchas', pela presença entrecortada da terra roxa estruturada.
            • Este tipo de solo é encontrado em partes do "Caetê, parte das Palmeiras e das Perobas, 10%." (Oliveira Zaoni, 1976: 37). 
  • 4. Arenito Cretáceo de Bauru, alguns a denominam terra branca - Arenito Bauru, sem o cimento calcário, solo de afloramento pré-cambriano.
    • São profundos e drenados. No território santacruzense estes tipos de solo são encontrados entre o Alambari e o Turvo - região norte, e outra na área central do município (Santos Silva, 1955: 16), separadas entre si por manchas. "Abrange as áreas de Caporanga, Espírito Santo do Turvo, Clarínea, Sodrélia, Madassaia e Barreiro." (Oliveira Zanoni, 1976: 36).
      • Não são terras boas para plantios e nem para invernadas em usos prolongados, necessitando de rodízio para recuperação de solo e, mesmo tratado é sujeito aos intemperismos das enxurradas e da oxidação.
        • Viotti considera, no entanto, o rio Alambari e afluentes formados na Serra dos Agudos, "que se perlongam em campos ora de terrenos argilosos ora areentos com uma vegetação arbustiva ou com cerrados e cerradões. Águas claras e perennes regam terras excellentes para a producção das gramíneas. Regado por numerosos corregos, as suas ribas offerecem bellas situações para fazendas de crear. (...). É a região do Alambary a grande reserva pecuaria de Santa Cruz. Alli hão de se formar opulentas fazendas de creação e engorda." (Apud O Contemporaneo, Ano III nº 120). 
  • 5. Arenito Eólico de Botucatu, situadas em manchas ao sudeste santacruzense, com terras imprestáveis para agricultura, partes encontradas "em espigões do sudeste do município, em manchas relativamente restritas ..." (Santos Silva, 1955: 17).
    • São depósitos cenozóicos e não estão circunscritos às rochas sedimentares, do Grupo Bauru - vistas nas colinas sobrepostas no substrato basáltico, de espessuras consideráveis e grande permeabilidade. Também se encontram, às vistas atuais, a denominada de formação Adamantina, no divisor Pardo / Turvo, de pequena extensão, ou formação Marília, nas nascentes do Turvo, também de extensão pequena.
Hoje se sabe do sistema aquífero Guarani, o maior reservatório de água subterrânea ou de condição confinada do estado de São Paulo, abrangendo outras regiões do Brasil e mesmo exterior, constituído de arenitos eólicos das formações Botucatu e Pitambóia, com espessura média de 300 metros, com mergulhos sob os basaltos e daí uma profundidade de 1 quilometro ou mesmo ultrapassando os dois mil metros e com vazão superior a 500 metros cúbicos / hora. (CBH-MP, 2007: 2). 
Nos primeiros anos do século XX tais situações, independente dos conhecimentos atuais, apontavam o uso e ocupação do solo, revelando inclusive a densidade demográfica, sem dúvidas a cultura do café a mais significativa ordem de população local, especialmente de imigrantes.
Os autores, leigos em pedologia e estudos edafológicos, para o estudo aqui exposto tomaram por base o quadrante territorial compreendido abaixo do Rio Claro - afluente do Pardo, e do Alambari - tributário do Turvo, além dos dois principais rios, firmados nos estudos de Antonio Viotti, publicados em 1916 - 1917 (O Contemporaneo, ano II nº 65 e seguintes no ano de 1916; com republicações em 1917, Ano III, a partir do número 119); do Instituto Agronômico de Campinas (Apud Oliveira Zanoni, 1976: 33-39); e de Santos Silva (1955: 08-18, com citações bibliográficas). 
2.  As grandes fazendas e os fazendeiros
Viotti, por tempos residente em Santa Cruz do Rio Pardo, era formado em Agrimensura, Geodésia e Estradas, com registro na Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo (O Contemporaneo, Ano II nº 65). 
O vale do Pardo assim denominado a maior parte do município de Santa Cruz, por onde o Rio Pardo"com o seu afluente Turvo, aberto de leste a oeste, é, por sua posição que o torna preferido para as comunicações do Vale do Tietê com o baixo-Paranapanema, uma das regiões mais importantes." (Aluízio de Almeida, janeiro / março 1960: 221 volume 246).  
A agricultura santacruzense era diversificada, a pecuária era forte e era grande a criação de porcos.
As produções agrícolas e as criações para vendas - bovinos e suínos eram antes encaminhados ao porto fluvial de Salto Grande, pelo Rio Paranapanema no qual igualmente utilizado o porto de Tibagi com destinos ao Paraná, Mato Grosso e sertão paulista, e o de Lençóis [Paulista] para embarques pelo rio Tietê ou vendas diretas aos monçoeiros.
A partir de 1876, grande parte das produções era levada para embarque em Rio Claro - com a inauguração da estrada de ferro [Companhia Paulista]. Depois, a partir de 1896 a condução melhor era pela via férrea a partir de Cerqueira Cesar onde estacionada a gare Sorocabana, e a partir de 1903 como opção de envio para outros centros consumidores, as cargas também podiam ser embarcadas por Agudos, onde os ramais férreos - Sorocabana / Ituana e Paulista.
Aluízio, pelos relatórios de Edmundo Krug, menciona vendas de suínos em Agudos naqueles tempos de 1903 (Vol. 246: 165-239 – janeiro / março 1960), referência ao município de São Pedro do Turvo, mas de resto toda a região, inclusa Santa Cruz do Rio Pardo, onde, onde segundo J. Amandio Sobral  "(...) a engorda de gado suino póde fazer a prosperidade d'aquella zona e, entre nós, um concorrente da América do Norte no fornecimento de productos do gado suino." (Apud Correio do Sertão, Ano I nº 47). 
Santa Cruz era o celeiro produtor do centro sudoeste paulista com a policultura e as grandes fazendas de gados, além das criações de porcos quando, em 1887, José Custódio de Souza investiu na primeira lavoura de café, em Santa Clara, região que tornou-se mais conhecida por Clarínia, e o Custódio foi seguido por outros investidores.
Em Santa Cruz de 1893 a cafeicultura já provocava a sobrevalorização das terras potencialmente agricultáveis, "Aliados à especulação imobiliária estavam os investidores das linhas férreas. No final do séc. XIX, com o capitalismo já mundializado, a expansão das linhas férreas se apresentava como geradora de grandes oportunidades de negócios." (Andrade, 2006: 110). Se os trilhos ainda não estavam presentes, o projeto aprovado que previa para Santa Cruz o entroncamento de ferrovias fez fixar valores elevados para suas terras. 
O autor Adriano Campanhole, em sua História da Fundação de Assis (1985: 153) menciona fontes, transcreve e aponta valores das terras no Vale Paranapanema,e menciona informatico que a Igreja era atenta ao assunto:
-"A venda de terras é um negócio lucrativo nesta região. Nos sertões de Campos Novos, onde as posses têm notável extensão, o preço das terras legitimadas varia de 3$000 a 5$000 por alqueire (2,40 hectares), não sendo beneficiadas, caso em que ascende ao preço de 15$000 ou 25$000 nos sítios mais próximos do povoado." (ACMSP - Autos de Ereções de patrimônio e Capelas, Vol. VI, 6-2-27 apud Campanhole, 1985: 153). 
Para as terras do Pardo e do Turvo, são apontados os valores de alqueires de terras para município de Santa Cruz do Rio Pardo e adjacências:  
-"Nos vales do Turvo e do Pardo, onde a população é mais condensada, o valor das terras varia entre 15$000 e 70$000 o alqueire. Nas manchas de terra roxa, onde a cultura do cafeeiro é possível, como no Rio Novo, Fartura, Rio Verde, Espírito Santo da Boa Vista, oscila entre 20$000 e 75$000. Em São Sebastião do Tijuco Preto o preço mínimo das terras é de 20$000, e ainda menos, se encerra campos." (CGGSP, 1890: 36, também referenciado por Campanholi, 1985: 153 - notas 2).
Antes da Guerra com o Paraguai era pouco a moeda circulante, menos de 30 mil contos de réis, mas cresceu nos anos pós-guerra para chegar à casa dos 195.000. Pensou-se numa estabilização com o advento da república, mas ocorreu exatamente o contrário, com a entrada de dinheiro estrangeiro, principalmente da Inglaterra, para se chegar em 800 mil contos de réis.
Afirma Monbeig que "Vinha a calhar essa abundância, pois daí resultava uma disponibilidade de capitais até então desconhecida e indispensável ao equipamento das novas fazendas. (...). Desse conjunto de fatos, resultava um clima favorável à exploração de terras novas. A plantação saía a baixo custo, a venda do produto era remunerada, era fácil obter capitais. Tudo infundia confiança." (Monbeig, 1984: 108).
A euforia desencadeou frenética especulação imobiliária na região do Pardo mais que em outros lugares, lembrando, por Monbeig [p. 105], "Desde o seu início, a marcha para o oeste foi um episódio de expansão da civilização capitalista, surgida nas duas margens do Atlântico. Ambas não cessaram de ser solidárias."
Santa Cruz do Rio Pardo entrou no século XX já próximo ao quinquagésimo ano de existência, posto o seu princípio em 1851 sob a denominação Capela de São Pedro, quando sentinela avançada do sertão, ponto de apoio aos entradistas mineiros, local de pouso e indicativa de caminhos a seguir; era o grande empório do sertão centro sudoeste paulista e do norte pioneiro paranaense.
O processo de desenvolvimento histórico econômico santacruzense, complementar ao século findo (XIX), deslumbrava-se para progresso ainda maior: "Esta localidade por sua collocação e condições topographicas, offerece margem para uma grande cidade. É bastante dizer que ella ha de ser fatalmente e em futuro proximo quanto à sua producção, mais do que o Ribeirão Preto, além de outros motivos, por estar talhada para constituir o centro agricola da zona pela superioridade de seus terrenos." (Correio do Sertão, Ano I nº 49). 
Santa Cruz no princípio do século XX era o centro vital da economia regional: 
  • "O municipio de Santa Cruz do Rio Pardo é um dos mais futurosos do Estado, pela fertilidade de suas terras, que não tem inveja às melhores de outros municipios d'este mesmo Estado. Não tem a sua agricultura tomado grande desenvolvimento pela circumstancia de não estar o municpio ainda servido por estrada ferrea, a qual estacionou em Cerqueira Cesar, no meio de uma zona de valor agricola insignificante e não tem caminhado mais umas leguas para attingir uma zona de bellissimas terras, onde a lavoura se desenvolveria logo rapidamente, pela commodidade do transporte rapido e facil de uma estrada de ferro, quando funccionando regularmente."
  • "Ainda assim, algumas propriedades agricolas notaveis se encontram já no municipio, e uma d'elas merece a honra de ser reputada uma das melhores montadas no Estado: é a fazenda do sr. Henrique da Cunha Bueno."
  • "O municipio está todo na bacia do Paranapanema e mais denominadamente na do Rio Pardo, tributario d'aquelle. É nas proximidades do Paranapanema que se encontram as terras de maior aptidão agricola, e o districto chamado da Ilha Grande é afamado pela fertilidade de suas terras."
  • "Todas as terras do municpio se distinguem pelas grandes producções de cereaes, chegando a producção de milho a ser extraordinaria, de 400 e mais por 1, muitas vezes."
  • "As terras são ao geral virgens, dispondo, por isso, de uma boa camada de humus, parte do qual vae interessar ás culturas, porque a outra parte é destruida pelas queimas, e é a que se acha á superficie do solo."
  • "Todas as terras estão cobertas: no geral de matta virgem, e, na falta d'esta, de bons mattos que a substituem. Nas mattas encontram-se principalmente, de madeiras de construcções, peróbas, cedro e óleo, em arvores de estatura gigantesca, verdadeiros colossos do reino vegetal. Como padrão de boa terra não falta o páo d'alho, a bitola pela qual os lavradores se regulam para determinar a qualidade de um terreno."
