SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

domingo, 4 de abril de 2010

1895 - 1900 FINAL DO SÉCULO


1.  A PONTE NOVA SOBRE O RIO PARDO PELA RUA SALDANHA MARINHO
Reivindicação municipal desde 1895 "pedindo a construcção de uma ponte sobre o rio Pardo, no logar denominado ponte do 'Manoel Pereira' ..." (DOESP, 27 de oututbro de 1895, página 4), a solicitação foi atendida somente em 1900, pela Lei n° 0743, de 10 e publicada aos 18 de novembro de 1900, foi o Governo de São Paulo "... auctorizado a desapropriar, por utilidade pública, a ponte sobre o Rio Pardo, no logar denominado 'Serraria Pereira', no município de Santa Cruz do Rio Pardo." (DOESP, 18 de novembro de 1900).
Referida ponte situava-se à Rua Saldanha Marinho para a transposição do Pardo, construída anteriormente para servir uma Serraria e Máquina de beneficiar café, à margem esquerda do mesmo rio.
Com a desapropriação a ponte foi reformada e colocada em condições para trânsito mais intenso. Propaganda da Loja Rainha do Sertão, de Tonico Lista, em 1902 anunciava seu endereço à rua da Ponte Nova.
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2.  ALGUNS FEITOS E ACONTECIMENTOS
2.1.  OCORRÊNCIAS DE 1896
-Mobiliamento escolar:
Já em janeiro de 1896 a Câmara Municipal reclamava e pedia ao Governo o Estado de São Paulo, providenciar mobílias e utensílios escolares para as três escolas santacruzenses (DOESP, 10 de janeiro 1896, página 3). Era pretensão de o município abrir e equipar escolas no então bairro de Ilha Grande [Ipaussu], bairro do Óleo e uma classe feminina na Vila Nova.
Com atraso de resposta a Câmara resolveu abrir concurso para admissão de professores a título precário, até ulterior decisão do Governo Estadual. Tomou a decisão e comunicou o Estado, recebendo em resposta ao ofício 30 de setembro de 1896 que, "... dependendo da formalidade legal do concurso, as escholas dos bairros de Oleo e da Ilha Grande e a do sexo feminino do bairro de Vila Nova, não podem as mesmas ser declaradas provisórias presentemente." (DOESP, 30 de setembro de 1896, página 2). 
Alguns arranjos e o governo paulista, por Decreto de 20 de outubro de 1896, atendeu parcialmente a reivindicação da Câmara, com a nomeação provisória de Constancio Carlos da Silva para a escola do Óleo (DOESP, 22 de outubro de 1896, página 1).
-Promotor perseguido deixa a Comarca
Santa Cruz daqueles tempos sofria com as constantes licenças do Promotor Valdomiro [Waldomiro] Silveira já desde o mês de dezembro de 1895, quando lhe foi concedido trinta dias de licença para tratamento de saúde, conforme Decreto de 11 de janeiro de 1896 (DOESP, 15 de janeiro de 1896). 
A licença de Valdomiro teve prorrogação por mais trinta dias conforme Decreto do 17 de fevereiro (DOESP, 20 de fevereiro de 1896, página 1). Por Decreto de 16 de março de 1896 foi concedida outros 10 dias de licença em prorrogação, ainda para tratamento de saúde (DOESP, 18 de março de 1896, página 2). 
Valdomiro manifestava-se perseguido em Santa Cruz do Rio Pardo: "a assassina mandou ameaçá-lo de morte caso não cumprisse suas determinações. (...). ... Valdomiro não se deixou intimidar e fêz uma acusação bastante severa. Isso não impediu a fazendeira fosse absolvida e que, depois de ser posta em liberdade, procurasse tornar impossível a permanência de Valdomiro em Santa Cruz." (Silveira, 1962: 19). Em dezembro de 1897 entrou em licença por sessenta dias para tratar de sua saúde (DOESP, 07 de dezembro de 1897); e não aguardou término da licença e requereu exoneração concedida consoante publicação em Díário Oficial do Estado de São Paulo (13 de janeiro de 1898, página 8), e o substituto designado, Jacob Antonio Molitor, já respondia interinamente pelo expediente (DOESP, 18 de dezembro de 1897) até a posse do Dr. Arlindo Vieira Paes, nomeado no mesmo ato da exoneração de Silveira.
-Empresário de imigração européia requereu nulificação de proposta
Em expediente oficial de 16 de janeiro de 1896 - Requerimentos Despachados, o engenheiro, empresário e político, Dr. Estevam Ribeiro de Assis Resende, estabelecido em Santa Cruz do Rio Pardo, requereu do Governo do Estado de São Paulo a nulificação de sua proposta para introdução de imigrantes no estado e autorização para levantamento de sua caução, com deferimento e juntadas aos papéis (DOESP, 18 de janeiro de 1896).
-Santa Cruz, 33º Distrito Escolar:
Neste mês ocorreu a divisão do Estado de São Paulo em quarenta distritos escolares, cabendo para Santa Cruz do Rio Pardo a sede do 33º Distrito composto das localidades de Espírito Santo do Turvo, São Pedro do Turvo e Campos Novos do Paranapanema, conforme Decreto nº 330 de 18 de janeiro de 1896 (DOESP, 19 de janeiro de 1896, página 1).
-Exonerações e nomeações de suplente de Delegado de Polícia: 
O 1º Suplente de Delegado de Polícia, João Baptista de Oliveira Mello foi exonerado a pedido (DOESP, 01 de fevereiro de 1896, página 3), e aos 28 de março do mesmo ano, o cidadão Vicente Finamore foi nomeado primeiro suplente de Delegado em Santa Cruz do Rio Pardo (DOESP, 28 de março de 1896, página 2), cuja titularidade era exercida por Moyses Nelly desde 04 de agosto de 1894, em lugar do Coronel João Baptista Botelho.
