SatoPrado - coletâneas

ATENÇÃO: Acesso gratuito às coleções de jornais e de antigos documentos eclesiais, cartoriais e político-administrativos para Santa Cruz do Rio Pardo de antigamente. Site ainda em construção, porém já disponíveis alguns arquivos em: http://pradocel.wix.com/satoprado

domingo, 4 de abril de 2010

HISTÓRIA COMPLEMENTAR

1. INFORMES GERAIS
Santa Cruz do Rio Pardo entrou no século XX, já no quinquagésimo ano de existência, com prosperidade derivada de aplicações pré-capitalistas, através das atividades preconizadas e regulamentadas em Código de Posturas, e quando os fazendeiros introduziam, com sucesso, o plantio do café, sem o descuido das demais plantações e das criações de corte.
O processo santacruzense de desenvolvimento socioeconômico para o século XX seria, naturalmente, complementar ao findo, e assim a deslumbrar progresso maior, afinal, "Esta localidade por sua collocação e condições topographicas, offferece margem para uma grande cidade. É bastante dizer que ella ha de ser fatalmente e em futuro proximo quanto à sua producção, mais do que o Ribeirão Preto, além de outros motivos, por estar talhada para constituir o centro agrícola da zona pela superioridade de seus terrenos." (Correio do Sertão, Ano I nº 49, 21/02/1903: 2).
Firmada como importante entreposto comercial sertanejo e onde quase tudo se produzia para as necessidades da época, Santa Cruz do Rio Pardo era cognominada a Rainha do Sertão do centro sudoeste paulista, e nela estavam os ferramenteiros, os construtores de carros de bois, e os artesãos de variadas naturezas, cooperadores e integrantes de uma sociedade progressista, essencialmente agrícola e pecuária.
O lugar apresentava, portanto, o suporte necessário para esse conjunto de relações econômicas de produção. A presença das famílias Macedo Costa e Abreu Sodré, a partir de 1891, tornou ágil o governo paulista em mandar construir e manter estradas e pontes além das concessões, às referidas famílias, para explorar travessias de rios e ribeirões, pousos e potreiros, para todo o sertão adiante e das ligações com os centros mais desenvolvidos, ou o dito mundo civilizado.
As melhores estradas e pontes interligavam Santa Cruz ao Rio Novo [Avaré], prosseguinte até Botucatu, Sorocaba e São Paulo, além dos ramais aos demais povoados pelos caminhos, citando-se, por exemplos, Três Ranchos (Cerqueira Cesar), São Sebastião do Tijuco Preto - Piraju, além das localidades do Óleo, Lageado, Bernardino de Campos, Mandaguary e a sede da Fazenda de Francisco Sodré atual distrito de Sodrélia.
Empório do sertão, as vias de comunicações eram diversas e Santa Cruz referência até ao norte paranaense pioneiro, através de portos ou pontos de travessias por balsas instaladas no Paranapanema, antes transposto sobre animais, a nado, e as mercadorias carregadas por muares, diante da quase impossibilidade de trânsitos de carros de bois.
Alguns moradores ribeirinhos alugavam canoas para transportes de pessoas e mercadorias, além de disponibilidades de carros de bois, carroções ou tropas para que interessados, do outro lado do rio, para pudessem trazer o maior volume possível de mercadorias.
Às margens dos rios Paranapanema, Pardo, Turvo e Alambari, os fazendeiros faziam portos e instalavam balseiras seguras em laços de couro ou por arames e movimentadas por remos, cobrando pelo transporte prestado a terceiros, além da serventia particular; alguns até construíam e mantinham caminhos encurtadores de distâncias por entre suas terras, com a cobrança de pedágios.
Não tardou, porém, o uso de grandes balsas presas por cabos de seguranças e movimentadas por parelhas de bois e depois por catracas, para as travessias dos rios maiores e sujeitos a cheias, e as pontes para os ribeirões. O Porto do Calixto, no Paranapanema, teria sido o primeiro explorado para travessias em balsa de proporção, ligando caminhos paranenses que conduziam a Santa Cruz do Rio Pardo e outras localidades, a exemplos de Chavantes e Ipaussu.
O Porto Alcântara, de propriedade do Tenente Antonio da Fonseca Alcântara, no mesmo Paranapanema, viria depois, com balsa "presa por um cabo de arame e com tamanho sufficiente para acomodar um carro de bois carregado ou 14 bestas arreadas." (Correio do Sertão, Ano I nº 34, 01/11/1902: 1), e então se prosseguia por caminho terrenho a Santa Cruz do Rio Pardo, passando pelas localidades de Santana da Cachoeira do Irapé [Chavantes] e Ilha Grande [Ipaussu], porque não existia nenhuma ponte para transpor o Pardo, senão aquela à entrada do povoado.
Depois foi instalado o Porto Salvador Furtado, onde a grande e moderna balsa do Dr. Costa Junior, para uso particular entre suas fazendas (Companhia Agrícola Costa Junior), nos dois lados do Paranapanema, e disponibilizada a terceiros mediante pagamentos. Além de mais seguro o tal porto dava melhor estrada de acesso e rapidez a Santa Cruz do Rio Pardo, assim a contribuir para o abandono do Porto do Calixto e suas estradas.
Legítimo representante da sociedade capitalista de sua época, político de grande influência parlamentar, Dr. Antonio José de Macedo da Costa Junior sabia com antecipação das ações de governo para a região santacruzense, e isto atraiu importantes e ricas famílias, paulistas e fluminenses, sobretudo, investidoras e ávidas por mais riquezas, destacando-se os Melchert / Fonseca e os Ribeiro de Assis Rezende.
Em consequência chegaram também os 'estrangeiros' capitalistas, industriais e profissionais liberais, que se somaram aos 'nacionais ou nacionalizados' já radicados e aos outros que viriam depois, 'nacionais' e 'estrangeiros', unindo-se todos às destacadas famílias já presentes no século XIX, entre as quais algumas pioneiras.
A todos Santa Cruz deve o seu crescimento e importância nas explorações das fazendas já livres da mão de obra escrava afrodescendente; das aberturas de estradas e construções de pontes para comunicações dentro e fora do município, e das construções urbanas diversas - residenciais, dos escritórios e consultórios;
dos serviços especializados de carpintaria, marcenaria, de oficinas, forjarias; dos estabelecimentos comerciais - secos e molhados no atacado e varejo; lojas de armarinhos, ferragens e variedades de artigos nacionais e importados; das casas de diversões - salões (clubes e cinemas); além dos serviços gerais dos condutores de tropas e dos trabalhadores rurais. 
A prosperidade também favorecera a chegada dos funcionários públicos, professores, agentes de governo e serventuários da Justiça e da Segurança Pública.
Destarte, todo o sertão regional acorria para Santa Cruz do Rio Pardo para os seus ajustes, compras, vendas e permutas de sortidos em geral e de toda espécie, a seco, a varejo e carga viva. O município era economicamente forte com grandes produtores interessados na exportação agropecuária e de porcos, além do comércio intermediário de mercadorias vindas de centros maiores.
Transacionavam-se excedentes agrícolas, o comércio de bovinos e suínos, e todas as demais necessidades da época, fazendo-se Santa Cruz cidade próspera, como importante entreposto de entradas e saídas de mercadorias e produtos para o todo o sertão e encaminhamentos aos centros maiores, como Botucatu, Rio Claro, Sorocaba e São Paulo, inclusive com destino ao porto de Santos.
Tais fatos promoveram a expansão santacruzense, não apenas para adiante do Rio Pardo, mas igualmente para após o Rio Turvo exigindo boas estradas, pontes e pontilhões ou algum outro meio de travessias para o comércio de produtos em regiões formandas, adiante de São Pedro do Turvo, valendo-se, desde os anos de 1875, não mais pelo caminho do Alambari, mas praticamente o mesmo trajeto ainda hoje utilizado, com passagem de balsa pelo Rio Turvo, ainda utilizada nos primeiros anos do século XX quando explorada pelo maestro José Cypriano Ferreira Nenê, "(...) uma excellente balsa no Rio Turvo, na estrada entre Santa Cruz do Rio Pardo e S. Pedro do Turvo. Cada passageiro, ou animal, pagará 500 réis de passagem." (Correio do Sertão, Ano II nº 56, 09/05/1903: 3, informe publicitário); pouco depois viria a ponte definitiva.
As relações comerciais avançavam até Campos Novos e Conceição de Monte Alegre, e os diversos bairros rurais levantados, como Caçador [atual Ubirajara]; Concórdia, partes do território que veio a ser Patrimônio dos Pintos por volta de 1.900, atualmente Ribeirão do Sul; o patrimônio no ribeirão das Antas [partes que se tornaria São Pedro das Antas em 1.862, Gralha em 1.910, Santa Luzia em 1.924 e, depois, Lucianópolis], localidade esta ligada a Santa Cruz, por caminhos pelo Alambari ao Rio Turvo, com passagem por uma ponte ou o uso de pequena balsa. Das regiões próximas de atual Lucianópolis era possível acessar Espírito do Santo do Turvo e desta a Santa Cruz do Rio Pardo, evitando desta maneira a travessia do rio Turvo.
Ainda outras localidades tinham como referência o mercado santacruzense, a exemplos de Cabrália Paulista [Patrimônio do Mirante], Ocauçu [Casagrande 1.880]; Dourado [absorvido pelo expansionismo urbano de Assis]; Cabiuna – município de Assis; Cervo [entre Assis e Paraguaçu Paulista]; Cerimônia (para os lados da bacia do Capivara), Pouso Alegre, Roseta e Sapé, para a região de Conceição de Monte Alegre [em atual município de Paraguaçu Paulista], além Nossa Senhora do Patrocínio [Maracaí] e São Mateus, na região de Conceição de Monte Alegre, além dos núcleos ribeirinhos do Paranapanema onde os atuais municípios de Candido Mota (dos antes bairros rurais Água do Pavão e Macuco), Florínea (bairro rural do Pântano), e do Jaguaretê - região que serviu de formação ao povoado Coroados (atual Nantes) e Iepê.
Para o comércio com as regiões do Salto Grande do Paranapanema Salto Grande, do Pau d’Alho (atual Ibirarema) e do Palmital, além do lado paranaense, foi construída a estrada direta entre Santa Cruz e Salto Grande, com ponte sobre o Rio Turvo, acima de sua barra no Pardo.
Ao longo de cinquenta anos os santacruzenses desbravadores e os chegadores, bem sucedidos, acumularam fortunas e tiveram terras suficientes para manter mão de obra operante, tornando-se mantenedores também de uma classe identificada como refugo social, formada por capangas e assassinos de aluguel que lhes garantiam a segurança, homens violentos e tocaieiros que usavam armas brancas e de fogo por ferramentas de trabalho. A extensão do município e suas férteis terras indivisas ou de demarcações questionáveis, favoreciam os conflitos armados onde sempre os fortes prevaleciam.
Assim era rico o município de Santa Cruz do Rio Pardo, cuja extensão abrangia territórios onde os atuais municípios do Óleo, Bernardino de Campos, Ipaussu, Chavantes, Canitar, Ourinhos e Salto Grande, emancipados no decorrer das duas primeiras décadas do século XX, e ainda a manter espaço geográfico natural suficiente para suas necessidades econômicas.
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2. ENTRETENIMENTOS 
A Santa Cruz no início do século XX, para os segmentos populares de sua sociedade, ainda era a continuação do século anterior no que tange aos usos e costumes, povoadores e habitações, enquanto a classe dominante já se distanciava destes valores, fenômeno observado desde 1883. A sociedade, como um todo, já via apenas festividades religiosas e folguedos relacionados, ou festas folclóricas e saraus. 
Santa Cruz do Rio Pardo nos tempos de 1883 já existiam salões de jogos e diversões, e as casas do ramo estavam sujeitas a regulamentações de acordo com o Código de Posturas daquele mesmo ano, conforme o Capítulo IX, sendo proibidos os jogos de parada e de azar, e os infratores seriam severamente punidos, porém tolerados pelas autoridades, num lugar onde todos se conheciam e faziam-se amigos.
Existiam os jogos de cálculos, de mesas e o carteado propriamente dito.
Eram jogos de cálculos, portanto permitidos, aqueles de tabuleiro (xadrez, damas, gamão) e vários de cartas e dados.
Como jogos de mesas enquadravam o bilhar e o snoocker, o primeiro com regras francesas, um tanto diferentes das atuais, enquanto o snoocker seria uma versão ou adaptação inglesa do bilhar, criada em 1875, com regras próprias. Enquadravam-se jogos permitidos.
Posteriormente o termo snoocker foi abrasileirado para sinuca, com adaptações de regras, e gerando o ditado 'sinuca de bico' para alguma situação difícil, tipificação do jogo na qual o bico da caçapa não favorece alinhamento entre a bola branca com a bola a ser jogada - 'a bola da vez', outro dito popular.
A roleta, como jogo de mesa ou de balcão, era considerada como jogo de azar e, assim, proibida, mas evidentemente jogada e era jogo de altas apostas. Criou-se uma versão permitida para rodadas de lazer, que é a roleta de parede.
O carteado ou jogo de cartas chamado de bacará, aparentemente deu entrada em Santa Cruz do Rio Pardo com os italianos, ainda que, digam, já se jogava o 'vinte e um', sob regras francesas, jogo mais ou menos igual ou de origem pelo menos comum com o bacará.
Outro jogo de carta bastante popular era o 'truco' trazido da Europa pelos espanhóis, que ganhou regras em Minas Gerais e chegou ao sertão paulista com os mineiros. As regras seriam adaptadas posteriormente , criando o truco paulista. Ditam as tradições que o truco quase sempre era jogado nas casas de jogos mais tradicionais depois de certas horas ou em dias pré-determinados, mas era jogo constante em qualquer folgança ou reunião de amigos.
O jogo de cartas conhecido por poker – aportuguesado pôquer, foi aperfeiçoado nos Estados Unidos e chegou ao Brasil como grande atração nos salões ou casas de diversões.
O jogo do loto [italiano], tombola [inglesa] ou que nome for, o bingo sempre teve grande público ora como jogo de azar, ora como simples diversão familiar ou rodas de amigos. Em Santa Cruz jogava-se bingo, mesmo sendo proibido em salões.
Também os habitantes divertiam-se com as corridas de cavalos, denominadas parelhas, somente permitidas mediante licenças, pelo Código de Posturas de 1883. Nos primeiros anos do século XX o local de disputa de corridas de cavalos em Santa Cruz chamava-se Raia ou Hipódromo.
-"Secção Livre"
-"Hyppodromo"
-"Realisar-seá hoje, ás 4 horas da tarde, na raia, as corridas dos seguintes animaes: Sete de ouros, Coola-torta, Mouro, Rosilho, Gavião, Rio de Janeiro, Trajano, Guanabara, Púrús, Botafogo, Fradiavolo, Ping-pong, Herege, Pindorama, Sultão e outros esplendidos bucephalos, que duspurarão grandes premios!"
-"Á raia!"
-"O Secretario - Motta"
(Cidade de Santa Cruz, Anno II nº 92, 27 de novembro de 1910: 2).
Também apareciam, de quando em quando, os circos como grandes atrações. "Os circos eram sempre bem-vindos e sua estada era alvo de comentários pelas diferentes camadas da localidade." (Rios, 2004: 69-70).
A presença de um circo no lugar representava a mudança do cotidiano pelo divertimento, e o palhaço era a atração maior, e do qual dependia todo o sucesso circense. Em algumas empresas circenses o palhaço participava de todas as apresentações.
Os circos que iam de um povoado a outro, com permanência de alguns dias num lugar, eram, na época, legitimamente populares e representativos da cultura sertaneja. O palhaço surgido na Alemanha por volta de 1850, logo chegou ao Brasil, como figura ridicularizada de algum bufão.
Com a imigração italiana surgiram os grupos comediantes mais bem definidos e mudou-se a figura do palhaço, agora algum herói ingênuo representando o brasileiro, conquistador malandro, falante de frases picantes ou de duplo sentido, sempre com muita graça.
Existem informações de apresentações de circos com mágicos, ilusionistas e que traziam cavalos que 'sabiam calcular', além dos cães adestrados, e dos espetáculos equestres, com saltos, malabarismos e montarias sincronizadas.
Em geral eram os circos de recreação e os circos teatros que mais chegavam ao sertão, desde os primeiros anos de povoação; onde quer houvesse algum povoado lá chegava o circo, segundo as mais antigas tradições, com seus espetáculos ginásticos juntamente com os acrobatas e equilibristas, das artes malabares, dos pirófagos, dos engolidores de espadas e das comicidades com trapalhadas e, em geral, o encerramento com encenação religiosa conforme calendário eclesiástico.
Quase sempre os circos traziam grupo de teatro, razão porque alguns denominados de Circo Teatro, estilo mambembeiro.
Antes do advento da imprensa no interior paulista quase nenhuma nota sobre presença de circos nas localidades do sertão, senão pelas tradições de famílias. Já nas primeiras circulações hebdomadárias, a partir de 1890 [1895 - em Santa Cruz do Rio Pardo] tornou-se possível conhecer nomes de circos e algumas reportagens a respeito.
O Circo Rubens, da empresa Mira e Filho, era o mais conhecido dos circos na região, cuja família proprietária terminou por criar vínculos e formar famílias em Santa Cruz do Rio Pardo, trazendo parentela da região de Dois Córregos, onde descendentes dos fundadores do lugar.
De empresa recreativa modesta tornou-se Circo Teatro e de outras variedades sendo destacado o drama 'Vinte anos de martírio' - numa referência dada por Rios (2004: 70).
O palhaço do Circo Rubens era chamado 'Mimoso', ano de referência 1902, cujo nome real era José Serafim Mimoso, que "com suas modinhas tem feito o gaudio da rapaziada." (Correio do Sertão, Ano I nº 21). 
Também chegavam a Santa Cruz os Circos de Touros, as touradas profissionais sem a morte do animal, além das montarias em animais chucros. Até nestes tipos de apresentações a figura do palhaço fazia-se presente como figura mais esperada do espetáculo. 
Nos anos de 1880 a elitizada sociedade santacruzense encontrava-se rotineiramente nos saraus para apreciações de músicas variadas - tocadas e cantadas, e para os jogos além de discussões dos momentos econômicos e da política. Seus membros apreciavam espetáculos de entretenimentos, sacros, românticos - representados pelos grandes dramas, os vulgares, as comédias - inclusas as rurais (caipiras) e os programas essencialmente culturais e histórico-educativos. Também divertiam-se com os parques, as vindas dos mágicos, dos prestidigitadores, com os jogos esportivos, montarias, corridas a cavalo e lutas.
-A classe rica frequentava os primeiros dias das apresentações, e depois ocorria a popularização, como preço promocionais, acorrendo aos espetáculos todas as camadas sociais.
As casas de espetáculos abarrotavam-se mesmo diante de espetáculos amadores, especialmente os beneficentes, destacando-se grandes grupos de artistas de ocasiões, apenas como exemplo, as apresentações do ‘Grupo Dramático 14 de Julho’, de teatro amador, para auxílio à Santa Casa e outras instituições (O Contemporaneo, Ano III nº 109).
Os antigos informativos, além dos anúncios e informes publicitários, descreviam as qualidades dos espetáculos e apresentadores, após realizações dos espetáculos, inclusive descrevendo a reação pública.
O santacruzense incentivava os seus tantos poetas e admirava os estudiosos cujas matérias, destes e daqueles, eram publicadas com destaques e sempre em primeira página.
Apenas ao carnaval, após a fase do entrudo, percebia-se a apatia do santacruzense.
A partir de 1902 surgiram as primeiras diversões mecânicas.
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3.  DIVERSÕES: CULTURA, ESPORTE E LAZER
3.1.  CINEMATÓGRAFO
Em 15 de novembro de 1902 o 'Correio do Sertão' (Ano I nº 36)  noticiava espetáculo de diversão, através do Cinematógrafo, pela primeira vez em Santa Cruz do Rio Pardo.
-"Cinematographo":
-"Exhibiram hontem, pela primeira vez, nesta cidade um perfeito cinematographo, os srs. Volpe, Nardino e Massimo".
-"As 16 explendidas vistas de que as compoz o espectaculo, e que formam interessantes quadros, muito agradaram aos espectadores, os quaes não regatearam merecidos applausos aos emprezarios do excellente aparelho."
-"Hoje havera novo espectaculo, ao qual o publico não deve faltar, pois, o cinematographo dos srs. Volpe, Nardino e Massimo, lhe proporcionara agradavel diversão".
Na edição de 24 de dezembro de 1902, o mesmo 'Correio do Sertão' (Ano I nº 41) exultava-se com o "Cinematographo":
-"Com regular concorrencia tem dado diversos espectaculos no salão do sr. Raveduti, nesta cidade, os srs. Volpe, Nardoni e Massino, proprietarios dum perfeito cenematographo, um dos melhores que temos visto".
-"Traz grande quantidade de vistas magnificas, as quaes formam quadros interessantíssimos que, além de exhibidos com rara perfeição, demoram tempo sufficiente para serem apreciados pelos expectadores."
-"Hoje e amanhã terão logar os ultimos espectaculos, nos quaes serão exhibidas novas e magnificas vistas."
-"Nos intervallos funcciona um excelente gramo-fone."
-"O publico não deve deixar de aproveitar estes ultimos espectaculos, pois o cinematographo proporciona-lhe uma agradavel diversão".
Sem dúvidas o Cinematógrafo foi a grande sensação dos primeiros anos do século XX nas localidades urbanas do interior paulista, visitadas pelos exibidores ambulantes que se intitulavam empresas de espetáculos. Em Santa Cruz do Rio Pardo chegaram os senhores Volpe, Nardino e Massimo "emprezarios do excellente aparelho", pioneiros na disseminação dos primeiros filmes no lugar, oportunidade acontecida com a participação da família Ravedutti, dona de um salão de espetáculos na cidade.
A família Ravedutti apresentava artistas de teatros, orquestras e promovia bailes, e, a partir de 1902 passou investir nas apresentações de cinematógrafos, sete anos depois que o pai dos inventores [ou aperfeiçoadores] do cinematógrafo, os irmãos Lumière, organizou a exibição pública paga de filmes no dia 28 de dezembro de 1895, no Salão do Grand Café de Paris.
Naqueles tempos a casa de espetáculos dos Ravedutti funcionava em bases precárias, inimagináveis considerando a época atual, dada ausência de energia elétrica e de ventiladores ou ar-condicionado, tendo o local sob fonte luminosa de lamparinas, velas ou do lampião de gás acetileno, com todo o desconforto, e para o aparelho projetar o filme, sem dúvidas, o uso da luz oxietérica, ou seja, "lâmpada oxidríca que queima éter ou benzina numa corrente de oxigênio" (Dicionário Digital Aulete), embora o 'Correio do Sertão' não tenha fornecido detalhes de como o funcionamento do aparelho, apenas a classificá-lo como dos melhores no mercado, de excelente funcionamento.
Certamente as apresentações atraiam grande público, pelo tempo que os empresários permaneceram na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, durante os meses de novembro - 2º quinzena e todo o mês de dezembro. "Os primeiros exibidores locavam um ponto por alguns dias e, após esgotada a freguesia - ou esgotado seu estoque de filmes -, partiam atrás de novas praças. (...)." - [Almanack Paulistano - Velhos Cinemas do Interior).
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3.2.  CINEMAS
Nos tempos mais antigos as fitas cinematográficas eram curtas e mudas - com diversas apresentações num só espetáculo, e durante as projeções dos principais filmes uma orquestra apresentava-se ao vivo. Antes das exibições e nos intervalos molhava-se a tela com o uso de uma vara chamada 'canudo', porque as projeções eram feitas por trás da mesma sob forte calor da iluminação necessária.
Em certas exibições, durante as interrupções regulares, faziam-se sorteios de prendas em pró alguma instituição - com números previamente adquiridos, ou ingressos numerados, conforme num exemplo em pró a reforma da Igreja Matriz (Cidade Santa Cruz - Ano IV nº 157).
Segundo o Almanaque [Almanack] Paulistano, em 'Velhos Cinemas do Interior', informa que "Por volta de 1908, começam a pipocar os cinemas fixos, casas usadas por períodos mais longos e já apresentadas como 'empresas'. São 150 cidades paulistas que já podem orgulhar-se da novidade em 1910. Constituíam-se esses primeiros cinemas em barracões improvisados, sem comodidades, sufocantes nos dias de calor. Para amenizar o ambiente, alguns exibidores mais escrupulosos espargiam perfume na plateia."
Não era fácil, contudo, investir e manter cinemas interioranos. O surgimento e rápido desaparecimento das tantas casas de espetáculos tinham razões diversas, às vezes nas quebras de equipamentos, por outras nas concorrências desleais, ou mesmo nas motivações políticas. O informativo Almanack Paulistano aponta causas possíveis: "A população de várias pequenas cidades, na época, mal ultrapassava a platéia de um cinema, mas os dois antigos e tradicionais partidos políticos do Estado, o Constitucionalista e o Republicano, mantiveram durante muitos anos uma espécie de guerrilha no Interior. Se alguém de um dos dois partidos abria um cinema, o outro lado se obrigava a fazer o mesmo”, além da realidade que "Nem sempre, o negócio de filmes revelou-se muito rentável. Afora, entretanto, o aspecto econômico, o ramo da exibição respaldava-se na paixão. E não só pelo cinema em si. Também a paixão partidária movimentava o ramo."
Nos anos de 1911 as salas de cinemas apresentavam bandas, orquestras e conjuntos musicais, além de peças teatrais, inclusive com artistas amadores e estudantes. 
O empresário santacruzense Bichara Elias Eide, por exemplo, teve na cidade duas ou mais casas de espetáculos do gênero num mesmo período, reflexo de comportamento de difícil explicação, afinal Santa Cruz era bastante pequena para suportar dois ou mais cinemas disputantes por público, e nada parece justificar competições dentro de uma única empresa. Talvez essa visão empresarial do Eide tenha contribuído para sua falência em 1914.
Também os investidores em cinema, os empresários santacruzenses Vianna e Xavier - assim identificados, padeceram do mesmo desatino de Eide: abriram duas casas de apresentações cinematográficas, quase num só tempo, uma consorciada ao teatro e outra ao cassino, ambas desativadas praticamente no ano das inaugurações.
A despeito de seus tantos cinemas, Santa Cruz do Rio Pardo não figura no rol das primeiras cidades possuidoras, embora desde 1902 com os cinematógrafos e de 1909 a 1915, pelo menos, possuindo cinco ou mais casas de espetáculos cinematográficos, cumprindo aos autores também esse resgate histórico.
Dificuldades à parte, o Almanaque Paulistano informa como eram apresentados os espetáculos: "Um conjunto musical ('orquestra') tocava música conforme o filme. Pessoas, quase sempre crianças, encarregavam-se dos 'efeitos sonoros'. Cocos batidos ao chão imitavam passos de cavalo, papéis laminados torcidos davam idéia de trovões. Um contra-regra, chefe da equipe, dava a ordem para os sons. A equipe ocultava-se atrás da tela." 
Ainda nos anos de 1910 surgiram os quadros ou balões escritos sobre o que diziam, faziam ou pretendiam as personagens. Então, a linguagem universal da mímica cinematográfica, que todos pareciam entender e tanto divertiam as pessoas, deu lugar aos escritos e isto num idioma que podia não ser aquele do país onde exibida a fita. Isto fez surgir os intérpretes que interferiam com suas vozes para a tradução. Não demorou e a tecnologia do som permitiu os primeiros filmes comentados na íntegra, logo com dublagens ou falas imitativas por uma pessoa - que agudava a voz, a tornava grave, ria, chorava e até cantava; depois vieram as vozes diferentes, uma para cada personagem, e isto tirou os quadros legendados, a decretar por volta de 1927 / 1930, o fim do cinema mudo.
Apesar disto, o cinema mudo levou alguns anos para sair de cena; os frequentadores e apreciadores do cinema mudo não gostavam da interpretação 'simultânea', pela qualidade do som e a insegurança dos dubladores, e, às vezes, os desencontros das falas e cenas.
A sonorização evoluiu rápida, mas era independente do filme, e somente o avanço tecnológico a unir som original ou trabalhado com a mobilidade das cenas, e com as legendas rápidas no idioma do país onde apresentada a película, acabou por estabelecer o predomínio do cinema falado e, assim excluir os filmes mudos de cartaz, com o projetor associado a um fonógrafo.
O colorido e a fala, a despeito da extravagância visual e sonora, prevaleceram. Corrigidas as distorções de imagens e coloridos aberrativos, o som passou a ser aplicado diretamente sobre a película, para, a partir de 1935, firmarem-se os filmes sonoros e coloridos, e assim o cinema findou aos anos de 1940, bastante elitizado, como sinônimo de arte cultural.
A evolução do cinema fez sair de circulação as pequenas casas de espetáculos. Uma grande empresa locava os melhores e mais novos filmes e apresentava sempre novidades, além do conforto e segurança. De outra maneira, a modernidade exigia equipamentos mais sofisticados e bastante caros: aparelhos de projeções, as telas e os tamanhos, as condições dos locais de apresentações maiores, para mil ou mais lugares numa cidade igual a Santa Cruz do Rio Pardo, edifícios próprios e com todas as adequações necessárias, inclusa a ventilação para a platéia e equipamentos.
Contribuindo com o encarecimento, os artistas, antes praticamente anônimos - nem seus nomes eram anunciados nos filmes, tornaram-se celebridades e altamente remunerados, assim como os diretores e técnicos, com as filmagens mais longas, às vezes por meses e anos de produções, com qualidades superiores e até os detalhes antes inobservados, como as roupas e cenários, e desta maneira, a ditar modas, usos e costumes e imposição cultural, por exemplo, a notória influência norte-americana estadunidense sobre outros povos, em grande parte, consequencia de sua conquista cinematográfica.
A Lei Municipal nº 205, de 26 de junho de 1964, assinada pelo Prefeito Carlos Queiroz, "concedia isenção de todos os impostos e taxas municipais pelo prazo de 10 (dez) anos, a empresa individual ou associativa, que construir em nossa cidade um prédio, obedecendo todas as exigências modernas em tamanho e conforto." Não atraiu interessados.
O advento da televisão e sua popularização nos anos de 1970 tornaram os cinemas - em grandes casas tecnicamente obsoletos, e hoje somente as grandes empresas de lançamentos sobrevivem, com os cinemas luxuosos e os populares, sem desconsidear a importância dos cinemas municipais.
Foram os seguintes cinemas santacruzenses:
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3.2.1.  CINE ORIENTE - 1909/1914
Enquanto a cidade não apresentava um cinema próprio, os ambulantes empresários apareciam, esporadicamente, para apresentações de espetáculos, até por volta de 1909, quando em 18 de setembro de 1909 inaugurada a primeira casa fixa de espetáculos do gênero em Santa Cruz do Rio Pardo, pelo empresário Bichara Elias Eide (Cidade Santa Cruz Ano I nº 37 - "Inauguração Intransferível").
