SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

domingo, 4 de abril de 2010

-APARTES POLÍTICO-HISTÓRICOS-

1. Quem foi o primeiro prefeito santacruzense?
As tradições, até 2005, apontavam o Coronel Botelho como o primeiro prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo, em 1901, e o Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré o segundo, em 1902. No entanto, documentos 'levantados' calaram as tradições e reescreveram a história política santacruzense.
Joaquim Manoel de Andrade, em 1876, como Presidente da Câmara – o primeiro para o cargo, foi a autoridade municipal maior, que exercia, além das atribuições legislativas, as atividades administrativas e rotina municipal como 'agente executivo do legislativo' – pró forma – como exercício funcional, posto impraticável reunir os vereadores a cada assunto surgente, como as ordens de serviços e gerenciamento de empregados públicos.
Depois de Joaquim Manoel de Andrade, os demais Presidentes da Câmara se portaram de igual forma no exercício de Agente Executivo, até o golpe militar de 1889.
Com o golpe militar republicano de 1889 ocorreu a centralização do poder e a redução de autonomia dos municípios, criando-se os Conselhos de Intendência, em Santa Cruz do Rio Pardo sob a presidência de Joaquim Manoel de Andrade até seu falecimento aos 26 de dezembro de 1891, substituído interinamente por Moyses Nelli, e depois, por nomeação, o Padre Bartholomeu Comenale.
Restabelecidas as Câmaras, em meado de 1892, surgiu a figura do Intendente, como Chefe Executivo da Câmara, por ela escolhido e a ela subordinado, com o aval da Presidência (Governo) do Estado, e o primeiro Intendente, nesta situação, consagrou-se o Dr. Estevan Ribeiro de Assis Rezende, em consonância com documentos municipais da época, deixando o cargo em 1893, substituído pelo então Presidente da Câmara, Padre Bartholomeu Comenale.
O Coronel João Baptista Botelho tornou-se o primeiro Intendente do século XX, no ano de 1901, substituído em 1902 pelo Dr. Estevan Ribeiro de Assis Rezende. Dr. Abreu Sodré, líder político e o mais votado para o cargo de Vereador, tornou-se Presidente da Câmara, e substituiu o Dr. Assis Rezende na Intendência, em algumas ocasiões, conforme documentos da época.
Em 1905 criou-se a figura do Prefeito e instituiu-se a Prefeitura, para a legislatura seguinte, sem alterações quanto a funcionalidade, ou seja, continuava o executivo à maneira da Intendência, órgão camarário, respeitada a vontade do chefe político, e, no ano de 1907 o Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, assumiu a chefia do executivo sob a designação de Prefeito.
Somente em 1930 foram criadas as prefeituras conforme hoje conhecidas – executivo do Município e não da Câmara, então poderes distintos, porém interligados, e nisto a figura do Prefeito para ocupação do cargo (Decreto nº 4.781, de 29/11/1930, modificado e consolidado pelo Decreto nº 4.810, de 31/12/1930).
No ano 1947 aconteceu a primeira eleição direta para Prefeito, e Lucio Casanova Neto foi eleito para o período de 1948 a 1951.
Sem pretensões de exatidão, os seguintes cidadãos ocuparam cargo executivo santacruzense, a seus tempos, por deferências, escolhas, nomeações, comissões, excepcionalidades ou eleitos pelo voto popular:
1.1. Agentes Executivos – Presidentes da Câmara:
  • Joaquim Manoel de Andrade, 1877/1880; 1883.
  • Nicolau Tolentino Rodrigues Barreiros, 1881.
  • Manoel Garcia de Oliveira, 1881/1882.
  • Manoel Garcia de Oliveira, 1883/1884.
  • Luiz Antonio Rodrigues, 1884/1886.
  • Firmino Manoel Rodrigues, 1886/1877.
  • Arlindo Crescêncio Piedade, 1877/1888.
  • Emygdio José da Piedade, 1888/1889.
1.2. Intendentes – Presidentes do Conselho Municipal de Intendência:
  • Joaquim Manoel de Andrade, 1890/1891.
  • Moyses Nelli, 1891/1892.
  • Padre Bartholomeu Comenale, 1892.
1.3. Intendentes escolhidos pela Câmara Municipal:
  • Estevam Ribeiro de Assis Rezende, 1892.
  • Padre Bartholomeu Comenale, 1893/1894.
  • Joaquim Fernandes de Oliveiras Negrão, 1894/1895.
  • Israel Machado, 1895/1897.
  • Antonio Martins de Oliveira, 1897/1898 e 1898/1899.
  • João Castanho de Almeida, 1900.
  • João Baptista Botelho, 1901.
  • Estevam Ribeiro de Assis Rezende, 1902/1904, com período de licença.
  • Francisco de Paula de Abreu Sodré, interinamente, 1903. 
  • Francisco Eugenio Martins Ribeiro, 1904.
  • Henrique Hardt, 1905/1907.
  • Francisco Carr Ribeiro, 1907.
1.4. Prefeitos escolhidos pela Câmara Municipal:
  • Olympio Rodrigues Pimentel, 1908/1910.
  • Afonso Celso Baptista, 1911, substituindo Olympio R. Pimentel.
  • Manoel Pereira Tavares, 1911/1912.
  • Olympio Rodrigues Pimentel, 1912/1913, renunciante.
  • Godofredo Fernandes Negrão, 1913/1914. 
  • Agnello Villas Boas, 1914/1915, renunciante.
  • Manoel Antonio de Oliveira, 1915.
  • Antonio Evangelista da Silva, 1915/1917; 1917/1920 e 1920/1922, morto.
  • Pedro Camarinha, substituições eventuais em 1917 e 1921.
  • Julio Lucante, Vice-prefeito, 1922/1923, pela morte do titular.
  • Ozorio Bueno, 1923/1924.
  • Pedro Cezar [Cesar] Sampaio, 1924.
  • Francisco Martins da Costa, 1924/1925.
  • Pedro Camarinha, 1926/1927.
  • Leônidas de Amaral Vieira, 1928.
  • Avelino Taveiros, 1929/1930.
  • Urias Augusto Ribeiro, excepcional, 1930.
1.5. Prefeitos – nomeados pelas Interventorias do Estado:
  • Abelardo Pinheiro Guimarães, nomeado, 1930/1935.
  • Alzim de Souza Lemos, excepcional, 1935.
  • Tertuliano Vieira da Silva, excepcional, 1935/1936.
  • Ricardo Campbel, excepcional, 1936.
  • José Carlomagno, excepcional, 1936.
  • Jayme Castanho de Almeida, excepcional, 1936/1937.
  • Joaquim Silveiro Gomes dos Reis, excepcional, 1937/1938.
  • Leônidas Camarinha, nomeado, 1938/1946.
  • Pedro Cesar Sampaio, nomeado 1946 ato sem efeito.
  • Mario Pacheco, comissionado – intervenção branca – 1946.
  • Mario Botelho do Amaral, excepcional, 1947.
  • João Ferreira Vasconcelos, excepcional, 1947.
  • Francisco Gonzaga de Oliveira, 1947.
  • Philadelpho Aranha Junior, 1947.
  • João Palma Villas Boas, excepcional, 1947.
  • José Osiris Piedade, excepcional, 1947.
1.6. Prefeitos eleitos pelo voto direto:
  • Lucio Casanova Neto, 1948/1951.
  • Cyro de Mello Camarinha, 1952/1955.
  • Lucio Casanova Neto, 1956/1959.
  • Onofre Rosa de Oliveira, 1960/1963.
  • Paulo Gilberto Machado Ramos, Vice-prefeito, substituição, 1963.
  • Carlos Queiroz, 1964/1968.
  • Onofre Rosa de Oliveira, 1969/1972.
  • Joaquim Severino Martins, 1973/1976.
  • Aniceto Gonçalves, 1977/1982.
  • Onofre Rosa de Oliveira, 1983/1988.
  • Clovis Guimarães Teixeira Coelho, 1989/1992.
  • Manoel Carlos 'Manezinho' Pereira, 1993/1996.
  • Clovis Guimarães Teixeira Coelho, 1997/2000.
  • Adilson Donizeti Mira, 2001/2004 e 2005/2008.
  • Maura Soares Romualdo Macieirinha, 2009/2012.
  • Otacilio Parras Assis, 2013/2016.
2. Perfil dos líderes políticos locais pós Revolução de 1930
Os comentários, juízos e críticas, são de responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, a opinião pública santacruzense.
2.1. Na 'Era Vargas'
2.1.1. O pessoalismo de Abelardo Guimarães (1930/1935)
Abelardo Pinheiro Guimarães nasceu aos 10 de janeiro de 1897, no Rio de Janeiro, filho de Joaquim Tibiriçá Pinheiro Guimarães – 2º Oficial de Secretaria do Ministério das Relações Exteriores do Brasil – e de Cecília Roxo Pinheiro Guimarães. 
Abelardo formou-se médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, trabalhando como revisor de jornal enquanto cursava faculdade. Formado, ingressou na Fundação Rockfeller para combater 'moléstias rurais', em diversas localidades nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, onde classificado para a cidade de Jacarezinho.
Deixou o emprego optando pelo exercício particular da profissão, ainda em Jacarezinho, vindo casar-se com Dagmar Ferreira, filha de José Eugenio Ferreira e Augusta Fortes. Após o casamento transferiu-se, com a mulher, para Santa Cruz do Rio Pardo onde nasceram os filhos: 
  • Maria do Carmo Guimarães Camarinha, casada com Josué Francisco Camarinha que viria ser advogado e oficial do 3º Cartório de Notas de Marília – SP;
  • Marcio Ferreira Pinheiro Guimarães – solteiro;
  • Marcílio Ferreira Pinheiro Guimarães, casado com Florinda Quagliato Pinheiro Guimarães, casal residente em Santa Cruz do Rio Pardo;
  • Moacir Pinheiro Guimarães, casado com Maria Regina Sad Pinheiro Guimarães, moradores em São Paulo.
Viúvo, Abelardo casou-se com Dona Maria Marcelina Pinto [Pinheiro Guimarães], com a qual teve quatro filhos: "Abelardo Antonio, Heloisa Maria, Silvia Maria e Cecília Maria." 
O médico teve participação na política santacruzense, ingressando no Partido Democrático, essencialmente paulista, surgido da dissidência 'perrepista' de 24 de fevereiro de 1925, e sua primeira experiência política ocorreu nas eleições federais de 24 de fevereiro de 1927, quando seus candidatos Marrey Junior para deputado federal e Gama Cerqueira para senador, ficaram com 91 votos em Santa Cruz, enquanto os três candidatos 'perrepistas' a deputado federal obtiveram 530 votos cada um, igual para o senador Arnolpho Azevedo. 
As eleições de 1927 tiveram picos de violência, registrando-se a célebre frase de Pinheiro Guimarães "Em matéria de política, sou partidario do assassinato. Considero a elliminação do adversario um meio regular de triumpho." (A Cidade, 06/03/1927: 1). 
Pinheiro Guimarães apresentou-se candidato a vereador nas eleições municipais de 30 de outubro de 1928, e, para melhor exposição de suas ideias políticas e partidárias, fundou o semanário 'O Jornal' redacionado por Rui Gama e Silva. Eleito vereador tornou-se líder oposicionista ao PRP, melhor destacando-se pelas críticas ao governo municipal que por sua atuação parlamentar propriamente dita.
Com a vitória dos revoltosos 'getulistas', na Revolução de 1930, Pinheiro Guimarães conquistou o cargo de Prefeito, por nomeação do Governo Interventor de São Paulo, Coronel João Alberto Lins de Barros (Decreto de 31/12/1930, publicação DOSP, 03/01/1931: 49), selando o fim do coronelismo no mando da política local, com a cassação e prisão de Leônidas do Amaral Vieira. 
A nomeação de Pinheiro Guimarães aconteceu em razão do apoio do Partido Democrata local à candidatura de Vargas, nas eleições presidenciais de 1º de março de 1930, conquistando 10% dos votos santacruzenses. À derrota de Getúlio nas urnas sucedeu a Revolução de 1930, com singelo apoio do PD, todavia importante por ser contra o PRP e suas hostes no estado paulista.
Vitoriosa a Revolução Varguista, em Santa Cruz criou-se a Comissão Legionária, sob o comando de Urias Augusto Ribeiro. Urias, cumpridor de ordens emanadas do Gabinete da Prefeitura e do próprio Dr. Abelardo Pinheiro Guimarães conluiado com o Delegado de Polícia, Tenente Alfredo Fernandes Costa, e assim, uma série de denúncias e delações promovidas contra cidadãos santacruzenses e, em especial, funcionários públicos das três esferas de governo, num verdadeiro terrorismo oficial.
A Comissão Legionária ou Legião Revolucionária, independente do objetivo para qual sua finalidade, em Santa Cruz fez-se órgão repressivo e delator sobre as ações e atividades coletivas ou individuais, para o fortalecimento e a popularização revolucionária varguista. O núcleo legionário seria a representação das aspirações do município, com influência no Executivo, Judiciário e Segurança Pública.
Santa Cruz experimentou o período de 'caça às bruxas', iniciado com perseguição ao Juiz de Direito, Dr. Sylvio Marcondes de Moura, afastado do cargo e disponibilizado em São Paulo, por ordem do Secretário da Justiça, Dr. Plinio Barretto. O Juiz Tenente Eugênio Fortes Coelho, gaúcho, substituiu o Dr. Moura.
Na onda de prevaricações e arbitrariedades, numa delas o Prefeito Pinheiro Guimarães, com apoio do Judiciário e através da Legião Revolucionária, destituiu toda a Diretoria Clube dos Vinte – reduto do Tenente Coronel Leônidas do Amaral Vieira – e afastou associados que não lhe eram simpáticos.
A Comissão Legionária mostrou-se implacável a serviço do Dr. Pinheiro Guimarães. O Coletor Federal, Manoel Novaes Cortez, foi acusado de desvios de recursos da repartição, entre outras imputações, e afastado das funções. O Coletor Estadual, Antonio Alóe, sofreu mais de uma dezena de delações e foi exonerado; e, ainda, delatados ao Tesouro do Estado os cidadãos Jayme Castanho de Almeida e Benedicto Carlos da Silva. 
Da delação de Urias em relação a Benedicto Carlos, antes amigos, terminou em luta corporal, quando Benedicto desferiu bengaladas em Urias e, em seguida, atirando enquanto Urias evadia-se do local (A Cidade, 28/06/1931: 4).
Leônidas Camarinha, outro alvo da política de Pinheiro Guimarães, processou Urias, porém a ação anulada pelo Juiz de Direito da Comarca, Fortes Coelho, bem relacionado com o Executivo santacruzense no período.
A queda do Interventor Lins de Barros e a nomeação do magistrado Laudo de Ferreira de Camargo trouxe esperanças aos oposicionistas. O nomeado ao sujeitar-se às exigências 'perrepistas', abriu oportunidade para os opositores santacruzenses exercerem influência na política estadual, e assim assumiram a presidência e secretaria da Comissão Legionária, com Oscar Buscacio e Benedito Carlos da Silva. 
A nova Legião Revolucionária de Santa Cruz tentou oposição a Pinheiro Guimarães, porém sem forças suficientes para derrubar o governo local, que mantinha excelentes relacionamentos no Judiciário e na Segurança Pública, através das autoridades locais, o Juiz de Direito e o Delegado de Polícia.
Mas, o líder legionário, Tenente-coronel Leônidas do Amaral Vieira preocupava o governo municipal. A anistia concedida por Vargas a todos envolvidos nos movimentos revolucionários – Decreto Federal nº 19.395, de 08 de novembro de 1930, dava ao poderoso rival reassumir a condição de liderança política, agora de oposição.
O Juiz Fortes socorreu Pinheiro Guimarães revelando irregularidades administrativas cometidas por Amaral Vieira quando prefeito: "O inquerito que se processa na Camara Municipal desta cidade, revela indicios fortissimos de uma administração prevaricadora."