Em 25 de julho de 1896 foi dada a exoneração do Delegado Moyses Nelli, a pedido, e em seu lugar nomeado o Coronel João Baptista Botelho (DOESP, 25 de julho de 1896, página 3)
-Licença ao Juiz de Direito
Publicação do Governo do Estado de São Paulo comunica que o Juiz de Direito Dr. Augusto José da Costa reassumiu suas funções em 27 de janeiro do mesmo ano, após licença concedida em 24 de dezembro de 1895 (DOESP 05 de fevereiro de 1896, página 2). Desde sua posse como Juiz da Comarca, Dr. Augusto era usufruidor de constantes licenças. Justifica-se: Sua esposa e sobrinha era doente.
-O Escrivão de Coletoria João Bonifácio Figueira
O herdeiro legatário dos bens e haveres do Padre João Domingos Figueira foi designado Escrivão de Coletoria para Santa Cruz do Rio Pardo, e de sua atuação o Governo do Estado de São Paulo fez publicar:
-"De João Bonifácio Figueira, escrivão da collectoria de Santa Cruz do Rio Pardo, pedindo guia para recolher dinheiro para garantir sua gestão. - Ao contencioso para lavrar o competente termo de caução à vista do conhecimento junto." (DOESP, 09 de fevereiro de 1896, página 2). 
A Coletoria vivia crise de denúncias entre disputantes do cargo, e Bonifácio Figueira, filho do Padre Figueira, situação sabida, aceita mas não oficialmente reconhecida, era um dos pleiteantes ao cargo principal, ou seja de Coletor. 
Na época o Coletor era João Castanho de Almeida e requerera ao Governo de São Paulo para "... substituil-o em seus impedimentos o tenente coronel Manoel Luiz de Souza." A proposta foi aprovada com determinação à 'Rendas Públicas' para as devidas providências (DOESP, 08 de março de 1896, página 3).
-Santa Cruz do Rio Pardo - sede do 5º Distrito Territorial
Em meado do ano de 1896, ocorreu a publicação da divisão territorial do Estado de São Paulo e as criações dos seus distritos territoriais, por Ato do Poder Legislativo, regulamentando a execução da Lei 323 - também do Poder Legislativo, de 22 de junho de 1895:
-"Capítulo I – Dos Distritos Territoriais"
"(...)."
-"Artigo 1º - Fica devidida a superficie do Estado de S. Paulo em cinco districtos territoriaes."
-"(...)."
-"§ 5º - O 5º Distrito terá por sede a cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, e comprehenderá o territorio dos de Santa Cruz do Rio Pardo, Espírito Santo do Turvo, Botucatu, Remédios da Ponte do Tieté, S. Manoel do Paraizo, Avaré, Santa Barbara do Rio Pardo, Pirajú, Campos Novos do Paranapanema, Lençóes, S. Pedro do Turvo e Espírito Santo da Fortaleza." 
-"(...)." 
O Capítulo II de referida regulamentação - Das Delegacias de Terras, determinava:
-"Artigo 4º - Para o desempenho dos serviços determinados pela Lei nº 323 de 22 de Junho de 1895 e por este Regulamento, fica instituido em cada districto territorial uma Delegacia de Terras, subordinada à Inspectoria de Terras, Colonização e Immigração,"
-"Artigo 5º - O pessoal de cada delegacia será o seguinte:"
-"1 Delegado de Terras."
-"1 Ajudante."
-"1 Consultor."
-"4 Auxiliares technicos."
-"1 Desenhista."
-"1 Escripturario."
-"4 Amanuenses."
-"1 Porteiro."
-"1 Servente."
-"Artigo 6º - Essas delegacias serão installadas, e seu quadro preenchido, à medida que o exigirem as necessidades do serviço." - (DOESP, 13 de março de 1896, páginas 1 e 2).
-Remédios da Ponte do Tietê é a atual localidade de Anhembi, e Espírito Santo da Fortaleza, este último, lugar extinto,  foi a primeira povoação regional de Bauru.
Os objetivos dessas delegacias estavam em atuar sobre as terras devolutas, suas medições, demarcações e aquisições, as legitimações ou revalidações das posses ou terras sesmadas, concessões e vendas, discriminações do domínio público e do particular. 
Para o Coronel Botelho era estratégico assumir a Delegacia de Polícia [civil] pelas atribuições e autoridade, em face de instalação do 5º Distrito Territorial em Santa Cruz do Rio Pardo, o que o tornava influente junto a Delegacia de Terras.
Essa classificação para Santa Cruz do Rio Pardo atraiu engenheiros, agrimensores e interessados em compras de fazendas, tomadas de posses e os esbulhadores, promovendo as chegadas de ricas famílias, e, como conseqüência negativa, o clima de violência desmedida para o lugar.
-Denúncias de exercício ilegal de farmácia
Santa Cruz tinha turras entre sua própria gente. 
O Suplente de Delegado Vicente Finamore representou judicialmente contra o Partidor e Distribuidor da Comarca, Balthazar de Abreu Sodré, por exercício ilegal da profissão de farmacêutico. O Governo publicou: "Em vista da informação do juiz de direito da comarca, não ha que providenciar." (DOESP, 17 de abril de 1896, página 8). O Juiz Augusto José da Costa e o denunciado Balthazar de Abreu Sodré tinham parentes em comum, através de Francisco de Paula de Abreu Sodré, sobrinho do juiz - por afinidade, e irmão de Balthazar. 
