SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

domingo, 4 de abril de 2010

DOCUMENTOS SOBRE AS ORIGENS DE SANTA CRUZ DO RIO PARDO

Introdução:
Os autores possuem em seus arquivos dezenas de documentos que atestam o surgimento de Santa Cruz do Rio Pardo, urbana e rural, desde 1851, com os assentamentos pioneiros no Turvo 'santacruzense', e somente quatro ou cinco anos depois no Pardo, também 'santacruzense'. Essa diferença deu-se em razão que nas beiras do Pardo estavam os Caingangue, ferozes opositores à conquista sertaneja muito mais que as outras etnias.
Alguns dos documentos seguem abaixo.
1. Alambari - o primeiro núcleo rural que viria ser santacruzense
São Domingos, em 1851/1852, era um Distrito - 2º Quarteirão Eleitoral / 12ª Seção, da freguesia de Botucatu, do Município de Itapetininga, no qual identificados os primeiros eleitores sertanejos, entre eles os desbravadores de São Pedro do Turvo, do Alambari e outras regiões surgentes. 
  • Os primeiros registros e transações de terras para a região são datados a partir de 1856, em Botucatu, com a retroatividade das posses.
No Alambari foram qualificados votantes: José Luiz Correa, Manoel Alves dos Reis, Manoel Duttra [Dutra] Pereira e Silvério Gomes dos Reis (DAESP, Lista de Votantes de 1852, para a Capela de São Domingos, Freguesia de Botucatu, no município de Itapetininga). Tal relação implica inscritos e contados na região no ano anterior. 
  • Os habitantes pioneiros moravam num bairro escolhido entre fazendas para os cuidados uns com os outros, pois famílias isoladas eram facilmente vítimas dos índios e outros perigos do sertão. 
(...)

2. Os primeiros moradores / eleitores - 1859 7º Quarteirão do Pardo
Botucatu conquistou emancipação política legal aos 14 de abril de 1855, quando elevada à condição de Vila e, consequentemente, Município, embora a primeira Câmara somente instalada em 1858, para daí em diante estabelecer sua divisão territorial, com os quarteirões eleitorais, sendo Santa Cruz identificada como o 7º Quarteirão - Rio Pardo, na Freguesia de São Domingos.
(...)
Em 1859 eram os seguintes nomes de eleitores do 7º Quarteirão do Rio Pardo, região para Santa Cruz ((DASP/BT, Lista Geral dos Votantes da Freguezia de S. Domingos Municipio de Botucatu em o anno de 1859):
  • 'Antonio Francisco Soares, casado, 38 anos'
  • 'Francisco Pires de Sousa, casado, 40 anos'
  • 'Francisco Soares, casado, 24 anos'
  • 'Fellipe de Moura Rocha, casado, 40 anos’
  • 'Faustino Machado de Oliveira, casado, 50 anos'
  • 'José Francisco Chaves, casado, 50 anos'
  • 'José Francisco Soares, casado, 31 anos'
  • 'Joaquim José Soares, casado, 32 anos'
  • 'José Domingues Chaves, casado, 30 anos'
  • 'Justino Soares, casado, 30 anos'
  • 'Joaquim Pereira da Silva, casado, 32 anos'
  • 'José Geraldo, casado, 50 anos'
  • 'José Custodio de Sousa, casado, 30 anos'
  • 'Ignacio Pinto Gomes, casado, 24 anos'
  • 'Joaquim Machado, casado, 24 anos'
  • 'José Francisco de Oliveira, casado, 24 anos'
  • 'Manoel Francisco Soares, casado, 64 anos'
  • 'Antonio Machado, casado, 60 anos'
3. Doações de terras para o patrimônio da Santa Cruz
Em 1861/1862 o fazendeiro Manoel Francisco Soares doou cem alqueires de terras para o Patrimônio da Santa Cruz, sob a administração da Igreja, para a oficialização de uma Capela sob a denominação Santa Cruz do Rio Pardo, cujas dimensões compreendidas desde a barra do Ribeirão de São Domingos até um valo em direção ao Pardo e, por este abaixo ao encontro com o mencionado tributário (ACMSP, Relatório dos Bens Imóveis da Diocese de São Paulo de 1904: 55-56). 
3.1. Testificações do Padre João Domingos Figueira 
3.1.1. Carta sobre a origem de Santa Cruz do Rio Pardo com transcrição


