SatoPrado - coletâneas

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domingo, 4 de abril de 2010

BIOGRAFIA DE JOSÉ THEODORO DE SOUZA*

O último dos bandeirantes - A biografia de José Theodoro de Souza
Rara foto atribuída a José Theodoro de Souza, sentado,
com o filho Theodorinho, em pé, à direita, com dois 'amigos'.
Crédito de Luiz Carlos de Barros, 2006: 14.
1.  O mito José Theodoro de Souza
Antigas tradições lembravam o conquistador mor do sertão centro sudoeste paulista, um homem franzino, de pequena estatura e fala mansa, tipo caboclo com fronte larga, olhos miúdos e queixo fino, pele clara com sardas, quase imberbe senão uma barba rala a cobrir-lhe o rosto e fios esparsos de cavanhaque no queixo. Vestia roupas simples e rudes, pés quase sempre descalços. 
Tal homem, lavrador residente em Pouso Alegre (MG), à frente de um bando de mineiros "teve ideia de se aventurar até a região do Paranapanema, á procura de terras de culturas a fim de tomal-as por occupação originaria" (Nogueira Cobra, 1923: 7-8), de forma branda e pacífica.
Inteligente embora analfabeto, religioso, bom chefe de família, cidadão probo e estimado, que atendia a todos que a ele socorriam-se, e em sua entrada desbravadora não quis maltratar os índios, mas sim, com amor cristão, atraí-los à civilização, de modo reconhecido que os próprios nativos o tratavam, respeitosamente, por 'Pae'.
Abriu estradas, fundou alguns povoados e fez progredir o sertão.
Todos o diziam intrépido, alegre, folgazão, festeiro e perdulário tanto, e que chegou a trocar enorme fazenda por um negro escravo, violeiro e cantador de cateretê.
Vinte e cinco anos após sua entrada triunfal em terras no centro sudoeste e oeste paulista, este homem morreu pobre e esquecido por todos, exceto talvez por alguns indígenas renegados que o mataram, a golpes de borduna, em abril de 1875, deixando o corpo no local para ser sepultado no antigo cemitério de São Pedro do Turvo, numa cova que de tão simples, pouco tempo depois, ninguém mais sabia onde encontrá-la.
Esta única descrição daquele homem lendário ganharia depois contornos visuais à semelhança da foto que lhe foi atribuída por Barros (Barros, 2006: 14). Seu nome, José Theodoro de Souza.
A história esqueceu o pioneiro e jamais deu a devida importância ao bandeirismo sertanejo de meado do século XIX, como a última bandeira ocorrida no interior paulista. Tudo teria sido aventura de humildes trabalhadores da terra, que conquistaram espaço após anos de convivência pacífica com os indígenas, que somente se retiraram quando incomodados com a presença maciça dos brancos, e então o sertão progrediu.
Aos poucos, porém, o chegamento de Theodoro e seu grupo, quase romântico, perderia a mística diante dos documentos oficiais resgatados, reveladores que o desbravador foi, em verdade, obstinado matador de índios, para tomar-lhes as terras, através das razias e das dadas, numa conquista tão cruel que se transformou no maior etnocídio paulista do século XIX, em nome da civilização e progresso.
A missão de Theodoro esteve, portanto, em livrar o sertão da presença indígena e entregar as terras conquistadas ao capital, representado pelos fazendeiros, resguardado as partes destinadas aos partícipes dos massacres, e a ele próprio com direito ao quinhão desde o Vale do Pardo santacruzense e adiante. 
2.  Quando as lendas e história confundem-se
José Theodoro de Souza chegou ao sertão paulista, adiante de Botucatu, em algum tempo entre os anos de 1847/1851, casado com dona Francisca Leite da Silva, com quem teve filhos e filhas conhecidos:
  • Francisco Sabino de Souza: nascido em 07 e batizado aos 21 de agosto de 1825 (Batismos, Capela do Alambari, Camanducaia – MG), casado com Maria Francisca do Carmo (I/JTS, 1875: 7).
  • Flausina ou Frazinda Maria de Souza, nascida aos 02 e batizada em 20 de julho de 1828, em Cambuí – MG (Batismos, Camanducai, MG), casada com Josué [ou José] Antonio Diniz (I/JTS, 1875: 7).
  • Maria: nascida aos 26 de dezembro de 1829 e batizada aos 03 de janeiro de 1830, em Capivari – MG (Batismos, Camanducaia - MG), possivelmente a tratar-se de Maria Theodora de Souza, também conhecida por Maria Theodora do Espírito Santo, casada com Francisco de Paula Moraes (I/JTS, 1875: 7);
  • José Theodoro de Souza Junior: nascido aos 22 e batizado aos 30 de abril de 1836  (Batismos Consolação, MG), casado com a prima Marianna de Souza Pontes (I/JTS, 1875: 7). 
  • Agostinha Maria [Teodora] de Souza: casada com José Ignácio Pinto (I/JTS: 7).