  • "A superficie do municipio é toda accidentada, mas estes accidentes não são bruscos, e consistem em vastos e frescos valles, quasi sempre com um arroio, ladeados de collinas de inclinação dôce, propria a consentir a agricultura executada com qualquer especie de machina, collinas estas que possuem um solo argilloso, mas permeavel por certa quantidade de areia e de materias organicas, que o fazem fôfo e agradavel á vista, na sua côr ferruginosa mais ou menos carregada, as mais das vezes roxa 'expressão commum'."
  • "A diabase porphyrite é a rocha formadora das terras do municpio, a mesma rocha que deu as terras de Ribeirão Preto e de S. Manoel do Paraiso, a qual na Ilha Grande chega a apresentar o aspecto de canga ferrugionosa, cujas pedras apresentam a conformação de uma esponja. É a terra produzida por ellas a mais afamada do municipio e a que os lavradores rio-pardenses mais estimam."
  • "No districto do Oleo as terras são mais arenosas e por vezes desmerecem bastante pela predominancia da areia; mas as do bairro do Lageado, logo adeante do Oleo, são já de melhor qualidade, sem predominancia do elemento arenoso. No Lageado todas as terras são boas: collinas, lombadas e valles - tudo presta para a agricultura, emquanto que no Oleo só geralmente os valles offerecem terra boa, onde se encontram os bons padrões vegetaes."
  • "No bairro de Mombuca as terras nada deixam a desejar pelo que respeita á sua qualidade, mas não succede outro tanto com as terras do norte do municipio, menos ferteis, mas que dão, todavia, boas colheitas de milho e onde se encontram algumas grandes plantações de cafè." 
  • "A analyse de uma amostra de terra tirada da fazenda de Santo Antonio, situada entre a cidade de Santa Cruz e a villa de São Pedro do Turvo (no norte), e feita pelo Instituto Agronomico de Campinas, deu o seguinte resultado:" 
    • "Humidade 1,35%" 
    • "Materia organica 1,99%" 
    • "Acido phosphorico 0,01%" 
    • "Potassa 0,04%" 
    • "azoto 0,08%" 
    • "Cal 0,03%" 
    • "Materia preta 0,150%"
  • "Uma outra analyse, de uma amostra de terra tirada da fazenda denominada Estrella, no mesmo bairro, deu o seguinte resultado:
    • "Humidade 3,79%"
    • "Materia organica 4,17%"
    • "Acido phosphorico 0,01%"
    • "Potassa 0,03%"
    • "Azoto 0,09%"
    • "Cal 0,02%"
    • "Materia preta 0,279%"
  • "Como se vê, estas terras não são ricas nem em acido phosphorico, nem em potassa, nem em cal, nem em azoto. Estão longe de ser terras ricas, o que não succede com as terras da Ilha Grande, cuja analyse deu o seguinte resultado:"
    • "Terra do cafezal do Sr. Henrique da Cunha Bueno:"
      • "Humidade 7,11%"
      • "Materia organica 7,34%"
      • "Acido phosphorico 0,16%"
      • "Potassa 0,09%"
      • "Azoto 0,19%"
      • "Cal 0,18%"
      • "Materia preta 0,310%".
      • "Terra virgem, de matta virgem da fazenda do sr. Henrique da Cunha Bueno:"
      • "Humidade 9,04%"
      • "Materia organica 8,46%"
      • "Acido phosphorico 0,08%"
      • "Potassa 0,09%"
      • "Azoto 0,19%"
      • "Cal 0,16%"
      • "Materia preta 0,484%"
  • "Conforme estas analyses, o teor de acido phosphoricos, de potassa, de cal e de azoto é muito superior ao das outrs terras atraz referidas."
    • "De riqueza média é a terra da fazenda denominada Monjolinho, cuja analyse deu o seguinte resultado:"
      • "Humidade 11,63%"
      • "Materia orhanica 10,62%"
      • "Acido phosphorico 0,05%"
      • "Potassa 0,03%"
      • "Azoto 0,18%"
      • "Cal 0,08%"
      • Materia preta 0,816%"
        • "A terra a que se refere esta analyse fica situada proxima da cidade de Santa Cruz."
  • "No municipio occupam-se os lavradores da cultura de milho, da criação, engorda de suinos e de pequenas culturas; mas o que attrahe mais a attenção do lavrador rio-pardense é a cultura do café, de que já existem bos e grandes plantações."
  • "Uma ligeira resenha dará idéa da importancia actual da lavorua rio-pardense. É a que se segue."
    • "Fazenda da Bella Vista, muito proxima do rio Paranapanema, na Ilha Grande. Pertence ao sr. Henrique da Cunha Bueno e tem 900 alqueires de muito boas terras. Tem 300.000 pés de café, bons pastos e matta virgem. O terreiro é de tijolos, em parte pixado de 16 bacias e um plano docemente inclinado. É o terreiro melhor construido que tenho visto, pelas relações, engenhosamente estabelecidas, que umas bacias têm como as outras."
      • "O café é em parte conduzido do cafezal para o terreiro por meio de canos feitos de tijolos curvos, dentro dos quaes se põe agua que transporta o café."
        • "A fazenda tem 600 almas nas quais estão comprehendidas 82 familias de colonos e camaradas."
          • "Tem machinismos completos de beneficar café, incluidos tanques de lavar, despolpador e separador Monitor."
    • "Fazenda Novo-Niagara. Pertence ao sr. Theodoro Ville. Tem 3.800 alqueires de terras, parte arenosas e parte bôa. Tem 220.000 pés de café, muitos e grandes pastos e matta virgem de grande extensão. Tem uma fabrica de benneficar café, e muitas casas de colonos."
    • "Fazendas Estrella e Santo Antonio. Tem 409 alqueires de terras e pertencem aos herdeiros do cl. João Baptista Botelho. O cafezal tem 218.000 pés de café. As culturas de milho tem dado resultados extraordinarios."
    • "Fazenda Santo Antonio. Pertence ao sr. dr. Francisco Sodré. Tem 202 alqueires de terras. O cafezal tem 35.000 pés de café. Tem criação, pastos, roça e matta virgem. A producção relativa de milho tem sido fóra do commum."
    • "Fazenda do Monjolinho. Pertence ao sr. capm. Joaquim Pio da Silva. Tem 600 alqueires de boas terras, com 70.000 pés de café, pastos e matta virgem." 
    • "Fazenda Dourado, do sr. Silvestre Fustino de Andrade, com 330 alqueires de boas terras. Tem 55.000 pés de café e bons pastos."
    • "Fazenda Taepava, do sr. Heitor da Cunha Bueno. Tem 235 alqueires de boas terras, com 58.000 pés de café, pastos e matta virgem"
    • "Fazenda Mombuca, pertencente ao sr. Mizael Gonçalves de Oliveira. Tem 500 alqueires de boas terras com 120.000 pés de café, bons pastos, matta virgem, boa morada moradia e solida e elegante construcção, onde estão montadas as machinas de beneficiar café."
    • "Fazenda Redempção, do sr. dr. Cleophano Pitaguary. Tem 200 (1) alqueires de boas terras, com 50.000 pés de café, pastos e matta virgem."
    • "Fazenda Thesouro do Sul. Tem 90 alqueires de boas terras com 30.000 pés de café e pertence ao sr. Augusto Bretas."
    • "Fazenda Thesouro de Brilhantes. Pertence ao dr. Carlos Gonzaga, tem 150 alqueires de boas terras e 60.000 pés de café."
    • "Fazenda Recreio. Pertence ao sr. Olympio Braga. Tem 220 alqueires de terras e 101.000 pés de café."
    • "O sr. Francisco Luiz Pereira tem no districto do Oleo uma fazenda com 180 alqueires de terras e 100.000 pés de café; o sr. Joaquim Jorge de Moura tem, no mesmo districto, 121 alqueires de terras, com 29.000 pés de café; a viuva Barreira tem, ali também, 35.000 pés de café; o sr. José Bernardes de Souza tem 16.000 pés de café; o sr. José Francisco da Silva tem também 16.000 pés de café, e d. Dulcena tem 15.000 pés de café."
  • "O municipio, apesar de desprovido de estrada de ferro, tem ja muito boas fazendas e uma população cafeeira de 2.265.272 pés, o que revela o futuro brilhante que o espera, quando tiver melhorado o preço do café e for servido pela ferro-via, e nem só pela cultura do café se pode vir a distinguir, mas por qualquer dos outros ramos da lavoura."
  • "Como o milho ali produz muitissimo, a engorda de gado suino póde fazer a prosperidade d'aquella zona e, entre nós, um concorrente da América do Norte no fornecimento de productos do gado suino."
  • "São muito proprias as terras de Santa Cruz do Rio Pardo, para a cultura de tuberculos, que ainda hoje importamos em larga escala do extrangeiro. São, em summa, de uma variada aptdão agrícola, e por isso o seu futuro será forçosamente brilhante." - (José Amandio Sobral - Inspector da Secretaria dos Negócios da Agricultura, do Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo, 5º Distrito, apud Correio do Sertão, Ano I nº 47, publicado aos 07 de fevereiro de 1903, páginas 1 e 2, republicado em 14 de fevereiro de 1903, páginas 1 e 2).
A matéria destacava as qualidades das terras santacruzenses "que não tem inveja às melhores de outros municipios d'este mesmo Estado.", cuja "(...) rocha formadora das terras do municipio, a mesma rocha que deu as terras do Ribeirão Preto e de S. Manoel do Paraiso ..."
Lamenta o 'Correio do Sertão' que o relatório do Inspetor da Secretaria da Agricultura tenha omitido a Fazenda Santa Maria, de propriedade do Sr. Arlindo Vieira Paes, "uma das melhores do municipio, bem montada, e com bôas bemfeitorias, não figura no alludido estudo, quando suas terras são eguaes em tudo às terras do tn. sr. Henrique Bueno e dr. Pitaguary. Esta fazenda tem 358 alqueires de terras boas e 40.000 pés de cafés formados."
Corrige, ainda, que '(1)': "Houve engano por parte do informante. A fazenda do dr. Cleophano Pitaguary tem mil alqueires de terras boas e já então continha 120.000 pés de café".
Em 1903 já eram muitas outras fazendas com plantações de cafés, não menos importantes que aquelas citadas no trabalho do funcionário público José Amândio [Amandio] Sobral, Inspetor do 5º Distrito.
  • Fazenda Santa Izabel do Ipê: do Tenente-Coronel José Mathias d’Almeida Barboza;
  • Fazenda Três Barras: subdividida entre os proprietários José Camilo dos Santos, Firmino Leme, José Alves de Oliveira e outros;
  • Fazenda Areia Branca: de Francisco Antonio Gonçalves, Pedro Nolasco da Silva e outros;
  • Fazenda Perobas: de Antonio F. de Oliveira Piedade, D. Guilhermina Botelho e outros;
  • Fazenda Aparecida: do Juiz de Direito Augusto José da Costa;
  • Fazenda Mandassaia: do Padre Bartholomeu Comenale, Tenente Manoel Pereira Tavares e outros;
  • Fazenda Crissiumal: do Tenente Fernando de Paula Lima, Antonio Dionyzio Pereira e outros;
  • Fazenda Poção: de Joaquim Bueno e outros;
  • Fazenda Ribeirão Grande: de José Antonio de Moraes [Peixe], Martinho Pires, Pedro Faustino e outros;
  • Fazenda do Barreiro: de João Faustino, a viúva Andrade - Dona Umbelina Maria de Jesus, José Borges Pereira e outros;
  • Fazenda Mandaguahy: do Major João Evangelista da Silva, viúva Borges – Anna Rosa de Oliveira, e outros;
  • Fazenda Lageado: dos senhores Claudino José Bernardes, seus irmãos e outros;
  • Fazenda Brumado: de Emygdio Dias d’Almeida;
  • Fazenda Cocaes: da Companhia Lidgerwood Manufacturing Companhia Ltda;
  • Fazenda Tres Ilhas: Pedro Manoel de Andrade e outros;
  • Fazenda Douradinho: Joaquim Duarte e outros;
  • Fazenda Dourado: Capitão Francisco Narcizo Gonçalves;
  • Fazenda Figueira: João Domingues Martins, Manoel Eugenio Soares e outros.