Transcrição da carta 
(Atestado de nascimento de Santa Cruz – n.a.)
  • "Os habitantes de Santa Cruz do Rio-Pardo filial de Sam Domingos termo de Botucatu, encarregando-me como seu procurador. Dois anos habitei entre elles, neste tempo erigio-se huma capella mór com presbiteryo, altar sacraico, throno retabulo, forrada, assoalhada, com corredores dos lados o mesmo e sachristia. O patrimonio doado tem sem alqueires, mais ou menos, terreno proprio para grande povoação, agua pelo alto com abundancia, apresenta este logar um futuro risonho. A afluencia de povo de todas as partes é immensa. As divisas combinadas com os moradores, e as mais apropriadas devem ser: Principiando na foz do rio Pardo com o Paranapanema, subindo este até frontiar em linha reta com o ribeiro Santa Clara, descendo este a entrar no Turvo, descendo este athe onde principiou a divisa".
  • "Esta Capella dista de S. Domingos quatorse leguas, o vigario bastante inpolitico negou-me todas as licenças para baptisados e casamentos, talves julgando que o privaria de seus emulumentos. Estes habitantes tendo entre si um padre vio-se na dura necessidade, com incommodos innauditos hirem para S. Domingos e dispesas imcompativeis, subscrivendo cotas para o vigario ir, ao lugar, e assim mesmo, não hia se não por, contribuição espantoza, como fosse a benção do cemiterio q. exigio oitenta mil reis dizendo que era a licença, quando a provisão q tenho de cemiterio para minha fazenda importou hum mil duzentos e oitenta"
  • "Senhor esta capella não foi benta e para esse fim requeiro a V. Ex. faculdade para mim ou outro sacerdote de confiança sua. Assim mais a ereção de pia Baptismal. V. Ex. que em todos os actos de sua sublime administração tem apresentado amor paternal, caridade, e desinteresse. Eu em nome daquellas ovelhas submissas do seu grandioso rebanho supplicamos serem atendidas".
  • "Eu, e aquelles ficamos rogando a Deos pela conservação de sua vida apreciavel para ingrandecimento das almas por isso".
  • "-Ilegivel-". (ACMSP, Documentos avulsos para Santa Cruz do Rio Pardo, resgatados por José Carlos Pereira de Souza).
3.1.2. Carta referente a Santa Cruz do Rio Pardo - escrita de Bom Sucesso atual Caconde-SP

Transcrição da carta
  • "Com magoa levo ao conhecimento de S.Ex.Rev. o que se tem passado neste infeliz lugar há 6 mezes. Convidarão-me para vir ao lugar e fazer meus contratos, estive hum mez ... -me a que fizesse minha mudança, propuz condições acceitarão, e um lugar onde empregasse os cativos, tudo foi franqueado; porem a peçonha do Hydra estava encerrada nas viceras do depravado que me convidou para este lugar por nome Fernando, este homem é quem afiançava, porem logo q. aqui cheguei portou-se diferente, negando-se ao seu lado, só passado tres mezes, depois de varios desgostos afiançou porem a 10 de Fevereiro quando completava seis mezes ... que os parias não querião mais minha continuação como vigario: não podem elles justificar faltas só sim a 10 de Fevereiro não dei cinca porque não achei palma benta no lugar que elles chamão Igreja, não achei theribulo, no acto ... ... não havia vinho pa. a Missa, e no dia dois ... . No dia dois de Novembro p.p. tambem esse senhor feudal sentio-se porque não o esperei e ... quando quizesse ..., são as faltas q. elles o ligão. Em vista do acontecido tenho de regressar para minha fazenda em Sta. Cruz do Rio Pardo, onde fico esperando as determinações de V.Ex. dirigindo-se p. Botucatu. Ainda que quizesse continuar-se pelos emulumentos estes são tão limitados que não dá para o café, Missas neste lugar não há, tudo he mizeria".
  • "V.Ex.Rº atendendo ao expendido asseitará minha dimessão, não me nego a servir a Deos e á Igreja, e em Sta. Cruz existe uma nova povoação cujo povo bem dedicado ao servisso de Deos e da Igreja com minha estada de dois annos fosse uma Capella môr, forrada, assoalhada, com Prezbiterio, altar, trono, sacrário, e retabulo. O patrimonio doado é de 100 alqueires já conta com 18 a 20 fogões no arraial. A afluencia do povo é immensa".
  • "Deos G. a V.Ex. Revª - muitos annos. Bom Sucesso - 13 de Fevereiro de 1864".
  • "O V. João Domingos Figueira" (ACMSP, Pasta de Documentos Avulsos para Santa Cruz do Rio Pardo.
3.2. Comprovação da Igreja


3.3. Documento de 23 de novembro de 1862 - Câmara Municipal de Botucatu - o 1º atestando a existência de Santa Cruz do Rio Pardo - Culto Público (DAESP/BTCT, Documentos: Ofícios Diversos para Botucatu)
4. Doações de terras para o patrimônio de Santo Antonio - 1868 (Cúria Diocesana de Ourinhos)
Obs: Os patrimônios para a Santa Cruz e Santo Antonio formaram Santa Cruz do Rio Pardo


-Transcrição da escritura (Doc. para Santa Cruz do Rio Pardo - Cúria Diocesana de Ourinhos)
 
4.1. Antigo mapa do patrimônio de Santo Antonio
5. Carta do Padre João Domingos Figueira, de 1873, representando Santa Cruz do Rio Pardo

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