O casal teve, ainda, as filhas  'Leopoldina', nascida aos 09 e batizada aos 20 de novembro de 1831 (Batismos, Capivari / Camanducaia – MG);  'Barbina ou Balbina', nascida aos 25 de março e batizada em 08 de abril de 1833 (Batismos, Consolação - MG);  'Anna', nascida ao 1º dia e batizada aos 20 de maio de 1835, em Consolação - MG (Batismos). Nenhuma delas teve história registrada no sertão, desconhecidas as razões, certamente por óbitos (Prado e Sato, com as colaborações de Joaquim dos Santos Neto e Luciano 'Carlinfante' Leite Barbosa).
Dona Francisca faleceu aos 16 de dezembro de 1868, e o sertanista casou-se em 1871 com Anna Luiza de Jesus (DOSP, 20/10/1939: 34), nascida aos 20 de janeiro de 1857 (Eclesial, Batismos/Botucatu, L 1856/1859: 21), filha de Manoel José de Jesus e dona Maria Luiza da Conceição (Nogueira Cobra, 1923: 64 - referência). De José Theodoro de Souza e Anna Luiza de Jesus nasceu José Luiz de Souza, aos 23 de junho de 1875. 
  • O nome de Francisca Leite da Silva consta, ao lado da identificação do marido, em todos os documentos de transações de terras e assentos eclesiais, até 1868, e o de Anna Luiza de Jesus entre 1871/1875, o ano da morte do pioneiro.
Com a vida conjugal assim adequada surgiria, nos anos de 1970, um complicador firmado numa certidão eclesial de casamento: "José Theodoro de Souza, filho legítimo de Ignácio de Souza Teixeira e Francisca Magdalena Serpa, nascido no Rio de Janeiro, com Maria José, filha de Izabel Claudina de Jesus, natural da localidade, sendo testemunhas o Capitão José Borges de Almeida e o cidadão Manoel Leite de Mello" (Matrimônios, Pouso Alegre, MG, L 2-4, fls 47v e 48av, 1838, apud Chitto, 1972: 24). O lençoense Chitto informava, ainda, que Theodoro teria, por ocasião do matrimônio, 24 anos de idade (1972: 24).
Mesmo não constando filhos desse casamento e nem participações de Maria José ou Josefa em quaisquer documentos de transações de terras que fez o pioneiro no sertão paulista, o assunto tornou-se polêmico entre os pesquisadores, desde viuvez não revelada à possível bigamia de José Theodoro de Souza, ou que fosse aquele o verdadeiro nome de Dona Francisca, que procurava ocultar sua origem de filha natural, cujo pai desconhecido ou não revelado. A certidão indicava, também, os progenitores do pioneiro e contestava sua origem mineira, até então apregoada pelos historiógrafos. 
O historiador botucatuense Hernâni Donato afirmaria até "José Teodoro, nascido no Rio de Janeiro mas tido e havido por mineiro" (1985: 72), ou "José Teodoro de Souza, carioca, criado nas Minas Gerais" (1985: 110), entendimento depois aceito por quase todos os estudiosos, pois, enfim, preenchiam lacunas na biografia do pioneiro. 
Os autores Prado e Sato cuidaram tratar-se de homonímia, por decifração familial encontrada em Francisco Sabino de Souza, filho do pioneiro com dona Francisca Leite da Silva, nascido entre 1828/1829, conforme Lista Geral de Votantes de 1859, na Região de São Domingos, Município de Botucatu, 6º Quarteirão [Capela] de São Pedro, no qual Francisco Sabino inscrito eleitor sob o nº 132, casado, com idade de 30 anos (DASP, Documentos para Botucatu, 1859: 5, resgatados por Paulo Pinheiro Machado Ciaccia), nisto a certeza que o pai, José Theodoro de Souza, não era aquele casado com Maria José em 1838. 
Pouco depois os mesmos Prado e Sato levantaram o registro de óbito de Maria José, ocorrido aos 29 de outubro de 1853, em Pouso Alegre - MG (Livro de Óbitos), e, a seguir, o assento matrimonial do viúvo, em 2ª núpcias, com Maria Candida da Silveira, aos 04 de fevereiro de 1854 (Eclesial, Livro de Matrimônios, Pouso Alegre – MG). Tratava-se, comprovadamente, de homônimos.
Não sendo aquele José Theodoro de Souza, casado com dona Maria José, o desbravador do sertão centro sudoeste e oeste paulista, também a sua naturalidade, ascendência e idade, se vinculadas tão somente à referida certidão, deveriam ser revistas. 
Ainda Prado e Sato, com as colaborações dos estudiosos, Joaquim dos Santos Neto Paulo Pinheiro Machado Ciaccia e Padre Hiansen Vieira Franco, concluíram pesquisa que revelou a origem de José Theodoro de Souza e sua parentela, através de assentos paroquiais da Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil, disponibilizados em microfilmes pela Sociedade de Genealogia de Utah – EUA vinculada à seita cristã Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que harmonizam-se com os estudos de Barthiyra Sette e Paola Dias (Projeto Compartilhar, Coordenação de Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira, em § 2º - BERNARDA MARIA DE ALMEIDA, 3.9). 