O Cine Oriente em 1910 anunciava a estréia de seu moderno aparelho - modelo 1910:
-"HOJE HOJE"
-"Cinematographo"
-"Permanente nesta cidade"
-"Empreza - B. E. Eide"
-"Ultimo modelo de 1910 d'Pathe Frere"
-"As fitas serão fornecidas pela grande empreza Bijou Theatre de São Paulo"
-"Grandes Variedades no Cinema Oriente"
-"O SECRETARIO"
-"G. Pacheco". (A Cidade, Ano II nº 73).
O 'Pathe Frere' - Sócieté Pathé Frères ou Sociedade Irmãos Pathé, produtores do primeiro disco de vinil, cujo trabalho resumia-se em sincronizar o som com a imagem na tela - efeitos sonoros e musicais, substituindo os gramofones e os efeitos sonoros manuais. Comumente denominava-se Pathé projetor de filme 35 m/m.
Com a novidade as orquestras e bandas perdiam presença nos espetáculos; eram os tempos dos cinematógrafos falantes Pathe, cujos filmes prouduzidos por e para a Sociedade Irmãos Pathé, distribuidora mundial. Com o avanço tecnológico Pathé, a força motriz substitui o meio mecânico das apresentações.
Com a energia elétrica o Cine Oriente torna-se o primeiro cinema 'moderno' conhecido em Santa Cruz do Rio Pardo, a cumprir destaque que, anos depois os cinemas em Santa Cruz são tratados como cinematógrafos.
Em 1914 foi declarada falência do empresário Bichara Elias Eide (Juizo de Direito da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, edital de 06 de setembro de 1914, publicado pelo Cidade Santa Cruz - Ano IV nº 285).
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3.2.2.  CINE BRASIL - 1911/?
Em funcionamento no dia 04 de julho de 1911:
-"Proprorcionando agradaveis e instructivas diversões aos apreciadores da cinematographia funccional semanalmente, com numerosos espectadores os dois cinemas: 'Oriente e Brasil'."
-"As duas empresas, pelas curiosas novidades exhibidas, muito tem esforçado-se em oferecer ao publico que honram-nas com suas presenças, algumas horas de delicias... - Manoel P Tavares."
-"Para hoje estão annunciados pelas duas emprezas importantes filmes a serem exhibidos."
-"Brevemente o Cinema Brasil exhibira - O Encontro (...)." (Cidade de Santa Cruz, Ano III nº 113). 
O Cine Brasil, vinculado ao Cine Oriente - do empresário Bichara Elias Eide, teve, aparentemente, curta duração, e dele não mais encontrada nenhuma outra divulgação de informe publicitário ou notícias.
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3.2.3.  CINE SÃO LUIZ - 1911/1914
Aos 26 de novembro de 1911 entrava em funcionamento o Cine Teatro São Luiz, de Augusto Swenson, na Rua Euzébio de Queiroz [atual Catarina Etsuko Umezu] esquina do Largo da Matriz [hoje Praça Dr. Pedro Cesar Sampaio]. Assim dizia o noticiário da época:
-"Este bem montado cinema exhibe sempre fitas novas, de grande sucsesso e de alta novidade: Dramaticas, historicas, comicas, artisticas e naturaes, entre as quaes muitas são coloridas, representando ultimas creações cinematographicas, das grandes e mais importantes casas europeas: 'Pathé Frères', 'Biographo', 'Cines', 'Itala', 'Odion', 'Vitagraph', 'Gonnion', 'Radios', 'Lux', "Eclips', 'Kelair', etc. Exhibe tambem fitas nacionaes, tiradas pela conhecida empreza de S. Paulo, 'F. Serrador'." [Eram as empresas cinematográficas e distribuidoras da época, e a paulista era a de Francisco Serrador].
-"Alem d'isto, o apparelho do cinema 'Oriente' é o unico firme, não encomoda a vista sem repidação ja está provado pelos admiradores do Oriente."
-"Ide ao Cinema São Luiz!!"
-"Là encontrareis alegria deante das inumeras e deslumbrantes novidades!"
-"Sabado - Domingo - Dias Santos e Feriados no Cinema São Luiz - Grande funcção" (Cidade Santa Cruz, Ano III nº 143). 
Pela mesma edição do Cidade Santa Cruz sabe-se da apresentação do filme 'Astúcia de um Marido', de Max Linder, esclarecendo a notícia que, durante a projeção do filme uma orquestra se apresentaria ao vivo.
Max Linder foi o primeiro ator clow [palhaço] da comédia arte - expressão do ridículo e da fraqueza de cada pessoa, no qual se inspiraria Charles Chaplin.
O proprietário do Cinema São Luiz, em 15 de outubro de 1911, comunicava "a quem interessar que, estando o Theatro S. Luiz sob sua exclusiva direcção, allugará a quem desejar, para todos os fins, sem distincção de côr politica, religiosa ou outra qualquer crença o recinto do mesmo, para conferencias, reuniões e etc, cujo preço combinará na occasião, sendo o pagamento feito antecipadamente." (Cidade de Santa Cruz, Ano III nº 143).
A exemplo dos outros cinemas, na época, o Cine São Luiz também favorecia espetáculos beneficentes. Em 30 de maio de 1912, por exemplo, fez-se realizar "um espetáculo em beneficio da desvalida Rita Emboava" (Cidade de Santa Cruz, Ano IV nº 167).
O Cine São Luiz associou-se ao Cine Oriente:
-"Comunicam-nos os srs. Bichara Elias Eide e Augusto Swenson, que por acôrdo realisado há dias, organisaram uma sociedade para exploração dos cinematógrafos São Luis e Oriente, desta cidade."
-"A gerência dos negócios referentes aos mesmos cinemas, ficará a cargo do sr. Bichara Elias Eide" (Cidade Santa Cruz, 17/10/1911: 2).
Os Cines São Luiz e Oriente funcionavam em endereços distintos, quando da falência de Bichara Elias Eid, em 1914, sem menções daquelas casas de espetáculos no rol dos bens penhorados, ou que a sociedade tenha sido desfeita antes da decretação falimentar.
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3.2.4.  CINE 'THEATRE BIJOU' 1911/?
De propriedade de José Aloe - por aquisição, esta casa de espetáculos já funcionava em 05 de março de 1911. O semanário 'Cidade Santa Cruz' ao referir-se a este empreendimento zombava da capacidade de geração de energia da Companhia Luz e Força Santa Cruz: "O sr. José Alóe actual proprietário do 'Bijou', vae nos mimosear, hoje, com mais uma funcção cinemathographica. Portanto todos ao Cinema, ainda com risco de quebrar uma perma devido esplendido funccionamento da 'Luz e Força'." (Cidade Santa Cruz, Ano III nº 106).
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3.2.5.  CASSINO CINEMA - 1911/1912
Santa Cruz, em novembro de 1911, tinha quatro cinemas: Oriente, Brasil, São Luiz e Theatre Bijou, já com anúncio de mais uma sala de espetáculos cinematográficos, o Casino Cinema de propriedade Xavier e Vianna:
-"Casino Cinema"
-"Jà se acham bastante adeantadas as obras do elegante pavilhão, que os srs. Xavier e Vianna estão a construir no largo do Jardim, nesta cidade. É desejo daquella firma inaugural-o por todo o mez de dezembro" - (Cidade Santa Cruz, Ano III nº 143).
O Cine Cassino encerrou as atividades em 1912.
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3.2.6.  'HIGH-LIFE' CINEMA - 1912/1912
Mais um cinema em Santa Cruz do Rio Pardo, da Empresa Xavier e Vianna (Cidade Santa Cruz, Ano IV nº 167):
-"Vae de vento em popa esta nova e jà consagrada empreza cinematográphica. O pavilhão em que se realizam sua optimas sessões, enche-se a transbordar todas as noites. Basta serem distribuidos os programmas pela cidade para se prever logo à noite uma casa cheia no elegante theatrinho."
-"Durante a semana effectuaram-se tres espectaculos. Em cada um delles predominou grande gosto na seleção das fitas. As fitas exhibidas neste cinema são especialmente escolhidas por um dos seus directores."
-"Segunda-feira effectuou-se grande espectaculo em beneficio das obras da Matriz. A assistencia que enchia a grande sala, muito apreciou as fitas: Hymno da Batalha, Heroismo de Pedrinho e muitas outras."
-"Ante-hontem, mais uma funcção cheia de attractivos. Foram exibidas 8 dellas fitas, entre as quaes distinguiram-se A morte do Rei Eduardo III e Amor e extorção."
-Hontem mais uma sessão, em que foi exhibida com grande agrado a estupenda fita - Jersusalem Libertada."
-"Para hoje, novo e attrahente programma." (Cidade Santa Cruz, ano IV nº 157, 10 de março de 1912, página 2).
O Cine High-Life funcionou poucos meses, e em setembro de 1912, o prédio onde instalado dava lugar ao renovado Cine Oriente, de acordo com a publicação no Cidade Santa Cruz (Ano IV nº 183), 19 de setembro de 1912, página 1):
-"Cinema Oriente."
-"Reinaugura-se hoje, no pavilhão onde esteve instalado o High-Life, o conhecido cinematografo do sr. Bichara Elias Eide."
-"O pavilhão acaba de sofrer grandes reformas de modo que está em condições de proporcionar o mais agradavel conforto."
-"O actual emprezário é sobejamente conhecido pelo tacto com que dirige este gênero de divertimentos."
-"Hoje será exibido um escolhido programa, caprichosamente organisado."
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3.2.7.  CINE SANTA CRUZ - 1914/1946
O semanário 'Cidade de Santa Cruz' (Ano IV nº 286) anuncia o funcionamento do Cine Santa Cruz, que antigas tradições ditam-no firmado sobre os espólios dos cinemas Oriente e São Luiz, do empresário falido, Bichara Elias Eide.
Em 10 de maio de 1915, o Cine Santa Cruz está com duas casas distintas de espetáculos cinematográficos (O Contemporâneo, Ano I nº 2).
O cinema em questão é referendado pelo 'O Contemporaneo' (Ano I nº 17), com a notificação:
-"Comunicam-nos os snrs. Machado e Swenson, emprezarios do cinema S. Cruz, que contrataram com a Empreza J. R. Staffa de S. Paulo, o fornecimento de films para as suas exibições, é isso uma garantia de que d'ora avante o publico terá no Cinema S. Cruz, verdadeiros programmas de arte, das mais importantes fábricas cinematographicas notadamente da Nordisk de Copenhague."
-"Hoje e amanhã, dois espectáculos encantadores."
Não tardaria e as duas salas do Cine Santa Cruz seriam uma só,conforme anuncio publicado aos 15 de outubro de 1915, da exibição do filme 'Vendetta', a seguir aviso de filme para em breve, 'A Caminho do Supplicio' ou 'Um coração por um bilhão' (O Contemporaneo, Ano I nº 25). 
No ano de 1927, outubro, era proprietário do Cine Teatro Santa Cruz - ou o Cinema Santa Cruz conforme conhecido, o empresário Manoel S. Ribeiro - também proprietário do Gremio Santa Cruz, com reinauguração anunciada à época:
-"O Cinema Novo."
-"Muito breve teremos em pleno funccionamento uma nova casa de diversões."
-"Trata-se do novo Cinema Santa Cruz, do sr. Manoel Ribeiro."
-"Predio novo, construido especialmente para ser nelle installado esse cinema, adaptado convenientemente bem e nos moldes dos cinemas de bom nome do interior do Estado."
-"Grande, espaçoso, commodo, bem ventilado, excellentemente disposto, n'um estilo elegante e moderno, certamente que offerecerá ao publico frequentador um ambiente distincto e de satisfação."
-"(...)." (A Cidade, Ano XVIII nº 338). 
O terreno onde ergueu-se a construção é o todo anunciado à venda em 29 de novembro de 1917: "Vendem-se quatro datas de terreno no perimetro urbano desta cidade, e situadas na Rua Antonio Prado, esquina da rua Euzebio de Queiroz, lado de baixo. Tratar com o prof. Cornélio" (O Contemporaneo ano III nº 131). Em 1926 a mesma área tornara-se patrimônio público municipal, cedido ao empresário Manoel Santos Ribeiro para nele construir um prédio destinado a um cine teatro de acordo com a Lei Municipal 378 de 06 de agosto de 1926, sendo o empresário também beneficiado com isenção de impostos pelo prazo de oito anos sobre o prédio, o cinema e bar instalados, todavia mediante cessão de lugares gratuitos na casa de espetáculo - eventos ocasionais, e a permissão de uso para festas em benefício do hospital Santa Casa de Misericórdia.
-Manoel Santos Ribeiro estava entre os maiores comerciantes de Santa Cruz da época, dono de uma Casa de Fazendas e Molhados à Rua Conselheiro Dantas - (Cidade de Santa Cruz, ano XII nº 13 - anúncio publicitário como exemplo aleatório). 
Desde 1927 Santa Cruz do Rio Pardo contava com apenas uma casa cinematográfica, o Cine Santa Cruz, instalado onde hoje a Prefeitura Municipal, sito à Praça Deputado Dr. Leonidas Camarinha nº 340.
Após três décadas de funcionamento, contadas administrações (proprietários) anteriores, o Cine Santa Cruz, em 1945, foi integrado à Empresa Teatral Pedutti, de Emilio Pedutti. O mega empresário no ramo de cinemas determinou a construção de novo prédio para a casa de espetáculos Santa Cruz, assim noticiado aos 06 de maio de 1945:
-"Sob os cuidados do competente contrutor Etore Cortela, prosseguem as obras do novo predio do Cine Santa Cruz, que deverá ser inagurado em Janeiro proximo."
-"Será mais um magnífico centro de diversão para o nosso povo, e tudo isso devemos à boa vontade do snr. Emilio Pedutti e do digno gerente, snr. Renato Marques." (A Cidade, Ano XXXVI nº 1.701). 
Desde a ocasião, os informes publicitários, anunciações de filmes e outros espetáculos, traziam a identificação conjunta: "A Empreza Teatral Pedutti e o Cine Santa Cruz" (A Cidade, ano XXXVI nº 1.702).
O novo prédio, cognominado 'Palácio da Sorocabana', foi inaugurado em 1946 sob a denominação de 'Cine São Pedro'. 
Após a desativação do Cine Santa Cruz, ou a transferência de endereço, o empresário Manoel Santos Ribeiro instalou o Clube Soarema no lugar. 
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3.2.8.  CINE SÃO PEDRO / EMPRESA TEATRAL PEDUTTI - 1946/1987
Cine Teatro São Pedro, pela Empresa Teatral Pedutti, foi fundado em 1946, à Rua Conselheiro Antonio Prado, nº 560, com capacidade de 1.050 lugares, valendo-se de projetor para filmes 35 m/m, com média anual de 565 sessões / ano e público de 252.310 espectadores num ano, nos melhores tempos, ou seja, aproximadamente 450 frequentadores por sessão (Cine Mafalda, 2009: Interior). 
O prédio foi adquirido pela municipalidade em 1987 e inaugurado em 20 de janeiro de 1988 como 'Palácio da Cultura Umberto Magnani Netto' - em homenagem ao artista santacruzense, com a presença de Plinio Marcos [dramaturgo], Beth Farias - atriz e então deputada federal, outros nomes do meio artístico local e regional, além dos políticos e autoridades em geral.
Hoje o prédio, reformado, está destinado a apresentações cinematográficas, de teatro e grandes reuniões, sob a administração pública municipal.
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3.3. TEATROS E CASAS DE ESPETÁCULOS
Pelo Código de Posturas de 1883 entendem-se, em Santa Cruz do Rio Pardo, casas ou clubes de danças, mas deles praticamente não existem registros. A classe social mais elevada fazia seus encontros e danças nas residências, e notícias dão conta que o sobrado do Coronel Moysés Nelli era um dos principais lugares de encontros para os bailes da elite, acontecimentos desde o final do século XIX.
Nos salões apresentavam-se as orquestras, promoviam-se bailes, vinham as bandas e peças teatrais. Santa Cruz era uma cidade que apreciava a cultura.
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3.3.1.  SALÃO RAVEDUTTI
Em 1902 existia o Salão do Ravedutti, notável casa de espetáculos da época, com apresentações de grandes bailes com presenças de orquestras e bandas, sessões cinematográficas e variedades, e à frente das apresentações locais a família Ravedutti - de imigrantes italianos, e que importava espetáculos, conforme assim noticiado:
-"Theatro."
-"Estreou, antehontem, no salão do sr. Ravedutti, a Companhia Variedades, dirigida pelo sr. S. Tavares."
-"Os trabalhos correram regularmente, tendo agradado os espectadores, segundo nos informaram."
-"Para hoje está annunciado novo espetaculo, no qual o sr. Tavares promette cousas do arco da velha (...)" - (Correio do Sertão, Ano I nº 8).
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3.3.2. SALÃO NOBRE CÂMARA MUNICIPAL / TRIBUNAL DO JURI
Alguns acontecimentos sociais, musicais e dançantes, aconteceram no Salão da Câmara Municipal que, também, era Sala do Tribunal do Jury.
O Coronel Botelho fez lá realizar os festejos para a inaguração do prédio, em 1901, com a realização de memorável baile. 
Outra referência diz de apresentação musical, no mês de agosto de 1903, quando os irmãos russos, na verdade croatas, Mirko e Stefan Seljan, concertistas e exploradores numa viagem científica pelo Brasil, chegaram a Santa Cruz do Rio Pardo onde permaneceram por alguns dias. 
-"Irmãos Seljan"
-"Continuando sua viajem scientifica, acham-se nesta cidade, tendo nos honrado com uma visita, os illustrados exploradores russos, srs. Mirko e Stefan Seljan."
-"Os distinctos geographos, depois de percorrerem a Africa e parte do nosso Estado, seguem para o Salto Grande do Paranapanema, onde pretendem embarcar para Matto Grosso e dalli para as republicas platinas, com o fim de desenvolverem conhecimentos geographicos e de ethinographia americana."
-"Habeis musicos, darão, hoje, no salão do tribunal do jury, um concerto musical."
-"Attendendo à justa fama de que vêm precedidos, é de esperar que o nosso publico não deixará de comparecer no salão do jury." (Correio do Sertão, Ano II nº 72). 
O 'Correio de Sertão' refere-se a outra apresentação da dupla: "Foi bastante concorrido e applaudido o concerto musical, dado nesta cidade, na noite de 4, pelos Irmãos Seljan." (Correio do Sertão, Ano II nº 73).
A título de informação, dos irmãos Seljan assim diz a História Croata, referenciada, numa tradução livre: "Os Irmãos Mirko (1871-1913) e Stevo [Stefan?] Seljan (1876-1936) passaram vários anos na Etiópia, realizando estudos climatológicos, etnográficos e investigações geomorfológicas. Ocuparam importante lugar na corte do imperador etíope Menelik II. Depois seguiram para a América do Sul e fundaram a 'Sociedade La Mission Cientifica y Croata Mirko Stevo Seljan', e organizaram várias expedições, especialmente no Peru, Chile e Brasil (na região da Amazônia)." - (SELJAN - Irmãos, História da Ciência Croata).
Aos 25 de outubro de 1903, os irmãos Seljan escreveram, de Salto Grande, uma carta ao 'Correio do Sertão' comunicando sua partida para Matto Grosso descendo o rio Paranapanema. O hebdomadário não publica a referida missiva, mas sim outra que um leitor recebera dos irmãos Seljan em novembro de 1903:
-"Caro amigo."
-"Eis um signal de vida. Nós temos deixado Santa Cruz com as melhores lembranças do acolhimento redcebido de todos, sem excepção."
-"Atravessando o Rio Turvo, pouco adeante se acha S. Pedro. Nossa demora de quase 14 dias na dita villa prova assáz que nós ali encontramos muitos nobres amigos."
-"Uma excursão pela Serra dos Agudos, em comnpanhia do distincto Padre Luiz de Setta e do pharmaceutico Moura nos proporcionou ver na fasenda sob as ordens do valente Capitão Jeronymo Carlos, a primeira colonia de Indios, com os quaes entretivemos relações, tendo feito interessantes observações."
-"Voltar a S. Pedro e continuar a jornada para a mysteriosa Comarca de Campos Novos do Paranapanema, a mais interessante e maior do Estado de S. Paulo, foi nosso itinerario."
-"As cartas de recommendação para o honrado dr. Sodré, da parte do Juiz de Direito e do chefe politico dessa villa, nos tem facilmente aberto as portas do seu lar hospitaleiro, e nos tem feito entrar em relações amistosas com a mais importante personalidade do sertão, o Coronel Sanches e com o importante fazendeiro João Paulista, aproximadamente ... da possibilidade de fazer uma excursão pelas florestas virgens nas regiões habitadas pelos indios selvagens 'coroados'."
-"O jornal da vossa terra annunciou nossa partida para o Mirante; eis-nos pois lá, após uma viagem de 4 horas a cavallo em direcção ao Norte. Prados, 1 quarto de campos e 3 quartos de sertão - formam, segundo dizem todos, o aspecto da zona de nosso destino."
-"Um dia de repouso no circulo da familia do fazendeiro João Paulista e logo segunda-feira nós seguimos uma visita à segunda colonia situada a 2 leguas a Noroeste sobre a Montanha Ambrozina (Bugio Morto) para continuar a viagem para o rio Aguapey (Peixe). É geralmente sabido que o curso deste rio é desconhecido e que suas margens são habitadas por Indios Coroados que sustentam uma lucta eterna com a raça branca. Estuda a topographia, a formação das montanhas da zona, o curso do rio continúa o nosso intuito desde a patrtida de S. Paulo. Nossa carta futura e descripções que nella faremos mostrando os resultados obtidos. Eis com laconismo nossas aventuras."
-Difficil trajecto em direcção ao Norte das florestas dos vertices da montanha Ambrozina, rapida descida para o Oriente no valle, passagem da Agua das Cobras, continuação para o Norte para o rio Secco, Saltinho, rio da Confusão chamado, pelo qual João Paulista voltou com seu gerente Vianna, sob pretexto de negocios commerciaes em casa, e nós com 3 valentes homens continuamos a viagem para finalmente depois de fatigados, tendo vencido differentes obstaculos que só se encontram no sertão, chegar a margem do rio Aguapey."
-"Passa-se a noite em companhia das differentes qualidades de mosquitos insuportaveis; escutando de vez em quando pios de macuco imitados pelos indios que nos rodeiam."
-"Os coroados gostam muito de atacar à trahição, attenção pois em olhar para traz na retirada, diz o nosso companheiro José Baptista."
-"A observação foi inutil. Tres annos de vida e lucta contra os negros selvagens do continente africano nos tem bastante acostumado a guardar nossas cabeças."
-"Muitos sulcos frescos ao longe de nossa picada nos recommendam ampla attenção. Mas Deus nos protege. Sem nenhum acidente chega-se a Ambrozina onde nos esperavam com anciedade. O gerente Vianna com uns homens partiu ao nosso encontro que se effectuou entre o rio Saltinho e Agua das Cobras."
-"Depois disto os adeuses tocantes a nosso amigo José Paulista e a volta a Campos Novos para nós tornarmos até hoje hospedes do senhor da zona sertaneja, Cl. Sanches."
-"Nossa excursão passa-tempo, em sua casa, na Platina, (Saltinho) situada no ponto de reunião dos rios Taquaral e Veado, vos dirá minha proxima carta."
-"Adeus, pois, ficamos sempre vossos amigos devotados."
-"Irmãos Seljan." (Correio do Sertão, ano II nº 87). 
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3.3.3.  SALÃO AURORA
Em 1908 é citado o Salão Aurora, de propriedade de Sebastião Antunes Ribeiro (Correio de Santa Cruz, ano I nº 22). 
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3.4.  CLUBES SOCIAIS, LITERÁRIOS E RECREATIVOS
Alguns clubes funcionaram em Santa Cruz do Rio Pardo, aqui apresentados aqueles cujos registros chegaram aos dias atuais: 
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3.4.1.  DEMOCRATA 'CLUB'
Em 1902 existia em Santa Cruz do Rio Pardo o Democrata Club, numa a notícia dada referindo-se a apresentação do espetáculo, em três atos, 'Supplicios de uma mulher', e o anúncio da comédia 'Uma scena no Sertão de Minas.' (Correio do Sertão, Ano I nº 1). 
O Democrata teve sua origem no final do século XIX, a exemplo de outros clubes de igual nome e época, em lugares diversos, inspirado no movimento católico pós advento da República, como espaço aberto à cultura, sobretudo à arte musical. 
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3.4.2.  CLUBE LITERÁRIO E RECREATIVO  
Já em seu final, o século XIX foi pródigo para os surgimentos de clubes literários e que servissem de recreação aos seus associados, denominados Clubes Literários e Recreativos. 
No mês de junho de 1903 há registro da fundação do Clube Literário e Recreativo Santacruzense, em Santa Cruz do Rio Pardo: "Com esta denominação, por iniciativa de um grupo de distinctos rapazes, acaba de ser fundada uma sociedade dançante nesta cidade, a qual será inaugurada brevemente." (Correio do Sertão, Ano II nº 67). 
Aprovado os estatutos e nomeada uma comissão para angariar sócios, aos 17 de julho de 1903 o Clube convocava os associados para reunião no dia 18 (Correio do Sertão, Ano II nº 71).
Sob a denominação consumada por 'Club Literário e Recreativo' a primeira diretoria foi eleita aos 20 de julho de 1903, sendo: "presidente Major Vicente Finamore; thezoureiro capm. Antonio Sanches Pitaguary; secretario, Luiz Octavio de Souza; procurador, José A. Pereira Junior" (Correio do Sertão, Ano II nº 71).
O Correio do Sertão ainda informava os elegidos para a Comissão de Sindicancia:, Julio Estevam de Sant'Anna, Manoel de Novaes Cortez e o tenente João Manoel de Almeida. 
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3.4.3.  TABAJARA 'CLUB'
Notícias de 1915 mencionam o salão Tabajara Club (O Contemporaneo, ano I nº 17).
Diversos clubes foram criados no final do século XIX com nome 'Tabajara', numa época em que conjuntos musicais também assim se identificavam, mas os autores não conseguiram justificativas de tal denominação para o clube santacruzense. 
A palavra tabajara, de origem tupi - 'senhor ou senhores de [da] aldeia', era comumente usada para identificar paraibanos. 
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3.4.4.  CLUBE DE ESCOTISMO
Notícias em novembro de 1915 informavam do apelo do advogado Dr. Pedro S. de Sampaio Doria, para a fundação da Associação de Escoteiros de / em Santa Cruz do Rio Pardo, cuja proposta sustentada no sistema de valores preconizado pela Lei Escoteira, ou do Escotismo, de Baden Powell, através da dedicação ao aperfeiçoamento físico, moral e comportamental dos adolescentes, com rigor hierárquico e ética paramilitar,além dos exercícios no campo, adaptações e convivências com a natureza e as práticas sociais, com importante participação na sociedade santacruzense (O Contemporaneo, Ano I nº 28). 
Dois anos depois acha-se constituída a Diretoria da Comissão Regional de Escoteiros de Santa Cruz do Rio Pardo:
-"Presidente honorário - Cel. Antonio Evangelista da Silva."
-"Presidente - Cel. Raymundo Vianna."
-"1º Vice-presidente - Dr. Alvaro Canera."
-"2º Vice-presidente - Sr. Antonio Botelho de Souza."
-"1º Secretario - Prof. Plinio Paulo Braga."
-"2º Secretario - Luiz Octavio de Souza."
-"Thesoureiro - Sr. Constancio Carlos da Silva."
-"Vogaes - Dr. Antonio Viotti, Sr. Ernesto Prociuncula, Sr. Jorge Chedid, Sr. Carlos Kühne e Sr. José Ferreira Nenê." - (O Contemporaneo, Ano III nº 124).  
Em 1929, são setenta os escoteiros santacruzenses representados pela sua Comissão denominada 'Garcia Rodrigues Paes' (A Cidade, Ano XX nº 438).
A mesma folha destaca naquele número a representatividade dos escoteiros santacruzenses nas comemorações das festas da independência, em São Paulo: "Em 7 de setembro a nossa luzida representação tomou parte na grande parada esportiva ao lado de 50 mil esportistas e militares, voluntarios, desfilando com enthusiasmo na immensa avenida Carlos de Campos, onde uma multidão incalculavel se achava em massa assistindo aos festejos da maior data nacional. No regresso da parada, os nossos escoteiros visitaram alguns pontos da cidade, tornando, em seguida, ao Quartel do 1º Batalhão a fim de repousarem." 
Na continuidade da reportagem informa aquele hebdomadário que, aos 8 de setembro, realizaram um passeio a Santos, assim informado: "em bonde especial rumaram os escoteiros à praia José Menino, permanecendo alli durante duas horas, jubilosamente admirando com proveito e encantamento." 
O semanário destacou, jubilosamente, o retorno dos escoteiros a Santa Cruz do Rio Pardo, onde recepcionados desde "quando a locomotiva silvou victoriosa, ao approximar-se, toda aquella multidão inquieta qua alli se achava sentiu u fremito de enthusiasmo. E, o comboio, então vem chegando, resfolegando, trazendo uma embaixada triumphante. A expectativa geral recrudesce, e a banda musical faz vibrar o sentimento de todos com as notas sonantes de uma bellissima marcha. Todos se acotovelam para esperar a sua luzida Comissão de Escoteiros. Alli estavam as altas autoridades locaes, os alumnos da Escola Normal, do Grupo Escolar e elevado numero de pessoas, cerca de 40 automoveis buzinaram demoradamente. Sob os applausos demorados dos presentes, e num apice de emocionante confraternisação os escoteiros, sorridentes, alegres, deixaram os carros."
Nesta recepção discursou Dr. Cezar Sampaio e "Muitos choraram de contentamento; todos os corações foram tocados de emoçoes profundas ..." Às palavras do Dr. Sampaio "Respondeu o discurso o prof. Mario Gualberto, diretor do Grupo Escolar. No calor daquela scena suas palavras impressionaram os presentes que ainda romperam em applausos ao jovem educador que, sensibilizado, colhido de intensa vibração civica, exaltou a bondade e o civismo d'um povo culto."
Também o jornal menciona as saudações proferidas pelo professor Cornelio Martins, e, em seguida, agradece ao Deputado Leônidas "um grande amigo do escotismo que se desdobrou em actividade para que a Commissão de Escoteiros tivesse todas as commodidades", ao prefeito Avelino Taveiros "que incentivou a ida dos escoteiros e acompanhou a excursão com o mais vivo interesse", e de maneira geral a todas as demais autoridades paulistas e locais que tornaram sucesso aquele evento, que bem evidencia a Santa Cruz do Rio Pardo e sua gente, daquela época, eivada de civismo e entusiástico orgulho de seus valores e representantes. 