Amaral Vieira debateu-se e praticamente esqueceu-se de Pinheiro Guimarães, criando um vazio político oposicionista ocupado por Leônidas Camarinha. 
Pinheiro Guimarães usou de truculência política ao interferir na Direção da Escola Normal, nomeando pessoas de seu interesse político, além de fazer uso do semanário 'O Trabalho', para promover seus ataques e desqualificações de adversários, às vezes pessoas apolíticas.
Na Revolução Constitucionalista de 1932, o prefeito Pinheiro Guimarães fez-se omisso, enquanto muitos companheiros seus abraçaram a causa paulista, inclusive o gaúcho, Juiz de Direito Fortes Coelho, ao lado de adversários políticos.
'Do governo ao povo', assim Guimarães pretendeu a ideologia moldada à sua imagem, firmada em ideias vagas e naufragadas pela própria situação brasileira na época, em especial a do município. Sua administração foi utópica, algumas propostas ou pretensões irreais, outras, mais coerentes, que seriam adaptadas e aproveitadas pelo sucessor. 
O Prefeito até pensou numa cidade industrial, moderna e dinâmica, buscada nos estudos da Empresa Mauá S/A, prevendo inclusive a pavimentação marginal para o Rio Pardo e Ribeirão São Domingos. Mas a Santa Cruz de 1934 não tinha abastecimento de água nem rede de esgotos, as ruas não eram asfaltadas, o município era pobre e endividado desde e com o ramal ferroviário, além da convivência cara e dramática com erosão à margem do São Domingos, em plena área urbana. 
Sem realizações de peso, o governo de Pinheiro Guimarães foi considerado medíocre, tanto que sua exoneração, acontecida aos 29 de junho de 1935, deu-se em meio a grande regozijo popular (A Cidade, 30/06/1935: 1-4, "Prefeitura que se esborôa"), substituído excepcionalmente por Alzim de Souza Lemos.
O Partido Constitucionalista – PC, do qual o próprio Pinheiro Guimarães um dos fundadores, provocou sua queda: 
  • "DIRETORIO PC – Havendo grande desharmonia entre os políticos pceistas, embarcaram na semana passada, para a capital, todos os membros daquele directorio que pleiteiam a retirada do actual prefeito municipal, dr. Abelardo Pinheiro Guimarães, que, com quanto prefeito deste municipio desde 30, até hoje nada tem feito para o municipio" (Correio Paulistano, 19/06/1935: 9)
Abelardo Pinheiro Guimarães, no entanto, não abandonou a política e tornou-se oposição sistemática, como membro do Partido Constitucionalista, tendo por ele concorrido a Deputado Estadual, sem êxito. 
Com a democratização do país, em 1945, Pinheiro Guimarães estava entre os fundadores da UDN – União Democrática Nacional, da qual Presidente, e, posteriormente, viria ser presidente do Partido Social Progressista – PSP, fundado por Adhemar de Barros, e pleiteou vaga na Câmara Federal, não alcançando resultado. 
Em 1944 a imprensa noticiava que o ex-prefeito era contra o asfalto, juntamente com o farmacêutico Alziro de Souza Santos e outros partidários 'constitucionalistas', que se recusaram pagar as prestações do asfaltamento na cidade.
Memórias 'udenistas', em justificativa posterior, sustentavam que Abelardo, Alziro e os companheiros, eram contra o asfaltamento antes das instalações das redes de água e esgoto, porém a história registra aqueles serviços antes da pavimentação asfáltica.
Abelardo também se posicionou contra a cobrança de taxa de calçamento, pelo município, e o processo chegou ao Supremo Tribunal Federal, pelo Recurso Extraordinário nº 8.782, cuja decisão, aos 13 de julho de 1948, considerou "constitucional a cobrança pelos Municípios da taxa de calçamento." 
Se não foi político brilhante, Dr. Abelardo Pinheiro Guimarães marcou época em Santa Cruz do Rio Pardo como profissional de saúde, e empresta seu nome a uma Unidade de Saúde, a um edifício comercial e a uma via pública. Faleceu aos 80 anos, em 1° de dezembro de 1977.
2.1.2. O caudilho Leônidas 'Lulu' Camarinha (1938/1946)
Leônidas Camarinha, conhecido por 'Lulu' Camarinha, filho de João dos Santos Camarinha e de Alexandrina Camarinha, nasceu aos 13 de fevereiro de 1904, de família vinculada ao Partido Republicano Paulista – PRP, onde Pedro Camarinha foi grande expoente nos anos de 1920.
Provisionado pela Ordem dos Advogados e Escrevente habilitado do Juízo da Direito da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo (A Cidade, 28/03/1926: 3), a saga política de 'Lulu' Camarinha iniciou-se na Revolução de 1930, quando preso com outros santacruzenses, para fazer-se líder a partir de 1938, atraindo e revelando importantes nomes da política local, a exemplos de Lucio Casanova Neto, Onofre Rosa de Oliveira, Carlos Queiroz e Joaquim Severino Martins, entre outros, que se tornaram sucessores, dissidentes ou não, e determinadores políticos do lugar até o final do século XX. 
Herdeiro ou seguidor político do irmão, Pedro Camarinha – o coadjutor de Leônidas do Amaral Vieira, 'Lulu' recebeu o apoio dos saudosos do coronelismo 'perrepista', conquistou os descontentes da administração de Pinheiro Guimarães (1930/1935), que vislumbravam possibilidades ainda no Governo Getúlio – o 'getulismo' extraconstitucional – para a promoção de interesses próprios.
Neste tripé, típico caudilhesco e de interesses ideológicos distintos, Camarinha teve cinco anos de oposição para firmar liderança política e acercar-se de nomes influentes nos setores tradicionais da sociedade.
'Lulu' Camarinha, então, de contundente vereador oposicionista viu-se prefeito nomeado pelo interventor paulista Adhemar Pereira de Barros, cuja posse dada aos 03 de julho de 1938.
Afora o estilo político megalômano, Leônidas Camarinha era midiático e fazia largo uso dos microfones da Rádio Audição Pública de Santa Cruz do Rio Pardo, potente serviço de alto-falantes instalado na então Praça da República – atual Deputado Leônidas Camarinha, depois o SAF – Serviço de Alto-Falantes, e ainda a Rádio Difusora Santa Cruz, a seu tempo, concessão que lhe foi dada e dela tornou-se sócio proprietário.
Ano a ano, de 1939 ao final de seu governo municipal, fez publicar os seus feitos de administrador público, como prestação de contas à população, inclusive com edições publicadas pela Livraria Acadêmica de São Paulo – Saraiva e Cia, comparando sua administração com a anterior e mostrando, exercício a exercício, o progressismo municipal.
Camarinha fez uso político do esporte, pela Associação Atlética Santacruzense, a quem beneficiou com a desapropriação de terrenos para a construção de um estádio que levaria o seu nome, projeto este inserido num pacote de obras, como a construção de um parque infantil – Decreto-Lei Municipal de nº 12, de 20 de dezembro de 1940, e, numa etapa seguinte, a construção da 'Nova Santa Casa' – o atual Hospital Maternidade 'Dona Maria Perpétua Piedade Gonçalves' – Decreto Municipal nº 48, de 26 de outubro de 1944.
'Lulu' tornou-se, via Municipalidade, financista e mantenedor do hebdomadário 'A Cidade', em 1941, quando o órgão deixou de ser oficialmente vinculado a um partido político para dizer-se independente, sob a direção de Renato Taveiros.
Como prefeito, também pelo município, foi um dos patrocinadores da obra de Leo Azeredo, "Cidades que renascem" (Azeredo, 1943: 61-63), custeada por associação de municípios cujos prefeitos apologizados, e todo um capítulo para Santa Cruz, com exaltações à terra, ao trabalhador, ao progresso devido ao aumento populacional, ao incremento agrícola – algodão e cereais e a intensificação comercial e industrial na sede do município.
Azeredo informou das construções de novos prédios comerciais, residenciais e públicos, das medidas de saneamento básico, da fiscalização e aplicação equitativa das rendas municipais, priorizando as atenções à saúde pública – prevenção, vacinação e profilaxia –, ao sistema educacional, a estrutura ferroviária disponível e das estradas de rodagem, sem se esquecer a população de 62 mil habitantes, sendo doze mil na área urbana e outros restantes na zona rural, praticamente reprodução do que Leônidas já informara dois anos antes: "A cidade de Santa Cruz do Rio Pardo acusa aproximadamente um total de 10.000 almas enquanto a zona rural do município é 'habitat' para outras 50.000." (Prefeitura, Índice de Avaliação e Estatísticas, Governo Leônidas Camarinha, 1940: 11). 
O fecho de Azeredo foi o óbvio: 
  • "Agora uma pergunta se impõe: a quem se deve o reerguimento daquela velha cidade, que nada mais era que um 'burgo-velho', ainda, há pouco mais de quatro anos?" Sem rodeios o próprio autor Azeredo deu a resposta: "Ao seu atual prefeito, dr. Leonidas Camarinha, cuja administração tem encarado com rara energia. (...). Em toda a parte avultam as suas realizações que fazem vibrar de contentamento a alma de seus concidadãos.” E concluiu: "Leonidas Camarinha é bem o espírito construtivo da estirpe bandeirante."
Pela vontade do então Prefeito, Santa Cruz teria 60 mil ou mais 'almas', enquanto o censo oficial de 1940 revelava 44.578 moradores.
À frente do executivo soube aproveitar a oportunidade para remodelar a cidade e concretizar ações de saneamento básico, fazendo-se prefeito tocador de obras vistas e divulgadas, como a pavimentação da cidade, as reformas de prédios públicos, implantação do serviço público de água e rede de esgoto – enfim resolvido, arborização e modernização das praças principais, das quais a central leva seu nome. Também foi o responsável pela fundação do Aero Club Santa Cruz, presidido por Benedicto Carlos da Silva, e a instalação do hangar (O Estado de S. Paulo, 22/07/1939: 6).
Para cada feito de Governo uma "Comissão Patrocinadora de Homenagens", 'voluntária e independente', organizava festejos e desfiles, diurnos ou noturnos – marcha luminosa – precedidos de alunos, escoteiros, professores e normalistas, comerciantes e autoridades, conforme a apologética matéria publicada pelo diário paulistano O Estado de S. Paulo (22/07/1939: 6).
Leônidas sobreviveu, politicamente, a queda do seu padrinho Adhemar de Barros, em 1941, continuando prefeito em Santa Cruz durante o governo do Interventor Fernando Costa (1941/1945), porém exonerado pelo Interventor seguinte, Dr. José Carlos de Macedo Soares (1945/1947), através do Decreto de 17 e publicado aos 18 de abril de 1946, sendo no mesmo ato nomeado prefeito o médico Pedro Cesar Sampaio.
O prefeito Camarinha foi exonerado no governo Macedo Soares:
  • "(...) com a divisão do estado em zonas de influências políticas a cidade de Santa Cruz foi incluída no distrito do sr. Cesar Vergueiro.” (...). "Ora, o sr. Silvio de Campos, não sabemos bem porque motivo, resolveu intervir na política daquela cidade e para isso aproveitou a ausência do sr. Cesar Vergueiro no Diretorio Central, e fez a remessa do oficio ao interventor com a indicação do novo prefeito." (Jornal de Notícias, 23/04/1946: 3). 
A exoneração de 'Lulu' Camarinha aconteceu por telefone: 
  • "Mario Tavares [Presidente da Executiva do PSD e simpático a Silvio de Campos] telefonou do Banco do Estado ao encarregado da Secretaria do Partido, solicitando a demissão dos prefeitos de Santa Cruz do Rio Pardo e São Pedro do Turvo, com a indicação de novos titulares." (Jornal de Notícias, 05/05/1946: 6), com urgência, dispensando parecer do ausente Cesar Vergueiro [a cuja ala pertencia Santa Cruz do Rio Pardo].
O ato desprestigiou Vergueiro, o fundador do Partido Socialista Democrático – PSD, no ano anterior, 1945, e para Santa Cruz fez-se a nomeação do médico Pedro Cesar Sampaio, em lugar do Camarinha, gerando crise nacional com a dissidência do PSD paulista.
Para os líderes 'pessedistas' o Interventor Dr. José Carlos de Macedo Soares não cumprira o acordo com Partido, no qual filiado Camarinha, para que não houvesse exoneração ou nomeação política sem anuência da Comissão Executiva do Partido, presidida por Mario Tavares. 
Acuado o Interventor reconsiderou sua decisão e, por Decreto de 16, publicado aos 17 de maio de 1946, tornou sem efeito a nomeação do Dr. Pedro Cesar Sampaio e, no mesmo Ato, designou Mario de Campos Pacheco, Inspetor de Contabilidade, lotado no Departamento das Municipalidades para "sem prejuízo dos vencimentos e demais vantagens de seu cargo, exercer, em comissão, o cargo de Prefeito Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo" (DOSP, 17/05/1946: 2). Sampaio nem tomou posse.
A anulação do Ato que tornou sem efeito a nomeação de Pedro Cesar Sampaio não ocorreu a pedido, e isto deu causa para Romeu Tortima, Diretor do Departamento das Municipalidades, se autodemitir do cargo.
Campos Pacheco exerceu o cargo de prefeito em Santa Cruz, no sistema de intervenção branca, e depois substituído por Mario Botelho do Amaral, em 1947, e daí uma série de ocupantes interinos, todos em 1947: João Ferreira Vasconcelos, Francisco Gonzaga de Oliveira, Philadelpho Aranha Junior, João Palma Villas Boas e José Osiris Piedade. Campos Pacheco foi, também, Prefeito em Ourinhos, assim citado em janeiro de 1946 (A Voz do Povo, Ourinhos, 19/01/1946: 1).
Enquanto o prosseguimento da crise política, Leônidas Camarinha fundou a Rádio Difusora Santa Cruz (ZYQ-8), concessão em 1946, em sociedade com o comerciante João Queiroz Junior e o bancário José Antonio Ramos, para desta maneira concentrar em suas mãos a imprensa santacruzense, escrita e falada, e dela fazer uso político, aprontando-se para disputar vaga na Assembleia Legislativa e eleger-se Deputado Estadual, com 4.262 votos, para a legislatura 1947/1950. 
Como parlamentar envolveu-se na eleição municipal de 1947 para fazer prefeito eleito o indicado Lúcio Casanova Neto, além de maioria na Câmara.
Camarinha não teve atuação parlamentar destacada, apenas endereçando projetos de impacto popular, muito mais para Santa Cruz e região, como destinações de verbas para obras assistenciais, aos esportes e à construção do Hospital, que já se dizia Hospital Maternidade.
Inteligente, manteve seu nome em muitas edições do Jornal de Notícias, coluna 'Flagrantes da Assembleia', de humor político satírico. Se reelegeu deputado, mandato de 1952/1955, pelo Partido Social Progressista – PSP, com 5.848 votos. 
O PSP foi renomeação, em 1947, do Partido Republicano Progressista PRP, de Adhemar de Barros, que não deve ser confundido com o extinto Partido Republicano Paulista, embora raízes os vinculem.
Outra eleição estadual, Legislatura 1956/1959, e Leônidas novamente deputado eleito com 6.590 votos, sendo que nessa disputa teve a rivalidade municipal de José Osíris Piedade, o Biju, lançado candidato pela UDN – União Democrática Nacional, que não ultrapassou os 600 votos.
Nesta legislatura, de 1956/1959, Camarinha cometeria dois erros políticos em prejuízo a Santa Cruz, primeiro ao consentir e atuar favoravelmente para a redução territorial do município, em favor da localidade de Ourinhos, com a perda da Usina São Luiz e a consequente arrecadação; noutro desacerto, negou apoio político regional ao então candidato para governo paulista, Jânio da Silva Quadros, afinando-se com Dr. Adhemar de Barros. 