Alguns destaques são observados:
  • A Fazenda Cocaes foi adquirida em leilão – pela credora Lidgerwood, de José Custódio de Souza, o pioneiro na plantação de café na região de Santa Cruz do Rio Pardo, no ano de 1887. Custódio não suportou a crise cafeeira de 1901 e faliu, juntamente com outros aventureiros, colapso que igualmente atingiu o Coronel João Baptista Botelho.
  • A parte maior da Fazenda Mandaguahy - Mandaguary foi adquirida pelo Coronel Antonio Evangelista da Silva - Tonico Lista, em 1903, dos herdeiros e da meeira de Francisco Ignácio Borges, e propriedades menores, distintas e determinadas, divididas judicialmente, cuja divisão homologada por sentença judicial de 19 de dezembro de 1905, transitada em julgado. Em 1916 a Fazenda Mandaguahy, acrescida legalmente de outro quinhão de terras - sentença judicial de 24 de maio de referido ano, possuía 600 mil pés de café (O Contemporaneo, Ano II nº 66), e em 1922 contava com mais de 800 mil cafeeiros.
Foi no ano de 1922 que o Coronel Tonico Lista vendeu Fazenda Mandaguary [Mandaguay] à Sociedade Anônima Moinho Santista, conforme "escritura pública lavrada nas notas do sexto tabellião da Capital Thiago Mazagão, em trinta e um de Janeiro deste anno [1922], livro numero duzentos e vinte um, folhas quarenta verso, devidamente transcripta no Registro hypothecario desta Comarca, no livro numero trinta e sete, paginas cento e vinte e oito, sob numero 11.189, a tres de Fevereiro deste anno..." (DOESP, 15 de setembro de 1922, página 16 e 17, Juízo de Direito da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, em edital de comunicação de propriedade e abertura de prazo para contestação). A fazenda, consoante mesma publicação, era assim composta de: "... oitocentos e um alqueires, (...), oitocentos e poucos mil cafeeiros, casa e morada, de administração, de colonos, machina de beneficiar café, serraria, moinho, terreiros ladrilhados, e mais bemfeitorias existentes dentro do perimetro ...". 
3.  Produtividade cafeeira
No ano de 1870 as grandes lavouras cafeeiras de São Paulo ainda não ultrapassavam Botucatu, permanecendo concentrada no Vale Paraíba, porém se sabe das primeiras experiências em Santa Cruz, quando já constavam estabelecido os planos para recebimento de linha férrea. 
No ano de 1874 são notadas plantações pioneiras de café no Vale Paranapanema (Leoni, 1979: 28), e as primeiras produções, a partir de 1877, conduzidas em carros de boi até o porto de Lençóis [Paulista] ou o entreposto de São Manuel. 
A produção de café dita experimental, para Santa Cruz e região, não era significativa em 1877, porém já fazia parte do encaminhamento de seus outros produtos transportados nos carros de boi, nos carretões e no lombo das tropas, que pelos espigões demandavam os tradicionais locais de embarques, chegando já à estação de Rio Claro [em funcionamento desde 1875], conforme relatório pela Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo:
  • "(...) a direção ainda hoje [1890] preferida pelo comércio da zona do rio Pardo aos confins do Sertão povoado. Esta direção, que aliás nos não parece a mais conveniente, visto obrigar a grande circuito pelo centro do Estado antes de atingir a sua legítima saída no porto de Santos, terá de ser abandonada com o prolongamento da ferrovia Sorocabana, uma vez vencido o espigão divisor dos dois vales. Então todo o vale do Paranapanema não será mais do que um monopólio da mencionada ferrovia." (1890: Boletim nº 4).
A mesma Comissão faz, inclusive, a revelação que "O comércio, pela via fluvial do Paranapanema, é insignificante; mas vai crescendo aquele efetuado pela estrada do sertão às costas de animais e dos ronceiros carros puxados por bois." 
Entretanto, tudo poderia ser melhor e antes, senão o agravamento da guerra com o Paraguai a impor atenções bélicas em detrimento ao avanço da estrada de ferro, rumo ao Planalto Ocidental Paulista. 
O progresso teimou não chegar e as lavouras pouco progrediram e quase nada avançaram territórios, pela distância e dificuldades transportes das produções. "O comércio no vale do Paranapanema ressente-se muito da falta de boas vias de comunicação; por isso escasseiam um tanto os produtos de exportação da lavoura e tomam a dianteira os da criação, que por si só fazem frente ao comércio de importação." (CGGESP, 1890: Boletim nº 4).
Depois surgiram as consequências pós-guerra, o endividamento do Brasil com a Inglaterra - financiamento da guerra, o elevado custo governo-igreja e o senado vitalício, a emissão de moedas, a inflação, os problemas militares e escravistas, como exemplos da ampla crise que envolveu todos os segmentos sociais e setores econômicos da vida nacional. 
A despeito das dificuldades Santa Cruz mostrava-se região bem sucedida, nos anos de 1877, até em causa da própria guerra com o Paraguai, quando sua produção deixou de ser 'economia de subsistência', e então lançados no mercado para satisfazer necessidades da população crescente e das caravanas que se embrenhavam nos sertões. Também cresceram suas invernadas para criação do gado vacum e de suínos. 
Mas a produção cafeeira exigia muito mais que isto para se tornar eficiente, e assim, Santa Cruz dependia da ferrovia para plantios em escalas de exportação. 
Iniciaram-se, desde então, no ano de 1887, as grandes lavouras com a inaugural de José Custódio de Souza, da Fazenda Santa Clara, mais de dez mil pés de café, com estrutura montada na mão de obra escrava disponível, com excelente produção e lucros em 1890 / 1891.
Outros fazendeiros seguiram os passos de José Custódio com algumas plantações anteriores a abolição e depois centrada nos forros que pagavam liberdade negociada – antes da Lei Áurea, e na mão-de-obra indígena disponível.
A despeito do sucesso do café, em 1890 tem-se o indicativo que a exportação regional é deficitária em relação à importação, segundo Teodoro Sampaio: 
  • "Enquanto do vale saem anualmente pouco mais de 3.000 toneladas de café, algodão e fumo, no valor de cerca de 1.900:000$, os produtos da indústria pecuária, só quanto ao gado suíno e bovino, apresentam um total de perto de 4.000:000$000. O comércio de importação, representado por tecidos de vários gêneros, chapéus, calçados, louça, ferragens, açúcar, farinha de trigo, bacalhau, sal, vinho, cerveja, licores, drogas medicinais etc., é bastante avultado (...). O pequeno comércio entre Botucatu e a barra do Tibagí, a não ser o do gado bovino que vem do Paraná e dos sertões novamente povoados para além de Campos Novos, pouca importância tem: um pouco de café que vai para o Jataí e para Mato Grosso, algumas fazendas, bebidas, ferramentas, etc., eis os principais artigos de importação. O café é entretanto o mais rendoso neste pequeno comércio: comprado a 4$000 por arroba em São Manuel ou Botucatu (sem ser ensacado) vem a valer com o transporte para a barra do Tibagi de 6$000 a 7$000, levado para Mato Grosso, por via fluvial, é vendido no porto de desembarque a 18$000 ou 20$000, geralmente a troco de gado, que, às mais das vezes, é preciso ir vender ao Paraguai." (CGGSP, 1890: Boletim nº 4).
Não sem razões o Capitão José Gomes Pinheiro Machado, fazendeiro botucatuense e vereador em Itapetininga, alertou da tribuna da Câmara itapetiningana [já em 1845] a viabilidade de se explorar o Pardo e o Paranapanema, destacando: "Onde faz barra o rio Pardo no Paranapanema há um extenso terreno coberto de matas de cultura muito boas, e apropriado o lugar para edificar-se uma colônia estrangeira, lugar salubre ..." (Donato, 1985: 57).
Para o equilíbrio das contas e saldo positivo o mesmo relatório CGGSP recomenda a necessidade de incrementar o comércio de importação e exportação, para o barateamento dos produtos, evidenciando que "A linha férrea Sorocabana, que ainda não penetrou no vale do Paranapanema, seu principal objetivo, é agora o natural escoadouro desta região, não obstante estarem ainda muito distantes do rio as suas estações mais favoráveis, o que ainda torna muito pesados os fretes para artigos de importação. (...)." e, evidentemente o da exportação.
O Brasil buscou socorro internacional, com garantias suficientes para o capital estrangeiro nele ampliar sua presença, através de grandes investimentos junto ao governo e aos grandes empreendedores nacionais, facilitando-lhes o crédito e financiando o desenvolvimento industrial vinculado à economia cafeeira. A cultura cafeeira somente é compensadora em grande escala.
Tais necessidades foram supridas pela Inglaterra, nação capitalista e de recursos industriais. Relatórios britânicos apontaram o Brasil potencialmente viável para grandes investimentos, com garantias de bons lucros, e o Vale Paranapanema era visto como lugar de futuro às pretensões européias: terras para desbravamento e bons locais para estabelecimento de colônias estrangeiras em favor da Alemanha, Espanha e, principalmente, da Itália. 
A conquista do sertão oeste paulista, com a eliminação do índio, permitiu a aplicação do capital inglês na região, financiando abertura de estradas de rodagem e férrea, construções de pontes e portos fluviais de maneira a incentivar produções excedentes, lucrativas, com garantias de escoamento rápido. 
A extensão dos trilhos abriu novos povoados, enriqueceu os antigos, e, assim, possibilitou as colocações de tecnologias inglesas como as máquinas a vapor para as industrias e fábricas diversas e as instalações de geradores de energia elétrica, sinônimos de progressos e fenômeno agregativo de grandes lucros aliados às especulações imobiliárias.
Nisto se pode visualizar a nova ordem econômica mundial ditar regras para o Brasil, ou seja, a implementação capitalista de produção em atividades organizadas nas grandes lavouras de café e outras culturas. Na Alemanha [desde 1873] surgira o "primeiro consórcio internacional para controlar o comércio do café.", seguido após pelos norte-americanos [1880] para assim a "... formação de um truste de importação e de venda do café." (Tidei Lima, 1978: 107).
A valorização do produto no mercado externo tornara mais vigorosa a expansão cafeeira no oeste paulista, onde muitas terras ainda intocadas e adequadas para o plantio e melhor produtividade, sobretudo diante dos métodos mais racionais de se trabalhar o solo. 
O fim da escravidão negra, em 1888, sem dúvidas fez cessar a base do modelo agrícola até então utilizado e fundeado na produção escravista o que garantia o barateamento do custo com mão-de-obra. Em muitos lugares, mesmo aguardada, a abolição gerou uma crise da produção agrícola e promoveu a disputa de localidades para a importação de mão de obra.
Em Santa Cruz houve o denominado período de transição entre mão-de-obra escrava negra com a mão-de-obra livre, de 1888 até os primeiros anos do século XX, valendo-se dos contratos de libertação antecipada dos negros e a mão-de-obra indígena em substituição aos libertos. 
Outro detalhe, enquanto alguns lugares buscavam o 'branqueamento da raça' em Santa Cruz não aconteceu isto, optando os fazendeiros em contratar o negro já seu conhecido e muito mais camarada que os politizados 'anarquistas' italianos e suas querelas trabalhistas.
Desta maneira Santa Cruz não sentiu a abolição, tanto que suas primeiras famílias italianas deram entradas como negociantes e construtores e não trabalhadores rurais, antes do fim do século XIX. 
Os imigrantes ruralistas deram entrada  apenas a partir de 1901 / 1902, na intitulada imigração espontânea.
Já na entrada do século XX o Brasil experimentava a primeira crise cafeeira. Em 1902 os pioneiros no plantio de café na região de Santa Cruz do Rio Pardo, José Custódio de Souza e outros, foram à falência, com a queda internacional do preço do café e sem a garantia do governo brasileiro, em razão do débito com a empresa de investimentos 'Lidgerwod Manufacturing C.º Limited'. 
O Brasil não vinha bem, financeiramente, quando assumiu Campos Salles assumiu o governo, 1898 -1902, com promessa de revitalização posta em prática numa equivocada política deflacionária, ao promover a revalorização do mil-réis frente à libra, com uma quase equiparação artificial, o que fez despencar a economia brasileira, refletida na imediata queda de preço do café no mercado externo, fazendo quebrar os cafeicultores iniciantes, como o caso dos irmãos Custódios e outros em Santa Cruz do Rio Pardo. 