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3.4.5.  CLUBE 21 DE ABRIL
Cultural e de Recreação, elitizado,  o 'Clube 21 de Abril', santacruzense, estava em funcionamento no Largo do Jardim, no ano de 1919, constando que fora naquela localidade que o Coronel Tonico Lista mencionara, em presença das testemunhas Benedicto Xavier e Francisco Vidal, mando ou sugestão para os espancamentos do advogado Francisco Giraldes Filho e o seu cliente Fernando Foschini - (Ocorrências Policiais: Inquérito  e Processo Criminal contra Antonio Evangelista da Silva - Tonico Lista: 1919).
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3.4.6.  CLUBE NÁUTICO
Lendário, o Clube Náutico faz parte da tradição de Santa Cruz do Rio Pardo, e já estaria em atividade na década de 1920, não estatuído, com grupos de amigos que por lá se reuniam para divertimentos de pescas, natação e canoagem.
Oficialmente seu idealizador foi o francano José Rios, em 1933, ao entender que aquele lugar calmo à beira rio pudesse receber e melhor acomodar as pessoas para convescotes familiares ou amistosos, além das práticas náuticas, originalmente sem as pretensões de algum clube formal.
  • José Rios, filho de Ricardo Rios e Josepha Sanches, nasceu em Franca – SP aos 20 de maio de 1897, chegou a Santa Cruz ainda criança, exerceu cargo de Porteiro do Grupo Escolar e destacou-se como atleta amador especialista em natação, falecido aos 15/07/1961. José Rios não deve ser confundido com José Rios Massa, nascido em Iguape, por volta de 1891, filho de André Massa e Cesira Massa, casado com Frida Kühne aos 18/01/1923, em Santa Cruz do Rio Pardo, importante membro da sociedade da época, partícipe de clubes desportivos locais, morto em 23/07/1957 (CD: A/A: Família Rios).
Inevitavelmente surgiram as regras de convivências e de manutenções, criando-se uma associação, com setenta pessoas contribuintes mensais para as realizações no lugar: terraplanagem, balanços, gangorras, campo de futebol, barras para exercícios físicos, quadras de areia, represamento de uma mina para natação infantil, coberturas para o abrigo do sol e chuva, lugar para guardas de canoas. 
A inauguração, no melhor estilo, "foi marcado por uma prova de natação, com um percurso do Clube à Ponte Velha, próxima ao Matadouro." (Junqueira, 2006: 172). 
O matadouro em questão somente foi construído em 1926 "na confluência do Rio Pardo com o S. Domingos" (A Cidade, Ano XVIII nº 302), ou seja, "na fóz do ribeirão São Domingos com o rio Pardo, pouco alem do perímetro urbano." (Relatório: Governo Municipal SCR. Pardo - Prefeito Leônidas Camarinha, janeiro de 1940: 14), então próximo à Rua General Ozório às margens do Pardo, onde a velha ponte numa época que já não existia mais, senão as vigas que outrora a sustentavam. 
As tradições guardam outras revelações, que Maria Rosa Fernandes - depois casada com Renato Taveiros, teria sido a primeira mulher a atravessar o rio Pardo a nado, margem a margem, além de dar causa de discussão social pelo ousado traje [maiô] usado naquele evento. 
-Rosinha, como era chamada, trabalhou em repartição pública estadual [Centro de Saúde] com os autores, e sempre dizia dessa sua proeza, testemunhada por antigos funcionários frequentadores daquele clube. 
O Clube Náutico até os anos de 1970 não foi rígido nas cobranças das mensalidades dos associados, e chegou a ser abandonado em algumas épocas, até 2001, quando da remodelação do lugar e nova administração, dando origem ao Ingá Náutico Clube, com significativos melhoramentos e nova ordem.
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3.4.7.  CLUBE XV DE NOVEMBRO
O Clube XV de Novembro foi inaugurado em 1921: 
-"Como estava annunciado inaugurou-se a 15 do corrente [mês de novembro de 1921] o Club 15 de Novembro desta cidade. O confortavel predio da séde d'aquella sociedade tinha os seus vastos salões ricamente ornamentados e illuminação feerica."
-"O Pavilhão nacional hasteado na fachada do edificio denunciava um dia de alegria."
-"As senhoritas altivas e contentes, trocando sorrisos, pareciam bandos de passarinhos saudando o raiar de aurora. A corporação musical, rompendo o silencio da madrugada, convidada o povo para uma alvorada. Foram assim as primeiras horas d'aquelle dia glorioso. Anoitecia. Cavalheiros, senhoras e senhorinhas dirigiam-se para o festival do Club 15 de Novembro."
-"A Commissão de recepção, respeitosamente, dava ingresso aos convidados, que anciosos aguardavam a hora marcada."
-"Seguramente às 21,00 horas, os vastos e ricos salões do Club eram insufficientes para accommodar o numero de convidados e socios."
-"Assomou a tribuna o dr. Hernande Brazil, orador official do Club, discorrendo brilhantemente sobre os fins e utilidade d'aquella sociedade, sendo muitas vezes interrompido pelos applausos."
-"Seguiram-se as danças, que muito animadas, prolongaram-se até ao amanhecer."
-"O serviço de chá foi irreprehensivel, sendo feito a contento, com a presteza a satisfazer o mais exigente dos convidados.
-"Emfim, o festival da inauguração do Club 15 de Novembro, deixou gravado nos corações das familias Santacruzenses uma perenne recordação."
-"(...)." (Cidade de Santa Cruz, Ano XII nº 43).
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3.4.8.  CLUBE RECREATIVO PROGRESSO
No ano de 1925, 14 de setembro, noticiava-se a inauguração do Clube Recreativo em questão:
-"Inaugurou-se nesta cidade a 12 do corrente, a Sociedade recreativa e literaria 'Progresso'. Após a inauguração, falaram os srs. cap. Francisco Martins da Costa e Alzim Lemos."
-"Seguiu-se depois animado baile até alta hora da madrugada."
-"Eis a sua directoria:"
-"Francisco Martins da Costa, Presidente; Guilherme Wolf, Vice; Benedicto Fonseca, Secretario; José Antonio, Thesoureiro; Joaquim Monteiro, Vice; Octavio Lizzi, fiscal geral."
-"Comissão de syndicancia:"
-"Manoel Ferreira Martins, Antonio de Oliveira, Henrique Scheramm, Luiz Lorenzzetti, Tertuliano Vieira da Silva."
-"Mestres de Sala:"
-"Paulo Wolf e Joaquim Bressani."
-"(...)." (A Cidade, Ano XVI nº 231). 
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3.4.9.  EDEN 'CLUB'
Publicação em 'Notícias Diversas' tem-se informação sobre o Eden Club: "Realiza-se amanhã [21 de setembro de 1926], às 20 horas, eleição da nova Directoria do Eden Club desta cidade." (A Cidade, Ano XVII nº 283).
No ano seguinte, 1927, o 'Eden Club' surge com a denominação 'Gremio Santa Cruz':
-"(...). O Eden Club, hoje Gremio Santa Cruz transferiu para o predio da rua Antonio Prado a sua sede, tendo sido designado o dia 12 do corrente [outubro de 1927] para a organisação da nova sede e posse da directoria que se acha constituída:"
-"Presidente - Dr. Pedro Cesar Sampaio; Vice-presidente - Agenor de Camargo; 1º secretario - Luiz Octaviano de Sousa; 2º secretario - Mauriles de Almeida; Thesoureiro - João Baptista Ferreira e Orador, Dr. Vasco de Andrade."
-"Comissão de Syndicancia:"
-"Florberto Alves Cruz, Carlos Rios e Antonio Aloe." (A Cidade, Ano XVIII nº 335).
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3.4.10.  GRÊMIO SANTA CRUZ
Manoel Santos Ribeiro assumiu controle do 'Eden Club' e o transformou no 'Gremio Santa Cruz' instalado em nova sede e inagurado aos 12 de outubro de 1927, à rua Conselheiro Antonio Prado, que tinha por objeto a recreação familiar e sua inauguração mereceu reportagem:
-"Inaugurou-se dia 12 do corrente o Gremio S. Cruz à rua Antonio Prado, em predio construido especialmente para aquella sociedade."
-"Naquella noite a fachada e todas as dependencias do confortavel predio estavam feericamente illuminados dando um aspectivo festivo. Reunindo-se a directoria, que tomou posse, usou da palavra o presidente eleito, dr. Cezar Sampaio, congratulando-se com S. Cruz do Rio Pardo pela creação de uma sociedade onde as exmas, famílias farão ponto de recreio."
-"Seguiu-se animadíssimo baile onde viam-se as mais distinctas famílias desta cidade, prolongando-se as dansas até ao romper da aurora, tocando a orchestra Wolf variadas musicas de seu variado repertorio." (A Cidade, Ano XVIII nº 337). 
A localização do 'Grêmio Santa Cruz' indica ser próxima ao Cine Santa Cruz, do mesmo empresário, construções numa mesma época, estando por dedução o local onde, posteriormente, funcionou o Clube dos Vinte a partir de 1929 e, depois, a Rádio Difusora Santa Cruz, inaugurada em 15 de maio de 1949.
Em 1928, outra matéria refere-se ao 'Gremio Santa Cruz' com a instalação da radiotelefonia em Santa Cruz do Rio Pardo (A Cidade, Ano XIX nº 364), onde as pessoas podiam ouvir notícias - radiouvinte, e conferir as novidades do rádio.
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3.4.11.  CLUBE [DE] XADREZ
Clube recreativo e literário-musical, onde "Pessoas se reuniam para discutir cultura, jogar xadrez e declamar poesias, sob os auspícios do Grêmio Estudantil Dario de Moura, da escola Leônidas do Amaral Vieira." (Debate, Ano 31 nº 1388, informação do entrevistado José Eduardo Piedade Catalano, Professor, Radialista e Advogado). 
Funcionava no sobrado do Nelli, construção do século XIX, situado na travessa Manoel Herculano com a Conselheiro Antonio Prado, mais propriamente na Praça Deputado Leônidas Camarinha.
A prática maior do clube, sem dúvidas, era o enxadrismo, sobretudo nos anos de 1920, e tinha como grande destaque o jovem João Evangelista da Silva Netto, de 22 anos, filho do Coronel Tonico Lista.
Motivado pelos seus praticantes, em 1927 o Clube Xadrez promoveu a vinda do enxadrista Vicente Tulio Romano, primeiro vice-campeão brasileiro daquele ano. 
-"Vindo da Capital, a convite do Clube de Xadrez, acha-se nesta cidade desde a semana passada, o Sr. Vicente Tulio Romano, campeão brasileiro, largamente conhecido. Visitando esta redacção em companhia do Sr. João Evangelista Netto, tivemos ensejo de fallarmos sobre o progresso do jogo xadrez e suas diversas reformas."
-"O disputado campeão Romano, tem jogado aqui com oito e mais taboleiros ao mesmo tempo, desenvolvendo jogo superior aos seus adversários."
-"Com a visita do fino conhecedor do xadrez, muito lucrarão os socios do Clube, que, comquanto não seja campeões, jogam regularmente." (A Cidade, Ano XVIII nº 342). 
O enxadrista campeão brasileiro de 1927 foi o português naturalizado brasileiro João Souza Mendes, o maior campeão nacional ao lado de Jaime Sunye Neto, com sete títulos máximos.
Segundo o Dr. José Eduardo Piedade Catalano, nomes da intelectualidade santacruzense passaram pelo Clube Xadrez e "que mais tarde se destacaram no meio educacional praticamente se formaram no Clube do Xadrez, como Teófilo de Queiroz, João Batista Borges Pereira e outros." (Debate, Ano 31 nº 1388).
O Clube Xadrez 'desapareceu' no final da década de 50.
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3.4.12.  CLUBE DOS VINTE
Aos 15 do mês de maio de 1929 um grupo de vinte ilustres nomes da sociedade santacruzense, da época, decidiram pela formação de um clube social, ao preço – joia de 200$000, com estatuto apresentado e aprovado. Foram eles: "Leônidas do Amaral Vieira, Florberto Ales Cruz, Dr. Pedro Cesar Sampaio, Osorio Bueno, Dr. Pedro Camarinha, Dr. Odilon Bueno, Theophilo J. Queiroz, Agenor Camargo, Julio Cesar Covello, Francisco de Paula Assis, Avelino Taveiros, Leonidas Camarinha, Angelo Fazzio, Dr. Viriato Carneiro Lopes, Dr. Vasco de Andrade, Antonio Aloe, Jayme Castanho, Jorge Bassit, João Batista Ferreira e Jarbas Bueno" (Estatuto aprovado em Assembléia Geral do dia 15 de maio de 1929 – publicado pela Editora Typographia D' A Cidade - Santa Cruz do Rio Pardo). 
A inauguração do Clube ocorreu aos 07 de julho de 1929, e a sede situava-se à Rua Conselheiro Antonio Prado, nº 56, aonde depois funcionou a Rádio Difusora. A data coincidia com o aniversário de seu fundador e o seu principal nome, Leônidas do Amaral Vieira.
O Clube dos Vinte estava sempre atento às datas festivas e religiosas para promoções de seus eventos. Em 19 de abril de 1930 – 'sábado da aleluia', por exemplo, promoveu-se "um grande 'soirée' dansante dedicada aos seus associados", estando também na programação "um baile infantil, com distribuição de bombons, no dia seguinte, domingo de paschoa, 20 do corrente, das 14,00 às 17,00 horas" (A Cidade, 06/04/1930: 2).
No dia 07 de julho de 1930, sob a presidência do Dr. Leônidas Camarinha, o Clube dos Vinte festejou seu primeiro aniversário, com realização de grande partida dançante e, na oportunidade, também ocorreu a comemoração do aniversário natalício do Deputado Leônidas do Amaral Vieira, chefe político regional, cujo nome e personalidade eram fortemente vinculados ao clube (A Cidade, 15/06/1930: 2).
O hebdomadário A Cidade, edição de 21 de junho de 1931, página 4, noticiava: "Gratificação – O Club dos Vinte gratifica com dusentos mil réis, a quem der notícias seguras do desapparecimento de sua placa, ou disser aonde a mesma se encontra; será guardado o mais absoluto sigillo a respeito". À mesma página publicava-se: "Processos Crimes – Foram com vista ao dr. Promotor Publico, para os fins legaes, o processo referente ao desapparecimento da placa do 'Club dos Vinte' (...)".
O Clube dos Vinte constou na relação de entidades beneficiadas com auxílio público pelo Governo do Estado para construção de sede própria (DOSP, 21/12/1954), que viria ser num terreno público destinado a esse fim, onde antes a velha cadeia, à atual Praça Deputado Dr. Leônidas Camarinha, num 'endereçado' edital de arrematação, de 07 de novembro de 1955, fundamentado na Lei Municipal nº 8, de 31 de outubro de 1955, a tratar-se apenas de legalização posto o prédio inaugurado em já em 1956.
O Prefeito Cyro de Mello Camarinha, em Edital de Arrematação, com prazo de quinze dias, fez saber que a Municipalidade, nos termos da Lei Municipal 8/55, de 31 de outubro de 1955, 'venderia a quem melhor oferta fizesse, de um terreno situado à Praça da República, com área total de 765,40 m² medindo 37,20 metros de frente para a referida praça pública e confrontando de um lado com a propriedade de Célio Barbosa Martins, do outro lado com terrenos de Augusto Totti e pelos fundos com terrenos de José Mazzante' (O Regional, 15/11/1955: 2, destaques dos autores).
Com dificuldades financeiras e má administração o Clube dos Vinte encerrou atividades e processos que lhe foram movidos ainda tramitam na Justiça. O prédio onde antes a sede, após reforma e remodelação, abriga a Associação Comercial e Empresarial – ACE.
No Capítulo VII do Estatuto do Clube – Disposições Gerais, artigo 35, informava: "No caso de extinguir-se ou dissolver-se o Club (art. 33 § unico) o seu patrimônio passara intacto, á Santa Casa de Misericordia".
Por referência dada, o artigo 33 e o seu parágrafo estão assim expressos: "Art. 33 – Os estatutos jamais poderão ser alterados no tocante á constituição do Conselho Diretor e suas atribuições. (...). § Único – Qualquer modificação levada a effeito contraria á disposição deste artigo importará na dissolução do Club (art. 35)".
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3.4.13.  CLUBE SOCIAL SOAREMA
Nome dedicado, segundo as tradições, ao fundador da cidade, Manoel Francisco Soares, o Soarema surgiu notícia em 1946 ao ocupar o prédio onde antes instalado o Cine Teatro Santa Cruz, um grande salão sem mobiliário algum, e o mezanino com as frisas – ou camarotes em nível acima da platéia. Situava-se na esquina da atual Rua Catarina Etsuko Umezu, ou Praça Deputado Dr. Leônidas Camarinha, com a Rua Conselheiro Antonio Prado.
Foi importante clube social dançante de sua época, que servia, ainda, para promoções de acontecimentos sociais, estudantis e políticos, através de locações, e os móveis podiam ser colocados conforme exigências ou necessidades daqueles eventos.
O Soarema, inscrito como Instituição Recreativa e Literária, constava na relação de entidades auxiliadas pelo Governo do Estado, assim, em 1954, de acordo com publicação em Diário Oficial do Estado de São Paulo (21 de dezembro de 1954).
Aos 18 de agosto de 1955 pelo Ofício 386, da Delegacia de Polícia de Santa Cruz do Rio Pardo, foram suspensas as atividades recreativas e festivas no Clube Soarema, em face da instabilidade e insegurança do referido prédio segundo ladudo de vistoria procedida pela Prefeitura Municipal (O Regional, Ano V nº 210).
Muitos santacruzenses em 2010 se lembram dos grandes bailes ocorridos no Soarema, e das tantas festas de formaturas e convenções partidárias. Nome sempre presente em qualquer realização ou evento social, José Eduardo Piedade Catalano, como orador, apresentador, locutor, paraninfo e organizador de festas e recepções, tem as melhores lembranças do ecletismo do Soarema.
O Debate (Ano 31 nº 1388), entrevistando Piedade Catalano,  colheu alguns dos momentos marcantes do clube, por exemplo, a dificuldade para apresentações estudantis: "Nós carregamos mesas e cadeiras para lotar a parte inferior e o mezanino. Depois da apresentação, ainda tínhamos de desmontar tudo e deixar o local limpo."
Outra boa lembrança de Catalano, "Certa vez, o Soarema foi palco de uma apresentação do cantor Gregório de Barros, acompanhado do maestro Hector Fieta - consagrado na Argentina e Uruguai. A professora Maria José Camarinha de Medeiros emprestou um reluzente piano de calda. Durante a apresentação, o casal Bernardino de Mello Lacerda - antigo professor da escola 'Leônidas do Amaral Vieira', já falecido - e Maria Helena Lacerda se animou e adentrou o salão para dançar." 
Segundo Catalano, ao Debate, a ação do casal foi o suficiente para o maestro interromper a apresentação e, nervoso, alertar: ‘Se tu bailas, yo no canto; se yo canto, tu não bailas'. Houve discussão que continuou até mesmo após a apresentação musical, lembra Catalano."
Nos anos de 1950 o o prédio do Soarema já não apresentava condições de grandes festas. "Catalano lembra-se que, na véspera de um carnaval nos anos 50, o assoalho do clube - na época de madeira - cedeu. O evento poderia até ser suspenso, mas os organizadores resolveram o problema de forma curiosa: um tapume foi improvisado no buraco, com uma fita de isolamento, e os foliões eram obrigados a desviarem do local. 'Todo mundo brincou e não houve nenhum acidente', conta José Eduardo."
Na mesma reportagem publicada em 11 de novembro de 2007, o oportuno 'Debate' destacou um famoso frequentador do Soarema: "Havia, nos anos 40 e 50, freqüentadores 'de carteirinha' do clube. Um deles, que não faltava a qualquer evento, chegou a incorporar o nome do clube. O santa-cruzense Benedito Ribeiro, que foi suplente de deputado estadual nos anos 80, até hoje é conhecido como 'Dito Soarema'.
O 'Dito Soarema' não nasceu em Santa Cruz, mas viveu na cidade toda sua infância e juventude. Destacou-se como advogado e partícipe de equipes de governo estadual nas gestões de Montoro, Quércia e Fleury. Ocupou cadeira na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, durante impedimento do titular (Notas dos Autores).
Em 1961, a Lei Municipal nº 378, de 06 de agosto de 1926, que permitia o uso daquele terreno da municipalidade pelo empresário Manoel Santos Ribeiro, foi revogada pelo descumprimento quanto às regras de segurança e outras estabelecidas, já há mais de dez anos, e o prédio encontrava-se em estado de ruínas (Lei Municipal nº 127, de 30 de dezembro de 1961, publicação em O Regional, 2ª fase nº 19), e ao empresário foi dado prazo de noventa dias, a contar da publicação da lei, para remoção dos materiais existentes no terreno, mas a retirada não foi imediata e, questionou-se a quem pertenceria a edificação. 
Endividado, o Clube Soarema encerrou atividades e o prédio foi 'adquirido' pela Municipalidade, no Governo Carlos Queiroz, em troca de débitos tributários, e no local, após reforma, foi instalada a Prefeitura Municipal, em 1967, oficialmente inaugurada em 1969, e ainda hoje no lugar - ano 2010 por referência.
-Oportuno destacar que o terreno, onde funcionou o Cine Santa Cruz e depois o Clube Soarema,  era patrimônio público municipal, originariamente cedido ao empresário Manoel Santos Ribeiro para nele construir um prédio para casa de espetáculos (Lei Municipal 378 de 06 de agosto de 1926).
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3.4.14.  ICAIÇARA CLUBE
Oficialmente fundado aos 27 de fevereiro de 1957, na residência do senhor José Osiris Piedade - Biju, o Icaiçara (Caboclo da Beira do Rio) teve esse nome por sugestão do Professor Wilson Gonçalves. Tinha por objetivo ser sociedade literária e recreativa aos seus sócios; depois a isto seria acrescida a filantropia.
Com a elaboração estatutária elegeu-se o 1º Conselho Administrativo, aos 30 de novembro de 1958, assim composto por: Dr. Derly Ribeiro, Jose Osíris Piedade - Biju, Alcides Rosso, Dr. Waldomiro Ferreira Neves, Jose Antonio Ramos, Mario Moreira Martins, Ulysses Butgnoli, Dr. Fernando Jose Santos e Alfredo Gonzaga de Oliveira. Também nesta data foi escolhida a Diretoria: Agenor Pereira de Oliveira - Presidente; Dr. Osmar Gonzaga de Oliveira - Vice-Presidente; Rubens Carmagnani - 1º Secretário; Dr. Clelio Zanoni - 2º Secretário; Professor João José Corrêa - 1º Tesoureiro; e Renato Fraga Moreira - 2º Tesoureiro.
Foi inaugurado aos 30 de junho de 1959 com recepção aos associados e convidados, e o baile sob a animação da Orquestra de Silvio Mazzuca. 
Pela Lei 8.099, de 07 de abril de 1964, o Icaiçara constou no rol de entidades inscritas para recebimento de auxílio do Governo do Estado de São Paulo, com os valores para o próprio Icaiçara Clube, para a Construção da Casa do Estudante, para a Festa do Peão, para Bolsa de Estudo e para as Damas de Caridade (DOESP, 9 de abril de 1964). Nenhum membro do Clube ou de sua Diretoria lembra disto. 
O Icaiçara permanece em atividade (2011) e bastante ativo.
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3.4.15.  UMUARAMA RÁDIO CLUBE
Clube recreativo e cultural fundado em 1957, conforme seguinte anúncio:
-"Inaugurou-se dia 8 p. [julho de 1957] mais um Clube em nossa sociedade, que nos vem proporcionar um melhor divertimento que tanto antes necessitávamos. Dizemos necessitávamos, e porque não temos no momento, nenhum que possa satisfazer as exigências que um Clube poderia conseguir."
-"Agora, com a inaguração oficial pelos diretores de nossa Z.Y.Q.-8, surgiu, para o contentamento da sociedade atual, a 'Umuarama Rádio Clube' que foi marcada com a realização de um grandioso baile ao ar livre, com a animação do famoso conjunto que ainda esta cidade não havia conhecido, Gorni e sua Orquestra."
-"Apezar do frio reinante náquela noite, muito esteve frequentado; suas dependências aglomeradas, suas mesas lotadas e os nossos dançarinos animados."
-"Com a quadra de esportes e danças, contruídos em terreno da Rádio Difusora local, digamos em poucas palavras: felicidade Umuarama Rádio Clube, parabens componentes da Rádio, e, nossos elogios, senhores Diretores!" (A Cidade, Ano XLVIII nº 1904).
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3.4.16.  OUTROS CLUBES
Certamente existiram clubes sociais, recreativos e literários em Santa Cruz do Rio Pardo do século XIX, além dos luaus residenciais, e festejos religiosos.
Ainda no século XIX, antes da libertação dos escravos, os membros da 'Irmandade do Rosário e de São Benedito dos Homens Pretos' divertiam-se na sua sede, com suas externações sincréticas, reuniões convencionais e palestras.
No século XX alguns clubes associativos representavam entidades esportivas, por exemplos, a Associação Operária Santacruzense e a Atlética Santacruzense. 
Tradições lembram que nos primeiros trinta anos do século XX, ainda era perceptível a discriminação social e racial em Santa Cruz do Rio Pardo, sabendo que o 'Clube Bar' ou 'Bar Massa' destinava-se aos afrodescendentes, no segundo andar do prédio situado à Travessa Manoel Herculano com a Praça Deputado Leônidas Camarinha, acessado por uma escada fora do edifício.
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3.5.  CLUBES DESPORTIVOS
3.5.1. FUTEBOL
Em 1908 existiam grupos de pessoas que praticavam futebol em campos improvisados dos bairros urbanos e rurais de Santa Cruz do Rio Pardo, quando Rômulo Baptista resolveu criar uma liga desportiva, o ‘Clube Foot-ball’, como associação de times interessados ou formados no próprio clube para a prática organizada daquele desporto, a exemplo de outras localidades que assim procederam.
A imprensa escrita, na época, assim noticiou:
-"Chamamos a attenção dos amadores para uma circular do Club Foot-ball, inserta na seção competente desta folha. Esta util associação sportiva, como suas congeneres, tem por fim proporcionar aos associados agradável distração e boas horas de prazer."
O objetivo do Club Foot-ball era formar equipes associadas para competições entre si, com regras oficiais e campeonatos regulares.
-"Estando quaze organizado este club, contando ja avultado numero de socios jogadores, que contribuíram com as suas joias, convida pois aquelles que quizerem fazer parte, virem alistar se antes de cheio o numero." 
-"Aceita-se qualquer donativo que quizem [quizerem] dar a esta sociedade sportivo." 
-"(...)." 
-"Santa Cruz, 25-7-1908 – Rômulo Baptista." (Correio de Santa Cruz, ano I nº 22).
Em Santa Cruz do Rio Pardo existiram muitos times de futebol representantes e mesmo entre si disputantes de vilas e bairros, de fazendas, de empresas [comércio e indústria], de escolas ou de formações particulares e até com denominações vinculadas a datas festivas ou históricas. Alguns times existiram apenas para um campeonato, outros tiveram durações prolongadas, e aqueles que já são tradicionais desde décadas.
Impossível nominá-los a todos, em razão que os órgãos de imprensa de suas épocas noticiavam tão somente os times destacados, alguns pelas sus realizações, outros em razões de influências de seus diretores. São os primeiros clubes de futebol em Santa Cruz do Rio Pardo: São José, Santo Antonio, Santa Cruz, São Benedito e, posteriormente, a Associação Operária Santacruzense e a Associação Atlética Santacruzense entre outros.
Reportagem de 1915 revela um jogo realizado entre Sport Club Santa Cruz e o Sport Club São Benedito, realizado no campo do Rosário - proximidades da atual Praça Octaviano Botelho de Souza (O Contemporaneo - Ano I nº 2).
Os clubes tinham, geralmente, duas equipes, '1º e 2º team' que, na ausência de adversários jogavam entre si, com reservas em comum, de acordo com a mesma fonte o 'O Contemporaneo' de 08 de maio de 1915 - (Ano I nº 2, página 2), ao anunciar convocação das duas equipes do Sport Club Santa Cruz, para embate no dia 09 de maio, às 17,00 horas, a primeira com José, Alexandre, Rocha, Ataliba Aristides, Francisco, Cruz 1, Castro, Cruz 2, Jayme e Flávio; a segunda: Castellete, Dias, Octavio, Jango, Jandyra, Totó, Cassio, Leite, Luiz, Accacio e Paulo; e os reservas A. Nogueira, J. Santos e Chico. A chamada trazia, ainda, a observação: "Os captains pedem por nosso intermedio que todos os jogadores compareçam competentemente uniformisados." 
Em 31 de julho de 1915 as duas equipes do Sport Club Santa Cruz se enfrentaram novamente, apresentando-se, em maioria, outros jogadores: 1º time: José, Oscar Cyrillo, Accacio, Vieira, Dionísio, Cesar, Castro, Nino, Jayme e Cruz. 2º quadro: Castello [certamente o mesmo Castellete], Benedicto, Octavio, Flávio, Jango, Vicente, Leite, Luiz Adauto, Umberto e Paulo. As diferentes escalações demonstravam a importância do clube e não os participantes.
Havia toda importância e formalidades para os clubes de futebol. Uma reunião a realizar-se a 15 de agosto de 1915 para discutir assuntos do Sport Club Santa Cruz, por exemplo, foi convocada, via imprensa, pelo secretário Francisco Antonio Ravedute, por ordem do presidente da agremiação, nas dependências do Clube Social Tabajara [Tabajara Club] (O Contemporaneo, ano I n 17, 28 de agosto de 1915, página 3). 
Imagina-se Santa Cruz do Rio Pardo, para a época, uma cidade pequena onde todos se conheciam, cada um sabia onde morava o outro, diariamente seus residentes se encontravam, e os recados facilmente eram repassados, até com maior eficiência que convocações formais pela imprensa, num tempo de notório analfabetismo. Era mesmo para ninguém alegar ignorância.
O Esporte Clube (Sport Club) São Benedito em 1921 igualmente tratava-se de respeitável agremiação futebolística, presidida pelo Escrivão do 2º Ofício da Comarca, Jandyra Trench - que em 1915 jogava pelo Sport Club Santa Cruz, sendo os demais diretores nomes ilustres da sociedade santacruzense da época, a exemplos do vice-presidente Deoclides Santos Marques, do primeiro secretário Benedicto de Andrade, o segundo secretário Santo Almara, o tesoureiro Benedicto Rodrigues do Nascimento, o orador official dr. Hernande Brasil, o diretor esportivo José Alves dos Santos, o juiz oficial Adolpho Totti, o 1º capitão - Godofredo Piedade, e o 2º Capitão – Manoel Roque da Silva - (Cidade de Santa Cruz Ano I nº 8). 