O feito, inédito, fez saber José Theodoro de Souza nascido de João de Souza Barboza e de Maria Theodora do Espírito Santo, em Juruoca – Aiuruoca, Minas Gerais, batizado em Capela do Senhor do Porto do Turvo, aos 27 de maio de 1804, tendo por padrinhos Manoel Joaquim da Silva e Margarida de Souza (Batismos, Aiuruoca - MG, L. 1797-1808).
O mesmo José Theodoro de Souza, com a idade de 19 anos, casara-se em primeira núpcia com Francisca Leite da Silva, de 22 anos, aos 07 de fevereiro de 1823 (Matrimônios, Camanducaia – MG: 1823: 07/02), sendo ela nascida em Campanha –MG, a 1º de dezembro de 1801, filha de João Tavares da Cunha e Anna Maria do Nascimento (Batismos, Campanha, MG, L. 1791-1806). 
José Theodoro de Souza, aos 26 anos em 1830, esteve presente na abertura do inventário do pai João de Souza Barboza, procedido pela mãe Maria Theodora, e relacionados os seus irmãos: 
  • "Justina Maria de Souza c.c. Jeronimo José de Pontes."
  • "João Valente (ou Vilante) de Souza com 30 anos."
  • "Francisco de Souza de 23 anos."
  • "Manoel Silverio de Souza de 22 anos."
  • "Joaquim de Souza de 20 anos."
  • "Antonio de Souza de 17 anos."
  • "Anacleta/o de 13 anos."
  • "Dionisio de 11 anos."
  • (Pesquisa de Paola Dias, Arquivo: Fórum de Pouso Alegre, apud Projeto Compartilhar, § 2º - BERNARDA MARIA DE ALMEIDA 3.9).
O irmão Bernardino, na época com 16 anos, não constou no inventário paterno, segundo o Projeto Compartilhar. O João Valente ou Vilante era o João Vicente, e Anacleta/o a Anacleta.
São conhecidos os irmãos e irmãs de José Theodoro de Souza, todos com história no sertão, assim como outros aparentados seus e familiares de Dona Francisca Leite da Silva e de Dona Anna Luiza de Jesus, as duas mulheres do pioneiro.
3.  O cabeça de bandeira
José Theodoro de Souza chegou ao sertão para a posse de suas terras em junho de 1851, de imediato à Guerra ao Índio (1850/1851), por ele liderada e vencida, sob as ordens do Capitão Tito Corrêa de Mello, fazendeiro, político e mandatário botucatuense. De pronto estabeleceu os seus principais homens em localidades estratégicas no Turvo, Pardo e Paranapanema, como chefes bugreiros para as garantias e os cuidados iniciais do sertão, e também repassou partes combinadas aos envolvidos na conquista sertaneja, conforme graus de participações. 
O pioneiro mor dimensionou suas terras, confrontou divisas e reconheceu os rios – tributários paulistas do Paranapanema, "observando a largura das barras e o volume do liquido que despejava, elementos com que, approximadamente, pudesse calcular a extensão da bacia de cada um" (Nogueira Cobra, 1923: 30), e as registrou aos 31 de maio de 1856, na então vila de Botucatu adequando-se, assim, aos termos da Lei nº 601/1850 e seu regulamento de 30 de janeiro de 1854 (RPT/BT, nº 516: 31/05/1856). 
Ardilosamente Theodoro promovera quatro registros distintos, sob os números 516, 518, 519 e 520 – consubstanciados naquele de nº 516, conhecido como 'a grande posse'. Com a propositada divisão o declarante indicava outros posseiros na região, como artifício para as legitimações, demonstrando o sertão já habitado, e cada confrontante, no seu respectivo assento, declararia as mesmas e outras vizinhanças como provas de moradia habitual. Não sem razões os divisantes iniciais eram todos parentes, bugreiros e aqueles vinculados pelo compadrio. 
A posse maior assim constou: 
  • Registro Paroquial de Terras nº 516: "Terras que possue José Theodoro de Souza no Districto desta Villa de Botucatu. Digo eu abaixo assignado que sou senhor de umas terras de cultura no logar denominado Rio Turvo, districto desta Villa de Botucatú, e suas divisas são as seguintes: Principiando esta divisa no barranco do Rio Turvo, barra do Correguinho da Porteira, divisando com os herdeiros e meeira de José Alves de Lima, e cercando as vertentes com quem direito for até encontrar terras de José da Cunha de tal até atravessar o rio Pardo, por outro lado até o espigão fóra com quem direito for até cahir no mesmo barranco do Paranapanema, por este abaixo até frontear a barra do rio Tibagy, e daqui cercando as vertentes desta agua que se acha dentro deste círculo até encontrar-se com terras de Francisco de Souza Ramos, daqui descendo até o barranco do São João, por elle abaixo até sua barra no Turvo, por este acima até encontrar com a barra do Correguinho da Porteira donde foi o princípio e finda esta divisa. Cujas terras assim divisadas e con-frontadas as possuo por posses mansas e pacíficas que fiz no anno de 1847 e nellas tenho morada habitual até o presente. Por José Theodoro de Souza, Francisco das Chagas Motta. Apresentado aos 31 de maio de 1856. Vigário Modesto Marques Teixeira" (RPT/BT nº 516: 168-v).