Sobre o mesmo assunto, numa publicação posterior vê-se: "Do dr. secretario da Justiça, transmittindo uma representação firmada por Vicente Finamore e que diz respeito ao cidadão Balthazar de Abreu Sodré, pharmaceutico residente em Santa Cruz do Rio Pardo. - Ao director do Laboratorio Pharmaceutico para informar." (DOESP, 17 de maio de 1896, página 1). Mas a resposta seria aquela mesma de abril de 1896, 'nada haver de irregularidade', e Balthazar a despeito de não ser Farmacêutico formado e sim prático, já exercia a profissão desde 1893 quando requereu abertura de sua farmácia.
-Oficial de Farmácia requereu abertura de seu próprio estabelecimento
Solicitação do Oficial de Farmácia, Joaquim Fernandes Negrão, pedindo licença para abertura de uma farmácia em Santa Cruz do Rio Pardo. "Publique-se o edital como manda a lei". (DOESP, 21 de abril, página 8).
Em edital publicado requerimento a Diretoria do Serviço Sanitário assim se manifestou: "... si no praso de trinta dias, nenhum pharmaceutico formado, lhe communicar a resolução de estabelecer pharmacia na citada localidade, concederá ao prático a licença requerida." (DOESP, 12 de maio de 1896, página 11).
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2.2.  OCORRÊNCIAS ENTRE 1897/1898 
-O Tenente Coronel João Baptista Botelho: 
De acordo com a publicação em 'Noticiário' (DOESP, 10 de fevereiro de 1897, página 5), referente à Guarda Nacional, "Por decreto de 21 do mez findo foram nomeados: Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo - Commando superior. - Coronel - Comandante superior, tenente-coronel João Baptista Botelho."
-Presos pobres tem reajustes de diárias
Os problemas de segurança e da reforma da Cadeia Pública em Santa Cruz do Rio Pardo ainda persistiam, mas a diária dos presos pobres recolhidos nas cadeias do Estado, e Santa Cruz entre as relacionadas, recebe reajuste de 1$000 para 1$200 (DOESP, 4 de fevereiro de 1897, página 5).
Enquanto isto o Alferes Joaquim de Souza Rapozo, outrora 3º Suplente de Delegado de Polícia de Santa Cruz do Rio Pardo, não consegue receber do Governo do Estado pagamento que se julga credor quando em exercício do cargo (DOESP, 6 de março de 1897, página 6) e termina dispensado em maio do mesmo ano, conforme publicação oficial (DOESP, 18 de maio de 1897, página 1), e na qual nomeado o substituto o cidadão Luiz Marciliano da Silveira.
Ainda dos assuntos administrativos da polícia, João Baptista Botelho, 1º Subdelegado porém na condição de Delegado Titular, solicitou sua exoneração de acordo com publicação em Diário Oficial (DOESP, 26 de outubro de 1898, página 1) e nesta data foi nomeado para o cargo o Major João Evangelista da Silva - pai do Tonico Lista. 
-Regulamentação da Guarda Nacional
O assunto de maior relevância no exercício de 1897 foi a expedição do Decreto 438, de 20 de março de 1897, que deu 'Regulamento da Guarda Cívica do Interior do Estado' em sua Tabela C: 'Divisão da Guarda Cívica do Interior pelos diversos Districtos policiaes do Estado', informando Santa Cruz do Rio Pardo classificada na 10ª Zona [regional], e a composição de seu quadro policial com um alferes e vinte praças (DOESP, 24 de março de 1897, página 15).
No mês junho de 1897, a Secretaria de Justiça modifica a Tabela C do citado Decreto 438, "e manda que no corrente anno se observe a distribuição do pessoal da Guarda Civica do Interior na conformidade dos quadros que a este acompanham.", e assim, classifica Santa Cruz do Rio Pardo na 9ª Seção, com sede em Botucatu, com o seguinte corpo funcional: "Um sub-inspector, 1 cabo e 18 praças" (DOESP, 5 de junho de 1897, página 7).
Por publicação de 16 de março de 1898, página 9 (DOESP), altera denominações dos cargos da Guarda Cívica, para Alferes Subinspetor; Cabo de Esquadra e , em vez de Praça, Soldado. Simples constatações, Santa Cruz tinha mais soldados que Avaré (15), Bauru (04), Campos Novos (15), Lençóis (15), Piraju (12), São Manoel (10).
-Construção de ponte metálica sobre o Rio Pardo: 
Em 1898, Salvador Gonçalves Lopes, empreiteiro, pede autorização para depositar ao Tesouro a importância necessária como garantia de sua proposta para construção da ponte sobre o Rio Pardo em Santa Cruz do Rio Pardo (DOESP, 08 de junho de 1898, página 9). O contrato foi celebrado entre as partes para "execução das obras da ponte metálica sobre o Pardo em Santa Cruz do Rio Pardo." (DOESP, 5 de julho de 1898, página 9).
-Salvador Gonçalves Lopes, dito 'pau mandado' do Coronel Botelho, era empreiteiro de obras, e tratava-se de homem rude (Correio do Sertão, ano II nº 56, de 9 de abril de 1903, página 2). 
A ponte, por antigas memórias seria aquela nas proximidades onde atual 'Usina Velha' e beneficiava diretamente o Coronel Botelho e interesses de outros fazendeiros que tinham propriedades na região, inclusive em Ilha Grande [Ipaussu], e ainda atendia interesses de Cunha Bueno e outros grandes fazendeiros.
Onde efetivamente a ponte?