-Jandyra Trench fez nome maior em Penápolis e seu nome foi dado ao Recinto de Exposições daquela localidade, onde foi escrivão interino - (DOESP 1 de dezembro de 1929) e prefeito de 01/01/1952 a 31/12/1955 (Prefeitura Penápolis - Galeria de Prefeitos).
Também a União Esportiva (Sportiva), em 1921, sob a presidência de Avelino Taveiros, vinculada ao meio jornalístico e elite santacruzense (Cidade de Santa Cruz - ano I nº 8). 
O Esporte Club [EC] Cruzeiro e o Esporte Clube Vinte [XX] de Janeiro são forças tradicionais do futebol santacruzense, entre outras equipes representantes de bairros, distritos e fazendas. O Cruzeiro e o Vinte de Janeiro constaram da relação de entidades inscritas para recebimento de auxílio público - Governo do Estado, de acordo com anexo à Lei 8.099, de 07 de abril de 1964 (DOESP, 9 de abril de 1964). 
Em 1960 o Governo Municipal doou terreno ao Esporte Clube Vinte de Janeiro para "... construções das dependências necessárias ao funcionamento do Esporte Clube XX de Janeiro." (Lei Municipal nº 104, de 1º de Dezembro de 1960). Na história do XX de Janeiro consta uma mulher, Anna Maria Cotrim Monteiro "Presidente do time de futebol do Bairro São José, o 'Esporte Clube XX de Janeiro' - (Debate, 1556, Anna, a pioneira, por Sonia Maria Monteiro - Seção Cartas), a saber que a mesma Anna, conhecida festeira na Comunidade do Bairro São José, também foi a primeira mulher a disputar vaga na Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo. 
Foram os principais times do futebol santacruzense:
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3.5.1.1.  ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA SANTACRUZENSE
Também conhecido como Atlético Santacruzense, a Associação surgiu nos anos de 1920. Informe publicado no hebdomadário 'A Cidade', edição de 06/05/1923, comprova:
-"Realiza-se hoje ás 16 horas, no campo da Associação Athletica Santacruzense, uma partida de futebol entre um combinado organizado pelo Snr. José Rios, com a denominação =Almofadinha=; e o 2º team da Associação." (Observações e gentileza do Sr. Edilson Arcoleze Ramos de Castro).
Sem quaisquer outros expedientes administrativos conhecidos, a oficialização documental da Associação, por exigência legal, deu-se aos 31 de março de 1930:-"Realizou-se dia 31 p.p. [31 de março de 1930] a assembléa da fundação do 'ATHLETICO SANTACRUZENSE', sociedade esportiva para a pratica do futebol nesta cidade. Perante grande numero de esportistas deu-se a installação da mesa que deveria presidir os trabalhos e em seguida prcedida a eleição da 1ª directoria. Foi, então, apresentada u'a moção, por um grupo de esportistas, pedindo fosse dispensada a eleição e se acclamasse a seguinte directoria:"
-"Presidente - Cap. Avelino Taveiros, Prefeito Municipal e director da Escola Normal; Vice-presidente - Prof. Dario Queiroz, Inspector - fiscal da Escola Normal; 1º e 2º secretários - Prof. Mario Gulaberto de Camargo, director do Grupo Escolar e Braulio França Mello; 1º e 2º tehsoureiros - José Rocha e José Rios Massa."
-"Commissões de esportes: - Joaquim Monteiro, Turreno Scuccuglia e Pedro Catalano."
-"Comissão Fiscal: - Agenor de Camargo, Dr. José Carqueijo e Benedicto Carlos da Silva."
-"Consultado pela mesa, todos presentes apoiaram a indicação, ficando assim constituida a 1ª directoria do ‘Athletico Santacruzense’, lavrando-se a respectiva acta." (A Cidade, Ano XXI nº 466).
Pelo mesmo semanário, consta que aos 02 de abril de 1930, aconteceu nova assembléia para a posse da diretoria da Associação Atlética Santacruzense.
-"Iniciados os trabalhos às 20 horas, o Presidente da mesa ordenou ao Secretario a leitura da acta da fundação do Club. Após, deu posse os directores eleitos, os quaes, foram todos acclamados em enthusiasticamente pela assembléa."
-"Em seguida o Sr. Presidente da mesa discursou rapidamente assignalando esse acontecimento esportivo e concitando a todos para trabalharem com enthusiasmo pelo reerguimento do futebol nesta cidade afim de fazermos jús ao nosso glorioso passado esportivo."
-"Enalteceu a pessoa do Presidente eleito Sr. Cap. Avelino Taveiros dizendo ser um grande batalhador em prol da cultura physica e valioso elemento para o melhor êxito do futebol local."
-"Seguiu-se, com a palavra, o sr. Presidente eleito, que, agradecendo as referencias que lhe foram feitas pelo orador, proferiu bellissimas palavras de estimulo, promettendo ainda a sua expontanea cooperação para a grandeza do nosso futebol. Ao terminar foi s.s. bastante ovacionado."
-"Orou, ainda, o prof. Mario Gualberto de Camargo, secundando as palavras do Sr. Presidente e fazendo ligeiras considerações em torno da educação physica."
-“Nada mais havendo, foi encerrada a sessão, tendo antes, o Sr. Presidente cap. Avelino Taveiros communicado haver conseguido o terreno necessário para a construcção dum novo campo de futebol, o qual, deverá ser num dos terrenos do Sr. Joaquim Paulino, nesta cidade, que gentilmente não se recusou a emprestar assim o seu concurso aos esforços dos esportistas locaes.”
-"Essa explendida acquisição foi tomada vantanjosamente em pról do ‘Athletico’ pois, muito breve teremos excellente praça de esportes, optimamente localisada, gramada, e cujo arrendamento por 10 annos ou mais pouco pesa aos cofres sociaes."
-"Merece especial destaque a feliz intervenção do sr. prefeito cap. Avelino Taveiros a quem os esportistas de Santa Cruz, começam desde já de ver a sua indispensável cooperação, pois, por seu intermedio foi solucionado o maior impecilho para o nosso levantamento esportivo – o campo de futebol – que s.s. nos conseguiu, promptamente, conforme acima nos referimos." (A Cidade, Ano XXI nº 466). 
Time novel e em consagração, ainda no ano de 1930 assim se manifestava a imprensa a respeito do campo para aquela agremiação esportiva:
-"Dentro de breves dias serão atacadas as obras, no terreno da chacara Joaquim paulino, lugar amplo e aprazivel."
-"Para esse emprehendimento a directoria do 'Athletico' vem encontrando, ultimamente, a melhor bôa vontade por parte da sociedade local, estando o nosso prefeito cap. Avelino Taveiros decididamente empenhado em realizar esse objectivo. Para isso a Prefeitura local irá auxiliar com uma adhesão de 2:000$000, fóra outros favores já concedidos louvavelmente."
-"(...)." (A Cidade, ano XXI nº 486).
Com o resultado da 'Revolução de 1930' (24/10/1930) desfavorável a Santa Cruz do Rio Pardo, a Associação Atlética Santacruzense necessitou reorganizar-se, aos 11 de novembro de 1930, com nova diretoria, e referência à então situação a encimar os recibos das mensalidades. Independente da destituição dos políticos locais pela Revolução de 1930, a palavra empenhada para a construção do campo de futebol para a Associação Atlética Santacruzense foi mantida, e o mesmo inaugurado em 07 de junho de 1931.
Quanto à inauguração da Praça de Esportes da Associação Atlética Santacruzense, o hebdomadário anunciou:
-"No dia 7 de junho, domingo próximo, teremos o maior acontecimento esportivo a se registrar nos annais da nossa vida futebolística. A 'Associação Athletica Santacruzense', um dos principaes pioneiros de nossa vitalidade esportiva e que marcha sempre na vanguarda das realisações mais acertadas e louvaveis, organisou uma tarde esportiva simplesmente auspiciosa, para inaugurar a sua elegante e confortavel praça de esportes."
-"Assim é, que, num gesto de belleza moral e philantropica, porque a renda desse festival se destina beneficiar a nossa Casa de Misericordia, e a Assoc. S. Vicente de Paula offerece-nos o ensejo de assistirmos o maior facto esportivo até hoje realisado nesta cidade e quiçá em toda a zona - um torneio Eliminatoria - no qual figurarão 5 respeitaveis conjunctos a saber: A.O.Santacruzense, Ferroviarios Bernardinense, A.A. Bernardinense, A.A. Ipaussuense, A.A. Chavantense e o clube promotor do festival A.A. Santacruzense, os quaes disputarão uma linda taça."
-"(...)."
-"A nova praça de esportes que se inaugura domingo proximo, da A.A. Santacruzense é a melhor e mais bem installada que possuimos. Está localisada num optimo terreno, da chacara 'Joaquim Paulino', da entrada de Espirito Santo do Turvo, nas proximidades do campo da A.O. Santacruzense." 
-"(...)."
-"O campo é todo fechado de madeira, caprichosamente cercado, com aspecto sóbrio e elegante. A fachada principal é mais imponente. Mais alta, traçada symetricamente, de forma vistosa."
-"Ha duas entradas para o campo, aos lados, e ao centro um portão grande para vehiculos além das 2 bilheterias."
-"Interiormente a vista geral é magestosa Area grande, ampla."
-"(...)."
-"O recinto destinado à pratica do futebol, isto é, o campo propriamente dito, possue as dimensões estabelecidas pelo regulamento da A.P.E.A. Separa a assistencia dos jogadores em toda a extensão do campo, um gradil caprichosamente assentado, solido e vístoso, formado por ripas de madeira colocadas verticamenete, escoradas por palanques fortes e presas em travessas horizontaes tambem de madeira."
-"Num dos lados do fundo o espaço é maior, bem disposto, de forma a comportar os automoveis estacionados e permittir sejam manobrados á vontade." 
-"Cogita, ainda, a actual directoria, construir uma confortavel archibancada, bem talhada e nos moldes às que existem nos bons campos de futebol. Isso, porem, não será já e já, mas, estamos certos, muito em breve será uma realidade victorisosa."
-"Finalmente, logo à entrada dessa bella praça de esportes, na parte interna, foi contrído um optimo reservado, bem alto, de sorte a permittir aos convidados especiaes, autoridades etc. ficarem em boa posição para assistirem ao desenrolar dos jogos sem importunação alguma." (A Cidade, Ano XXII nº 496). 
No dia aprazado para o torneio esperado para a inauguração da praça de esportes da Associação Atlética Santacruzense, outro hebdomadário assim noticiou:
-"É hoje a tarde que se realizará as festividades da A. Athletica Santacrusense para a inauguração de seu campo de esportes. Vae ser uma tarde brilhantissima de diversão esportiva porque nella se empenharão diversos clubs dentre elles o 'Operario', a "Athletica' o 'Bernardinense', o 'Ferroviario', a 'A. Chavantense' e o 'Ourinhense'.
-"Sendo o producto financeiro dessa festa esportiva destinado a Santa Casa é certo uma estrondosa concorrencia de torcedores." (O Trabalho, Ano I nº 17).
A inauguração seria noticiada, na semana seguinte, com a concordância do grande brilho da festa promovida, sendo de interesse observar que a 'Associação Esportiva Santacruzense' ainda não figurava no rol de clubes notáveis da região e mesmo da localidade; sequer havia sido fundada.
A Associação Atlética Santacruzense era devidamente organizada e transparente conforme se pode concluir de reportagem de 1933, quando "(...) reassumiu a presidência dessa pujante Associação esportiva o sr. Tertuliano V. da Silva que se achava em gozo de licença. (...). Para assumir as funcções de thesoureiro, por motivo de licença do efectivo sr. Antonio Dalmatti, foi designado o sr. José Mazzante."
Em 1935 a Associação Atlética Santacruzense, reorganizada aos 11 de novembro de 1930, publicou extrato para registro de seu estatuto, informando o seu objeto:
-"(...)."
-"Proporcionar aos seus associados toda sorte de exercicios esportivos e ao ar livre, especialmente futebol, remo, natação, polo aquatico, tennis, bola, jogos licitos, jogos de salão, leitura de livros, revistas e jornaes, promover festas esportivas entre os associados, ou com o concurso de outras sociedades, cobrar entradas a estranhos, quando estas festas tiverem caracter publico, promover reunião intima das familias."
-"(...)." (DOESP, 22 de junho de 1935).
Na mesma publicação a Diretoria anunciada tem como Presidente, Joaquim Gomes Reis; Vice, Horacio Mazzante; 1º Secretario, Benedicto Peixe; 2º Secretpário Basilio Maciel; compondo a equipe dirigente os senhores Roberto Kune,  Francisco Tavares, Octacilio Bueno, Domingos Scuccuglia e José Rios Massa.
No ano de 1940, o então Prefeito Municipal, Leônidas Camarinha, pretendia um estádio municipal na Vila Joaquim Paulino, onde o campo da Associação Atlética Santacuzense, para isso lançando mão de um pacote desapropriatório de terras, para fins diversos e de utilidade pública (Decreto-Lei Municipal nº. 12, de 20 de dezembro de 1940). Camarinha fazia uso político promocional do esporte.
Em 1940 a sede social da Associação Atlética Santacruzense localizava-se à Praça 13 de Maio - conforme conhecida aonde atual Praça Octaviano Botelho de Souza.
A Associação Atlética Santacruzense novamente reorganizou-se, aos 20 de março de 1945, e fez editar extrato de seu estatuto (DOESP, 29 de julho de 1945).
Em 1946 era seguinte a Diretoria da Associação Atlética Santacruzense eleita aos 27 de janeiro de 1946 apresenta-se:
"Presidente: Orlando Bruno Del-Pichia; vice-presidente, Joaquim dias Machado; 2º vice-presidente, Abelardo Bueno; Secretario Geral, Renato Taveiros; 1º secretario, Oswaldo Scucuglia; 2º secretario, prof. Arnaldo Ribeiro; 1º tesoureiro, Cicero de Camargo Barros; 2º tezoureiro, Homero Macedo; orador, dr. Renato Lopes Corrêa; médico, dr. Lauro de Oliveira."
-"Conselho Deliberativo: prof. Gentil Marques Valio, prof. Albino Melo de Oliveira, Julio Pereira da Silva, Oliveira Beltrame, Pedro Frazyo, Profirio Ferraz Melo, José Amorim Ribeiro, Antonio Alves Faria, Alexandre Mantovani, João Viana Simões, Jurandir Ramos, Gerson Gonçalves, Jordão Abreu Silva, Laureano Scucuglia, João Olinto Franco, Mario Andrade, Nelson Fleury, Tertuliano Vieira da Silva Junior."
-"Conselho Fiscal: Prof. Ampelio Zanoni, Silverio Ricardo Marques, Fernando Cesar."
-"Comissão de Esportes: Sebastião Alves Lima, Joaquim Ferreira da Silva, Oswaldo Pedro Dalmati, Luiz Pedro Carvalho."
-"Diretor de Material: Nicola Defendi". (A Cidade Ano XXXVII nº 1361, transcrições nominais).
A Associação Atlética recebe subvenção do Governo do Estado, nos dá prova publicação em Diário Oficial do Estado de São Paulo (21 de dezembro de 1954).
No ano de 1964, a Associação Atlética Santacruzense continuava em atividade e beneficiária de subvenção do Governo do Estado, constando no rol anexo à Lei 8.099, de 07 de abril de 1964, que dispõe sobre concessão de auxílios às entidades, e com ela são contemplados também as agremiações da Associação Esportiva Santacruzense, XX de Janeiro e Cruzeiro Futebol Clube (DOESP, 9 de abril de 1964).
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3.5.1.2.  ASSOCIAÇÃO OPERÁRIA SANTACRUZENSE
A Associação Operária Santacruzense - ou simplesmente Operário, de uniforme tricolor, surgiu na mesma época que a formação da Associação Atlética Santacruzense. Formaram-se para ser rivais e durante quase quatro décadas disputaram memoráveis partidas de futebol, num sistema anual de melhor de três para se conhecer o campeão da cidade. 
Em edição de 07 de junho de 1931 do semanário 'O Trabalho' (Ano I nº 17, página 2) menciona-se realização de tarde futebolística, aos 31 de maio, no campo da A. Operária Santacruzense, na Vila Sidéria, o encontro entre a referida Associação e a Ourinhense Futebol Clube, onde "não obstante o Operário estivesse desfalcado de dois de seus melhores elementos, o campeão local conseguiu vencer o seu forte adversario na contagem de 3 a 2. Na preliminar tambem venceu os locaes na contagem de 3 a 0".
A agremiação era conhecida como 'tricolor santacruzense.'
O mesmo hebdomadário, 'O Trabalho' (Ano I nº 50), refere-se ao 'bello campo da Vila Sidéria' da Associação Operária Santacruzense, onde a realização de partida futebolística com a Associação Atlética Santacruzense, numa série de melhor das três, com renda para a Santa Casa e a Sociedade São Vicente de Paulo.
O estádio seria, futuramente, denominado Estádio Municipal Leônidas Camarinha.
Ambas as agremiações são as principais equipes na cidade e seus jogos eram cercados de rivalidades de torcidas.
Em 1940 elege-se a Diretoria da Associação Operária Santacruzense, em sua sede social, à Praça da República [Deputado Dr. Leonidas Camarinha], nº 165:
-"Presidente: Nazareno Escolástico; Vice, Fernando Cesar Junior; 1º Tezoureiro, Benedito P Tavares; 2º João Fleury; 1º secretario, José de Paula Assis; 2º Renato Taveiros; Orador, Eça Taveiros." (A Cidade, Ano XXXI nº 1454).
O Conselho Administrativo do Estado de São Paulo ao aprovar o Parecer nº 1.694/43, referente ao Projeto [Municipal] de Resolução nº 1582 de 1943, condiciona subvenção do município à Associação Operária Santacruzense mediante prova de seu registro na 'Diretoria de Esportes' (DOESP, 17 de outubro de 1943). Dois anos depois a AOS encerrava suas atividades esportivas.
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-APARTE HISTÓRICO
Os dois principais times santacruzenses, Atlético e Operário, disputavam amistosos pela região. Enquanto um ia jogar fora o outro recebia equipe visitante.
Os jornais davam amplas coberturas aos jogos de futebol, de mais de uma página descrevendo os principais lances, destaques entre os jogadores, opiniões das torcidas e sobre os juízes. 
Publicações entre 1932 a 1935 referem-se aos clubes de futebol regional que disputavam jogos com as agremiações santacruzenses, destacando-se: Chavantes, Garça, Ipaussu, Bernardino de Campos, Avaré, Piraju, Ourinhos e Duartina onde o temível Duartina Futebol Clube - 'campeão absoluto da alta Paulista', além dos paranaenses Cambará e Jacarezinho. Algumas cidades, a exemplo de Ourinhos, tinham mais de uma agremiação de igual nível para memoráveis disputas.
Em 1932 a Associação Operária Santacruzense sagra-se campeã da cidade, mas a Associação Atlética Santacruzense frustra-lhe o título trazendo para a cidade a poderosa equipe paulistana, Argonautas Futebol Clube, para uma série de amistosos com times da região, utilizando-se do campo da Associação Atlética Santacruzense: 
-"A valorosa entidade esportiva local, A. Athletica Santacrusense, acceitou as propostas que lhe foram feitas pela valorosa e pujante associação esportiva da Capital, Argonautas F. Clube, pertencente a divisão Municipal da APEA,onde conseguiu destacada posição."
-"Assim por todo este mez, na ‘cancha’ dos rubros, dar-se-á a mais bella e empolgante batalha pébolistica, pois o conjuncto visitante além dos ‘players’ valorosos que possue, trará, integrando-o astros de primeira grandesa de futebol paulista, que nesta cidade pela primeira vez, farão exhibição de technica.''
-"Por um requinte de gentilesas a direcção da poderosa agremiação esportiva da Capital, offerecerá aos vencedores onze bellissimas medalhas e uma rica taça."
-"Eia, avante Santacrusenses." (O Trabalho, Ano 2 nº 61).
-APEA: Associação Paulista de Esportes Atléticos, uma das denominações oficiais anteriores da atual Federação Paulista de Futebol.
As torcidas eram fanáticas, cada qual defendendo suas cores, mas as diretorias dos clubes mantinham bons relacionamentos que seriam, no entanto, rompidos em 15 de julho de 1935. A confusão iniciou no dia anterior, quando a Associação Atlética foi batida em seu campo, por dois a um, pela equipe visitante Garça Futebol Clube. 
No dia seguinte, a equipe de Garça, pela manhã, enfrentou o Operário e perdeu por um a zero (A Cidade, Ano XXVI nº 1.227).
A despeito do cansaço e as condições do time adversário, o tripudio dos torcedores do Operário sobre os atleticanos envolveu as diretorias, selando crise sem precedentes entre os dois clubes que romperam relações campo e extracampo, um não jogava mais contra o outro, e assim permaneceram por dois anos. 
De 1935 a 1937 estavam cessadas as grandes disputas entre a Associação Atlética Santacruzense e a Associação Operária Santacruzense retomadas apenas em agosto de 1937: 
-"O Athletico e o Operario medirão forças, dia 29 do corrente." 
-"O futebol santacruzense terá novamente os seus dias de glória, revivendo as memoraveis partidas desenroladas nos campos desta cidade." 
-"Depois de um prolongado afastamento, novamente os velhos rivaes da cidade, Associação Athletica Santacruzense e Associação Operaria Santacruzense conseguiram entrar em entendimentos honrosos, ficando assentado que esses clubs alinharão seus esquadrões, no próximo dia 29, no campo da Chacara Joaquim Paulino na primeira disputa da série 'Melhor das Trez'."
-"Dizer-se da grande expectativa em torno desse esperado encontro, é tarefa difficil. Amos os quadros estão em completa forma. Entrarão em campo, perfeitamente compenetrados da grande responsabilidade assumida pelas Directorias e serão os defensores disciplinados de suas cores."
-"Nada poderá deslustrar o brilho invulgar da partida do proximo dia 29.”
-“Para isso, os directores do Operário e Athletico, em reunião realizada quinta-feira, entraram em perfeito accordo, resolvendo todos os pontos e idéias que apresentaram."
-"Para a partida do dia 29, no campo do Athletico, actuará o snr. José Patrocinio, digno director esportivo daquella Associação e veterano do futebol santacruzense. O 2º jogo, a realizar-se dia 5, no campo do Operario, será actuado pelo snr. Romeu Rodrigues, esforçado treinador do quadro trocolôr."
-"Grande é a animação que reina no meio espoortivo. O Athletico e Operario farão novamente Santa Cruz voltar aos seus dias de gloria, revivendo, naquellas tardes, as memoraveis partidas desenroladas em outros tempos."
-"Esperemos." - (A Cidade ano XXVIII nº 1330). 
Pouco antes do rompimento entre as duas mais importantes equipes santacruzenses, surgiu uma nova agremiação futebolística, a Associação Esportiva Santacruzense, o 'Time da Esportiva', por iniciativa de empregados ferroviários para disputas de várzea e entre as companhias da Estrada de Ferro, segundo as tradições mais antigas:
-"Nos anos de 1930 o Governo Vargas promoveu Decretos e Leis de amparos aos trabalhadores, com inclusões das classes não abastadas ao convívio social, pelo esporte e lazer, destacando-se o futebol como forma interativa entre as diversas classes de trabalhadores. A exemplo de outras grandes empresas a  Estrada de Ferro Sorocabana aderiu à onda propagada, incentivando cada companhia sua, ou onde as gares, organizar times de futebol que promoveriam disputas entre si, com a vantagem da locomoção gratuita." (Prado e Sato, ensaios para a 'História do futebol santacruzense: o jogo de interesses entre políticos e dirigentes de clubes', 2010).
Voltada ao futebol interno da Sorocabana, até 1945 a Associação Esportiva Santacruzense praticamente não ocupou espaço na imprensa local, até que o periódico 'A Cidade' (Ano XXXVI nº 1.686) destacou a reorganização daquela Associação como resultante da fusão entre "Os antigos associados do clube juntamente com um pugilo de outros esportistas de bôa vontade tomaram o encargo de reorganisar o clube aproveitando todos os bons elementos que militavam antigamente no 'Operario e Atletico' e num laço de fusão surge a nova Associação com um programa novo e novas diretrizes." 
Desde 1940, talvez um pouco antes, o prefeito nomeado, Dr. Leônidas Camarinha (1938 - 1946), entendeu o binômio: 'o uso político do esporte e o uso da política pelo esporte' como jogo de interesses entre ele, na política e os dirigentes de clubes. "Distante das rivalidades entre torcidas, em 1945 a Associação Esportiva Santacruzense livrava-se das amarras de sua empresa para vincular-se a um grupo político dominante." (Destaques dos autores).
A Associação Operária Santacruzense encerrou suas atividades e as cores do seu uniforme são emprestadas para a nova Associação Esportiva Santacruzense, e até cedeu o campo de futebol, enquanto a Associação Atletica Santacruzense permaneceu ativa, disputando jogos e batendo-se com a Associação Esportiva Santacruzense (A Cidade, Ano XXXVII nº 1359). 
Notícias de 1946 publicam a nova diretoria do Associação Atlética Santacuzense (A Cidade, Ano XXXVII nº 1.361).
A Associação Atlética e a Esportiva inscreveram-se para o Campeonato Amador de 1947, 6ª Região, promovido pela Federação Paulista de Futebol, ao lado dos: Olimpicus e Ourinhense - de Ourinhos, e mais os clubes de Bernardino de Campos e Itai. Ambas reclamaram da inclusão da agremiação de Ittai, quando tal deveria, pela distância, ser localizada na região de Avaré (A Cidade, Ano XXXVIII nº 1.370).
Esportiva Santacruzense transformava-se num sucesso e grande força regional, enquanto a Associação Atlética Santacruzense destroçava-se, em 1948, perdendo de 16 a 3 da equipe de Jacarezinho (PR), de acordo com crítica reportagem do periódico 'A Cidade' que aquele clube santacruzense vem de derrota após derrotas (Ano XXXIX nº 1.417).
Doravante apenas a Esportiva Santacruzense seria a representante local nos campeonatos oficiais, fazendo sua própria história. 
A Associação Atlética Santacruzense perdera o grande jogo na disputa política para a Associação Esportiva Santacruzense, e até o campo lhe foi tirado para utilidade pública. Leônidas Camarinha era o patrono da Esportiva e estava deputado Estadual, e assim se manteria por sucessivas legislaturas até 1967.
A Associação Atlética Santacruzense ainda é referenciada no início dos anos de 1960, time de várzea, nada mais.
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3.5.1.3.  COMERCIAL FUTEBOL CLUBE
No ano de 1931 anunciava-se: 
-"Está fundado mais um clube de futebol nesta cidade - Commercial F.C. - constituido de elementos esforçados e modestos, sem o rotulo de figurões."
-"A primeira directoria foi eleita na assembléa da fundação do club, dia 25 deste mez [25 de maio de 1931], ficando constituida da seguinte maneira: - Presidente - Theophilo J. de Queiroz - Vice Dr. J. de Queiroz, Secretarios - Clovis Carvalho e Pedro Catalano, Thesoureiros - prof. Abilio Fontes e José Osiris Piedade - Orador Dr. Braz di Francesco. Commissão Fiscal - Fco. Villas Bôas, A. Dalmatti, prof. Mario Gualberto Camargo e Ricardo Campbell - Commissão Syndicancia, Humberto Magdalena, Olavo Madureira, A. Pelligrini e Jacomo Olivatt - Commissão de Esportes - João M Filho, Americo Roder, José Felix e Elias Saliba. Director Esportivo - prof. Albino Mello Oliveira."
-"O campo de esportes do novo Club acha-se localisado em terreno visinho às praças de esportes da A.O. [Associação Operária] Santacruzense e A.A. [Associação Atlética] Santacruzense." 
-"Está sendo preparado convenientemente, apresentando aspecto muito promissor e em breve se tornará, tambem, numa praça de esportes digna de fazer jús ás demais existentes nesta cidade."
(A Cidade, Ano XXII nº 496).
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3.5.1.4.  ASSOCIAÇÃO ESPORTIVA SANTACRUZENSE
Segundo relatos históricos, "A Associação Esportiva Santacruzense foi fundada no dia 25 de janeiro de 1935 por um grupo de atletas amadores da cidade de Santa Cruz do Rio Pardo. O objetivo era competir com outra agremiação do município, o Operário Futebol Clube. Entretanto, com o passar do tempo o clube foi conquistando o carinho dos torcedores e se tornou o time oficial da cidade" -(Associação Esportiva Santacruzense - AES: História). 
Foto histórica de 15 de fevereiro de 1936, a primeira atribuída à Associação Esportiva Santacruzense - AES, na residência do esportista sr. Argemiro Paula Costa, unica comprovação oficial da existência do clube nos anos 1935 / 1936, trazendo no verso a identificação manuscrita do clube e os nomes dos seus jogadores: "Garcia, Diegues, Ricardo, Nogueira, Bibi, Ferrazzini, Zezé, Noce, Sebastião, Jurandir e Pinotti." (Destaques dos Autores), estando nas fotos identificações seguras de Noce e Zezé. 
-Pretendem alguns que a data de fundação da AES tenha sido 21 de janeiro de 1931, mas nenhuma foto, documento ou publicação em jornal, até o momento, apontam para essa possibilidade. 
Em seu princípio, a Associação Esportiva Santacruzense - AES, não figurava em matérias esportivas publicadas pelos jornais da época, conforme exemplo (A Cidade, Ano XXVI nº 1224).
O mesmo ocorreria nos anos seguintes; a imprensa escrita local, dentre os destaques de publicações encontradas, nada dizia da Esportiva Santacruzense, senão no ano de 1945, quando a equipe transformara-se num time ascensionário, e uma primeira grande reportagem destacava-lhe:
-"(...) Sob os melhores auspicios está sendo reorganizada a A.E.S., líder do futebol em nossa terra, legitima e tradicional expressão do nosso nome esportivo. Os antigos associados do clube juntamente com um pugilo de outros esportistas de bôa vontade tomaram o encargo de reorganisar o clube aproveitando todos os bons elementos que militavam antigamente no 'Operario e Atletico' e num laço de fusão surge a nova Associação com um programa novo e novas diretrizes. É grande o entusiasmo. Os elementos são valorosos dos quais muito se pode esperar, portanto, é justa a confiança de todos no ressurgimento do nosso futebol de alta classe."
-"No domingo p.passado realizaram-se as eleições da Diretoria que irá dirigir a A.E.S. no corrente ano, ficando constituída da seguinte fórma:"
-"Presidente - Cleofano Mota; vice - Carmelo Comegno; 1º Secretario - Xisto Rios; 2º Cornelio Campbell; 1º Tesoureiro - Dante Saleme; 2º [Tesureiro] - Arlindo Luiz Pereira."