Algumas memórias indicam que o salário mínimo, na época, era regional, sendo o de Santa Cruz superior ao de Ourinhos, havendo então interesse econômico da empresa pertencer ao município ourinhense, sendo certo que o Deputado Leônidas Camarinha, em verdade, denunciou "violencias fiscais da Fazenda Estadual em uma usina de Santa Cruz do Rio Pardo" (Ultima Hora, 18/11/1959: 4). Realmente o salário mínimo, desde sua criação, era dividido por regiões e sub-regiões: "Quando da sua criação em 1940, até meados da década de 1980, existiram vários níveis regionais para o salário mínimo, havendo ocasiões onde o maior valor era quase o triplo do menor valor" (Franco, 2000: 1-2), implantados 14 salários mínimos, diferentes para cada região do país, às vezes dentro do próprio estado, e apenas em 1984, o mínimo foi unificado no país, e, em1963 já eram 38 Salários Mínimos diferentes no Brasil, distribuídos nas diversas regiões e sub-regiões, recebendo reajustes diferenciados ao longo dos anos.
O primeiro caso rendeu votos a Camarinha na eleição seguinte; e no segundo, Jânio foi o eleito e, em represália ao Deputado, vetou aqui a implantação do Instituto de Letras e Filosofia, em 1957, autorizando-o para Assis onde, acrescido dos cursos de História e Psicologia, fez-se o conjunto originário da atual UNESP 'Julio de Mesquita Filho'.
Do assunto, Queiroz Filho assim resumiria: "Por razões políticas (o nosso representante na Assembleia Legislativa, o deputado Leônidas Camarinha, teve um desentendimento político com o governador), a faculdade foi para Assis e não para Santa Cruz" (Debate, 07/11/2004, entrevista com Teófilo Queiroz: 'Professor recebe título de Cidadão Emérito').
Outra cinca, aponta que o Camarinha era distribuidor de falsos diplomas pela Escola Normal de Santa Cruz, e favorecera Marlene Taveiros, filha de Renato Taveiros (Diretor da Câmara e dono de Jornal), um sobrinho e apadrinhados políticos, locais e de outras regiões, casos então denunciados que obrigaram incêndio criminoso na secretaria da Escola, ateado por dois funcionários, Walter Biel e Benedito Camarinha Machado, consumindo os livros e documentos que pudessem atestar as falcatruas. 
Leônidas teve que se explicar junto ao então Governador Dr. Jânio da Silva Quadros, através da Secretaria de Educação, e não sem razões já o insinuavam 'incendiário', pecha que lhe foi dada desde a queima da sede da UDN santacruzense (Jornal de Notícias, 08/01/1948: 3).
Versão brandecida do incêndio na Escola Normal conta que Leônidas tão somente acorrera em favor daqueles dois servidores públicos, e que o fogo adveio de problemas elétricos. 
Diante das atitudes políticas de Leônidas Camarinha, a desfavor do município, teria acontecido a dissidência, em 1957, liderada por Lucio Casanova Neto, Anísio Zacura e Onofre Rosa de Oliveira, abrigando-se na legenda do Partido Democrata Cristão – PDC, unido à UDN contra o grupo Camarinha, e Onofre Rosa de Oliveira foi eleito, em 1959, prefeito municipal tendo por vice José Osíris Piedade – Biju.
Leônidas Camarinha não perdoou o líder dissidente e fez chegar ao Ministério Público, em 1959, denúncias de desvios de dinheiro, materiais e medicamentos, ocorridos durante a gestão do antigo aliado, Lucio Casanova Neto (1956/1959), referente a repasse de diferenças de fretes do ramal sorocabano a favor do Município, ocorrido aos 10 de abril de 1957. 
Leônidas 'Lulu' Camarinha reeleito Deputado Estadual (1959/1963), pela coligação PSD/PSO, com aumento significativo de votos, com 9.996 eleitores, e veio à forra contra o grupo de Lúcio, e em 1963 viu elegido o genro, Carlos Queiroz, para prefeito, e o sobrinho engenheiro, José Carlos Nascimento Camarinha, para vice. Este foi o seu último grande feito político.
No pleito de 1966, para a Assembleia Legislativa (1967/1970), Leônidas foi rejeitado nas urnas, com apenas 4.027 votos, enquanto o rival Lúcio Casanova Neto assumiu cadeira com 12.925 votações. 
O grupo político de Leônidas, segundo denúncias de adversários, envolvera-se em escândalos político-administrativos, carreado por Cyro de Mello Camarinha, então processado por desvios de verbas públicas e peculatos, e José Carlos Nascimento Camarinha, acusado e preso por subtração de materiais e superfaturamento em obras do governo, além de outro Camarinha, o Benedito, complicado na onda de falsos diplomas escolares e incêndio na secretaria da escola.
A denominada 'época política Camarinha', após três décadas, chegava ao fim em outubro de 1969, com a trágica morte do ex-prefeito Carlos Queiroz, herdeiro político de Leônidas. 
Camarinha, após a política, dedicou-se aos negócios particulares, gerenciando o Frigorífico Santa Cruz que possuía, em sociedade, visto em 1968 (DOSP: Publicações em Ineditoriais de 25, 27 e 30/01/1968) e depois em 1970 com as saídas e entradas de sócios: 
  • "511.419 – Frigorífico Santa Cruz Ltda. Santa Cruz do Rio Pardo – Retiram-se Jamil Abdalla, Luiz Coronado Rubio, João Homero Alcantara, José Theodoro de Andrade, José Pedron, Guilherme Zacura, Alicio Peixoto, Jeronimo Peres Milian, Antonio Maximiniano de Souza, José Pais de Oliveira, José Renofio e José Dias Vieira – Capital de 162.000,00 entre Hideo Yoneda, Leonidas Camarinha e Wilson Gargioni com 39.054,00 cada – Narciso Nardo 22.264,00 – Arlindo Nardo c/ 16.890,00 e Carlos Vasques Freire, c/ 5.784,00." (DOSP, 31/01/1970: 11. 
O velho caudilho possuía, em sociedade, outros segmentos de serviços, por exemplo, o comércio varejista de combustível, com dois postos de revendas – um [por tempos chamado de Posto do Pelé] na Avenida Tiradentes onde atualmente [referência 2014] as instalações do Banco do Brasil – antiga Nossa Caixa, e outro o Posto Confiança, ao final da Euclides da Cunha esquina com a Simão Cabral – Confiança I. 
Consta, também, Leônidas Camarinha Membro do Conselho Fiscal da Itacolomy de Automóveis S/A (DOSP/Ineditoriais, 02/04/1966: 32).
2.2. A política do 'compadrio'
2.2.1. Lucio Casanova Neto – o compadre
Lucio Casanova Neto nasceu em 1913, na cidade paranaense de Sertãozinho, criado em Paraguaçu Paulista e depois Assis, onde iniciou aprendizado de serviço em farmácia, no ano de 1925. 
Partícipe da Revolução de 1932, em 1936 chegou a Santa Cruz do Rio Pardo para trabalhar na farmácia Santa Lúcia, por ele adquirida quatro anos depois.
Atencioso na profissão e bem relacionado com clientes e potenciais eleitores, Lúcio foi percebido e integrado ao grupo político local, comandado pelo advogado Leônidas Camarinha, o então Prefeito nomeado em Santa Cruz do Rio Pardo (1938/1946). Lúcio Casanova ingressou no PSD, e em 1942 candidatou-se e foi eleito Vereador.
Lucio também se valeu do uso do esporte – time de futebol para popularizar-se, sendo presidente da Associação Esportiva Santacruzense, e membro de destaque, seguidas e alternadas vezes.
Na primeira eleição municipal direta para Prefeito, Lucio foi o escolhido de Leônidas Camarinha para disputar e ser eleito em 1947, mandato de 1948/1951, contra o advogado Omar Ferreira (UDN).
À sombra de Camarinha, Casanova não teve boa atuação no primeiro mandato, e o seu maior feito propagado teria sido a VASP (Viação Aérea São Paulo) disponibilizar serviço de pouso três vezes por semana em Santa Cruz, na rota São Paulo/Presidente Prudente. A inauguração do aeroporto ocorreu aos 03 de abril de 1949 com o pouso do avião que trouxe a delegação do Sport Club Corinthians para o jogo amistoso com a Esportiva Santacruzense.
As fortes chuvas que antecederam a inauguração impediram o avião de permanecer na pista de terra, bastante danificada, retornando para São Paulo. O aeroporto necessitou de reparos e a linha regular de voos a partir de agosto de 1949, como estação aeroviária em funcionamento até sua desativação no início dos anos de 1960.
Concluído o mandato candidatou-se a Vereador e foi eleito para o período de 1952/1955, e depois outra vez Prefeito (1956/1959).
No ano de 1957 Lucio, juntamente com Onofre Rosa de Oliveira, Reinaldo Zanoni, Anísio Zacura e outros, rompeu com o grupo do Deputado Camarinha, assegurando-se no Partido Democrata Cristão – PDC, aliado à União Democrática Nacional – UDN, para muitos um suicídio político.
Com a cisão ocorrida os grupos adversários ficaram conhecidos como Azul (de Lúcio e seguidores) e o Vermelho (de Leônidas Camarinha), nos anos de 1960, mas a guerra de cores apresentava versões anteriores.
-Interposição: a questão das cores partidárias
Nas eleições municipais de 1876/1880, os filiados liberais ostentavam bandeira vermelha e os conservadores tinham a cor azul como símbolo da pujança. A dissidência perrepista de 1901 marcou o azul para os dominantes e o vermelho para os adversários, e em 1919 as cores partidárias dos vermelhos e azuis influenciavam até os esportes, conforme observado num jogo de basquete feminino na antiga praça Coronel Antonio Evangelista da Silva (Correio Paulistano, 25/11/1919: 8).
Na Revolução de 1930 os partidários do chefe político, Tenente-Coronel Leônidas do Amaral Vieira, eram denominados 'Vermelhos', pelos adversários azuis: "Os perrepistas vermelhos de Santa Cruz do Rio Pardo – a escória dos políticos de todos os tempos e cujos chefes são fallidos moralmente" (Santa Cruz Jornal, 05/02/1933: 1).
Depois, aqueles que apoiaram Vargas ou a ele aderiram e fundaram o Partido Municipalista, em 1933, identificavam-se na cor azul.
Destarte mero acaso que os Municipalistas 'azuis' tenham formado a UDN local, que se tornou o Partido de sustentação para o grupo [azul] de Lúcio. A isto denomina-se a visibilidade da cor, na identificação partidária santacruzense, até recentemente.
-Retorno ao assunto – 2.2.1.
As agremiações PDC e UDN, aos 18 de janeiro de 1959, firmaram compromisso em lançar candidato do PDC para prefeito nas eleições daquele ano, com vice da UDN e, na eleição municipal seguinte, um candidato pela UDN a Prefeito e do PDC para Vice. Também teriam compromisso em lançar Lucio Casanova Neto para Deputado Estadual em 1962 – legislatura 1963/1967.
Assinaram o documento: Mario Botelho do Amaral – Presidente do PDC, e José Osíris Piedade (Biju) Presidente da UDN, depois as assinaturas de Alcides Godoy, Benedito Carvalho de Andrade, Derly Ribeiro, Domingos Pereira de Souza, Elidio Orlando Maia, Fernando José dos Santos, Francisco Mariano, Hermenegildo Martelozzo, João Maria Brandini, Jorge Riston, Lucio Casanova Neto, Manoel Mendonça Sobrinho, Onofre Rosa de Oliveira, Paulo Nagata, Pedro Ribeiro dos Santos, Querubim Dias Chaves, Waldomiro Ferreira Neves e Wilson Gonçalves. Outras decisões seriam tomadas pelo grupo.
Lucio candidatou-se a vereador em 1959 e obteve a maior votação percentual da história de Santa Cruz, até 2012 inclusive, e ainda viu eleito prefeito o companheiro Onofre Rosa de Oliveira.
A vitória foi tão humilhadora que o Camarinha e correligionários não perdoaram e denunciaram Lúcio, ao Ministério Público, que aceitou o expediente e acusou o delatado de "continuados atos de desvio a apropriação de bens e dinheiros públicos, revelando à frente do Executivo Municipal absoluta improbidade e incapacidade de administrador, a que se devem acrescentar inúmeros deslizes e arbitrariedades" (Processo Crime 103.987, 25/04/1961, AP fls. 4, Juízo de Direito da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo – SP), durante sua gestão de prefeito de 1956/1959, e assim incurso nas penas do artigo 312, combinado com os artigos 44 – item II letra 'h', e 52, § 2º, todos do Código Penal, com inclusas certidões ao Juízo de Direito para o início de instrução criminal, pelo disposto no artigo 498 e seguintes do Código de Processo Penal.
Lucio desviou verba pública correspondente à restituição de fretes devida à Prefeitura pela Estrada de Ferro Sorocabana, e somente aos 27 de dezembro de 1958, quando acossado pela Justiça, repôs o dinheiro junto a tesouraria municipal, ou seja, vinte meses e dezessete dias após o recebimento. Desvios dessa natureza ocorreram mais de duas vezes.
Noutra acusação, Lucio conseguira da Estrada de Ferro Sorocabana, por intermédio do Governo do Estado, trezentos trilhos de ferro destinados à rede telefônica de Espírito Santo do Turvo e reforma do matadouro da cidade. Dessa quantidade vendeu oitenta ao então vereador Onofre Rosa de Oliveira, numa venda irregular e o valor – em cheque, não foi recolhido ao cofre da municipalidade, mas desviado e somente depois entregue à Diretoria da Associação Esportiva Santacruzense, a título de doação ou auxílio financeiro, nada constando a respeito na escrituração da Prefeitura.
Outra denúncia dizia que Lucio contratara, em nome da Prefeitura, a firma Montana S/A Engenharia e Comércio, para a instalação completa de usina para fabricação de tubos de concreto, em prestações mensais, sendo pagos as três primeiras parcelas, e a Prefeitura cessou a liquidação das demais, o que ocasionou a visita de um inspetor da firma, ficando acertado que o restante seria recebido através do Departamento de Estradas de Rodagem – DER, por conta da cota do Fundo Rodoviário. 
A Montana S/A recebeu o preço total do DER, através de cheque, e devolveu o excedente ao prefeito, ou seja, as primeiras parcelas liquidadas e um saldo existente a favor do município, e Lucio não providenciou o depósito para a Prefeitura, nem deu entrada do numerário na tesouraria, justificando aquisições diretas de lâmpadas e de materiais esportivos doados à Associação Esportiva Santacruzense.
Lucio também foi acusado de retiradas de medicamentos, pessoalmente, reiterada vezes, na farmácia Santa Terezinha, propriedade de Lazaro Cassiano Dias, a pretexto de auxiliar os indigentes e as famílias dos empregados municipais, mandando que as despesas feitas fossem debitadas à Prefeitura, desconhecendo-se o destino dos medicamentos, certo, porém, que pagos pela municipalidade, caracterizando desvio de recursos. 
Apurou-se ainda que, por ordem de Lucio, o fiscal João Martins retirou material de construção de um dos depósitos da Prefeitura, consistente em pelo menos cento e três ladrilhos e cinquenta e dois tijolos, para ser utilizado na casa de Enedina Barreto, amante do prefeito, constituindo esse fato apropriação de bens do Município, sobre os quais Lucio tinha o poder de disposição.
Outros desvios referem-se ao recebimento de recursos DER, por conta da Fundo Rodoviário Nacional e Auxílio Rodoviário Estadual, não contabilizados.
Lucio não negou a venda de trilhos da Estrada de Ferro ao amigo vereador, Onofre Rosa de Oliveira, para reforma de linha telefônica rural, e que o cheque emitido por Onofre foi repassado à Associação Esportiva como incentivo ao esporte municipal.