  • Registro Paroquial de Terras nº 518: "Terras que possue José Theodoro de Souza nesta villa de Botucatu. Eu abaixo assignado sou senhor possuidor das terras nesta villa de Botucatu. Um sitio de terras de cultura no lugar denominado Rio Alambary distrito desta villa de Botucatu suas divisas são as seguintes: Principiando no lado de cima divisando com Messias José de Andrade, e pelo alto, com quem direito for até encontrar com terras de Manoel Alves dos Reis, e pelo espigão abaixo com o mesmo Alves até o rio, e pelo veio do rio acima até encontrar o princípio desta divisa. Cujas terras foram por mim possuídas por posse que fiz no ano de mil oitocentos e quarenta e sete e por não saber ler e nem escrever, pedi a quem por mim fizesse, ao meu rogo, hoje trinta de maio de mil oitocentos e cincoenta e seis. A rogo de José Theodoro de Souza, Antonio Galvão Severino. Apresentado aos trinta e um de maio de mil oitocentos e cincoenta e seis. O vigário Modesto Marques Teixeira" (RPT/BT 518: 170-v).
  • Registro Paroquial de Terras nº 519: "Terras que possue José Theodoro de Souza nesta villa de Botucatu. Eu abaixo assignado sou senhor possuidor das terras nesta villa de Botucatu. Principiando na barranca do rio São João e seguindo por um espigão divisando com Matheus Leite de Moraes e rodeando as vertentes de um braço do São João até encontrar com terras de Francisco de Souza Ramos, até o veio do rio São João e por este acima até onde principia e finda esta divisa" (RPT/BT 519: 170-v).
  • Registro Paroquial de Terras nº 520: "Terras que possue José Theodoro de Souza nesta villa de Botucatu. Eu abaixo assignado sou senhor possuidor das terras nesta villa de Botucatu. Principiando esta divisa no barranco do rio São João defronte de um pau de cabiúna aonde faz ponto de divisa com Francisco de Souza Ramos até encontrar com terras de João Vicente de Souza daqui seguindo por um espigão dividindo com o mesmo Souza até encontrar com terras de Manoel Joaquim da Cunha até a barranca do rio São João e por este acima até encontrar com terras de Anastácio José Feliciano, divisando com José Antonio Diniz até encontrar com terras de Francisco de Souza Ramos onde fez princípio e finda esta divisa" (RPT/BT 520: 171-a).
    • O Registro de nº 517 foi emtido a favor do posseiro José Joaquim de Faria, no Rio João - afluente do Turvo.
Consta naquele mesmo 31 de maio de 1856, que "José Theodoro de Souza obtém semelhante registro paroquial [de terras] junto ao vigário Modesto Marques Teixeira, de Botucatu (então, uma vila), para a vastíssima área entre a cidade de Bauru e as margens do rio Paraná. O registro denomina a área Fazenda Rio do Peixe, ou Fazenda Boa Esperança do Aguapeí" (Silva, 2008: 34).
As divisas da Fazenda Boa Esperança do Aguapeí, principiam desde as fraldas da serra de Agudos, 40 quilômetros após Bauru, abrangendo toda a bacia do Feio / Aguapeí até o rio Paraná, mais as cabeceiras e partes conhecidas do Peixe, numa época que se pensava ser o rio do Peixe tributário do Feio/Aguapeí, ou ambos um só, com diversas nascentes, afluente do Tietê.
Após registro dessa posse, Theodoro "arregimentou várias pessoas para estabelecer o povoamento, vendendo lotes de sua 'propriedade'-" (Feliciano, 2007: 50), mas, os historiadores nada ou pouco mencionam José Theodoro nesta transação, ou que ele fosse titular de terras em regiões de Bauru, todavia referências posteriores confirmam que "Além do mesmo José Theodoro, cuja presença na região do rio Batalha é registrada em 1861, avultam também, entre outros (...) detentores de numerosas posses na região" (Tidei Lima, 1978: 70).
Documento do Juízo Municipal de Botucatu ao Presidente da Província de São Paulo, datado de 23 de agosto de 1861, denuncia que em Bauru, "esta imensa área na sua quase totalidade tem sido apropriada e vendida por José Theodoro de Souza e pelos irmãos Francisco e Antonio de Campos" (Tidei Lima, transcrição, 1978: 83).
Outros estudiosos regionais reconhecem em Theodoro o desbravador das regiões de Lençóis Paulista, Bauru, Avaré, Cerqueira César entre outras, aparentemente sem apossá-las. Parte das terras de Theodoro avançavam para a localidade de Lucianópolis, onde o ribeirão das Antas - afluente do Alambari.