-"Comissão de Sindicancia - Sebastião Marques de Oliveira; João Fleury e Cristovam Perez."
-"Comissão Fiscal - Italo Balielo, Manoel de Campos e Benjamim Benedito de Oliveira."
-"Consultor e Orador social - Pedro Catalano (A Cidade, Ano XXXVI nº 1.686).
A Diretoria acima referida tomou posse aos 07 de janeiro de 1945. 
Para muitos, esta seria a data para o surgimento oficial da Associação Esportiva Santacruzense, e o time tornou-se o principal da cidade com disputas locais e na região, por exemplo em 1948, na cidade de Presidente Prudente, conforme consta numa foto daquele ano, com os nomes dos jogadores (Acervo de Edilson Arcoleze Ramos de Castro). 
A Associação Esportiva Santacruzense, desde sua reorganização, em 1945, ocupava o estádio da Vila Sidéria, o mesmo desde os tempos da Associação Operária Santacruzense, "... arrendado por um dos esportistas de nossa cidade," quando "... surge a boa nova aos torcedores do tricolôr, que nos foi fornecida por fonte merecedora de todo credito: A Esportiva acaba de adquirir o terreno de sua praça de esporte localizada na Vila Sidéria e já passou, segundo a mesma fonte, a necessária escritura." (A Cidade, Ano IXL nº 1.492, transcrição conforme grafado).
O imóvel [terreno] em questão, segundo a mesma fonte,  e pertencente a Victório Ferrazini e sua mulher Antonieta Cabral, certamente não coincidência um Ferrazini entre os titulares da Associação Esportiva Santacruzense de 1935 / 1936.
'A Cidade', naquela exposição, sequenciava as novidades:
-"A outra, naturalmente se referindo às boas novas aos esportistas locais para 1950, é a melhora por que passa o Estádio 'Leonidas Camarinha' pois ninguem desconhece, a Directoria do clube das três cores ja mandara preparar o terreno e grama-lo há coisa de 4 mêses. Ei-la: esperam os dirigentes do campeão, esteja tudo pronto dentro de 30 dias, o que não deixa de ser uma notícias devéras alviçareira, pois há quanto tempo não se assiste à uma exibição do 'onze' de Lucio Casanova Netto?"
-"Finalmente, a colocação de balaústres de trilho e uma nova cerca em volta do campo, constituindo dessa forma excelente alambrado apara cumprir as exigências da Federação Paulista de Futebol."
-"Tudo isso é novidade no mundo esportivo santacruzense e mais, ainda, a eleição recentemente realizada, para escolha dos novos membros que iriam compôr a nova diretoria da Associação Esportiva Santacruzense. Esta foi efetuada sem maiores novidades e dela resultou a seguinte constituição da direção maxima tricolor para a nova temporada."
-"Presidentes honorários: Deputados Leonidas Camarinha, Porfírio da Paz e Antonio Silvio C. Bueno, e snr. Henrique C [Cunha] Bueno Filho."
-"Presidente: Lucio Casanova Neto."
-"1º Vice presidente: Xisto Rios."
-"2º Vice presidente: Pedro Catalano."
-"1º Secretario: Rubens Carmagnani."
-"2º Secretario: Gumercindo Fernandes."
-"1º Tesoureiro: Pedro Araujo."
-"2º Tesoureiro: Pedro Queiroz."
-"Consultor Juridico: Dr. Angelo Aloe."
-"Oradores socais: Dr. Ciro de Melo Camarinha, Renato Marques e Renato Taveiros."
-"Consêlho Deliberativo: José Silvestre Gonçalves, Antonio Yoneda, Orlando Quagliato, Antonio Paula Bueno, Antonio Balielo, José Butingnóle, Francisco Moni, Italo Rios, Salvador Valera, Otavio Mariano, Dante Saleme, Zacarias Oliveira, Luiz Vidor, Carlos Júlio Renofio, Epifanio Veras, Cornelio Cardoso, Benedito Felipe, Deolino Imperio, Lazaro Cassiano, Argemiro Paula Costa, Cristovão Peres, João Fleury, Sebastião Marques de Oliveira."
-"Diretor Esportivo: Luiz Alves."
-"Não há duvida, uma Diretoria organizada com nomes proeminentes na vida esportiva de Santa Cruz do Rio Pardo, pessôas que já trabalharam grandemente pela elevação do nome esportivo de nossa terra no cenário bandeirante e que ainda muito poderão trabalhar, como: Lucio Casanova Neto, prefeito municipal e por muitas vezes já presidente da agremiação: Xisto Rios, Pedro Catalano e Rubens Carmangnani de há muito batalhadores incansaveis do clube da Vila Sideria e membros da ultima diretoria; Pedro Queiroz, Dr. Angelo Alóe, Dr. Ciro de Melo Camarinha, Onofre Rosa de Oliveira, Orlando Quagliato, Renato Marques, Dante Saleme, Carlos Julio Renofio, Cristavam Peres." 
-"(...)." - (A Cidade, Ano IXL nº 1.492). 
Pela Lei Municipal nº 1.045, de 06 de maio de 1986, o Estádio Leônidas Camarinha foi recebido pela Municipalidade por doação da Associação Esportiva Santacruzense, significando a Prefeitura responsabilizar-se pela manutenção e adequações daquela praça de esportes. Para evitar reversão do patrimônio á doadora, a Prefeitura responsabilizou-se, outrossim, pelos encargos contraídos pela AES junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS, até junho de 1993, conforme Lei Municipal de nº 1.461, de 30 de dezembro de 1993. 
A Associação Esportiva Santacruzense recebia subvenções do Estado de da Municipalidade, já em 1948 - pelo menos (DOESP 20 de novembro de 1948) e outras sucessivas publicações em Diário Oficial do Estado de São Paulo, por exemplo - aleatório, em 1952 a Associação Esportiva está inscrita entre as associações e instituições santacruzenses, todas candidatas a recursos públicos, conforme proposta do Deputado Leônidas Camarinha (DOESP de 04 de setembro de 1952). 
Em 1950 o Estádio já tinha a denominação pretendida de Leônidas Camarinha, e a Esportiva Santacruzense preparava-se para disputar Campeonato pela Federação Paulista de Futebol: "Senão vejamos: Para o campeonato de 1950 sabe-se que a Federação Paulista de Futebol não permitirá que os clubes filiados disputem o certamem sem cumprir as exigencias que determina o Regulamento da entidade maxima paulista, quais sejam, entre outras, cercamento da praça de esportes de ‘propriedade do clube’, por alambrado, campo gramado, dois vestiarios com chuveiros, vestiario em separado para árbitros que porventura sejam designados pelo Departamento de Juizes para dirigir prélios do torneio interiorano." (A Cidade, Ano IXL nº 1.492).
Ainda em 1950, para inaugurar o nome do estádio 'Leonidas Camarinha' adequado às exigências de regulamento da Federação Paulista de Futebol, a Associação Esportiva Santacruzense convidou o Santos Futebol Clube para um amistoso em 1º de maio de 1950. 
Estreou em competições oficiais da Federação Paulista de Futebol - 3ª Divisão, em 1954 (atual Série A-3 - referência 2010). Em 1956 a A.E.S. conquistou o Vice-campeonato Paulista da Terceira Divisão, algo comparado com a atual série A-3. 
Sem condições de sustentação financeira, o clube deixou de participar de campeonatos oficiais entre 1959 a 1961, retornando para disputar a Segunda Divisão [nova categoria e igualmente correspondente à série A-3], graças ao recebimento de recursos públicos do Governo do Estado, então prática legal (DOESP, 10 de dezembro de 1963, página 26 – Subvenções e Auxílios – Reajustamento Orçamentário de 1963, CR$ 100.000,00, pelo Decreto 42.719, de 03 publicado em 05 de dezembro de 1963, sobre termos do Decreto 41.173, de 12 de dezembro de 1962). 
Campeã da 2ª Divisão de 1963 foi, então, promovida para o Campeonato Paulista da Primeira Divisão de Futebol Profissional, onde permaneceu até 1967, para novo retorno, em 1969, na 2ª Divisão.
O título de 1963 deixou marca indelével na história da AES e de todo município. Na data de 15 de agosto de 1963, a equipe fez o penúltimo jogo do campeonato em São Caetano do Sul e venceu o time do Cerâmica por um a zero, ficando apenas a um empate do título, o que aconteceria contra o Ituverava na semana seguinte. Pois foi no jogo contra o Cerâmica que torcedores santacruzenses resolveram viajar num veículo Kombi VW para assistir o jogo, quando no quilômetro 191 da Rodovia Raposo Tavares o veículo foi colhido por um caminhão e todos os ocupantes morreram: "Adalberto Manzo, Adelmo Morandim, Antonio Benedito Andrade, João Simão Ávila, José Antonio Biondo, José Cardoso, José Carlos de Andrade, Luiz Andrade, Otorino Sartorato e Sérgio Sartorato." 
A Associação Esportiva abandonaria as competições oficiais de futebol profissional entre 1970 a 1978, retornando em 1979 na 3ª Divisão (na época 5ª Divisão), que a partir de 1980 equivaleria à A-3.
Ausente do campeonato de 1981 firmou-se nos anos 1982 a 1984, não presente em 1985, nova participação em 1986, parada em 1987 e a volta em 1988, no final do governo municipal de Onofre Rosa de Oliveira e início da Administração Clovis Guimarães Teixeira Coelho em 1989, com interrupção em 1990.
A Associação Esportiva Santacruzense voltou ao Campeonato Paulista de Futebol Profissional em 1991 - 2ª Divisão, por três anos para chegar à Série A-2 em 1994.
Ausentou-se, a seguir, por quase dez anos, para regressar em 2004 - Série B-2 do Campeonato Paulista, com financiamento, em parte, pela Municipalidade, no Governo Adilson Donizeti Mira, com repasses tidos ilegais de dinheiro público e o prefeito valendo-se politicamente do time profissional de futebol:
-"Os repasses ilegais de dinheiro público à Esportiva Santacruzense começaram em 2004, quando o prefeito Adilson Donizeti passou a usar politicamente o time profissional de futebol. Na época, o presidente do time, Pedro Lombardi, foi nomeado diretor de esportes. Como a lei proíbe o repasse de recursos oficiais a clube de futebol, o prefeito elaborou leis indicando que o dinheiro seria para fomentar 'categorias de base' da Esportiva. As primeiras transferências foram pequenas, mas no ano passado o prefeito elaborou lei para entregar R$ 120 mil ao clube. Na Câmara, os vereadores aprovaram uma emenda determinando prestação de contas. Os balanços, todavia, sempre foram feitos com atraso, contrariando a própria lei do prefeito. Mas as notas fiscais que apareceram deixaram claro que havia fraude. Além de gastos com hotéis e restaurantes nas cidades onde a Esportiva jogava com o time profissional, as prestações exibiram notas de mercados indicando compra de produtos totalmente incompatíveis. Em muitas delas, o clube teria adquirido toneladas de mantimentos, entre lingüiça, carne bovina, centenas de litros de leite e óleo. Estava claro que a Esportiva não possuia sequer local adequado para armazenar tantos produtos. Recibos de técnicos de "categoria de base" também foram apresentados, com fortes indícios de fraude. Em depoimentos, o Ministério Público descobriu toda a armação." (Debate nº 1387).
O Presidente da Associação Esportiva, Pedro Miguel Lombardi era ocupante de cargo em confiança da Municipalidade, como Diretor de Esportes, uma relação proibida, tanto porque a situação de Diretor de Esportes lhe exigia fiscalizar prestação de contas da Associação Esportiva Santacruzense, da qual ele Presidente.
Pressionado pelas denúncias junto ao Ministério Público, o prefeito determinou tardiamente a abertura de sindicância para apurar a tal 'categoria de base', concluindo pela sua inexistência, e assim a A.E.S. notificada judicialmente para devolução dos repasses - (Juízo de Direito - 2ª Vara Judicial de Santa Cruz do Rio Pardo, Associação Esportiva Santacruzense, Processo 539.01.2007.008414-6, 2007). 
-Em 2011, o então ex-prefeito Adilson Donizeti Mira, apresentava versão perante as autoridades, que a Sindicância teve resultado por inexistência de categoria de base, em razão de desinteresse do clube defender-se. Pudera, o antigo Presidente da Associação Esportiva ocupa cargo ad-nutum de Diretor de Esportes da Municipalidade, portanto na obrigação de satisfazer a vontade política de seu empregador, sob pena de demissão.
Para o Ministério Público em relação ao prefeito: "A conduta revela extrema audácia e abuso de poder, desvio de finalidade e malbarateamento da coisa pública. Manter o requerido Adilson no cargo é tolerar, até o fim de seu mandato, a presença de um perigo constante ao erário que, como se sabe, após lesado, dificilmente é reparado em sua integridade”, sem se esquecer de “outras condutas ímprobas do atual alcaide." (Debate nº 1387).
Em janeiro de 2008 a Associação Esportiva Santacruzense estreou no Campeonato Paulista  da Série A-3, no Estádio Leônidas Camarinha "que passou por uma série de melhorias como, construção de seis banheiros femininos, instalação de corrimões nas arquibancadas, portões, pintura geral, remarcação dos números nas arquibancadas." (Semanário Oficial Município de Santa Cruz do Rio Pardo, Ano VI nº 291). 
Dos feitos originou-se outro escândalo, sem precedentes na história esportiva do município, novamente envolvendo o Prefeito Adilson Donizeti Mira - (2001/2008), além das acusações de repasses ilegais de dinheiro público para time de futebol profissional, com documentos fiscais extemporâneos e duvidosos, também a aquisição de arquibancada móvel num valor superior a meio milhão de reais entre aluguéis e aquisição daquele bem que se mostrou imprestável em 2010, levando à interdição judicial das arquibancadas móveis.
Assunto referente àqueles repasses - exercício 2006, é certo que o Tribunal de Constas do Estado concluiu irregular "a prestação de contas apresentada, nos termos do art. 33, III, 'b', da Lei Complementar Estadual nº 709/93, e condeno a Entidade Beneficiária: Associação Esportiva Santacruzense, na pessoa de seu representante legal, à pena de devolução do valor recebido, devidamente corrigido, nos termos do artigo 36 do mesmo diploma legal, ficando, até o efetivo recolhimento, proibida de receber novos benefícios, na forma do disposto no artigo 103, da referida Lei." (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Processo 002480/004/07, Repasses públicos). Sentença condenatória TCE-SP, publicada aos 05 de fevereiro de 2011, transitou em julgado em 22 de fevereiro do mesmo ano (DOESP, 06 de outubro de 2011 - Arquivamento).
Em 04 de maio de 2008, de maneira melancólica, a A.E.S. despediu-se do Campeonato Série A-3, em ultimo lugar, sendo rebaixada para a série B do Campeonato Paulista, divisão na qual permaneceu ainda em 2010, com a atual Diretoria desvinculada da Municipalidade. 
Não foi campanha fácil. Por requerimento do Ministério Público, de 02 de junho de 2010, Inquérito Civil nº 36/10 - PJ  - Defesa dos Direitos do Consumidor / Estatuto do Torcedor, a Justiça interditou as arquibancadas do Estádio Leônidas Camarinha, pelo péssimo estado em que se encontram.
A direção do Clube alugou arquibancadas móveis, aguardando o início da construção assentos fixos, em  alvenaria, por conta da Municipalidade, dona do estádio, o que não aconteceu.
Em 2010 a Associação Esportiva Santacruzense não conseguiu vaga para a Série A-3 do futebol paulista de 2011. No entanto, com o acesso do Comercial de Ribeirão Preto para a A-2 - por desistência de clube que tinha o direito assegurado naquela divisão, isso abriu claro na A-3 que, pelo regulamento da competição, ficou com a Esportiva pela melhor campanha na competição, afora os quatro times que conseguiram a vaga nos gramados.
As arquibancadas também não foram construídas em 2011, nem os refletores para jogos noturnos - um bastião político do ex-prefeito Adilson Donizeti Mira desde 2008, quando não aproveitou os recursos públicos oferecidos pelo Governo do Estado de São Paulo / Secretaria de Esportes (...). 
A despeito das dificuldades, a Santacruzense conseguiu acesso à Série A-2, feito inédito, para o ano de 2012, ao vencer o Flamengo de Guarulhos - SP, aos 04 de maio de 2011. Para a participação é preciso, além dos refletores para jogos noturnos, a obrigatoriedade de arquibancadas para quinze mil lugares - exigências da Federação Paulista de Futebol, daí o impasse com a Administração Municipal e a volta das rusgas políticas e administrativas.
Sem as arquibancadas o clube corre risco em não disputar a inédita Série A-2.
Sob toda essa pressão disputou, ainda em 2011, a Copa Paulista iniciada em julho do mesmo ano, numa sofrível campanha, findando na sétima colocação entre nove times participantes, fase encerrada para a Santacruzense  em 02 de outubro de 2011. 
Direção desintegrada, o Presidente do Clube, o empresário Hélio Majone, lançou mão de campanha popular para arrecadar fundos para aluguel de arquibancada móvel objetivando a disputa do campeonato de 2012, pois que o Poder Executivo Municipal, sob a chefia da Prefeita Maura Soares Romualdo Macieirinha (2008/2012), não tem mostrado interesse em atender as reivindicações do Clube nem as exigências da Federação Paulista de Futebol. 
A Administração Pública e a Diretoria da Associação Esportiva Santacruzense, insultam-se sem nenhuma solução apresentada. Para alguns, a inadimplência do Clube com a Municipalidade seria um dos motivos para a Prefeitura recusar-se investir num patrimônio público, praticamente de uso exclusivo da Associação.
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3.5.2.  CLUBE DE PING-PONG
Sob a presidência de Jandyra Trench, em 1922, em Santa Cruz funcionava o Clube de Ping-Pong, com sede própria, mencionado em reportagem esportiva sobre torneio realizado aos 21 de abril daquele ano, entre referido clube e o 15 de Novembro. 
Para conhecimento de quem eram alguns dos meso-tenistas da época:
-"(...)."
-"O jogo decorreu em meio de grande animação. Sahiram vencedores, por circumstancias especiaes, as turmas 'Club 15 de Novembro'. Ao lado do club vencido jogaram as gentis senhoritas: Carmem Barbosa, Noemia Silva, Regina e Maria Pimenta. O snr. Jandyra Trench, Presidente do 'Ping Pong', que é inconstestavelmente, o campeão deste sport em Santa Cruz, teve o seu jogo enormemente prejudicado por pequenos incidentes provocados pelos torcedores do '15 de Novembro'. Á directoria e aos jogadores de ambos os clubs os nossos parabéns." (A Ordem, Ano II nº 52).
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3.5.3. CLUBE DE NATAÇÃO E REGATAS RIO PARDO
Santa Cruz do Rio Pardo teve um Clube de Natação e Regatas. 
Na sede do Ideal Club, aos 27 de outubro de 1923, realizou-se reunião para a formação do Clube de Natação e Regatas Rio Pardo, sob a presidência do senhor Vasco de Andrade, citando-se nome dos organizadores: José de Campos, Breno de Paula Leite e Jarbas Bueno (A Cidade, ano XIV nº 149, página 3, edição de 27 de outubro de 1923).
-O 'Ideal Club' seria entidade futebolística com sede social.
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3.5.4. CESTOBOL - BASQUETE
Existiu quadra esportiva para a prática de cestobol no terreno ao lado da Escola Normal Livre, na Avenida Tiradentes. Os informes são poucos, e, apenas três equipes foram identificadas, tratando-se das equipes da Associação Ginasial [Ginazial] de Esportes - AGE, Associação Atlética Santacruzense - AAS, e a Associação Esportiva da Escola Normal - AEEN. Todas equipes tinham o denominado 'Bandos Secundários', ou seja, um segundo time.
Em 1933, pelo Santa Cruz Jornal (Ano II nº 82, 19 de novembro de 1933, página 1) foi noticiado o Atlético Santacruzense campeão de cestobol santacruzense, após duas vitórias contra a AGE, numa série 'melhor de três'. Eram cestobolistas: Serafim, Mardega, Bada, Batista e Nêm - e o reserva Almeida, atletas da AAS; e pela AGE, Fontes, Carneiro, Dias, Alcides e Pierino, e Martins como reserva. 
Na mesma disputa da série 'melhor das três' dos bandos secundários foi vencedor o AGE, com os atletas: Bide, Broch, Santinho, Martins e Aurelino. Pelo Atlético jogaram: Tião, Pavôa, Tonico Aquino e Apa, além do reserva Afonso.
A Associação Esportiva da Escola Normal, na qual a equipe de cestobol, teve auxílio financeiro aprovado pelo Parecer nº 1.694/43, do Conselho Administrativo do Estado de São Paulo, referente ao Projeto [Municipal] de Resolução nº 1.582 de 1943, de auxílio financeiro à prática de esportes em Santa Cruz do Rio Pardo (DOESP, 17 de outubro de 1943, página 7).
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3.6.  AS BANDAS E CONJUNTOS MUSICAIS
As bandas, formadas por instrumentos de sopro e percussão, sempre marcaram presenças nos principais acontecimentos da vida santacruzense, desde o acompanhamento de marchas cívicas, fúnebres, religiosas e desfiles solenes, às recepções de autoridades civis, militares, eclesiásticas, além das anunciações de visitantes ilustres e chegadas dos circos à cidade.
As bandas executavam seus instrumentos nas apresentações cinematográficas, nos tempos do cinema mudo. Ainda os anos de 1960 eram comuns em Santa Cruz o toque do despertar ou a alvorada, além dos eventos públicos nas praças.
Algumas bandas ganharam destaques através dos tempos:
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3.6.1.  BANDA LYRA SÃO JOSÉ
Até o momento, ano de 2010, a primeira banda legalizada que se tem notícias, para Santa Cruz do Rio Pardo, foi a 'Banda Lyra São José', de 1902, dirigida pelo proprietário maestro Tenente José Cypriano Nenê, chamado de Professor.
A Lyra São José é vista uma primeira vez na solenidade religiosa de 21 de março de 1902, tocando durante todo o percurso de uma procissão - (Correio do Sertão, Ano I nº 3); na mesma edição a banda é mencionada em seus ofícios no ato de entronização da imagem de Nossa Senhora em próprios da Coletoria da cidade.
O 'Correio do Sertão' (ano I - nº 9, de 03 de maio de 1902, páginas 2 e 3) traz o Estatuto de Formação da referida Banda Musical, com os regulamentos dos ensaios, obrigações, comportamentos e, sobretudo das responsabilidades dos músicos, e das multas às infrações, por exemplo, no artigo 11º, "Todo musico de banda, é obrigado, toda véspera de Domingo do mes, limpar o instrumento que toca e quando o professor da banda lhe ordene; o infractor será multado em 5$000, sendo ainda sujeito a limpar o mesmo, e na reincidencia será multado em 10$000." 
Também ao músico era proibido apresentar-se embriagado, tocar com o chapéu na cabeça, fumar no ambiente, fazer algazarras, abandonar o instrumento ainda que provisoriamente nalgum lugar - sem deixá-lo aos cuidados de algum colega, podendo, inclusive, ser demitido por incapacidade, não acatamento às ordens, procedimentos inadequados e desrespeitos outros que pudessem ser considerados graves.
Oferecendo os serviços aos interessados, na sequencia do estatuto, "O professor da banda communica ao público, que se acha ja oito musicos mais ou menos ensaiados, pelo que offerece sua modesta banda, a qualquer chamado, quer, nesta cidade ou fora, promettendo cumprir com o seu estatuto, principalmente ao 1º, artigo § 1º, que destacará em todos os actos quer publicos quer particulares não levando em vista questões politicas. E aproveita oportunidade para pedir o apoio do povo Santacruzense, porque o contrario elle não podera concluir os seus intentos de formar uma boa banda de musica nesta futurosa cidade, como é publico que elle não está aqui ganhando ordenado algum; so apenas é por amor a arte, e deseja que não fique instincta uma das principaes sociedades do lugar , que é a 'Musica". Santa Cruz do Rio pardo, 24 de abril de 1902. O proprietario da banda musical - José Cypriano Ferreira Nenê."
O citado artigo e o respectivo parágrafo diziam "Fica desde ja constituida nesta cidade a banda musical denominada LYRA SÃO JOSÉ, composta de quantas figuras forem precisas para completa l, tendo por fim : § unico - Tocar em todos os actos, quer publicos ou particulares, quando pelo professor for chamada não levando em vista questões políticas". 
Em 06 de setembro de 1902, o 'Correio do Sertão' (Ano I nº 26, página 1), noticia o sepultamento de uma vitima de assassinato, onde "(...) compareceram mais de 200 pessoas de todas as classes sociaes, tocando marchas funebres durante o trajeto, a banda 'Lyra S. José'."
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3.6.2.  BANDA CARLOS GOMES
A 'Banda Carlos Gomes' apareceu em julho de 1909, numa primeira citação documental, no semanário 'Cidade de Santa Cruz' (Ano I nº 27), para o septenário de Nossa Senhora Carmo, período de 12 a 18 de julho de 1909, dito que na data do encerramento "às 4 horas da madrugada, a excellente banda musical 'Carlos Gomes' regida, pelo Major Hylarino Nogueira, percorrerá as principais ruas da cidade, depois do ribombar de 21 tiros de salva."
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3.6.3.  BANDA SANTA CECÍLIA
Presente em espetáculos cinematográficos em 1916, em janeiro de 1918 é anunciado a 'Banda Santa Cecília', de Santa Cruz do Rio Pardo, também identificada como Coral, dirigida pelo mesmo professor José Cypriano Ferreira Nenê - da 'Banda Lyra São José', com apresentação prevista em praça pública no dia 17 de janeiro de 1918, com o destaque para a execução do Dobrado Tiro 451, de autoria do maestro Theodorico Franco, em homenagem à Instituição (O Contemporaneo, ano III nº 37, edição de 10 de janeiro de 1918, página 2).
Nos anos de 1950, a Banda [Coral] Santa Cecília contava com as integrantes: Dagmar Marques, Leila Biel, Maria Liberina Romano, Mariquinha Libarde, Odila Renófio e Zeni Benassi, entre outras da época.
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3.6.4.  BANDA UNIÃO DOS ARTISTAS
Ainda em 1918 é citada a 'Banda União dos Artistas' (O Contemporaneo, ano III nº 152, de 27 de abril de 1918), sendo artista por significação de operários especializados em determinados tipos de trabalhos. Foram os principais regentes da Banda União dos Artistas, a seu tempo, os maestros Theodorico Franco e José Amorim Ribeiro.
A Banda União dos Artistas tinha sede recreativa e era partícipe da política local, conforme demonstrado em 1921 quando "... adheriu ao Partido Municipal, demittindo o regente sictuacionista e acclamando o Capitão Theodorico Franco para o substituir." (A Ordem, Ano 1 nº 6). A notícia dada pela 'A Ordem' não diz quem o maestro adesista, porém as tradições indicam o Professor Cypriano Ferreira Nenê. 
O Maestro da União dos Artistas, José Amorim Ribeiro, ainda hoje lembrado como Maestro Zequinha, causou furor em Santa Cruz do Rio Pardo à frente da Banda Municipal, mais conhecida como Furiosa, entre os anos de 1930 a 1960. A Banda Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo tem o nome 'Banda Musical Municipal Maestro Zequinha' em homenagem ao glorioso regente. 
Ao maestro Zequinha sucedeu o Silvio de Paula - de saudosa memória, depois o professor Alcinio (...), morto em 1990, desde então substituído pelo maestro Iramis Trevisan, presente na banda da cidade desde 1949, tocando clarinete.
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3.6.5.  ORQUESTRA WOLF
Em 12 de outubro de 1927 é noticiada a animação da 'Orchestra Wof' na inauguração do Clube Grêmio Santa Cruz 
-"Seguiu-se animadíssimo baile onde viam-se as mais distinctas famílias desta cidade,  prolongando-se as dansas até ao romper da aurora, tocando a orchestra Wolf variadas musicas de seu variado repertorio." (A Cidade, Ano XVIII nº 337).
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3.6.6.  CONJUNTO JAZZ TABAJARA
Em 1944 existia em Santa Cruz do Rio Pardo o 'Jazz Tabajara' - dirigido pelo Maestro Mário Piedade - (A Cidade, Ano XXXV n. 1677). 
Não há garantia histórica que possa atestar possível correspondência entre o conjunto com o Tabajara Club existente em 1915, conforme referência.
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3.6.7.  CORPORAÇÃO MUSICAL SETE DE SETEMBRO INDEPENDENTE
A tradição santacruzense guardou com carinho as lembranças da banda 'Corporação Musical Sete de Setembro Independente', sabendo esta atuante nos anos de 1930, regida pelo Maestro Eugenio Vectorelli (O Trabalho, Ano 1 nº 7). 
Publicação de 1932 pelo Santa Cruz Jornal (Ano 1 nº 2) informa ausências de bandas de música no município em 1932, mas em fase de reorganização a Banda Sete de Setembro, graças aos empenhos do Prefeito Aberlardo Pinheiro Guimarães e o senhor Américo Roder.
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3.6.8.  CORPORAÇÃO MUSICAL MUNICIPAL
Mencionada no ano de 1943, integrante do rol de entidades beneficiárias de recursos públicos, de acordo com publicação da aprovação do Parecer nº 1.694/43, pelo Conselho Administrativo do Estado de São Paulo, referente ao Projeto [Municipal] de Resolução nº 1.582 de 1943 (DOESP, 17 de outubro de 1943). 
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3.6.9.  CONJUNTO MN 7
Nos anos de 1950 destacou-se o maestro Mário Nelli, considerado o maior músico santacuzense de todos os tempos, formando conjuntos musicais e apresentando-se em programas de rádios e clubes, até liderar, em 1959 o conjunto 'Mário Nelli e o Clube dos XX', e depois, em 1964, formando o célebre 'MN7 - Emi Eni Sete' (Debate nº 1548, Caderno D). 
O talento de Mário Nelli, levou-a a capital paulista, juntamente com outro músico santacruzense, Vasco de Britto, convidados pelo empresário do cantor Tony Angeli. Britto seguiu carreira como cantor, enquanto Mário, também professor na rede pública, optou deixar a música por incompatibilidade de horários entre as profissões, além da necessidade em retornar a Santa Cruz em causa da enfermidade da mãe.
Retornaria como músico local pouco tempo depois. Mário é autor do hino oficial santacruzense e autor de diversas composições e jingles políticos.
Ainda em atividade regional - ano de referência 2011, sempre uma grande atração.
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3.6.10.  BANDA LIGHT BRASIL
Versátil banda santacruzense, sob a direção do casal José Carlos Sales - Bodon e Ana Maria Crivelli Sales, músicos e professores na matéria, especializada em casamentos, formaturas, shows, bailes e quaisquer outros tipos de apresentações musicais, com três cantoras, um tecladista cantor, um guitarrista cantor, um baixista, um baterista, um flautista transversal e um percursionista. Acompanham a banda três bailarinos – duas mulheres e um homem.