Não confirmou, porém, desvios de materiais para a residência da amante, e das demais acusações, inclusive dos repasses pela Sorocabana, alegando problemas da tesouraria, ausências e erros de lançamentos, atribuindo acusações infundadas de adversários políticos. 
Num certo momento Lucio até foi classificado de ingênuo pelo advogado Marcial Ablas Caropreso que, juntamente com Amaury Cesar, lhe promovia atabalhoada defesa. 
No entendimento que a melhor defesa seria o ataque ou o revide, Lúcio através do seu grupo denunciou e processou o ex-prefeito, Dr. Cyro de Mello Camarinha (1952/1955), por desvios de recursos públicos, atingindo dessa maneira o adversário Leônidas Camarinha.
A situação complicou-se para Lucio com a decretação de prisão preventiva, pelo então Juiz da Comarca, Dr. Victor Tieghi, obrigando-o homiziar-se na casa de amigos e, em certo momento, foragir-se no município paranaense Primeiro de Maio, e o suplente de Vereador, Gastão Cid, assumiu o seu lugar na Câmara.
Socorreu-lhe a UDN em honrar o acordo com o PDS e lança-lo candidato a Deputado Estadual, surpreendentemente eleito, mesmo sem a sua presença, a não ser nos últimos dias, estribado na Lei Eleitoral e tolerância policial.
Mesmo processado e com prisão preventiva decretada, Lucio audaciosamente enfrentou o Camarinha ao disputar as eleições de 07 de outubro de 1962, para Deputado Estadual, legislatura 1963/1966, e ser eleito com 6.309 votos, pela coligação janista Partido Trabalhista Nacional Movimento Trabalhista Renovador, PTN/MTR, face anulação dos votos comunistas, enquanto o adversário Camarinha, na suplência, assumia cadeira em lugar de deputado nomeado para Secretaria de Estado.
Leônidas Camarinha, irritado com o ex-companheiro, tentou de várias formas, inclusive oferecimento em dinheiro, na época quinhentos mil cruzeiros, para a prisão de Casanova antes da posse, usando de artimanhas, porém, "caíram, assim por terra, todas as manobras e recursos, com que se procurou impedir a diplomação do Lucio." (O Regional, 03/02/1963: 1).
Lucio foi diplomado aos 28 de janeiro de 1963, sem comparecer à solenidade "em razão da sanha de seus algozes." 
Empossado deputado, Lúcio conseguiu imunidade parlamentar e não podia ser preso sem autorização da Assembleia, enquanto o processo tramitava, e então, através do defensor, Dr. Basileu Garcia, viria confirmar o recebimento do cheque da Estrada de Ferro Sorocabana, referente a restituição de fretes a favor do município, mas que o repassara, endossado, ao Deputado Leônidas Camarinha, para compra de um veículo – tipo camionete Chevrolet 1957 para a Municipalidade, jamais entregue, e o imbróglio tornou-se conhecido como 'Caso Marta Rocha', o apelido dado ao modelo do veículo em homenagem à beleza da Miss Brasil 1954.
O utilitário teria sido adquirido em Piracicaba – SP, em nome de Carlos Queiroz, genro do Deputado Camarinha, segundo depoimento de Reynaldo Zanoni, em agosto de 1964:
  • "Fato importante narrado pelo Sr. Reynaldo Zanoni foi aquele em que discorre sôbre a compra de duas camionetes, efetuada pelo sr. Leonidas Camarinha na cidade de Piracicaba, uma delas em nome de seu genro, o [então] atual prefeito santacruzense [Carlos Queiroz], com cheque endossado pelo então prefeito Lucio Casanova Neto. Como sabe a opinião pública, ditos veículos jamais foram entregues ao Município." (O Regional, 30/08/1964: 1).
Nessa conduta processual Basileu Garcia concluiu o processo: "Não tendo como obter que o veículo fosse entregue e não querendo que esse estado de coisas se prolongasse, o denunciado efetuou o depósito da quantia mencionada, na forma exposta."
Para comprovar a inocência e lisura de Lucio, que eram abertos e de confiabilidade os relacionamentos entre Lucio e Leônidas, o defensor fez anexar ao processo, diversos expedientes com aceite de Leônidas Camarinha e endosso de Lucio.
As brigas de Casanova e Camarinha, iniciadas no ano de 1957, tiveram lances inauditos em 1964, com Leônidas denunciando Lúcio nos desvios de verbas públicas, recebidas da Estrada de Ferro Sorocabana, e o atacado, por seu turno, revelou irregularidades na administração de Cyro de Mello Camarinha e, ainda, José Carlos Nascimento Camarinha (vice-prefeito 1963) e Píndaro Camarinha (funcionário do Departamento de Correios e Telégrafos), por desvios de dinheiro público e materiais de obras dos novos prédios de agências de correios, pelo interior do Estado de São Paulo, envolvendo no mesmo processo também Cyro de Mello Camarinha e os pedreiros irmãos, Vicente Ribeiro e Antonio Ribeiro Filho – Bulota. José Carlos Nascimento Camarinha e Píndaro foram presos, incomunicáveis, em 1964.
O hebdomadário 'A Folha', a favor dos Camarinha, ao contrário do que indicavam os documentos, defendeu a probidade dos acusados e presos, como vítimas de denúncias anônimas:
  • "Não possuindo 'a canalha de Sta Cruz' meios para opôr-se de frente ao completo desmoronamento de suas pérfidas pretensões, quais sejam o domínio político do município, enveredaram pelo caminho estreito, escuro e sórdido da denúncia anônima, da calúnia e das mais desavergonhadas mentiras. Invejosos e peçonhentos investiram principalmente contra o vice-prefeito José Carlos, para expô-lo ao ridículo, procurando ainda, desse modo, desviar a atenção da opinião pública em torno do rumoroso processo contra conhecido peculatório e falsificador. Forçoso é reconhecer que êsses canibais engendraram bem a trama, na qual procuraram envolver outros elementos que sempre viveram na mais honrada pobreza, como o vereador Antonio Ribeiro e seu irmão Vicente Ribeiro. Tudo, porém, foi desvendado. É certo que o trabalho foi árduo e grandes também foram os aborrecimentos. Apesar de tudo nos sentimos bem pagos, como José Carlos, porque ressaltaram das investigações procedidas por criteriosos oficiais do nosso exército, o conceito, a dignidade, o comportamento honrado do engenheiro José Carlos Nascimento Camarinha. Nem poderia ser de outra forma para quem conhece o nosso vice-prefeito. A sua conduta foi sempre retilínea e decente. Não se aparelha nem se aproxima José Carlos dêsses indignos, que vivem como ratos fugindo da polícia ou da justiça, dos quais trataremos pormenorisadamente [sic] nos próximos números. Por enquanto nos ocuparemos dos 'tronchos', dos 'orelhudos' e catervas, chefes conhecidos dessa corrente carregada de ódio que enche a esquina da calúnia e da inveja com odor próprio das sentinas em que essa gente mesquinha e malsã vive extraindo o alimento que tão bem se ajusta ao seu paladar."
Lúcio algumas vezes declarou à imprensa local que a Assembleia podia autorizar a Justiça processá-lo, e, em junho de 1964 com a autorização concedida por pedido do Poder Judiciário, o Juiz Tieghi expediu o mandado de prisão, mas Lucio fugiu para reaparecer mediante 'habeas corpus' e reeleger-se deputado estadual.
O parlamentar ainda se confrontou diretamente com o Camarinha, disputando cadeira para a Assembleia Legislativa de São Paulo, em 15 de novembro de 1966. Leônidas Camarinha no páreo obteve 4.027 votos não se elegendo, enquanto Lucio mais que triplicou sua performance anterior, elegido com 12.925 votos.
No uso da política do compadrio, sem grandes projetos, Casanova tinha simpatias em troca de favores políticos, como nomeações de funcionários públicos, concessões de aposentadorias ou licenças para tratamentos de saúde, internações hospitalares em centros de referências ou na capital, sendo alguns pacientes conduzidos, muitas vezes, por avião. No mais, suas atuações eram voltadas para denominações de repartições públicas, rodovias e pontes.
Em setembro de 1969 Lucio livrou-se do processo, absolvido pelo Juiz da Comarca, Luiz Paranhos Velho, centrado que o 'habeas corpus' conseguido em 1964 era a comprovação da inocência do acusado, e que o processo já se arrastava por quase uma década. Com recurso do Ministério Público, Basileu Garcia destacou o depoimento do Dr. Cyro Camarinha que declarava ser não apenas adversário político e sim inimigo de Lucio; e a decisão final ocorreria no exercício seguinte.
A Justiça inocentou Lucio Casanova Neto, definitivamente, em 18 de setembro de 1970, e ele ainda comemorava com amigos, em Santa Cruz, quando cassado o seu mandato pelo Ato Institucional nº 5 (DOU, 21/05/1970). A cassação teria sido denúncia política por parte do rival Leônidas Camarinha ao Comando da 1ª Região Militar.
Desgostoso Lucio retirou-se da política, apenas com pequeno ensaio de retorno ao apoiar o político santacruzense, Joaquim Severino Martins, para uma vaga na Assembleia Legislativa.
2.2.2. Onofre Rosa de Oliveira – o Caboclinho
Certamente, ainda em 2012, Onofre – então já falecido – era o político santacruzense mais conhecido das famílias e das pessoas. Três vezes eleito prefeito, vereador em algumas legislaturas, tinha o estilo da 'política de compadrio' de Lúcio, o seu padrinho político. Talvez o estilo até lhe fosse natural.
Nascido em 1917, filho de José Rosa de Oliveira e Tereza Maria de Jesus, órfão de pai aos dois anos de idade, criado pela mãe, o menino Onofre, dos sete aos treze anos, sem estudos, foi empregado na propriedade rural de Cyro de Moraes, em Figueira de Santo Antonio. Depois empregou-se então na propriedade de Albino Trevisan, para atividades gerais, vendendo e entregando mercadorias.
Casou-se aos 17 de setembro de 1938 com Genoefa Raminelli, filha do casal Antonio Raminelli e Regina Pinhata Raminelli.
Segundo as lembranças, foi com o auxílio da família Raminelli que Onofre teria adquirido o comércio de Trevisan: "quatro cavalos, duas carrocinhas e muitos vasilhames", e os negócios de Onofre consistiam em compra de aves e ovos, os derivados de cana, de leite e de carnes, doces cristalizados ou em compotas, entre outras mercadorias, despachadas por trem ao atacadista paulistano Ângelo Latino.
Dados colhidos junto a Câmara Municipal, Projeto: Histórico de autoria dos Vereadores José Carlos Nascimento Camarinha e Roberto Mariano Marsola, atribuindo o nome de Onofre Rosa de Oliveira ao Paço Municipal, originário à Lei Municipal nº 1.596, de 03 de setembro de 1996. O histórico teve subsídio da família Rosa de Oliveira.
Onofre foi um homem popular.
A origem e a escola política de Onofre foram a mesma de Lucio, ambos escolhidos por Camarinha, sendo Onofre figura certa para a implementação do projeto político de Leônidas para as classes menos favorecidas, àqueles que não tinham leitura e nem sabiam escrever senão o suficiente para votar.
Onofre tinha o dom de convencimento e suas palavras transmitiam sinceridade, e acreditava que ouvir as famílias era a melhor forma de se fazer política, e por isso visitava todas, ouvia e opinava, mas concordava e agradecia sempre, e a ideia ali formada era conjunta.
Compreendia a estratégia política de Leônidas Camarinha, precedida de um amplo debate prévio para o esclarecimento da população, mas na linguagem e compreensão do povo, um bom prefeito aqui com apoio camarário, e o deputado lá na Capital, e esta seria a melhor maneira de tornar Santa Cruz progressista.
Não desprezava os homens estudados ou do saber, mas a formação política santacruzense estava nas mãos do povo, e o filho do povo devia ter condições de estudar para adiante usar a cultura e a experiência adquirida.
Numa análise sucinta, o povo precisava de um líder político e o perfil desse líder encaixava-se em Onofre. Sua política inicial vista em sua primeira eleição para Vereador correspondia essa relação inteiramente voltada para Santa Cruz.
Onofre era vaidoso e acreditava em si, porém era ainda mais inteligente a ponto de subordinar-se a Lúcio Casanova Neto, cuja intrepidez certamente o confrontaria com chefe Leônidas Camarinha, e ambos se anulariam politicamente, e ele, Onofre, seria o substituto ideal. Esta era sua visão política.
Casou bem, prosperou, acertou e errou no mundo dos negócios, foi rico ficou pobre e soube recomeçar, sem o abandono de suas origens, ou mudanças de pensamentos políticos.
Por exemplo, em 1949 Onofre adquiriu de Nelson de Souza Campos seiscentas sacas de café em coco pela importância de Cr$ 498.000,00:
  • "(...) que com a parte da importância recebida Nelson de Souza Campos comprou no Banco Comercial do Estado de São Paulo S/A, nesta praça, um cheque de Cr$ 150.000,00 pagável na matriz de São Paulo (...), cujo documento foi apreendido pela policia paulista quando Nelson procurava receber a referida importância" (O Regional, 14/12/1952: 4, Edital de Intimação, Cartório 1º Ofício, Juízo de Direito de SCRPardo, 02/12/195).
A ação ocorrera sob alegação que "Nelson não lhe havia vendido café e sim palha e detritos, deu o alarme, resultando na abertura do inquerito, processo e condenação de Nelson de Souza Campos, nas penas do art. 171, 'caput' do Cod. Penal (...)."
Acima dos partidos políticos, dizia-se filiado a Santa Cruz do Rio Pardo, e acreditava nisto o suficiente para levar adiante os seus planos, e para isto, evidentemente não ignorava a necessidade de um partido forte, de líderes competentes, mirando-se em Lucio Casanova Neto e em Leônidas Camarinha.
Onofre somou-se aos dissidentes do grupo Camarinha, a manter com Lucio um relacionamento político de lealdade, por algum tempo com subordinação. Talvez tenha sido mais leal a Lúcio do que este a ele, fazendo-se presente em todas as dificuldades arranjadas pelo compadre.
Iniciou sua carreira política em 1947, eleito Vereador e reeleito nas legislaturas seguintes até 1959, quando elegido Prefeito pela primeira vez, assumindo em 1º de janeiro de 1960, batendo Américo Pitol – candidato a prefeito e o vice Cyro de Mello Camarinha – ex-prefeito (1952/1955).
Dinâmico e atento aos conclames populares, Onofre imprimiu ritmo forte à administração, desde a posse, prosseguindo asfaltamento urbano, inauguração da Rodoviária, conclusão de obras da Escola Leônidas do Amaral Vieira, onde atualmente a Escola Sinharinha Camarinha, reivindicou a construção da Delegacia Regional Agrícola, oferecendo terreno ao Governo do Estado.
Como prefeito, Onofre conseguiu autorização legal da Câmara Municipal (Lei nº 64, de 11 de março de 1960) para adquirir um terreno de propriedade de Izaltino Martins Botelho e sua mulher, para fins de doação ao Instituto de Previdência do Estado de São Paulo – IPESP, destinado à construção de escola – Grupo Escolar, no Bairro São José, obra que seria financiada pelo próprio IPESP, com a seguinte localização: "em continuação à rua José Teodoro [atual Gildo Menon], esquina da Ladeira São Domingos, confrontando por um lado com sucessores de Fabiano Pereira da Silva, pelos fundos com o Ribeirão São Domingos e pelo outros lados com as mencionadas vias públicas" (Lei nº 65, de 11 de março de 1960). Tratava-se da futura Escola Maria José Rios.
A primeira aquisição de maquinários em seu governo foi um trator rodoviário, importado, para o serviço da comunidade (Lei Municipal nº 71, de 3 de julho de 1960). Foi dada à Associação Brasileira dos Municípios a procuração necessária para os serviços importação.