Ora, a ponte sobre o Pardo nas proximidade da Usina Velha teve construção autorizada pela Lei nº 501, de 26 e anunciada publicação aos 30 de maio de 1897: "O governo mandou construir desde jáuma ponte sobre o rio Pardo, no logar denominado 'Fazenda do Padre', na estrada que da villa de Santa Cruz do Rio Pardo se dirige para o Jacrezinho no estado do Paraná (...)" (Correio Paulistano, ano XLIII nº 12203, 30 de maio de 1897: 1). 
Tratava-se efetivamente da ponte e a Fazenda do Padre era aquela que pertencera ao Reverendo João Domingos Figueira. Teria demorado quase dois anos para ser construída.
-Visitante ilustre precipitou a festa republicana
Com o encerramento das atividades do designado Conselho de Intendência Municipal, a câmara santacruzense eleita para o período de 07/1892 a 12/1894, tomada de arroubos republicanos entendeu oficializar suas ruas e praças com os nomes dos heróis sugeridos pelos golpistas, para tornar a República mais popular.
De certa maneira a atitude santacruzense não era a única, pois todas as cidades e vilas procuravam seguir orientações dos militares, em homenagear republicanos e os mitos impostos como símbolos da luta e resistência brasileira tanto a Portugal quanto ao Império, em fases e situações diversas, a exemplos de Tiradentes – feito Mártir da Independência com identificação notoriamente crística; Euzébio de Queiróz – ministro que esteve à frente da lei que proibiu o tráfico de escravos negros para o Brasil; Joaquim Saldanha Marinho – signatário do Manifesto Republicano de 1870, senador e um dos autores do anteprojeto da Constituição de 1891; entre outras personalidades.
Santa Cruz escolheu a data símbolo republicana para a sua demonstração patriótica, embora fragmentos noticiosos indicassem logradouros públicos santacruzenses já com os nomes republicanos ou os sugeridos, desde o Conselho de Intendência. Mas, sem dúvidas era uma festa de nomeações de logradouros públicos.
Um acontecimento inesperado, porém, mudou o rumo das programações de 15 de novembro de 1892, conforme posteriormente retratado pelo Correio Paulistano, em sua edição de 10 de dezembro.
A Câmara Municipal estava reunida em sessão extraordinária, data provável de 13 de novembro de 1892, para deliberações sobre as celebrações do dia 15, quando informada: "Acha-se entre nós com sua exma consorte o illustre democrata dr. José Alves de Cerqueira Cesar".
A notícia causou impacto, afinal tratava-se do Vice-presidente do Estado de São Paulo, nome maior do Partido Republicano Paulista, de passagem por Santa Cruz do Rio Pardo. A Câmara não perderia a oportunidade em promover seus objetivos com a presença de alta autoridade, e antecipou as comemorações republicanas para aquela noite de 13 de novembro.
Os vereadores então resolveram prestar ao ilustre visitante imponente manifestação, improvisada, nomeando Arlindo Crescencio Piedade, Henrique Hardt e Dr. Cleophano Pitaguary, para fazer os convites e pedir a todos os moradores urbanos iluminarem, à noite, as frentes de suas casas.
Já às 20,00 horas daquela data a cidade iluminou-se, e o público, mais de trezentas pessoas, postou-se diante da Câmara toda clareada e pronta para solenidade arranjada, precedida de bandas musicais. Por ordem dada ou recebida, o povo presente dirigiu-se à casa do Juiz de Direito, Dr. Augusto José da Costa, onde hospedado o casal visitante, e por ali o começo das solenidades.
Defronte a residência do magistrado os primeiros discursos, o Presidente do Legislativo, Reverendo Padre Bartholomeu Comenale, em nome do povo saudando o Dr. Cerqueira Cesar, como importante democrata, e o homenageado a retribuir o carinho recebido do povo santacruzense, e usar seu “incontestável direito e convidar as pessoas presentes para tomarem um copo d’agua”, costume na época para brindar acontecimentos.
O registro do evento narrou, ainda, o discurso do advogado Cleophano Pitaguary, que destacou as virtudes do visitante “referindo aos importantes serviços prestados por s.exc a causa da Republica quer como chefe prestigioso do partido republicano histórico, quer como governo em que tem-se salientado pela sua honestidade de patriotismo. Ao retirarem-se os manifestantes foram erguidos vivas á s.exc, do vice-presidente da Republica Marechal Floriano Peixoto, ao Presidente do Estado dr. Bernardino de Campos e ao Juiz de Direito da comarca dr. Augusto Costa, e em passeata pelas ruas principaes desta villa terminou a composta marcha do povo notando-se o effeito belíssimo produzido pela illuminação de quase todas as casas. Desenvolveu-se a reunião na Praça Marechal Deodoro.”
Marechal Floriano Peixoto já era Presidente da República desde 23 de novembro de 1891, e não Vice, mas isto pouco importava para uma Santa Cruz identificada republicana. 
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3.  ABREU SODRÉ - O EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA
Na Relação dos Médicos, Farmacêuticos, Dentistas e Parteiras habilitados a clinicar no Estado de São Paulo, em virtude do artigo 49 e parágrafos da Lei nº 432 de 03 de agosto de 1896 (Diretoria do Serviço Sanitário, 1898), estão nominados os médicos em exercício em Santa Cruz do Rio Pardo, ou que lá exerceram profissão, os doutores Ernesto Torres Cotrim, particular, presente no lugar desde 1898, João Cândido de Souza Fortes no serviço público sanitário e clínica particular, nos anos de 1891 a 1893.