A estrutura da 'Banda Light Brasil' conta, ainda, cinco membros da equipe técnica e um motorista para o ônibus da própria banda e nos equipamentos estão 'Iluminação digital, Moving Lights, TVs LCD 42”,  03 Telões e Estrutura modular de palco'.
A 'Banda Light Brasil' iniciada com o Duo – Bodon e Crivelli Sales, depois um trio e posteriormente a Banda propriamente dita, e hoje, para atendimento às demandas de mercado, a 'Light Brasil' apresenta a Banda completa, quarteto, duo ou DJ. Tem repertório eclético e com ritmos dançantes variáveis.
Paralelo à Banda, o casal Sales formaram, em março de 2001, o 'Duo Light Brasil' com o projeto pioneiro regional 'Musica no Hospital', mais voltado aos gêneros de seresta, choro, erudito e antigas canções da Musica Popular Brasileira.
O 'Duo Light Brasil' também apresenta-se em eventos particulares, especialmente em empresas de grande fluência pública.
Atenta às mudanças e novidades no mercado musical, a 'Banda Light Brasil' especializa-se no dia a dia e sempre investindo em tecnologia, equipamentos e na criatividade de seus componentes, com a máxima, '... nada substitui o talento'.
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3.6.11.  BANDA LANDAU 1969
Em meado de 2002 surgiu o quarteto intitulado 'Banda Landau 69', com os jovens João Rafael Nantes - baixo, Luciano Pimentel (Barry) - bateria, Tiago Cachoni - guitarra, Thiago Pitol – vocal. Com a saída de Pitol, em 2004, Cachoni assumiu o lugar. 
O trio, aparentemente despretensioso no início, tornou-e sucesso regional, com participações em diversos shows nos anos de 2010 e 2011.
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3.6.12.  BLOCOS CARNAVALESCOS
Os carnavais santacruzenses, sem muitas tradições, remetem aos tempos do 'entrudo', com os foliões adolescentes às ruas, apresentando danças histórico-representativas de grandes eventos, com simulações de lutas, músicas satíricas, ano a ano com algumas variações introduzidas, a exemplos de vestimentas folclóricas de personagens do imaginário popular da época.
Então, vigiados ou prestigiados pelos pais e parentes, que ficavam nos passeios, os jovens saíam às ruas, fantasiados de almas ou assombrações, de esqueletos, de facínoras, de diabos, e todos se divertiam. 
Os adultos somente ousavam mais nas folias promovidas pelos clubes restritos aos associados, com os rostos cobertos por máscaras, enquanto os mais velhos optavam pelos retiros espirituais promovidos pelas religiões.
Existia pensamento na época que carnavall era palavra oriunda de 'carni vast' com significado livre de 'festa da carne', ou seja, festejos profanos, amplitude da carne - a matéria sobrepondo-se ao espírito, ou expansão carnal - onde tudo era permitido, inclusive o pecado, a carnalidade como orgia advinda de festa pagã ou cultura do paganismo. 
Publicação do começo do século anunciava Julio da Silva como organizador carnavalesco santacruzense, como diretor de algum clube, que meses antes do evento já convidava "a todas as pessoas que queiram fazer parte no carnaval do anno de 1903, próximo, a virem se entender com director abaixo assignado. Santa Cruz, 20-12-1902, Julio da Silva.” (Correio do Sertão, Ano I nº 42).
A edição do Correio do Sertão (ano I nª 50, 28 de fevereiro de 1903, página 1), trouxe pequena nota do carnaval daquele ano: "Passaria inteiramente despercebido o carnaval desta cidade si não fossem alguns mascarados bem desenxabidos que andaram fazendo graças pelas ruas."
Em 1916, um artigo publicado no hebdomadário 'O Contemporâneo', intitulado 'O Carnaval', discorre sobre a apatia santacruzense diante da festa do Mono:
-"Hoje, amanhã e depois, são os dias consagrados à festa mais popular do Brasil, a festa em que todos, sem distinção de crenças, de idades, de fortuna, de colocação social, se divertem doidamente, alacremente, numa promiscuidade descuidosa, esquecidos todos dos dias e horas de amargor que porventura tenham passado. Divertir-nos-hemos também em Santa Cruz? Parece-nos que muito pouco. A nossa população diverge por completo das de outras cidades. Não gosta de folguedos carnavalescos. Nem mesmo a creançada, que não tem preconceitos, nos alvoroça ou nos inferna os ouvidos o clássico Zépereira que precedem aos dias consagrados a Momo. A excepção de uma ou outra pequena lucta de lança-perfumes, animada pelo Lobo ou pelo Benedicto Carlos na anciã de venderem os seus stocks desse artigo: do carnaval dos Sérvulo, representado por uma ceia e um baile em projecto, em que diz elle: ‘nós muito nos divertiremos, parece-nos que não teremos nenhum folguedo externo ou mesmo interno, nos salões familiares e que denuncie a festa de Momo."
O articulista convocava a cidade a sair do costumeiro torpor, especialmente os jovens, para os divertimentos carnavalescos. Conta de sua participação em carnavais de outras localidades, narra fatos recorrentes e, por fim, anuncia um acontecimento inesperado, aparentemente a ser realizado pelos membros da maçonaria local:
-"Já estavam escriptas estas linhas quando nos communicaram que o 'Club dos Pellas' ia dar a nota no carnaval, tinha resolvido à ultima hora e sairiam todos os socios phantasiados em alegre folgança. Com a nossa costumeira bisbolhetice, depois de muito indagar, conseguimos descobrir as phantasias de alguns dos socios e são elles:”
-"O irmão 2º Orador envergará um vistosa sobre-casaca de cascas de amendoim torrado, calção a Luiz XV, confeccionado com bilhetes de loteria e uma fina cartola de casca de coco da Bahia."
-"O irmão Tiradentes, todo lampeiro, vetirá um dominó de cascas de cebollas, e um gorro a luxo, feito de paralelepípedos."
-"O irmão Vice-Presidente, com os seus 96 kilos, vestirá bombachas de sorvete de caju, blusa  mexicana de penas de papagaio e cantará o meu boi morreu."
-"O irmão Clinico do Largo do Jardim, vestidinho de anjo, com uma phantasia a luxo, de folha de bananeira, corôa de louro cereja e asas de tico-tico, cantará o mineiro páu."
-"O irmão Secretario, sahirá vestidinho de mordomo de castello, com uma libré de palha de café e um chapéu ornado de sementes de laranja."
-"O irmão Magister deitará elegante casaca de todos de cigarro, calção de sellos de charuto e na cabeça trará uma cartolla do tamanho da matriz."
-"O irmão Clinico da Villa Nova, virá vestido de mulher: saias de marmelada e bluza de goiabada, com uma cabeleira de corda de bacalháu; com os outros irmãos cantará em côro o luzimento."
-"O futuro irmão de choupana, como ainda não está iniciado, irá vestido de leigo, com uma batina de pregos e chapéu de parafusos.”
-"Fechará o prestito o irmão Presidente vestido de bébé, com uma camisinha de tela de arame, meias e sapatinhos de lã de cágado, touca de semente de abóbora e chupando uma mamadeira de vidro de oleo de rícino."
-"Enorme saparia acompanhará o bando."
-"Já não passará despercebido o carnaval em S. Cruz."
-"(a) Pierrot de Colombina". (O Contemporaneo, Ano I nº 41, 5 de março de 1916, páginas 1 e 2). 
Tratou-se, sem dúvidas de bricandeiras do articulista e identificações de maçons da época, sem qualquer efetiva notícia de participação da Loja no Carnaval de 1916.
A partir dos anos de 1930 as festas carnavalescas mostram foliões nos clubes, com nenhuma história significativa de desfiles de ruas. Nos anos de 1940 noticiam-se concentrações defronte aos clubes, exemplos do Soarema e dos Vinte com sedes próximas, misturando-se os participantes.
Nos anos de 1950 são famosas as marchinhas carnavalescas, até a banda tocando no coreto do jardim e o público manifestando-se ao som das músicas. Os casais ou moças e rapazes passeavam pelo jardim, aspergidos por águas de cheiro, confetes e talcos, ou mesmo o 'sangue do diabo' - uma combinação caseira de amoníaco com fenolftaleína, álcool e água, que por algum tempo [segundos] deixava a roupa manchada de vermelho na parte onde atingida, quando não algum ataque mais agressivo com pó de mico ou 'sal da distância' - ingrediente utilizado em riruais mágicos [religiosos de alguns cultos].
Os 'lança-perfumes' eram mais eram mais restritos aos salões, mas a mocidade inventava misturas para cheiros em lenços umedecidos. 
Nos clubes alguns homens fantasiavam-se de mulheres tipificando que no carnaval elas - as mulheres mandavam. 
Em meado de 1960, [Valdomiro] Eliseu Nascimento e o grupo Amigos do Bairro São José teriam ousado o primeiro carnaval de rua, naquele bairro e em carnavais seguintes avançando ruas do centro da cidade. Com o tempo e outras lideranças tornou-se Império do São José
Não tardou e o Bairro da Estação fundou o seu grupo caracterizado carnavalesco, por volta de 1967, com poucos instrumentos, porém contagiante. Estariam à frente do grupo, logo batizado de California, o Reco Beguetto e o João Andreolli.
As disputas entre o São José e a Estação eram diveridas, ainda que acirradas e os grupos desfilavam pela Avenida Tiradentes, Conselheiro Dantas e Euclides da Cunha.
Já adiante de 1974, João Pitaca - o Pitaquinha, que aprendera 'Carnaval em São Paulo' juntamente com Américo Bruno Filho, para destacar-se carnavalesco e fundar em Santa Cruz do Rio Pardo, juntamente com Ubirani Gonçalves, a 'Escola Unidos da Baixada', cantando os primeiros samba-enredos culturais homenageando destaques do município - o café e o algodão, e os nomes ilustres ou famosos, como Tonico Lista, os irmãos Villas Boas, com letras João José 'Dedé' Corrêa, Umberto Magnani e outros, musicadas por Mário Nelli e o próprio Ubirani, além dos nomes esquecidos no tempo. 
Pitaquinha residiu por anos em São Paulo aos fundos da casa da avó de Américo Bruno Filho e ambos passaram alguns carnavais em Santa Cruz do Rio Pardo, destacando-se Pitaca como bom  formador de grupos de foliões, repassando aprendizados adquiridos junto aos carnavalescos da Penha. 
Por alguns anos, após 1978, o carnaval de rua ganhou desataques, a Califórnia agregando-se com a Unidos da Baixada, criando dissidência na Unidos que migraram para o São José e formaram a Escola Império São José.
As intrigas, as ausências de estrutura e auxílio público, encerraram as atividades carnavalescas de ruas, ficando os espetáculos mais para os Clubes, sendo destacado o Carnaval no Ginásio Aniz Abras. Com a decadência do Clube dos Vinte e, mais adiante, a não autorização para brincadeiras do gênero no Ginásio de Esportes, somente o Icaiçara Clube manteve inalterado programação carnavalesca, às vezes incrementada com decorações de artistas plásticos da cidade, destacando-se Plinio Rigon. 
Desde o carnaval de 2000 as tradicionais escolas não mais desfilaram em Santa Cruz. No carnaval de 2003 as Escolas Pequerrucho e Objetivo fizeram desfiles, com os blocos dos pais, dos professores e dos alunos, procurando o resgate das marchinhas carnavalescas, mas o grande nome estava com a Unidos de São Benedito, com o seu carnaval cristão idealizado pelo Padre Esdras Moraes Freire, quatro anos antes. 
Sem verbas ou interesses do poder público e empresarial para desfiles das escolas de samba, em 2003 a Prefeitura Municipal por concursos de blocos carnavalescos - em média de dez integrantes e carros alegóricos opcionais, com julgamentos e distribuições prêmios quanto a originalidade, criatividade e harmonia, e isto foi um fracasso.
Em 2004 se pensou numa escola independente sob o nome 'Unidos por Santa Cruz'.
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3.6.13.  OUTRAS BANDAS, ORQUESTRAS E CONJUNTOS
Outras bandas e conjuntos musicais santacruzenses, cada qual a seu tempo, marcaram época e foram sucessos na cidade e região.
'Conjunto da Saudade' fazia sucesso nos anos de 1920, inicialmente com Francisco Rios, Guilherme Wolf e José V. Sobrinho entre outros integrantes. Nos anos de 1960, o 'Conjunto da Saudade' estava em atividade com os músicos Antonio Alves Farias, Arcílio Mardegan, Dante Saleme e Helio Castanho de Almeida, apresentaram-se inclusive a Televisão - TV Excelsior, em 1968.  
Nos anos de 1930 era atuante a 'Banda do Rios'.
O ‘Conjunto Serenata’, em 1968, tinha no Professor Messias de Brito o seu intérprete nas músicas românticas, já saudosismos para a época.
Nos anos de 1970 as 'Fanfarras das Escolas Estaduais' em Santa Cruz do Rio Pardo encantavam a todos com suas apresentações oficiais, destacando-se aquela ou aquelas que estiveram sob o comando do Maestro Excedil Magnani Filho. 
Exedil, com morte acidental no final dos anos de 1990, foi grande musico e maestro, e seu nome foi dado à Fanfarra Municipal de Taquarituba. 
Em 2010 o grande sucesso popular estava com o grupo Borogodó do Samba, liderado pelo músico Ubirani Gonçalves.
No clássico, a Camerata formada e liderada pelo músico [professor e autor] José Magali Ferreira Junqueira.
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3.7. CASAS DE PROSTITUIÇÃO
A prostituição é fenômeno social desde o Brasil Colônia, não bem estudado e relegado à marginalidade histórica, à exceção de alguns tratados sociológicos em ultimo quartel do século XX, onde as prostitutas vistas como classe social de excluídos. 
Alguns outros trabalhos ditam as relações prostituição / criminalidade, ou os deslocamentos das zonas para locais afastados à medida dos avanços urbanos.
Atualmente são bastante discutidas as causas da prostituição no Brasil, o que não é o objeto deste estudo para Santa Cruz do Rio Pardo. Cumpre aqui, apenas, a constatação de existência da zona do meretrício na Santa Cruz do Rio Pardo do século XIX, dentro da tolerância dos conceitos da época e suas implicações dentro das regras da moralidade, da religião, da saúde pública e da conduta social, ou seja, da prostituição como caso de polícia. 
As prostitutas chegaram com os pioneiros e se instalaram um tanto distante do centro urbano. É preciso compreender que a prostituição era entendida, em todo século XIX e grande parte do século XX, numa sociedade machista, como mal necessário para a preservação da moral social e, assim, evitar dramas familiares de moças desonestadas.
Muitas mulheres índias, possuídas por bugreiros, foram encaminhadas à zona do meretrício tão logo as chegadas das famílias. Mulheres pardas, mamelucas ou cafuzas, assinaladas pela escravatura, quase sempre optavam pelo meretrício em troca da alforria. Alguns senhores exploravam as belas mulheres de seus plantéis; outros mantinham suas amantes como donas de casas de prostituições. 
Se a prostituição era útil para conter a impetuosidade sexual dos não casados, preservar os bons costumes, além das iniciações dos jovens na sexualidade, por outro lado as prostitutas eram uma afronta às mulheres do lar, porque os maridos também buscavam formas de prazeres condenáveis de se praticarem com as esposas.
A zona do meretrício santacruzense dos primeiros tempos e duas décadas do século XX situava-se à atual Rua Marechal Bittencourt entre as ruas Euclides da Cunha e Antonio Mardegan. Maria Antonia, jovem dita filha de rameira e dona da principal casa de prostituição do lugar, era a preferido do jovem e ainda solteiro Antonio Evangelista da Silva - o futuro Coronel Tonico Lista. 
Foi na casa de Maria Antonia que Tonico Lista, na noite de 10 de junho 1892, matou dois soldados da Escolta da Diligência e Captura da Força Pública de São Paulo aquartelada em Santa Cruz, para a missão de capturar o fanático líder religioso, o leigo cognominado Frei Manoel que atraía muitos sertanejos e trazia desassossego, pelos lados de São Pedro do Turvo e Campos Novos.
Nos anos de 1930 algumas famílias japonesas adquiriram datas nas proximidades dos puteiros, porque os terrenos eram desvalorizados. Por conseguinte, as instalações de famílias nas imediações dificultavam o comércio do sexo, afastando os melhores clientes, além de infrigimentos legais para a época, quanto á moral, bons costumes e a lei municipal das diversões que proibiam certos ritmos e danças no perímetro urbano, herança do Código de Posturas de 1882 / 1883.
Com a 'chegada dos japoneses' e a intolerância das autoridades, as principais casas de prostituições foram removidas e instaladas em datas ou chácaras situadas nas periferias, uma casa na Carlos Gomes, outras em área pouco habitada da hoje Rua Joaquim Manoel de Andrade, adiante Travessa Alim Zied. No final dos anos de 1940 a zona do meretrício concentrou-se na nas imediações e parte baixa da Rua Porto Alegre (agora Simão Cabral), e as atuais vias públicas João Ferrazini e a Rua Hyram Ramos de Castro, além de algumas casas menores adjacentes, em direção à Rua Carlos Gomes.
A zona permaneceu nessa nova região até a extinção legal da prostituição no Brasil, e então algumas mulheres fixaram residências nas proximidades de um antigo posto restaurante, na Rodovia Ipaussu - Bauru (Rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó), lugar situado aonde o final da Avenida Clementino Gonçalves, com algum putedo em casas decadentes ainda observadas no ano de 2010, com demolição prevista porque instaladas em terreno desapropriado pela Municipalidade para a construção da nova rodoviária.
Algumas casas de diversões, tipo boates com ofertas de sexo, existiram paralelamente à zona do meretrício, constando uma casa nos anos de 1940, à Rua Carlos Gomes, entre os logradouros Marechal Bittencourt e Conselheiro Dantas. Na Santa Cruz dos anos de 1970 funcionou por quase vinte anos a Boate Água Azul, como zona de meretrício de padrão luxuoso, além de lupanares domésticos com ofertas de quartos para encontros furtivos, e um motel foi construído no final de 1980, no alto do Parque das Nações, ainda em atividade [ano de 2010].
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4.  TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO
4.1.  TELEGRAFIA 
O Telégrafo no Brasil foi apresentado em 1852. Já em 1874 um cabo submarino permitia comunicações entre Brasil / América do Sul e Europa, e desde então, de Santos o cabo seguia para São Paulo e interior paulista, com pontos de retransmissões da Companhia de Telégrafos Urbanos para os centros maiores, seguindo o mesmo percurso das linhas férreas implantas e em fase de expansão.
As ágeis correspondências entre a Santa Cruz do Rio Pardo e o Governo do Estado de São Paulo, durante o surto variológico de 1891, realizavam-se através do telégrafo em Botucatu, quando um mensageiro partia, a cavalo em galope até encontrar-se com outro estafeta, também a cavalo e em disparada, e assim quantas vezes fosse preciso para a garantia de chegada urgente da mensagem e sua transmissão imediata às autoridades sanitárias da capital, a tempo de embarcação, por via férrea, das vacinas solicitadas, quando o caso, ou de alguma mensagem em resposta.
Apenas com a chegada da Estrada de Ferro Sorocabana, em 1908, se tem a certeza do uso de telégrafo em Santa Cruz, com serviços disponibilizados às autoridades, em casos de emergências.
Nos anos de 1940, com garantia histórica, o serviço de telégrafo da ferrovia foi disponibilizado ao público, num escritório à esquina da atual Rua Dr. Alziro de Souza Santo, com a Rua Coronel Julio Marcondes Salgado, abaixo do Correio, cujo aluguel era pago pela municipalidade (DOESP, 17 de outubro de 1943, e o Decreto-Lei Municipal nº 37, de 12 de novembro de 1943), mantendo desta maneira Santa Cruz do Rio Pardo conectada com o mundo de sua época, sendo possível correspondência, ainda que indireta ou a depender do rádio-operador,  bastante rápida entre pessoas distantes.
Em dezembro 1952 foi contratado Noir José Rodrigues como primeiro Rádio-Operador na então Agência Postal Rádio Telegráfica de Santa Cruz do Rio Pardo, com aparelhagem efetivamente instalada no mês de maio de 1953. 
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4.2. TELEFONIA
Após a invenção do aparelho telefônico - Alexandre Graham Bell registro de patente nº 174.465, aos 07 de março de 1876, já em 1877 era instalado o primeiro aparelho telefônico no Rio de Janeiro e em 1879 iniciava-se a primeira empresa telefônica do Brasil, com autorização Imperial, para a cidade do Rio de Janeiro, e aos 27 de agosto de 1882 para o estado do Rio de Janeiro, com linha inaugural inaugural entre as cidades do Rio de Janeiro e Petrópolis, em 1883 já contando com mais de cinco mil assinantes, com a necessidade de impressão da primeira lista telefônica no Brasil. 
Consta, todavia, microfilme de uma lista telefônica de 1881, no Museu das Telecomunicações, cujo original encontra-se na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro - (Wikipédia, Lista Telefônica).
No ano de 1883 são instalados em Santos, São Paulo, os primeiros telefones em território paulista, sob a responsabilidade de Walter Hemsley; no ano seguinte [janeiro de 1884] começam a funcionar comercialmente os primeiros telefones na cidade de São Paulo, instalados pela Companhia de Telegraphos Urbanos.
Em 1896 foi fundada a Companhia Rede Telefônica Bragantina Sociedade Anônima, com sede em Santos – SP, com seus 1641 kms de linha telefônica funcionando em 1916. A sede foi transferida para Bragança Paulista e entrou em funcionamento aos 02 de março de 1908.
Dois anos depois da Companhia Rede Telefônica Bragantina, o governo paulista, pelo Decreto 626, de 24 de dezembro de 1898, fez concessão ao engenheiro Álvaro Rodovalho [Marcondes] dos Reis para 'estabelecimento e exploração de uma rede telefonica ligando as cidades e vilas do estado entre si e a capital', não constituindo tal licença "privilegio ou monopólio, e o concessionário respeitara direitos de outrem legalmente adquiridos."
Quase nada se sabe da extensão e capacidade desse empreendimento de Rodovalho, todavia a telefonia espalhou-se por todo o interior paulista, tão somente a partir de 1905, nos municípios de Matão, Boa Vista da Pedra, Ibitinga e Ribeirãozinho (Decreto 1.317, de 13 de setembro de 1905), Brotas, Pirassununga, Jau, Bariri, Bocaina, Pederneiras e Dois Córregos (Decreto Estadual 1.329 de 16 de novembro de 1905), de Araras, Leme, Rio Claro, Anápolis (Decreto Estadual 133 de 29 de novembro de 1905).
Pouco depois surgia a Companhia Telefônica do Estado de São Paulo, com ligação inicial entre a Capital e a cidade de Santos (Decreto Estadual, 1337, de 27 de dezembro de 1905). No interior as concessões continuavam para os particulares, em ritmo acelerado.
A oficialidade telefônica para Santa Cruz do Rio Pardo ocorreu mediante concessão dada pelo Governo do Estado ao empresário Adolpho Villela de Figueiredo [Figueredo], pelo Decreto nº 1.460-A, de 15 de abril de 1907, de acordo com "a licença para o estabelecimento, uso e gozo ou exploração de uma linha telefonica ligando a cidade de Piraju às de Fartura, Santa Cruz do Rio Pardo e Avaré." Isto implicava um centro onde as instalações da base telefônica e um aparelho para o uso público.
De Figueiredo a concessão foi repassada aos empresários Antonio Almeirindo Gonçalves e Antonio Augusto Mayer Gonçalves (Decreto nº 1.565, de 29 de janeiro de 1908).
Com estes empresários iniciaram-se as primeiras instalações de telefones comerciais e residenciais em Santa Cruz, havendo a necessidade de autorização do governo em prorrogar, "... por seis meses o prazo para início de construção da rede telefonica concedida pelo Decreto nº 1.565, de 29 de janeiro de 1908." - (Decreto Estadual nº 1.646, de 31 de julho de 1908).
A Câmara Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo outorgou licença de operação aos referidos empresários, conforme sessão de 15 de julho de 1908. Num referência pela Câmara Municipal é informado que em 23 de outubro de 1908 os identificados concessionários, Almeirindo e Mayer, transferiram a empresa para Antonio Augusto Freire de Oliveira (Câmara, Livro de Contratos, 09 de abril de 1910). Freire é o sócio representante dos empresários José Fernandes Esan e Maurílio Ribeiro Freire.
As obras tiveram início em 15 de maio de 1909, quando uma garrafa com expedientes da solenidade foi enterrada defronte ao prédio da dita empresa telefônica, situada à atuais ruas, Joaquim Manoel de Andrade esquina com a Catarina Etsuko Umezu, e que foi encontrada três décadas depois, onde então, na época, instalada a Prefeitura Municipal - (A Cidade, edição de 05 de março de 1939).
Freire, aos dezesseis de setembro de 1909, transferiu a licença de operação a Antonio Augusto Mayer Gonçalves. Segundo a Câmara Municipal, e os serviços foram concluídos "mais ou menos dentro do prazo concedido iniciado e provisoriamente instalado, achando-se funcionando mais ou menos regularmente até nesta data [09 de abril de 1910]." (Câmara, Livro de Contratos, 09 de abril de 1910).
O primeiro telefone comercial anunciado em Santa Cruz do Rio Pardo pertencia à Casa Oliveira Borges e Cia, no Largo da Liberdade, registrado sob nº 15 (Cidade de Santa Cruz, ano II nº 73, edição de 05 de junho de 1910, página 4).
O hebdomadário, Cidade de Santa Cruz (Ano II nº 92), trouxe à página 3 propaganda da Empresa Telefônica Santa Cruz, sob a direção dos empresários Alfredo Soares Marcondes e Emilio Mory, anunciando: "Esta empreza resolveu fazer grande reducção nos preços das installações dos apparelhos, assim é que a mesma aluga os apparelhos por 20$000 durante todo o tempo que os srs. assignantes quiserem conserval-os e mais o pagamento de 10$000 mensaes." De acordo com a propaganda publicada, o concerto dos aparelhos fica por conta da mencionada empresa, salvo em caso de danos propositais, além da informação que "brevemente esta linha estará ligada a Irapè e São Pedro do Turvo, e a linha de Salto Grande está sendo passada por completa reforma."
Não se tem nenhum exemplar de lista telefônica da época, mas sabe-se que era uma folha de papel tipograficamente impressa com os números dos telefones e proprietários, por volta de 1910,  posteriormente encadernados com o aumento de usuários inscritos.
Em 01 de junho de 1911 a operadora de telefonia foi transferida dos sócios Alfredo Soares Marcondes e Emilio Mory para João Baptista de Souza Meirelles, "livre de quaesquer ônus." (Cidade de Santa Cruz, Ano III nº 113).
Marcondes e Mory, cunhados, foram responsáveis, juntamente com Francisco de Paula Goulart no desenvolvimento da região da alta Sorocabana, adiante da Fazenda Montalvão - Quatá, e outras localidades limítrofes, progredindo os urbanos, entre os quais e principalmente Presidente Prudente. A Fazenda Montalvão fora propriedade do Coronel Tucunduva e do advogado e historiador e Amador Nogueira Cobra, este ultimo citado por Taiar, em Cidades, Presidente Prudente.
O sistema telefônico era magnético, girando uma manivela para dar acesso à telefonista que, então, fazia a ligação solicitada, quando local, ou a outra telefonista do lugar desejado e esta acionava o número pedido, em casos interurbanos. A chamada interurbana nunca era imediata, e às vezes, quando não havia ligação direta entre as localidades, era repassados por diversos postos intermediários.
A despeito da Companhia  Telefônica do Estado de São Paulo desde 1905, operando e encampando redes telefônicas no interior paulista, Santa Cruz do Rio Pardo manteve-se rede particular e assim encontrava-se quando a nacionalização da canadense Brazialian Telephone Company e suas subsidiárias que operavam majoritariamente no Brasil, inclusa a Companhia Brasileira de Telefone - CBT. Era a estatização das telecomunicações no Brasil.
No ano de 1965 a Câmara Municipal aprovou projeto nº 1/65 que se transformou em Lei Municipal nº 242, de 23 de março de 1965, autorizando exploração de telefonia por sistema automático em Santa Cruz do Rio Pardo, com ratificação pela Lei nº 249, de 21 de maio - alterando parte da lei anterior, porém mantendo a sua essência.
Naqueles tempos o município era quem autorizava a CBT reajustar ou corrigir valores de tarifas.
Em 1966 a CBT, com suas subsidiárias e através delas, assumiu o controle da telefonia em todo o Brasil, salvo raras exceções, e posteriormente, em 26 de maio de 1972, o Ministério das Comunicações designou uma concessionária para cada estado ou região geoeconômica, encampando as companhias menores então existentes.-Essa política de exploração dos serviços concluiu-se pela Lei Federal 5.972, de 11 de julho de 1972, com a criação da Telebras. No Estado de São Paulo a operadora seria a Telesp.  Em agosto de 1995 ocorreu a quebra do monopólio estatal das telecomunicações, e a Telesp foi adquirida pela Telefónica [Tefonica], empresa espanhola de telecomunicações, com ampliações tecnológicas e acessos facilitados aos serviços.
-A título de curiosidade, em Santa Cruz do Rio Pardo, até o final dos anos de 1970, o telefone livre da manivela, era preciso apertar um botão para acionar a operadora [telefonista]. 
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4.2.1. TELEFONIA CELULAR
O telefone celular foi a evolução do sistema de comunicação via rádio, com capacitação ampliada de canais, operando por ondas eletromagnéticas com transmissão bidirecional de voz e dados confinada dentro de uma área geográfica, denominada célula, eletronicamente com interseções de linhas e colunas onde contidas ou possíveis as informações. 
A telefonia celular brasileira foi instalada aos 30 de dezembro de 1990, na cidade do Rio de Janeiro, com capacidade operacional de 10 mil aparelhos, sistema bastante limitado e caro. 
A popularização do telemóvel ocorreria a partir de 1992, chegando a Santa Cruz do Rio Pardo em 1996, com solenidade no Icaiçara Clube. 
Numa fase ainda experimental, os primeiros números, a exemplo de ocorridos em outras cidades do interior paulista, foram destinados à Prefeitura que então os distribuiu conforme vontade do Prefeito.
No mês de agosto de 1994 já era possível a utilização de celulares em alguns pontos da cidade, sendo os viajantes e os santacruzenses com dois domicílios, os primeiros utilizadores de aparelhos do gênero. 
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4.3. RÁDIO
Consta um primeiro aparelho de rádio receptor em Santa Cruz do Rio Pardo, no ano de 1928, adaptado de um aparelho de radiotelefonia:
-"Noticias Diversas."
-"Radio-telephonia."