Instituiu, em 1962, pensão mensal vitalícia a Manoel Eugênio Soares, descendente do pioneiro fundador de Santa Cruz, Manoel Francisco Soares, por encontrar-se em penosa situação econômica (Lei Municipal 129, 20 de janeiro de 1962).
Importante realização de Onofre foi levar água encanada às vilas da cidade ainda não beneficiadas com tais melhoramentos (Lei nº 130, de 22 de janeiro de 1962).
Criou o CMAS – Conselho Municipal de Assistência Social (Decreto Municipal nº 322, de 19 de novembro de 1962), como Órgão Consultivo não remunerado, para gerir a promoção e assistência social no município, contratando profissionais e auxiliares. Criaria outros Conselhos, praticamente um para cada departamento municipal: Serviço de Estradas de Rodagem do Município (Lei 133, de 22 de março de 1962); Conselho Municipal Fiscal, para a agricultura, comércio e indústria, para consultar interesses cidadãos e das classes de trabalho, além de superintender o lançamento de impostos e taxas municipais equitativas, corrigindo distorções ou desigualdades (Decreto 268, de 15 de fevereiro de 1961).
Teve situações polêmicas e, às vistas dos adversários, suspeitosas. A aquisição junto à Municipalidade de Miracatu (SP) de um trator KT - 50, importado da então República Democrática Alemã – RDA (Lei Municipal nº 152, de 18 de dezembro de 1962 e Lei Municipal nº 181 da Prefeitura de Miracatu). Compraria depois pá carregadeira para o referido trator.
Onofre tinha interesses e sócios em Miracatu, onde apossara ilegalmente terras devolutas (Debate, 12/04/1987 – escândalo denunciado em Santa Cruz pelo Vereador Antonio Francisco Zaneti). De parte dessas terras, em 2009, foi publicado edital para conhecimento de terceiros interessados ausentes, incertos e desconhecidos e dos requeridos Onofre Rosa de Oliveira e sua mulher Genoefa Raminelli de Oliveira e eventuais herdeiros, com prazo de 30 dias, expedido na ação de usucapião requerida por Adelino Alvaro da Silva e s/m – Processo 319/2005 da Vara Cível – Miracatu - SP (DOSP 15/10/2009: 178), ainda em tramitação, por referência a data de 01/11/2013.
Outro ponto polêmico foi sua obsessão em instalar o Departamento de Engenharia Mecânica da Agricultura – DEMA, como Posto de Mecanização em Santa Cruz do Rio Pardo, inegavelmente uma grande conquista, porém criticado quanto ao método utilizado para tal fim.
O então prefeito Onofre, para a doação pretendida ou acertada, conseguira autorização da Câmara (Lei nº 78, de 30 de junho de 1960), para alienar a Geraldo Vieira Martins, mediante doação, o terreno de propriedade municipal, à Avenida Coronel Clementino Gonçalves, com o comprometimento em transmitir referida área ao Governo do Estado – Secretaria da Agricultura, também por doação referida área e no prazo de 120 dias, com o fim expresso para construções e instalações necessárias para o funcionamento do DEMA.
Vieira Martins, de posse do terreno, substabeleceu Reynaldo Zanoni, servidor público municipal, para o cumprimento da obrigação, e este sub-rogou a Onofre Rosa de Oliveira, o prefeito, e enfim transferiu o imóvel ao Governo do Estado de São Paulo, para os fins propostos.
Sem questionar legalidade ou necessidade do acontecimento, sempre ficou a sensação que para o finalmente apresentado e ser Onofre a efetivar a doação, não haveria necessidade das tramitações ocorridas.
A área em questão é onde funcionou o DEMA – que teve reestruturação e o nome modificado para CAIC – Companhia Agrícola Imobiliária e Colonizadora, e com a desativação desta a Municipalidade readquiriu, por compra, referida data de terreno, com imóveis, e ali instalado o Corpo de Bombeiro e Repartição Pública Municipal, e onde elevado o novo prédio para a Câmara Municipal.
Naquele mandato, Onofre suprimiu escolas (Decreto Municipal nº 327, de 20 de fevereiro de 1963), face o êxodo rural representado na época, agrupando as classes onde maiores os números de moradores. Evidentemente lhe sobraram críticas e protestos.
Com o mesmo estilo seria outra vez Prefeito, em 1969/1972, e mais adiante em 1983/1988, para depois ser Vereador em 1992 para a legislação 1993/1996, aliando-se ao grupo do Prefeito Manoel Carlos 'Manezinho' Pereira.
Em seu governo de 1969 a 1972, teve realizações importantes destacadas, a doação de terreno ao Governo do Estado de São Paulo, para a construção de prédio para a Unidade Polivalente da Secretaria Estadual Saúde (Lei nº 432, de 11 de novembro de 1969), onde hoje localizado o Centro de Saúde 'Dr. José Carqueijo'.
Desapropriou terreno de Aniceto Gonçalves – ou de quem de direito, situado à rua Frei Marcos Righi com a Rua Dr. João Pinheiro, para fins de "construção de Ginásio 'Dr. Genesio Boamorte'-." (Lei nº 428 de 2 de outubro de 1969).
Onofre doou, pela Lei 430, de 14 de outubro de 1969, uma data de terreno municipal ao Instituto Nacional de Previdência Social, para construção de sede – edifício próprio da autarquia no município. Referida lei não trazia prazo para a edificação de próprios do Instituto, corrigido pela Lei nº 456, de 6 de julho de 1970: "edificação essa que deverá ser concluída no prazo de três anos." Em caso de descumprimento a área seria devolvida à Municipalidade.
O teor legal foi modificado no Governo Aniceto Gonçalves (1977-1982), em 11 de agosto de 1975, pela Lei 795, retirando-se a cláusula que previa o retorno do terreno para o município em prazo de três anos caso não fosse edificada a sede.
O terreno tornou-se definitivamente propriedade do INSS, com exigência exclusiva para a construção da sede, mas sem prazo para a realização; e no Governo Manoel Carlos 'Manezinho' Pereira (1993-1996) foi ocupado por comerciantes de lanches em veículos de reboque, por isso o lugar conhecido como 'lanchódromo', situação em que se encontra ainda no ano de 2013, sem condições sanitárias ideais.
Pela Lei 463, de 28 de setembro de 1970, Onofre adquiriu o prédio do Colégio Ave Maria, com a finalidade de instalação da Faculdade Estadual de Tecnologia, ambição infelizmente não realizada.
Através do Decreto nº 480, de 11 de setembro de 1970, Onofre criou a Comissão Municipal do Mobral visando a execução e a implementação de alfabetização de adolescentes e adultos no município.
Pela Lei 491, de 22 de abril de 1971, Onofre iniciou, aos encargos da Prefeitura, a construção da Escola Técnica Agrícola Orlando Quagliato, na zona rural, em razão de convênio já estabelecido com a Secretaria dos Negócios da Educação (Governo de São Paulo) para a instalação e funcionamento do Colégio Agrícola – Lei nº 471, de 09 de novembro de 1970.
Em seu governo municipal de 1983 a 1988, adquiriu uma varredoura mecânica, de eficácia bastante questionável quanto à sua adequação para as ruas de Santa Cruz do Rio Pardo. Adquiriu também a Usina de Lixo e a instalou no Parque das Nações, sem soluções junto à CETESB e constantes reclamações da população, tanto daquele Parque quanto da cidade, pelos fortes cheiros trazidos pelo vento.
Pretendeu candidatura para Prefeito em 1992, sendo preterido por Clóvis que considerava Onofre um retrocesso, atitude considerada traição política. Onofre optou 'bater chapa' com o candidato oficial Eduardo Santos Blumer, como vice do médico e vereador Otacílio Parras Assis. Na convenção Otacílio apresentou-se como vice de Onofre, invertendo compromissos assumidos, e não teve o apoio de outros dois médicos membros do Diretório do PMDB, Isaias Carvalho dos Santos e Brazil Zacura, cujos votos definiriam quem o candidato peemedebista, e então Blumer ganhou a indicação e perdeu a eleição.
A carreira política de Onofre compôs-se de cinco legislaturas como Vereador e três vezes eleito Prefeito, conhecendo somente uma derrota, quando pleiteou vaga na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
Na localidade foi ele o mestre da política da reciprocidade, e não hesitava aliar-se a adversários para triunfar seus interesses que dizia ser do município, na máxima política que 'os extremos se tocam quando os interesses se aproximam'. Na política, mesmo oposição, Onofre sempre apoiou a situação, sob a argumentação 'tudo pelo bem do município'.
Onofre tinha o gosto pela apologia ao seu nome, que tanto o fazia sentir-se bem, e desdobrava-se para ser 'coroado’ de notícias em jornal, mesmo vinculado à Prefeitura, fundado por ele ou a mando. Buscava sempre uma administração de impacto, aquisições de estilos, tipo Colégio 'Ave Maria', o prédio do Cinema.
Fomentava ideias megalômanas para a realidade santacruzense de sua época, todavia seus juízos permaneceram, e ainda no século XXI difícil algum projeto que Onofre não tenha pensado, a exemplos entre outros, bandas musicais em coretos; teatro, cinema, museu e biblioteca moderna; nova rodoviária; distrito industrial; faculdade de direito; aproveitamento turístico e energético do Rio Pardo; novo edifício para a Prefeitura e a Câmara; tombamento de construções para preservações da memória da cidade; restauração do prédio da extinta Estrada de Ferro Sorocabana.
A política do 'compadrio', mão no ombro, companheiro de todos e em todas as horas, teve em Onofre sua expressão maior, porém não conseguiu ultrapassar as divisas do município, afinal política de seu estilo se fazia ao longo de muitos anos, tempo que já não lhe restava mais.
Quis insistir. Na eleição para Deputado Estadual – pleito de 03 de outubro de 1990, Onofre candidatou-se numa dobradinha 'acordada' com Luiz Carlos Santos para federal. Foi derrotado, todavia conseguiu votos suficientes para Luiz Carlos Santos ser eleito.
Retornou à política dois anos depois, para eleger-se Vereador, legislatura 1993/1996, porém sua votação abaixo do esperado. Faleceu em 1995, antes de concluir o mandato.
3.3. Os prefeitos do 'meio termo'
3.3.1. Dr. Cyro de Mello Camarinha
Político do grupo de Leônidas Camarinha, Cyro foi o nome escolhido para substituir Lucio Casanova Neto, na Prefeitura Municipal, sem a necessidade de o líder deixar a Assembleia Legislativa. Foi eleito para o mandato 1952-1955.
Distante de um governo próprio, Cyro era considerado preposto de Leônidas 'Lulu' Camarinha, aquele que efetivamente dava as ordens na Prefeitura, e isto era evidente que o ex-prefeito e vereador Lucio Casanova Neto soubesse, pois também passara quatro anos na mesma condição.
Cyro ganhou a eleição, com câmara dócil, para um governo de continuidade. Permaneceria ele quatro anos no poder, sob a liderança de Leônidas, e depois retornaria Lúcio ou outro nome que porventura viesse surgir. Estava, portanto, apenas para cumprir a execução de política partidária e manter o grupo unido.
À época do governo de Cyro alguns feitos são destacados, por exemplos, a inauguração da ponte de concreto sobre o Rio Pardo, a inauguração do Fórum, a conclusão e inauguração da Delegacia de Polícia e Cadeia Pública, a inauguração da biblioteca para os presidiários, por incentivo da 'Escola Leônidas do Amaral Vieira', como atividade regeneradora aos detentos.
Cumpriu o seu mandato e teve por sucessor Lucio Casanova Neto, quando se deu o inesperado rompimento entre Lucio e Leônidas, em 1957.
Após 1959, quando o grupo de Lucio bateu o de Leônidas, este e seus correligionários entraram com várias denúncias contra o dissidente que, vereador em 1961, pela Câmara requereu da Prefeitura as informações: dos valores recebidos e os efetivamente recolhidos ao cofre municipal – período 1952/1955; das cobranças de dívidas ativas no período e o lançamento contábil; da destinação dos materiais da antiga cadeia; e dos gastos com o aterro sob a ponte urbana no Rio Pardo. Os questionamentos foram dispostos em itens.
A Prefeitura respondeu a cada item (O Regional, 08/10/1961: 1), com transcrições dos documentos, acusando desfalque milionário apenas com diferenças, entre valores recebidos e recolhidos à tesouraria do município, referentes as quotas de impostos estaduais.
Outra irregularidade referia-se a quota municipal do Imposto de Renda, recebida aos 31 de agosto de 1952 com recolhimento somente no último dia do ano, em causa da delação, ainda assim a menor do que deveria ser contabilizado.
A municipalidade apontou, também, o pagamento de obras de aterro sob a ponte do Pardo, com recurso próprio, quando se sabia do repasse de verba pelo Departamento de Obras Públicas do Estado de São Paulo.
O relatório municipal trazia, ainda, suspeitas sobre os desvios de materiais de demolição da antiga Cadeia, e encerrava informando que a dívida ativa inscrita, excedia o total da cobrança feita no período 1952/1955, caracterizada, no mínimo, de omissão culposa.
A resposta dada trazia a assinatura do Prefeito Onofre Rosa de Oliveira, fortemente vinculado a Lucio Casanova Neto.
O Presidente da Câmara Municipal, Anízio Zacura, de posse do expediente municipal fez encaminhar cópias ao Ministério Público, solicitando providências, ao Governo do Estado, Dr. Carvalho Pinto, ao Secretário da Segurança Pública do Estado, e ao Presidente da Assembleia Legislativa, Dr. Roberto [da Costa] de Abreu Sodré.
A situação complicou-se para Cyro de Mello Camarinha, por longos anos, até por fim dada prescrição do processo e "a Justiça da comarca acaba de determinar o arquivamento do processo movido contra o dr. Cyro de Mello Camarinha, por supostas irregularidades que teriam sido praticadas na gestão de prefeito deste município" (A Folha, 07/11/1965: 1-4).
3.3.2. Aniceto Gonçalves – um governo sem política
Não existia a reeleição e Joaquim deixaria de ser prefeito. Sem algum nome forte no grupo, a escolha recaiu sobre Aniceto Gonçalves, visto como comerciante honesto e político incorruptível, ainda que sem brilho.
Seu mandato serviria de ponte às pretensões de Joaquim Severino que almejava a Assembleia Legislativa, porém o governo de Aniceto foi incapaz de manter identidade com o grupo, mesmo com a presença de Pedro Queiroz na Chefia de Gabinete.
Aniceto deveria tomar algumas decisões impopulares para a época, por exemplo, criar a 'CODESAN – Companhia de Desenvolvimento Santacruzense', desvinculando o Almoxarifado e o Departamento de Obras da Administração Direta Municipal, porém a condição autárquica da empresa, de economia mista, somente viria acontecer no Governo Clóvis Guimarães Teixeira Coelho (1989-1992).
A criação da 'CODESAN' assustava os empregados públicos municipais que temiam a perda da estabilidade funcional, entretanto ganhariam menos permanecendo na Prefeitura. Também preocupava os munícipes que teriam que pagar por serviços que a Prefeitura quase nunca cobrava.
A 'CODESAN' parecia ter propósito eleitoreiro às pretensões de Joaquim Severino Martins eleger-se Deputado Estadual. Já naquele tempo seria difícil imaginar a 'CODESAN' apenas empresa para servir a Municipalidade, sem o empreguismo de primeiro escalão para os companheiros políticos derrotados, e os apaniguados e recomendados nas chefias e encarregaturas, ficando a operacionalidade para os trabalhadores braçais. Sem dúvidas se teve o uso da 'CODESAN' para o denominado 'Caixa 2'.
Outra decisão controvertida de Aniceto foi a concessão dos serviços municipais de abastecimento de água e coleta de esgotos à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – 'SABESP', mediante Lei Municipal nº 818, de 21 de dezembro de 1979, que autorizava o Poder Executivo a outorgar à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP, a concessão para execução e exploração dos serviços de abastecimento de água e de coleta e destino final de esgotos sanitários no Município, por trinta anos.