As posses de Theodoro eram terras livres de ocupações primárias e nelas não havia sinais de entradas e assentamentos de exploração, não restando dúvidas em ser ele o primeiro branco a entrar nelas, com os cuidados de anotações de divisas e delas a apropriar-se.
Se alguém antes esteve na região, foi tão somente de passagem e nenhuma fixação observável senão aquela no século XVII (1610-1628), à margem direita do rio Paranapanema, a redução espanhola São Pedro, de curta duração, no lado paulista, entre os afluentes Tibagi e Pirapó (Giovannetti, 1943: 82), além da estalagem em Paranan-Itu. Também, consta fixação jesuítica no século XVIII (1719/1759), na época em que os padres foram proprietários de terras na região de Botucatu. 
Desconhecendo a geografia física regional e as antigas denominações contidas no declaratório, por cento e cinquenta anos os estudiosos entenderam que a grande posse de José Theodoro de Souza, englobando as demais, partia do Rio Turvo e do Ribeirão das Antas, tributário do Alambari, pelo divisor Peixe-Paranapanema, até o Ribeirão das Anhumas, pouco abaixo da barra do afluente paranaense Tibagi, no Paranapanema, estendida até o Ribeirão da Água Boa, algo em torno de 60 quilômetros de testada por 150 de fundos, ou seja, quase nove mil quilômetros quadrados de terras, muito acima dos limites legais de posses permitidos ou tolerados pelo Império. 
Inexplicavelmente, para os pesquisadores, José Theodoro de Souza não assumira o Vale do Pardo, região santacruzense. Não procede. O princípio da propriedade de José Theodoro de Souza, pelo Registro Paroquial de Terras nº 516, dava-se no Turvo, margem esquerda, cercando as vertentes de tal a despassar o Rio Pardo e, depois do espigão, chegar ao Paranapanema, inexistindo qualquer outra maneira em conciliar a travessia do Pardo com o declaratório de posse (Prado e Costa, CD A/A: 2006).
Documentos de transações e regularizações de direitos corroboram que propriedades transacionadas, aquém do Turvo e mesmo do Pardo, situavam-se dentro da grande posse de José Theodoro de Souza, a exemplos, entre outros, a posse no Rio Capivara, afluente no Pardo à direita (Pupo e Ciaccia, 2005: 207 - F 35); as fazendas Jacu, Furnas, Paredão e Chumbeada, em atuais municípios de Ipaussu, Chavantes e Ourinhos (DOSP, 03/08/1909: 23-24); a fazenda Santa Tereza, barra do Pardo e parte do rio acima, em Salto Grande (DOSP, 17/06/1908: 1869); e terras à margem esquerda do Pardo, porção onde a Fazenda Água do Pires, em Santa Cruz do Rio Pardo (DOSP, 18/06/1909: 4310-4311).
As terras do Vale do Pardo santacruzense comprovadamente inseriam-se na grande posse de José Theodoro de Souza.
4. A morte do pioneiro
O inventário de José Theodoro de Souza revela-o falecido na localidade de São José do Rio Novo (Campos Novos Paulista), aos 24 de julho de 1875, e não em São Pedro do Turvo, no mês de abril daquele ano, conforme se pensava.
A data da morte foi informada em expediente de 23 de setembro de 1875: "Dona Anna Luiza de Jesús, passou a mesma a fazer perante o Juiz suas primeiras declarações pela maneira e fórma seguinte: que seu finado marido José Theodoro de Souza, no dia vinte quatro deste, fazem dois meses que faleceu (...)." (I/JTS, 1875: 5-7), ou seja, aos 24 de julho de 1875, um mês após o nascimento do filho José Luis que, então, não lhe seria póstumo.
Também, Theodoro não foi morto por nenhum indígena, e sim por doença "em estado paralytico", de acordo com o testemunho do Padre Francisco José Serôdio, prestado aos 10 de setembro de 1877 (I/JTS: 111). 
Aos 22 de junho de 1875 Theodoro, doente e paralítico, teria feito testamento, em São José dos Campos Novos, perante Juventino de Oliveira Padilha, Escrivão do Juízo de Paz e Tabelião de Notas da Freguesia de Santa Bárbara do Rio Pardo, sem testemunhos, exceto Antonio Alves Nantes que assinou a rogo do testador. 
O testamento sugere falcatruas pelas exclusões de fazendas que Theodoro sabia ainda existir.
Para a Procuradoria de Terras, face o testamento, José Theodoro de Souza morreu pobre, endividado e sem a menor referência a qualquer porção de terras, limitando-se pedir aos filhos do primeiro matrimônio para reporem a quantia que lhe faltava para inteirar o pagamento da sua terça deixada à segunda mulher, Anna Luiza de Jesus, que então renunciaram os direitos em favor da viúva inventariante e do filho José Luiz, de três meses, aquinhoado com o que restara, ou seja, "uma morada de casa assoalhada e coberta de telha na capella de S. José dos Campos Novos, no valor de seiscentos mil reis." (DOSP, 16/03/1938: 36).