-"Acha-se installado e funccionando com admiravel perfeição, no Gremio Santa Cruz, um superior apparelho radiotelephonia, communicando-nos com as estações de Buenos Ayres, Republica Argentina, Rio e São Paulo. A superioridade do apparelho trará optima distracção a nossa sociedade, que nas horas de descanço, terá opportunidade de saber o que se vae passando pelas grandes Capitaes." - (A Cidade, Ano XIX nº 364).
Para o rádio-operador Noir José Rodrigues, instalaram nas dependências do Clube um rádiorreceptor para que as pessoas pudessem ouvir notícias e outras mensagens transmitidas. "Isso atira-nos aos princípios da popularização do rádio receptor."
Sem a informação exAtamente quando, a tradição santacruzense refere-se ao médico Dr. Pedro Cesar [Cezar] Sampaio o primeiro aparelho de rádio na cidade, colocado no muro de sua residência, e as pessoas então aglomeravam-se para ouvir 'a caixa falante'. 
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4.4.  TELEVISÃO
O primeiro aparelho de televisão em Santa Cruz do Rio Pardo foi ligado em 1963, com antena improvisada, ao lado da loja Santa Cruz Elétrica, antigo endereço à Catarina Etsuko Umezu - então Senador Euzébio de Queiroz, onde depois funcionou, o Banco HSBC [ano referência 2003] - (Debate, nº 1139).
A 'inauguração' coube a Ary Cândido da Silva proprietário da Santa Cruz Elétrica, adquirida naquele mesmo ano de 1963, em sociedade com Wilson Schimidt e José Carlos Vieira de Melo. A Loja, adquirida com todo o estoque incluído um aparelho de televisão, pertencera a Carlos Queiroz então eleito Prefeito. A antena foi levantada ao topo de uma torre de 40 metros, feita em madeira - eucalipto, entrando precariamente as imagens da, então, TV Coroados de Londrina.
Foi o começo e logo outros aparelhos foram instalados, sendo os melhores locais para captações das imagens os altos da cidade, ainda assim com antenas no topo de alguma torre elevada. 
O Rotary Club local empenhou, até com vendas de rifas, para dotar a cidade de primeira torre de retransmissão de sinal de TV, e aos 09 de maio de 1966 a Lei Municipal 299 autorizou a montagem e manutenção pela Prefeitura Municipal de uma estação repetidora de imagens de televisão. 
A Municipalidade, após algumas experiências de recepção e retransmissão de áudio e vídeo (Lei Municipal 326, de 05 de deaembro de 1966), em 1967, por outra Lei Municipal, foi autorizado a aquisição de aparelhagens para ampliações e melhores qualidades aos serviços de televisão, com o maior número possível de canais.
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4.5.  FAX
O termo fax origina-se do latim 'fac símile' - feito ou que faz igual, sendo um aparelho que, acoplado ao telefone, envia cópias de documentos variados em formato de textos e fotos. 
O fax teve seu primeiro protótipo testado em laboratório no ano de 1926 - Laboratórios Bell nos Estados Unidos, como aperfeiçoamento da patente registrada por Alexander Bain (1843). O aparelho tornou-se evoluido por Gabriel Casottti, especialista em telegrafia sem fio, para a 'Associated Newspaper' (1947), tratatando-se de um conjunto de tecnologias dispostas na época para o telefone, o telégrafo e o fotossensor.
No Japão em 1949, por lá foi evoluído para as formas atuais e tornou-se comercialmente útil a partir dos anos de 1973 - produção em grande escala, sendo um escâner leitor da mensagem, o conversor [modem] que transforma a leitura digital em sinais elétricos que serão transmitidos pela linha telefônica:, no sistema envia e recebe: "Precisamos apenas digitar um número de telefone e apertar um botão para enviar aquele documento urgentíssimo. Mesmo que seja para o outro lado do mundo. Outro diferencial é a rapidez frente a outros métodos de envio de documentos, como correios, portadores, etc. Mesmo contando o tempo de conversão dos dados, scaneamento e impressão, o processo é virtualmente instantâneo." (Rodrigues, 2010: 4).
Funciona com impressa a tinta. Os primeiros aparelhos para Santa Cruz do Rio Pardo surgiram nos escritórios de despachantes policiais, e depois espalhando-se entre advogados, contabilistas e depois para outras profissões e servindo até para uso familiar, pela rapidez e eficácia substituindo ligações telefônicas [que são caras] e correios - lentos. 
Atualmente [2010] o computador via internet tornou o fax obsoleto.  
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4.6.  INTERNET 
A Internet é um conjunto de redes de computadores, através de provedores de acessos, servidores e demais componentes com variedade de recursos e serviços, em escala mundial, possibilitando acesso a informações e transferências de dados, através de comunicação instantânea, compartilhamento de múltiplos arquivos e correspondências eletrônicas.
A popularização da Internet no Brasil coloca o Brasil no grupo primeiro mundista na área das comunicações, pois que os avanços tecnológicos vinculados ao setor não são mais privilégio de minoria. 
Difícil pensar naquilo que a Internet poderia melhorar ou alguma falha a ser sanada, às exceções das conexões e provedores
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5. SISTEMA FINANCEIRO E SEGURADORAS
5.1.  PRIMEIRAS CASAS DE CRÉDITOS
5.1.1.   BANCO DE CUSTEIO RURAL
Surgido de associação entre capitalistas paulistas, a Sociedade Incorporadora foi fundada aos 25 de agosto de 1906, visando incentivo rural aos associados e financiamento às prefeituras / câmaras municipais. A Sociedade Incorporadora contou com o incentivo e participação do Governo de São Paulo, em apólices, a cada um dos bancos organizados e instalados em cidades do estado.
Os Bancos de Custeio Rural nos municípios eram autônomos, cada qual trabalhando com o seu capital e auxílio de governo que também era o agente fiscalizador. Para sua instalação era necessário um quadro de associados, com capital de 100.000$000. 
O quadro santacruzense foi obtido e seu regulamento [estatuto] aprovado em ata de assembleia constituinte levada a efeito em Santa Cruz do Rio Pardo aos 12 de julho de 1908, sendo eleito seu Presidente o advogado Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, conforme publicação em Diário Oficial do Estado de São Paulo de 17 de julho de 1908, página 21.
O Estatuto resultante também foi publicado naquele Diário Oficial de 17 de julho de 1908, páginas 15 - 20, evidenciando que a instalação ocorreu mediante quadro de associados elencado à página 20, onde descrito cada associado com número de ações no valor unitário de 1:000$000, destacando-se a Câmara Municipal com vinte ações; a Sociedade Incorporadora com cinco ações; os senhores Capitão Antonio Evangelista, Coronel Henrique Cunha Bueno [Ilha Grande - Ipaussu], Coronel Olympio Braga [Óleo], com duas ações cada; os demais, completando o quadro de 73 [setenta e três] associados, apresentaram-se com uma ação.
No rol de associados notam-se as presenças das fazendeiras, Dona Anna Braga Negrão - identificada como doutora, e D. Guilhermina Brandina da Conceição, viúva do Coronel Botelho e que convivia com o Capitão - depois coronel Antonio Evangelista da Silva, o Tonico Lista.
O Decreto Estadual n° 1.656, de 26, publicado aos 28/08/1908, página 1, "Approva os Estatutos do Banco de Custeio Rural de Santa Cruz do Rio Pardo, publicado no Diario Official de 17 de julho passado, sob n. 156."
O Banco localizava-se à Rua Visconde de Pelotas (atual Farmacêutico Alziro de Souza Santos, onde depois seria instalada a Loja Benedicto e Carlos - Secos e Molhados.
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5.1.2.  CAIXA ECONÔMICA NO ESTADO DE SÃO PAULO
A Caixa Econômica foi fundada em 1916 (Luz e Góis, 2008: 7 - Tabela II), com a aprovação pelo Decreto-Lei 2.765, de 19 de janeiro de 1917, criada à maneira e semelhança da Caixa Econômica Federal, com propósito de incentivar a poupança e conceder empréstimo a juros menores. A inauguração oficial da Caixa Econômica Estadual ocorreu em São Paulo, no dia 22 de março de 1917 (Cronologia – Nossa Caixa). 
Tratava-se de sociedade de economia mista, com 71,25% das ações ordinárias em mão do Governo do Estado de São Paulo. 
Rapidamente espalhada pelo interior paulista, anexas às Coletorias de Rendas Estaduais, em Santa Cruz do Rio Pardo teve funcionamento autorizado em 1917 - (Cronologia - Nossa Caixa).
A Secretaria da Fazenda do Governo do Estado fez publicar em "Actos do Poder Executivo: nomeando o sr. Aggripino Braga Negrão, para exercer o cargo de escripturário da Caixa Economica de Santa Cruz do Rio Pardo." (DOESP, 07 de dezembro de 1917, página 1).
A efetiva instalação em Santa Cruz do Rio Pardo ocorreu em 1918: "Sabemos que já se acham em poder do sr collector estadual os livros necessários para a escripturação do movimento da Caixa Econômica desta cidade." (O Contemporaneo n. 142 – ano III edição 14 fevereiro 1918, página 1). 
O endereço da Caixa adjunta à Coletoria funcionou onde a Rua Catarina Etsuko Umezu - então Euzébio Queiróz nº 281. Separada da Coletoria de Rendas a Caixa Econômica funcionou na esquina [à direita] das ruas Marechal Bittencourt com a Quintino Bocaiúva, depois na esquina Rua Conselheiro Antonio Prado [à direita] com a Marechal Bittencourt, até sua transferência para sede própria à Avenida Tiradentes [á direita], esquina com Rua Catarina Etsuko Umezu.
Em 1951 a Caixa Econômica funcionava de maneira autônoma do Governo, gerida por um Conselho Administrativo, então entidade autárquica sob a denominação Caixa Econômica do Estado de São Paulo. Tornou-se sociedade anônima em 1971 - Lei 10.430, de 16 de dezembro, e, depois, tornou-se banco múltiplo por Deliberação em sessão extraordinária Assembléia Geral de 28 de dezembro de 1989, para oficialização a partir de 6 de março de 1990, assim equiparando-se a outras empresas bancárias, e teve seu nome alterado para Nossa Caixa - Nosso Banco,
Necessitando adequações ao mercado financeiro tornou-se Banco Nossa Caixa S/A em fevereiro de 2001, e, pela Lei nº 10.853, de 18 de julho de 2001, o Governo de São paulo foi autorizado vender 49% de suas ações e isto retirou da empresa. definitivamente, o perfil de empresa pública.
Em 20 de novembro de 2008 o Banco do Brasil S/A adquiriu a Nossa Caixa.
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5.1.3.  OUTRAS AGÊNCIAS BANCÁRIAS 
Outras agências foram se instalando em Santa Cruz do Rio Pardo, algumas chegando aos dias atuais.
Banco do Brasil: Primeiro banco a operar no País, abriu sub-agência em Santa Cruz do Rio Pardo em 1941 (A Cidade, Ano XXXII nº 1532), funcionando por anos na Avenida Tiradentes, transformando-se em Agência, atualmente à rua Benjamin Constant. 
Banco América do Sul: No ano de 1941Santa Cruz do Rio Pardo possuia Agência do Banco América do Sul, à Rua Marechal Bittencourt, nº 701, conforme anúncio publicitário em A Cidade (Ano XXXII nº 1537). Encerrou atividades. 
Banco Nacional da Cidade de São Paulo: Inaugurou sua agência em Santa Cruz do Rio Pardo aos 15 de abril de 1942 (A Cidade, Ano XXXIII nº 1554). Encerrou atividades.
Banco do Estado de São PauloNo semanário A Cidade (Ano XXXIII nº 1554 - publicidade), a Agência do Banco do Estado de São Paulo funcionava em Ourinhos, mas atendia também clientes de Santa Cruz do Rio Pardo, em especial os pequenos agricultores, com garantia de penhor agrícola. 
Apenas em novembro de 1948 o Banco do Estado de São Paulo [Banespa] recebeu Carta Parente para a instalação de agência em Santa Cruz do Rio Pardo (Diário Oficial da União, 6 de novembro de 1948).
O Banco Santander adquiriu controle do Banespa, com as transferências de ações, em 2001.
Banco Comercial: Instituição financeira controlada pelo advogado e capitalista José Maria Whitaker (1878-1970), foi fundado em 1886, como um dos quatro bancos paulistas da década de 1880. Abriu agência em Santa Cruz do Rio Pardo, à Avenida Tiradentes, então no número 89, onde hoje o Banco Itaú, ao qual incorporado o Banco Comercial, em 1974. 
Consta presença em Santa Cruz desde os anos 1910, num prédio defronte sua atual agencia pelo  fusionado Itau / Unibanco.
Banco Indústria e Comercio Santa Catarina: Instituição financeira conhecida, à época, por Banco Inco,   teve agência instalada em Santa Cruz do Rio Pardo nos anos de 1960, onde funcionou até sua aquisição / incorporação pelo 'Banco Brasileiro de Descontos - BRADESCO', em 1968, em atividade.
Banco MercantilO maior banco particular dos anos de 1960, também conhecido por Finasa, instalou sua agência em Santa Cruz à avenida Tiradentes com a rua Conselheiro Dantas, até sua aquisição pelo Banco do Brasil em 2002, encerrando atividades.
Caixa Econômica Federal: Fundada em 1861, somente abriu sua agência em Santa Cruz do Rio Pardo aos 9 de abril de 1960, à Rua Marechal Bittencourt, onde permaneceu até 1979, quando transferida para prédio próprio à Avenida Tiradentes nº 352 (Debate, edição 1588, de 13 de fevereiro de 2011, informação pela gerente Sandra Cristina da Silva). 
Quase um década antes se projetou agência na localidade. Matéria jornalística de 8 de julho de 1951 (A Cidade, Ano XLII nº 1535) anunciava:
-"Agência da Caixa Econômica Federal"
-"Por via telegrafica, o deputado Leonidas Camarinha deu-nos a grata noticia da creação nesta cidade da Agencia da Caixa Economica Federal."
-"É mais uma importante repartição que teremos graças ao notavel trabalho do dinamico deputado que tão bem quer esta terra e este povo."
Bank Brasil S/A Banco MúltiploConhecido pela sigla HSBC instalou Agência em Santa Cruz à Rua no final doa anos 1980 início de 1990, à rua Catarina Umezu, até sua transferência para a Avenida Tiradentes.
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5.2. SEGURADORAS
5.2.1.  COMPANHIA SUL AMÉRICA DE SEGUROS
Em maio de 1902 funcionava em Santa Cruz do Rio Pardo a Companhia Sul América de Seguros, oferecendo "toda segurança e amparo das familias, logo que os seus chefes desapareçam" para a qual "bastará uma mesquinha economia annualmente, a qual mais tarde poderá servir de amparo aos seus caros, ao proprio segurado, caso elle attingir com vida o tempo determinado no contracto de 10, 15 ou 20 annos, constituindo neste ultimo caso, uma caixa economica para si mesmo." (Correio do Sertão, Ano I nº 11). 
Disputava clientela com a Sociedade Nacional de Seguros. Não se sabe qual delas a pioneira em Santa Cruz, se chegaram juntas ou se antecedidas por alguma outra empresa do ramo.
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5.2.2.  SOCIEDADE NACIONAL DE SEGUROS 
No início do Século XX a 'Sociedade Nacional de Seguros Mútuos sobre a Vida', em Santa Cruz do Rio Pardo era representada pelo Dr. Francisco de Paula Abreu Sodré e o advogado e promotor público Dr. José Amadeo Cesar. 
O anuncio e a divulgação trazia o título 'Garantia da Amazônia', com sede no Pará, e as subsedes em São Paulo e Rio de Janeiro.
Na imprensa local o anuncio, inclusive, informava: "O abaixo assignado, tem a honra de convidar o respeitavel publico desta importante localidade de effectuar seus seguros nesta muito acreditada e respeitavel sociedade, actualmente a mais importante e a mais vantajosa." Assinava ou emprestava seu nome "O Representante da 'Garantia da Amazonia' – Ferreira de Mello" (Correio do Sertão Ano I nº 20).
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5.2.3.  A 'ECONOMISADORA'
Em janeiro de 1903 anunciava-se em Santa Cruz a 'Sociedade Anonyma de Previdencia e Economia', sediada no Rio de Janeiro, co objetivos em "(...) promover o bem estar de todas as classes sociaes, garantindo-lhes um peculio de Capital e renda, tomando por base de suas operações a GUARDA, AUGMENTO E DESENVOLVIMENTO de pequenas economias emitte quatro especies de apolices, incluindo a Infantil, com premio total de 2:400$000." (Correio do Sertão, Ano I nº 45).
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5.2.4.  UNIÃO PAULISTA - SOCIEDADE MUTUALISTA
Em 1917 funcionava em Santa Cruz do Rio Pardo a 'União Paulista - Sociedade Mutualista', vista em um seguinte anúncio datado de 27 de abril de 1917, assinado pelo Agente Constancio Carlos da Silva:
-"Aviso aos mutuarios desta Sociedade mutualista que, de ordem da Directoria, o mappa demonstrativo das prestações mensaes será encerrado impreterivelmente no dia 5 de cada mez, não recebendo dahi em diante prestação alguma, qualquer que seja o motivo."
-"Estão, porém, isentos dessa exigencia as cadernetas das séries União e Quarta, devendo os interessados dirigir-se directamente ao escriptorio da Sociedade." (O Contemporaneo, ano III nº 101). 
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6. A AGRICULTURA E OS SERVIÇOS INTERLIGADOS
6.1.  ZOOTECNIA
Em 1911 criou-se para Santa Cruz do Rio Pardo uma Estação de Zootecnia, na Rua Duque de Caxias, fundo com o Rio Pardo e divisa com Ribeirão São Domingos, terreno adquirido de Julio de Cerqueira Cezar, por compra, conforme Lei Municipal nº 165 de 27 de fevereiro de 1911 (Cidade Santa Cruz, Ano III nº 106 - publicação), serviço voltado à saúde animal. 
Neste lugar foram alojados os animais importados para reprodução, bois, cavalos e outras espécies, para melhoras e apurações de raças, aquisições em 1910, no Governo Olympio Rodrigues Pimentel (A Cidade, Ano II nº 84). 
O lugar também serviu de estadia para animais apreendidos pelos fiscais da Municipalidade, e localizava-se onde em 1926, numa parte de seu terreno, foi construído o Matadouro Municipal. 
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6.2.  EXPURGO
Em 1921 mencionou-se 'Fiscal do Expurgo' o senhor Rodolpho Antonio da Silva, residente à rua Saldanha Marinho, num aviso: "A todos os snrs. proprietarios de machinas de de beneficiar algodão, neste municipio, que de ora em diante não poderão fazer despacho de sementes ssem a competente guia fornecida por esta fiscalização, e os que por ventura encontram em seu poder passados anteriormente ao presente aviso ficam sem effeito desde esta data, devendo serem substituidos por outros." (Cidade de Santa Cruz, Ano XII nº 43).
A nomeação de Rodolpho constou na edição nº 42 do mesmo semanário 'Cidade de Santa Cruz'. 
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6.3.  DELEGACIA REGIONAL AGRÍCOLA
Em 1957, pelo Decreto Estadual nº 30.277, de 03 de dezembro do mesmo ano, dispõe sobre a criação da Delegacia Regional Agrícola de Santa Cruz do Rio Pardo.
No ano de 1961 foi designado Delegado Agrícola o Engenheiro Agrônomo Georgino Coelho (O Regional, ano 10 nº 76, 18 de junho de 1961).
Em 1964 publicação em Diário Oficial do Estado de São Paulo, revela-nos o Dr. Clodomiro Caricatti no exercício das funções de Zootecnista em Santa Cruz do Rio Pardo, como funcionário do Departamento da Produção Animal da Secretaria Estadual da Agricultura (DOESP, 16 de janeiro de 1964, página 48).
Algum tempo depois Caricatti seria designado Delegado Agrícola.
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7. DIAGNÓSTICO DO MUNICÍPIO EM 1926
Em 1926 estava prefeito em Santa Cruz do Rio Pardo o advogado Dr. Pedro Camarinha, em lugar de Leônidas do Amaral Vieira, afastado desde 02 de junho para assumir o Comando Legionário do Batalhão Ataliba Leonel, aquartelado na cidade de Botucatu.
O Comando Legionário: "... criado para dar combate a grupos revolucionários, como de 1924. Tinha formação civil, mas com feições nitidamente militares, com rígida hierarquia, treinamentos intensivos, patentes, exclusões e premiaçoes solenes. Cada batalhão recebe um nome, geralmente escolhido entre os políticos mais influentes, Ataliba Leonel, nesse tempo, era deputado federal influente, que geralmente cuida dos interesses de Botucatu e região." (Pupo: Botucatu Antigamente  II parte 1: 84).
O então prefeito Pedro Camarinha prestou contas de seu governo à Câmara Municipal, matéria publicada em fevereiro de 1927 pelo hebdomadário 'A Cidade' (Ano XVIII nº 302), incluso período do governo de Leônidas do Amaral Vieira, cuja sinopse adiante revela um governo com pretensões, senão à transparência, ao acréscimo curricular do líder maior para futuras pretensões políticas.
A Administração Amaral Vieira / Camarinha enfrentava dificuldades financeiras, dívidas vultosas contraídas em administrações passadas, cujo valor "beira a casa de mil contos de réis.", o que significava um milhão de réis, para arrecadação efetiva, em 1926, de 228:750$160 e saldo de 16$100 para o exercício seguinte.
A moeda brasileira era e é lastreada em ouro. O réis (Rs.), período de 08/10/1833 a 31/12/1942, tinha paridade de Rs. 2$500 por 1/8 de ouro de 22 K (Lei nº 59, de 08/10/1883 - fonte Banco do Brasil S.A.), ou seja, por 1/8 de onça - [oz], o que equivale a 3,54369039 gramas daquele metal.
Nestes termos, para o valor atual da dívida aproximada de 1926 basta a cotação do dia para o grama de ouro.
Assomavam-se às dividas, a obrigatoriedade do município para a legalização das "... situações dos municípios  que se constituiram com o desmembramento do território de S. Cruz do Rio Pardo.";  a colaboração com a Cruz Azul prestadora de benefícios e amparos aos soldados [policiais] e familiares; aquisição de mobiliários para o posto policial; lavagens de roupas da população carcerária; e despesas com abastecimento de água para o Grupo Escolar. 
O problema com o abastecimento de água para o Grupo Escolar era crônico, nem dois anos de funcionamento, em 1917 já se contruia o segundo poço em causa do esboroamento do primeiro, e enquanto o assunto não resolvido a água era "... carregada da bica do bairro de S. José" (O Contemporaneo, Ano IV nº 112), e esta serventia não era apenas para o Grupo Escolar, mas em algumas vezes a Cadeia Pública e a Santa Casa, diante de qualquer emergência de falha nas bombas ou nos postos de abastecimentos. 
Tradições apontam a 'Bica do São José' na atual Rua Antonio Evangelista da Silva, à direita em direção ao alto do bairro, à margem do Ribeirão São Domingos, em local pouco adiante da Ponte da Ponte da Conselheiro Antonio Pardo em direção ao Bairro.
O município auxiliava ou subsidiava outros serviços, ainda que particulares, considerados essenciais à população, anunciava o prefeito naquela matéria: "Com o fito de fomentar a propagar a industria, devidamente auctorisada, esta Prefeitura concedeu favores á fabrica de lacticinios de propriedade do senhor Joaquim Theophilo de Mello e á Agencia Ford para a instalação de uma boma de gazolina de ar comprimido. A Empreza Funeraria, que explorava o serviço de enterros, gozando de certas prerrogativas, falliu."
O Prefeito em exercício informava das obras inadiáveis como a construção intensiva de sargeteamento da cidade, o calçamento do jardim público, cuidados com cemitério - serviços de manutenção, enquanto os problemas com o abastecimento de água à população e a rede de esgoto são problemas que afligem a cidade. Não existe água encanada que chegue às residências, ainda são regos d'água e chafarizes, e águas servidas são lançadas nos quintais, são comuns as latrinas ou as coletas domiciliares para lançamentos no Rio Pardo.
O alcaide admitia: "A dolorosa verdade é que, nesta cidade, tudo está por fazer.", para, em seguida, arrematar: "Se não é a obra do Genesis, há, entretanto, pontos de affinidade..."
Camarinha, após o queixume sobre a dívida herdada, enumerou as obras realizadas em seu governo, apresentando em primeiro plano os reparos nas estradas para Bernardino de Campos, Espírito Santo do Turvo, Chavantes, Ipaussu e São Pedro do Turvo; reforma da ponte do [Bairro] Alecrim.
Das realizações urbanas Camarinha destacou o abaulamento das vias públicas, com revestimentos em pedregulho, e o alargamento da Avenida Tibiriçá "em direcção à esplanada da Sorocabana.", além do emplacamento da cidade e construções de bueiros e sarjetas. Também deu combate à formiga saúva, insetos himenópteros da família dos formicídeos - gênero Atta, pesadelo dos santacruzenses pelos grandes estragos às plantações, desde a fundação do lugar, motivo de matéria jornalística seriada em 1902 (Correio do Sertão, edições de 1902).
O Prefeito, nessa série de medidas no exercício de 1926, determinou a desativação de uma Pedreira situada na Rua Conselheiro Antonio Prado - parte que na época chamava-se Rua Paraná, junto ao Ribeirão São Domingos.
Santa Cruz tinha outra pedreira localizada à margem esquerda do Rio Pardo, cujos vestígios ainda hoje observáveis, e que em 1902 já dava margem às reclamações populares (Correio do Sertão, Ano I nº 23),
como causadora de transtornos pelo arrebentamento de pedras com dinamite, onde pedras alcançavam residências próximas e até no Bairro São José, causando danos aos imóveis e plantas, além dos perigos às vidas, humana e dos animais. 
Outro relevante serviço prestado, voltado à saúde pública e higiene, diz sobre a construção do matadouro de animais para o consumo, sendo complementar à essa construção a obrigatoriedade de transporte de "... carne verde em carroção adequado."
Este serviço era reivindicação camarária desde 1894, e as tradições apontam que no lugar sugerido na época foi levantado precário abatedouro destinado somente a gado bovino, conforme depreendido de seguinte publicação de 1902: "... portanto não é idéa nova si a Camara actual obrigar aos marchantes de porcos a utilizarem-se do Matadouro Municipal, não admittindo o abuso de em qualquer lugar fazer-se o abatimento de porcos ficando o Matadouro, somente para o bovinos," (Correio do Sertão, Ano I nº 2).
O matadouro construído em 1926, identificado como modelo, foi construído junto à barra do Ribeirão São Domingos no Rio Pardo, lugar onde instalado o campo da zootecnia e próximo da antiga ponte que servia a cidade.
Também feito relacionado à saúde pública foi a obrigatoriedade de se transportar de leite 'in natura' para entrega à população, "em carrocinhas adrede preparadas."
Na questão de visual da cidade, o prefeito relacionou entre as obras realizadas, a extinção do cemitério velho, ou seja, o pressuposto da remoção de restos mortais e destruição dos túmulos, o que efetivamente não aconteceu, na totalidade, posto que nos anos de 1940 existiam ainda algumas sepulturas no lugar e, até restos mortais encontrados ainda em 2008 (Debate, 1410 - Ossos são encontrados em obras do Fórum).
Ainda em questão de melhor aparência urbana foi a "... extincção da 'Igrejinha', no chamado 'Largo de S. Cruz', cujos terrenos foram vendidos e estão sendo edificados (...)."
O lugar era considerado o local da primeira Capela em Santa Cruz do Rio Pardo, dos anos de 1856.
Com nova planta cadastral para a cidade, o saneamento com o apoio do Governo do Estado - Área da Saúde, a iluminação pública e outros serviços, procura o prefeito melhores realces à Administração Municipal. Por exemplo, menciona a necessidade de novos contratos com a Companhia Luz e Força
Santa Cruz, atendendo a reclamos populares, para o aumento de iluminação publica urbana sem mais ônus para os cofres municipais, obtendo do "dr. Leal Costa, seu digno presidente a promessa de estudar o assumpto com sympathia e boa vontade."
Dr. Pedro Camarinha encerrou sua 'prestação de contas', com a mensagem: "Eu nutro, senhores Vereadores, uma convicção profunda nos destinos que o futuro preserva à cidade de S. Cruz do Rio Pardo, porque, quando mais não fosse, ella está nas vossas mãos."
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8.  LOTEAMENTOS PIONEIROS
8.1.  CENTRO E O BAIRRO SÃO JOSÉ
O povoamento santacruzense iniciou-se em 1851, com a capela e alguns ranchos na confluência do Rio Pardo com o Ribeirão São Domingos, no lugar conhecido como chafariz, dentro do latifúndio de José Theodoro de Souza, aonde instado para Manoel Francisco Soares, à margem esquerda do mesmo ribeirão, estando do outro lado as terras de Faustino Machado de Oliveira.
Para a ereção de capela, denominada São Pedro e posteriormente Santa Cruz do Rio Pardo, foram doados terrenos às duas margens do Ribeirão São Domingos, para o patrimônio, "a Santa Cruz e Santo Antonio e em parte dos quais estão situados a Vila de Santa Cruz do Rio Pardo e o bairro que faz parte da mesma vila e conhecido pela denominação de Bairro de São José e as divisas dos terrenos doados a Santo Antonio ...". (Cartório Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, Registro Civil de Pessoas Jurídicas e Tabelião de Protestos de Letras e Títulos de Santa Cruz do Rio Pardo, referências dadas e documentadas em Escritura Pública de 05 de fevereiro de 1903, Livro 3-L (antigo) de Transcrição das Transmissões). 
Os territórios assinalados destinavam-se à formação de povoado sob a administração da Igreja, e assim o foi até o ano de 1902, quando a Câmara Municipal "... em sua ultima sessão, votou unanimemente uma lei, decretando a desapropriação, por utilidade pública municipal, dos terrenos em que se acham situados esta cidade e o bairro de S. José. auctoriando, ao mesmo tempo, o sr. Intendente municipal a entrar em acordo com o sr. Vigario da parochia ou com a auctoridade ecclesiastica competente, afim de amigavelmente ser feita a desapropriação." (Correio do Sertão, Ano I nº 39).
Aparentemente sem obstáculos, o Intendente Municipal, Dr. Estevam Ribeiro de Assis Rezende e a Igreja rapidamente concluíram pela transferência dos terrenos da Igreja para a Municipalidade, com a ressalva de a transmitente reservar, para si ou para sua administração, espaços "para as igrejas nos largos da matriz, Santa Cruz, Rosário e no Bairro de São José, o terreno em um largo para uma igreja de Santo Antonio, dois quarteirões para a construção de uma casa de misericórdia, dependências e quintal em pontos ou lugar apropriado para tal estabelecimento e mais dois alqueires de terrenos, cada alqueire equivalente a dois hectares e quarenta e dois ares para um cemitério religioso ..." (Cartório Oficial de Registros de Imóveis, (...), Escritura Pública de 05 de fevereiro de 1903, Livro 3-L (antigo) de Transcrição das Transmissões). 