O café despencara de quatro para meia libra por saca, fazendo com que os cafeicultores recebessem menos pela venda de seus produtos. Não suportaram os cafeicultores Tenente José Custódio e outros condônimos das Fazendas Santa Clara e Cocaes, foi assim descrito os bens e valores para hasta pública: 
  • "(...) Oitocentos alqueires de terras, presumiveis, em mattas, sitos na Fazenda 'Santa Clara', desta Comarca, sendo ditas terras proprias para café a sessenta mil réis o alqueire, quarenta e oito contos de réis, setecentos alqueires de terras, presumiveis, na fazenda 'Cocaes', anexa a primeira, em mattas proprias para café a trinta mil reis ou vinte um conto de réis; quinhentos alqueires de terras, de serrado e samambaia, a quinze mil reis o alqueire, ou se contos e quinhentos mil réis, uma casa de morada, coberta de telhas, assoalhada, construcção de madeira, por tres contos de réis; uma machina de beneficiar café, serraria e accessorios, tudo funcionando e em bom estado, por doze contos de réis; uma casa, onde se acha a mesma machina, em muito bom estado, por seis contos de réis; um paiol, contruido de madeira, por quatrocentos mil réis; um moinho, por quinhentos mil réis; um momjollo e casa de telhas, por duzentos mil réis; uma casa de telhas, situada no campo, por cento e cincoenta mil réis; uma outra, construida de taboas e coberta de sapè, por cem mil réis; uma dita contruida de paus a pique e coberta de telhas, por quatrocentos mil réis; uma dita, em identicas circumstancias, por duzentos mil réis; uma dita, coberta de telhas, por quinhentos mil réis; tres casinhas, cobertas de sapè, com monjollo e pomar, por tresentos mil réis; uma outra, cercada de taboas e coberta de telhas, onde actualmente mora Joaquim Custodio, por um conto e duzentos mil réis; um paiol, por duzentos mil réis; um pasto gramado, cercado, quasi todo, de arame, por um conto e quinhentos mil réis, quatro potreiros, divididos, plantados de grama, por cinco conto de réis; umca casa em que mora João Custodio, por duzentos mil réis; vinte quatro mil pés de café, por doze contos de réis; um grande açude, com rego d'agoa, sendo esta sufficiente para mover qualquer machinismo, por quatro contos de réis; um outro rego d'agoa, independente do açude, por seiscentos mil réis, um gramado, cercado, em parte de arame, por um conto e quinhentos mil réis; oitocentas braças de vallo, por oitocentos mil réis; cem braças de cerca de arame, por cem mil réis; nove bois de carro, por setecentos e vinte mil réis; um carro e um carretão, por sessenta mil réis, prefazendo o total de cento e vinte oito contos duzentos e trinta mil réis, que com o abatimento de mais dez por cento, fica reduzido a somma e quantia de cento e tres contos oitocentos e sessenta e seis mil e tresentos réis."
  • "(...)." (Correio do Sertão ano I nº 39, 06 de dezembro de 1902, Edital de Leilão, página 3).
Do arremate, O Correio do Sertão informa, em sua edição de 13 de dezembro de 1902, página 2 (ano I nº 40):
  • "No dia 6, conforme edital,publicado nesta folha, foi à terceira praça, nesta cidade, a fazenda Santa Clara, avaliada por 128:230$000, sendo arrematada por 30:500$000". 
  • "Esta fazenda se compõe de 2 mil alqueires de terras superiores, 24 mil pès de café formado, machina para beneficiar café, serraria, moínho, casas de moradia, de machinas e de empregados e muitas outras bemfeitorias. O seu antigo proprietário, antes de assentar as machinas, regeitou por ella 300 contos de réis:" 
  • "Infeliz lavoura, em que estado te deixou o malfadado governo dos srs. Campos Salles, Murtinho e Cª!" 
A própria companhia 'Lidgerwod Manufacturing C.º Limited' tornou-se proprietária dos bens leiloados, com forte investimento na mesma cultura do café. 
Da falência das fazendas Santa Clara e Cocaes, salvou-se o proprietário de uma segunda parte da Santa Clara, o Dr. Bento Barata Ribeiro, Procurador da República em São Paulo (DOESP, de 29 de outubro de 1892, página 3), também dito Senador - Estado do Rio de Janeiro, em 1902, (Correio do Sertão ano I nº 6, 12 de abril de 1902, página 2), que a havia repassado ao financista Claudio de Arruda Camargo.
Barata Ribeiro teria informações privilegiadas para a compra de parte da Fazenda Santa Clara, como especulador. Da venda da propriedade a Arruda Camargo surgiu, pela primeira vez, o nome do Coronel Antonio Evangelista da Silva, o Tonico Lista, no noticiário jornalístico:
  • "Secção Livre: Ao Publico"
  • "Quando vim receber a fazenda 'Santa Clara' que comprei do sr. dr. Bento Barata Ribeiro, pertencente a este municipio, encontrei como administrador o sr. Jeronymo José dos Santos, hoje residente em Avaré; este homem não quiz me fazer entrega da referida fazenda, allegando ter a Fazenda umas contas a pagar ao snr. Antonio Evangelista da Silva, negociante residente nesta villa, que havia passado duas ordens contra o dr. Barata e que não tinham sido cumpridas, ordens estas no valor da dita divida que a fazenda devia" (Correio do Sertão, ano I nº 39, 06 de dezembro de 1902, página 3).
O declaratório prossegue, porém sem interesses para o presente tópico, apenas que enquanto as providências tomadas ou pretendidas por Arruda Camargo, Tonico Lista fez retirar daquela fazenda o equivalente em café ao valor da dívida a receber. 
Três anos após a entrada da 'Lidgerwod Manufacturing C.º Limited' diretamente na lavoura do café, o produto tornou-se novamente acreditável e fortemente lucrativo e a transformação santacruzense foi enorme, com o surgimento dos novos ricos ao lados dos coronéis agora os 'barões do café'.
A cultura cafeeira que estava entre uma das causas do suicídio do Coronel João Baptista Botelho, em 1902, agora transformava o seu herdeiro político Antonio Evangelista da Silva, casado com sua viúva multimilionária, no maior cafeicultor regional, através da Fazenda Mandaguary [Mandaguahy], que em seu auge atingiria mais de novecentos mil pés de café.  
No período da crise cafeeira de 1901 / 1902, a policultura fez o sucesso santacruzense com a produção voltada para a exportação, desde os gêneros de primeira necessidade, às vendas do fumo, dos derivados da cana e também o algodão que, apesar das oscilações e pragas, no início do século, ainda era o ouro branco. 
Essas culturas mantiveram preços excelentes e motivadores para os cultivadores, de acordo com as considerações inseridas naquele Boletim de nº 4 (CGGESP, 1890). 
Entende-se que o município de Santa Cruz do Rio Pardo, consoante visão e estudos de Santos Silva (1954: 10-11 - Revista Panorama ano 1 nº 1), foi o município mais desenvolvido comercialmente no Vale Paranapanema, num momento "... que transformou a economia das áreas mais antigas, que de pastoris passaram a agrícolas (cafeeiras), bem como tornou possível a exploração das ubérrimas terras situadas ao sul do rio Pardo, terras roxas, terras de mata, e que até então haviam sido deixadas à margem pela economia e povoamentos anteriores." 
O sucesso santacruzense do século XIX trouxe-lhe acumulação de capital no complexo agropecuário que se refletiria em boa parte do século XX, com fortes impactos na sua urbanização destacadamente após a chegada da ferrovia que, além das mercadorias e pessoas que chegavam, havia principalmente o escoamento em grande escala das mercadorias da região, como o café, algodão, alfafa e outros produtos agrícolas e a madeira, além do transporte de cargas vivas, bovinos, suínos, muares e aves, sem dizer dos passageiros locais que com facilidade e conforto podiam se deslocar para outros centros. 
4.  Imigrações
Santa Cruz do Rio Pardo não esteve entre as primeiras localidades a receber os imigrantes europeus para a mão de obra ruralista, recorrendo à continuidade dos serviços compulsórios gratuítos prestados pelos indígenas de destroços tribais. O município não estava, portanto, integrado com o Sistema de Imigração que tinha, como prioridade, a urgente mão-de-obra estrangeira para núcleos exclusivamente vinculados às fazendas de café, nem se enquadrava ao Sistema de Colonização.
A união destes fatores trouxe indústrias de máquinas agrícolas, aumento do comércio e variedades, fábricas de móveis, imprensa, oficinas, residências para novos chegadores e as expansões de bairros e loteamentos.
Apenas no século XX os agricultores santacruzenses, em especial os cafeicultores, a exemplo dos fazendeiros do centro sudoeste paulista, de Ribeirão Preto e outras regiões agrícolas, associaram-se para o emprego de mão de obra imigrante mista, através de empresas contratantes, na denominada segunda marcha de expansão do café e demais culturas iniciada já no século XX. Santa Cruz destacou-se nessa fase, após a chegada da ferrovia, fator determinante para o escoamento da produção agrícola.
A despeito das informações acima, no ano de 1895, o engenheiro, fazendeiro e político em Santa Cruz do Rio Pardo, Dr. Estevam Ribeiro de Assis Rezende, inscreveu-se junto ao governo brasileiro para concorrência de contratação subsidiada de imigrantes de qualquer procedência para mão de obra rural no estado de São Paulo, "... devendo a concorrência versar sobre as melhores vantagens offerecidas aos immigrantes, ..." (R.SNA..., 1895: 49). 
À página 50, do mesmo expediente, a proposta do Dr. Rezende foi a seguinte:
  • "Passagens inteiras, qualquer procedencia, £ - 4 - 9 - 0."
  • "Passagems meias, qualquer procedencia, £ - 1 - 5 - 0."
  • "Passagens quartas, qualquer procedência, grátis."
  • "Prazo para execução do contracto dezoito meses."
  • "Prazo para pagamento 150 dias."
  • "Prazo para demora a bordo em Santos 6 horas."
O Dr. Estevam Ribeiro de Assis Rezende requereu do Governo do Estado de São Paulo a nulificação de sua proposta e o levantamento de caução, com deferimento, conforme expediente oficial de 16 de janeiro de 1896 - Requerimentos Despachados (DOESP, 18 de janeiro de 1896, página 1). 
É difícil precisar o número de imigrantes, origens e quantidades vindas para Santa Cruz do Rio Pardo, para o trabalho de mão de obra rural, Nem todos imigrantes entravam pelo Porto de Santos, e daqueles que entravam muitos, a maioria, não passavam pela Hospedaria e, portanto, os registros perdidos: "Dos 30.792 immigrantes espontaneos do anno 1908, 20.780 entraram pelo porto de Santos, 303 pela Estrada de Ferro Central e 709 por outras estradas de ferro, mas sómente 7.422 passaram pela Hospedaria da Capital." (R.SNA..., 1908: 116). Para época contam 103 (cento e três) imigrantes espontâneos para Santa Cruz do Rio Pardo, sem detalhes de procedencias [origens]  (R.SNA...,1908: 124).
Em 1911 são 1.829 europeus para Santa Cruz, com passagens pela Hospedaria de Imigrantes de São Paulo (R.SNA..., 1911: 137); no ano de 1912 entraram 1.386 deles (R.SNA..., 1912/1913: 193); e em 1913 outros 1.589 (R.SNA..., 1912/1913: 193). 
No exercício de 1914, Santa Cruz do Rio Pardo recebeu 11.114 imigrantes (R.SNA..., 1914: 168), o maior número registrado; para 1915 foram 1.183 e, em 1916 outros 483 (R.SNA..., 1916: 162); no ano de 1917 entraram 668 imigrantes (R.SNA..., 1817: 124), enquanto em 1918 foram 224 (R.SNA..., 1918: 124).
Ausência de imigrações para a localidade entre os anos 1919 e 1921, registrando-se em 1922 o número de 576 imigrantes (R.SNA..., 1922: 91), com elevação numérica em 1923 quando computados 1.109 imigrantes (R.SNA..., 1923: 107).