A inventariante não arrolou fazenda alguma, que informou existir, mas não sabia onde, assim como desconhecia a localização das matrículas de escravos. Anna até reconhecera, num primeiro momento, parte das dívidas contraídas pelo marido, e de outras nunca ouvira dizer, para mais adiante contestá-las, quase todas, e requerer embargos, entendendo ela que o seu procurador, João da Silva e Oliveira,
apresentara débitos inexistentes e informações fraudadas. 
  • Até recentemente João da Silva e Oliveira era tido, por todos os pesquisadores, cunhado de José Theodoro de Souza, pelo primeiro matrimônio, ou seja, irmão de Francisca Leite da Silva. No entanto, documentos comprovam a inexistência desse cunhadio, e apenas Bernardino da Silva e Oliveira, irmão de João, foi casado com Theodora de Souza, filha de Joaquim Antonio de Miranda e Anacleta de Souza, esta irmã do pioneiro mor.
    • Obviamente isto não exclui laços parentescos entre as respectivas famílias comprovados por documentos eclesiais (Igreja Católica/SGU) e citações em expedientes cartoriais (DOSP, 20/10/1939: 30). 
      • Outrossim inegável que João da Silva e Oliveira foi procurador de José Theodoro de Souza, por algum tempo e em muitas transações de terras, por saber ler e escrever além de confiável ao outorgante. 
Comprovaram-se as forjicações por parte de Oliveira e Silva, conluiado com outros interessados nas dissipações dos bens do falecido, e Theodoro de Camargo Prado, Juiz Comissário residente em Santa Cruz do Rio Pardo, requereu em nome da viúva Anna Luiza de Jesus, nova análise do processo, e o Juiz de Direito da Comarca de Lençóis Paulista, Dr. Joaquim Antonio do Amaral Gurgel, deferiu pedido de embargo e determinou novas providências, para declarar irregularidades e má fé praticadas pelo procurador João da Silva e Oliveira.
Diante dos recursos apresentados e as juntadas de novos documentos, o processo de inventário do pioneiro foi encaminhado de Santa Cruz do Rio Pardo ao Tribunal de Relações da Província de São Paulo, aos 16 de agosto de 1882, e quase três anos depois a sentença homologatória obteve a veneranda sentença: 
  • "Accordão em Relação, vistos, relatados e discutidos estes autos, despresão a preliminar de se não conhecer da appellação, bem como o aggravo do processo de fls. 146, e dando provimento a mesma appellação interposta a fls. 211, reformão a sentença appellada de fls. 108, por não se fundar em prova legitima e mandar em consequencia, que subsista a sentença de fls. 79-v que homologou a respectiva partilha e rateio; indo, porém, a praça para ser arrematada a escrava Honorata, separada para pagamento do appellante credor; a quem não se admitte ser ella adjudicada contra direito expresso em inventario de órfãos. – Pagas as custas pela appellada. S. Paulo, 17 de julho de 1885. Villaça, P. Uchôa, A. Brito Melo Matos." (DOSP, 16/03/1938: 2).
A decisão não teve o final satisfatório às partes conflitantes, e ainda hoje herdeiros, legítimos ou não, sustentam que os registros de propriedades advindas de José Theodoro de Souza padeceram de vícios, considerando que as transmissões de domínios teriam ocorrido de forma fraudulenta após a morte do sertanejo. 
Os insinuados e os comprovados invasores de terras, no uso de artifícios criminosos, das violências físicas e mortes, ou de imposturas de títulos primitivos de posses, escudavam-se que José Theodoro vendera muitos de seus bens, a totalidade deles, e os títulos seriam legítimos.
Quanto a essa dissipação dos bens é preciso compreender que José Theodoro adentrara no sertão para desbravá-lo e povoá-lo, vendendo terras e, mesmo assim, "No espólio do mineiro, sobre tudo, sabemos que existiam muitas águas que reunidas às outras, irregularmente alienadas, por falta de registro, formavam bloco, assaz considerável" (Nogueira Cobra, 1923: 99).
Entre 1896/1897 o herdeiro José Luiz "Attingindo a maioridade, induziram-no a tomar conta da herança que desconhecia e, em seguida, alienou dando origem esse acto a uma contenda." Nogueira Cobra, 1923: 57). 
O herdeiro pressuposto apresentara e requerera, informam as fontes, 'direitos hereditários' (DOSP, 16/03/1938: 36), de propriedades que entendera suas, em partes não inventariadas nem postas em testamento de seu pai, contraditado inclusive pela Procuradoria de Terras, todavia obteve pronunciamento favorável da justiça, e depois vendeu as terras para residir em Botucatu e lá falecer. 
O fazendeiro Manoel Pereira Goulart e sua mulher eram ou se pronunciavam:
  • "(...) cessionários de José Luiz Souza e sua mulher, no inventário de José Theodoro de Souza e sua mulher Dona Anna Luiza de Jesus. O immovel é constituido de toda a vertente do Santo Ignacio, excluindo as vertentes directas à cabeceira do Ribeirão Bonito, e dividindo com o Rio Novo – Rio do Peixe e vertentes às cabeceiras do S. João e Anhumas ..." (O Contemporaneo, 15/05/1920: 2, edital de citação de herdeiros). 