Naquele rol não consta o registro de médico em nome de Francisco de Paula Abreu Sodré; da mesma maneira na listagem oficial de 1900 (DOESP, edições de 20,21 e 22 de fevereiro), e outras seguintes, até 1905.  
Nestes considerandos, e citando isto, em 1903 o advogado Olympio Rodrigues Pimentel denunciou publicamente Dr. Abreu Sodré por exercício ilegal da medicina, entre outras acusações '(Correio do Sertão, Ano II nº 54, artigo Villania').   
Antigas tradições, por antigas famílias, o Dr. Abreu Sodré teria cursado medicina medicina no exterior [Estados Unidos da América do Norte] e formado em 1892 / 1893, portanto antes de fixar residência em Santa Cruz do Rio Pardo (1895). A confirmar tradições, ainda não localizada em qual faculdade brasileira de medicina teria se formado Sodré.
Outra versão sertaneja acrescentava detalhes, que o Dr. Sodré comprara diploma médico estadunidense, talvez relato firmado em notícia veiculada em final do século XIX: "Foi preso em Nova-York um sujeito de fina estopa, que andava vendendo diplomas de medicina por modico preço, no máximo 100$000 (câmbio ao par)." (Diário Oficial do Estado de São Paulo, coluna Noticiário, publicação de 12 de setembro de 1893).
-Os inimigos de Sodré não perderiam tão loquaz oportunidade noticiosa para denegri-lo. 
Sem esta ou aquela versão, o fato é que o Dr. Francisco de Paula Abreu Sodré recebeu, em 1897 e já em Santa Cruz do Rio Pardo, Diploma de Médico, enviado pela Secretaria de Governo do Interior: "Remetteu-se ao presidente da camara municipal de Santa Cruz do Rio Pardo o diploma de medico do dr. Francisco de Paula de Abreu Sodre para lhe ser entregue devendo elle assignal-o em sua presença, passado com recibos que devem ser remettidos a essa secretaria para os devidos fins." (DOESP, 31 de julho de 1897). Não diz a origem e nem a Escola Médica.
Diante da informação oficial de remessa de diploma, os autores entendem o Dr. Francisco de Paula [de] Abreu Sodré incontestavelmente médico diplomado, embora sem o registro junto ao Órgão competente do Governo de São Paulo, para o exercício regular da profissão, portanto praticante ilegal da medicina em Santa Cruz do Rio Pardo, pelo não cumprimento das exigências legais do artigo 49 e páragrafos da Lei nº 432, de 03 de agosto de 1896. 
Nisto consitia a denúncia do advogado Olympio Rodrigues Pimentel, em 04 de abril de 1903, ao reafirmar, em artigo 'O Meu Processo': "... este sr. (...) não tem carta de medico e si a tem, não a registrou na Directoria de Hygiene do Estado, como manda a lei (...). Portanto, està exercendo illegalmente a medicina nesta localidade. (...)." (Correio do Sertão, Ano II nº 55).
Referida publicação informava que o Dr. Francisco de Paula Abreu Sodré processara o Correio do Sertão pela publicação do artigo 'Villania' assinada pelo advogado Pimentel, "por crime de aleivosias (!?!), calumnias (?) e injurias (!), dando para isso procuração ao Bacharel Fernando Eugenio Martins." (Correio do Sertão, Ano II nº 55).  
O colunista Pimentel defendia o hebdomadário, assumindo para si a responsabilidade ou a autoria de 'Villania', a debochar do Dr. Sodré e de seu advogado constituído, Dr. Fernando Eugenio Martins Ribeiro, e reafirma que Sodré está em exercício ilegal da medicina em Santa Cruz do Rio Pardo. Refere-se a alguns erros de grafias praticados por Sodré, ou das receitas dadas: "... escreve 'Villania' com com um - l - só, 'agua endossada' e 'julepo gomoso e xarope de goma' e outras sandices! ´É isso; s.s. não é formado em medicina como apregoa" (Correio do Sertão, Ano II nº 55).  
O mesmo Pimentel manda ao final do texto 'Meu Processo', um recado ao advogado Martins Ribeiro: "O Bacharel Fernando Eugenio ja se esqueceu de uma cousa na petiçaõ inicial: foi fazer sciente ao Dr. juiz de direito que seu constituinte é parente do mesmo juiz com o qual mora." 
Em maio de 1903 Dr. Olympio Rodrigues Pimentel está processado por Francisco de Paula Abreu Sodré, e em outro artigo 'O Meu Processo' Dr. Pimentel informa a respeito e entende de pouco valor a indenização solicitada, 10.000$000 (dez mil contos de réis) "tractando-se de um homem que se diz medico, presidente da camara e influente chefe politico, è uma ninharia" (Correio do Sertão, Ano II nº 63). 
Não se teve registro do final do processo, se houve mesmo alguma conclusão, afinal eram as ditas brigas políticas, entre forças que se conheciam e até estiveram juntas.
Igualmente nunca se soube o porque o Dr. Francisco de Paula Abreu Sodré jamais cuidou do registro obrigatório de seu diploma de médico, para o exercício legal da profissão em Santa Cruz do Rio Pardo. Displicência, talvez, ou o absoluto exercício do poder por aquele que não se sente na obrigação de prestar satisfações, nem cumprir as leis.
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4.  NOMEAÇÃO DE COMISSÃO PARA AGRICULTURA
Em Diário Oficial do Estado de São Paulo, de 09 de maio de 1900, 3º Seção, página 2, foram nomeadas comissões municipais da agricultura, sendo para Santa Cruz do Rio Pardo, como Presidente o Dr. Francisco de Paula Abreu Sodré, e membros os senhores Francisco Xavier Dantas de Vasconcellos e Vicente Finamore.