A primeira grande crise do café, no início do século XX (1901/1902) em razão da superprodução e barateamento do produto diante da política de Campos Salles, não abateu os grandes plantadores que, no entanto, não resistiram as conseqüências de 1929.
Santa Cruz não abandonou as culturas de cereais nem desprezou as plantações do algodão, da cana e, mais tarde da alfafa, mantendo inclusive a criação de gado, entre suas atividades de produção, mas foi a cultura do café a grande mola propulsora do seu progresso e que lhe trouxe os trilhos da estrada de ferro, objeto de pesado investimento municipal, antecipando-se às aplicações estrangeiras e modificações ao meio de vida sertanejo, quando:
  • "No início do século [XX], empresas estrangeiras instaladas no país, como a anglo-canadense Light e Cia; Power e a norte-americana Bond and Share, ampliaram os serviços urbanos de água, esgoto luz e transportes. (...). A indústria da carne é dominada pelos frigoríficos Wilson, Armour, Swift e Anglo; os vagões ferroviários são feitos pela fábrica norte-americana Pullman (...) na siderurgia, os franceses e belgas tomam a dianteira com a Companhia Belgo-Mineira. (...)." (Professor Josias, 2008: 13 e 15).
Sem dúvidas os ingleses investiram nas estradas de rodagem, nos portos fluviais e nas ferrovias, encurtando caminhos para melhor se adequar à produção em grande escala para atendimento ao mercado consumidor. Exatamente o binômio transporte / agropecuária responsabilizou-se pelo aumento e progresso de indústrias, evolução dos povoados em cidades. 
Os agricultores santacruzenses não cometeram erros de culturas intercalares de cereais com café. Tinham experiências de cafeicultores de outras regiões tais eram prejudiciais e só funcionavam durante certo tempo e, depois se tornavam deficitárias pelo empobrecimento do solo; da mesma forma sabiam inserir culturas de ciclo rápido que servem de adubo verde aos cafezais, e o esterco de gado.
Hoje as técnicas são outras e o "Feijão, milho, arroz, outras, são lavouras indicadas para consórcios na formação do cafezal notadamente naqueles em que se usa irrigação; outra opção é a fruteira de ciclo curto - mamoeiro, maracujazeiro, bananeira - que é plantada um pouco antes ou juntamente com o cafeeiro." - (SEAGRI, SD: 9). 
As grandes lavouras de café, portanto, decorriam sem descuidos das demais lavouras, embora o conflito que o café requisitava mais mão de obra e por mais tempo. Óbvio que a prosperidade maior dos cafeicultores da região se deu em razão de apenas um grupo restrito de plantadores em grandes extensões de terras, enquanto destinadas outras culturas para os demais agricultores e todos se beneficiavam.
As lavouras de gêneros alimentícios e a pecuária tiveram fortes impulsos em razão dos surgimentos de diversos povoados e o crescimento urbano dos grandes centros consumidores, além do mercado de exportações.
No ano de 1923, o Quadro Estatistico de Lavoura de Café do Estado por nacionalidade e localidade, consta para Santa Cruz do Rio Pardo total de 319 propriedades cafeeiras, sendo 70 delas de estrangeiros, destacando números de pés de cafés 6.683.100 para os brasileiros e 2.000.000 para estrangeiros, numa porcentagem correspondente a 29,9% (R.SNA/SP (...), 1923: 120).
Dos imigrantes, por nacionalidade, são proprietários de lavouras de café no município:
  • "Italianos: 57 propriedades com 1.266.000 pés de café;"
  • "Portugueses: 2 propriedades com 93.000 pés de café;"
  • "Espanhóis: 7 propriedades com 74.000 pés de café;"
  • "Alemães: 1 propriedade com 7.000 pés de café;"
  • "Diversas nacionalidades: 3 propriedades com 560.000 pés de café."
  • (R.SNA/SP (...), 1923: 121).
4.1.  Os italianos
"A imigração Italiana para o estado de São Paulo teve início oficialmente em 1874, quando chegaram os cincos primeiros Italianos. Os núcleos agrícolas pioneiros foram estabelecidos em Cananéia e Iguape, em 1877." (Diário do Rio Claro, 24 de junho de 2007, apud Custódio). 
As primeiras famílias italianas para Santa Cruz do Rio Pardo chegaram antes de 15 de novembro de 1889 e, entre elas destacam-se os filhos [nascidos estrangeiros] das famílias Bertoncini, Carlomagno, Carmelinem, Guidies [Guido], Marchezotti, Finelli, Dasini, Setti, Nelly e Genuta, inscritos eleitores (Mapa Oficial do Alistamento dos Eleitores do Município de Santa Cruz do Rio Pardo, 1890). Igualmente é citada a família Alóe, por Francisco Alóe que “instalou-se em Santa Cruz do Rio Pardo, por volta de 1888 (...). O italiano era folheiro de profissão, mas logo se tornou um bem sucedido comerciante” (Junqueira, 2006: 249).
São muitas outras famílias italianas que fixaram residência em Santa Cruz do Rio Pardo, comprovadas por documentos e centenas de fotos, inclusive retratando festas e solenidades. Enumerá-las todas seria preciso trabalho exclusivo, mas nem todos os imigrantes italianos chegaram a Santa Cruz para atividades agrícolas, ou, então, rapidamente se apartaram do emprego ruralista, tanto que em 1890, eram:
  • Negociantes: Antonio Bertoncini, filho de Ângelo Bertoncini; Francisco Marchezotti, filho de Domingos Marchezotti; Silvestre Setti, filho de Antonio Setti, com registro de entrada de um senhor Antonio Setti em 24/outubro/1888.
  • Artistas: Francisco Carlomagno, filho de Donato Carlomagno [o velho]; Henrique J Carmelinem, filho de João Carmelinem; Carlos Guidies, filho de Martini Guidies; Moysés Nelli, filho de Nicolau Nelli; Miguel Finelli, filho de Nicolau M Finelli; Martini Dasini, filho de José Dasini. Artista tinha por significado profissionais autônomos, geralmente aqueles que trabalhavam com madeiras, exemplos, construtores de casas, carpinteiros, marceneiros e artesãos em geral.
  • Médico: Samuel Genuta (Dr.), filho de Vicente Genuta Ternuta, em Santa Cruz do Rio Pardo pelo menos desde 1883, quando seu nome aparece num abaixo assinado - pedido popular para a transformação do lugar em sede de comarca.
O semanário O Paranapanema (ano I nº 1), em edição de 30 de novembro de 1895, estampou alguns outros nomes de italianos: "Moysés Nelli [já referenciado] – Delegado de Polícia; Raphael Totti, proprietário da Padaria Secos e Molhados, à rua Conselheiro Antonio Prado esquina com Saldanha Marinho; e Emílio Piagentini, estabelecido no ramo de bebidas – Fabrica de Bebida Nacional, na Rua Conselheiro Antonio Prado, nº 12". 
São outros nomes de famílias italianas conhecidas, ainda no século XIX, em Santa Cruz do Rio Pardo: "Colli e Ravedutti'. 
De todos italianos santacruzenses do século XIX, sem dúvidas, o destaque maior foi Moysés Nelli, Coronel da Guarda Nacional, próspero fazendeiro e metido em política, sendo eleito vereador em algumas legislaturas, autoridade policial e judicial. Junqueira (2006: 60) cita-o representante da colônia em Santa Cruz do Rio Pardo, nos primeiros anos do século XX.
Após Nelly destacou-se representante da colonia italiana santacuzense, o senhor Alberto Sacazzola, hoteleiro e Agente consular Italiano (O Contemporaneo, ano II nº 60, 24 de setembro de 1916, página 1). 
A presença italiana foi de extrema importância em todos os setores da sociedade: "Os italianos não se limitaram a trazer apenas mão-de-obra para o Brasil. Com elas também vieram as idéias trabalhistas, sindicais e políticas, dando inicio ao movimento socialista e, depois, fascista. Diante dos maus-tratos dos patrões, os colonos Italianos recorriam à Justiça, sob a proteção de seus consulados. Para os patrões, a posição tomada pelos colonos era totalmente nova, já que eles estavam acostumados ao regime escravocrata." (Custódio).
Aparentemente de temperamento difícil, Coronel Nelli celebrizou-se, sem méritos de juízo, por umas tantas renúncias de cargos ocupados por eleição ou nomeação. 
Em 1902 quando o Coronel Botelho foi derrotado e alijado do poder pelo grupo de Francisco de Paula Abreu Sodré e de Costa Junior, Moysés fiel companheiro de Botelho renunciou o cargo de subdelegado, quando sua permanência era de extrema importância para o grupo derrotado e que se fizera dissidente. Nelli apresentou-se efetivamente rompido com a dissidência, quando esta decidiu não participar das eleições estadual e local - para juiz de paz, em 1902, e ele, contrariando fidelidade, elegeu-se juiz de paz.
Muitas famílias italianas tiveram dificuldades no Brasil, com alguns casos descritos ao longo deste trabalho.
O casal italiano Mariani, Antonio Raphael (Rafael) e Colomba Parducci, formador de famílias santacruzenses, entre elas a Mariani e Cid (avós do colaborador Gastão Cid), é o típico exemplo de imigrantes que nos primeiros anos sofreram com os problemas do idioma, cultura e as  discriminações sociais e políticas.
  • Dona Colomba Mariani foi protagonista de um incidente de trânsito em Santa Cruz do Rio Pardo, aos 03 janeiro de 1903, que se transformou em caso policial e político, a culminar com detenção de Antonio Galvão, diretor do hebdomadário Correio do Sertão, que lhe saíra em defesa.
Das muitas famílias italianas em Santa Cruz do Rio Pardo, com entrada no século XX, são destacados alguns sobrenomes:
  • "Agazzi; Ambrosia; Aregonha; Baggio; Ballo; Begueto; Benetti; Bertoldi; Boaacci; Bozzio; Bozzoni; Brondi; Camilo; Canassa; Cardin; Carminos; Carrer; Cornelli; Criveli; Dalmatti; Dapare; Darroz; Delarissa; Della Libera; Dibastiani; Di Giácomo; Esquinilli; Farani; Ferrazini; Fiori; Franciscon: Fraulin [e]; Furlan; Gasparite; Gazzola; Giovanni; Gozzo; Guido; Leopoldo; Longo; Lorenzetti; Ludete; Luidi (Luidge); Magnani; Maitan; Mantovani; Marcato; Mardegan; Mariani,; Marini; Marquesin; Mascati; Mazzante; Menon; Mioto; Murador; Nardi; Negrini; Nigrioni; Pavanelli; Perin; Picinin; Piveta; Poli; Portezan; Rampaolo; Randrano; Ravanelli; Renofio; Righi; Risi; Rosseto; Sanson; Sarachi; Sartori; Sciarini; Scudeler; Serracini; Simonette; Singolane (Singulani); Tameozo; Tittoneli; Tosini; Venturine; Vidor; Viol; Viotti; Vison; Vuolo e Zanete (Prefeitura SCR. Pardo, Registros de Sepultamentos entre os anos de 1908 a 1929; e Registro de Estrangeiros para Santa Cruz do Rio Pardo - SS/SP -Delpol, 1939).
Alguns italianos santacruzenses foram investigados pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS/SP) pelas participações em manifestos agrários, políticos ou, simplesmente, para informações, nos diversos movimentos registrados no Brasil do século XX, destacando "Antonio Sangali, Ernesto Vedoato [Veodovatto - Vodoto], Ezechielo Ciocci [Religioso Dominicano], Ferrari Firmo, João Veodovato [Veodovatto], José Murador, Josehat Rosati, Luigi Orlandini (Frei), Luiz Brondi, Maria Ferari [Ferrari], Natal Manfrim e Paulo Camillo." (DEOPS: Fichas Policiais para Santa Cruz do Rio Pardo, publicação PROIN - Projeto Integrado Arquivo Público do Estado e Universidade de São Paulo).