O Coronel Francisco Sanches de Figueiredo que se dizia dono daquela propriedade, já havia con-testado judicialmente ao Manoel Pereira Goulart como cessionário de José Luiz de Souza, e a Jus-tiça lhe fora desfavorável, inclusive em recurso apresentado: 
  • "Recurso Crime nº 1367 - Campos Novos do Paranapanema – Recorrente, o promotor público da comarca e o coronel Francisco Sanches de Figueiredo, recorrido, Manoel Pereira Goulart; relator, o sr. C. Canto. (...). Negaram provimento, com a advertencia ao escrivão e recommendação ao juiz quanto à calligraphia daquele" (DOSP, 11/05/1901: 4).
5. Quando efetivamente Theodoro chegou ao sertão
Até 2005 não havia consenso de quando Theodoro chegou ao sertão, para a conquista sertaneja, se em 1847 conforme informado em seus apossamentos, ou já próximo a 1856, o ano dos registros das posses.
Para o engenheiro e memorialista Bruno Giovannetti, o pioneiro Theodoro chegou à região em 1855, com plano já traçado em assenhorear-se de terras livres de ocupações, e para o registro se viu obrigado a declarar posse desde 1847 para tê-las livres do patrimônio devoluto da província (1943: 125).
O advogado e historiador Amador Nogueira Cobra informou a chegada de Theodoro após 1850, no espaço da promulgação da Lei 601, de 18 de setembro de 1850, e seu regulamento em 30 de janeiro de 1854, pelo Decreto 1318, aproveitando-se do prazo maior concedido para legalização de posses que ia até maio de 1856, para o registro de suas terras, sendo a retroação a 1847 mero artifício para que o ato não se tornasse nulo de pleno direito, nem viesse o declarante incorrer em penalidade legal (1923: 6-8).
J.C. Pedro Grande, do Conselho Nacional de Geografia, em 1953, atestou que "José Theodoro de Souza e José Vieira Martins, fundaram em 1848 o então modesto arraial de São Pedro dos Campos Novos do Turvo" (Diário de Notícias, RJ, 20/09/1953: 27), sem informar como localizado o Vieira Martins na fundação do mencionado lugar.
O assisense Leoni Ferreira da Silva (Leoni, 1979: 3 e 341) assegurou que Theodoro fez sua posse no ano de 1847, conforme objetivo, e a registrou obedecendo a legislação em vigor.
Bartholomeu Giannasi, descendente de italianos residentes em Conceição de Monte Alegre, atual distrito de Paraguaçu Paulista, descreveu que Theodoro contratou com o Imperador Pedro II, em 1847, para apossar terras adiante da Serra Botucatu e, pelos espigões dos rios Feio/Feio até as barrancas do Rio Paraná.
O repórter Cristiano Machado informou, pela entrevistada Tereza da Silva Gonçalves – suposta herdeira, que Theodoro chegou ao sertão em 1847, a mando do Imperador, para saber das ocupações de terras (Machado, 2005: 20/01 - A Folha de São Paulo, 'Supostos herdeiros de pioneiro invadem fazenda em SP'), e as tomou por posse primária.
José Joaquim Gonçalves Melo entende que Theodoro chegou ao sertão em 1842, com "autorização expressa e escrita por ordem do Imperador D. Pedro II, para fazer o levantamento das terras e registros das mesmas" (Gonçalves Melo, 1999: 3). Para credibilidade Melo esclareceu que a fonte das informações, José Antonio Pereira de Lima, "era cunhado de José Theodoro de Souza" (op.cit), sem revelar de qual maneira o cunhadio, que hoje se sabe infundado.
O Professor Carlos Frederico Santos Silva igualmente indicou a presença de Theodoro no sertão em 1842, quando este teria fundado São Pedro do Turvo (Santos Silva, 1954: 5).
A professora Maria José Corrêa de Oliveira Zanoni, firmada em Santos Silva, quase vinte anos depois declararia: "O pioneiro nos avanços por estes lados foi José Teodoro de Souza, que fundou São Pedro do Turvo em 1842", prosseguindo a autora: "foi uma ocupação lenta tanto que a cidade de São Pedro do Turvo (...) foi fundada 30 anos antes da fundação de Santa Cruz do Rio Pardo" (Oliveira Zanoni, 1976: 55-56).
Nenhum dos citados autores apresentaram justificativas ou referências para suas conclusões, voltadas para a conquista sertaneja e não necessariamente para o tempo da chegada de Theodoro na província paulista, situações obviamente distintas.
O primeiro registro da presença de José Theodoro de Souza na província paulista, aponta-o na cidade de Sorocaba, no mês de maio de 1842, a serviço de Euzebio da Costa Luz, quando das realizações da Feira Anual de Animais, em meio a festas religiosas do Divino e dos eventos desportivos como as montarias, as provas de laços e as touradas, atraindo gentes das diversas regiões do Brasil.