Deste ato, a entrega do patrimônio da Igreja ou por ela administrado à Municipalidade, a Câmara iniciou as  regularizações de situações dos terrenos ocupados, e os registros das primeiras concessões das datas ou lotes a particulares, mediante pagamento e comprovante de satisfação ao Código de Postura (Câmara SCR Pardo, Registro de Datas de Terrenos, 1905).
Em 1903, a partir da margem esquerda do Ribeirão São Domingos e direita do Rio Pardo, o território dividido para a zona urbana, em grandes datas, já chegava à Rua Conselheiro Saraiva e por ela acima até a Rua José do Patrocínio – atual Antonio Mardegan, descia até a Senador Feijó [Rua Regente Feijó] e desta em direção ao Ribeirão São Domingos – então descendo á direita, até a General Carneiro, a descer rumo ao Ribeirão São Domingos e, por este abaixo, por ruas marginais - sempre a partir do Ribeirão, até sua barra pela Rua General Osório.Do outro lado do Ribeirão já se dizia da Rua Duque de Caxias das ladeiras em direção ao Cemitério, uma pela ponte do Chafariz e outra pela Rua Conselheiro Antonio Prado.
Das partes que a transmitente, a Igreja, reservara para si, destacam-se, o terreno para o largo da Matriz, com acréscimos, é a atual Praça Dr. Pedro Cesar Sampaio; a Igreja Santa Cruz e a praça respectiva foram demolidas e situavam-se entre as Ruas General Osório e Barão do Rio Branco, a do Rosário - atual Igreja São Benedito e Praça Octaviano Botelho de Souza; a Igreja de São José tem a atual Praça Domingos Gabriel; e as: Igreja e Praça para Santo Antonio jamais foram concluídas e não devem ser confundidas com as atuais Igreja Santo Antonio e Praça João Batista Caramujo, no Bairro da Estação.
A limitação urbana da Santa Cruz de 1903, a partir da barra do São Domingos subindo pelo Rio Pardo até onde a Rua Conselheiro Saraiva, e desta à Rua José do Patrocínio, posteriormente renomeada Antonio Mardegan, de onde a descer ao encontro da Rua Regente Feijó [antes Senador Feijó] pela qual rumo às chácaras ribeirinhas do São Domingos e por este até o início desta descrição, considerando que à margem direita do mesmo São Domingos, na altura da atual Rua Conselheiro Antonio Prado, as demarcações correspondiam ao patrimônio de Santo Antonio onde já existente o Bairro São José.
Onde o início da povoação santacruzense, o bairro chamava-se São Benedito (LC. Sodré, 1923: 39), e a Praça tinha por nome Liberdade, com vagas lembranças que ali erguera-se o pelourinho, desativado com a elevação da localidade à condição de Freguesia, todavia nenhuma referência documentada.
Fazendas cercavam os dois patrimônios que formavam a Vila de Santa Cruz do Rio Pardo.
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8.1.1.  VILA SAMARITANA
Adiante do núcleo urbano santacruzense, subindo o Pardo, adiante da Conselheiro Dantas até encontrar-se com a atual Conselheiro Saraiva - que em seu início tem o nome Padre Pio Giocondo Lorgna, existiam chácaras e datas entre a marginal do mesmo Pardo e a atual Rua Joaquim Manoel de Andrade.
-Entre as datas uma delas serviu de parte da zona do meretrício nos anos de 1940, com a desativação das casas na Rua Marechal Bittencourt.
Os principais chacareiros na região foram os senhores Fausto Vieira de Azevedo, Benedito B ou P dos Santos, Pedro Manoel de Andrade, família Martins e José Antonio de Moraes Peixe, este cuja propriedade seguia adiante das demarcações urbanas. 
Com o fracionamento das chácaras formou-se a Vila Samaritana, nome em razão de uma fonte de água que se dizia 'com propriedades minerais', devidamente canalizada e vendida de casa em casa em garrafões e tonéis.
-O médico Aparecido Rodrigues Mouco fez fechar a tal fonte nos anos de 1960, porque a água além de não possuir as propriedades veiculadas, estava contaminada para doenças hídricas. 
Nos anos de 1950, a Vila Samaritana estava formada, conforme Lei Municipal de nº 92, de 09 de agosto de 1957, que desapropria terrenos para as obras da nova Estação de Tratamento de Água da cidade.
Foram desapropriados, conforme citada lei, "Um terreno de formato cuneiforme, de área superficial de 5.847,2 (cinco mil oitocentos e quarenta e sete metros e dois decímetros quadrados), dividindo pelos fundos com o Rio Pardo, na extensão de 44 metros; por um lado com herdeiros ou sucessores de Joaquim Paulino, na extensão de 196,70 metros. Pelas cabeceiras com  Pedro B. dos Santos, e Rua Conselheiro Saraiva na extensão de 20 metros, de propriedade de herdeiros ou sucessores de Pedro Manoel de Andrade (...)." 
Pela mesma lei, foi desapropriada toda a quadra de nº 7 da Vila Samaritana, com oito lotes de sucessores de Fausto Vieira de Azevedo, divisando a quadra com o Rio Pardo e as, então, ruas Azevedo e Martins.
Chama atenção a antiga propriedade de José Antonio de Moraes Peixe em posse de herdeiros ou sucessores de Joaquim Paulino, o que fortalece a tradição quanto ao relacionamento de Paulino com Dona Emerenciana - viúva do Peixe, de quem 'possuiu / herdou' as propriedades. 
Em outubro de 1917 aquele enclave urbano, então do Peixe, era depósito do lixo urbano "(...) d’ora em diante (...) no extremo da cidade, onde esta confina com a antiga Chacara do Peixe, próximo á Chacara do senhor Pedro de Andrade" (O Contemporaneo, Ano III nº 122). 
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8.2.  VILAS SANTA AURELIANA E SIDÉRIA
A partir da Rua Conselheiro Saraiva, entre o Rio Pardo e o Ribeirão São Domingos / Mandassaia, até a Fazenda Serrinha e o Bairro do Mandassaia, existiam duas fazendas situadas num todo que pertencera a Manoel Francisco Soares. 
A separação entre elas, dentro do limite de suas extensões, era a estrada que, partindo da Rua Euclides da Cunha, conduzia a Espírito Santo do Turvo.
Os domínios eram conhecidos, à esquerda do divisor a Fazenda Santa Aureliana, do advogado e político Olympio Rodrigues Pimentel, e à direita as terras do engenheiro Henrique Kruzman, ausente.
A propriedade de Kruzman foi a hasta pública, citação de 1909, e arrematada por Antonio Evangelista da Silva - o Coronel Tonico Lista, que a repassou ao ruralista José Antonio de Moraes Peixe, assim conhecida como Fazenda do Peixe.
Por volta de 1910, Dr. Olympio - prefeito (1908 / 1910) e deputado estadual a seguir, transformou parte de sua fazenda em lotes para vendas, nas proximidades do perímetro urbano, e chácaras mais distantes, sob a denominação Santa Aureliana - uma homenagem à esposa. 
Um primeiro documento oficial, de 1912, menciona a Chácara Santa Aureliana, quando da desapropriação, para utilidade pública, de duas datas de terrenos, sendo uma a que limita-se: "... por um lado com a estrada da Mandaçaia, pela frente com terrenos do mesmo patrimônio, e pelos fundos com terrenos da Chacara Santa Aureliana, de propriedade do Dr. Olympio Pimentel, e por outro lado, (...) pertencente ao mesmo Dr. Olympio Pimentel (...)." (Lei Municipal nº 193, de 17 de setembro de 1912). 
O terreno em questão corresponde ao atual patrimônio público onde instalada a empresa Qualitá Veículos - referência 2010.
A partir da desapropriação iniciaram-se alienações de lotes adjacentes à Rua Conselheiro Saraiva, para a formação da denominada Vila Sidéria. 
Sem ao certo porque o nome Sidéria, palavra grega com significado aproximado 'aquilo que se quer ou pretende da vida', os autores encontraram possível [e discutível] relação com a ópera Sidéria do compositor brasileiro paranaense, o curitibano Augusto Stresser, sucesso em 1912, coincidência ou não ao ano do surgimento da Vila de igual nome em Santa Cruz. Stresser denominou sua obra em homenagem à filha Sidéria.
A Vila Sidéria dos primeiros tempos era maior que a atual, com início desde onde atualmente localizado o templo religioso católico romano, Nossa Senhora de Fátima, consideradas informações, de 1941, quanto a localização do edifício agregado, outrora de serventia para o Colégio Apostólico Dominicano (A Cidade, ano XXXII nº 1511).
No lugar hoje Praça Carlos Queiroz estava o Asilo São Vicente de Paulo e, ao lado, um parque infantil, todos então situados na Vila Sidéria, dentro da propriedade que no início do século XX pertencera engenheiro Henrique Kruzman, cidadão do qual nada se sabe, senão que abandonou aquelas terras e o município, já considerado legalmente ausente em 1909.
A faixa considerada a inicial da Vila Sidéria tinha largueza confinada pela Rua Conselheiro Saraiva e todo os próprios da Igreja Católica, seguindo em direção a Rua Euclides da Cunha para daí, à direita, alargar-se até a Rua José Zacura, descendo em direção aos Ribeirões Mandassaia e São Domingos. 
Na altura da Rua Antonio Mardegan, pela Conselheiro Saraiva, as divisas da Vila Sidéria seguiam pouco abaixo, pela Rua Regente Feijó, rumo ao Ribeirão São Domingos.
Acima da Rua Euclides da Cunha, em direção ao Ribeirão São Domingos, toda a extensão considerada Vila Sidéria foi propriedade do advogado Olympio Rodrigues Pimentel. Algumas datas e chácaras foram postas a vendas. A partir da Rua Euclides da Cunha e Simão Cabral (antiga Rua Porto Alegre) em direção ao Ribeirão São Domingos, entre outras se estabeleceram as famílias numerosas: Cabral, Correia [Corrêa] e Ferrazini.
Em 1931 e 1932 a Vila Sidéria era importante para Santa Cruz do Rio Pardo e destacada como palco de grandes apresentações futebolísticas, no campo da Associação Operária Santacruzense que, posteriormente, cederia o lugar para a Associação Esportiva Santacruzense.
O hebdomadário 'O Trabalho', anos 1931 e 1932, mencionou a progressiva vila em suas edições (Ano I  nºs 17 e 50).
Tal o progresso da vila e população crescente, que se pensou numa escola, e o cidadão Felippe Correia, juntamente com sua mulher, dona Martha Maria Correia, doaram ao Governo do Estado um terreno de 8 mil metros quadrados para a construção de um Grupo Escolar, consoante Lei Estadual nº 2.680, de 28 publicado em Diário Oficial do Estado de São Paulo aos 29 de setembro de 1936.
A construção não se realizou e o terreno foi revertido ao doador, conforme publicação em Diário Oficial do Estado de São Paulo, de 13 de junho de 1950 - Lei Estadual nº 731, de 12 de junho do mesmo ano.
O terreno limitava-se "pela frente com a Rua Maceió onde mede 100 m (cem metros), pelos fundos, com a Rua Recife, onde mede 100 m (cem metros), e pelos lados com as Ruas Porto Alegre e Manaus, tendo em cada um 80 m (oitenta metros) de extensão" (DOESP de 13 de junho de 1950). A Rua Porto Alegre é a atual Simão Cabral.
A esclarecida faixa inicial da Vila Sidéria tornou-se centro expandido, e o território encolheu para as atuais dimensões, repartidas com a surgente Vila Santa Aureliana.
Com estas considerações, é fato que Vila Santa Aureliana propriamente dita formou-se a partir da Rua José Zacura, ou adiante da Vila Sidéria.  
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8.2.1.  VILA DOS OITENTA
Entre os centros populacionais surgidos da Vila Santa Aureliana / Vila Sidéria, merece destaque a formação da Vila dos Oitenta, a  tratar-se de loteamento inicialmente não planejado e sem autorização municipal, ou seja, clandestino, com início nos ultimos cinco anos de 1950.
Em 1964 a Câmara Municipal aprovou o Projeto 36/1964, transformando-o em Lei Municipal nº 221, de 03 de setembro daquele ano, autorizando o registro e a autorização de referido loteamento, quando mais de 1/3 do loteamento já edificado, segundo consta na própria lei.
Da Vila dos Oitenta, contam as memórias, seriam oitenta lotes que o vendedor distribuiu por quadras, para a venda na condição de cada lote com imóvel construído, para um terreno vazio destinado à Municipalidade, ficando esta a responsável pela infraestrutura e construção das casas restantes.
A ideação teria sido benéfica ao loteador que viu seus imóveis valorizados, com grandes lucros, além das vantagens notoriamente indevidas, porém usufruídas, pelos responsáveis municipais. 
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8.2.2.  VILA [DO] ASSIS
Dela quase não se ouve mais dizer, porém tratava-se de um território enclavinhado entre as Vilas Sidéria, Santa Aureliana e Vila dos Oitenta, aliás junto com esta ultima teria surgido no segundo quinquênio de 1950, legalizada, ao contrário da Vila dos Oitenta. 
Originou-se de uma chácara pertencente à Família Assis, e a referência legal maior à sua existência surge em Lei Municipal nº 96, de 24 de agosto de 1960, que especifica e denomina Via Pública e dá outras providências:
-"(...)."
-"Fica denominada Rua 'Clemente Ferreira', a rua que partindo da Rua José Zacura, no ponto final da Rua Padre Figueira, segue em direção da Vila Assis, nesta cidade."
-"(...)."   
Atualmente o todo da antiga Fazenda Santa Aureliana compreende outros conjuntos habitacionais, como a Vila dos Oitenta, Jardim Eleodoro (I e II), Vila São Judas Tadeu, Residencial Eldorado, Residencial Morada do Sol, Jardim Viviane, Residencial Graúna. 
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Loteamento rural para formação da Vila Zerrener, no lugar denominado Fazenda dos Pires, resto de Sesmaria, anunciado aos 22 de fevereiro de 1921: "Fazenda dos Pires - (Villa Zerrener) - Comunico aos pretendentes que já estão sendo cortados pelo agrimensor os lotes de terrenos da fazenda dos Pires e que restam poucos à venda. Americo França Paranhos." (Cidade de Santa Cruz, Ano XII nº 13).

8.3.1.  PARQUE DAS NAÇÕES
No ano de 1977, pelo Decreto Municipal 162, de 06 de outubro, foi aprovado o loteamento denominado Parque das Nações, zona rural - Sítio Água dos Pires, de propriedade de Paulo Dias Cassiano, pela empresa Paulo Dias Cassiano Loteamento de Imóveis S/C Ltda.
Situado dentro da antiga Fazenda dos Pires, sítio agregado à Água dos Pires, desmembrado e adquirido quando do loteamento da fazenda.
Sem a infra-estrutura necessária e sem cumprimento às leis da época, o Parque das Nações tornou-se um projeto falido e praticamente esquecido pelas administrações públicas em prejuízo aos compradores. 
Ainda em 2010 o bairro era carente de melhorias e sua população explorada politicamente em períodos eleitorais.
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8.4.  BAIRRO DA ESTAÇÃO
Ainda carente de melhores estudos, mas as primeiras residências foram para os trabalhadores da Estrada de Ferro, e algumas casas nas imediações são vistas em fotos de 1915. Nos anos de 1930, parte da família Beguetto possui terras e reside no lugar, acima da estação ferroviária - outra parte mora no Bairro Rural do Cebolão.
Predominava população italiana ruralista, e nos anos de 1940 e 1950 são vistas pequenas chácaras acima da estação e linha férrea.
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8.4.1.  VILA POPULAR
O aluguel residencial em Santa Cruz do Rio Pardo era extremamente caro e havia déficit de moradias. Alguns poucos proprietários, como Antonio Alves Farias, concentravam dezenas de casas, de padrões variados, para os interessados. 
Com o êxodo rural experimentado em 1960 o problema agravou-se, e surgiram os bolsões de miséria nas periferias mais concentrados no alto do Bairro São José, e acima do Bairro da Estação. Era o fenômeno da favelização.
Para corrigir distorções, o governo optou por conjuntos residenciais prontos e voltados para a população carente, ou seja, projeto de casas populares ou da desfavelização. A Vila Popular, acima do Bairro da Estação, foi um das experiências. 
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8.4.2.  LOTEAMENTOS POSTERIORES
Posteriormente a região foi expandida com outros conjuntos residenciais voltados à população carente, por iniciativa pública e privada, conforme demandas, para surgimentos do Jardim Santa Cruz, Conjunto Habitacional Luiz Brondi, Conjunto Habitacional Nagib Queiroz, Núcleo Habitacional Ettore Cortela, Conjunto Habitacional João Piccin, Parque Itaipu (iniciativa privada), Núcleo Habitacional Oswaldo Cortela, Jardim Vista Alegre, o Conjunto Habitacional Frei Lorenzetti e Jardim São João.
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8.5.  VILA [DO] SAUL
O Capitão Saul Ferreira de Sá teria vendido sua propriedade à família Garcia, que rapidamente a fracionou partes em datas e chácaras colocadas a vendas. 
A área era parte da Fazenda São Domingos, de Manoel Francisco Soares e sucessores, principalmente Balthazar de Abreu Sodré, após 1908. Divisava com as terras de Matias Ban, através da estrada Santa Cruz - São Pedro do Turvo.
As datas, próximas uma das outras, ficaram conhecidas ainda antes 1920 como Vila do Saul - depois Vila Saul, referência e depois homenagem ao antigo proprietário, segundo tradições, inclusive por pessoas nascidas nos anos de 1914, a exemplo de Sebastiana da Silva Santos, nascida no ano de 1912 - Bairro da Onça / Santa Cruz do Rio Pardo.
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8.5.1.  PARQUE SÃO JORGE
Outrora parte integrante, tal qual a Vila Saul, da primitiva Fazenda São Domingos, o bairro residencial denominado Parque São Jorge foi propriedade da família Kawabata que optou pelo loteamento no final dos anos de 1980 e início de 1990. 
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8.6.  VILA MATIAS
Mathias Ban, iugoslavo naturalizado brasileiro, residia em Santa Cruz do Rio Pardo, fazendeiro, proprietário de curtumeiro e fornecedor de água nas residências. Vendeu seu Curtume em 1951 aos Irmãos Rodrigues - de um dos quais descende Noir José Rodrigues - [colaborador deste trabalho].
Após a venda do Curtume iniciou loteamento de uma área acima do Ribeirão São Domingos, atualmente à esquerda da Avenida Dr. Pedro Camarinha, o documento abaixo transcrito mostra o início do loteamento..
-"Benedicto Villas Boas, Oficial Maior do Cartório do Registro Geral de Hipotecas e Anexos da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo. Estado de São. Etc."
-"Faz Saber que, pelo Sr. Mathias Ban, brasileiro naturalizado, casado, proprietário, residente nesta cidade, foi depositado neste cartorio o memorial e mais documentos referentes a venda em lotes à prestações, por oferta publica, dos terrenos de sua propriedade denominado 'vila Mathias' na Fazenda São Domingos e Monjolinho, deste municipio e comarca com a área de 7 alqueires, ...2... milesimos do alqueire de terras. Iguais a 18 ha. 93 a. e 94,5 ca. que correspondem a 189.394,50 mts 2 com 334 lotes, que faziam parte da Fazenda São Domingos e Monjolinho, nos suburbios desta cidade com a área total de 12 alqueires de terra, anexo ao perimetro urbano desta cidade, adquiridos pela transcrição numero 1.654, feita em 2 de abril de 1932, neste cartório, ficando a área loteada com as seguintes divisas e confrontações: - ‘começa na estaca O, cravada ao lado esquerdo da estrada de rodagem que vai de Santa Cruz do Rio Pardo à São Pedro do Turvo, distante da ponte, na rua Conselheiro Dantas 115 metros e onde existe uma cerca de arame na divisa com a firma comercial ‘Irmãos Rodrigues Ltda.’; daí segue acompanhando a referida estrada de São Pedro do Turvo no rumo de 21º N.O. na distancia de 709 metros, confrontando com a ‘Vila Saul’ até a estaca numero 1: daí segue no rumo de 59º 00’ S.O., na distância de 384 metros confrontando com o proprio Mathias Ban até a estaca numero 2 cravado junto a uma cerca de arame; daí segue pela cerca de arame nos seguintes rumos e distâncias: 30º 38’ S.E., em 188 metros; 83º 45’ N.E., em 160 metros e 38º 00 S.E., em 459 metros, confrontando com Agostinho Santana até a estaca numero 5 e daí continua por cerca de arame no rumo de 59º 00 N.E. na distância de 182 metros, confrontando com a firma comercial 'Irmãos Rodrigues Ltda.', até o ponto inicial destas divisas e confrontações."
-"(...)." (Diário Oficial da Justiça do Estado de São Paulo, número 5, edição de 06 de janeiro de 1952).
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8.6.1.  LOTEAMENTOS ADIANTE
Outros loteamentos adiante da Vila Matias foram formados, a exemplos do Jardim Brasília, Jardim Santana (I, II, III), Jardim Bela Vista, Jardim União e Jardim Planalto.  
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8.7.  VILA FABIANO
Terras de Antonio Fabiano da Silva, num enclave entre as propriedades de Plácido Lorenzetti - atual Aquino Rosso, Abílio da Silva Jardim, Família Tokomoto, Bairro São José e Cemitério Municipal, que nos anos de 1950 para 1960 foram transformadas em loteamento. 
Em 1967 o Prefeito Carlos Queiroz foi autorizado por Lei Municipal nº 417, de 30 de junho daquele ano, a desapropriar toda a quadra 25 do Loteamento Vila Fabiano, por utilidade pública, limitada entre as ruas Santa Maria [atual David Pinhata], São José e Francisco Carlomagno [Santa Anna].
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8.7.1.  VILA MADRE CARMEM E MARISTELA
Pela Lei Municipal nº 316, de 23 de setembro de 1966, Santa Cruz do Rio Pardo aderiu ao Plano Nacional de Habitação - COHAB [Companhia de Habitação Popular Bauru] para construções de casas populares, e o conjunto de casas construídas recebeu a denominação de Vila Madre Carmem.  
Para as referidas obras o Prefeito Carlos Queiroz 'teria sugerido' a formação de uma construtora, em nome de Osvaldo Cortella, Joaquim Severino Martins e Mário Figueira, sob a denominação de fantasia 'CORMAF', empresa que se tornaria célebre pelos seus contratos públicos para construções habitacionais populares, com mais de treze mil construções, tornando ricos os seus proprietários, especialmente Joaquim Severino Martins - pedreiro e construtor, envolvido em política como vereador, prefeito e vice-prefeito, cacique partidário e um dos homens mais influentes de Santa Cruz do Rio Pardo nos anos 1970 e 1980.
Adiante da Vila Madre Carmem formou-se a Vila Maristela a divisar com a Fazenda União - de Aquino Rosso e o atual Recinto de Exposições José Rosso - doação de Aquino Rosso.
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8.7.2.  BOSQUE DOS EUCALIPTOS
Loteamento semi-urbano promovido por Aquino Rosso Filho, nos anos de 1980, destinado a grandes e luxuosas construções.
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8.7.3.  FAVELAS EM TERRENOS DA USP
A Universidade São Paulo – USP tornou-se proprietária de terras devolutas em Santa Cruz, para futuras instalações de faculdade estadual – Instituto de Letras e Filosofia, pretensão vetada em 1957 pelo governador paulista, Dr. Jânio da Silva Quadros, em represália ao político santacruzense Leônidas Camarinha, transferindo a proposta para Assis: "(o nosso representante na Assembleia Legislativa, o deputado Leônidas Camarinha, teve um desentendimento político com o governador), a faculdade foi para Assis e não para Santa Cruz" (Debate 07/11/2004, matéria 'Professor recebe título de Cidadão Emérito').
  • O Deputado Estadual por Santa Cruz do Rio Pardo, Leônidas Camarinha, em 1954 optara apoiar regionalmente o Dr. Adhemar de Barros para o Governo do Estado de São Paulo, não se deixando seduzir pelas promessas do concorrente, Dr. Jânio da Silva Quadros, em melhorar a cidade e nela implantar a Faculdade História. A despeito de Adhemar ser o mais voltado na região, Jânio Quadros foi o eleito governador e veio à forra contra Leônidas, em prejuízo ao município. (Nota doa autores).
O abandono dos terrenos favoreceu proliferação das favelas denominadas Divinéia e Esqueleto, depois com início de urbanização pelo prefeito Onofre Rosa de Oliveira (1983/1988), concluída pelo sucessor, Dr. Clóvis Guimarães Teixeira Coelho (1989/1992 e 1997/2000).
As melhorias introduzidas por Teixeira Coelho foram inauguradas pelo prefeito Adilson Donizeti Mira (2001-2008), apropriador político da desfavelização.
O Esqueleto teve a denominação para Vila Bom Jardim e Divinéia tornou-se Vila Divinéia.
A USP transferiu/formalizou os terrenos, novamente, para a municipalidade, inclusive aqueles no centro da cidade, atual Rua Catarina Etsuko Umezu, que seriam destinados ao Corpo Docente da Faculdade.
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8.8.  JOAQUIM PAULINO 
Pequeno loteamento confinado por terrenos litigiosos da Vila ou Chácara Peixe, formado adiante da atual Avenida Joaquim de Souza Campos, divisava com Vila ou a Chácara Peixe e por ela cercado
-"A rua da Vila Peixe que parte da avenida Cel. Clementino Gonçalves em frente à rua José Zacura e corta três vias ainda sem denominação, em direção à Vila Joaquim Paulino, fica denominada: 'Avenida Joaquim de Souza Campos'; (...)." (Lei Municipal nº 99, de 24 de agosto de 1960).
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8.8.1.  JARDIM ALVORADA
Decreto Municipal 396, de 10 de junho de 1965, aprovou o plano de loteamento do 'Jardim Alvorada', na zona rural periférica do centro urbano, na 'Chácara Peixe', sendo incorporadores Fernando Tonini Filho, Ernesto Tonini, Luiz Tonini e cônjuges, proprietários dos respectivos terrenos. O Jardim integrou-se à Joaquim Paulino.
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8.9.  CHÁCARA [DO] PEIXE
Com a morte do José Antonio de Moraes Peixe, por assassinato, em 13 de setembro de 1913, sem herdeiros diretos, senão sua esposa e meeira, que se tornou amante do patriarca santacruzense da família Souza Campos, segundo as tradições, e a este a viúva Moraes Peixe, Dona Emerenciana, entregou os seus bens. Posteriormente Souza Campos, repassou aos seus descendentes os bens havidos.
O ex Juiz de Direito, Aser de Souza Campos recebeu a área por doação de seus pais - Joaquim Paulino] de Souza Campos e Azeneth Martins de Campos - em 1927, denominada 'Chácara [do] Peixe', contendo na época uma área total de 95 alqueires paulistas. No cartório o imóvel recebeu a transcrição nº 5.240 em 1938. 
Outros sucessores repartiram entre si a hoje denominada Vila Joaquim Paulino. 
Nas disputas sucessórias as partes foram adquiridas / apossadas por Joaquim [Paulino] de Souza Campos e sua mulher Azeneth Martins de Campos, então proprietários de terras, a partir da atual Rua Conselheiro Saraiva em direção à Fazenda Serrinha, margeando o Rio Pardo e respeitadas as confrontações com as "(...) Rua Benjamin Constant transversalmente, com terreno da Igreja - dos Padres Dominicanos, com a Rua Prudente de Moraes [atual José Epiphânio Botelho] transversalmente, com terreno da Associação Vicentina, com a Rua Quintino Bocaiuva transversalmente, com terreno de João Scarpin ou seus sucessores, com a Rua Euclides da Cunha e estrada de rodagem ao Distrito de Espírito Santo do Turvo (...)." (Decreto-Lei Municipal de nº 12, de 20 de dezembro de 1940). No terreno vicentino, onde hoje a a Praça Carlos Queiroz, localizava-se o Asilo São Vicente, no lugar até 1946.
O mencionado Decreto Municipal nº 12/1940, refere-se a desapropriações de terras da família Souza Campos, para utilidade pública, a partir da Rua Conselheiro Saraiva seguindo pela estrada a Espírito Santo do Turvo [hoje Rua Euclides da Cunha e Avenida Clementino Gonçalves], e divisas (A Cidade, Ano XXXII nº 1491).
A área desapropriada confrontava-se, ainda, com terreno da Igreja Católica, onde em construção o Colégio dos Padres Dominicanos, que se situava na então denominada Vila Sidéria (A Cidade, Ano XXXII nº 1511).
Em 1944 ainda não eram definidas as confrontações da Chácara Peixe e da Vila Joaquim Paulino, tanto que no Decreto Municipal nº 48, de 26 de outubro de 1944, desapropriatório de partes de terras entre outras, aquelas de propriedades de: “Azeneth Martins de Campos, Eufraim de Campos, Aser Martins de Campos, Diná Martins de Campos, Genésio Boamorte e sua mulher Lia de Campos, "herdeiros e sucessores de Joaquim de Souza Campos, situado na zona rural, na 'Chácara Peixe' ou 'Joaquim Paulino', dentro das seguintes divisas; (...)”, citando Elias Gaigher, João Scarpin - pelos sucessores (Decreto Municipal nº 48, de 26 de outubro de 1944), e a própria loteada Vila Joaquim Paulino.
A desapropriação não foi amigável, considerando contestações ao ato pelo Processo 50.585, por Azeneth Martins de Campos e outros, e o Processo 50.853, por Azer Martins de Souza Campos e outros (DOESP / Judiciário, nº 194, edição de 29 de agosto de 1950, página 2), com imediata disputa judicial, prosseguinte pelos sucessores, em parte encerrada no ano de 2010 e outra ainda por decidir. 
Algumas datas da Chácara Peixe foram adquiridas, sem escritura definitiva, ou apossadas, em pontos esparsos, sendo que nas proximidades onde a erosão famílias pobres se estabeleceram para sobreviver do lixo urbano ali jogado, desde a faiscagem [catanças] do lixo às criações de porcos.  
Na Administração Aniceto Gonçalves (1977-1983), a Chácara Peixe foi aberta a porteira que limitava o expansionismo urbano adiante da Rua Conselheiro Saraiva. A partir daí aconteceu especulação imobiliária com as  vendas de terrenos, construções de imóveis residenciais modernos, ainda que sem a legalização do empreendimento e sem a necessária infra-estrutura.
As primeiras escrituras definitivas de terrenos e casas aconteceram em 2010, muitas ainda em processo de regularização, e questionadas pelos herdeiros e sucessores das famílias consideradas proprietárias originais.
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