Pela mesma fonte, brasileiros 'santacruzenses' - de nascimento ou residência, com sobrenomes italianos, também estiveram sob vigilância ou foram inquiridos pelo DEOPS: Amélia Carvalho Pazzini, Angelo Nicolai, Angelo Pinhata, Antonio Brandileone, Antonio Pellegrini, Clodoveu Pagatto (?), Guido Daineze, Italo Gozzo, José Cammassa (Canassa?), José Rapetti Filho e Luiz Andriolo [Andriolli].
4.2.  Os japoneses
Santa Cruz não teve colonização japonesa empresarial e sim a espontânea, com as chegadas das famílias por indicações, parentescos ou mesmo aventuras.
A imigração japonesa para o Brasil iniciada em 1908 teve seus primeiros residentes em Santa Cruz do Rio Pardo, nos anos de 1920, para as lavouras de algodão, café a alfafa.
Algumas tradições apontam os primeiros japoneses santacruzenses vindos do Vale da Ribeira, após os contratos com a empresa Brasil Takushoko Kaisha, por volta de 1918 / 1920, ou depois, em 1925, do mesmo Vale da Ribeira, pela empresa Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha. Relatórios da Secretaria de Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo atestam presenças de citadas empresas responsáveis pela entrada dos imigrantes japoneses no Vale da Ribeira (R.SNA (...), 1916: 141-148; 1925: 117), contudo não informam destinos das famílias após cumprimento de contaratos ou que tais empresas tivessem dispostas famílias em outras e quais regiões paulistas.
O assunto merece melhores atenções quando da efetiva chegada dos primeiros imigrantes nipônicos, mas a família 'Fukuda' teria sido a pioneira, com presença registrada documentalmente desde maio de 1920, e depois, a partir de 1923 ao ano de 1929, as seguintes famílias japonesas apresentam-se residentes no município:
  • "Ajzem; Banki (família Koba?); Chibase (Chiba ou Chibata?); Endo; Fukuda; Gaya; Gem (Satoyoski); Goshima; Hamaki; Hashimoto; Hitani; Iokimaru; Izumi; Kawamoto; Kido; Kita; Michioka; Midori; Mine; Nagamatsu; Nagasaki; Naguiro (Naguira); Nakamura; Natsuyo (Natsuno?); Nicase (?); Nisaki (?); Nishifuna (?); Nishina; Ogata (Kiota); Okada; Ozaki; Sato; Satu (Satsu?); Sechinza (Chinza?); Shige; Sota (Soutan?); Suindini (?); Sullare (?); Sute (Suto?); Tamagushi; Tanaka; Taniguchi; Tanowa (Tanowaki?); Teozsma C... (Tegima - Tagima?); Thora (Toraya - Torai?); Tomaki; Toyoshi; Shinoda; Ueda; Ueto (Uete - Ueti ?); Umisu (Umezu?); Yamami; Yamashita; Yamazaki; Ynumuro; Yoshida; Yoshisaki; Wakataru (Nituceque Vaccatalu - conforme escrito); Ziu (Chiu?)." - (Registros de Sepultamentos - SCR. Pardo, entre os anos de 1908 a 1929; e Registro de Estrangeiros para Santa Cruz do Rio Pardo - SS/SP -Delpol, 1939, com erros de grafias quanto as transcrições de pronuncias, as inversões de nomes e sobrenomes, a ilegibilidade de alguns sinais gráficos e nomes com escritas diferentes sabendo-se tratar das mesmas pessoas ou famílias).
Numa foto escolar de 1922 estão dois japoneses ou descendentes (desconhecidos os nomes e famílias), juntamente com outros alunos onde reconhecidos o futuro Frei Martinho (o 3º na 2ª fila), Mário Piedade, Octavio Lorenzetti e Alberto Pimentel entre outros, além dos professores Cornelio Martins e Dona Adelia (Délia) - (Foto cedida pelo descendente italiano Luiz [Zito] Berna, também destacado na foto, CD: A/A).
No ano de 1924 a família 'Yoshisaki' é proprietária do Hotel Familiar, em Santa Cruz do Rio Pardo, situado à Rua Marechal Bittencourt (A Cidade, ano XV nº 161, de 18 de abril de 1924, página 6). 
Ainda em 1924 "a japonesa Yone Ynumuro, accusada de haver, ha cerca de tres mezes, em sua residencia nas proximidades desta cidade, assassinado um seu patricio. Defendeu-a, o dr. Vasco de Andrade, que conseguiu a sua absolvição unânime." (A Cidade, Ano XV nº 191, 04 de dezembro de 1924, página 2).
Não se tem o nome da vitima, contudo existe registro datado de 19 de outubro de 1924, referente ao óbito/sepultamento de Nituceque Vaccatalu [respeitada grafia], com idade de 23 anos, sem nenhum outro japones, adulto, falecido no período correspondente ao assassinato cometido por Yone Ynumuro.
Em 05 de janeiro de 1925, 'Ogata Kiota' comunica a Municipalidade que "não continuando neste exercício com o seu negócio de seccos e molhados e hotel de 2ª classe, vem respeitosamente ante V.Exa., requerer a competente baixa, não tendo feito em termo oporttuno por desconhecer a lei Municipal que rege a materia pelo que confiado nos supplementos de V.Exa. pede ser attendido." (Prefeitura SCR. Pardo, Livro de Registros - Requerimentos, exercício de 1925). 
Não há informações confiáveis, por documentos oficiais, que o estabelecimento hoteleiro de Ogata Kiota seja o mesmo que pertencera à família Yoshisaki, na rua Marechal Bittencourt.
Sabe-se de nova chegada de imigrantes japoneses em 1925:
  • "Inspecção Sanitaria: Esteve na cidade o sr. dr. Haroldo Reis, inspector sanitario na Capital, e que aqui veiu especialmente para certificar-se dasa condições de sanidade em que estão os ultimos colonos japonezes ha pouco chegados para a propriedade agricola do sr. José Augusto Junqueira, denominada Santa Clara."
  • "Aconselhando a Directoria do Serviço Sanitario a vaccina preventiva contra o typho e a variola, foram alli vaccinados os colonos, bem como diversas pessoas na cidade."
  • "(...)." (A Cidade, 27/03/1925: 1)."
No ano de 1926 existiam colônias japonesas em Santa Cruz do Rio Pardo, Espírito Santo do Turvo e Chavantes. É o que se depreende de Nota Policial divulgada naquele ano:
  • "Colonos que fogem - O fiscal da fazenda São Domingos - Julio Iokimaro - queixou-se à delegacia de que, na madrugada de 26, os colonos japonezes Satoyoski Gen e Mitrucki Okada acompanhados de suas famílias fugiram da mesma fazenda, onde tinham apreciavel debito, furtando ainda a patricios cobertores e miudezas varias. Ao que consta, os fugitivos tomaram rumo de Espirito Santo ou de Chavantes, onde têm parentes." (A Cidade, edição de 02/05/1926: 2).  
Destaque entre as primeiras famílias nipônicas estava os Banki, pelo menos desde 1927, conforme biografia referente ao Cônego Ângelo Banki: 
  • "Nascido em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) Banki é o sétimo de 10 filhos de um casal que deixou Hiroshima para desembarcar no Brasil em 1914, apenas seis anos depois dos primeiros imigrantes nipônicos chegarem ao país. Logo, a família que chegou a enfrentar a fome, primeira realidade dos imigrantes orientais que sonhavam em ganhar dinheiro rápido e voltar para a terra natal, converteram-se ao catolicismo. E o menino Ângelo, aos 10 anos, não teve dúvidas quando o pai lhe perguntou se não queria ser padre. Rapidamente disse sim e pela primeira vez calçou um par de sapatos para ir estudar na capital." (Santin, 2009: 1).
    • A idade de Ângelo é revelada na mesma reportagem de 2009: "Hoje, aos 82 anos, padre Ângelo Banki, de Paiçandu (10 km a oeste de Maringá), continua vivo, muito bem humorado e, com exceção de um ou outro probleminha, como o diabetes e um traço de mal de Alzheimer, tem boa saúde." 
Com maiores divulgações históricas e documentais, a partir de 1930 apresentam-se outras famílias japonesas no município, destacando-se: Kawbata, Izumi e Yoneda.
Em 1934, chegou a Santa Cruz do Rio Pardo, o senhor Toji Amemiya, na época com 16 anos, unindo-se posteriormente, pelo matrimônio com Kasuko, à família Tamura (Jornal Debate 1419, - Japoneses vieram para "fazer dinheiro". E ficaram . – Caderno D / Suplemento Especial, publicação de 15 de junho de 2008, referências apanhadas).
Kasuko, aos 10 anos em 1934, veio para o Brasil juntamente com a família, aportando-se em Santos, de onde seguiram para Jaboticabal como colonos numa fazenda por um período de dois anos, outro biênio como meeiros e depois arrendatários, até que em 1940 chegaram à região de Santa Cruz do Rio Pardo. Nessa época, Kasuko conheceu Toji, com quem se casou em 1942.
A partir dos anos de 1935, chegaram à região de Santa Cruz membros da família Suzuki [Michiyoshi, Shozo, Seiko e Teruichi], com entrada no Brasil no ano de 1932 no município de Cerqueira Cesar (Jornal Debate 1470, - Morre Suzuki, símbolo da industrialização - publicação de 07 de junho de 2009, dados referenciais).
Algumas outras famílias japonesas, após ou mesmo anteriores a 1935, estão registradas em Santa Cruz: 
  • 'Abe; Ashikaga; Beppu; Amaze; Amura; Aoki; Aragaki; Ashikawa; Fugita; Furuya; Ganiko; Hagime; Hamada; Harada; Hassegawa; Hayasaka; Henna; Hirata; Hirano; Honda; Hoshi; Ichimura; Ikeda; Igari; Isamo; Ishii; Ishiwashi; Ito; Ivama; Kaawano; Kadoi; Kawamura; Kawati; Kameda; Kamei; Kanai; Kassai; Kato; Koba (Banki Koba - família Banki dos anos de 1920?); Kobayashi; Kobata; Komino; Kuwahara; Mamura; Matsui; Matsumoto; Miagi; Miyshiro; Momura; Morita; Myata; Nakandakari; Nacasse; Nacatamo; Nacauma; Nagagushi; Nagai; Nagatomo; Nakatami; Niitsuma; Oguro; Okura; Oki; Osagi; Sakai; Sasaki; Sato; Saito; Shiracawa (Shirakawa); Shiraishi; Suga; Tada; Takahashi; Takamori; Takiushi; Tanaka; Todokoro; Tokanaga; Tomori; Tomita; Tomoike; Tukuzaki; Tsuhata; Ueda; Ueno; Umetsu; Umino; Ushiwata; Ushida; Watanabe; Yabuki; Yaeda; Yamada; Yamamoto; Yamasaki; Yamashita.' (Observações: Nem sempre grafias iguais significam graus de parentescos).
A colônia mostrava-se ativa e crescente. Uma foto de 1935 revela instalado em Santa Cruz do Rio Pardo o Hotel Tayô, da família Kuwabara, à rua Marechal Bittencourt, com inscrições em caracteres katakana e kandi. Outra foto, da época mostra a Casa Comercial Yoneda e familiares, sendo o estabelecimento situado à Rua Marechal Bittencourt esquina com a Antonio Mardegan.
A loja e o hotel já existiriam no início dos anos de 1920, primeiro como propriedades da família Yoshisaki, depois de Ogata (Kiota).
A família Sugisawa, casal e sete filhos - uma filha morreu na viagem, instalou-se em Santa Cruz do Rio Pardo vinda do Japão em 1937, para o trabalho numa fazenda local (Assembleia Legislativa do Estado do Paraná - Projeto de Lei 137/2009 concedendo título de Cidadão Honorário do Estado do Paraná, ao Sr. Saburo Sugisawa, nascido no Japão em 1934]. 
A família Sassaki também chegou antes da Guerra, assim como outros nipônicos que em todo ou em parte foram residir em outras cidades, por exemplo, Marília e em localidades no estado do Paraná.
