SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

domingo, 4 de abril de 2010

APRESENTAÇÃO


O presente trabalho, documentado, é o resgate histórico de Santa Cruz do Rio Pardo – município e sede, desde antes da origem, depois sua passagem de bairro rural à condição de Capela, com a biografia dos fundadores até onde possível, também as fazendas inaugurais em futuro território, a qualificação dos primitivos eleitores e os registros dos primeiros moradores.
Para Santa Cruz, antes, procurou-se uma história limpa com exclusões e inclusões convenientes de acontecimentos e personagens, todas construídas a partir de tradições moldadas aos interesses de famílias dominantes, deformando a verdade e apagando comprometimentos. 
Evidente, numa situação assim, o resgate histórico ofende alguns e reacende a polêmica que a oficialidade não deve sobrepor-se às memórias, nem estranhos reescrever a história de um lugar aonde não vieram à luz.
Os autores não nasceram em Santa Cruz do Rio Pardo, por questão geográfica sobre a qual ninguém exerce vontade alguma, mas escolheram-na por razão consciente para nela viver e, possivelmente, morrer. A coautora, por exemplo, ainda infante chegou com os seus pais na década de 1950, e depois, já formada optou pela permanência, enquanto o coautor, livremente, manifestou preferência pelo lugar, e ambos se conheceram e se casaram, gerando filhos natos santacruzenses. 
Coincidências, em Santa Cruz do Rio Pardo foram pioneiros alguns dos antepassados do coautor, primeiro o Soares – cofundador, depois o Moreira da Silva, o Camargo Prado, o Ortiz de Oliveira, o Salles e o Terra, todos amanhadores do sertão bravio, com muitos erros e violências contra os indígenas, porém sem a justificativa malandra da absolvição pela dirimente da perturbação dos sentidos e da inteligência.
Santa Cruz do Rio Pardo cresceu e alguns dos desbravadores partiram para conquistas de terras adiante e, por lá, muitos ficaram, alguns retornaram, e a localidade prosperou recebendo de braços abertos todos que a desejaram, os nacionais e os imigrantes de diversos países – estes últimos mais de três décadas depois de domado o sertão, inclusos aqueles que antes experimentaram outros ou novos campos e, por vontade livre de escolha ou corridos pelo coronelismo dos anos de 1890, em Santa Cruz encontraram a guarida e paz para si e familiares.
Ao coautor quase nada interessa o pioneirismo legítimo de seus antepassados, mas muito lhe importa aquilo que os descendentes deles e dos tantos acolhidos podem fazer por uma Santa Cruz do Rio Pardo melhor, livre da corrupção e xenofobia de poucos. 
Escrever ou reescrever a história santacruzense, sem deformações, são as propostas dos autores, ávidos nas pesquisas, respeitadas sempre as tradições daqueles que, pelos antepassados, viveram ou acompanharam acontecimentos, desde que não equivocados ou contraditados por documentos.
O ineditismo e a singularidade dos documentos apresentados permeiam as páginas deste trabalho e abrem discussões.
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A figura posta é parte do depoimento de José dos Santos Coutinho, em 1891, atestando que o sogro Manoel Francisco Soares, em 1861/1862 doara terras para o patrimônio da Santa Cruz, num processo reivindicatório da Igreja contra a Câmara Municipal (Cúria Diocesana de Ourinhos, Documentos para Santa Cruz do Rio Pardo, Juízo Municipal).
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