Com a edição do Decreto nº 741, de 19 de fevereiro de 1900, conhecido como Reforma Agrícola de 1900, o governo visava maior eficiência dos serviços e a redução de custos, com distribuições de atividades entre seções:
-1ª Seção: para os cuidados com obras públicas, serviços de águas e esgotos, além da contabilidade - orçamentos e custos, e as questões de estradas de rodagens. 
-2ª Seção: assuntos relativos à viação e aos transportes, imigração, colonização e núcleos coloniais, industria e comércio, serviços geográficos e geológicos, correios e telégrafo, iluminação pública, e administração de pessoal.
-3ª Seção: da matéria propriamente relacionada à agricultura, ao serviço florestal, às indústrias ligadas á agricultura, às estatísticas e safras e das produções industriais agrícolas e dos serviços agronômicos, os informes técnicos (publicações especializadas) e das distribuições de sementes.
-4ª Seção: das atenções para as terras públicas / devolutas.
Tratava-se de reestruturação administrativa, no período de grande crise cafeeira no Brasil naquilo de maior interesse quanto à aplicabilidade legal ou consequente, o governo paulista visava melhor compreender as peculiaridades de cada município quanto suas características para tecnologia rural e das implantações de culturas, comércio e indústrias agrícolas. 
Este trabalho concorria, inclusive, para as melhoras das lavouras quanto à quantidade ou a melhor safra com qualidade, objetivando riquezas e o avanço da malha ferroviária para o escoamento de produções. A sustentação e o progresso municipal e mesmo regional, encontravam-se na ferrovia, agricultura, comércio e indústria.
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5.  GUARDA NACIONAL LOCAL
A Guarda Nacional foi organizada no Brasil, em agosto de 1831, como o instrumento para a garantia da segurança e da ordem, com a finalidade em defender a Constituição, ou seja, a integridade do Império.
Como organização paramilitar a Guarda Nacional fortalecia as elites políticas, cujos membros recrutados possuíam renda superior a 200 mil réis anuais [em alguma época ou lugar 100 mil réis], com poderes de indicar comandados que formavam e dirigiam o Corpo de Guardas numa rígida hierarquia. 
No episódio da proclamação da república a Guarda Nacional não deu o esperado apoio ao imperador deposto. Havia insatisfação dos comandantes das Guardas com setores do governo que não sabiam retribuí-los pelos gastos com a Guerra do Paraguai, onde morreram muitos dos seus escravos, sem dúvidas perdas economicamente irreparáveis. Ocorria, ainda, o complicador do herdeiro à coroa, o nobre francês Conde D’Eu, pelo casamento com a Princesa Isabel. 
A Guarda Nacional e o Exército sempre tiveram suas diferenças, os antagonismos civis e militares acrescidos das desigualdades aquisitivas e de prestígios políticos. A Guarda era rica e politicamente poderosa enquanto o Exército era pobre e desprestigiado, mas a Guerra do Paraguai praticamente os uniu.
Aos olhos dos militares a Guarda foi heróica com o envio de tantos soldados e recursos outros - dinheiros, armas e recrutamentos para as frentes de batalhas, o que fez o Brasil ganhar a guerra e o exército sair fortalecido. Com a deposição do governo imperial, os militares, autores do golpe, precisavam do apoio popular para ver triunfar os ideais republicanos porque não se governa sem a política. Os militares e os políticos não se confiavam e a solução se fez presente com a Guarda Nacional, muito mais próxima dos populares onde sabiam exercer a força e manipular interesses.
Isto criou uma linha de influência da Guarda Nacional em setores do Exército. Ricos e influentes os membros da Guarda Nacional interessavam ao Exército, para afastar os ineptos do Partido Republicano que, em uma década, fora incapaz de eleger um único representante na Câmara e no Senado. 
Os coronéis, como representação do poder privado e domínio econômico, faziam a política do compadrio e do protecionismo para conquistar resultados em causa própria ou de interessados em selar compromissos de troca favores e influências com Poder Publico. Os membros da Guarda eram vaidosos, gostavam de ostentar títulos, e o governo generoso. Com a República e a extinção dos títulos de nobreza, as elites passaram a destacar-se ostentando os títulos hierárquicos da Guarda Nacional.
A comunhão Exército e Guarda Nacional traz interesses para as classes economicamente dominantes e políticos. A força dos Coronéis torna-se a base de sustentação política dos governadores, deputados e senadores que, eleitos, retribuem os favores recebidos. Os governadores, por sua vez, uniam-se para a eleição do presidente da república, ajudando, através dos Coronéis, as eleições de deputados federais e senadores favoráveis ao governo federal, e o presidente então fazia a política do retorno, apoiando seus apoiadores, distribuindo verbas públicas, empregos e favores para os aliados políticos.
No Império as eleições tinham pouco valor, se sabendo antecipadamente onde e qual grupo venceria as eleições para as composições de gabinetes. Com a república o voto tinha decisão e o eleitorado municipal era quem decidia o poder político das oligarquias, por isso a necessidade do controle político.
O sistema político republicano foi decidido na Constituição de 1891, com mecanismos favorecedores de controle dos votos pelos coronéis, através dos jagunços, às vistas dos quais se votava, daí chamado o “voto de cabresto”. O jogo de interesses ou brigas de coronéis dava a “eleição do cacete ou da carabina, a depender das circunstâncias”.