4.2.1. A Shindo RenMei e a Shindo Ketsumei Dan nos arquivos do DEOPS 
Os filhos dos japoneses antes da 2º Guerra Mundial tinham escolas próprias e, também, frequentavam estabelecimentos brasileiros de ensino. Porém, em 1938, Vargas impusera restrições culturais aos nipônicos e as escolas japonesas foram proibidas, de alguma maneira sob a alegação da proibição constitucional, de 1937, de línguas estrangeiras nos cursos regulares de ensino e não tolerada para menores de quatorze anos.
Depois uma série de decretos-leis entre 1938 e 1939, impunha restrições culturais aos nipônicos, e as famílias abandonaram muitos costumes.
As medidas atingiam imigrantes italianos e alemães que, com os japoneses, constituíam os oriundos do 'EIXO' – Itália, Alemanha e Japão, denominado no jargão por 'ROBERTO' – as iniciais das capitais daquelas nações: Roma Berlim e Tóquio.
A cultura japonesa, num todo, diferenciava-se dos usos, tradições e costumes brasileiros e tornaram-se exprobrados e discriminados pela sociedade brasileira capitalista, que visavam o branqueamento nacional, com agravamento à medida da aproximação de Getúlio Vargas com os Estados Unidos, quando indiscriminadamente os japoneses radicados tornaram-se, à visão do governo, inimigos do Brasil.
Ainda neste período, aparentemente, integração e a convivência japonesa na sociedade santacruzense não apresentava grandes desconfortos para as famílias Yoshisaki, Ogata, Kuwabara, Yoneda e Banki, enquanto outras sofriam rejeições sociais.
Referências ditam que as famílias Banki Koba, Yoshisaki, Ogata e Kuwabara entre outras já não estavam em Santa Cruz do Rio Pardo nos tempos da guerra.
Aos 29 de janeiro de 1942, o Brasil rompeu com o Eixo, em solidariedade aos Estados Unidos, pelo ataque japonês a Pearl Harbor – acontecimento de 07 de dezembro de 1941, obrigando todo o corpo diplomático japonês a deixar o país.
Entre si os imigrantes acudiam-se, através de associações secretas, ocultas ou clandestinas, alvo dos órgãos repressivos do governo brasileiro. As inquietudes dos radicados quanto ao destino da guerra tiravam-nos do anonimato, diante da preocupação quanto à sobrevivência familiar ou mesmo grupal num Brasil cada vez mais hostil. 
Para eles o Japão precisava ganhar a Guerra, e evidentemente expressavam o querer entre os conterrâneos, através de parentes, das apresentações artísticas, dos filmes contrabandeados, das revistas no idioma, e dos viajantes, que depois o governo brasileiro suspeitou-os espiões.
Novo Decreto de Vargas, e já não se podia mais falar em público o idioma de cada nação do Eixo, com ou sem intérprete, além da exigência de salvo-conduto nos deslocamentos regionais e proibição total de qualquer manifestação cultural, mesmo familiar. Também as atividades de trabalho dos japoneses, em todo estado de São Paulo, tornaram-se alvo de fiscalização embasada em Edital pela Superintendência de Segurança Pública do Estado.
Mesmo clandestinas destacam-se as "Sociedade Secreta Japonesa Shindo Remmey: Prontuário 108981 – Caixa 247" e a "Sociedade Secreta Japonesa Shindo Ketsumei Dan (Prontuário 64244 – Caixa 247", PROIN). 
  • Menos conhecida que a Shindo Remmey, a Shindo Ketsumei Dan tratava-se de organização terrorista civil japonesa, de extrema direita, fundada pelo radical budista Inoue Nissho (12/04/1887 – 02/03/1967) e teve atuações no Brasil. Não se sabe de nenhuma ação da Shindo Ketsumei Dan na região santacruzense, nem algum nome conhecido pertencente aos seus quadros.
Diversas famílias japonesas em Santa Cruz ficaram sob observações policiais, ainda antes do fim da guerra, acontecida com a capitulação japonesa, e em cena a Shindo Renmei, pelos kachigumi ou vitoristas, pregoeira que a rendição era propaganda americana/ocidental, perseguindo os makegumi – derrotistas ou realistas, com extrema violência e mesmo mortes.
Os kachigumi eram maioria nos cerca de 200 mil colonos no Brasil da época, enquanto os derrotistas não passavam de 20% do total de imigrantes e descendentes.
Nunca se fez em Santa Cruz qualquer levantamento do pós-guerra sobre o alcance dos kachigumi sobre os makegumi, ou mesmo as reações destes em relação aos patrícios rivais. Sabe-se, no entanto, que a Organização Shindo Renmei santacruzense existiu, assinalada em mapa (Arquivos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, cópia inserida na obra Corações Sujos (Morais, 2004: 152-153), porém as famílias evitam o assunto, e os descendentes talvez desconheçam, e, como tabu, tudo caminha para o apagamento dos acontecimentos.
A organização Shindo Renmei foi desfeita no ano de 1947, quando Vargas mandou interrogar mais de 30 mil pessoas, prendendo 300 suspeitos e 155 ameaçados de expulsão.
Durante o período descrito alguns japoneses 'santacruzenses' foram monitorados pela polícia política de Vargas e tiveram que prestar esclarecimentos, alguns presos e, entre os fichados: 
  • "Akio Kato; Akio Myamura; Asaji Takahashi; Chiko Shoji; Chuzaemon Shoji; Fukashi Saito - Caporanga; Hactiro Tomita; Haruo Fujii; Hideshi Yoneda; Hiroshi Sato; Jutaro Watanebe [Watanabe]; Kibutaro Saito; Kintaro Ueno; Kiyoma Hamada – Alambari; Kndzi [Kendi] Kanazawa; Kohiro [Koichiti] Sato – pai da coautora Junko Sato Prado; Kotuku Arakaki; Kotuku Arakaki; Massao Sato –atuante na região de Tupã (SP), tio da coautora; Massayuki Takaahaci [Takahachi]; Michiyoshi Suzuki; Mitsuo Kameda; Mituo Myasaki; Morimitsu Aizawa; Mussamito Takaahaci [Takahachi]; Myoji Sato; Nobuhiko Myake; Norio Takahatake; Ryutaro Kurahashi - São Pedro do Turvo; Saburo Fugiwara; Setsuo Tanno; Shigeru Kanico [Ganiko]; Shinzo Matida; Sunao Muraguchi; Takao Yoda; Takesshi Yamamoto; Tatume Fukuzaki; Tetsu Kawabata; Tokujiro Tajima: Tutume Furusaki; Yasuhei Aoki; e Yasusige Nagai." (DEOPS/PROIN: Fichas Policiais para Santa Cruz do Rio Pardo).
Os fichamentos e prisões podiam ocorrer com membros de organizações ou suspeitas de secretismo, de líderes comunitários, parentes de algum suspeito, ou mesmo por falar o idioma proibido.
Yasusige foi preso por falar japonês e teve situação agravada em causa das diferentes grafias do seu nome em português. O fotógrafo Kintaro Ueno, residente à Rua Floriano Peixoto nº 166, em Santa Cruz do Rio Pardo, teve apreendido seu material fotográfico porque as fotos, para o seu livro, tinham legendas em japonês.
  • "O professor Boris Kossoy, da Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP), juntou o material de dois dos fotógrafos imigrantes ali encontrados: Kintaro Ueno e Hideo Hayashida que, segundo escreve o professor, registraram 'o progresso para os que não temiam o trabalho árduo', em meio ao preconceito e desconfiança do Estado Novo. Nas imagens, famílias inteiras reunidas vestem suas melhores roupas a fim de construir um autorretrato de sucesso." (Montesanti, 2011: 2). 
A abertura política somente ocorreria a partir de 1952, com o reatamento das relações diplomáticas Brasil/Japão, mais propriamente em 1958/1960, reabrindo algumas escolas japonesas, com números menores pela adaptação geográfica e cultural dos filhos no Brasil, e então muito se perdeu, e apenas a culinária japonesa tem sido assimilada pelos lares brasileiros, mas a riqueza cultural japonesa dos primeiros tempos da imigração, apenas sobrevive, adaptada, entre antigos descendentes.
4.2.2. Sakura Gumi – Tei Shin – Tai, associação religiosa subversiva 
Uma seita japonesa de fanáticos estabelecida no Brasil, Sakura Gumi – Tei Shin – Tai, conhecida como "Cerejeiras", sediava-se numa chácara na Vila Humaitá, em Santo André-SP. 
Historicamente, em meado dos anos 1950, a família nipônica santacruzense, Myashiro, fazia parte da seita: marido, mulher e sete filhos (Diário do Paraná, 26/04/1955: 16). Aliás, Massafume Myashiro, o único membro da família ausente do grupo, ao não conseguir falar com seus parentes recrutados entrou em desespero e denunciou a seita ao Juiz de Direito, Dr. Jesuíno Cardoso de Mello Filho, e ao Delegado de Polícia Dr. Viriato Carneiro Lopes.
As autoridades mencionadas então se dirigiram ou lá se encontravam sitiando o local com soldados ostensivamente armados, inclusive metralhadoras, e exigiram a presença dos pais de Massafume, o que foi negado pelos líderes e daí, por ordem do juiz que se sentiu desacatado, o QG da seita foi ocupado militarmente, sob grande violência, com repúdio da mídia e organismos humanitários. A organização, sob manto de fanatismo religioso de pobres e famintos, já vinha sendo notada pelas autoridades, como causadora de atos subversivos e de atentados. 
Dias depois da invasão policial, o grupo apedrejou o Consulado Japonês em São Paulo, por falta de apoio e interesses aos 'sakura' presos, e agrediram o Chefe do Consulado. Ocorreram, então, novos confrontos e alguns presos se juntaram àqueles já abrigados na Casa de Detenção. 
Seis dos japoneses detidos promoveram protesto prolongado: 
  • "Hoje é o sétimo dia de greve de fome que seis fanáticos japoneses da seita 'Sakura Gumi-Tei-shin-tai' vem realizando na Casa de Detenção."
  • "As autoridades do presídio solicitaram o auxílio de dois sacerdotes budistas, na esperança de que possam convencer os grevistas a desistir de seu propósito" (Correio da Manhã, 03/08/1955: 5). 
Ausentes melhores estudos, os 'Cerejeiras' seriam remanescentes da Shindo Ketsumei Dan, ou sob inspiração e nela incorporados homens e mulheres. 
4.3. Imigrantes (famílias) de outras nacionalidades 
Imigrantes, de nacionalidades diversas, chegaram a Santa Cruz: 
  • "Alemã: Bartel; Flanuz; Hiese; Humberto (aportuguesado); Kroemia (Croemia); Miller; Piechotlka; Richter; Wolf (esta desde os anos de 1870)." 
  • "Árabe: Queiroz (aportuguesado de Keiruz, assemelhando-se com sobrenomes iguais de origem síria e libaneza)." 
  • "Argentina: Alóe (não confundir com família Alóe italiana); Lozano." 
  • "Austríaca: Cassoto; Gassmer; Kievi; Malanche; Malurch; Paviot; Prensaki; Schneider; Vicentin; Wolf (século XX - confunde-se com sobrenome alemão); Yega." 
  • "Belga: Jasogne Castano (?)." 
  • "Chilena: Domingues." 
  • "Cubana: Saliba, sobrenome que não deve ser confundido com Saliba, de origem libaneza, não descaratando, porém, parentesco ou igual origem primária)." 
  • "Espanhola: Ascencio; Castelhano, Cecilia; Cid; Garcia; Gimenes; Gomes; Neguardo; Martins; Munhos; Oliveira; Ortega Orta; Parianês; Parra; Peralta; Perez; Puertas; Ramos; Rios [Rios y Agustin]; Rodrigues; Santiago; Vasquez (Vasques)." 
  • "Francesa: Brandt; Nantes (anterior ao período imigração, com presença regional desde 1851)." 
  • "Húngara: Etieme; Hessen; Komyama (não deve ser confundido com sobrenome japones); Madarassy; Pinter; Sciba; Tavez." 
  • "Indiana: Raj." 
  • "Inglesa: Dayy; Shieffield." 
  • "Iugoslava: Ban; Cimeman; Gaich; Kovacth." 