O pioneiro meteu-se lá num incidente histórico, quando a deflagração da Revolução Liberal e os revoltosos, senhores da situação num primeiro momento, prenderam Euzébio da Costa Luz, ou intentaram o ato, com pronta reação de Theodoro para o tornar livre (Aluisio de Almeida, Notas para a História de Botucatu, pelo Jornal O Estado de São Paulo, 11/11/1951).

Donato não deixa dúvidas tratar-se de José Theodoro de Souza, o desbravador-mor do sertão paulista, assim ajustado em dois textos de sua obra (1985: 72 e 110 – Notas 1). Por conseguinte, inimaginável ação solitária de Theodoro a favor de Costa Luz, ou solidária que não lhe fosse retribuída com algum vínculo.
Antigos relatos da primeira geração de desbravadores mencionam Theodoro, antes da conquista sertaneja, viageiro e espia de tropeirada, cabecilha requisitado por conhecer os desvios dos condutos do sertão, para evitar pagamentos de taxas e pedágios nas estradas oficiais, além de entender as astúcias do índio e as manobras dos ladrões sempre às espreitas nos apreensivos caminhos do contrabando tropeiro. Tratava-se de chefe de bando, versão diversa daquela que o tratava rude montanhês e pacato agricultor na mineira Pouso Alegre.
Os serviços prestados por Theodoro interessavam a muitos e, certamente, ao mineiro afazendado em Araraquara (Bairro do Jacaré) e no alto da Serra Botucatu, Joaquim da Costa Abreu, contratador de tropeirada.
O grupo de Theodoro era formado, quase exclusivamente, de parentes: irmãos, cunhados e primos. Documentos eclesiais comprovam sua liderança familiar desde 1825, posto onde assentado também presentes a parentela e aqueles de seu círculo mais próximo, quase sempre vinculados por laços de compadrio, conforme observado nas regiões mineiras de Camanducaia (1825/1831), Consolação (1832/1836) e Ouro Fino (1837/1842).
Não existe qualquer indício que Theodoro tenha trabalhado para Costa Abreu, mas a morte deste, em 1840, ressaltou o relacionamento entre Theodoro e Euzebio da Costa Luz, o novo mandatário em Botucatu – ainda Nossa Senhora das Dores no Cimo da Serra, em lugar do finado irmão.
Observável, a partir de 1841, o encerramento do tempo de Theodoro na região de Ouro Fino-MG, e doravante, até 1850, ele, seus parentes e os mais próximos são revelados, gradativamente e às sucessões dos acontecimentos, nas regiões onde a influência de Costa Luz, Araraquara, Brotas, Dois Córregos e, essencialmente, a futura Botucatu.
João Vicente de Souza, irmão de Theodoro, e sua esposa Marianna Felisbina de Jesus, aos 02 de setembro de 1849 estão documentados residentes em Botucatu, quando dos batismos dos filhos, dois deles com a idade de três anos e um com doze meses (Livro de 1849/1856: 34), destarte a remontar estadia da família, pelo menos, três anos no lugar, ou seja, 1846.
  • Os assentos eclesiásticos botucatuenses eram realizados pelos padres visitadores, de quando em quando, e os atos religiosos praticados em massa até 1849, sendo os registros levados para Itapetinga, sede paroquial (Donato: 1985: 62), muitos deles extraviados ou, ainda não localizados. À mesma maneira, os expedientes judiciais e camarários referentes a Botucatu, ou que outro nome tivesse, eram realizados também em Itapetinga, a sede de comarca e município, e neles nenhuma referência nominal que possa identificar todos os seus moradores ou eleitores entre 1842/1849.
    • Afora o incidente histórico em Sorocaba, José Theodoro de Souza e sua mulher dona Francisca Leite da Silva acham-se registrados moradores em Botucatu, aos 02 de julho de 1849, num documento batismal da família Nolasco (1849/1856: 26).
Antonio Theodoro de Souza, outro irmão de José Theodoro de Souza, teve residência declarada em Brotas, de acordo com registro eclesial de 25 de maio de 1849 (Batismos 1843/1864: 5).
Documentos cartoriais ratificam os fortes laços entre Theodoro e Costa Luz, na conquista sertaneja de 1850/1851, sendo este último estratégico apossador de terras onde o atual município de Salto Grande, no Paranapanema. Igualmente destacado o Costa Luz acompanhante de José Theodoro de Souza a Minas Gerais, em 1852, inclusive testemunha na doação de terras feita pelo pioneiro e sua mulher para os patrimônios de São João Batista e São Pedro, aonde hoje São Pedro do Turvo, de acordo com escritura lavrada em São João da Boa Vista.
Comprovada a presença de José Theodoro de Souza na Província de São Paulo, desde 1842, absolutamente nada o desautoriza a qualquer incursão, a partir de São Domingos, pelas regiões do Turvo, num processo prévio ou não de reconhecimento da região a ser ocupada a partir de 1851, o ano da fixação de Theodoro e sua gente no sertão.

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