Anterior à concessão a Prefeitura respondia pelos serviços, com tarifas baixíssimas e até isenções, para ofertas de má qualidade, no entanto não houve consulta popular nem audiências públicas de esclarecimentos à população que, então, revoltou-se com a súbita elevação das tarifas, e em 1981 levante popular depredou o recinto da Câmara Municipal, os próprios da 'SABESP', a Prefeitura e até a residência do prefeito, sendo insufladores identificados e processados pela então vigente Lei de Segurança Nacional. O episódio ganhou manchetes repercutidas em todo o país.
A outorga não privilegiou entidades sociais e filantrópicas, porém os serviços prestados são de qualidade na sede do município, ainda a desejar nos distritos.
Em 2009/2010 findou-se a concessão, mas, num quesito que permite continuidade não havendo denúncia, a 'SABESP' continuou em atividade e, tão somente no Governo Otacílio Parras Assis, em 2013, celebrou-se a continuidade da Companhia para outros três decênios, corrigindo distorções. A empresa investirá aproximadamente 35 milhões em Santa Cruz e repassará ao município outros 5 milhões, para ações socioambientais e de infraestrutura.
Também foi polêmica a atitude de Aniceto abrir a porteira que limitava o expansionismo urbano adiante da Rua Conselheiro Saraiva, a tratar-se de área em litígio. Foi o sinal para as vendas de terrenos na denominada Chácara Peixe, construções de imóveis residenciais modernos, ainda que sem a legalização do empreendimento e sem a necessária infraestrutura. A expedição de algumas escrituras em 2009 e 2010, o loteamento da Chácara Peixe ainda é – referência 2012 questionado por herdeiros e sucessores das famílias consideradas proprietárias originais.
Aniceto, a despeito de ser considerado governo municipal sem conotação política, algumas conquistas lhe foram notórias, como saneamento das finanças do município, o prolongamento da Rodovia Castelo Branco, a criação da Rodovia Orlando Quagliato, a alça de acesso à mencionada Rodovia Orlando Quagliato. Eram obras já decididas pelo Governo do Estado de São Paulo, com pouca ou nenhuma interferência do município.
Para alguns analistas da política local, Aniceto, dentro das suas limitações políticas, foi fiel ao grupo político dos vermelhos sob o comando de Joaquim Severino Martins. Cumpriu o seu papel, 'o homem era bom, o político muito ruim' já era a frase ouvida nos primeiros meses do Governo Aniceto, que assim entrou num círculo vicioso administrativo, de marasmo político e assim terminar esquecido pelo grupo. A atitude maior de Aniceto foi demitir o Chefe de Gabinete, Pedro Queiroz, conhecido como 'raposa política', ou 'eminência parda no poder' desde a administração anterior, de Joaquim Severino Martins.
Aniceto terminou seu governo no ostracismo político, porém conservando o nome como político honesto e irrepreensível como sempre pautou sua vida privada.
3.3.3. Manoel Carlos 'Manezinho' Pereira – o nepotista
Manoel tinha obsessão em ser Prefeito. Pensou nisto em 1982 quando derrotado, depois em 1988, e em 1992 conseguiu objetivo subordinando-se ao grupo político de Joaquim Severino Martins, que seria o Vice, mas com domínio em alguns setores importantes da Administração, por exemplo, a 'CODESAN'.
Em 1992, quando eleito prefeito, 'Manezinho' estava em sérias dificuldades financeiras com dívida particular impagável junto ao Banco do Estado de São Paulo S/A, respondendo, por isso a execução judicial já homologada pela Justiça, conforme certidão expedida pelo Poder Judiciário de Santa Cruz do Rio Pardo, de 12 de agosto de 1992. Enfrentava ação de execução de título extrajudicial proposta pelo Banco de Crédito Nacional e, ainda, respondia ações apresentadas por outros credores.
O passivo ultrapassava em algumas vezes o ativo, e a dívida, a título de comparação, ultrapassava, na época, o orçamento anual da Prefeitura.
'Manezinho' ao assumir a Prefeitura, não tomou providencias quanto às denúncias que o juiz Antônio José Magdalena, nomeado para a segunda vara, beneficiava-se de mordomias na comarca de Santa Cruz, como o pagamento de aluguel residencial pela municipalidade – a casa do judiciário estava ocupada pelo primeiro juiz.
Também o Juiz usufruía linha telefônica de propriedade da Prefeitura, e não constava na lista oficial telefônica, o que, evidentemente retiraria alegações de emergência ou caráter social (Observatório da Imprensa, 28/02/2001, Caso Debate: A história de uma perseguição...).
Em 1993, pressionado por denúncias de compras na Secretaria de Saúde de materiais, medicamentos e de instrumentais próprios para a área, a preços superfaturados, em média de dois mil dólares diários (Processo 0386 – PM/SMS, de 28 de maio, autor Celso Prado), o Governo 'Manezinho', através da Assessoria de Finanças, admitiu "que muitas das irregularidades foram sanadas. (...). 'Tenho certeza que foram falhas involuntárias'-."
Sem juízo de méritos, "Numa das notas fiscais, por exemplo, consta uma despesa de quase Cr$ 10 milhões, quando o valor de mercado dos mesmos produtos, na época, não chegava a Cr$ 3 milhões." (Debate, 27 de junho de 1993).
Pela mesma denuncia de Celso Prado, Manoel ainda amargou o escândalo revelado pela associação das tipografias em escolher e distribuir, entre si, lotes de serviços para a Municipalidade, repartindo os lucros. A organização conhecida como 'pool das gráficas' desmanchou-se.
Manoel Carlos 'Manezinho' Pereira sustentou-se no poder através de barganhas de cargos políticos e de empreguismo, inclusive de parentes, e se deixou amarrar por uma câmara cada vez mais indócil, onde o Vereador Adilson Donizeti Mira o seu mais declarado algoz.
Da dívida particular, impagável, nunca mais se ouviu a respeito.
3.3.4. Maura Soares Romualdo Macieirinha – a primeira prefeita
Maura iniciou-se na política, em 2000, disputando cargo para a vereança, a pedido de Adilson Donizeti Mira, então candidato a prefeito. Simpática e bem relacionada não teve dificuldades em ser eleita.
Não foi brilhante vereadora, mas mostrou-se bastante próxima do Poder Executivo e foi politicamente flexível aos ditames do chefe político, mostrando fidelidade quando o espocar primeiro do caso em que prefeito se viu envolvido em corrupção no caso 'ITBI' – Imposto de Transmissão de Bens Imóveis.
Referido tributo, de competência municipal de acordo com alíquota estabelecida, cujo valor deveria ser pago sobre a transação pelo comprador. No caso em tela o valor de 400 mil reais deveria ser recolhido aos cofres da Municipalidade.
Maura, no entanto, defendeu arduamente na Câmara a isenção do ITBI ao empresário Francisco Falavigna, de Itápolis, que apresentava ambicioso projeto para o plantio de laranjas no Distrito de Caporanga, sob os auspícios de gerações de empregos. Maura sabia e:
  • "(...) confirmou que a lei seria direcionada a empresários que comprariam terras em Caporanga. Pela proposta do prefeito, a lei só valeria por 30 dias, mas uma emenda ampliou o prazo. Dias depois da aprovação da lei, os empresários transacionaram terras entre si, sem gerar empregos e causando um prejuízo de centenas de milhares de reais aos cofres públicos." (Debate, nº 1232, referências).
A Câmara aprovou a lei de isenção endereçada ao empresário, e o prefeito teria recebido propina de 30 mil reais.
No pleito de 2004, Maura foi convencida a ser candidata a vice-prefeita na chapa encabeçada por Mira que pleiteava, então, a reeleição. Foram vitoriosos nas urnas; ela a primeira Vice-Prefeita da história de Santa Cruz do Rio Pardo.
Quatro anos depois, em 2008, Maura ganhou eleições com o apoio de Mira, para se tornar a primeira prefeita do lugar, dizendo-se preparada e assumindo compromisso: "Me entrego por inteira para fazer um governo de paz e justiça social, sobretudo construtor e de desenvolvimento" (Debate, 04/01/2009: 1).
Mostrando-se inepta com o poder, Maura manteve praticamente a mesma equipe do antecessor, e a pequena mudança observada foi por ordem ou acordo com o próprio ex-prefeito, entrando Zildete Torres Peres Camilo – Cultura, Rosânia Claudia Guerra – Agricultura, enquanto Renata Bozzo retornou à Educação. Depois demitiu Geraldo Vieira Martins Junior – Secretário interino do Desenvolvimento, em período eleitoral, para acomodar o companheiro político José Celso Locali, anterior Secretário, derrotado para vereador.
O governo de Maura não apresentava nenhum indício de personalidade própria, sem realizações, senão a polêmica escolha para a nova Rodoviária, num local semiurbano vizinho às terras da família da esposa do ex-prefeito.
A partir de setembro de 2010, Maura iniciou transformação de governo, adquirindo aparente independência do grupo do ex-Prefeito, deixando de ser governo meio termo, mesmo a manter os ocupantes dos principais cargos de confiança do governo anterior.
Favorita nas eleições de 2012, pela independência política mesmo que tardia, nos dias finais de sua campanha recorreu ao antecessor, recebeu o apoio e foi rejeitada nas urnas.
3.4. Os prefeitos 'caciques da vez'
3.4.1. Carlos Queiroz – o consagrado melhor prefeito
Tido o melhor e mais competente político santacruzense – referência até o ano 2012, Carlos Queiroz herdou todo legado do sogro Leônidas Camarinha, o grande líder dos 'vermelhos'.
Quase tudo na cidade dividia-se naquelas cores, observáveis, por exemplo, nos dois principais clubes sociais o 'azul Icaiçara' e o 'vermelho Clube dos Vinte', e isto influenciava até nos nosocômios, a Santa Casa dos 'azuis' e o Hospital Maternidade dos 'vermelhos'. E assim eram os bares, clubes e identificações pessoais.
Leônidas Camarinha ousara: Carlos Queiroz – o genro, e José Carlos Nascimento Camarinha – o sobrinho, foram lançados candidatos a prefeito e vice por Leônidas, como a última esperança política do grupo diante dos dissidentes, vitoriosos e liderados por Lúcio Casanova Neto. Poucos acreditavam na vitória da dupla diante da coligação PDC/UDN, com os candidatos José Osíris Piedade e Anísio Zacura.
Eleito, Queiroz iniciou aproximação com a Câmara conquistando os opositores para a composição de governo. Adquiriu rapidamente qualidades e fama de político honesto, íntegro e realizador, desvinculando-se da imagem do sogro e distante da política de Lucio. Era a antítese de tudo aquilo que se pensava dos políticos até então.
A coligação PDC/UDN entrou em crise e dela valeu-se Queiroz, em consolidar as lideranças regionais nos distritos e bairros rurais e urbanos (vilas), somando-se aos descontentes com a então política do 'compadrio', e daqueles que sentiam a momento para a mudança política local.
De Queiroz, têm-se o mais respeitável nome na política santacruzense, pós 1947, pela eficiência e probidade, e a morte prematura a consagrá-lo ícone; entretanto, algumas de suas posições são discutíveis, como as formações de grupos empresariais de amigos agregados à municipalidade, ou a ele próprio, como exemplo a estrutura da Rádio Difusora – herança do sogro, em nome de José Cesário Pimentel, antes do repasse ou venda a Joaquim Severino Martins, Amerquiz Julio Ferreira e Clóvis Guerra, cuja receita fortemente vitaminada, sempre, com verba pública.
Diz-se, ainda, do Curso Superior de Filosofia Ciências e Letras, nas mãos de José Cesário Pimentel e supervisionado pela Fundação Educacional Santacruzense – 'FESAN', ou seja, diretamente por Carlos Queiroz.
A Construtora 'CORMAF', dos sócios Osvaldo Cortela, Joaquim Severino Martins e Mário Figueira, teve inspiração original em Queiroz, e especialmente criada para construções de casas populares através concorrências públicas ditas viciadas.
Outros empreendedores tiveram destaque local pelas suas ligações com municipalidade, através de Carlos Queiroz, a exemplo da Cerealista 'Quatro Azes', e o empresário beneficiado por Lei Municipal que permitia aquisições diretas de veículos usados para a frota da prefeitura.
Queiroz, sabidamente controlava alguns empreendimentos de sucesso, mas o seu nome jamais oficialmente vinculado a qualquer empresa, e até sua firma comercial transferida antes de eleger-se prefeito.
Centralizador, Queiroz assumiu politicamente o lugar do sogro, num estilo caciquista.
Na eleição municipal de 1968 (mandato 1969/1972) apresentou e impôs ao partido o seu candidato preferido, José Carlos Camarinha, contrariando o diretório que optava por Sebastião Botelho. A estratégia de Carlos fora equivocada, pois José Carlos Nascimento Camarinha tivera uma série de revezes nos últimos anos, inclusive prisão incomunicável e isto pesou contra, além do carisma inegável do concorrente vitorioso, Onofre Rosa de Oliveira.
Os feitos de Queiroz podem ser vistos através das leis municipais e outras publicações pela Câmara no período. Sem dúvidas um prefeito arrojado, que gostava de nomear todas suas obras e realizações.
Morreu de acidente automobilístico em 1969. Seu passamento prematuro encerrou, de vez, todas as suspeições de seus adversários.
3.4.2. Joaquim Severino Martins: o último 'autêntico' chefe político
Joaquim significou o principal líder político de Santa Cruz, na década de 1970, remanescente do grupo de Leônidas Camarinha, a quem se manteve fiel.
Tornou-se líder por acaso, com a morte prematura de Carlos Queiroz em 1969, e eleito prefeito em 1972 para mandato de 1973 a 1976, pela 'ARENA', vindo a se destacar no cenário político, com dominação caciquista, e que agregou em torno de seu nome grupo político de confiança e mantendo aqueles de Carlos Queiroz, pelos quais foi vencedor na política de 1972. O grupo de Joaquim, ou os 'joaquinzistas', obedeciam-lhe em tudo.
Ambicioso e enriquecido, com mão forte dominou o cenário político durante anos e elegeu sucessor em 1976 o seu vice Aniceto Gonçalves (1977/1982).
Também foi no ano de 1976 que Joaquim viu-se condenado por corrupção eleitoral, processo referente ao exercício de 1974, com repercussão nacional e espaço nos principais meios de comunicação.
Apesar dos problemas judiciais, Joaquim candidatou-se a Deputado Estadual, em 1978, recebendo quase 25 mil votos, ocupando suplência imediata e assumindo cadeira por algumas semanas.
A divisão do partido em duas facções, Arena 1 e Arena 2, prejudicou-lhe nas eleições municipais de 1982, diante do oportunismo de Onofre Rosa de Oliveira, então no 'MDB' onde inscritos três candidatos. As divisões de votos facilitaram a eleição de Onofre, pela terceira vez, e Joaquim ficou em segundo, e seu grupo deu maioria camarária a Onofre durante todo o mandato – 1982/1988.
Joaquim estava em decadência, ainda assim candidatou-se para o cargo de prefeito, em 1988, e perdeu para Clóvis Guimarães Teixeira Coelho, o apontado por Onofre Rosa de Oliveira.
Abandonou a política para dedicar-se aos negócios particulares, todavia sentiu necessidade de retorno à vida pública, em 1992, como vice na chapa de Manoel Carlos 'Manezinho' Pereira, que lhe daria domínio de alguns setores importantes da Administração, por exemplo, a 'CODESAN'.
Conseguiu seu intento e, daí sim, definitivamente abandonou a política.