  • "Libaneza: Abujamra; Assef; Dabus; Germanos; Ghamlouche; Ibrahim; Kanan; Keiruz (confunde-se ou aparenta-se com o sírio Queiroz - aportuguesado); Maluly; Rahuné; Saad; Saliba; Trad." 
  • "Lituana: Denisovas; Geciumes; Meliumas; Micaskis; Polzunoff; Tamkas; Trimarchas." 
  • "Napolitana: Schirillo; Simiscarco. (Os napolitanos não eram contados italianos)." 
  • "Palestina: Bassit." 
  • "Paraguaia: Morinigo." 
  • "Polonesa: Alzim; Namcinsk." 
  • "Portuguesa: Amorim; Caetano; Espírito Santo; Fernandes; Freitas; Gomes; Gonçalves; Luz; Martins; Pestana; Ribeiro; Santos; Tavares da Silva; Veríssimo." 
  • "Rumena: Andrei; Crestiocor; Danielenco; Fingarman; Hogan; Macarie; Pereverzin; Radulenco; Vezetiv." 
  • "Russa: Busck; Cavalchuk; Croval; Dacowoy; Peniverzoma (?); Pereverzium; Polzonoff; Romancine; Semmence; Sirache; Truchskini." 
  • "Siria: Abras; Brehaim; Honório; Queiroz (família que antecedeu a imigração, presente em Santa Cruz desde o século XIX); Riston; Zacura; Zieck [Ziecl?]."
  • "Suiça: Dubuis." 
  • (Prefeitura, Registros de Sepultamentos, 1908/1929; e Registro de Estrangeiros pela SS/SP – Delpol, 1930/1939; observando que as grafias nem sempre correspondem). 
Alguns estrangeiros 'santacruzenses', não italianos e nem japoneses, estiveram sob o crivo do DEOPS (PROIN): 
  • "Johan Schaden – húngaro; Leonardo Jablonki [Jablonsky] - lituano; Andre Milian Ortega – espanhol; Antonio Martin Bêjar – espanhol; Antoune Youssef Jabali – sírio; Felix Peyalho Carbajal - uruguaio; Francisco Dias – português; Guinel Sanches Viudes - espanhol; Gines Antonio Gracia Assencio – espanhol; José Romero Ruiz – espanhol; Julius Knopp – polonês; Salvador Molina Moreno – espanhol; Wolf Klejman – polonês." (PROIN, Fichas Policiais para Santa Cruz do Rio Pardo). 
Consta, também fichado pelo DEOPS, "Vitor Lozovoy" [Victor Lozzovoy], brasileiro filho de imigrantes, sem identificação de origem, preso em 1953, constando em "cópia de relação de elementos do Partido Comunista simpatizante do interior do Estado de São Paulo." 
De outros brasileiros 'santacruzenses' nascidos de pais estrangeiros, porém sem identificações de nacionalidades, constam: "Abe Sabe; Leoni Kalichaman; Lourdes Koquinoff; Manoel Ortegozza; Maria Saliba; Maria Tolonis Bross; Miguel Riston; Rubens Guglielmetti [neto]; Saad Agiz Habe." 
No ano de 1953 entre os que foram presos em Santa Cruz, como comunistas ou simpatizantes, figuram os estrangeiros de origem não identificada, ou filhos cujos nomes não constam em arquivos DEOPS: "Eufimi Kochonoff e Martin Stringues"; todos foram torturados e Stringues morreu no período em que se encontrava preso (O Regional, 03/05/1953: 1 e 10).
Cumpre o destaque de dois chineses que pretendiam montar comércio em Santa Cruz do Rio Pardo, no ano de 1902, episódio relatado pelo engenheiro-arquiteto, Edmundo Krug, na sua passagem por Cerqueira Cesar – até ali de trem, para prosseguimento até São Pedro do Turvo, a cavalo, com um guia (conhecido por Quinzote) e animais sobressalentes, quando "dois chinezes queriam ir a Santa Cruz do Rio Pardo para ali se estabelecerem com um negocio de tecidos de bambu, com fabricação de cestos, peneiras, vassouras, etc... " (Krug, 1925: 403-404). 
Os chineses intentaram utilizar-se gratuitamente dos cavalos disponíveis alugados por Krug: 
  • "O meu amigo Quinzote percebe que os taes não eram cavalleiros firmes na sella, e desejando ver-se livre delles, mas não querendo recusar, accedeu promptamente ao pedido, ajudando até aos dignos homens amarellos a montarem, entregando-lhes em seguida um bahú de folha, no qual se achavam as suas ferramentas e algumas roupas. O pobre chinez tendo puchado demasiadamente as redeas, o animal começou a afastar até que teve de encostar ela rectaguarda numa vidraça da casa de um italiano pouco cortez. Vidros quebraram-se, tiniram os cacos na calçada, o italiano berra e o animal espanta-se de tal forma que, como toda besta velhaca, começa a corcovear; o chinez deixa o bahú cahir, as patas do animal pizam-n'o e o pobre mongolo vem ao solo maogoando-se fortemente na sua digna parte musculosa." 
A história não registrou os citados chineses estabelecidos em Santa Cruz do Rio Pardo. 
Nos primeiros vinte anos do século XX, a despeito do fracionamento territorial, são muitas as fazendas e todas prósperas; os fazendeiros plantadores do café, algodão, alfafa e demais lavouras e criações, são ricos; o comércio é forte; o lugar tem tradiçao e cultura, porém o município é pobre, na insolvabilidade perante o governo do estado em causa da insolvabilidade diante da dívida acumulada com o ramal da estrada de ferro. 
5. Sobrevalorização das terras 
As terras santacruzenses sempre foram caras, principalmente a partir de 1887 com a introdução das primeiras lavouras cafeeiras, cuja especulação também em causa da prevista passagem do tronco da estrada de ferro, acontecimento que evidentemente traria progressos à região. 
Mesmo quando da certeza que o tronco ferroviário da linha do Tibagi não mais passaria por Santa Cruz, a região não perdeu o impulso progressista, acreditando que o ramal sorocabano adquirido ou construído pelo município seria viável, para a ligação com a projetada Ferrovia do Peixe, então um entroncamento ferroviário na sede do município. 
A Ferrovia do Peixe não aconteceu, mas o lugar estava detentor regional dos principais serviços públicos e dotado de infraestrutura suficiente para manter-se município líder na agropecuária. 
Fazendeiros e os profissionais de diversas áreas como a medicina, odontologia, engenharia, agronomia, zootecnia e a advocacia, entre outras profissões, mantiveram a especulação imobiliária como negócio lucrativo. 
Onde o predomínio das boas terras e a viabilidade das diversas culturas, entre elas, alfafa, algodão, café, além das invernadas para criação de gados, a abundância vinha a calhar e o lugar era atrativo para a aplicação de dinheiro de grandes investidores nacionais e estrangeiros, a exemplos da 'Lidgerwod Manufacturing C.º Limited', 'Zerrener Bülow e Cia', e a 'Sociedade Anônima Moinho Santista', por uma ou outra razão. 
Constituída de homens ricos num município endividado pelo ramal ferroviário construído e depois mantido às expensas do cofre público municipal, e cujos lucros com a ferrovia eram remetidos para o Governo do Estado, até se imaginava estagnação, mas os capitalistas não temiam investir no lugar, adquirindo e especulando terras. 
6. Santa Cruz – sinopse de 1892 
O Relatório da Câmara, à Repartição de Estatísticas do Estado, em 31 de dezembro de 1892, além das escolas já citadas, dava dimensão da Santa Cruz na época: 
  • "(...) 46 estabelecimentos commerciais, sendo: Lojas de fasendas, ferragens, armarinhos, calçados, arreios etc 9; armazéns de machados e miudezas de armarinho, generos da terra, [...], 8; aguardentes e bebidas alcoolicas e generos da terra, 28; casa de joias e relojoarias, 1; casa de bichas, 13"; 
  • "(...) 20 estabelecimentos industriaes sendo: Fabrica de cerveja 1; Fabrica de bebidas gasosas 1; Assougues, 2; Olarias para fabrica de telhas e tijolos 6; Engenho de serra movido por agua para tiragem de madeiras para construções, 5; Fabrica de aguardente e assucar de cana 5"; 
  • "[Profissionais liberais, autônomos e outros informados] 26, sendo: Dentista, 1; Tabeliães 2; escrivão do Registro de hipothecas 1; escrivão de Paz 1; Juiz de Direito da Comarca 1; Promotoria Pública 1; advogados 3. Pharmaceuticos 2; vigário da Paróchia 1; Solicitadores das auditorias 2; ingenheiro civil 1; aggrimenssores 2; Capitalistas 2; Medicos 2; officiais de justiça 2; Carcereiro 1; Secretario da Camara Municipal 1; Hotelleiros 2"; 
  • "Pequenos estabelecimentos agrícolas, as quaes poucas ou nem uma produção desas, devido a pouca edade e hoje desenvolvem-se rapidamente, principalmente as da cultura de café, já existindo neste Município muitas milhares de pés que se de 1894 em diante e nas sua maior parte commeçarão a produzir." 
  • "É nos impossivel, com exactidão dar – nos o numero de trabalhadores empregados na lavoura, mas podemos afirmar ser esse numero superior a mil." 
  • "(...): Só existe nesta Paróchia cinco escolas sendo: quatro publicas regidas por professores e professoras, e uma particular, todas de 1ªs letras." 
  • "(...): Existe a Igreja Matris e o Patrimônio de Santa Cruz e de Santo Antonio, que são administrados pela Fabriqueira de Igreja."
  • "(...): Existiam 144 casas terreas. Subjeitas ao imposto predial, e destas, assobradada 1; sobrados 2, ambos contendo dois pavimentos: um terreo e outro superior. Um destes sobrados é a Cadeia Publica e pertence ao Estado." 
  • "Foi assacada a importancia 5:700$000." 
  • "A Comissão – Julio César – Arlindo Crescencio Piedade."
De interesse destacar os nomes de alguns profissionais e autoridades santacruzenses lembrados entre os anos 1891/1892:
  • "Dentista: Capitão Zeferino Bretas;"
  • "Tabeliães: 1º Tabelião - Tenente João Manoel de Almeida; 2º Tabelião Major Francisco Xavier Dantas de Vasconcellos Junior;" 
  • "Escrivão do Registro de Hipothecas: Thomaz José da Motta Junior – Serventuário Vitalício;"
  • "Escrivão de Paz: Benedicto de Almeida;"
  • "Juiz de Direito da Comarca: Augusto José da Costa;"
  • "Promotoria Pública: José Batlthazar de Abreu Cardoso Sodré;"
  • "Advogados: Frederico Carr Ribeiro; Arlindo Vieira Paes; Fernando Eugênio Martins Ribeiro;"
  • "Pharmaceutico: Antonio Sanches Pitaguary; Balthazar de Abreu Sodré [Prático / Oficial de Farmácia)."
  • "Vigário da Paróchia: Padre Bartholomeu Comenale;"
  • "Solicitadores das Auditorias: Pedro Paulo Rodrigues e João Torquato da Piedade (irmão do Coronel Emygdio José da Piedade);"
  • "Engenheiro Civil: Estevão Ribeiro de Assis Rezende;" 
  • "Agrimensores: José Nestor de França - cunhado do Coronel Antonio Evangelista da Silva;" 
  • "Capitalistas: Dr. Antonio José da Costa Junior e Coronel João Baptista Botelho;"
  • "Medicos: Samuel Genuta e João Cândido de Souza Fortes;"
  • "Oficiais de Justiça: José Julio de Oliveira e Sebastião Barbosa Coelho;" 
  • "Carcereiro: João de Almeida Ribeiro;"
  • "Intendência: Padre Bartholomeu Comenale, Jacob Antonio Molitor, João de Oliveira Martins e Pedro Paulo Rodrigues - (DOESP, 10 de maio de 1892, página 10)."
  • "Secretario da Camara Municipal: Manoel A. Coelho;"
  • "Fiscal Municipal: José Furunato [Fortunato]"
  • "Hoteleiros: Firmino da Silva - Hotel Filandro;"
  • "Delegado de Polícia: Coronel João Baptista Botelho."