De regra geral ficou a Guarda Nacional responsável pela segurança interna, e o exército com os cuidados externos. De regra geral ficou a Guarda Nacional responsável pela segurança interna, e o exército com os cuidados externos. Em Santa Cruz de 1900 mandava o Coronel Botelho, detentor do poder político e econômico, firmado no compadrio e que mantinha com seus seguidores relações de vida e morte.
Por Decreto de 16, publicado aos 26 de junho de 1900, páginas 3 e 4, assim estava a Guarda Nacional do Estado de São Paulo para Santa Cruz do Rio Pardo:
-"Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo - 51ª brigada de infantaria - Commandante, o coronel João Baptista Botelho; estado-maior - capitães assistentes, Antonio Evangelista da Silva e Ezequiel da Silva Guedes; capitães ajudantes de ordens, José Alves de Cerqueira Cesar Filho e Joaquim Fernandes de Oliveira Negrão; major-cirurgião, Joaquim Fernandes Negrão."
-"151º batalhão de infanteria. - Commandante, o tenente-coronel Antonio Gonçalves de Souza Guimarães; estado-maior - major-local, Evaristo Garcia da Silveira; capitão-ajudante, Antonio Marques Balbino; tenente-secretario, João Juvenal Ayres; tenente-quartel-mestre, José Antonio Marques; capitão-cirurgião, Fernando de Moura."
-"1ª companhia. - Capitão, João Pedro Teixeira Coelho Junior; tenente, João Rodrigues de Mendonça; alferes, Emygdio Ozéas da Silveira e Joaquim Pedro de Oliveira e Silva."
- "2ª companhia. - Capitão, João Damaceno Negrão; tenente, José Furtado Bueno; alferes, Pedro Garcia da Costa e o alferes João Baptista de Lemos;"
- "3ª companhia. - Capitão, Clementino Gonçalves da Silva; tenente, Francisco Gonçalves de Lima; alferes, José Luiz da Silva Lopes e Joaquim Julião da Silva."
- "4ª companhia. - Capitão, José Antonio de Andrade; tenente, Mizael de Souza Santos Filho; alferes, Joaquim Rodrigues de Menonça e João Guilherme da Conceição."
-"152º batalhão de infanteria. - Tenente-coronel commandante, José Nestor da França; estado-maior - Major-fiscal, Antonio Olympio de Oliveira Ferraz; capitão-ajudante, Francisco de Paula Martins; secretario, o tenente Manoel dos Santos Castro; quartel-mestre, o tenente Vicente José Vieira; capitão-cirurgião, Alberto Baptista Gomes."
-"1ª companhia. - Capitão, Francisco Antonio Gonçalves; tenente, Godofredo Alvez Negrão; alferes, Antonio Martiniano de Oliveira e José Nicolau Barreira."
-"2ª companhia. - Capitão, Bernardino Lopes Ribeiro; tenente, João Laurindo Pereira; alferes, José Antonio Gonçalves e o alferes Francisco Pires de Novaes."
-"3ª companhia. - Capitão, Eugenio Melchior Gonçalves de Andrade; tenente, o tenente Antoio Francisco de Oliveira Piedade; alferes, os alferes João Alves da Silva e Francisco André Avelino."
-"4ª companhia. - Commandante, o capitão Pedro Custodio Guimarães; tenente, o tenente José Francisco de Queiroz; alferes, Vicente Ribeiro de Oliveira e João José dos Santos."
-"153º batalhão de infantaria. - Tenente-coronel commandante, Bento de Cerqueira Cesar; estado maior: - Fiscal, o major Firmino Manoel Rodrigues; capitão-ajudante, Affonso Telles do Nascimento; tenente-secretario, Constancio Carlos da Silva; tenente-quartel-mestre, Azarias Baptista Bueno; capitão-cirurgião, José Ozéas da Silvestre."
-"1ª companhia. - Commandante, o capitão João Antunes Ribeiro Homem; tenente, Francisco Gonçalves Diniz;"
-"Alferes, Osorio Antonio Gonçalves e Fernando de Paula Lima."
-"2ª companhia. - Capitão, Jacob Antonio Mollitor; tenente, João Marcilliano da Silveira; alferes, Silvestre Manoel Andrade e José Manoel de Oliveira."
-"3ª companhia. - Capitão, Pedro Sylvio Pocay; tenente, Francisco Carlos Magno; alferes, Antonio Francisco da Silva e Honorio Francisco da Silva."
-"4ª companhia. - Capitão, Damaso Duarte e Silva; tenente, Antonio Ribeiro de Gouvêa; alferes, Francisco Fructuoso Nunes e Julio Estevan de Sant'Anna."
-"51º batalhão de reserva. - Tenente-coronel commandante, José Gonçalves da Silva; estado-maior - Major fiscal, Thomaz José da Motta Junior; capitão-ajudante, Bernardino Antonio Pereira de Lima; tenente secretario, João Manoel de Almeida; tenente-quartel-mestre, José Affonso do Nascimento;capitão-cirurgião, Antonio Sanche Pitaguary."
-"1ª companhia. - Capitão, Joaquim Pio da Silva; tenente, João Schueri; alferes, Eduardo Bressane Leite e Tristão Sabino Garcia."
-"2ª companhia - Capitão, José Alves de Oliveira; tenente, Joaquim Pedro Lopes; alferes, Manoel Gonçalves do Sacramento e Eduardo Alvaro de Lima."
-"3ª companhia - Capitão, Cyrillo Gonçalves da Silva; tenente, Antonio Bernardinho Ribeiro Filho; alferes, Salvador Gonçalves Lopes e João Firmino Porto."
-"4ª companhia. - Capitão, Manoel Pereira Tavares; tenente, o tenente Pio Rodrigues da Silva; alferes, Gabriel Faustino de Campos e Francisco Antonio Freire."