3.4.3. Dr. Clóvis Guimarães Teixeira Coelho – médico travestido populista
Clóvis Guimarães Teixeira Coelho, médico financeiramente estável, buscou formação política firmada em sua personalidade populista e autoritária, para alguns até contravertida, a partir das condições culturais por ele adquiridas sem abrir mão da sua estabilidade e respeito profissional, à vivência direta dos problemas humanos na sociedade mais pobre, ou seja, no aliciamento das classes sociais menos favorecidas, através do assistencialismo facilitado pela profissão.
Frequentava ambientes comuns à população, os bares e lugares não sofisticados. Somente o título de doutor, por tradição, o tornava diferente e defensor dos mais fracos. Isto fazia bem aos pobres, estar num lugar ao lado daquele que se fazia igual. Tinha discurso empolgante daquilo que poderia fazer, caso tivesse autoridade, com uso e abuso da propaganda pessoal, boca a boca.
Bebia bem, se dizia e agia como pobre e gostava de pescar, além de ser torcedor do Corinthians (paulista) – time de massa, e liderava torcidas quando a equipe fazia bom campeonato.
A classe média achava interessante a atitude de Clóvis, em relação aos pobres. Aparentemente não mostrava inclinações políticas, mas não evitou quando representantes de comunidades carentes pleitearam seu nome para disputar as eleições em 1982, num momento político favorável aos candidatos do PMDB, com Franco Montoro e Quércia disputando do governo paulista.
Optou em sair candidato a Vice-Prefeito de Onofre Rosa de Oliveira – Caboclinho, hábil político. Para garantir-se mais, Clóvis também foi candidato a Vice na chapa de Manoel Carlos 'Manezinho' Pereira, um jovem e inexperiente político, na época, que se mostrava a grande sensação.
A legislação permitia-lhe isto num mesmo partido que podia lançar até três candidatos por sigla partidária.
Onofre ganhou a eleição e Clóvis assumiu a Secretaria da Saúde – então Serviço Integrado de Saúde, e o controle da Assessoria de Imprensa, garantindo espaço no semanário Santa Cruz Notícias – 'jornal do prefeito', conquistar a Promoção Social e firmar-se na Educação.
Bem relacionado nos altos escalões do governo estadual, Clóvis trouxe conquistas de impactos: Padaria para a Merenda Escolar cujo excedente distribuído aos pobres, a 'Vaca Mecânica' para a produção de leite de soja, para os estudantes e os menos favorecidos da sociedade.
Antecedido de propaganda de mais de um ano, promoveu a Municipalização da Saúde como se fosse proposta sua junto ao Governo de São Paulo, e através de sua equipe auxiliou planos diretores de municípios vizinhos.
A sorte lhe foi favorável, com acréscimo de dois anos aos quatro de mandato de Onofre. Clóvis teria condições de preparar-se melhor.
O médico vice-prefeito influenciou Onofre para a instalação da Usina de Lixo, pregando à população a importância daquela aquisição.
Clóvis, naquilo que lhe era dado autonomia, tomava medidas radicais, por exemplo, o fechamento do matadouro municipal sem consultar órgãos federais responsáveis pelo assunto.
O vice-prefeito valera-se do ardil: se o prédio era municipal e este estava interditado, porque ele defendia a saúde da população, então o órgão da união que fosse montar matadouro noutro lugar. Com este ato mostrou coragem, como o homem que enfrentava 'os grandes'.
Com o apoio de Onofre, em 1988, ninguém duvidava que Clóvis fosse o prefeito eleito, candidato popular que encontrou em Eduardo Blumer, para vice, representante das elites, nascido de tradicionais famílias santacruzenses, militantes outrora da União Nacional Democrática – UDN.
Ganhou as eleições e, bem ao 'gosto do povão', mostrou certos arroubos de autoritarismo, desprezando posições e títulos de terceiros, mas exigindo os seus. Clóvis no poder fez canal direto com o movimento político por ele controlado, em desprezo às associações de classes e dos partidos políticos. A Câmara Municipal lhe ficou refém.
A equipe de Clóvis, bastante afinada, soube neutralizar com eficiência as distinções e conflitos de classes, e governava pregando que quatro anos seriam pouco para suas realizações. Politicamente rompia com o passado retrógrado, prometia avanços, e transitava como esperança para as esquerdas, sobrepondo-se à direita, embora o seu Chefe de Obras, Eduardo Blumer, fosse representante e membro da elite santacruzense.
Clóvis sabia que não faria de Eduardo Blumer o seu sucessor, em 1992, mas fez com que este acreditasse na vitória. 
Quatro anos depois Clóvis retornaria para fazer um governo pífio, sem realizações e criticado. Já não havia mais lugar para o populismo autoritário, conforme o seu jeito de ser.
Experimentou candidatura para Deputado Estadual em 2002 e foi um fracasso. Em 2008 disputou e perdeu a prefeitura, como vice de outro médico, Otacílio Parras Assis, e repetiria o malogro em 2012 como vice de Luciano Aparecido Severo – Sargento Severo.
3.4.4. Dr. Adilson Donizeti Mira – a sórdida política do capachismo e cumplicidade
Donizeti Mira foi o primeiro prefeito com reeleição para mandatos consecutivos: 2001/2004 e 2005/2008). Sua formação política forjou-se na esquerda, com apoio de setores da Igreja, sindicatos e a simpatia do conservadorismo, sem se afastar das alas progressistas, criando currais eleitorais para tornar-se líder.
Político temerário ao cofre público, assim classificado pelo Ministério Público – Santa Cruz do Rio Pardo, Donizeti Mira criou forma sórdida de política sustentado no capachismo e na cumplicidade a surfar nas ondas da democracia, porém, rejeitando a ideologia dela.
Visto como fenômeno político local, sustentou-se no clientelismo mediante concessões de favores, de empregos públicos e dos cargos dados em comissão, todos na obrigação em satisfazer sua vontade política e pessoal.
Cooptou líderes de setores diversos da sociedade, angariou simpatias de famílias poderosas em votos, e assumiu condições de maioria individual nas zonas eleitorais decisivas. Aos financiadores de campanha, disto foi acusado, fez abrir os cofres da municipalidade para aquisições endereçadas ou superfaturadas.
Midiático, manteve sob o controle alguns dos meios de comunicação através de propagandas em forma de publicidades, sem escrúpulos de desvios de recursos públicos quanto às finalidades, ou em usar a máquina administrativa a seu favor e de companheiros.
Perseguidor de adversários, Mira fazia-se vítima, para ampliar poder e tornar-se temido:
  • "E ninguém mais que Adilson Donizeti personifica o 'cacique' político moderno em Santa Cruz. Eleito e reeleito prefeito, ele comanda o governo com mão de ferro, perseguindo opositores e até correligionários que não aceitam suas idéias. 'Dono' inconteste do PSDB, ele não titubeia em distribuir cargos para atrair oposicionistas. Em 2006, no meio do furacão causado pelo escândalo do ITBI, Donizeti chegou a ser acusado de 'comprar' o vereador oposicionista Samuel Reis da Silva, relator da CPI que incriminou o prefeito e, depois, se transformou em secretário da Cultura." (Debate, 18/05/2008: 2).
Bom de voto, administrador ímprobo – até última decisão judicial em contrário, foi o prefeito mais processado na história de Santa Cruz, com três condenações transitadas em julgado:
  • Tribunal Superior Eleitoral, Processo: 9409: 36662-76.2008.6.00.0000, aos 13 de fevereiro de 2012, rejeição das contas de campanha eleitoral de 2004, em todas as instâncias da Justiça Eleitoral.
  • Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Processo nº 0003098-16.2009.8.26.0539 (539.01.2009.003098) – concessão indevida de uso de terreno municipal para construção de templo religioso – Igreja do Evangelho Quadrangular.
  • Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Processo nº 0003811-30.2005.8.26.0539 (539.01.2005.003811), Ação Civil Pública / Improbidade Administrativa, pelo uso indevido 'Semanário Oficial do Município de Santa Cruz do Rio Pardo, para propagandas de natureza pessoal.
Tem uma condenação em 1ª Instância, aguardando recurso (2014):
  • Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Processo nº 0003099-98.2009.8.26.0539 (539.01.2009.003099), concessão indevida de uso de terreno municipal para construção de templo religioso - Igreja Presbiteriana Moriá.
  • Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Processo nº 0006370-86.2007.8.26.0539, repasses de dinheiro público à "Associação Esportiva Santacruzense, para fins de incentivo e apoio às práticas desportivas das categorias de base, com caráter de assistência social, em conformidade com a Lei Federal nº 4.320/64, mas parte desses recursos (R$ 105.500,00) acabou utilizado para patrocínio do time de futebol daquela associação, formado por jogadores profissionais. ", (...) "condenar o corréu Adilson Donizeti Mira ao pagamento de multa civil, nos moldes do art. 12, inciso I, da Lei 8.429/92 (...)."
Em algumas decisões judiciais Donizeti Mira foi absolvido, porém cerca de duas dezenas de outros processos ainda e encontram em tramitação no ano de 2014 para 2015.
Os autores não imputam que Donizeti Mira seja politicamente 'ficha suja', pois a ele cumpre provar o contrário, se instado ou necessário fazê-lo, a quem de direito.
3.5. Outros políticos destacados
3.5.1. Dr. Cleophano Pitaguary de Araujo
Cleophano, mineiro nascido em 1867 (Correio Paulistano, 02 de maio de 1902: 2; Homens Públicos), filho de Cleophano Pitaguary de Araujo e Maria da Anunciação Lemos Cordeiro (Igreja Católica, Caldas-MG 12/01/1861 Matrimônio, 1857/1875: 29), casado com Maria Melchior, de família itapetiningana, residente em Santa Cruz, sendo ela filha do Coronel Salvador José Domingues Melchior e dona Maria Joaquina de Jesus.
Formado advogado, Pitaguary de Araujo exerceu as funções de Juiz Municipal e de Órfãos, em Avaré, até 1892 quando nomeado Promotor Público para a Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, pelo Decreto de 23, publicado aos 25 de dezembro de 1892. Solicitou e teve concedida sua exoneração em 1894.
Meteu-se na política local, candidato ao cargo de vereador, em 1896, para a legislatura 1897/1899, não conseguindo eleger-se.
Pouco depois, pelo 5º Distrito, Cleophano candidatou-se a Deputado Estadual, pelo Partido Republicano Paulista, legislatura 1898/1900, por influência da força jovem perrepista santacruzense, comandada pelo Coronel João Baptista Botelho, e reeleito nas eleições de 1900, mandato de 1901 a 1903.
Com a morte do Coronel Botelho, a atuação política de Cleophano Pitaguary voltou-se politicamente para outras localidades da região, como São Pedro do Turvo, Agudos e, especialmente, Ipaussu, para cujo lugar não mediu esforços políticos e prestígios lembrados na história, pelas reivindicações junto ao governo paulista para elevar Ilha Grande [Ipaussu] à categoria de Distrito de Paz (Prefeitura Municipal de Ipaussu – Histórico).
Político indisposto com o Coronel Tonico Lista, abandonou a política para ser fazendeiro em Ipaussu. Tem seu nome dado a uma avenida em Agudos.
Cleophano teve pelo menos um irmão residente em Santa Cruz, o Capitão Antonio Sanches Pitaguary, estabelecido no ramo de farmácia, e consta já falecido em 1922 (DOSP, 04/10/1922: 6426-6427).
3.5.2. Dr. Antonio Carlos de Abreu Sodré
Antonio Carlos nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo, aos 05 de abril de 1898, filho do Dr. Francisco de Paula de Abre Sodré e Dona Idalina de Macedo Costa.
Aos 20 de dezembro de 1919 graduou-se Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais do Largo de São Francisco, hoje incorporada à Universidade de São Paulo.
Durante o período universitário, pelas Arcadas, Antonio Carlos foi Presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, eternizado como o Fundador da Assistência Judiciária Acadêmica – Departamento Jurídico, para proporcionar simultaneamente atendimento gratuito à população pobre e experiência advocatícia aos futuros causídicos, sob a supervisão de professores.
Antonio Carlos, como principal nome da Liga Nacionalista ou Liga Antianarquista, teve participação na greve da Light de 1919, reprimida a tiros, e sobre a qual declarou: "Membros de uma sociedade conservadora, futuros cultores do direito, não poderíamos tolerar que elementos indesejáveis, na sua própria Pátria, venham aqui para dar expansão às suas idéias de desorganização social."
O Estado de S. Paulo edição vespertina denominada Estadinho, 31/12/1919: 42. Prefeitura Municipal de São Paulo, Documentos – Bibliografia de Patronos de Escolas Municipais, Antonio Carlos de Abreu Sodré, página 42). 
  • 'Estadinho', em 31 de dezembro do mesmo ano de 1919: O jornal Estado de São Paulo lançara em 1915 sua edição vespertina denominada Estadinho, que circularia até 1919. Não se trata do atual semanário suplemento infantil.
Outra identificação polêmica, Antonio Carlos teria sido integrante e árduo defensor dos princípios da Sociedade Secreta [Estudantil] de Direito [da Faculdade de São Francisco], a 'Burschenschaft' paulista, a 'Bucha' – abrasileiramento por comodismo prosódico, a tratar-se de sociedade estudantil na Faculdade de São Paulo e secreta nos moldes e inspirações das congêneres existentes na Europa iluminista do bávaro Weishaupt.
Antonio Carlos ganhou destaques tanto na carreira jurídica quanto política, como Promotor Público em Olímpia e Botucatu (SP), sendo nesta última localidade eleito Vereador e, a partir daí, alavancado sua carreira política.
Ingressou na política pelo Partido Democrático – PD, do qual fundador, em 1926, juntamente com o Conselheiro Antonio Prado, Francisco Morato, Paulo Nogueira Filho e Marrey Júnior, em defesa do voto secreto e autonomia do Poder Judiciário. Integrou-se ao Diretório Central do PD e aderiu à formação da Aliança Liberal para o apoio a Getúlio Vargas.
  • Vargas derrotado nas urnas encontraria em Antonio Carlos e outros paulistas o apoio necessário para a conspiração político-militar que, pela Revolução de 1930, o conduziu ao poder.
Com certeza foi a razão do distanciamento de Antonio Carlos Abreu Sodré da política santacruzense, cujo líder, o Tenente Coronel Leônidas do Amaral Vieira, confrontava o 'varguismo'. Ainda sobre Antonio Carlos, em Santa Cruz do Rio Pardo pesava-lhe a imagem política negativa do pai.
O Correio de S. Paulo, em 1935, publicou matéria propagandista pró reabilitação do nome do patriarca Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, como político santacruzense, com inverdades históricas, e responsabilizando o Coronel Antonio Evangelista da Silva – Tonico Lista como causador das desgraças políticas e econômicas do município (05/12/1935: 3-5).
Mas, em 1932, Antônio Carlos fez-se partícipe da Revolução ao assumir a organização da 'MMDC' – Martins, Miragaia, Drausio e Camargo, os estudantes mortos numa manifestação anti-Vargas em 23 de maio de 1932, estopim para a Revolução Constitucionalista.
Deputado Constituinte em 1934, e Federal em 1937, Antonio Carlos consagrou-se político atuante, conquistando importantes melhoramentos para o interior paulista, junto ao governo estadual de São Paulo, Dr. Armando Salles de Oliveira.
Consta que Antônio Carlos tinha possibilidades em se tornar o governador de São Paulo, pois o ex-governador Armando Salles de Oliveira "apoiava sua candidatura a este posto de comando", enquanto o próprio Salles de Oliveira pretendia a presidência do país (Lopes da Cunha, 2009: 182, referência 32). O golpe de Getúlio implantando o totalitário Estado Novo interrompeu as pretensões.
Antonio Carlos (CD: A/A) teria tido a segunda oportunidade para chefiar o governo paulista, no 'queremismo getulista' de 1945, oferta do próprio Getúlio, recusada pelo convidado ao intermediário da proposta, o Dr. Oswaldo Aranha. De outra forma, o 'queremismo' fracassou e Getúlio foi deposto.