-"13ª brigada de cavallaria. - Coronel commandante, Salvador José Domingues Melchior; estado-maior.- Capitães-assistentes, Zeferino Fernandes Bretas e José Gomez de Oliveira; capitães-ajudantes de ordens, Adolpho Manoel Loureiro e Saul Ferreira e Sá; major cirurgião, Vicente Finamore."
-"23º regimento de cavallaria. - Tenente-coronel commandante, Henrique da Cunha Bueno; estado-maior. - Major-fiscal, Olympio Braga; capitão-ajudante, Manoel Gracia Braga; tenente-secretario, Salathiel Ferreira e Sá; tenente-quartel-mestre, Gabriel Alves de Oliveira Negrão; capitão-cirurgião, Sylvestre Setti."
-"1º esquadrão. - Capitão, Joaquim Francisco da Silva; tenente, Fernando Motta; alferes, Misael Antonio de Oliveira e Moyses Rodrigues da Costa."
-"2º esquadrão. - Capitão, Joaquim Fidelis Rodrigues; tenente, Lauro Innocencio de Andrade; alferes, Possidonio Gonçalves Machado Filho e Joaquim Olinda de Carvalho."
-"3º esquadrão. - Capitão, Joaquim Benedicto Barro; tenente, Pedro Xavier da Silva, Pedro Nolesco da Silva; alferes, João Zacharias de Paula e Sebastião Gomes de Oliveira.
-"4º esquadrão. - Capitão, João Castaldi Guimarães; tenente, Affonso Brandillone; alferes, Ignacio José da Cruz e José Eloy."
-"26º regimento de cavallaria. - Tenente-coronel commandante, Antonio Martins de Oliveira."
-"Estado maior. - Major-fiscal, Francisco Xavier Dantas de Vasconcellos; capitão-ajudante, Lydio José Ferreira; tenente-secretario, José Gonçalves de Oliveira; tenente-quartel-mestre, Raul Galvão de Moura Lacerda; capitão cirurgião, Manoel Pedroso da Silva Veado."
-"1º esquadrão. - Capitão, Joaquim Ricardo Marques; tenente, Ezequias de Castro Carvalho; alferes, Candido Baptista Lima e José Firmino da Silveira."
-"2º esquadrão. - Capitão, João Manoel de Andrade; tenente, Joaquim Zeferino de Mattos; alferes, José Pedroso da Silva Veado e Benedicto Hilário de Almeia."
-3º esquadrão. - Capitão, Antonio Joaquim Gonçalves; tenente José Vieira Martins; alferes, José Claro Pinto e Pedro Canuto Guimarães."
-4º esquadrão. - Capitão, Francisco de Mello Dias; tenente, Victorio Besano; alferes, Francisco Rodrigues da Silva e Manoel Rodrigues de Mendonça."
-(DOESP, publicação de 26 de junho de 1900 - página (4) 1482; transcrição conforme grafia e entendimento possível face péssima condição de conservação do exemplar obtido). 
Em 1908 a Guarda Nacional [Estado de São Paulo] encontrava-se em estado de abatimento não correspondente às finalidades. Pretendia-se sua remodelação. O Deputado Elyseu de Araujo apresentava, então, Projeto de Lei nº 150, de 1908, propondo o a "unificação das armas , reduzindo-as somente sòmente a de Infantaria - demonstrada a impossibilidade da formação de corpos de cavvalria e, principalmente, de artilharia" (Correio de Santa Cruz, ano I nº 22). 
O Deputado pretendia a moralização, estabelecendo a obrigatoriedade de promoção gradual e sucessiva dos postos, e não distribuições aleatórias de patentes.
Também o Deputado Alvaro de Carvalho opinava: "Urge portanto a completa e profunda remodelação pára que, deixando de ser considerada reservas da 3ª linha da reserva do exercito, - o que parece nos salientar o seu nenhum valor (...)" e o mesmo deputado arrematava sua posição com a frase de Alcindo Guanabara: "A Guarda Nacional não pode continuar a ser o que é, o que os políticos quizeram que ella fosse."
A cultura política de 1909 / 1910, para muitas localidades já apontava o fim do coronelismo. Já na virada do século, conforme aconteceu em Santa Cruz, muitos Coronéis perderam o mando para os coronéis de oposição. Botelho perdeu para Costa Junior, representado por Sodré, e que se manteve até 1907 quando Lista assumiu o comando, batendo-se com opositores, porém a manter-se pela força e a lealdade de seus companheiros.
Em 1911 o governo do Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca (1910-1914) teria extinguido a Guarda Nacional, dando ao exército a condição de único responsável pela segurança do país, externa quanto internamente. 
Não foi assim. A política dependia de líderes locais e regionais eu decidiam eleições, pelo ‘voto de cabresto’, e o coronelismo continuou sua dominação. Já ninguém mais entrava na Guarda Nacional, ela era candidata natural à extinção, mas viveria até o seu último líder, no mesmo estilo, cercado de seguidores e defendidos pelos jagunços, mandatário acima da lei em seus territórios.
Em 1915 mais uma tentativa de extinguir a Guarda Nacional, e também não foi desta vez. Buscou-se saída política, e o Decreto 12.790, de 12 de janeiro de 1918, tornou a Guarda Nacional a 2ª Linha do Exército, artigos 27 e 31, sob qual fundamento aos 29 de maio de 1918, o Decreto nº 13.040 lhe deu a reorganização, subordinada ao Ministério da Guerra.
Sem ingressos e aquisições de patentes, a Corporação se extinguiria com o seu ultimo representante.
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