Outras notas de família informam que Dr. Antonio Carlos sofrera perseguições no Governo Vargas onde adquiriu a moléstia que precocemente ceifaria sua vida. O nome de Antonio Carlos consta em Registros do DEOPS (PROIN –Prontuário: 3587 Caixa: 22).
Antonio Carlos faleceu em São Paulo aos 14 de novembro de 1946, e já o Decreto Estadual de nº 16.350, de 27 de novembro do mesmo ano, em seu artigo 1º declarava: "O Grupo Escolar de Bernardino de Campos passa a denominar.se – Grupo Escolar "Dr. Antônio Carlos de Abreu Sodré." (DOSP, 28/11/1946: 1).
Dois anos depois a Lei Municipal (Botucatu) de 09 de abril de 1948, ao reconhecer o valor e préstimos de Antonio Carlos àquele município, determinou: "Fica denominada Rua Dr. Antonio Carlos de Abreu Sodré, a atual rua Amazonas sita no Bairro Alto desta Cidade."
Quando o irmão caçula, Roberto Costa de Abreu Sodré era o governador paulista (1967/1971), Antonio Carlos recebeu duas outras homenagens, políticas. A primeira, dando o seu nome à Escola Municipal de Vila Sabará, São Paulo, quando da sua construção em alvenaria, em 11/08/1968 pelo então Chefe Executivo Municipal Brigadeiro Faria Lima.
Para a Escola Municipal de Ensino Fundamental "Dr. Antonio Carlos de Abreu Sodré", foi determinada a data de 11 de agosto para Comemoração Cívica do seu dia e, por força do Artigo 1º do Decreto 13.428, de 15/07/1976, ficou instituído como o dia do patrono a data do seu nascimento, ou seja, 05 de abril.
A seguinte homenagem ocorreu em Ourinhos – SP, para denominar o Museu Histórico e Pedagógico de Ourinhos com o seu nome, sob a justificativa "que entre as figuras a serem cultuadas nos museus, como patronos de suas atividades educacionais e cívicas, e da mesma forma credoras de homenagem pública pela maneira abnegada, sincera e combativa com que serviram a pátria, sobressai o nome de 'Antonio Carlos de Abreu Sodré'-.", pelo Decreto nº 52.034, de 12 publicado aos 13 de junho de 1969, assinado pelo Vice-governador, Dr. Hilário Torloni.
Antonio Carlos de Abreu Sodré também foi homenageado na cidade de Ipaussu, com o nome de uma Avenida, mas não consta nenhuma referência em sua cidade natal.
3.5.3. Professor Juvenal Lino de Mattos
Juvenal Lino de Mattos, filho de Bento Lino de Mattos e Eliza da Conceição Silvinho [Silvino], nasceu aos 28 de março de 1904 numa fazenda entre Ipaussu e Chavantes, no então município de Santa Cruz do Rio Pardo, em cuja sede a família viria residir, pouco depois, e aí Lino passou parte da infância e estudou.
Na capital paulista Lino fez o curso secundário e depois a faculdade, formando-se em Contabilidade e Economia, para tornar-se Professor. Foi Presidente do Sindicato dos Trabalhadores de São Paulo e Secretário Estadual de Educação.
Aos 42 anos disputou cargo eletivo para Deputado Estadual, eleito para a legislatura 1947/1951, e reeleito para 1951/1955. Como Deputado foi colega de Leônidas Camarinha.
Eleito Senador da República nas eleições de 1954, para o período de 1955 a 1963, no entanto a coligação PSP do ex-governador paulista Adhemar de Barros, com o PTB do ex-presidente Getúlio Vargas, lançou o seu nome à Prefeitura de São Paulo para mandato de 22 meses.
Ocorrera que, em 1953, São Paulo conquistara autonomia para eleger o Prefeito, pelo voto popular, sendo eleito o Dr. Jânio da Silva Quadros que, um ano depois, renunciou para disputar o governo de São Paulo, para o qual eleito em outubro de 1954. O vice-prefeito, General Porfírio da Paz, não assumiu a Prefeitura posto candidato a Vice-governador, assim, conforme legislação da época, o Presidente da Câmara, William Salém, assumiu interinamente o cargo de Prefeito, até nova eleição para mandato dos 22 meses restantes.
Então, foram eleitos, aos 22 de maio de 1955, o 'ademarista' Lino de Mattos para Prefeito e o Dr. Wladimir de Toledo Pizza para vice, sendo este janista e membro radical do PTB, num tempo em que o vice concorria separadamente do titular.
Para a posse em 02 de julho de 1955, Lino de Mattos requereu e obteve licenciamento do Senado para o período em que estaria à frente da municipalidade paulistana, mas Jânio Quadros entrou com representação junto ao Tribunal Eleitoral, e Lino de Mattos, após o exercício de nove meses, como Prefeito, teve que escolher entre a Prefeitura e o Senado, optando em renunciar ao cargo de Prefeito, para então Toledo Piza completar o quatriênio iniciado em 1953.
Concluído o tempo de Senado, Lino foi reeleito para até mandato até 1971, sendo um dos grandes nomes da política brasileira, com muitas condecorações.
Juvenal Lino de Mattos faleceu aos 04 de junho de 1991.
3.5.4. Dr. José Abelardo Guimarães Camarinha
O advogado, professor e tabelião José Abelardo Guimarães Camarinha – conhecido por Abelardo Camarinha, nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo, aos 22 de março de 1952, para destacar-se político progressista no município de Marília – SP, onde eleito Vereador, Prefeito por três mandatos, Deputado Estadual em duas legislaturas, e Federal (2007/2010 e 2011/2014).
Nascido de tradicionais famílias políticas rivais em Santa Cruz, a Guimarães (pela mãe Maria do Carmo) e a Camarinha (herdado do pai Josué Francisco), Abelardo ganhou notoriedade política quando à frente do executivo mariliense, como responsável pelas realizações de grandes obras, como a solução do problema de abastecimento de água, a construção da rodoviária, viadutos e a ação social de retirada de crianças das ruas.
Considerado político realizador e carismático, ao mesmo tempo em que truculento e típico coronel, por isto polêmico, Abelardo também é conhecido dezenas de processos sofridos, desde os crimes contra a honra de adversários quanto aqueles classificados como crimes eleitorais, crimes contra a ordem tributária, crimes de responsabilidades administrativas, de formação de quadrilhas e a por violações à lei de licitações.
Não são crimes apenas aqueles 'naturais de campanha' como insiste em esclarecer publicamente, nem tão somente acusações infundadas de adversários ou inimigos políticos. Em setembro de 2005 aconteceu o incendiamento da Central Marília de Notícias – CMN, onde instalado o Jornal Diário de Marília, do Jornalista José Ursílio de Souza, de forte oposição a Abelardo Camarinha.
Abelardo e Ursílio foram sócios, sendo o jornalista 'emprestador do nome para ocultar a identidade do fraudador Camarinha' em casos de desvios de dinheiro público em Marília. Camarinha teria abandonado Ursílio e este cobrou-lhe a fidelidade nos negócios e compromissos assumidos.
Romperam e o incêndio foi o acontecimento primeiro de uma série de outros atentados e revelações de crimes. Segundo o Jornalista mariliense Oswaldo Machado, Abelardo Camarinha seria o real proprietário do Diário de Marília, "e que o atentado teria sido realizado em função de uma disputa societária envolvendo o jornal – Camarinha teria os direitos sobre o Diário 'sub judicie' e estaria irritado com a postura agressiva que vem sido adotada contra ele próprio desde meados do ano passado" (Observatório da Imprensa, 21/09/2005).
José Ursílio acusou Abelardo Camarinha de ser o mandante do atentado, e as investigações levaram à prisão de Anderson Ricardo Lopes que assumiu autoria do crime, e a polícia suspeitou do envolvimento de Rafael Camarinha, filho de Abelardo, e foi pedida sua prisão, negada pela justiça.
Rafael morreu assassinado aos 14 de março de 2006, quando três homens encapuzados e armados invadiram sua casa e o executaram, e o pai acusou o inimigo José Ursílio de mandante do crime.
Ainda em 2006 o Jornalista José Ursílio, juntamente com o motorista Almir Adauto, sofreu tentativa de homicídio por Evandro Quini, sob encomenda do advogado João Simão Neto, suspeita-se, defensor do Camarinha.
Entre as acusações diversas, que o fogo na CNM se constituiu farsa, o assassinato de Rafael queima de arquivo ou problemas de drogas, e que o atentado contra Ursílio uma montagem, Abelardo foi eleito deputado federal, com mais de 78 mil votos, em 2006, depois reeleito em 03 de outubro de 2010.
Abelardo Camarinha é tido caudilho ou dono de feudo político, cujo poder faz tremer as autoridades e torna inerte o Poder Judiciário:
  • "A troca de favores e os privilégios vigoram em Marília com força total. A vida política parece feudal. A conivência da elite econômica, dos políticos e do Judiciário é sufocante. Suborno, surras, ameaças e agora empastelamento são usados para manter as mais terríveis maracutaias longe dos olhos da população – sem qualquer apuração. Nem o Ministério Público costuma encarar o cerne da questão." (Observatório da Imprensa 19/09/2005).
Outro filho de Abelardo, Vinicius Camarinha, milita a política, no mandato de deputado estadual desde 2002, reeleito em 2010, deixando o cargo para disputar e ser eleito prefeito de Marília em 2012. Também já acusado de ser pessoa intermediária em transações fraudulentas do pai e teve decretada a indisponibilidade de seus bens.
Das citações avocadas, comprovam-nas páginas do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. Aliás, o Camarinha foi condenado pelo STF em 08 de março de 2012, por uso indevido do dinheiro público, pena prescrita pois a condenação ocorreu mais de dois anos após o recebimento da denúncia pelo juiz de primeiro grau, em 2006.
Apesar de santacruzense, Abelardo não empolga o eleitorado de sua terra natal; do total de 71.637 votos recebido nas eleições de 2010, teve apenas 349 votos em Santa Cruz do Rio Pardo.
3.5.5. Dr. Benedito Pinheiro Ribeiro
Advogado e político, Benedito Ribeiro residiu por anos em Santa Cruz do Rio Pardo, na infância e juventude, quando seu pai prestava serviço público.
Assíduo frequentador do Clube Soarema, em Santa Cruz, ganhou apelido local de 'Dito Soarema'.
'Soarema' foi Chefe de Gabinete dos Vice-Governadores Orestes Quércia (Governo Franco Montoro), Almino Afonso (Governo de Orestes Quércia) e Aloysio Nunes (Governo de Luiz Antonio Fleury); presidiu a extinta 'FEPASA' – Ferrovia Paulista Sociedade Anônima; a 'EMPLASA' – Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S/A, então ligada a Secretaria Estadual dos Negócios Metropolitanos de São Paulo.
Algumas vezes candidato a Deputado Estadual, 'Dito Soarema' foi Suplente de Deputado pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB, legislatura de 1983/1986, e ocupou cadeira por alguns meses em 1985. Teve grande votação em Santa Cruz, pleito de 1982, somente em 2006 superado em números pelo candidato Sargento Luciano Severo, não eleito.
Inicialmente ligado ao Prefeito Onofre Rosa de Oliveira, rompeu laços em 1985, consequentemente perdendo votos nas eleições de 1986, quando novamente candidato a Deputado Estadual.
Ainda nas eleições de 1986, 'Soarema' teve o concorrente Israel Zekcer, que também por anos residira em Santa Cruz.
3.5.6. Dr. Israel Zekcer
Médico e político, Israel Zekcer, nascido em São Paulo, no ano de 1935, foi criado em Santa Cruz do Rio Pardo.
Zekcer tinha 18 anos de idade quando a família se mudou para Santo André (SP), e no mesmo ano ingressou na Faculdade Paulista de Medicina.
Destacado profissional de saúde estreou na carreira política, em 1982, como Vereador pelo PTB – Partido Trabalhista Brasileiro, e foi Deputado Estadual por três legislaturas seguidas (1987/1990, 1991/1994 e 1995/1998). Ocupou a Secretaria de Esporte e Turismo na gestão do Governador Mário Covas (1995/1998).
Não se reelegeu deputado nas eleições de 1998, porém continuou na militância política, eleito Vereador, em 2008, para a Câmara Municipal de Santo André, e sua mulher Dinah Zekcer elegida Vice-Prefeita.
3.5.7. Dr. Vanderlei Siraque
Nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo aos 15 de fevereiro de 1960 e trabalhou na roça – zona rural, dos 9 aos 14 anos, conforme fez constar em propaganda política de 2010 (Debate, 01/10 2010, Caderno D, informe político).
Bacharel em Direito pela USP, Mestre em Direito Constitucional e Doutorando pela PUC-SP, em 2010 estava advogado licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista.
Seu nome consta entre os fundadores do Partido dos Trabalhadores – PT e da Central Única dos Trabalhadores – CUT.
Ativista político e religioso, segundo sua biografia, participou da Comunidade de Jovens de Utinga – COMUT, da Igreja Santa Maria Goretti; um dos organizadores das Comunidades Eclesiais de Base – CEB(s) da Igreja Católica, além de presença marcante em diversos movimentos sociais e sindicais, como de saúde, de educação, de prevenção à violência urbana, por moradia digna, pela acessibilidade ao judiciário, sindicato dos frios, bancários, metalúrgicos, da pró-CUT, pelo Orçamento Participativo Estadual, pela sociedade controlando o poder.
Sempre pelo Partido dos Trabalhadores, foi três vezes Vereador em Santo André, Presidente da Câmara, e Deputado Estadual desde 1998.
Em 2008 disputou a Prefeitura de Santo André, com 49% dos votos válidos no 1º turno, porém perdeu no segundo.
Como Deputado, segundo anunciado em sítio eletrônico da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo:
  • "(...) coordenou o programa de segurança pública do PT para o Estado de São Paulo e participou da elaboração do projeto de segurança pública para o Brasil, do Instituto Cidadania. É integrante da Comissão de Segurança Pública e vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa. É autor do pedido de CPI para investigar a maquiagem dos boletins de ocorrência policial (BO's) e da Lei dos Desmanches. É o atual líder da Minoria nesta Casa Legislativa." (ALESP – 2010: Vanderlei Siraque).
Deputado atuante, nunca teve votação expressiva em Santa Cruz do Rio Pardo.
Não se elegeu Deputado Federal em 2010, com 93.314 votos, no entanto, assumiu a vaga de Aldo Rebelo indicado para a Chefia do Ministério dos Esportes, em 27 de outubro de 2011.
3.5.8. Dr. Ricardo Madalena – o novo deputado santacruzense
Ricardo Rossi Madalena foi candidato a Deputado Estadual de São Paulo pelo Partido da República – PR e eleito com 45.771 votos, o terceiro mais votado de seu Partido.
Ricardo, engenheiro civil, casado, nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo aos 05 de março de 1965, filho de Mario Augusto Madalena e Delourdes Rossi [Madalena]. Seu pai foi prefeito em Ipaussu – SP, em duas oportunidades.
Conhecido como o representante do Deputado Milton Monti na região de Santa Cruz do Rio Pardo, Ricardo teve experiência no serviço público ainda em Ipaussu, como Secretário de Obras, em concomitância com Santa Cruz do Rio Pardo, para depois experimentar uma frustrada disputa política em 2004, como vice-prefeito em Santa Cruz do Rio Pardo. Em 2007 foi indicado para ocupar a Chefia da Superintendência Regional do DNIT, São Paulo, na cota política de Ricardo Monti, cargo exercido por aproximadamente sete anos, com grande desenvoltura.
Nos tempos de Superintendente do DNIT, Ricardo conquistou a simpatia e respeito dos líderes políticos regionais promovendo melhoria da infraestrutura de transportes em todo o estado paulista, inclusive reurbanizações de trevos rodoviários.
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